Artigo em destaque: Linha de algodão condutora para costurar eletrônicos vestíveis.

O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Multifunctional Wearable Electronic Textiles Using Cotton Fibers with Polypyrrole and Carbon Nanotubes. Ravi M. A. P. Lima, Jose Jarib Alcaraz-Espinoza , Fernando A. G. da Silva, Jr., and Helinando P. de Oliveira. ACS Appl. Mater. Interfaces, 2018, 10 (16), pp 13783–13795. DOI: 10.1021/acsami.8b04695

Linha de algodão condutora para costurar eletrônicos vestíveis

Esta imagem de microscopia eletrônica de varredura (MEV) amplifica uma das “linhas eletrônicas” desenvolvidas neste trabalho, composta por algodão revestido com nanotubos de carbono e com polipirrol obtido por polimerização interfacial.
Esta imagem de microscopia eletrônica de varredura (MEV) amplifica uma das linhas condutoras desenvolvidas neste trabalho.

A “velha conhecida” linha de costura, universalmente usada, por exemplo, para pregar botões, foi recentemente transformada por uma equipe científica brasileira em um material condutor de eletricidade e multifuncional. De fato, os usos desta nova linha de costurar vão muito além da costura. Ela funciona muito bem como mini aquecedor elétrico, como componente de supercapacitores (dispositivos que armazenam e liberam energia, similares às baterias) e como agente bactericida. Além disso, a linha é flexível e confortável ao toque, e conserva suas propriedades eletrônicas mesmo depois de lavada, torcida, enrolada ou dobrada repetidas vezes.

Com essas características, a fibra pode cumprir um papel importante na eletrônica vestível –  o conjunto de dispositivos eletrônicos planejados para serem usados sobre o corpo humano, incorporados a roupas ou acessórios.

“Como a linha é um elemento básico para a concepção de têxteis, imaginamos que qualquer produto vestível possa fazer uso desta tecnologia”, diz Helinando Pequeno de Oliveira, professor da Universidade Federal do Vale de São Francisco (Univasf) e líder da equipe científica que desenvolveu a linha condutora e bactericida. Junto a outros três autores, todos ligados à Univasf, Oliveira assina um artigo sobre o assunto, que foi recentemente publicado no periódico científico ACS Applied Materials and Interfaces (fator de impacto= 7,504).

A fibra condutora e bactericida de Oliveira e seus colaboradores é feita de um material compósito, formado por linhas de algodão de 0,5 mm de diâmetro, revestidas com nanotubos de carbono e polipirrol. O material resultante apresenta, além de alta condutividade elétrica, boa atividade eletroquímica – característica necessária para que possa ser usado em supercapacitores.

Para fabricar a fibra condutora, a equipe da Univasf desenvolveu um processo bastante simples, formado por duas etapas principais. Na primeira etapa, pedaços de linha de algodão são submergidos em uma tinta de nanotubos de carbono quimicamente modificados de modo a aumentar sua interação com o algodão. Como resultado, a linha fica revestida por uma rede contínua de nanotubos interconectados.

A segunda etapa é destinada a revestir as fibras com um segundo material: o polipirrol. Para isso, inicialmente, prepara-se uma solução formada pelo composto pirrol e o solvente hexano, na qual se submergem as fibras revestidas com nanotubos. Em seguida, verte-se, em cima desta preparação, uma outra solução, formada por água e alguns compostos que acabarão se incorporando em quantidades muito pequenas à composição química do polipirrol num processo chamado “dopagem” do material. Na interface entre ambas as soluções, as quais não se misturam, ocorre então a união das pequenas moléculas de pirrol, resultando na formação de macromoléculas de polipirrol que se depositam na superfície das fibras. Este processo, no qual um polímero se forma na interface entre duas soluções, é chamado de “polimerização interfacial”. “Dado o bom nível de dopagem do polipirrol (otimizado para esta síntese) e a sua forte interação com os nanotubos funcionalizados, as fibras resultantes apresentam ótimas propriedades elétricas”, diz o professor Oliveira.

A equipe científica também produziu algumas variantes dessa linha de costurar condutora. Por exemplo, uma fibra sem nanotubos de carbono e outra fibra cujo revestimento de polipirrol foi produzido por meio de uma polimerização não interfacial. Entretanto, as linhas com nanotubos de carbono e polimerização interfacial mostraram o melhor desempenho elétrico e eletroquímico.

Aquecedores e supercapacitores em fibras de algodão

Primeira e segunda geração de protótipos do supercapacitor baseado nas linhas de costurar condutoras.
Primeira e segunda geração de protótipos do supercapacitor baseado nas linhas de costurar condutoras.

“A alta condutividade elétrica (em conjunto com a boa porosidade do material) fez do material um ótimo protótipo para aplicação em eletrodos de supercapacitores”, diz Oliveira. “Estas propriedades também viabilizaram o seu uso como aquecedor elétrico com tensões de operação bem baixas (da ordem de poucos volts). Junto a estas aplicações, se soma o potencial antibacteriano da matriz”, completa.

Além de testarem o desempenho da fibra condutora e bactericida de forma isolada no laboratório, Oliveira e seus colaboradores desenvolveram uma prova de conceito. “Usamos uma agulha para costurar a linha em uma luva”, conta o professor. “Com isso poderíamos monitorar a temperatura que a mão, vestindo esta luva, atingiria quando conectássemos o dispositivo a uma fonte de alimentação”, explica.

O sistema de aquecimento testado na luva pode ser adaptado a diversos contextos, como por exemplo uma versão ambulatória da termoterapia (aquecimento terapêutico de regiões do corpo, que é frequentemente utilizado em sessões de fisioterapia), com a vantagem adicional da ação antibacteriana. Essa propriedade é particularmente interessante em materiais que são usados em contato com a pele, já que, dessa maneira, evitam doenças e odores. No caso do polipirrol, a ação ocorre quando o material atrai eletrostaticamente as bactérias e promove o rompimento de sua parede celular, inibindo a sua proliferação.

