Ricardo Rodrigues: nota de pesar.


A SBPMat lamenta o falecimento de Antonio Ricardo Droher Rodrigues, líder da Divisão de Engenharia do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Ricardo Rodrigues foi líder técnico-científico do projeto e construção das duas fontes de luz síncrotron brasileiras, UVX (desenvolvida nas décadas de 1980 e 1990 e em operação desde 1997) e Sirius (fonte de quarta geração desenvolvida a partir de 2009, atualmente em fase de testes). Rodrigues faleceu no dia 3 de janeiro de 2020, aos 68 anos de idade. A Diretoria Executiva da SBPMat expressa seu pesar pela partida prematura deste cientista brasileiro que deu grandes contribuições à nossa comunidade.

Boletim da SBPMat. 88ª edição.


 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 88. 18 de dezembro de 2019.

boas festas sbpmat

Mensagem de Ano Novo da SBPMat

Com esta mensagem de Ano Novo, saúdo toda a comunidade da SBPMat, no Brasil e no exterior.

O ano de 2019 que se encerra foi novamente de grandes desafios para a ciência, tecnologia e inovação no Brasil, assim como para as universidades públicas. A preocupação da SBPMat com o cenário no País foi expressa em notas públicas e na manifestação intitulada Carta de Camboriú, em que mais uma vez foi ressaltado o papel fundamental que a geração e transferência de conhecimento exerce para a sociedade. Em 2020 precisamos continuar atentos às ações e políticas implementadas por governos em diferentes níveis, pois não se pode esperar desenvolvimento sustentável do Brasil sem essa geração de conhecimento, hoje feita essencialmente por universidades e organizações públicas. Não haverá desenvolvimento se o trabalho diligente de pesquisadores do Brasil não for acompanhado de financiamento continuado. Nenhum país do mundo se desenvolveu ou se desenvolve sem aportes de recursos públicos para a construção de uma base tecnológica.

A despeito das dificuldades mencionadas, a resiliência da comunidade científica brasileira, e a de pesquisa em materiais em particular, trouxe grandes contribuições em 2019. Muitas delas foram registradas nos boletins mensais da SBPMat e em nossos outros canais de comunicação. Nosso Encontro anual em Balneário Camboriú teve número recorde de inscrições e uma das maiores audiências de todos os tempos. O entusiasmo dos estudantes e pesquisadores foi de um contraste marcante com o pessimismo justificado pelos percalços desde o início do ano. Isso nos dá razão para otimismo em 2020, e a SBPMat continuará seus esforços para propiciar um espaço para debate e divulgação das contribuições científico-tecnológicas de pesquisadores, do Brasil e exterior.

Após dois mandatos, com encerramento em fevereiro de 2020, à frente da SBPMat, esta é minha última mensagem como presidente. Aproveito para agradecer imensamente aos meus colegas de diretoria e conselho da SBPMat, e desejo saúde e sucesso em 2020 a toda comunidade de pesquisa em materiais, na expectativa de encontrar muitos de vocês em Foz do Iguaçu (PR), de 30 de agosto a 3 de setembro, para o nosso próximo Encontro.

Professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior
Presidente da SBPMAT

Notícias da SBPMat

– Artigos sobre temas da área de materiais fazem parte do mais recente volume dos Anais da Academia Brasileira de Ciências (AABC), como resultado da chamada de papers realizada em 2018 pelos AABC e a SBPMat. Saiba mais.

Novidades dos Sócios SBPMat

– Carlos Alejandro Figueroa (UCS), sócio da SBPMat e membro eleito do Conselho Deliberativo, foi escolhido pela Royal Society para receber um Newton Advanced Fellowship. Saiba mais.

– O sócio da SBPMat Miguel Henrique Boratto é vencedor do Prêmio Capes de Tese 2019 na área de Materiais, por sua tese de doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Materiais da Unesp-Bauru. Saiba mais.

– Luciana Reyes Pires Kassab (Faculdade de Tecnologia de São Paulo/CEETEPS) e Sidney José Lima Ribeiro (UNESP – Campus de Araraquara), ambos sócios da SBPMat, são coeditores de livro da Elsevier sobre nanocompósitos para fotônica e eletrônica. Saiba mais.

19 encontro_banner_560 px

XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM 2020
(Foz do Iguaçu, Brasil, 30 de agosto a 3 de setembro de 2020)

Site do evento: www.sbpmat.org.br/19encontro/

Simpósios. 49 propostas de simpósio de 18 países foram submetidas dentro da chamada. A lista de simpósios aprovados será divulgada assim que possível. Saiba mais.

Plenárias e palestra memorial. Sete cientistas internacionalmente destacados já confirmaram presença como palestrantes do evento. Saiba mais no site do evento.

Local do evento. O evento será realizado no hotel Rafain Palace, localizado em Foz do Iguaçu (PR). Saiba mais.

Hospedagem. Veja opções de hospedagem da agência de turismo oficial do evento, aqui.

Evento conjunto. O evento reunirá a 19ª edição do encontro anual da SBPMat e a 17ª edição da conferência internacional sobre materiais eletrônicos organizada bienalmente pela União Internacional de Sociedades de Pesquisa em Materiais (IUMRS).

