SBPMat entrega placa em homenagem a Ricardo Rodrigues.


Entrega da placa da SBPMat à viúva de Ricardo Rodrigues, no dia 9 de novembro.
Entrega da placa da SBPMat à viúva de Ricardo Rodrigues, no dia 9 de novembro.

A SBPMat participou da cerimônia de homenagem ao cientista e engenheiro Ricardo Rodrigues, realizada na manhã de 9 de novembro no prédio do Sirius, com organização do CNPEM. A emotiva cerimônia, que foi transmitida ao vivo pelo YouTube, reuniu alguns familiares e amigos, que realizaram manifestações e apresentações sobre a extensa carreira científica e aspectos pessoais de Rodrigues.

Representando a Diretoria da SBPMat, o professor Daniel Mario Ugarte (UNICAMP), membro da Sociedade, entregou uma placa à viúva de Rodrigues – a também cientista Liu Lin. A homenagem da SBPMat a Ricardo Rodrigues foi idealizada por sócios da SBPMat no início do ano e iria acontecer na abertura do XIX B-MRS Meeting, que seria realizado em setembro deste ano em Foz do Iguaçu, mas foi adiado para 2021 em função da pandemia. Com a realização da cerimônia organizada pelo CNPEM, surgiu uma nova oportunidade para realizar a homenagem.

Texto da placa

“Homenagem da SBPMat a Antônio Ricardo Droher Rodrigues (1951 – 2020). A Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) homenageia a contribuição fundamental de Ricardo Rodrigues para o êxito no desenvolvimento e implantação das fontes brasileiras de luz síncrotron (UVX e Sirius), que colocaram o Brasil na vanguarda mundial da pesquisa em materiais. Novembro de 2020.”

Ricardo Rodrigues

Ricardo Rodrigues foi um dos principais responsáveis pela construção da primeira fonte de luz síncrotron do Hemisfério Sul, a UVX, inaugurada em 1997. A partir de 2009, liderou a equipe de engenharia que desenvolveu os aceleradores de elétrons do Sirius, a segunda fonte de luz síncrotron do Brasil. Ele faleceu em 3 de janeiro de 2020, aos 68 anos.

A gravação da cerimônia pode ser assistida em https://www.youtube.com/watch?v=hrmTDdnyv9s

Boletim da SBPMat. 98ª edição.


 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 98. 31 de outubro de 2020.

XIX B-MRS Meeting

Atendendo a pedidos da comunidade, foi prorrogado o prazo para submissão de propostas de simpósio para o XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM, que ocorrerá em Foz do Iguaçu de 29 de agosto a 2 de setembro de 2021. Novo prazo: 11 de novembro de 2020. Acesse o formulário de submissão, aqui.

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Artigo em Destaque

Equipe científica brasileira desenvolveu um material que se apresenta em forma de filtro e é capaz de descontaminar águas em fluxo, degradando poluentes orgânicos e inorgânicos. O material é composto por nanofibras de celulose bacteriana revestidas com nanoestruturas fotocatalíticas. O trabalho foi recentemente reportado na Applied Materials & Interfaces. Saiba mais.

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Pesquisadores sem Remuneração

Trazemos a história de Bruno César da Silva, 32 anos, doutor em Física pela UNICAMP. O conhecimento e habilidades em pesquisa que ele desenvolveu no Brasil desde o ensino médio até o doutorado não lhe serviram para conseguir bolsa ou emprego no país, mas lhe abriram as portas de um cargo temporário em um instituto de pesquisa na França. Veja aqui.

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A Sociedade Brasileira de Química (SBQ) se somou à campanha de sensibilização da opinião pública a respeito da falta de oportunidades para doutores. Veja as primeiras matérias da SBQ:
O papel do pós-doc na Ciência.
A dificuldade em abrir portas.

Novidades de Sócios SBPMat

– A professora Ana Flávia Nogueira (UNICAMP), sócia da SBPMat, ganhou o Prêmio para Mulheres Brasileiras em Química e Ciências Afins, da ACS e SBQ, na categoria “liderança na academia”. Saiba mais.

– O professor Carlos Figueroa (UCS), sócio da SBPMat, foi nomeado editor da Applied Surface Science (Elsevier). Saiba mais.

Comunidade

– LNLS-CNPEM organiza homenagem ao cientista e engenheiro Ricardo Rodrigues (falecido em janeiro deste ano) – um dos protagonistas da construção das fontes UVX e Sirius. A comunidade pode compartilhar fotos, textos e outras lembranças em site dedicado a Rodrigues. Saiba mais.

Ações da SBPMat

– SBPMat e mais de 90 entidades assinaram carta enviada a parlamentares por aumento de recursos para CTI em 2021. Na proposta orçamentária atual, há uma queda de 17,4% a 34% (dependendo o tipo de recurso considerado) com relação a 2020. Saiba mais.

Dicas de Leitura

– Foi criado o primeiro material que apresenta supercondutividade a temperatura ambiente: um composto de hidrogênio, carbono e enxofre. Ainda longe das aplicações, a descoberta abre possibilidades para a passagem da sociedade dos semicondutores à dos supercondutores (capa da Nature). Saiba mais.

– Ao controlar com precisão o tamanho, forma e distribuição de nanopartículas de ouro no interior de uma estrutura cristalina, equipe científica com participação brasileira produz um material capaz de gerar interações extraordinárias entre luz e matéria. Estudo abre possibilidades para desenvolver chips fotônicos e células solares mais eficientes, entre outros dispositivos (Nature). Saiba mais.

– Cientistas desenvolvem método para modificar propriedades físicas de materiais bidimensionais via deformação usando uma ponta nanométrica (Nano Letters). Saiba mais.