Aquecimento local (em graus centígrados) proporcionado pela linha condutora costurada ao dedo indicador da luva, depois de aplicar uma tensão elétrica de 12 V.
Aquecimento local (em graus centígrados) proporcionado pela linha condutora costurada ao dedo indicador da luva, depois de aplicar uma tensão elétrica de 12 V.

Um possível produto vestível baseado na linha de costurar condutora é um casaco térmico. Ele poderia ser alimentado por meio de uma célula solar incorporada ao casaco, ou por meio de dispositivos triboelétricos, que colheriam a energia gerada pelo movimento do usuário do casaco. A energia resultante seria armazenada em um supercapacitor feito com a fibra condutora. Costurado ao casaco, o supercapacitor forneceria eletricidade ao aquecedor quando necessário.

Mais um exemplo é o da camiseta armazenadora de energia, na qual o grupo do professor Oliveira está trabalhando atualmente com o objetivo de gerar um produto comercializável. “No momento estamos otimizando a confecção de supercapacitores em peças de tecidos à base de algodão e lycra, como forma a conectá-los diretamente a geradores de energia portáteis, viabilizando assim o desenvolvimento de camisetas armazenadoras de energia”, revela Oliveira.

Ciência e tecnologia desenvolvida no sertão nordestino

O trabalho reportado no artigo da ACS Appl. Mater. Interfaces e seus desdobramentos foram totalmente realizados no Instituto de Pesquisa em Ciência dos Materiais da Univasf, no campus do município de Juazeiro, localizado ao norte do estado da Bahia.  A Univasf, que possui seis campi distribuídos no interior dos estados da Bahia, Pernambuco e Piauí, foi criada em 2002 e inaugurada em 2004. No mesmo ano, Oliveira tornou-se professor da instituição.

O desenvolvimento das linhas de algodão condutoras nasceu de uma linha de pesquisa sobre eletrônicos e dispositivos flexíveis, criada em 2016. Em 2017, a ideia virou tema do trabalho de mestrado de Ravi Moreno Araujo Pinheiro Lima, com orientação do professor Helinando Oliveira, dentro do Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Materiais na Univasf – Juazeiro, criado em 2007. O pós-doc José Jarib Alcaraz Espinoza, que estava otimizando sínteses de polímeros condutores para supercapacitores, adaptou uma metodologia à polimerização interfacial em algodão. Com isso, os pesquisadores perceberam que as linhas condutoras funcionavam como bons eletrodos de supercapacitores, e fabricaram esses dispositivos. Ao mesmo tempo, com a colaboração de Fernando da Silva Junior, doutorando do programa de pós-graduação institucional Rede Nordeste de Biotecnologia, a equipe testou a ação do material contra a bactéria Staphylococcus aureus, responsável por uma série de infecções de diversos graus de gravidade no ser humano.

“Estes resultados refletem o investimento do Brasil na interiorização de sua rede de instituições federais de ensino e pesquisa. Com isso, a migração do sertanejo rumo às grandes capitais na busca por conhecimento vem sendo reduzida. Agora há também mais ciência sendo produzida no sertão nordestino”, afirma o professor Oliveira. “No entanto, os recentes cortes em C&T têm lançado uma enorme nuvem de incerteza sobre o futuro da ciência no país (e em particular sobre estas jovens instituições). O governo brasileiro não tem o direito de jogar tantos sonhos no lixo. A ciência precisa superar mais esta crise”, completa o pesquisador.

Foto do grupo de pesquisa liderado pelo professor Oliveira no Instituto de Pesquisa em Ciência de Materiais. À direita, em azul, os autores do artigo.
Foto do grupo de pesquisa liderado pelo professor Oliveira no Instituto de Pesquisa em Ciência de Materiais. À direita, em azul, os autores do artigo.

XVII B-MRS Meeting: cerca de 1.700 trabalhos submetidos para apresentação.

logo17EncontroCerca de 1.700 resumos foram submetidos ao XVII Encontro da SBPMat/B-MRS Meeting, visando apresentação oral ou por meio de pôster em algum dos 21 simpósios que compõem esta edição do evento.

Os trabalhos submetidos são assinados por autores de 42 países do mundo e, dentro do Brasil, de 25 estados da federação, representando todas as regiões do país.

Atualmente, os trabalhos estão sendo avaliados pelos pareceristas dos simpósios. Até 25 de maio, os autores dos trabalhos receberão as notificações de aceitação, rejeição ou necessidade de modificação dos resumos.

Alguns dos simpósios contaram com mais de 100 trabalhos submetidos. Tal foi o caso dos simpósios sobre (nano)materiais para aplicações biomédicas (224 submissões), engenharia de superfícies (120), nanoestruturas de óxidos metálicos (118), e eletrônica e bioeletrônica orgânica (117).

Prof. Victor Pandolfelli é reeleito para o advisory board da World Academy of Ceramics.

Prof. Victor Carlos Pandolfelli (UFSCar).
Prof. Victor Carlos Pandolfelli (UFSCar).

O sócio da SBPMat Victor Carlos Pandolfelli, professor do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (DEMa-UFSCar), foi reeleito membro do advisory board da Academia Mundial de Ciências (World Academy of Ceramics, WAC) para cumprir seu segundo período de 4 anos (2018 a 2022). No board, o pesquisador brasileiro será, juntamente com o professor Gary Messing (Penn State) e o doutor M. Singh (NASA), representante das Américas.

Para compor o advisory board da WAC, é necessário ser membro da Academia e ser eleito em votação envolvendo todos os membros da mesma região do planeta (neste caso, o continente americano). Os nomes dos mais votados devem ser endossados pela presidência da Academia. Para ser membro da WAC, é necessário passar por um processo de seleção que inclui a indicação por dois membros efetivos, a avaliação da candidatura por um comitê de pares selecionados pela Academia e a aprovação final de pelo menos dez entre os doze membros do advisory board.

De acordo com o professor Pandolfelli, algumas das atividades que ele realizará no conselho nos próximos quatro anos são: revisar as regras de admissão na WAC, definir os membros que participarão dos novos processos de seleção dos candidatos, definir a temática e palestrantes para apresentação técnica e premiação no fórum científico para os membros da Academia.