Organização. Prof. Gustavo Martini Dalpian (UFABC) é o coordenador geral, Carlos Cesar Bof Bufon (LNNANO) é coordenador de programa e Flavio Leandro de Souza (UFABC) é o secretário geral. No comitê internacional, o evento conta com cientistas da América, Ásia, Europa e Oceania. Saiba mais no site do evento.

Expositores e patrocinadores. Empresas e outras entidades interessadas em participar do evento como expositores, patrocinadores ou apoiadores, podem entrar em contato com Alexandre pelo e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Dicas de Leitura

– Cientistas geram dispositivo similar a um “sanduíche” de materiais 2D e controlam propriedades eletrônicas do grafeno (o “recheio”) mudando a rotação dos “pães” (paper da Nature Nanotechnology). Saiba mais.

– Novo método de purificação de água baseado em nanopartículas magnéticas revestidas com líquido iônico remove contaminantes orgânicos, inorgânicos, microbianos e microplásticos (paper da Angewandte Chemie). Saiba mais.

– Pesquisadores do Brasil usam nióbio (abundante no país) como cocatalisador de célula a combustível, diminuindo o custo e aumentando a durabilidade desse dispositivo para geração de energia elétrica (paper destacado em capa da ChemEletroChem). Saiba mais.

– Pesquisadores do Brasil desenvolvem soluções para remoção de petróleo da água, baseadas em nanomateriais magnéticos e resíduos de biomassa (papers do Journal of Environmental Management). Saiba mais.

Oportunidades

– Concurso para professor de Química Teórica Computacional na UFSCar. Saiba mais.

Eventos

World Forum for Women in Science – Brazil 2020 + 4th International Conference for Women in Science without Borders: Energy, Water, Health, Agriculture and Environment for Sustainable Development. Rio de Janeiro, RJ (Brasil). 10 a 14 de fevereiro de 2020. Site.

Pan American Ceramics Congress and Ferroelectrics Meeting of Americas (PACC-FMAs 2020). Panamá (Panamá). 19 a 23 de julho de 2020. Site.

XIX B-MRS Meeting + 2020 IUMRS ICEM (International Conference on Electronic Materials). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 30 de agosto a 3 de setembro de 2020. Site.

5th International Conference of Surfaces, Coatings and NanoStructured Materials – Americas (NANOSMAT-Americas). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 7 a 10 de outubro de 2020. Site.

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Mensagem de Ano Novo da SBPMat.


Com esta mensagem de Ano Novo, saúdo toda a comunidade da SBPMat, no Brasil e no exterior.

O ano de 2019 que se encerra foi novamente de grandes desafios para a ciência, tecnologia e inovação no Brasil, assim como para as universidades públicas. A preocupação da SBPMat com o cenário no País foi expressa em notas públicas e na manifestação intitulada Carta de Camboriú, em que mais uma vez foi ressaltado o papel fundamental que a geração e transferência de conhecimento exerce para a sociedade. Em 2020 precisamos continuar atentos às ações e políticas implementadas por governos em diferentes níveis, pois não se pode esperar desenvolvimento sustentável do Brasil sem essa geração de conhecimento, hoje feito essencialmente por universidades e organizações públicas. Não haverá desenvolvimento se o trabalho diligente de pesquisadores do Brasil não for acompanhado de financiamento continuado. Nenhum país do mundo se desenvolveu ou se desenvolve sem aportes de recursos públicos para a construção de uma base tecnológica.

A despeito das dificuldades mencionadas, a resiliência da comunidade científica brasileira, e a de pesquisa em materiais em particular, trouxe grandes contribuições em 2019. Muitas delas foram registradas nos boletins mensais da SBPMat e em nossos outros canais de comunicação. Nosso Encontro anual em Balneário Camboriú teve número recorde de inscrições e uma das maiores audiências de todos os tempos. O entusiasmo dos estudantes e pesquisadores foi de um contraste marcante com o pessimismo justificado pelos percalços desde o início do ano. Isso nos dá razão para otimismo em 2020, e a SBPMat continuará seus esforços para propiciar um espaço para debate e divulgação das contribuições científico-tecnológicas de pesquisadores, do Brasil e exterior.

Após dois mandatos, com encerramento em fevereiro de 2020, à frente da SBPMat, esta é minha última mensagem como presidente. Aproveito para agradecer imensamente aos meus colegas de diretoria e conselho da SBPMat, e desejo saúde e sucesso em 2020 a toda comunidade de pesquisa em materiais, na expectativa de encontrar muitos de vocês em Foz do Iguaçu (PR), de 30 de agosto a 3 de setembro, para o nosso próximo Encontro.

Professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior

Presidente da SBPMAT

ano novo sbpmat

Sócios da SBPMat são editores de livro da Elsevier sobre nanocompósitos para fotônica e eletrônica.


Prof. Luciana Kassab e Prof. Sidney Ribeiro
Prof. Luciana Kassab e Prof. Sidney Ribeiro

A professora Luciana Reyes Pires Kassab (Faculdade de Tecnologia de São Paulo/CEETEPS) e o professor Sidney José Lima Ribeiro (UNESP – Campus de Araraquara), ambos sócios da SBPMat, são coeditores do livro Nanocomposites for Photonic and Electronic Applications. Também participou da edição o professor Raúl Rangel-Rojo, da Universidad Autónoma Metropolitana (México). O trabalho de edição do livro foi motivado por um convite da editora Elsevier.