Pesquisadores do IFSC-USP desenvolvem nanocápsulas que combatem duplamente o câncer de pâncreas: transportam quimioterápicos diretamente até o tumor e estimulam a resposta imunológica do organismo. As nanocápsulas são feitas com membranas do próprio tumor (Materials Advances). Saiba mais.

– Inovação: Máscara cirúrgica antiviral que inativa o SARS-CoV-2 desenvolvida por empresa brasileira em parceria com a USP já está no mercado. Saiba mais.

Oportunidades

– Chamada de propostas do Serrapilheira para jovens doutores com cargos em instituições ou empresas do Brasil que tenham grandes perguntas de ciência fundamental. Saiba mais.

– Chamada de artigos para a edição especial da Applied Surface Science Advances (nova revista open access da Elsevier) sobre Nanotribologia. A edição celebra as contribuições do cientista Bo Persson nessa área do conhecimento. Saiba mais.

– Processo seletivo para mestrado e doutorado em Engenharia Química, de Materiais e Processos Ambientais na PUC-Rio. Saiba mais.

– Processo seletivo para mestrado em Engenharia Física (Materiais e Optoeletrônica) na UFRPE. Saiba mais.

– Processo seletivo para mestrado em Ciência e Engenharia de Materiais da UFPA. Saiba mais.

Agenda de eventos presenciais e online

– ONLINE. Ciclo de webinars “A ciência que inspira”. Agosto a novembro de 2020. Organização: PGCM e PPG UFMS. Site.

– ONLINE. 100 anos da ciência de polímeros. Setembro a novembro de 2020. Mais informação.

ONLINE. 72ª Reunião Anual da SBPC. Setembro a dezembro de 2020. Site.

– ONLINE. IV Workshop de Química Inorgânica da UFAM. 10 a 13 de novembro de 2020. Site.

– ONLINE. 4ª Escola de Pesquisadores da USP. 18 e 19 de novembro de 2020. Site.

– ONLINE. International Conference on Defects in Insulating Materials (ICDIM 2020). 23 a 27 de novembro de 2020. Organização: UFS. Site.

4th International Conference on Applied Surface Science. Barcelona (Espanha). 28 de junho a 1 de julho de 2021. Site.

4th Workshop on Coated Tools & Multifunctional Thin Films. Campinas, SP (Brasil). 20 a 23 de julho de 2021. Site.

XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM (International Conference on Electronic Materials). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 29 de agosto a 2 de setembro de 2021. Site.

– 7th Meeting on Self Assembly Structures in Solution and at Interfaces. Bento Gonçalves, RS (Brasil). 3 a 5 de novembro de 2021. Site.

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Artigo em destaque: Membranas de aerogel como filtros para descontaminar as águas.


O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Bacterial Nanocellulose/MoS2 Hybrid Aerogels as Bifunctional Adsorbent/Photocatalyst Membranes for in-Flow Water Decontamination. Elias P. Ferreira-Neto, Sajjad Ullah, Thais C.A. da Silva, Rafael R. Domeneguetti, Amanda P. Perissinotto, Fábio S. de Vicente, Ubirajara P. Rodrigues-Filho, and Sidney J. L. Ribeiro. ACS Appl. Mater. Interfaces 2020, 12, 37, 41627–41643.

Membranas de aerogel como filtros para descontaminar as águas

box ptUma equipe de cientistas de universidades brasileiras desenvolveu um novo material capaz de descontaminar águas, eliminando, simultaneamente, poluentes orgânicos (como tintas) e inorgânicos (como metais pesados). O material se apresenta em forma de uma membrana com potencial para ser usada como filtro ativo: à medida que a água passa através da membrana, os poluentes são adsorvidos e degradados.  O material pode ser reutilizado várias vezes, sem perder as suas propriedades.

A membrana é formada por uma rede tridimensional de nanofibras de celulose, revestidas com nanofolhas de dissulfeto de molibdênio (MoS2). Cada um dos materiais cumpre sua função no filtro. O dissulfeto de molibdênio é o principal responsável por adsorver os poluentes e degradá-los por meio de fotocatálise [veja box]. Já a nanocelulose funciona, principalmente, como suporte dos fotocatalisadores. Em primeiro lugar, ela permite a construção de uma membrana macroscópica, facilmente manuseável. Além disso, a sua estrutura de nanofibras entrelaçadas de superfície rugosa oferece uma área superficial muito grande para conter os fotocatalisadores. Finalmente, a flexibilidade e resistência da nanocelulose permitem que a membrana aguente a pressão do fluxo de água.

“Apesar de diversos fotocatalisadores excelentes terem sido desenvolvidos anteriormente, uma das desvantagens é a difícil separação e recuperação dos materiais nanométricos, por isso a ideia de fazer membranas”, diz Elias Ferreira-Neto, bolsista de pós-doutorado no Laboratório de Materiais Fotônicos, do Instituto de Química da UNESP Araraquara. “Este trabalho é um primeiro passo na área”, completa Elias, autor correspondente do artigo que reporta o desenvolvimento das membranas, recentemente publicado na Applied Materials & Interfaces (fator de impacto = 8,758).

Produção das membranas: do hidrogel bacteriano até o aerogel híbrido

Imagem de microscopia eletrônica de varredura mostra a estrutura do aerogel, com as nanofibras de celulose bacteriana revestidas com nanofolhas de MoS2.
Imagem de microscopia eletrônica de varredura mostra a estrutura do aerogel, com as nanofibras de celulose bacteriana revestidas com nanofolhas de MoS2.

A “receita” desenvolvida pela equipe científica brasileira para produzir as membranas envolve várias etapas e requer o domínio de diferentes processos de síntese de materiais.

No primeiro passo, bactérias de uma cepa não patogênica, colocadas em um meio adequado, realizam um processo metabólico que gera, como subproduto, um hidrogel de nanocelulose bacteriana. Altamente poroso, esse material é composto por 1% de nanofibras de celulose entrelaçadas e, entre elas, 99% de água. O hidrogel é então lavado com o objetivo de eliminar impurezas.

