Da ideia ao mercado: Nanotecnologia para o bem-estar.


Nanomed-_logo

Uma combinação de espírito empreendedor, nascido na infância, e formação científica, desenvolvida na etapa universitária, levou Amanda Luizetto dos Santos a criar a Nanomed dois anos depois de concluir seu doutorado. “A fundação da Nanomed foi algo natural, sempre quis empreender, apenas precisei de um tempo para amadurecer o conceito como imaginava”, comenta.

Quando era uma criança, Amanda costumava montar uma banca na rua para vender seus desenhos. “Desde pequena o empreendedorismo roubou meu coração”, diz ela. O tempo passou e as brincadeiras foram se tornando um objetivo de vida. No final da graduação em Farmácia, cursada na PUC-Campinas, ela participou de uma iniciativa do Sebrae para formar jovens empreendedores, na qual abriu, manteve e encerrou (com saldo positivo, esclarece) uma empresa de velas de decoração. “Essa experiência foi muito enriquecedora e, de fato, reavivou meu interesse pelo mundo do empreendedorismo”, relembra.

Da graduação, Amanda pulou direto para o doutorado em Química Analítica, realizado no Instituto de Química de São Carlos (USP), no qual lidou com pesquisa em óleos essenciais. O doutorado incluiu um estágio científico nos Estados Unidos, na Cleveland State University. Depois, trabalhando junto à indústria de cosméticos, Amanda notou a demanda desse mercado por inovação e conseguiu conceber uma primeira versão da empresa. “Encontrei o que buscava desde pequena”, ela diz.

Localizada em São Carlos (SP), a Nanomed se dedica a desenvolver e comercializar nanossistemas sempre inovadores, pensados para resolver desafios específicos de segmentos da indústria como o cosmético e o de saúde e bem-estar. Um exemplo de tecnologia da Nanomed é o das nanocápsulas que protegem substâncias de interesse (moléculas hidratantes para a pele, aromatizantes usados em remédios, repelentes de insetos), as transportam em doses mínimas e as entregam no local desejado. As nanocápsulas e demais nanopartículas da Nanomed, reforça Amanda, passam por avaliações científicas para conferir se apresentam toxicidade com relação a tecidos vivos e ao meio ambiente.

Além de desenvolver nanossistemas para outras empresas, a startup está construindo seu portfólio de produtos. Os primeiros produtos próprios, duas linhas de cosméticos baseados em nanotecnologia, entrarão no mercado (via e-commerce) em breve. E, entre final deste ano e início do próximo, será a vez do lançamento de produtos dos segmentos de alimentos e saneantes.

A Nanomed foi formalmente criada em 2012 após a aprovação de um projeto no programa PIPE da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O PIPE apoia a pesquisa científica e tecnológica em pequenas empresas do estado de São Paulo. Pouco depois da criação, a Nanomed incubou-se no Parque Tecnológico de São Carlos (ParqTec), onde permaneceu até sua graduação, em 2017.

Desde o início, a startup tem se dedicado à pesquisa e desenvolvimento (P&D) de suas tecnologias e produtos e, simultaneamente, tem aproveitado a sua capacidade de realizar análises e ensaios para prestar serviços, principalmente a empresas dos ramos cosmético e farmacêutico. Graças à prestação de serviços, a Nanomed hoje é autossustentável, conta Amanda, que atua como CEO da empresa. “Contudo, o lucro ainda vem sendo reinvestido”, diz ela.

Para suas atividades de P&D e prestação de serviços, a Nanomed conta com equipamentos na sede da empresa, alguns deles adquiridos em projetos apoiados pela Fapesp e pelas agências federais Finep e CNPq. Além disso, a startup contrata ensaios específicos em laboratórios de universidades e outros parceiros.

Atualmente, atuam na Nanomed quinze pessoas – sócios, colaboradores, bolsistas e consultores. A maior parte da equipe é composta por mestres e doutores, formados em Farmácia, Química, Engenharia e Física, que trabalham no desenvolvimento de produtos e na prestação de serviços. A startup também conta com profissionais que atuam nas áreas jurídica e administrativa.

Sócia fundadora da Nanomed: Amanda Luizetto dos Santos.
Sócia fundadora da Nanomed: Amanda Luizetto dos Santos.

Veja nossa entrevista com Amanda Luizetto dos Santos, sócia-fundadora e CEO da Nanomed.

Boletim da SBPMat: – Quais foram os fatores mais importantes no sentido de viabilizar a criação e desenvolvimento da startup?

Amanda Luizetto dos Santos: – Os fatores fundamentais para a viabilização da Nanomed foram o apoio da Fapesp e do ParqTec. A Fapesp desde o começo da Nanomed é um pilar fundamental nos desenvolvimentos de tecnologia e produtos, através do financiamento de projetos inovadores e de alto risco. O ParqTec, que é a incubadora mais antiga da América Latina e está situada em São Carlos (SP), foi muito importante pois possibilitou a imersão no ambiente do empreendedorismo inovador, além de dar suporte na construção do negócio.

Boletim da SBPMat: – Quais foram, para você, os momentos mais importantes na história da startup?

Amanda Luizetto dos Santos: – O momento mais importante foi participar de uma reunião no parlatório da Anvisa para defender um produto cosmético grau 2 desenvolvido pela Nanomed e, que será lançado e comercializado ainda este ano.

[Nota da reportagem: produtos grau 2 são aqueles produtos de higiene pessoal ou cosmética cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações sobre modo e restrições de uso]

Boletim da SBPMat: – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas até momento pela startup?

Amanda Luizetto dos Santos: – A principal dificuldade, ainda encontrada, é a morosidade e a burocracia regulatória que está atrelada ao fato de trabalharmos na área de saúde.

Boletim da SBPMat: – Qual é, na sua visão, a principal contribuição da startup para a sociedade?

Amanda Luizetto dos Santos: – A principal contribuição é oferecer produtos seguros e inovadores para sociedade e contribuir para a qualidade de vida da população.

Boletim da SBPMat: – Qual é sua meta/ seu sonho para a startup?