Recentemente publicado pela Elsevier, o livro aborda as aplicações desses materiais em fotônica, eletrônica, óptica, biofotônica e energias renováveis, além de suas propriedades e técnicas de preparação e caracterização. Mais informações sobre o livro: https://www.elsevier.com/books/nanocomposites-for-photonics-and-electronics-applications/pires-kassab/978-0-12-818396-0

Sócio da SBPMat ganha Prêmio Capes de Tese da área de Materiais.


Miguel Henrique Boratto
Miguel Henrique Boratto

O sócio da SBPMat Miguel Henrique Boratto é vencedor do Prêmio Capes de Tese 2019 na área de Materiais, pela tese de doutorado de sua autoria, intitulada “Semiconducting and insulating oxides applied to electronic devices“, defendida em 2018 no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Materiais da Unesp-Bauru, e realizada sob orientação do professor Luis Vicente de Andrade Scalvi.

Boratto recebeu o prêmio em Brasília no dia 12 de dezembro.

Artigos da comunidade de materiais nos Anais da Academia Brasileira de Ciências.


AABCSete artigos sobre temas da área de materiais fazem parte do mais recente volume dos Anais da Academia Brasileira de Ciências (AABC). Este é o resultado da chamada de artigos realizada em 2018 pelos AABC em parceria com a SBPMat, com a temática “Materials Sciences for a Better Future”. “Esta foi uma grande oportunidade para se comemorar o sucesso das pesquisas na área de Materiais no Brasil”, diz o professor Frank Crespilho, editor associado dos AABC. Para participar da chamada, os autores submeteram seus trabalhos por meio do site da revista no SciELO.

A AABC publica artigos científicos de todas as áreas do conhecimento, e trabalhos de Ciência e Tecnologia de Materiais são bem-vindos em todas as edições. As publicações dos AABC não têm custo para os autores e podem ser acessadas livremente. Mais informações para autores podem ser encontradas em http://www.scielo.br/revistas/aabc/iinstruc.htm.

De acordo com o presidente da SBPMat, professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior, a importância crescente da pesquisa em materiais tem se revelado em grandes avanços tecnológicos em todas as áreas. Nesse contexto, a SBPMat tem desempenhado o papel de congregar estudantes e pesquisadores do Brasil, e seus colaboradores de outros países. “A parceria com a Academia Brasileira de Ciências é um marco importante dessa atuação da SBPMat, consolidada com essa série de artigos publicados nos Anais da Academia Brasileira de Ciências”, afirma o presidente da SBPMat. “A qualidade dos artigos e variedade de tópicos nessa edição dos Anais são representativas da pujança da comunidade de pesquisadores em materiais no Brasil”, completa.

Os artigos publicados podem ser acessados sem custo (acesso aberto) no volume 91, número 4 dos Anais da Academia Brasileira de Ciências. Segue a lista de artigos em temas da área de Materiais publicados nesse número da revista:

Sócio e conselheiro da SBPMat ganha Newton Advanced Fellowship da Royal Society.


Prof Carlos A. Figueroa
Prof Carlos A. Figueroa

O professor Carlos Alejandro Figueroa (UCS) foi selecionado pela Royal Society, umas das sociedades científicas mais antigas e renomadas do mundo, com sede em Londres, para receber um Newton Advanced Fellowship, com o qual desenvolverá pesquisa, ao longo de dois anos, sobre materiais de ultrabaixo atrito em colaboração com um grupo da University of Southampton (Reino Unido).

Figueroa é sócio da SBPMat e foi eleito membro do conselho deliberativo da Sociedade para 2020-2024.

Boletim da SBPMat. 87ª edição.


 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 87. 30 de novembro de 2019.

Notícias da SBPMat

Eleições na SBPMat. Veja os resultados da votação que elegeu a Diretoria Executiva da SBPMat para 2020 e 2021 e seis novos membros do Conselho Deliberativo. Pela primeira vez, a Diretoria será presidida por uma mulher. Veja aqui.

– Prêmio José Arana Varela. Diretoria da SBPMat criou um prêmio que presta homenagem ao professor José Arana Varela e distingue anualmente um(a) pesquisador(a) de atuação destacada no Brasil. Saiba mais.

University Chapters. A 12ª unidade do programa UCs da SBPMat foi criada na UFABC. Saiba mais sobre o novo UC, aqui.

Artigo em Destaque

Equipe científica da UFRGS desenvolveu um tratamento para remoção de contaminantes, dopagem e passivação de defeitos em grafeno. O processo adequa-se à produção em larga escala de grafeno e pode tornar o material apto para uso em dispositivos eletrônicos. O trabalho foi recentemente publicado no Journal of Materials Chemistry C. Saiba mais.

imagem news

Da Ideia à Inovação

Em 15 anos de existência, a Nanox lançou cerca de 30 produtos e atendeu mais de 200 clientes de 14 países. Atualmente, o carro-chefe da empresa são os aditivos antimicrobianos à base de prata. Saiba mais sobre a Nanox e a visão de seu CEO e fundador, Gustavo Simões, aqui.

nanox news

Novidades dos Sócios SBPMat

– Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP), sócio e atual presidente da SBPMat, integra lista tríplice para escolha de diretor científico da FAPESP. Saiba mais.