Depois disso, a superfície das nanofibras é revestida com nanofolhas de dissulfeto de molibdênio de estrutura controlada, regularmente distribuídas na superfície das nanofibras.  Finalmente, esse hidrogel híbrido é transformado em aerogel por meio de um processo de secagem controlada, que substitui a água dos poros por ar. O resultado final é uma membrana de aerogel composto por nanocelulose bacteriana e dissulfeto de molibdênio.

Testes de descontaminação

Esquema ilustrativo do funcionamento do reator usado nos testes de descontaminação de águas.
Esquema ilustrativo do funcionamento do reator usado nos testes de descontaminação de águas.

Para verificar a capacidade das novas membranas de remover poluentes orgânicos e inorgânicos presentes na água, os pesquisadores construíram um pequeno fotorreator. Nesse aparelho, a água contaminada passa através da membrana, que é iluminada para gerar o efeito fotocatalítico. Nos testes, os cientistas utilizaram um poluente orgânico (o azul de metileno, composto usado como tinta e como fármaco) e um contaminante inorgânico (o cromo hexavalente, composto tóxico e cancerígeno, ainda usado em várias indústrias).

Ao medir a presença dos contaminantes na água após a filtragem, os pesquisadores constataram que a membrana foi capaz de eliminar aproximadamente 96% da tinta e 88% do metal pesado depois de 120 minutos de circulação no reator. “A eficiência que conseguimos fica na faixa de materiais fotocatalíticos de dissulfeto de molibdênio na forma nanoparticulada, o que é excelente, tendo em vista que, no material suportado, a área de superfície ativa exposta à luz é muito menor”, diz Elias. Entretanto, para tornar as membranas aptas para aplicações reais, fora do laboratório, os cientistas pretendem aumentar ainda mais essa eficiência. “A modificação dos materiais preparados com outras nanoestruturas fotocatalíticas, como dióxido de titânio (TiO2) e vanadato de bismuto (BiVO4), poderá aumentar muito a eficiência dos materiais já obtidos”, comenta Elias. Além disso, a equipe planeja testar a ação das membranas com relação a outros compostos orgânicos e inorgânicos que poluem as águas, tais como fármacos, pesticidas e outros metais pesados.

Expertises agregadas

Totalmente realizado no Brasil, mais precisamente no estado de São Paulo, o trabalho agregou a expertise em materiais baseados em celulose bacteriana do grupo liderado pelo professor Sidney Ribeiro (Instituto de Química da UNESP Araraquara), e a experiência em fotocatálise do grupo conduzido pelo professor Ubirajara Rodrigues Filho (Instituto de Química de São Carlos – USP). A pesquisa também envolveu a colaboração do professor Fábio Simões de Vicente, do Departamento de Física da UNESP Rio Claro, para a caracterização da porosidade e das propriedades texturais dos materiais.

O estudo faz parte do projeto de pós-doutorado de Elias Ferreira-Neto, financiado pela FAPESP. Em seu doutorado, sob orientação do professor Ubirajara, e durante o estágio de pesquisa no exterior realizado junto a um pesquisador especialista em aerogéis, Elias adquiriu muita experiência no desenvolvimento de nanopartículas e aerogéis inorgânicos para fotocatálise. Nesses trabalhos, ele identificou o grande potencial desses materiais como fotocatalisadores, bem como sua principal limitação, a baixa resistência mecânica e, particularmente, a baixa resistência à pressão capilar em meio líquido.

No contexto do pós-doutorado de Elias, a colaboração entre grupos de pesquisa brasileiros permitiu superar essa limitação mediante o desenvolvimento de aerogéis híbridos que combinam as excelentes propriedades mecânicas do suporte de celulose com as propriedades fotocatalíticas e adsortivas das nanofolhas de MoS2.

autores
Os autores do artigo. A partir da esquerda: Elias Ferreira-Neto, Sajjad Ullah, Thais da Silva, Rafael Domeneguetti, Amanda Perissinotto, Fábio de Vicente, Ubirajara Rodrigues Filho e Sidney Ribeiro.

Sócio da SBPMat é nomeado editor da Applied Surface Science.


Figueroa_socio_siteO professor Carlos Alejandro Figueroa (Universidade de Caxias do Sul, UCS), sócio da SBPMat, foi nomeado editor da Applied Surface Science (editora Elsevier), renomada revista da área de Física e Química aplicadas a superfícies e interfaces, com fator de impacto = 6,182.

Figueroa é o segundo pesquisador de uma instituição latino-americana dentro da equipe de 30 editores da revista.

Pesquisadores sem remuneração: Bruno César da Silva.


Bruno da Silva em um laboratório de pesquisa em 2019, durante seu doutorado.
Bruno da Silva em um laboratório de pesquisa em 2019, durante seu doutorado.

No início de 2020, o jovem Bruno César da Silva estava muito entusiasmado. Depois de seis meses participando de um processo seletivo internacional, ele tinha conseguido uma vaga de pesquisador temporário em um instituto de pesquisa da cidade de Grenoble (França). Pago pelo governo francês, ele se dedicaria a estudar em detalhe as propriedades dos nanofios semicondutores e algumas de suas possíveis aplicações. De fato, esses fios diminutos poderão ser usados em dispositivos eletrônicos e optoeletrônicos no futuro, mas, para isso, precisam ser melhor compreendidos e controlados.

No mestrado e no doutorado em Física, realizados na UNICAMP, Bruno tinha estudado, precisamente, nanofios semicondutores, e, contando sempre com orientação de bons professores, tinha adquirido sólido conhecimento no conjunto de técnicas requeridos pela vaga. “Achar alguém que tenha um background em todos os tópicos que a vaga pedia é difícil, mas eu tive a sorte, a vontade e a oportunidade de ganhar experiência em todas essas áreas”, conta Bruno. Além disso, o jovem é autor principal de dois artigos publicados em periódicos científicos muito renomados (Nano Letters e Scientific Reports). Apesar de não contar com uma quantidade expressiva de artigos, a produção do Bruno, gerada no doutorado, chamava a atenção pela qualidade.