Amanda Luizetto dos Santos: – A meta da Nanomed é deixar as pessoas felizes e satisfeitas, oferecendo ao mercado nacional e internacional uma linha de produtos inovadores e de alta performance.

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para nossos leitores do boletim e seguidores das redes sociais que avaliam a possibilidade de criar uma startup.

Amanda Luizetto dos Santos: – Acredito que precisamos ser realistas quando pensamos no futuro, em especial quando fala-se de abrir um negócio próprio. Aquela máxima de que empreender é não ter patrão não existe, na verdade, você tem milhares de patrões, como cliente, colaborador, governo, entre muitos outros. Então, empreender é sinônimo de trabalhar muito e, em todos setores do negócio (todos mesmo!). Criar uma startup e mantê-la viva exige muito trabalho (mas muito), dedicação, resiliência e cabeça fria.

O universo do empreendedorismo é uma adrenalina constante, particularmente acho viciante, ao mesmo tempo que traz satisfação imensa ao ver as coisas se concretizando, o frio na barriga é inevitável. Eu, ainda não sei se feliz ou infelizmente, não vivo sem.

Artigo em destaque: Nanobastões para desenvolver novos anti-inflamatórios.


O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Characterization of the structural, optical, photocatalytic and in vitro and in vivo anti-inflammatory properties of Mn2+ doped Zn2GeO4 nanorods. Suzuki, V. Y.; Amorin, L. H. C; Lima, N. M; Machado, E. G; Carvalho, P. E.; Castro, S. B. R.; Souza Alves, C. C.; Carli, A. P.; Li, Maximo Siu; Longo, Elson; Felipe La Porta. J. Mater. Chem. C, 2019, 7, 8216. DOI: 10.1039/c9tc01189g

Nanobastões para desenvolver novos anti-inflamatórios

nanobastoesUma equipe de pesquisadores de universidades brasileiras descobriu, em nanoestruturas de formato cilíndrico chamadas de nanobastões, um efeito anti-inflamatório equivalente ao conseguido por fármacos de uso corriqueiro. Os pesquisadores também demonstraram a eficiência desses nanobastões como catalisadores (aceleradores) na degradação de um poluente. Essas aplicações se tornam ainda mais relevantes considerando que a equipe científica conseguiu produzir grandes quantidades do material mediante um processo simples e rápido. O trabalho realizado mostra o potencial desses nanobastões para o desenvolvimento de novos medicamentos e para o tratamento de efluentes.

O trabalho originou-se cerca de três anos atrás, quando o professor Felipe de Almeida La Porta, que tinha se incorporado recentemente ao corpo docente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Londrina, estava implementando um grupo de pesquisa em Nanotecnologia e Química Computacional (NANOQC) nessa universidade. “Nosso laboratório começou a investigar algumas classes de materiais emergentes, com a perspectiva de conciliar teoria e prática, impulsionado assim novas descobertas e aplicações.”, conta La Porta. Um dos materiais estudados pelo grupo, foi o germanato de zinco (Zn2GeO4), um versátil semicondutor com aplicações em sensores, catalisadores, baterias entre outros dispositivos.

Junto ao bolsista de iniciação científica Victor Yuudi Suzuki, o professor iniciou um projeto em que sintetizou, no laboratório da UTFPR, nanobastões de Zn2GeO4 puro e com porcentagens muito pequenas de íons de manganês. Para produzir essa série de nanobastões, eles utilizaram a chamada “síntese hidrotérmica assistida por micro-ondas”. O método consiste, em grandes linhas, em misturar soluções aquosas contendo determinados compostos, aquecer a solução final com ajuda de um forno de micro-ondas e deixar que os compostos reajam por um determinado tempo a uma pressão e temperatura controlada. No caso do Zn2GeO4 dopado com íons manganês que foram preparados neste estudo, essas reações foram realizadas a 140 °C durante 10 minutos. O material que resulta dessas reações é recolhido na temperatura ambiente, posteriormente lavado e secado, gerando os nanobastões.

O professor La Porta e seu grupo de pesquisa conseguiram otimizar uma das etapas do processo, a cristalização dos materiais, de modo a diminuir o tempo de síntese de horas para alguns minutos, mantendo assim a qualidade do material e a possibilidade de controlar seu formato.

Depois de preparar as amostras, a dupla viajou de Londrina até São Carlos (SP) para caracterizar os materiais no Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Ali, junto a pesquisadores locais, puderam analisar o formato, estrutura e a luminescência dos quatro tipos de composições de nanobastões produzidos: sem manganês e com 1, 2 e 4% desse elemento incorporado à estrutura do Zn2GeO4.

Finalmente, sabendo que compostos contendo zinco, germânio ou manganês apresentam atividade biológica considerável (efeitos benéficos ou negativos sobre os seres vivos), a equipe resolveu contatar colaboradores para investigar esse tipo de propriedades nos nanobastões. Dessa maneira, uma série de experimentos foi realizada nos Departamentos de Química e Farmácia da Universidade Federal de Juiz de Fora e na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, ambas no estado de Minas Gerais.

Os autores do trabalho. A partir da esquerda: Victor Suzuki, Luís Amorin, Felipe La Porta, Maximo Si Li, Elson Longo, Sandra de Castro, Paloma de Carvalho, Alessandra Carli, Emanuelle Machado, Caio Alvez, Nerilson Lima.
Os autores do trabalho. A partir da esquerda: Victor Suzuki, Luís Amorin, Felipe La Porta, Maximo Si Li, Elson Longo, Sandra de Castro, Paloma de Carvalho, Alessandra Carli, Emanuelle Machado, Caio Alvez, Nerilson Lima.

Para estudar a ação anti-inflamatória, a equipe realizou testes in vitro (em contato com células em recipientes laboratoriais) e também in vivo (usando ratos com edemas nas patas, dentro das normas do código brasileiro de uso de animais em laboratório). Ambos os tipos de experimentos revelaram que os nanobastões com cerca de 4% de manganês foram os mais eficazes no controle da inflamação. Nos testes in vitro, essas nanoestruturas foram capazes de modular moléculas que regulam a inflamação sem causar morte de células (sem citotoxicidade). Nos experimentos in vivo, os nanobastões reduziram edemas induzidos nas patas dos ratos com resultados similares aos da aplicação de dexametasona, um conhecido fármaco do grupo dos corticoides.