– A sócia e diretora eleita da SBPMat Andrea Simone Stucchi de Camargo (IFSC-USP) é uma das coordenadoras de evento internacional para mulheres na ciência. Saiba mais.

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XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM 2020
(Foz do Iguaçu, Brasil, 30 de agosto a 3 de setembro de 2020)

Site do evento: www.sbpmat.org.br/19encontro/

Simpósios. 49 propostas de simpósio de 18 países foram submetidas dentro da chamada. A lista de simpósios aprovados será divulgada em dezembro. Saiba mais.

Plenárias e palestra memorial. Sete cientistas internacionalmente destacados já confirmaram presença como palestrantes do evento. Saiba mais no site do evento.

Local do evento. O evento será realizado no hotel Rafain Palace, localizado em Foz do Iguaçu (PR). Saiba mais.

Hospedagem. Veja opções de hospedagem da agência de turismo oficial do evento, aqui.

Evento conjunto. O evento reunirá a 19ª edição do encontro anual da SBPMat e a 17ª edição da conferência internacional sobre materiais eletrônicos organizada bienalmente pela União Internacional de Sociedades de Pesquisa em Materiais (IUMRS).

Organização. Prof. Gustavo Martini Dalpian (UFABC) é o coordenador geral, Carlos Cesar Bof Bufon (LNNANO) é coordenador de programa e Flavio Leandro de Souza (UFABC) é o secretário geral. No comitê internacional, o evento conta com cientistas da América, Ásia, Europa e Oceania. Saiba mais no site do evento.

Expositores e patrocinadores. Empresas e outras entidades interessadas em participar do evento como expositores, patrocinadores ou apoiadores, podem entrar em contato com Alexandre pelo e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Dicas de Leitura

– Sirius: elétrons fizeram a primeira volta completa no acelerador principal da nova fonte brasileira de luz síncrotron, mostrando que não há falhas em seus 518 metros de circunferência. Saiba mais.

– Nova técnica pode reduzir tempo de carregamento de baterias de carros elétricos de 50 a 10 minutos. Saiba mais.

– Trabalho com participação brasileira desenvolve microbateria de gelatina vegetal que poderia ser usada dentro do organismo (implantes, exames etc). Saiba mais.

Entrevista com membros da comunidade SBPMat sobre simulação computacional de materiais baseada em mecânica quântica: história, limitações e desafios, e um recente trabalho deles que ajuda a tornar essas simulações mais precisas e realistas. Saiba mais.

Oportunidades

– Pós-doutorado em Fotônica não linear no IFSC-USP. Saiba mais.

– Pós-doutorado em filmes para células solares com bolsa FAPERJ. Saiba mais.

– Pós-doutorado em Química de Materiais e Catálise Heterogênea na UFF. Saiba mais.

Pós-doutorado em membranas no CTNano. Saiba mais.

– Seleção para mestrado e doutorado em nanobiossistemas. Saiba mais.

– Seleção para mestrado e doutorado em Física na UFRN. Saiba mais.

– Seleção para mestrado e doutorado em Física da UFSC: inscrições prorrogadas até 02/12. Saiba mais.

– Oportunidades de mestrado e doutorado na área de membranas na UFPR. Saiba mais.

Eventos

VI Encontro Brasileiro de Espectroscopia Raman. Belém, PA (Brasil). 1 a 4 de dezembro de 2019. Site.

World Forum for Women in Science – Brazil 2020 + 4th International Conference for Women in Science without Borders: Energy, Water, Health, Agriculture and Environment for Sustainable Development. Rio de Janeiro, RJ (Brasil). 10 a 14 de fevereiro de 2020. Site.

XIX B-MRS Meeting + 2020 IUMRS ICEM (International Conference on Electronic Materials). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 30 de agosto a 3 de setembro de 2020. Site.

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Artigo em destaque: Grafeno dopado e sem defeitos para uso em dispositivos eletrônicos.


O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Chemical Doping and Etching of Graphene: Tuning the Effects of NO Annealing. G. K. Rolim, G. V. Soares, H. I. Boudinov, and C. Radtke. J. Phys. Chem. C,  2019, 123, 43, 26577-26582. https://doi.org/10.1021/acs.jpcc.9b02214.

Artigo em destaque: Grafeno dopado e sem defeitos para uso em dispositivos eletrônicos

O grafeno já é usado na fabricação de alguns produtos, desde capacetes que dissipam o calor até embalagens antiestáticas. Entretanto, o material maravilhoso, como costuma ser chamado, ainda tem muito a entregar à sociedade. Por ser bidimensional, flexível e excelente condutor da eletricidade, entre outras propriedades, o grafeno pode ser a base de uma série de dispositivos eletrônicos e optoeletrônicos miniaturizados e de altíssimo desempenho. Entretanto, para isso, é preciso produzir, em escala industrial, um grafeno cuja rede de átomos esteja livre de impurezas indesejadas, mas que contenha, além do carbono inerente ao grafeno, pequenas quantidades de outros elementos (dopagem) para, dessa maneira, controlar suas propriedades eletrônicas.