A posse e primeira reunião do novo conselho serão realizadas em junho próximo em Perugia (Itália) na Itália.

Boletim da SBPMat – 68ª edição

 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 68. 30 de abril de 2018.
Artigo em Destaque

Dois professores e dois estudantes da UFPE reportaram, na prestigiada Nature Physics, a primeira observação de um fônon com spin – algo similar a uma rede de átomos vibrando e rotando. A equipe conseguiu esse resultado surpreendente depois de superar uma série de dificuldades experimentais. Saiba mais sobre esta descoberta, seus possíveis impactos e sua história. Aqui.

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Da Ideia à Inovação

Para inaugurar esta seção do boletim, dedicada a contar a trajetória de invenções que viraram produtos de sucesso, propomos uma brincadeira com você, leitor: uma adivinha. Aqui vai a primeira pista. Trata-se de um produto biomimético, metonímico, adorado pelas crianças… e muito prático. Veja aqui.

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XVII Encontro da SBPMat/ B-MRS Meeting
(Natal, RN, 16 a 20 de setembro de 2018)

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Some-se a nós, junto à praia, e faça parte desta grande reunião, onde ciência e tecnologia se agregarão à natureza para uma experiência ideal de aprendizagem e intercâmbio!

Submissão de resumos. Encerra hoje (30 de abril) o prazo de submissão. Acesse o sistema para enviar seu resumo.

Aceitação de trabalhos. Até 25 de maio, os autores de trabalhos submetidos receberão notificação a respeito da aceitação, rejeição ou necessidade de modificação dos resumos.

Prêmios para estudantes. Até 18 de junho, está aberta a submissão de resumos estendidos para candidatar trabalhos de estudantes aos prêmios Bernhard Gross e ACS Publications. Saiba mais.

Inscrições. Aproveite os valores com desconto até 31 de julho, e o desconto especial para sócios SBPMat. Saiba mais.

Conference Party. A festa do evento será na noite de 19 de setembro, à beira-mar, no Imirá Plaza Hotel & Convention, e terá patrocínio de periódicos científicos da ACS Publications. Saiba mais.

Auxílio Fapesp. Em breve, haverá informações sobre o pedido de auxílio coletivo à Fapesp para pesquisadores do estado de São Paulo. Aqui.

Hospedagem, transfer e passeios. Veja opções da agência de turismo oficial do evento, a Harabello. Aqui.

Palestras plenárias. Saiba quem são os 8 cientistas de renome internacional que proferirão as plenárias do evento e quais são os temas das palestras. Veja aqui.

Palestra memorial. A Memorial Lecture “Joaquim da Costa Ribeiro” será proferida pelo professor Fernando Galembeck, na abertura do evento.

Simpósios. Veja a relação dos 21 simpósios que compõem o evento. Aqui.

Expositores e patrocinadores. 16 empresas já reservaram seus estandes e 13 marcas participam do evento com outras formas de divulgação. Empresas interessadas em participar do evento podem entrar em contato com Alexandre no e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Organizadores. O coordenador do evento é o professor Antonio E. Martinelli (UFRN). Conheça a equipe do comitê organizador.

Centro de convenções. O evento será realizado no centro de convenções do Hotel Praiamar, localizado a metros da famosa praia de Ponta Negra. Saiba mais.

Natal. Destino turístico de visitantes do mundo todo, Natal também oferece um prazeroso ambiente para debates, interações e aprendizagem. O clima agradável (seco e com temperatura média de 25 °C em setembro), o povo acolhedor e a deliciosa culinária da cidade criam uma atmosfera de bem-estar que vai além das belezas naturais do seu litoral. Veja vídeo sobre Natal.

montagem natal

Novidades dos Sócios SBPMat

Antonio Martinelli (diretor científico da SBPMat) e Fernando Lázaro Freire Jr (ex-presidente da SBPMat) foram escolhidos coordenadores das áreas de Materiais e Astronomia/Física na CAPES. Aqui.

novos coordenadores

Vídeo: em entrevista concedida a programa da Rádio UFSCar, Edgar Zanotto (cofundador da SBPMat) fala sobre a importância do vidro, desde seu papel no início da revolução científica até o uso de vidros bioativos na área de saúde. O cientista também comenta o lugar dos grupos brasileiros na pesquisa mundial sobre materiais vítreos. Veja.

zanotto

Vídeo: em entrevista à TV NBR, a professora da UnB María del Pilar Hidalgo Falla fala sobre seu trabalho com nanocatalisadores, nanofiltros, nanossensores e fontes de energia alternativa, e sobre o prêmio da International Association of Advanced Materials que recebeu em fevereiro em evento na Singapura. Veja.

maria del pilar

Seja Sócio SBPMat: anuidade 2018 e novos sócios

Se você, estudante ou profissional, ainda não é sócio SBPMat, está convidado a fazer parte. Sócios em dia se beneficiam com descontos nos eventos da SBPMat e de entidades parceiras, podem participar de prêmios da SBPMat e parceiros, divulgar suas novidades nos canais da SBPMat, e votar e ser votados nas eleições da sociedade, entre outras vantagens. Além disso, contribuem para que a SBPMat possa promover ações junto à comunidade de pesquisa em Materiais.

Se você já é sócio SBPMat, poderá encontrar seu boleto referente à anuidade 2018 na sua área de sócio, inserindo login e senha no cabeçalho do site da SBPMat.

Saiba mais.

Dicas de Leitura

  • Canais bidimensionais: pesquisa brasileira fornece descrição detalhada dos mecanismos pelos quais membranas de óxido de grafeno separam água de álcool (paper da Carbon). Saiba mais.

  • Método para desenvolvimento super rápido de materiais, baseado em inteligência artificial + “fábrica de experimentos”, leva à descoberta de novos vidros metálicos (paper da Science Advances). Saiba mais.

  • Cientistas propõem material que é quase cristal e superfluido ao mesmo tempo (paper da Physical Review Letters). Saiba mais.