“No primeiro momento, pensamos que a combinação desses elementos para formação de um óxido ternário poderia de certo modo potencializar esses efeitos. Mais não tínhamos ideia que os resultados seriam tão significativos. Tendo em vista que os medicamentos atualmente disponíveis na terapêutica estão se mostrando cada dia menos eficazes, estes resultados podem encorajar o uso destes nanobastões, por exemplo, na produção de uma nova formulação farmacêutica, especialmente para casos de inflamação”, diz Felipe La Porta, que é o autor correspondente da pesquisa que foi recentemente publicado pela equipe de pesquisadores no Journal of Materials Chemistry C (fator de impacto 6,641).

Além de comprovar o potencial do material para essa aplicação do campo da saúde, os autores do artigo verificaram experimentalmente a capacidade dos nanobastões de degradarem um corante químico bastante encontrado em efluentes industriais, chamado azul de metileno. Para esta aplicação, as nanoestruturas com 2% de manganês foram as mais eficientes, decompondo completamente o corante em 10 minutos. “Devido à simplicidade de fabricação deste sistema aliado a suas excelentes propriedades, este material também é promissor para limpeza de diversos poluentes ambientais, e pode ser facilmente recuperado no final deste processo”, comenta o professor da UTFPR.

No centro, aglomerado de nanobastões de germanato de zinco com 4% de manganês. Ao redor, em sentido horário: medidas de fotoluminescência das amostras; representação da estrutura do germanato de zinco dopado com manganês; mecanismo de degradação de poluentes e medidas da degradação do azul de metileno; ação anti-inflamatória dos nanobastões e de outros tratamentos em pata de rato com edema induzido.
No centro, aglomerado de nanobastões de germanato de zinco com 4% de manganês. Ao redor, em sentido horário: medidas de fotoluminescência das amostras; representação da estrutura do germanato de zinco dopado com manganês; mecanismo de degradação de poluentes e medidas da degradação do azul de metileno; ação anti-inflamatória dos nanobastões e de outros tratamentos em pata de rato com edema induzido.

As propriedades superiores que a equipe científica brasileira encontrou nos nanobastões com manganês podem ser relacionadas aos defeitos estruturais observados nessas amostras. De fato, a rede tridimensional de átomos que forma o germanato de zinco é cristalina, ou seja, organizada em padrões regulares. Com a introdução de manganês, irregularidades são geradas, e delas surgem novas propriedades.

O artigo científico que reporta este trabalho foi selecionado para compor a coleção Materials and Nano Research in Brazil, preparada pela Royal Society of Chemistry em comemoração do XVIII B-MRS Meeting, e, portanto, pode ser acessado sem custo até 15 de outubro deste ano, aqui.

O trabalho foi realizado com financiamento de agências brasileiras de apoio à pesquisa: as federais CNPq e Capes, e as estaduais Fundação Araucária, Fapesp e Fapemig.

Royal Society of Chemistry reúne artigos de autores do Brasil em coleção comemorativa do B-MRS Meeting.


RSC_collectionA Royal Society of Chemistry (RSC) preparou uma coleção online de artigos de autores brasileiros em comemoração ao XVIII B-MRS Meeting (Balneário Camboriú, 22 a 26 de setembro de 2019). A RSC é apoiadora desta edição do evento anual da SBPMat.

Intitulada Materials and Nano Research in Brazil, a coleção reúne 55 artigos publicados em periódicos da editora RSC entre 2017 e 2019. Todos os artigos selecionados podem ser acessados sem custo (open access) até 15 de outubro de 2019.

A coleção está disponível em www.rsc.li/brazil-mrs-2019

Boletim da SBPMat. 83ª edição.


 

logo header 400

Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 83. 31 de julho de 2019.

Nota Pública da SBPMat

A diretoria e o conselho da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) se solidarizam com o Diretor do INPE, Prof. Ricardo Magnus Osório Galvão, sobre comentários infundados do Sr. Presidente Jair Bolsonaro (…)

Acesse aqui a íntegra da nota pública.

Notícias da SBPMat

Eleições na SBPMat. A comissão eleitoral já homologou as candidaturas. Conheça a chapa candidata à Diretoria Executiva e a lista de sócios que mostraram interesse em ser votados para o Conselho Deliberativo, aqui. O período para votação será de 22 de setembro a 04 de outubro 2019. Sócios com anuidade em dia poderão votar online em suas áreas de sócios no portal da SBPMat, ou presencialmente durante o XVIII B-MRS Meeting, no local do evento.

XIX B-MRS Meeting + IUMRS-ICEM 2020 (Foz do Iguaçu, Brasil, 30 de agosto a 3 de setembro de 2020). A Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat/ B-MRS) e a União Internacional de Sociedades de Pesquisa em Materiais (IUMRS) convidam a comunidade científica internacional a enviar propostas de simpósio para o evento conjunto que agregará o evento anual da SBPMat e a conferência internacional de materiais eletrônicos da IUMRS. A chamada de simpósios está aberta até 31 de outubro de 2019. Saiba mais, aqui.