Em um trabalho totalmente realizado no Brasil, uma equipe científica propôs um processo que pode ajudar a produzir, em grande escala, um grafeno apto para dispositivos eletrônicos. “O processo desenvolvido em nosso grupo permite melhorar e ajustar as propriedades do grafeno, além da remoção de contaminantes da sua superfície”, disse o professor Cláudio Radtke (UFRGS), autor correspondente do artigo que reporta o trabalho, recentemente publicado no The Journal of Physical Chemistry C.

Foto dos autores do trabalho. Da esquerda para a direita: Henri Boudinov, Cláudio Radtke Gabriel Vieira Soares (todos professores da UFRGS) e Guilherme Koszeniewski Rolim (bolsista de pós-doutorado do Pragrama de Pós-Graduação em Microeletrônica na UFRGS).
Foto dos autores do trabalho. Da esquerda para a direita: Henri Boudinov, Cláudio Radtke Gabriel Vieira Soares (todos professores da UFRGS) e Guilherme Koszeniewski Rolim (bolsista de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Microeletrônica na UFRGS).

A equipe adquiriu amostras de grafeno produzidas por CVD (chemical vapor deposition) e transferidas a substratos de silício. Essa técnica é, no momento, uma das mais adequadas para a produção em larga escala de folhas de grafeno de área relativamente grande, mas deixa impurezas residuais e gera defeitos no grafeno. Para remover as impurezas, é comum a aplicação de um tratamento térmico em atmosfera de dióxido de carbono (CO2), o qual é eficiente na eliminação dos contaminantes, mas acaba gerando novos defeitos na folha de grafeno. A boa notícia é que esses defeitos podem ser neutralizados (passivados).

Procurando, justamente, estratégias de passivação desses defeitos, o então aluno de doutorado Guilherme Koszeniewski Rolim encontrou um artigo científico de 2011, que apontava, por meio de cálculos teóricos, a possibilidade de usar óxido nítrico (NO) para passivar os defeitos do grafeno com átomos de nitrogênio e, ao mesmo tempo, dopá-lo para modular suas propriedades eletrônicas (principalmente, transformá-lo em um material semicondutor, condição essencial para usá-lo em dispositivos eletrônicos).

A equipe decidiu então verificar experimentalmente a predição teórica e, depois de realizar o tradicional tratamento com CO2 a 500 °C, aplicaram nas amostras um segundo tratamento térmico, este em atmosfera de óxido nítrico e a diferentes temperaturas, desde temperatura ambiente até 600 °C.

Depois do processo, os pesquisadores usaram diversas técnicas de caracterização para conferir os resultados e confirmaram, com alegria, que a dopagem com nitrogênio tinha acontecido e que ela tinha passivado os defeitos, melhorando assim as propriedades eletrônicas do material. Entretanto, os pesquisadores observaram também um efeito indesejado do tratamento com óxido nítrico: a degradação (etching) das folhas grafeno em alguns pontos. Depois de bastante trabalho científico, a equipe conseguiu determinar a causa. Durante o aquecimento, ocorria uma conversão de NO em NO2, o qual, por ser um composto muito mais reativo que o primeiro, acabava oxidando o grafeno.

Contudo, a equipe brasileira foi capaz de encontrar uma solução para esse problema. O “eureca” ocorreu enquanto os pesquisadores tentavam determinar a quantidade de átomos de nitrogênio que tinham se incorporado ao grafeno, mediante uma técnica baseada na análise de reações nucleares desencadeadas pela ação de um feixe de íons nas amostras de grafeno. Para poder aplicar essa técnica, a equipe teve que utilizar, no tratamento térmico, um óxido nítrico isotopicamente enriquecido, o qual tem uma pureza de 99,9999% em vez dos 99,9% do gás utilizado anteriormente.

Esquema ilustrativo dos parâmetros a serem controlados no processo proposto pela equipe brasileira. O equilíbrio entre pureza do gás e temperatura garante a obtenção de folhas de grafeno melhores para uso em dispositivos eletrônicos.
Esquema ilustrativo dos parâmetros a ser controlados no processo proposto pela equipe brasileira. O equilíbrio entre pureza do gás e temperatura garante a obtenção de folhas de grafeno melhores para uso em dispositivos eletrônicos.

A análise não rendeu os resultados esperados, pois não conseguiu quantificar o nitrogênio, que estava abaixo do limite de detecção. Contudo, o uso do gás enriquecido acabou trazendo muita satisfação à equipe. De fato, quando os pesquisadores compararam as propriedades eletrônicas dos dois de tipos de amostra, eles constataram que o grafeno tratado com o gás enriquecido sempre apresentava propriedades superiores. “Inicialmente tal resultado gerou bastante confusão na interpretação dos resultados”, conta o professor Radtke. “Mas, após mais alguns experimentos, passou a ser um dos pontos mais importantes do artigo, evidenciando a importância da pureza do gás durante o processamento”, completa. Concretamente, a conclusão foi que controlar adequadamente a temperatura e a pureza do gás durante o tratamento elimina o problema da degradação do grafeno por oxidação.