Oportunidades

  • Chamada da rede M-ERA NET (União Europeia) e FAPESP para projetos transnacionais de pesquisa e inovação em Materiais. Saiba mais.

  • Edital para Professor Visitante na UFPEL. Saiba mais.

  • Pós-doc no LNNano-CNPEM: fabricação de dispositivos miniaturizados para aplicações em eletrônica. Saiba mais.

  • Pós-doutorado no CTNano (MG) em nanocompósitos poliméricos aditivados com nanomateriais. Saiba mais.

  • Pós-doutorado em Física da Matéria Condensada e outras sub-áreas da Física na UFSC. Saiba mais.

  • Vaga para pós-doc no Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do IFSC/USP. Candidatos devem ter experiência em biossensores eletroquímicos. Saiba mais.

  • Processo seletivo para mestrado e doutorado em Física da UFSC. Saiba mais.

  • Processo seletivo para mestrado e doutorado em Materiais na USP São Carlos. Saiba mais.
  • Estágio e vagas no CNPEM. Saiba mais.

Eventos

  • Workshop Paranaense sobre Nanomateriais e Materiais Funcionais. Londrina, PR (Brasil). 2 a 4 de maio de 2018. Site.

  • Simpósio “Homenagem aos 90 anos do prof. Sérgio Mascarenhas”. São Carlos, SP (Brasil). 4 de maio de 2018. Site.

  • 6º Encontro Nacional de Engenharia Biomecânica (ENEBI 2018). Águas de Lindoia, SP (Brasil). 8 a 11 de maio de 2018. Site.

  • 2a Escola de Pesquisadores do campus USP São Carlos. São Carlos, SP (Brasil). 9 e 10 de maio de 2018. Site.

  • 8th International Symposium on Natural Polymers and Composites. São Pedro, SP (Brasil). 27 a 30 de maio de 2018. Site.

  • Photonic Colloidal Nanostructures: Synthesis, Properties, and Applications (PCNSPA 2018). São Petersburgo (Rússia). 4 a 6 de junho de 2018. Site.

  • 7th International Congress on Ceramics (ICC7). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 17 a 21 de junho de 2018. Site.

  • IX Método Rietveld. Fortaleza, CE (Brasil). 16 a 20 de julho de 2018. Site.

  • International Conference on Electronic Materials 2018 (IUMRS-ICEM). Daejeon (Coreia do Sul). 19 a 24 de agosto de 2018. Site.

  • Symposium “Nano-engineered coatings, surfaces and interfaces” no “XXVII International Materials Research Congress”. Cancun (México). 19 a 24 de agosto de 2018. Site.

  • 8th International Conference on Optical, Optoelectronic and Photonic Materials and Applications (ICOOPMA2018). Maresias, SP (Brasil). 26 a 31 de agosto de 2018. Site.

  • 16th International Conference on Molecule-based Magnets (ICMM2018). Rio de Janeiro, RJ (Brasil). 1 a 5 de setembro de 2018. Site.

  • XVII Encontro da SBPMat/ B-MRS Meeting. Natal, RN (Brasil). 16 a 20 de setembro de 2018. Site.

  • XXXIX Congresso Brasileiro de Aplicações de Vácuo na Indústria e na Ciência (CBrAVIC). Joinville, SC (Brasil). 8 a 11 de outubro de 2018. Site.

  • São Paulo School of Advanced Science on Colloids (SPSAS Colloids). Campinas, SP (Brasil). 28 de outubro a 7 novembro de 2018. Site.

  • International Conference of Young Researchers on Advanced Materials (ICYRAM 2018). Adelaide (Austrália). 4 a 8 de novembro de 2018. Site.

  • 6th Meeting on Self Assembly Structures In Solution and at Interfaces. São Pedro, SP (Brasil). 7 a 9 de novembro de 2018. Site.

  • 3rd International Brazilian Conference on Tribology (TriboBR 2018). Florianópolis, SC (Brasil). 3 a 5 de dezembro de 2018. Site.

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XVII B-MRS Meeting: submission system remains open until May 4th.

Yesterday, April 30th, was the deadline for abstract submission to the 17th Brazil-MRS meeting, Natal, 2018. However, the organization received a number of messages from last minute authors experiencing system difficulty to send their contributions. Therefore, the system will remain open until May 4th to receive your abstract.

For details, visit https://www.sbpmat.org.br/17encontro/home/

Brazil-MRS 2018 Organizing Committee

Da ideia à inovação: Uma invenção biomimética que virou metonímia.

Adivinha.

O que é, o que é?

É talvez o mais conhecido dentre os produtos biomiméticos (isto é, produtos desenvolvidos pelo ser humano imitando seres vivos que foram “desenvolvidos” pela natureza ao longo de muitos milhões de anos).

É um caso de invenção que virou inovação (entrou no mercado) e, depois de algum tempo, teve enorme aceitação entre os consumidores. Seu uso se espalhou pelo planeta Terra (em terra firme, água e ar) e chegou até a Lua.

É uma invenção que foi a semente de uma companhia multinacional que hoje comercializa milhares de produtos.

Você não adivinhou? Vai mais uma pista.

A palavra popularmente usada para designar este produto corresponde, na verdade, a uma marca registrada, e não ao objeto em si. É um caso de metonímia, parecido ao dos “cotonetes ®” (o nome correto neste caso seria “hastes flexíveis com pontas de algodão”).

Já sabe de qual invenção estamos falando? Ainda não? Então, leia atentamente a história desta invenção.

Frutos de uma planta do gênero Arctium, similares àqueles que inspiraram a invenção. Créditos: https://en.wikipedia.org/wiki/Bur#/media/File:Burdock_Hooks.jpg
Frutos de uma planta do gênero Arctium, similares àqueles que inspiraram a invenção. Créditos: https://en.wikipedia.org/wiki/Bur#/media/File:Burdock_Hooks.jpg

Tudo começou em 1941, nos Alpes suíços. George de Mestral, um engenheiro eletrônico suíço de trinta e poucos anos, estava de volta de um passeio pela montanha com seu cachorro, retirando os carrapichos que tinham grudado no pelo do cão e na roupa dele durante a caminhada. Essas bolinhas revestidas de espinhos são os frutos de algumas famílias de plantas, e sua capacidade de aderirem ao pelo de animais é uma vantagem dessas espécies, pois ajuda a dispersar as sementes que estão dentro do fruto.