Artigo em Destaque

Uma equipe científica multidisciplinar desenvolveu em laboratórios brasileiros um nanomaterial com interessantes propriedades magnéticas, luminescentes e bioquímicas, e verificou sua baixa toxicidade em testes in vivo realizados com embriões de peixe-zebra. O nanomaterial é uma nanoplataforma promissora para o desenvolvimento de aplicações nas áreas de saúde, biotecnologia e meio ambiente. Um artigo sobre o trabalho foi recentemente publicado, com destaque em capa, na ACS Applied Nano Materials. Saiba mais.

artigo news

Cientista em Destaque

Entrevistamos a professora Julia Greer, do California Institute of Technology (EUA). Autora de contribuições seminais à nanomecânica, a cientista, que também é pianista, atualmente desenvolve inovadoras estruturas tridimensionais baseadas em nanomateriais, e estuda de que maneira suas propriedades superiores surgem da interação entre as escalas atômica, nano e micro. No XVIII B-MRS Meeting, ela proferirá uma palestra sobre esses interessantes metamateriais. Veja nossa entrevista.

julia greer

Da Ideia à Inovação

A Innoma pretende espalhar inovação na indústria brasileira. A startup desenvolve tecnologias para produzir nanoativos de alta eficiência que podem ser usados como matérias-primas por empresas de diversos segmentos. O primeiro produto, um nanoativo de prata antimicrobiano, já está sendo comercializado. Veja nossa matéria sobre a Innoma, aqui.

logo innoma

Novidades dos Sócios SBPMat

Artigo de sócio da SBPMat Oswaldo Luiz Alves (IQ – Unicamp) é selecionado para compor coleção da Royal Society of Chemistry. Saiba mais.

banner evento

XVIII B-MRS Meeting/ Encontro da SBPMat
(Balneário Camboriú, SC, 22 a 26 de setembro de 2019)

Site do evento: www.sbpmat.org.br/18encontro/

Inscrições. O período para pagar a taxa de inscrição com desconto encerra no dia 2 de agosto. Além disso, sócios da SBPMat têm descontos especiais na inscrição, sendo que é possível pagar a anuidade de sócio no ato da inscrição. Saiba mais, aqui.

Programa. Está no ar a programação resumida do evento, com as atividades técnicas e sociais, e a distribuição de sessões orais e de pôster. Veja aqui.

Impressão de pôsteres. É possível enviar o arquivo do pôster por e-mail e retirar a impressão no local do evento. Saiba mais.

Local do evento. O encontro será realizado no Hotel Sibara Flat & Convenções, localizado no centro da cidade, próximo a hotéis, restaurantes e lojas, e a apenas 100 metros do mar. Saiba mais, aqui.

Local da abertura. A cerimônia de abertura, a palestra memorial e o coquetel de boas-vindas serão realizados no dia 22 de setembro (domingo) no complexo Cristo Luz, uma das principais atrações turísticas da cidade. Haverá transporte para o local, saindo do Hotel Sibara a partir das 17:00. Conheça o local, aqui.

Palestra memorial. A tradicional Palestra Memorial Joaquim da Costa Ribeiro será proferida pela professora Yvonne Primerano Mascarenhas (IFSC – USP). Saiba mais sobre a palestrante homenageada, aqui.

Festa do evento. Será realizada no lounge do Green Valley, um destacado clube noturno. Saiba mais sobre o Green Valley, aqui. A festa contará com a impactante banda Brothers. Assista à Brothers, aqui.

Cidade-sede. Balneário Camboriú (SC) é um importante destino turístico que oferece praias urbanas e agrestes, ecoturismo e esportes de aventura, além de passeios de barco, bondinho, bicicleta e teleférico – tudo dentro de uma paisagem única que combina serra, mar e arranha-céus. O visitante tem acesso a muitíssimas opções de gastronomia, hospedagem e compras, bem como à agitada vida noturna que se destaca no cenário brasileiro.

Hospedagem, passagens, transfers etc. Confira as opções do hotel e da agência oficial do evento, aqui.

Palestras plenárias. Destacados cientistas de instituições da Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Itália proferirão palestras plenárias sobre temas de fronteira no evento. Também haverá uma plenária do brasileiro Antônio José Roque da Silva, diretor do CNPEM e do projeto Sirius. Saiba mais sobre as plenárias, aqui.

Simpósios. 23 simpósios propostos pela comunidade científica internacional compõem esta edição do evento. Veja a lista de simpósios, aqui.

Organização. O chair do evento é o professor Ivan Helmuth Bechtold (Departamento de Física da UFSC) e o co-chair é o professor Hugo Gallardo (Departamento de Química da UFSC). O comitê de programa é formado pelos professores Iêda dos Santos (UFPB), José Antônio Eiras (UFSCar), Marta Rosso Dotto (UFSC) e Mônica Cotta (Unicamp). Conheça todos os organizadores, aqui.

Expositores e patrocinadores. 41 empresas e instituições já confirmaram participação no evento e apoio/patrocínio. Organizações interessadas em participar podem entrar em contato com Alexandre no e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Dicas de Leitura

– Fatores de impacto 2018: resultados dos periódicos da ACS Publications. Saiba mais.

– Computação óptica: metamaterial resolve equação processando sinais ópticos (paper da Science). Saiba mais.

– Cientistas do Brasil desenvolvem nanocápsulas de membrana celular tumoral que transportam fármacos pelo organismo e os liberam em tumores para combater o câncer combinando hipertermia e quimioterapia (paper da Applied Bio Materials). Saiba mais.

Oportunidades

– Pós-doc na Alemanha em projeto internacional sobre revestimentos de hidroxiuretanas para implantes de PEEK modificados com enzimas. Saiba mais.

– Pós-doc no CTNano (UFMG) em dispositivos de grafeno para sensoriamento de gases (parceria com Petrobras). Saiba mais.

– Doutorado em membranas com bolsa CNPq na UFPR. Saiba mais.

Eventos

II Simpósio Multidisciplinar em Materiais do Centro-Oeste. Caldas Novas, GO (Brasil). 7 a 9 de agosto de 2019. Site.

20th International Sol-Gel Conference. São Petersburgo (Rússia). 25 a 30 de agosto de 2019. Site.

2nd CINE-M2P workshop. São Paulo, SP (Brasil). 26 e 27 de agosto de 2019. Site.

V Reunião Anual sobre Argilas Aplicadas. Franca, SP (Brasil). 28 a 30 de agosto de 2019. Site.

21st Materials Research Society of Serbia Annual Conference (YUCOMAT 2019) and 11th IISS World Round Table Conference on Sintering (WRTCS 2019). Herceg Novi (Montenegro). 2 a 6 de setembro de 2019. Site.

R2B Research to Business Itália-Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ (Brasil). 19 de setembro de 2019. Site.

XVIII B-MRS Meeting. Balneário Camboriú, SC (Brasil). 22 a 26 de setembro de 2019. Site.

XL CBRAVIC (Brazilian Congress on Vacuum Applications in Industry and Science). 7 a 11 de outubro de 2019. Site.