Mas a formação de Bruno em pesquisa científica começou já no ensino médio, dentro do programa Iniciação Científica Júnior do CNPq (o principal órgão de apoio à pesquisa no Brasil), e continuou na graduação em Física na Universidade de Lavras, como bolsista de iniciação científica da FAPEMIG (a fundação de apoio à pesquisa de Minas Gerais). Ainda na graduação, Bruno teve a sua primeira experiência de pesquisa no exterior, em uma universidade espanhola, como bolsista do programa Ciência sem Fronteiras, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em conjunto com o Ministério da Educação. “A minha formação é fruto de políticas e investimentos públicos”, diz Bruno. De fato, em todas as etapas, Bruno contou com bolsas financiadas com recursos públicos. Iniciou com menos de 100 reais na iniciação júnior e chegou a cerca de 3.600 reais no final do doutorado com uma bolsa da FAPESP, que é a fundação de apoio à pesquisa do Estado de São Paulo.

Mudança abrupta de planos

Bruno estava com passagem comprada e hospedagem reservada para começar a sua vida em Grenoble quando a OMS declarou a pandemia de Covid-19 em meados de março. Em consequência, a contratação no instituto de pesquisa foi suspensa, e Bruno começou a procurar outras oportunidades. Buscou no Brasil e no exterior. Buscou bolsas de pós-doutorado e empregos de pesquisador ou de cientista de dados – uma área profissional ligada à matemática e à computação.

Sem oportunidades e sem renda, Bruno, com 32 anos, voltou à casa dos pais em Jacareí (SP), solicitou o auxílio emergencial do governo e se dedicou a finalizar artigos científicos sobre resultados do doutorado e a fazer cursos online para redirecionar a carreira.

Finalmente, seis meses depois da data planejada, Bruno assumiu seu cargo temporário no instituto de pesquisa francês. E já está há mais de um mês trabalhando com os nanofios, muito feliz. “Aqui, nós, doutores recém-formados, somos tratados como profissionais, e pagamos impostos como qualquer trabalhador”, brinca o brasileiro, fazendo uma comparação implícita com a situação de bolsistas que os jovens doutores têm no Brasil. Depois da experiência em Grenoble, ele planeja prestar concurso para ser professor pesquisador em alguma universidade brasileira. No entanto, diz Bruno, se a situação de escassez de recursos para ciência se prolongar no Brasil, ele continuará construindo uma carreira no exterior. “Acho importante retornar para a sociedade brasileira o investimento na minha formação através da docência e da realização de pesquisas que possam contribuir para o desenvolvimento do meu país. Somos capazes de fazer ciência de qualidade no Brasil, mas precisamos das condições necessárias”, conclui.

Link para o CV Lattes de Bruno César da Silva http://lattes.cnpq.br/9372271927420661.

Sócia da SBPMat ganha prêmio para mulheres brasileiras na Química da ACS e SBQ.


Prof Ana Flávia Nogueira
Prof Ana Flávia Nogueira

A professora Ana Flávia Nogueira (UNICAMP), sócia da SBPMat, é a vencedora do Prêmio para Mulheres Brasileiras em Química e Ciências Afins na categoria “liderança na academia”, pela sua trajetória de pesquisa em tecnologias emergentes para células solares. O prêmio é promovido por divisões da American Chemical Society (ACS) junto à Sociedade Brasileira de Química (SBQ) e tem apoio da SBPMat.

A cerimônia da premiação acontece no dia 15 de outubro às 19h, durante o simpósio sobre combate à desigualdade na ciência, que fará parte da 43ª Reunião Anual da SBQ. Para participar, basta se inscrever gratuitamente pelo link http://bit.ly/MulheresEmQuimica.

Boletim da SBPMat. 97ª edição.


 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 97. 30 de setembro de 2020.

XIX B-MRS Meeting

Está aberta a submissão de propostas de simpósio para o XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM, que ocorrerá em Foz do Iguaçu de 29 de agosto a 2 de setembro de 2021. Propostas que já tinham sido aprovadas para o evento de 2020 podem ser submetidas novamente. Novas propostas também são bem-vindas. Saiba mais.

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Artigo em Destaque

Pesquisadores da UNICAMP fizeram uma importante contribuição para aumentar a estabilidade de células solares de perovskitas. Mediante a adição de um polímero, os cientistas retardaram e reverteram a degradação dos filmes de perovskita usados para absorver a luz nesses dispositivos. O trabalho foi recentemente reportado na Journal of Materials Chemistry C. Saiba mais.

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Pesquisadores sem remuneração

Conheça a história de Olívia Carr, 30 anos, doutora em Materiais pela USP. A jovem tem passado longos períodos sem bolsa nem remuneração desde a época do doutorado, apesar de ter realizado uma pesquisa de alto impacto acadêmico e social, que resultou em um sensor para detecção precoce de câncer. Veja aqui.

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Assista aos vídeos da presidente da SBPMat, Mônica Cotta (aqui), e do diretor científico Ivan Bechtold (aqui) sobre a campanha da SBPMat pela recomposição de bolsas de pós-doc e por politicas de inserção de doutores no mercado.

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Editorial da Nature aborda as dificuldades e angústias adicionais que os pós-docs enfrentam durante a pandemia, com base nos resultados de uma pesquisa realizada com 7.600 jovens doutores de 19 áreas e 93 países. Texto alerta que o sistema científico (público e privado) pode perder boa parte da próxima geração de pesquisadores e pede ações e investimentos. Veja aqui.