Dessa maneira, com bastante conhecimento e método científico, além de uma pequena intervenção do acaso, a equipe da UFRGS conseguiu desenvolver um processo de remoção de resíduos, neutralização de defeitos e dopagem do grafeno, que melhorou as propriedades eletrônicas do material sem gerar efeitos colaterais deletérios. Por se tratar de um tratamento térmico em atmosfera de gases, etapa que já faz parte da produção industrial de grafeno, o processo proposto pela equipe brasileira poderia ser facilmente aplicado à fabricação de folhas de grafeno para dispositivos.

“A inserção de heteroátomos (como o nitrogênio) na rede do grafeno sem a degradação de suas propriedades é especialmente importante na produção de dispositivos optoeletrônicos, transistores de alta velocidade, eletrônica de baixa potência e células fotovoltaicas”, destaca Radtke, lembrando que a fabricação desses dispositivos baseados em grafeno pode ser uma realidade nos próximos anos. “O Graphene Flagship (consórcio europeu de indústrias, universidades e institutos) anunciou a implementação de uma planta piloto para integrar grafeno em diferentes etapas da produção de dispositivos já em 2020”, comenta o professor da UFRGS.

O estudo, que contou com apoio financeiro das agências brasileiras CNPQ (principalmente por meio dos INCTs Namitec e INES), Capes e Fapergs, foi desenvolvido dentro do doutorado em Microeletrônica de Guilherme Koszeniewski Rolim, realizado no Programa de Pós-Graduação em Microeletrônica da UFRGS e defendido em 2018. O trabalho experimental foi feito no Laboratório de Superfícies e Interfaces Sólidas da UFRGS e no Laboratório Nacional de Luz Sincrotron do CNPEM.

Da ideia à inovação: 15 anos de trajetória da Nanox.


Colaborador no Laboratório de Microbiologia da Nanox. Na mesa, um dos produtos da empresa.
Colaborador no Laboratório de Microbiologia da Nanox. Na mesa, um dos produtos da empresa.

Em 2004, três jovens formados em Química pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criavam uma empresa de materiais baseados em nanotecnologia. Hoje, a Nanox conta com cerca de 30 produtos desenvolvidos, uma plataforma tecnológica formada por sete patentes (três mundiais, uma na Europa, uma nos Estados Unidos) e um histórico de mais de 200 clientes atendidos, não apenas no Brasil, mas também em outros 13 países.

O negócio da Nanox consiste em desenvolver, produzir e comercializar materiais baseados em nanotecnologia cujas propriedades (bactericida, fungicida, repelente, antissuor, antialérgico…) agreguem valor a determinado produto (embalagem, piso, tapete, camiseta…). Dessa maneira, a Nanox fornece a seus clientes (empresas dos mais diversos segmentos) nanomateriais que podem ser facilmente incorporados a seus produtos e que trazem benefícios tangíveis para seus consumidores finais.

Atualmente, os “carros-chefe” da Nanox são os aditivos antimicrobianos à base de prata. A empresa desenvolveu uma série de produtos desse tipo dentro de três grandes linhas: os aditivos em solução (líquidos), em forma de pó (sólidos), e já misturados a materiais poliméricos.

Como mostra a razão entre o número de produtos lançados e os anos de existência da empresa (cerca de 30 inovações em 15 anos), na Nanox a palavra inovação faz parte do dia-a-dia. Geralmente, o processo acontece da seguinte forma. Em seus contatos com o mercado, a equipe da Nanox identifica demandas latentes que podem ser supridas mediante a aplicação das tecnologias que a empresa domina. A equipe, então, valida suas ideias de inovação com potenciais clientes e, finalmente, começa a trabalhar no desenvolvimento dos produtos.

Na sua sede de 500 m2, localizada na cidade de São Carlos (SP), a Nanox possui cerca de 150 m2 de laboratórios internos para pesquisa e desenvolvimento e controle de qualidade. São três laboratórios de físico-química, um de engenharia de materiais e um de microbiologia, no qual a equipe realiza os testes de eficiência bactericida e fungicida. A empresa conta com dois pesquisadores (um mestre e um doutor) dedicados às atividades de P&D, mas, dependendo do projeto e da fase de desenvolvimento, a equipe envolvida pode incluir até cinco pessoas. Além disso, a Nanox tem parceria com laboratórios de pesquisa externos para realizar as atividades nas quais não existe expertise interna e para aquelas que necessitam equipamentos muito caros, como a caracterização de materiais por microscopia eletrônica ou raios X.

História e cases

Tudo começou em um centro de pesquisa da UFSCar apoiado pela Fapesp, o Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), hoje Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF). Ali, sob orientação do professor Elson Longo, os amigos André Luiz de Araujo (que trabalhou na empresa até 2011 e permanece até o presente como acionista), Daniel Tamassia Minozzi (atual COO) e Luiz Gustavo Pagotto Simões (atual CEO) faziam suas pesquisas de iniciação científica e mestrado.