XII Brazilian Symposium on Glass and Related Materials. Lavras, MG (Brasil). 22 a 25 de outubro de 2019. Site.

19th Brazilian Workshop on Semiconductor Physics. Fortaleza, CE (Brasil). 18 a 22 de novembro de 2019. Site.

XIX B-MRS Meeting + 2020 IUMRS ICEM (International Conference on Electronic Materials). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 30 de agosto a 3 de setembro de 2020. Site.

Siga-nos nas redes sociais

Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.
 

 

 

Artigo em destaque: Nanoplataforma magneto-luminescente de baixa toxicidade.


O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Fe3O4@SiO2 Nanoparticles Concurrently Coated with Chitosan and GdOF:Ce3+,Tb3+ Luminophore for Bioimaging: Toxicity Evaluation in the Zebrafish Model. Latif U. Khan, Gabriela H. da Silva, Aline M. Z. de Medeiros, Zahid U. Khan, Magnus Gidlund, Hermi F. Brito, Oscar Moscoso-Londoño, Diego Muraca, Marcelo Knobel, Carlos A. Pérez, Diego Stéfani T. Martinez. ACS Appl. Nano Mater. 2019, 2,6, 3414-3425. https://doi.org/10.1021/acsanm.9b00339.

Nanoplataforma magneto-luminescente de baixa toxicidade

Capa da ACS Applied Nano Materials destacando o artigo da equipe brasileira.
Capa do periódico científico destacando o artigo.

Em um trabalho de pesquisa realizado em uma série de laboratórios brasileiros, uma equipe científica multidisciplinar desenvolveu um nanomaterial magnético, luminescente e capaz de se ligar quimicamente a moléculas de interesse, como fármacos ou proteínas. O nanomaterial também apresentou baixa toxicidade em testes com organismos vivos. Tendo esse conjunto de características, o novo material pode ser visto como uma nanoplataforma multifuncional, promissora para o desenvolvimento de diversas aplicações, principalmente nas áreas de biotecnologia, saúde e ambiente. O estudo foi reportado em artigo publicado na ACS Applied Nano Materials (periódico da American Chemical Society lançado em 2018), e destacado em capa da edição de junho da revista.

As propriedades dessa nanoplataforma provêm da presença de diversos compostos e elementos com propriedades distintas: nanopartículas de óxido de ferro (Fe3O4, conhecido como magnetita) responsáveis pelo magnetismo; íons de elementos lantanídeos (Gd3+, Ce3+ e Tb3+, conhecidos como terras raras) responsáveis pela luminescência ou emissão de luz, e quitosana (biopolímero obtido a partir do exoesqueleto de crustáceos), fundamental para propiciar, na superfície na nanoplataforma, as ligações químicas com moléculas externas de interesse.

A nanoplataforma foi desenvolvida no Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNNano – CNPEM). O processo utilizado para sua síntese abrange uma série de etapas. Inicialmente, as nanopartículas de óxido de ferro que formam o núcleo das nanoplataformas são sintetizadas e revestidas com dióxido de silício (SiO2). Depois, os elementos luminescentes e a quitosana são incorporados às nanopartículas formando uma camada externa. O resultado são nanoplataformas de aproximadamente 170 nm de diâmetro (em média), denominada Fe3O4@SiO2/GdOF:xCe3+,yTb3+.

À esquerda, ilustração esquemática de uma das nanoplataformas, mostrando seu núcleo. À direita, solução com nanoplataformas sob efeito de um campo magnético (concentradas próximo dos ímãs) e irradiada com luz UV (gerando a emissão de luz verde).
À esquerda, ilustração esquemática de uma das nanoplataformas desenvolvidas, mostrando seu núcleo e a camada externa. No quadro preto à direita, fotografias de soluções aquosas com nanoplataformas. À esquerda do quadro, pode ser visto o efeito de se irradiar a solução com luz ultravioleta: as nanoplataformas emitem luz verde.  À direita, distingue-se o efeito da aplicação de um campo magnético: as nanoplataformas se concentram perto do ímã.

Para estudar as propriedades magnéticas e luminescentes da nanoplataforma e caracterizar sua estrutura e morfologia, participaram do trabalho grupos de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), especialistas nesses estudos.

Além disso, os autores principais do trabalho decidiram avaliar a toxicidade das nanoplataformas com relação a organismos vivos – um passo fundamental quando se pensa em aplicações na área de saúde ou meio ambiente. Os cientistas optaram por realizar um ensaio in vivo bastante consolidado no meio acadêmico, no qual embriões de peixe-zebra, mais conhecidos pelo nome em inglês zebrafish (nome científico Danio rerio), são expostos ao material cuja toxicidade se deseja avaliar. Esses peixes de água doce, de fato, apresentam alta semelhança genética com a espécie humana (cerca de 70%) e, ao mesmo tempo, são mais baratos e fáceis de se estudar do que camundongos ou ratos , entre outras vantagens.

No ensaio de toxicidade, algumas dezenas de ovos de peixe-zebra recém-fecundados foram colocados em meio aquoso contendo as nanoplataformas em diversas concentrações. Os embriões foram examinados em diferentes momentos de seu desenvolvimento usando um microscópio óptico para conferir se ocorria mortalidade, malformação, edema ou mudanças no tamanho. Os testes incluíram embriões com e sem córion (membrana que protege o embrião nos estágios iniciais do desenvolvimento). Os resultados do ensaio, que foi realizado no LNNano, mostraram que as nanoplataformas, mesmo em elevadas concentrações (100 mg/L), apresentam baixa toxicidade para todos os grupos de embriões.

Embriões de zebrafish utilizados nos ensaios de nanotoxicidade. (A) Embriões de 24 horas de idade, na presença e ausência do córion, onde setas indicam o córion (membrana que protege os embriões nos estágios iniciais de desenvolvimento). (B) Embriões após 96 horas de desenvolvimento.
Embriões de zebrafish utilizados nos ensaios de nanotoxicidade. (A) Embriões de 24 horas de idade, na presença e ausência do córion, onde setas indicam o córion (membrana que protege os embriões nos estágios iniciais de desenvolvimento). (B) Embriões após 96 horas de desenvolvimento.