Blog ligado à Materials Research Society (MRS) aborda o problema dos doutores sem remuneração e dos cortes em bolsas e orçamento de CTI no Brasil, com declarações de Osvaldo Novais de Oliveira Junior, ex-presidente da SBPMat. Veja aqui.

Reportagem do portal UOL aborda a questão dos doutores e doutorandos brasileiros que estão em outros países, nos quais encontraram financiamento e condições para fazer pesquisa, além de valorização da profissão que escolheram. Veja aqui.

University Chapters da SBPMat

O I Encontro Nacional dos University Chapters da SBPMat foi realizado online de 5 a 7 de setembro. Organizado pelos estudantes do chapter da UFPE, o evento contou com apresentações das ações realizadas pelos chapters, além de palestras convidadas. Saiba como foi este encontro que gerou integração entre todas as equipes de estudantes e mostrou o potencial do Programa UCs da SBPMat. Veja aqui.

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Os UCs da SBPMat promovem um ciclo de webinários que abordará assuntos diversos durante os meses de outubro e novembro. Saiba mais.

Comunidade

Texto do professor Petrus Santa Cruz (DQF/UFPE), sócio da SBPMat, homenageia o professor Larry Clark Thompson (University of Minnesota Duluth) por suas contribuições à ciência brasileira, seus trabalhos na área de complexos lantanídeos e sua generosidade. Thompson faleceu em agosto deste ano. Veja aqui.

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Ações da SBPMat

– Pantanal. SBPMat assinou, junto a dezenas de organizações, nota de repúdio ao descaso governamental no combate a incêndios florestais e desmatamento no Pantanal e outros ecossistemas brasileiros. Saiba mais.

Dicas de Leitura

– Material baseado em queratina obtida de resíduos têxteis pode ser “programado” para adquirir formas complexas e voltar à forma original. Biocompatível e fabricado por impressão 3D, o material abre possibilidades na indústria têxtil e na engenharia de tecidos (Nature Materials). Saiba mais.

– Inovação: Empresa do Brasil desenvolve filme plástico adesivo com micropartículas de prata e sílica que demonstrou inativar mais de 99% das partículas de SARS-CoV-2 em ensaio realizado na USP. Saiba mais.

Oportunidades

– Pós-doutorado na UFABC em síntese e caracterização de nanomateriais com bolsa FAPESP. Saiba mais.

– Pós-doutorado na UNESP Presidente Prudente. Saiba mais.

– Pós-doutorado em Biofotônica no CEPOF, IFSC – USP. Saiba mais.

– Processo seletivo para mestrado em Nanociência, Processos e Materiais Avançados na UFSC – campus Blumenau. Saiba mais.

– Processo seletivo para mestrado e doutorado multi-institucional em Nanobiossistemas. Saiba mais.

– Processo seletivo para mestrado e doutorado em Materiais na UCS, com possibilidade de bolsas e taxas. Saiba mais.

– Abertas as inscrições para o Programa Unificado de Estágios (PUE) do CNPEM, com oportunidades na área de materiais e afins. Saiba mais.

– Programa de estágios da empresa Dow tem oportunidades na área de materiais. Saiba mais.

– Inscrições abertas para o Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher, da SBPC, dedicado em 2020 a meninas de ensino médio e graduação com pesquisas de iniciação científica que demonstrem criatividade, boa aplicação do método científico e potencial de contribuição com a ciência no futuro. Saiba mais.

– Chamada de artigos para edição especial do periódico Crystals (editora MDPI) sobre cerâmicas condutoras. Saiba mais.

Agenda de eventos presenciais e ONLINE

– ONLINE. Ciclo de webinars “A ciência que inspira”. Agosto a novembro de 2020. Organização: PGCM e PPG UFMS. Site.

– ONLINE. 100 anos da ciência de polímeros. Setembro a novembro de 2020. Mais informação.

ONLINE. 72ª Reunião Anual da SBPC. Setembro a dezembro de 2020. Site.

– ONLINE. First Global Symposium on Janus Particles. 1 e 2 de outubro de 2020. Site.

– ONLINE. II Encontro de Polímeros Naturais (EPNAT). 21 a 23 de outubro de 2020. Site.

4th Workshop on Coated Tools & Multifunctional Thin Films. Campinas, SP (Brasil). 20 a 23 de julho de 2021. Site.

– ONLINE. International Conference on Defects in Insulating Materials (ICDIM 2020). 23 a 27 de novembro de 2020. Organização: UFS. Site.

XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM (International Conference on Electronic Materials). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 29 de agosto a 2 de setembro de 2021. Site.

– 7th Meeting on Self Assembly Structures in Solution and at Interfaces. Bento Gonçalves, RS (Brasil). 3 a 5 de novembro de 2021. Site.

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I Encontro Nacional dos University Chapters da SBPMat: cobertura do evento.


box enucDe 5 a 7 de setembro de 2020, algumas dezenas de estudantes e jovens pesquisadores, junto a alguns professores, dedicaram as tardes do “feriadão” do Dia da Independência do Brasil a participar, na modalidade online, do I Encontro Nacional dos University Chapters da SBPMat (I ENUC).

O evento reuniu membros dos University Chapters (UCs) e pessoas interessadas em conhecê-los. O programa foi montado em torno de dois eixos: as apresentações dos UCs sobre suas equipes, instituições, ações realizadas e projetos para o futuro, e as palestras convidadas sobre assuntos de interesse dos UCs.

O ENUC surgiu a partir do desejo do UC da UFPE de querer interagir com os membros dos outros UCs da SBPMat. Nesta primeira edição, o evento foi totalmente organizado e realizado pelos membros do UC pernambucano.