Conta a história que, nesse momento, Mestral se perguntou por que os carrapichos grudavam e decidiu observá-los com um microscópio que havia na casa dele. O engenheiro percebeu então que a fixação ocorria entre dois elementos: por um lado, minúsculos laços formados na pelagem emaranhada do cachorro ou na superfície dos tecidos; por outro, as pontas dos pequenos espinhos dos carrapichos, as quais tinham forma de gancho. Esses “ganchinhos” flexíveis enredavam-se nos lacinhos e só se desprendiam ao afastar com certa força ambos os elementos (ganchos e laços). Com olhar biomimético e espírito inventor (Mestral apresentou sua primeira patente aos 12 anos), ele enxergou nesse sistema natural de fixação reversível, um modelo para desenvolver artificialmente um produto muito útil.

Já adivinhou qual é a invenção? Se sim ou se não, veja como continua a história.

Figura contida na patente US2717437A, representando o método para produzir o tecido com ganchos nas pontas dos fios.
Figura contida na patente US2717437A, representando o método para produzir o tecido com ganchos nas pontas dos fios.

Durante alguns anos, George de Mestral enfrentou o desafio de criar um protótipo desse sistema de minúsculos ganchos e laços. O problema principal era desenvolver um método que permitisse fabricar de modo simples uma faixa de tecido na qual se erguesse, perpendicularmente, uma boa concentração de ganchinhos flexíveis.

Parece que o processo não foi nada fácil, e que Mestral sofreu para encontrar gente que o ajudasse a produzir tal tecido. Contudo, em 1952, ele depositou um pedido de patente no escritório de patentes dos Estados Unidos sobre um tecido desse tipo e a forma de fabricá-lo. No documento, Mestral apresentou um “tecido tipo veludo”, pois era coberto, assim como o veludo, de um denso “bosque” de fios empinados. Entretanto, diferentemente do veludo, no novo tecido os fios eram de nylon (material que tinha sido recentemente criado), e uma boa parte dos fios tinha pontas em forma de gancho. O processo de fabricação proposto na patente era similar ao do veludo tradicional, usando um tear, só que com alguns truques adicionais para formatar os ganchos nas pontas dos fios de nylon.

Concedida em 1955, essa parece ser a primeira de uma série de patentes do engenheiro suíço em torno da invenção que é a resposta da nossa adivinha.

Em seguida, Mestral fundou uma empresa para fabricar e comercializar o produto. Contudo, o sistema de fabricação que tinha proposto na patente não era completamente mecanizado e não lhe permitia uma produção em escala industrial. O acabamento para gerar os ganchos era manual… e  muito trabalhoso. O engenheiro teve que esperar cerca de 20 anos desde seu “heureca!” para obter um tear capaz de produzir em massa o tecido com os ganchinhos.

Ao acasalar o tecido com os ganchinhos com outro tecido coberto por um emaranhado de lacinhos, Mestral obteve um produto para fixação reversível, com mil e uma utilidades, e com potencial para revolucionar o mercado dos zíperes e botões.

No início, o sistema inventado por Mestral não tinha uma aparência muito atraente. Porém, aos pouquinhos, ele foi ganhando visibilidade (de colunas em jornais até filmes futuristas) e sendo adotado por diversos segmentos. No final da década de 1960, por exemplo, a invenção começou a ser utilizada por fabricantes de calçado esportivo, substituindo os cadarços, e se destacou no programa espacial da NASA “Apollo” como sistema para fixar pequenos objetos às paredes das naves espaciais, impedindo que ficassem flutuando.

Atualmente, o produto está super disseminado. Ele ajuda a resolver pequenos problemas do dia-a-dia em escritórios, lojas, residências, hospitais, laboratórios, passarelas, escolas…

Precisa de mais uma pista para adivinhar qual é a invenção? Aqui vai. É a última:

Em 1956, George de Mestral obteve o registro de marca para sua empresa. O nome inventado pelo suíço é a união de duas palavras em francês (idioma predominante na região da Suíça onde ele nasceu e morreu): “velours” (veludo) e “crochet” (gancho).

Não precisamos dizer o nome desta invenção, não é mesmo? Até porque é proibido. “Velcro” designa hoje a empresa multinacional que comercializa esse e outros produtos similares, e é também a marca registrada usada para todos os produtos da empresa, e não apenas para o “fixador de gancho e laço”. Vá explicar isso para as crianças, que gostam tanto do V________, principalmente nos tênis…

Imagem de microscópio mostrando como os ganchos se enredam nos laços nesta invenção. Créditos: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Micrograph_of_hook_and_loop_fastener,(Velcro_like).jpg
Imagem de microscópio mostrando como os ganchos se enredam nos laços nesta invenção. Créditos: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Micrograph_of_hook_and_loop_fastener,(Velcro_like).jpg

 

Artigo em destaque: Redes de átomos em rotação.

O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Detecting the phonon spin in magnon–phonon conversion experiments. J. Holanda, D. S. Maior, A. Azevedo & S. M. Rezende. Nature Physics (2018) doi:10.1038/s41567-018-0079.

Redes de átomos em rotação

box quanticaNo início deste mês de abril, uma equipe científica brasileira anunciou, em artigo publicado na Nature Physics (fator de impacto 22,806), uma impactante novidade sobre a dimensão atômica e subatômica da natureza, objeto da Física Quântica, na qual minúsculas partículas que também se comportam como ondas movimentam-se sem parar.

A equipe, liderada pelo professor Sergio Machado Rezende, conseguiu detectar experimentalmente, pela primeira vez na história da ciência, fônons com spin – algo parecido a uma vibração coletiva de átomos interligados (fônon) girando em torno de um eixo (spin). “Nunca qualquer pessoa tinha observado um fônon com spin antes destes experimentos”, contextualiza Rezende, que é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A pesquisa foi totalmente realizada no Departamento de Física da UFPE, com financiamento de agências de apoio à pesquisa federais (CNPq, CAPES e FINEP) e estadual (FACEPE).