“Este trabalho traz uma contribuição inédita envolvendo a avaliação da toxicidade de nanomateriais híbridos utilizando o modelo zebrafish, um promissor método alternativo em nanotoxicologia, e a influência do córion”, destaca Diego Stéfani Teodoro Martinez , pesquisador do CNPEM no LNNano e um dos autores correspondentes do artigo.

Os embriões também foram analisados no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS – CNPEM) com o objetivo de verificar a distribuição e concentração das nanoplataformas no organismo dos embriões. Para isso, os cientistas utilizaram a técnica de microscopia por fluorescência de raios X com luz sincrotron (SXRF), a qual consegue fazer um mapeamento preciso de determinados elementos químicos em sistemas biológicos. Essa técnica está disponível em uma das estações experimentais do LNLS, coordenada pelo pesquisador Carlos Alberto Pérez, que é um dos autores correspondentes do artigo.

Análises de microscopia de fluorescência de raios X com luz sincrotron (SXRF) dos embriões de zebrafish após exposição à nanoplataforma por 72 horas. (A) Imagem de microscopia óptica dos embriões; (B) Imagem de SXRF dos embriões demonstrando a acumulação da nanoplataforma no trato intestinal; e (C) Espectro de fluorescência de raios-X, demonstrando a co-localização espacial dos elementos Fe e Gd no trato intestinal dos embriões de Zebrafish.
Análises de microscopia de fluorescência de raios X com luz síncrotron (SXRF) dos embriões de zebrafish após exposição à nanoplataforma por 72 horas. (A) Imagem de microscopia óptica dos embriões; (B) Imagem de SXRF dos embriões demonstrando a acumulação da nanoplataforma no trato intestinal; e (C) Intensidade de fluorescência de raios-X ao longo da linha branca indicada em (B), demonstrando a co-localização espacial dos elementos Fe e Gd no trato intestinal dos embriões de zebrafish.

As análises por SXRF mostraram que as nanoplataformas tinham se acumulado nos embriões em função do tempo de exposição, com concentrações maiores no trato gastrointestinal no caso dos embriões que já tinham a boca desenvolvida – um resultado que pode ser significativo, por exemplo, no contexto de aplicações na área de saúde envolvendo a ingestão das nanoplataformas por via oral.

O estudo foi realizado no contexto de um projeto de pós-doutorado do bolsista Latif Ullah Khan, também autor correspondente do artigo. A realização do projeto, afirma Martinez, foi possível graças à disponibilidade de competências e facilidades nos laboratórios multiusuários do CNPEM. Entretanto, parcerias com outros laboratórios também foram fundamentais, acrescenta o pesquisador do CNPEM. Na Unicamp, o grupo do professor Marcelo Knobel realizou os estudos de magnetometria. Na USP, os grupos dos professores Hermi Felinto Brito e Magnus Gidlund fizeram os estudos de luminescência e funcionalização. Finalmente, o professor Diego Muraca (Unicamp) e o pesquisador Jefferson Bettini (CNPEM) contribuíram com a caracterização estrutural e morfológica por técnicas de microscopia eletrônica de transmissão.

“Este artigo surgiu com a união da experiência de diferentes grupos brasileiros; um trabalho interdisciplinar na fronteira do conhecimento em nanobiotecnologia e nanotoxicologia”, diz Martinez, acrescentando que um dos principais desafios do trabalho foi a integração de conhecimentos e técnicas de diferentes áreas, como Materiais, Biologia e Toxicologia, no qual atuaram como coordenadores ele mesmo e Carlos Pérez.

Autores principais do artigo. A partir da esquerda: Latif Khan, Carlos Pérez e Diego Stéfani Martinez.
Autores principais do artigo. A partir da esquerda: Latif Khan, Carlos Pérez e Diego Stéfani Martinez.

O estudo contou com apoio financeiro das agências brasileiras CAPES (inclusive por meio do acordo CAPES-CNPEM), FAPESP e CNPq (inclusive por meio do INCT-Inomat); do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) por meio do SisNANO, e The World Academy of Sciences for the advancement of science in developing countries (TWAS). O estudo também contou com apoio financeiro do Centro Brasil-China Pesquisa e Inovação em Nanotecnologia (CBC-Nano).

Aplicações: biotecnologia, saúde e meio ambiente

De acordo com Martínez, a nanoplataforma desenvolvida abre perspectivas para aplicações em biotecnologia, saúde e meio ambiente, como, por exemplo, sistemas para imageamento de tecidos biológicos e células, kits para diagnósticos médicos e sistemas para detecção e remediação de poluentes ambientais.

As aplicações aproveitariam o interessante conjunto de propriedades da nanoplataforma. Por ser magnéticas, usando um ímã externo, as nanoplataformas poderiam ser direcionadas e retidas em determinado tecido biológico ou isoladas de, por exemplo, sangue ou águas contaminadas. Além disso, a luminescência do nanomaterial permitiria a visualização das nanoplataformas dentro dos tecidos biológicos e células de interesse. Finalmente, a presença de quitosana propiciaria a ligação química de fármacos e outras moléculas que serviriam ao diagnóstico e/ou tratamento de doenças. “Todavia, ainda é preciso muitos estudos para aplicações reais e comercialização desta nanoplataforma, uma vez que se trata de um novo material e que precisa ser testado em diferentes modelos futuramente”, esclarece Martinez.

Featured scientist: Prof. Julia Greer (California Institute of Technology, USA).


Prof Julia Greer
Prof Julia Greer

As if she were an architect of the nanoscale, Prof. Julia R. Greer, together with her research group at Caltech (California Institute of Technology) creates three-dimensional structures based on innovatively engineered nanomaterials. The result are metamaterials (artificial materials in which properties depend not only on chemical composition but also on the specific arrangements of nano-sized components into an architected structure) with superior properties. For example, structures with simultaneous extreme lightness and strength or thermal conductivity. Professor Greer and her group develop methods to create such 3D nano-architected materials using an approach called additive manufacturing, and to understand how these properties are generated as a result of multi-scale interactions: atomic, nano and micro scales.