UCs em ação: learn by doing

Em sua palestra, o professor Newton Barbosa (UFPA), coordenador nacional do programa UCs ponderou que, na carreira científica, ser competente na área do conhecimento escolhida é imprescindível, mas não é suficiente, principalmente no atual momento da história da ciência e da tecnologia, em que a solução de problemas exige interação entre pessoas e áreas. Habilidades como o diálogo, a flexibilidade, a proatividade e a liderança, disse ele, são também necessárias para o pesquisador. “A ideia do programa UCs é justamente ajudar a desenvolver essas habilidades, mediante o método do learn by doing, com os estudantes realizando projetos em equipe”, explicou o cientista.

“A pesquisa sozinha não vai preencher nosso CV”, acrescentou Karolyne Santos da Silva, presidente do UC pernambucano. “Precisaremos também organizar eventos, ocupar cargos administrativos, divulgar nosso trabalho na sociedade, entre outras coisas”, completou a doutoranda, que foi a coordenadora do evento.

Uma ampla gama de projetos realizados pelos chapters foi apresentada ao longo do evento, abrangendo desde a criação da logomarca e do estatuto interno da unidade, até a realização de palestras e entrevistas de divulgação científica para leigos, workshops para motivar meninas a atuarem em ciência e tecnologia, e seminários de formação de pesquisadores. O apoio a campanhas de ação social também faz parte das atividades realizadas pelos UCs, sempre com o duplo objetivo de aprender fazendo e de gerar um impacto positivo no entorno.

Impacto social da pesquisa

Em outra das palestras convidadas, o professor Roberto Faria (IFSC-USP), que foi presidente da SBPMat entre 2012 e 2015, falou um pouco sobre a história do programa UCs. “Eu queria uma maior participação na SBPMat dos estudantes, que são a riqueza maior que um país tem para o futuro”, disse o ex-presidente da SBPMat. Faria contou que tudo começou em 2013, durante sua primeira gestão como presidente da SBPMat. Em um evento científico na cidade de San Francisco (EUA), o professor Faria conversou com a coordenadora do programa de university chapters da Materials Research Society (MRS), que era nada menos que Mildred Dresselhaus, cientista internacionalmente renomada por seus trabalhos com nanomateriais de carbono, falecida em 2017. Um ano depois dessa conversa, o Programa UCs da SBPMat estava funcionando com 4 unidades ativas.

Antes de encerrar a sua fala, Faria convidou os membros dos UCs a pensarem sobre a relação da pesquisa em materiais com o desenvolvimento do Brasil e os problemas dos brasileiros, para achar soluções à contradição entre as riquezas naturais do país e a baixa qualidade de vida de grande parte de sua população.

O impacto social da pesquisa também foi abordado na palestra do professor Eduardo Martinelli (UFRN), diretor científico da SBPMat e coordenador da área de Materiais na CAPES. Martinelli compartilhou o trabalho que a CAPES tem feito para criar métricas que revelem de forma objetiva os impactos gerados pelos cursos de pós-graduação na qualidade de vida das pessoas. “A sociedade investe em nós, pesquisadores, e nós precisamos lhe responder de que maneira a beneficiamos”.

Essa preocupação apareceu também nas apresentações dos UCs, nas ações destinadas a mostrar aos leigos a presença e a importância da ciência na vida cotidiana.

Diversidade, representatividade e multidisciplinaridade

Contando com unidades em todas as regiões brasileiras, membros de diferentes grupos étnicos e uma boa proporção de mulheres nas diretorias, o programa UCs se aproxima bastante do ideal de diversidade e representatividade. Todavia, esses dois conceitos foram intensamente debatidos ao longo do evento, começando pela palestra de abertura, a cargo da professora Mônica Cotta (UNICAMP), presidente SBPMat (a primeira mulher a ocupar esse cargo na Sociedade). “Não é por acaso que temos hoje duas mulheres na abertura do encontro, a presidente da Sociedade e a coordenadora do evento”, notou o professor Petrus Santa Cruz (UFPE), tutor do UC que organizou o evento.

Na palestra, a professora Cotta também falou sobre a função das sociedades científicas e, em particular, sobre o passado, presente e futuro da SBPMat. “Para mim, o futuro está relacionado aos university chapters, porque são seus membros que conseguem se comunicar melhor com as novas gerações”, disse ela. A presidente mostrou que a história da SBPMat é ligada ao caráter fortemente multidisciplinar da pesquisa em materiais, que requer a fusão do conhecimento de físicos, químicos, biólogos, engenheiros, médicos e outros profissionais.

Pertencentes a uma geração mais habituada à abordagem multidisciplinar, os membros dos chapters incluíram o assunto com naturalidade nas suas apresentações, nas quais apareceram seus esforços por nuclear estudantes de diferentes áreas do conhecimento.

Resultados

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O resultado mais evidente do evento foi possibilitar que cada UC conhecesse as outras unidades. Na avaliação da equipe organizadora, o encontro permitiu refletir sobre a efetividade dos projetos próprios e alheios, e as possibilidades de adaptação de cada ação às diversas realidades do país. “Destaco a troca de experiências e ideias entre os vários UCs, que refletem a pluralidade cultural da sociedade brasileira e das várias áreas que integram a comunidade de materiais”, diz a professora Mônica Cotta, presidente da SBPMat, que participou de todo o evento.

O I ENUC também foi gerador de projetos conjuntos. “Sem sombra de dúvidas, o ENUC promoveu de forma inédita a integração entre os vários UCs do nosso programa, a qual já pode ser vista em termos práticos com a organização em rede de um ciclo de webinários, que foi fruto do evento”, diz o professor Newton Barbosa, coordenador nacional do Programa UCs, que também acompanhou o evento na íntegra.

Além disso, o evento propiciou um contato mais profundo dos membros do programa com a diretoria da SBPMat e com outras pessoas que atuam ou atuaram na Sociedade. “Foi muito motivador poder observar a maturidade, o compromisso e o envolvimento destes alunes com os valores que partilhamos na SBPMat, e na área acadêmica em geral, como o respeito à ciência e ao método científico, a valores éticos, à diversidade e representatividade em todos seus aspectos”, expressa a presidente da Sociedade.