A descoberta poderá ter um impacto importante na chamada “spintrônica”, tanto do ponto de vista fundamental (compreensão de fenômenos) quanto aplicado. Assim como a eletrônica utiliza a carga elétrica dos elétrons para desenvolver tecnologia, a ainda incipiente spintrônica aproveita o spin das partículas para codificar dados e armazená-los, transportá-los e decodifica-los. Nesse contexto, a evidência apresentada no artigo da Nature Physics abre possibilidades de aproveitamento dos fônons no desenvolvimento de dispositivos spintrônicos.

Uma descoberta que quase não aconteceu

A pesquisa que gerou o artigo foi desenvolvida dentro do doutorado em Física de José Holanda da Silva Júnior, defendido em 20 de abril deste ano na UFPE, e orientado pelo professor Sergio Rezende. Além de ser conhecido por ter exercido o cargo de ministro da Ciência e Tecnologia de 2005 a 2010, Rezende trabalha com materiais magnéticos há mais de meio século, sendo um cientista internacionalmente destacado nessa área. Rezende também é sócio fundador da SBPMat.

Os 4 autores do artigo. A partir da esquerda: Antônio Azevedo da Costa (professor da UFPE), José Holanda da Silva Júnior (que acaba de obter seu diploma de doutor pela UFPE), Daniel Souto Maior Pifano Ferreira (doutorando na UFPE) e Sergio Machado Rezende (professor da UFPE).
Os 4 autores do artigo. A partir da esquerda: Antônio Azevedo da Costa (professor da UFPE), José Holanda da Silva Júnior (que acaba de obter seu diploma de doutor pela UFPE), Daniel Souto Maior Pifano Ferreira (doutorando na UFPE) e Sergio Machado Rezende (professor da UFPE).

A ideia do trabalho de tese era gerar uma onda de spin em um material ferromagnético adequado e convertê-la em um uma onda elástica. Dito em termos quânticos, o objetivo era converter “mágnons” em “fônons” – transformação que é possível realizar desde que, nos materiais ferromagnéticos, o movimento dos spins pode provocar vibrações na rede de átomos.

A ideia da conversão mágnon – fônon foi bastante estudada nas décadas de 1960 e 1970, comenta Rezende. Entretanto, naquele momento, não foi possível obter evidências experimentais claras da existência da conversão, já que os materiais disponíveis para fazer os experimentos (materiais “massivos”) limitavam a observação do efeito. “Usava-se cilindros de materiais ferromagnéticos”, conta Rezende. “O efeito ocorria, mas era dentro do material e não havia forma de testar se realmente ele estava ocorrendo”, completa. Para se obter evidências mais definitivas, era necessário utilizar camadas muito finas de material ferromagnético.

Nos últimos 20 anos, explica Rezende, desenvolveu-se tecnologia para fabricar filmes finos de diversos materiais. Com isso, o interesse acadêmico pela conversão mágnon – fônon voltou, gerando diversos avanços na compreensão do fenômeno na última década.

Nesse novo contexto, no início do trabalho de tese de José Holanda, em 2014, o doutorando, seu orientador e o colaborador Antônio Azevedo da Costa (também professor do Departamento de Física da UFPE) conseguiram fabricar um filme fino do material ferromagnético mais adequado para estudar a conversão mágnon – fônon, a granada de ítrio e ferro. Com esse filme fino, a equipe preparou amostras em forma de fitas de 2 x 12 milímetros quadrados de superfície e 8 micrômetros de espessura, e realizou com elas dois tipos de experimentos principais.

O primeiro consiste, em grandes linhas, em aplicar radiação de micro-ondas numa das duas pontas do filme, gerando uma excitação nos spins do material. Como consequência, a rotação (spin) se orienta em torno do campo magnético que é aplicado (fenômeno conhecido como precessão). Essa precessão coletiva inicia numa ponta da amostra e se propaga como uma onda até chegar à outra ponta, motivo pela qual é chamada de “onda de spin”.

Se o campo magnético aplicado à amostra for uniforme, a onda de spin se atenua e não chega a se converter em onda elástica. Por isso, a equipe de Pernambuco utilizou ímãs de terras-raras (um em cada ponta da amostra) para provocar variações no campo magnético ao longo do filme, acompanhando o deslocamento da onda de spin.

Os experimentos com micro-ondas geraram evidências de que a conversão mágnon – fônon estava acontecendo, mas o grupo considerou importante confirmar ou não os resultados por meio de medidas do chamado “espalhamento Brillouin”. Nesse experimento, aplica-se luz laser em algum ponto da amostra e se analisa o espalhamento da luz pelas excitações no material. O resultado permite determinar qual é a natureza da excitação (neste caso, mágnon ou fônon) que está interagindo com a luz. “A grande vantagem de usar um filme em vez de um material massivo é que você pode incidir o laser em qualquer posição do filme e pode variar o ângulo de incidência”, explica Rezende.

Ilustração do sistema de espalhamento Brioullin de luz por fônons gerados pela conversão de mágnons e resultados da medida da polarização da luz.
Ilustração do sistema de espalhamento Brioullin de luz por fônons gerados pela conversão de mágnons, e resultados da medida da polarização da luz.

José Holanda ainda estava no início do doutorado, portanto havia de tempo de sobra e as perspectivas eram muito boas. Entretanto, o equipamento de espalhamento Brioullin da UFPE apresentou alguns problemas e, por ser um instrumento científico de certa complexidade, não era possível prever quando voltaria a ficar em condições de operar normalmente. Assim, enquanto dois estudantes se dedicavam a consertar o equipamento, Holanda se envolveu em outros trabalhos do grupo, obtendo bons resultados e participando de vários artigos.