Julia Rosolovsky Greer was born in Moscow (Russia). She began her musical education at the age of 6 and started attending the renowned Gnessin School of Music in Moscow in 5th grade; concurrently in 7th grade she transferred to a Math high school, which in a way served as a foreshadow of her “double-career” as a scientist and a pianist. At 16, she moved with her family to the United States, where she studied and works in three of the top five universities in the world according to the rankings available. For her undergraduate studies she attended the Massachusetts Institute of Technology (MIT), where she obtained in 1997 her major in Chemical Engineering and a minor in Advanced Music Performance. After that, Greer was accepted at Stanford University to undertake graduate studies in Materials Science and Engineering. In 2000, she obtained a M.S. degree, but was discouraged by her at-the-time-supervisor to follow a scientific career. After working for a few years at Intel, Greer decided to return to Stanford to get a Ph.D. Working under the guidance of materials scientist Prof. William D. Nix, who she considers an incredible mentor, Julia made a seminal contribution to nanomechanics and obtained her Ph.D. degree in 2005. After that, she was a postdoctoral fellow at PARC until she joined the faculty of Caltech in 2007, where she is currently a Ruben F. and Donna Mettler Professor of Materials Science, Mechanics, and Medical Engineering.

Professor Greer has an h-index of 56 and over 13,000 citations, according to Google Scholar. She has received a couple of dozen distinctions from scientific institutions, journals and media, and has given more than 100 invited lectures, including named lectures, at scientific events, universities, World Economic Forums and TEDx events. Greer serves as an associate editor for Nano Letters and Extreme Mechanics Letters.

This scientist and concert pianist will be in September in Balneário Camboriú (Brazil), giving a plenary lecture at the XVIII B-MRS Meeting.

See our mini interview with Professor Julia Greer.

B-MRS Newsletter: – In your PhD research, you developed an innovative method to measure mechanical properties of materials at the nanoscale and with it you have made an amazing discovery, right? We would like you to tell us, as briefly as possible, the history of this work, its results and its impact.

When I first arrived at Stanford to start my Ph.D. research with the amazing mentor, Professor W.D. Nix, he vaguely suggested that I should learn how to make small things to test mechanically and see if I could figured out how to use the new-at-the-time instrument, the Focused Ion Beam (FIB). Having worked at Intel for a couple of years, I had learned to do what the Boss tells you to do, so I had learned a very new at the time technique that carves nano-sized shapes by etching the parent material with Ga+ ions. Soon, I had become quite proficient at making nano-cylinders, whose diameters ranged from 1/10,000th of your hair diameter to something like half a thickness of a sheet of paper. I then figured out how to compress them using an instrument called nanoindenter to assess their strength and modulus, and we discovered that as we made those pillars smaller, i.e. reducing the diameter from several microns to a few hundred nanometers, resulted in much higher stresses, i.e. they were able to exhibit much greater strengths. I spent the rest of my 3-year Ph.D. trying to figure out how and why that happened. Together with Prof. Nix, we stumbled upon a pretty impactful finding that smaller was, in fact, stronger, because of the specific behavior and interactions of defects called dislocations within very small, nano- and micro-sized volumes. We did all this work on single crystals of gold, i.e. a relatively malleable metal at the macroscale, whose properties are well understood. When its dimensions were reduced to ~200 nm, it became as strong as steel, exhibiting compressive (and we showed later, tensile, too) stresses close to 800 MPa or even higher; for comparison, the bulk strength of gold is roughly 25 MPa, so it’s 50 times higher! Since then many other research groups have confirmed this type of size effect in many different metals, using different experimental and computational techniques and materials, so it had turned out to be not only a reproducible but seemingly ubiquitous size effect in many different material systems. It has significant implications for how to properly understand material behavior at the nano- and microscale.

B-MRS Newsletter: – In your plenary talk at the B-MRS Meeting, you will talk about three-dimensional nano-architected meta-materials. Could you please choose one of your favorite metamaterials, briefly describe how it is made and mention its (possible) applications?

Well, our meta-materials are like children, I don’t really have a favorite one. What I will do is describe how we usually make these materials, what are their solid constituents – they are all so different: metals, semiconductors, polymers, carbon, ceramics, etc. – and what kind of properties they exhibit. I will describe quite a bit of chemical synthesis, mechanical properties, and show (hopefully 😉 ) interesting visual examples of their response to various stimuli. I am looking forward to the conference!

For more information on this speaker and the plenary talk she will deliver at the XVIII B-MRS Meeting, click on the speaker’s photo and the title of the lecture here https://www.sbpmat.org.br/18encontro/#lectures.

Da ideia ao mercado: Insumos nanotecnológicos que espalham inovação.


logo innomaNeste mês de julho de 2019, a Innoma – Innovative Materials está prestes a realizar a primeira venda de seu primeiro produto, um insumo nanotecnológico com propriedades antimicrobianas que pode viabilizar inovações nas indústrias cosmética, têxtil, de tintas, de embalagens e muitas outras.

A origem da startup remonta a 2015. Nesse momento, Tiago Hilário Ferreira era um bolsista de pós-doutorado que acumulava mais de 10 anos de vida acadêmica, além de uma experiência empreendedora de três anos como dono de uma pizzaria. Na graduação, Tiago tinha estudado Farmácia na UFMG. No mestrado e doutorado em Ciência e Tecnologia dos Materiais, realizados no CDTN, ele pesquisara a produção e as propriedades de cilindros de diâmetro nanométrico compostos por átomos de nitrogênio e boro, os nanotubos de nitreto de boro. No pós-doc ele tinha utilizado esse material para desenvolver um sistema capaz de encontrar tumores no organismo e combatê-los de forma mais eficiente. 