Em 2004, frente a uma demanda que a empresa brasileira de eletrodomésticos Multibrás apresentou ao CMDMC, o trio acabou enxergando uma oportunidade de empreendimento no segmento de materiais baseados em nanotecnologia, setor que contava com poucos produtos e pouquíssimas empresas no Brasil naquele momento.

Para viabilizar esse primeiro projeto, que consistia no desenvolvimento de filmes nanoestruturados para proteger superfícies metálicas, a Nanox conseguiu financiamento do programa Pipe da Fapesp, dedicado a apoiar pesquisa para inovação em pequenas empresas do estado de São Paulo. Esse seria o primeiro de sete financiamentos obtidos pela Nanox no programa Pipe para apoiar diversas fases do desenvolvimento de tecnologias e produtos, além de recursos da Finep para inovação (por meio do Programa de Subvenção Econômica) e do CNPq (bolsas RHAE, de pesquisador na empresa).

Em 2005, a Nanox vendia um produto próprio pela primeira vez. Era um filme com nanopartículas de dióxido de titânio aplicado nos filtros de ar de secadores de cabelo usados em salões de beleza, fabricados pela empresa brasileira Taiff. O efeito bactericida e fungicida do nanomaterial garantia mais higiene no salão e saúde para os clientes. O produto rendeu à Nanox um Prêmio Finep de Inovação em 2007, além de bastante divulgação e visibilidade.

Em 2006, ao perceber que havia muito espaço para inovações da Nanox em produtos de plástico, os sócios decidiram começar a desenvolver nanomateriais em forma de aditivos que pudessem ser incorporados a diversos polímeros. Por meio de parcerias com empresas (os clientes da Nanox), essas inovações chegaram até o consumidor final. Um exemplo são os filmes de PVC (aqueles que se usam no ambiente doméstico para embalar frutas cortadas e outros alimentos) com escudo antibacteriano. Em 2014, a empresa brasileira AlpFilm lançou uma linha de filmes com aditivos da Nanox cujo efeito antibacteriano e antifúngico permite conservar por mais tempo os alimentos embalados ao evitar sua degradação. Outro case da Nanox é o da embalagem que dobra a validade do leite fresco graças à ação antibacteriana do aditivo. A primeira garrafa de leite bactericida do mundo começou a ser usada pela agroindústria brasileira Agrindus em 2015, e foi manchete de sites e revistas do segmento de alimentos e embalagens de vários países.

No ano de 2009 houve mais um marco na história da Nanox. Uma apresentação que a empresa preparou para uma equipe da General Electric no Brasil foi parar na filial da empresa no México e gerou tanto interesse que, 15 dias depois, a Nanox estava fazendo sua primeira exportação, a qual consistiu em aditivos para plástico para fabricar caixas de geladeiras no México. A partir desse momento, a Nanox começou a olhar mais para o mercado externo, iniciando uma estratégia que inclui investimentos em feiras internacionais, representantes em diversos países e treinamento da equipe para lidar com questões burocráticas inerentes ao processo de exportação e à introdução dos produtos da Nanox nos diferentes países. Essa caminhada percorrida se reflete hoje em exportações que representam 12% do faturamento da empresa, com vendas recorrentes para Argentina, Chile, Colômbia e México; meio caminho andado para entrar no mercado dos Estados Unidos, e distribuidores em países da América Latina, Europa Oriental e Ásia. Além disso, a Nanox participou neste ano de um programa de aceleração de negócios da Plug and Play Tech Center, plataforma de inovação sediada no Vale do Silício que já recebeu empresas como a Dropbox e PayPal. A Nanox foi uma das 15 selecionadas entre 1.000 empresas do mundo.

Veja a nossa entrevista com Luiz Gustavo Pagotto Simões, mestre (2005) e doutor (2009) em Química pela UNESP, co-fundador e atual CEO da Nanox.

Gustavo Simões e Daniel Minozzi, CEO e COO da Nanox respectivamente, no Plug and Play Tech Center.
Gustavo Simões e Daniel Minozzi, CEO e COO da Nanox respectivamente, no Plug and Play Tech Center.

Boletim da SBPMat: – Quais foram os fatores mais importantes que permitiram que a Nanox se desenvolva nas diversas fases?

Gustavo Simões: – Foi uma soma de fatores. Os recursos financeiros, tanto os públicos quanto os de venture capital – estes últimos a partir de 2006, quando a empresa virou uma S.A. -,  e também o trabalho dos empreendedores e do time para validar os produtos e colocá-los no mercado. Nós sempre usamos os recursos da Fapesp e Finep para diminuir os custos de aquisição de capital para desenvolvimento, principalmente em alguns momentos cruciais da empresa. Por exemplo, em um momento em que a gente tinha uma tecnologia, mas a escala dela era muito pequena, nós conseguimos um PIPE fase 3 que nos permitiu aumentar a escala de produção. O investidor também foi importante, melhorou a estrutura administrativa e comercial da empresa. O mais importante foi validar tudo aquilo que a gente achava que podia ser produto Nanox, e não dá para fazer isso sem dinheiro ou sem gente. Além disso, não podemos deixar de agradecer o professor Elson Longo, que acompanhou a Nanox em todas suas fases como torcedor, conselheiro científico, parceiro, divulgador…

Boletim da SBPMat: – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas até momento pela Nanox?