Outro importante resultado do I ENUC, na visão do professor Barbosa, foi o de ter aperfeiçoado a ideia do que é ser membro de um UC da SBPMat. “Ser parte de um chapter é, já na mais tenra idade científica, participar das discussões dos macroproblemas da Ciência e Engenharia de Materiais. Ser capaz de pensar e propor, de forma profissional e respeitosa, soluções para estes problemas. Ir além da bancada do laboratório e se tornar um profissional com múltiplas habilidades”, resumiu o coordenador do programa.

Comunicação e patrocínios
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O evento também contou com uma palestra de Verónica Savignano, responsável por Comunicações na SBPMat. A jornalista científica apresentou todos os canais de comunicação da SBPMat, seus públicos e conteúdos, visando abrir possibilidades de interação com os UCs. Ao falar para uma geração muito mais acostumada que as anteriores à divulgação (via redes sociais), a jornalista procurou gerar uma reflexão sobre os critérios e diretrizes (éticos, estéticos e técnicos) que devem nortear o trabalho de comunicação. No momento das perguntas, a discussão girou em torno dos conceitos de desinformação, infodemia, pseudociência e fake news.

Finalmente, em outra palestra convidada, Rosely Maier Queiroz, ex-diretora financeira do UC-UFPE, compartilhou um passo-a-passo de como conseguir patrocínio e gerenciar o orçamento dos projetos dos UCs, com dicas específicas para este momento de pandemia e crise econômica.

Independência, tecnologia e luta

“Acho que a data deste evento é simbólica, pois a independência de um país depende da independência tecnológica”, disse o professor Petrus Santa Cruz, ao abrir o encontro. “Neste ano não tem desfile da Independência por causa da pandemia, mas tem um alerta de luta, a luta pela educação, pela ciência, pela redução das desigualdades sociais”, disse Karolyne, encerrando o evento.

O evento foi gravado e está disponível no canal do UC-UFPE no YouTube.

University Chapters: ciclo de webinários.


barra_UCs-fundo branco-1200 pxO Programa University Chapters da SBPMat promoverá webinários durante os meses de outubro e novembro. Cada chapter será responsável pela organização de um webinário. As palestras se propõem atender não só o público universitário, mas também todas as pessoas que tenham interesse sobre a temática.

Dentro dessa proposta, o UC-UFPE dará início ao ciclo com um webinário sobre empreendedorismo com foco na criação de startups com Edson Mackeenzy, conhecido como um dos principais incentivadores do ecossistema de startups do Brasil.

Veja a programação com as palestras confirmadas até o momento:

 

UC-UFPE

Título: COMO AS STARTUPS ESTÃO TRANSFORMANDO AS ORGANIZAÇÕES.

Palestrante: Edson Mackeenzy.

Data e horário: Segunda-feira, 05/10/2020 às 18h.

Através do Zoom (link aqui) e Youtube (link aqui).

 

UC – Caxias do Sul

Título: BIOMATERIAIS E SUA COMPATIBILIDADE COM A ENGENHARIA DE MATERIAIS.

Palestrante: Prof. Dra. Jadna Catafesta (coordenadora dos cursos de Engenharia de Materiais e Polímeros) – Universidade Caxias do Sul, RS.

Data e horário: 15/10/2020 às 20h.

Através do Zoom (link aqui).

 

UC – Catalão

Título: MINERAÇÃO ESPACIAL (Nome da palestra ainda será definido)

Palestrante: Dr. André Carlos Silva

Data e horário: 23/10/2020 às 15h.

Através do Zoom (link aqui).

 

 

UC – Teresina

Título: INTELIGENCIA ARTIFICIAL E MATERIAIS

Palestrante: Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Jr.- Instituto de Física de São  Carlos – USP

Data e horário:

Através do Zoom (link aqui).

 

Artigo em destaque: Perovskitas aditivadas para células solares mais estáveis.


O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Effect of the incorporation of poly(ethylene oxide) copolymer on the stability of perovskite solar cells. Jeann Carlos da Silva, Francineide Lopes de Araújo, Rodrigo Szostak, Paulo Ernesto Marchezi, Raphael Fernando Moral, Jilian Nei de Freitas  and  Ana Flávia Nogueira. J. Mater. Chem. C, 2020,8, 9697-9706.

Perovskitas aditivadas para células solares mais estáveis

"Sanduíche" de materiais que forma a célula solar de perovskita desenvolvida pela equipe brasileira.
“Sanduíche” de materiais que forma a célula solar de perovskita desenvolvida pela equipe brasileira.

Graças às contribuições de grupos de pesquisa de diversos países, as células solares baseadas em perovskitas tornaram-se rapidamente competitivas em termos de eficiência de conversão de energia – a porcentagem de energia solar que é convertida em energia elétrica – alcançando valores acima de 25%. Infelizmente, a boa eficiência conquistada para essas células solares não se mantém ao longo de seu tempo de uso, principalmente por causa da instabilidade da sua camada ativa. Composta por materiais da família das perovskitas, essa camada do “sanduíche” de materiais que forma uma célula solar é a responsável por absorver a luz. Face à umidade, e até mesmo à própria luz, a perovskita se degrada e atenta contra a vida útil da célula solar.

O problema tem ocupado muitos pesquisadores da área, entre eles, os do Laboratório de Nanotecnologia e Energia Solar (LNES), da Unicamp, liderado pela professora Ana Flávia Nogueira. Em pesquisa recentemente reportada no Journal of Materials Chemistry C (fator de impacto 7,059), membros do LNES conseguiram produzir filmes de perovskita mais estáveis frente à umidade e iluminação. Com eles, fabricaram células solares que apresentaram perdas de eficiência menores ao longo do tempo.