Foi só no segundo semestre de 2017, no final de seu doutorado, que José Holanda pôde voltar ao equipamento de espalhamento Brioullin para completar seu trabalho sobre conversão mágnon – fônon. “Nós não sabíamos se ele ia conseguir fazer as medidas porque isso não é uma coisa trivial, e seria a primeira experiência dele com o equipamento”, conta o professor Rezende. Os experimentos foram finalmente realizados com ajuda do mestrando Daniel Souto Maior Pifano Ferreira.

A espera valeu a pena. Além de verificar que a onda de spin (mágnons) submetida a um campo magnético não uniforme realmente tinha se convertido em onda elástica (fônons), a equipe se deparou com uma surpresa: esses fônons espalhavam luz circularmente polarizada – uma evidência de que tinham spin. “Nós não esperávamos que o fônon produzido pela conversão do mágnon também tivesse um certo movimento de rotação, que é o que a gente chama de spin”, conta Rezende.

Depois de fazer essa descoberta pela via experimental, a equipe fez os cálculos teóricos correspondentes. “Confirmamos que a teoria previa, realmente, que o fônon tivesse spin, mas nós não sabíamos a teoria antes”, revela o professor Rezende.

Em questão de semanas, Rezende, Holanda, Azevedo e Maior terminavam de preparar um artigo reportando esta pesquisa, o qual, após ser ampliado e aprofundado a partir de sugestões dos revisores, foi publicado no passado 2 de abril na prestigiada Nature Physics.

Diretor e ex-presidente da SBPMat são escolhidos coordenadores das áreas de Materiais e Astronomia/Física na CAPES.

Professores Antonio Eduardo Martinelli (esquerda) e Fernando Lázaro Freire Jr (direita).
Professores Antonio Eduardo Martinelli (esquerda) e Fernando Lázaro Freire Jr (direita).

Dois participativos sócios da SBPMat constam na lista de novos coordenadores de área (mandato 2018 – 2022), divulgada pela CAPES no dia 6 de abril.

O professor Antonio Eduardo Martinelli (Departamento de Engenharia de Materiais da UFRN) foi reconduzido como coordenador da Área de Materiais da CAPES. Atualmente, Martinelli é diretor científico da SBPMat e chairman do XVII Encontro da SBPMat/B-MRS Meeting. Ele também foi diretor da sociedade nos períodos 2008-2009 e 2016-2017.

O professor Fernando Lázaro Freire Jr (Departamento de Física da PUC-Rio) foi escolhido coordenador da Área de Astronomia/Física da CAPES. Membro da diretoria fundadora da SBPMat, Freire Jr cumpriu dois mandatos como presidente da sociedade (2006-2007 e 2008-2009) e dois como diretor (2004-2005 e 2012-2013). Ele coordenou a Área de Física e Astronomia da FAPERJ de 2008 a 2012, foi diretor do CBPF de 2011 a 2015 e diretor do Departamento de Física da PUC-Rio de 2003 a 2008.

De acordo com a CAPES, os coordenadores de área são consultores designados para coordenar, planejar e executar as atividades de suas áreas junto à CAPES, incluindo aquelas relativas à avaliação dos programas de pós-graduação. O processo de escolha dos coordenadores envolve todos os programas de pós-graduação do Brasil da área em questão, bem como conselhos e autoridades da CAPES.

Veja a notícia da CAPES divulgando os novos coordenadores de área: http://www.capes.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/8823-capes-divulga-relacao-de-novos-coordenadores-de-area

Boletim da SBPMat – 67ª edição.

 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 67. 30 de março de 2018.
Notícias da SBPMat

Anuidades 2018 e novos sócios.

Se você, estudante ou profissional, ainda não é sócio SBPMat, está convidado a fazer parte. Sócios em dia se beneficiam com descontos nos eventos da SBPMat e de entidades parceiras, podem participar de prêmios da SBPMat e parceiros, e podem votar e ser votados nas eleições da SBPMat, entre outras vantagens. Além disso, contribuem para que a SBPMat possa promover ações junto à comunidade de pesquisa em Materiais.

Se você já é sócio SBPMat, poderá encontrar seu boleto referente à anuidade 2018 na sua área de sócio, inserindo login e senha no cabeçalho do site da SBPMat.

Saiba mais.

XVII Encontro da SBPMat/ B-MRS Meeting
(Natal, RN, 16 a 20 de setembro de 2018)

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Some-se a nós, junto à praia, e faça parte desta grande reunião, onde ciência e tecnologia se agregarão à natureza para uma experiência ideal de aprendizagem e intercâmbio!

Submissão de resumos. Até 15 de abril, você pode submeter seu trabalho dentro de algum dos simpósios aprovados para apresentação oral ou em forma de pôster. Saiba mais nas instruções para autores.

Simpósios. Veja a relação dos 21 simpósios que compõem o evento. Aqui.

Inscrições. Aproveite os valores com desconto até 31 de julho, e o desconto especial para sócios SBPMat. Saiba mais.

Prêmios para estudantes. Até 18 de junho, está aberta a submissão de resumos estendidos para candidatar trabalhos de estudantes aos prêmios Bernhard Gross e ACS Publications. Saiba mais.

Hospedagem, transfer e passeios. Veja opções da agência de turismo oficial do evento, a Harabello. Aqui.

Palestras plenárias. Saiba quem são os 8 cientistas de renome internacional que proferirão as plenárias do evento e quais serão os temas das palestras. Veja aqui.

Palestra memorial. A Memorial Lecture “Joaquim da Costa Ribeiro” será proferida pelo professor Fernando Galembeck, na abertura do evento.

Expositores e patrocinadores. 16 empresas já reservaram seus estandes. Empresas interessadas em participar do evento com estandes e outras formas de divulgação podem entrar em contato com Alexandre no e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Organizadores. O coordenador do evento é o professor Antonio E. Martinelli (UFRN). Conheça a equipe do comitê organizador.

Centro de convenções. O evento será realizado no centro de convenções do Hotel Praiamar, localizado a metros da famosa praia de Ponta Negra. Saiba mais.