Gustavo Simões: – Realmente comercializar nanotecnologia no Brasil não é nada fácil. Naquela época, muita gente falou que queria ter nanotecnologia, mas muito poucos apostaram. A gente teve muita sorte de ter alguns parceiros-chave como a Taiff e a IBBL. Essas empresas resolveram, frente a um mercado tão competitivo como o brasileiro, se diferenciar e colocar um produto como o nosso no produto deles. Então, a dificuldade de conseguir clientes sempre foi uma das maiores. E também a de sobreviver nessa loucura que é o Brasil para empreender. As variações na taxa de câmbio, por exemplo, impactam diretamente na empresa, e a gente tem que ir contornando as situações, tem que ter um pouco de jogo de cintura. É difícil planejar e sair aquilo que você planejou.

Boletim da SBPMat: – A Nanox é reconhecida em vários lugares do mundo e exporta seus produtos para diversos países. Conte-nos um pouco sobre a internacionalização da Nanox e como é para esta empresa brasileira concorrer nos mercados externos.

Gustavo Simões: – Os mercados da América Latina são parecidos com o brasileiro. São menos regulados, o que aumenta a possibilidade de concorrência porque sempre pode haver um player local que compita com você. Por outro lado, esses mercados são mais fáceis de acessar do que os mais regulados, como o dos Estados Unidos, onde você precisa de vários registros e licenças das agências reguladoras, que requerem uma série de estudos e testes caros. Nem todo mundo está disposto a fazer tudo isso. Então, a maior regulamentação cria uma barreira de entrada ao mercado que diminui a quantidade de concorrentes. Nós estamos nesse processo de conseguir licenças para poder vender nossos produtos nos Estados Unidos e já conseguimos algumas. Em alguns produtos, nós vamos ter apenas três concorrentes nos Estados Unidos.

Além dessa questão regulatória, outros fatores que dificultam a exportação são os culturais, como a língua. Na América Latina, o Brasil é o único país de língua portuguesa. No Brasil tem também algumas burocracias, as bancárias, por exemplo, que atrapalham as exportações ou, até mesmo, fazem um negócio não valer a pena. Isso tem que mudar.

Então, fazer internacionalização é caro. Tem que participar de feiras no exterior e ter um time treinado na burocracia da exportação e na regulamentação dos mercados que se quer alcançar. Porém, eu acho que, em produtos como os nossos, mais intensivos em tecnologia e menos em mão de obra, o Brasil é bem competitivo. A gente tem até incentivo para exportar; se você exporta, você não paga alguns impostos e o produto fica com preço mais competitivo no exterior. Exportações representam aproximadamente 12% do faturamento da Nanox, mas essa porcentagem deve crescer. Depois da última feira internacional da qual participamos (do segmento de plásticos) recebemos pedidos do Irã, índia, Paquistão…

Boletim da SBPMat: – Qual é, na sua visão, a principal contribuição da Nanox para a sociedade?

Gustavo Simões: – Uma contribuição é a formação de recursos humanos, sempre com uma convivência muito boa aqui dentro. Muita gente passou por aqui já e hoje estão trabalhando super bem em multinacionais. Além disso, acho importante compartilhar por meio de reportagens, palestras etc. a nossa experiência do ponto de vista do empreendedorismo, para mostrar que existe uma forma diferente de trabalhar que não é numa empresa privada ou como professor na universidade. É importante mostrar que existe a possibilidade e que há incentivos e apoios no país, talvez nem tantos quanto a gente gostaria, mas muito mais do que em outros lugares. Além disso, a outra contribuição que a gente deixa são nossos produtos para segurança alimentar e melhor qualidade de vida. Mas, como o próprio Elson [Longo] diz, se eu conseguir deixar uma linha na literatura, já é muita coisa; agora, se eu puder motivar uma pessoa a empreender e tocar um projeto, isso é muito importante.

Boletim da SBPMat: – Qual é sua meta/seu sonho para a Nanox?

Gustavo Simões: – A gente quer consolidar a internacionalização, e queremos nos colocar como um player global. A gente está fazendo um movimento bem forte, apesar de o dólar estar castigando a gente, porque estamos ganhando em reais e gastando em dólares. Nos próximos 5 anos, temos expectativa de ter uma participação maior do mercado internacional nas receitas, tanto que abrimos um escritório nos Estados Unidos e estamos falando com investidores para obter recursos de lá.

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para as pessoas que avaliam a possibilidade de empreender.

Gustavo Simões: – Eu colocaria que empreender vale a pena e é necessário. Eu acho que o conhecimento técnico que a gente obtém em nossos cursos de graduação, por exemplo em Materiais, não deixa a desejar para qualquer outro lugar do mundo. A gente tem que converter o conhecimento em riqueza, e só existe uma forma de fazer isso que é empreender.

Eu acho que essa questão da interação universidade-empresa e spin-offs é o futuro para a gente criar uma economia diferenciada baseada em valor agregado num país onde temos um mercado consumidor enorme. Se a gente conseguir utilizar todos esses recursos financeiros e humanos, essas pessoas extremamente bem formadas, e gerar produtos e serviços para a economia, acho que o futuro é bem promissor.