A adição do copolímero P(EO/EP) melhorou a estabilidade da perovskita de MAPbI3.
A adição do copolímero P(EO/EP) melhorou a estabilidade da perovskita de MAPbI3.

A estratégia adotada foi a de adicionar à perovskita um composto que lhe outorga estabilidade sem interferir negativamente na sua estrutura cristalina, da qual emergem propriedades essenciais para seu uso em células solares. O aditivo escolhido, um copolímero (polímero formado por dois monômeros diferentes), foi adicionado em diferentes concentrações à solução de iodeto de chumbo e iodeto metilamônio, a qual, ao cristalizar, forma um filme de perovskita modificado e mais estável.

Os pesquisadores usaram a técnica de spin coating para preparar filmes de perovskita pura e de perovskita “aditivada”. Em um teste de degradação do material, os autores expuseram as amostras à luz e umidade ambiente durante nove dias e observaram sua degradação, que ficou visível a olho nu pelo amarelamento dos filmes, cuja cor original é quase preta. Nas amostras com aditivo, a degradação foi retardada em alguns dias com relação às amostras de perovskita pura.

Outro teste realizado pela equipe mostrou a capacidade dos filmes de se regenerarem após uma degradação inicial provocada pela exposição a um umidificador. As amostras aditivadas não apenas se degradaram menos, como também se regeneraram de forma espontânea, quase totalmente, trinta segundos após a retirada da fonte de umidade – um fenômeno conhecido como healing– como pode ser visto neste vídeo.

“Neste trabalho foi demonstrado que a incorporação de um copolímero a base de poli(óxido de etileno) à camada de perovskita consegue retardar e, em alguns casos, até reverter o processo de degradação do filme frente a umidade e iluminação”, resume Jeann Carlos da Silva, coautor do artigo.

boxPara estudar detalhadamente a estrutura e composição dos filmes, os autores usaram uma série de técnicas de caracterização, inclusive uma técnica de difração de raios X (in situ GWAXS), disponível no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que permitiu monitorar o processo de fabricação dos filmes. A partir do conjunto de resultados da caracterização, os autores conseguiram explicar o mecanismo que gera o efeito protetor nos filmes de perovskita aditivados. De acordo com eles, o efeito ocorre, principalmente, devido à interação que o copolímero realiza, por meio de ligações de hidrogênio, com o cátion metilamônio da perovskita. Nos filmes não aditivados, luz e umidade fazem com que parte do metilamônio passe ao estado gasoso e acabe saindo da estrutura da perovskita, gerando a degradação, parcialmente irreversível.  Já nos filmes aditivados, o copolímero consegue reter o metilamônio, o que gera filmes mais estáveis e com maior capacidade de regeneração.

“Desse estudo, também foi possível investigar a dinâmica de cristalização da perovskita contendo o copolímero e entender os mecanismos de formação perovskita/copolímero em condições de umidade e iluminação”, destaca Francineide Lopes de Araújo, coautora do artigo. “Além disso, através do uso de técnicas de caracterização como a difração de raios-X in situ, o trabalho explora uma área importante para a compreensão do material, oferecendo uma enorme contribuição para a comunidade científica e abrindo novas perspectivas de investigações sobre a aplicação de polímeros no processo de formação e fabricação de células solares de perovskita”, completa.

Finalmente, a equipe científica fabricou células solares usando os filmes de perovskita com e sem aditivo como camada ativa, e comparou sua eficiência de conversão de energia. Inicialmente, a presença do copolímero diminuiu a eficiência dos dispositivos, já que, por ser um material isolante, ele prejudica a transferência de cargas elétricas. Contudo, nos testes de estabilidade, nos quais os dispositivos foram expostos a umidade e luminosidade durante vinte dias, as células de perovskita aditivada tiveram melhor desempenho.

Em números: enquanto as células solares de perovskita pura iniciaram com 17% de eficiência e mantiveram 47% desse valor no final do teste, os dispositivos de perovskita contendo 1,5 mg mL-1 % de copolímero tiveram uma eficiência inicial de cerca de 15%, mas mantiveram 68% dela depois dos 20 dias de teste.

“O problema da estabilidade das células solares de perovskita infelizmente não pôde ser solucionado de maneira definitiva através dessa pesquisa, no entanto, foi explorada uma importante via de proteção do material, principalmente contra exposição agressiva à umidade e iluminação, que futuramente pode ser combinada com outros mecanismos de proteção”, resume Jeann Carlos da Silva. “A pesquisa também reforça a viabilidade de se incorporar compostos extrínsecos à perovskita como agentes de proteção”, completa.

Este trabalho foi iniciado no LNES em 2016, no mestrado de Jeann Carlos da Silva, logo após o desenvolvimento, nesse mesmo laboratório, do primeiro protótipo de célula solar de perovskita do Brasil. A pesquisa foi finalizada através da colaboração da pós doutoranda Francineide Lopes de Araújo e de outros membros e ex-membros do grupo, sempre sob orientação da professora Ana Flávia.

O estudo contou com financiamento das agências brasileiras FAPESP, CNPq e CAPES, e é tema do projeto “Células Solares de Perovskita para Fotossíntese Artificial” do Center for Innovation on New Energies (CINE) com apoio da Shell e da Fapesp.

Autores do artigo. A partir da esquerda: Jeann Carlos da Silva, Francineide Lopes de Araújo, Rodrigo Szostak, Paulo Ernesto Marchezi, Raphael Fernando Moral, Jilian Nei de Freitas e Ana Flávia Nogueira.
Autores do artigo. A partir da esquerda: Jeann Carlos da Silva, Francineide Lopes de Araújo, Rodrigo Szostak, Paulo Ernesto Marchezi, Raphael Fernando Moral, Jilian Nei de Freitas e Ana Flávia Nogueira.