Natal. Destino turístico de visitantes do mundo todo, Natal também oferece um prazeroso ambiente para debates, interações e aprendizagem. O clima agradável (seco e com temperatura média de 25 °C em setembro), o povo acolhedor e a deliciosa culinária da cidade criam uma atmosfera de bem-estar que vai além das belezas naturais do seu litoral. Veja vídeo sobre Natal.

montagem natal

Artigo em destaque

Uma equipe científica com ampla participação brasileira desenvolveu um material compósito que apresentou excelente desempenho como remediador ambiental, mais precisamente para eliminar corantes tóxicos de corpos de água. O novo material é formado por uma matriz polimérica, preparada a partir de rejeitos de poliestireno, e nanopartículas fotocatalisadoras. O trabalho foi reportado na Applied Materials & Interfaces. Saiba mais.

nanoespumas

Cientista em destaque

Entrevistamos o pesquisador Carlos Frederico Oliveira Graeff, professor titular e Pró-reitor de Pesquisa da UNESP. Graeff foi coautor de uma diversidade de contribuições à Ciência e Tecnologia de Materias, inclusive no campo da energia fotovoltaica – tema que abordará em palestra plenária no XVII B-MRS Meeting. Saiba um pouco mais sobre este cientista brasileiro, sócio fundador da SBPMat, desde a infância dele até o presente, e veja a mensagem que deixou para os pesquisadores mais jovens. Aqui.

graeff

Novidades dos sócios SBPMat

Guillermo Solórzano, presidente fundador da SBPMat, é eleito fellow da Microscopy Society of America (MSA). Aqui.

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Fernando Galembeck, sócio fundador da SBPMat, será distinguido com a Memorial Lecture “Joaquim da Costa Ribeiro”, reconhecimento da SBPMat a pesquisadores seniores de destacada trajetória na área.

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Artigo sobre estado vítreo, de Edgar Zanotto (cofundador da SBPMat), encabeça lista dos mais baixados do Journal of Non-Crystalline Solids (Elsevier). Saiba mais.

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História da pesquisa em Materiais no Brasil

Há 30 anos, 3 professores de universidades do interior paulista decidiram criar em conjunto um laboratório interdisciplinar para instalar equipamentos que estavam encaixotados por falta de espaço físico. Nascia assim o LIEC-UFSCar, semente e atual sede do CMDF. Do laboratório, além de muitos pesquisadores formados, surgiram centenas de trabalhos de pesquisa básica e aplicada, projetos em colaboração com a indústria, empresas spinoff e projetos de extensão e difusão. Saiba mais.

liec news

Dicas de leitura

  • Superlattice: Com novo método, cientistas fabricam estrutura com propriedades únicas, composta por até centenas de camadas de materiais 2D intercaladas com moléculas (paper da Nature). Saiba mais.

  • Cientistas desenvolvem grafeno magnético, primeiro material não metálico com propriedades magnéticas a temperatura ambiente (paper da Nature Communications). Saiba mais.

  • No mercado. Fundada por doutora em Materiais, empresa spinoff do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) aplica MEV e testes de resistência mecânica a cabelos para diagnóstico de saúde capilar. Saiba mais.

Oportunidades

  • CNPEM busca novo diretor-geral. Saiba mais.

  • LNNano busca jovens talentos em Nanotecnologia. Saiba mais.

  • Chamada de propostas para as linhas de luz do LNLS. Saiba mais.

  • Pós-doc no IPEN em células a combustível de óxido sólido. Saiba mais.

  • Concurso para professor na UFMS. Saiba mais.

  • Inscrições abertas para a 13ª edição do Prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência. Saiba mais.

Eventos

  • I Simpósio Brasileiro de Materiais e Pesquisas Relacionadas. Juiz de Fora, MG (Brasil). 10 a 13 de abril de 2018. Site.

  • Primer Encuentro de Jóvenes Investigadores en Ciencias de Materiales. Montevideu (Uruguai). 13 a 14 de abril de 2018. Site.

  • 4ª Reunião de Argilas Aplicadas e I Ciclo de Minicursos em Materiais. Teresina, PI (Brasil). 18 a 20 de abril de 2018. Site.

  • Workshop Paranaense sobre Nanomateriais e Materiais Funcionais. Londrina, PR (Brasil). 2 a 4 de maio de 2018. Site.

  • 6º Encontro Nacional de Engenharia Biomecânica (ENEBI 2018). Águas de Lindoia, SP (Brasil). 8 a 11 de maio de 2018. Site.

  • 8th International Symposium on Natural Polymers and Composites. São Pedro, SP (Brasil). 27 a 30 de maio de 2018. Site.

  • Photonic Colloidal Nanostructures: Synthesis, Properties, and Applications (PCNSPA 2018). São Petersburgo (Rússia). 4 a 6 de junho de 2018. Site.

  • 7th International Congress on Ceramics (ICC7). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 17 a 21 de junho de 2018. Site.

  • International Conference on Electronic Materials 2018 (IUMRS-ICEM). Daejeon (Coreia do Sul). 19 a 24 de agosto de 2018. Site.

  • Symposium “Nano-engineered coatings, surfaces and interfaces” no “XXVII International Materials Research Congress”. Cancun (México). 19 a 24 de agosto de 2018. Site.

  • 8th International Conference on Optical, Optoelectronic and Photonic Materials and Applications (ICOOPMA2018). Maresias, SP (Brasil). 26 a 31 de agosto de 2018. Site.

  • 16th International Conference on Molecule-based Magnets (ICMM2018). Rio de Janeiro, RJ (Brasil). 1 a 5 de setembro de 2018. Site.

  • XVII Encontro da SBPMat/ B-MRS Meeting. Natal, RN (Brasil). 16 a 20 de setembro de 2018. Site.

  • XXXIX Congresso Brasileiro de Aplicações de Vácuo na Indústria e na Ciência (CBrAVIC). Joinville, SC (Brasil). 8 a 11 de outubro de 2018. Site.

  • International Conference of Young Researchers on Advanced Materials (ICYRAM 2018). Adelaide (Austrália). 4 a 8 de novembro de 2018. Site.

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