Em 2015, o trabalho do pós-doc foi selecionado dentro do programa Inova Minas (iniciativa de agências do governo do estado de Minas Gerais) para ser apresentado em uma mostra cujo objetivo era comunicar à sociedade em geral a relação da ciência mineira com a vida dos cidadãos.  “Nessa oportunidade, eu comecei a entender a necessidade de levar o conhecimento científico para mais próximo da sociedade”, conta Tiago. “Houve uma identificação muito grande e, a partir desse primeiro contato, comecei a buscar iniciativas nesse sentido”. Pouco mais de um ano depois, no início de 2017, Tiago criava a Innoma junto ao engenheiro de materiais Diego Santos de Oliveira, que realizava seu mestrado em Materiais no CDTN com uma pesquisa sobre nanomateriais para aplicações em saúde.

O impulso inicial para criar a startup, conta Tiago, foi a possibilidade de participar de dois programas mineiros de apoio ao surgimento e desenvolvimento de startups: o BioStartupLab e o FiemgLab. A Innoma foi selecionada pelos dois programas em 2017 para fazer uma capacitação inicial, chamada de pré-aceleração. Inicialmente, a ideia dos sócios era produzir, em escala industrial, as nanopartículas de nitreto de boro para pesquisa científica e para uso em terapias de combate ao câncer.

Contudo, no final da pré-aceleração, os sócios perceberam que deveriam priorizar projetos com maior viabilidade comercial, e optaram por apostar nos nanoativos de prata. Esses antimicrobianos de alta eficiência, que podem ser incorporados a diversos produtos, possuem atualmente o maior mercado em nível mundial dentre os nanomateriais, segundo dados informados pela Innoma. 

Para desenvolver a tecnologia mais adequada à produção do nanoativo, os sócios se apoiaram nos conhecimentos adquiridos durante sua formação acadêmica e firmaram uma parceria com a PUC Minas para utilizar laboratórios de Físico-química. O produto gerado foi uma dispersão aquosa de nanopartículas de prata que, segundo o Tiago, se destaca pela grande estabilidade e pela alta concentração do ativo.  

Depois de proteger por meio de patentes depositadas a rota química desenvolvida, a startup optou por terceirizar a produção industrial dos nanoativos. Dessa maneira, a Innoma, que até o momento vem trabalhando com capital próprio e com uma equipe interna formada, apenas, pelos dois sócios-fundadores, garante baixos custos operacionais e alta capacidade produtiva. “Firmamos parceria com uma importante indústria química que possui todos os certificados e registros exigidos, além de estruturas operacional e tecnológica aptas a atender os mais rigorosos padrões de qualidade”, explica Tiago.

Hoje, enquanto comercializa seu primeiro produto, a Innoma trabalha nos próximos lançamentos: nanoativos baseados em cobre, zinco e ouro, que prometem beneficiar segmentos diversos da indústria nacional.

Sócios fundadores da Innoma: Diego Santos de Oliveira (esquerda) e Tiago Hilário Ferreira (direita).
Sócios fundadores da Innoma: Diego Santos de Oliveira (esquerda) e Tiago Hilário Ferreira (direita).

Veja nossa entrevista com Tiago Hilário Ferreira, que atua como diretor executivo na Innoma.

Boletim da SBPMat: – Quais foram os fatores mais importantes no sentido de viabilizar a criação e desenvolvimento da startup?

Tiago Hilário: – O aprendizado adquirido durante o processo de pré-aceleração foi muito importante para o início da modelagem do negócio. As validações com potenciais clientes direcionaram os nossos esforços. A operação inicial com o custo fixo mais baixo possível possibilitou que a nossa empresa se mantivesse ativa neste período de pré-faturamento.  

Boletim da SBPMat: – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas até o momento pela startup?

Tiago Hilário: – Quando se cria uma empresa do zero as dificuldades são diárias, o famoso “matar um leão por dia”. O processo de desenvolvimento do produto e adequação ao mercado até o momento foram as etapas mais complicadas.

Boletim da SBPMat: – Qual é, na sua visão, a principal contribuição da startup para a sociedade?

Tiago Hilário: – Trabalhamos para fornecer nanoativos de alta eficiência para o mercado nacional, tornando possível a utilização destes materiais em novos produtos que até então não possuíam viabilidade comercial.

Ao disponibilizar para o mercado uma tecnologia habilitadora, e conforme as diretrizes do MCTIC, esperamos promover o aumento do desempenho humano, seus processos e produtos, qualidade de vida e justiça social. 

Boletim da SBPMat: – Qual é sua meta/ seu sonho para a startup?

Tiago Hilário: – A meta é que a INNOMA se estabeleça como empresa ainda nesse ano, para que os sócios possam se dedicar integralmente a ela. O nosso sonho é ser referência nacional neste mercado. 

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para nossos leitores do boletim e seguidores das redes sociais que avaliam a possibilidade de criar uma startup.

Tiago Hilário: Tenho três conselhos para quem pretende criar um startup:

– O processo é lento. Normalmente leva mais tempo do que o esperado e você precisa estar preparado para isso.

– Muito dinheiro atrapalha tanto quanto pouco. Com muito recurso, os sócios tendem a atropelar as validações e fazer investimentos errados. Com muito pouco, o projeto se torna inviável.

– A equipe é o mais importante. A gente tende a acreditar que a ideia é o principal, mas uma equipe forte e motivada é o fator que faz mais diferença no sucesso de uma startup.

Nota Pública da SBPMat.


A diretoria e o conselho da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) se solidarizam com o Diretor do INPE, Prof. Ricardo Magnus Osório Galvão, sobre comentários infundados do Sr. Presidente Jair Bolsonaro. Se o Presidente tivesse o cuidado de verificar o trabalho do INPE e a trajetória de contribuições do Prof. Ricardo Galvão, jamais teria feito a acusação infundada.

Os órgãos públicos e seus funcionários devem servir ao povo e à Nação, sendo portanto passíveis de críticas e avaliações. É inadmissível, porém, que um Presidente da República faça acusações em público sem mínima verificação. Não é apenas ao Prof. Ricardo Galvão e ao INPE que o Presidente ofende, mas a todos que trabalham em prol do Brasil com geração de conhecimento.

Artigo de sócio da SBPMat é selecionado para coleção da Royal Society of Chemistry.


Prof Oswaldo Luiz Alves
Prof Oswaldo Luiz Alves

O professor Oswaldo Luiz Alves (IQ – Unicamp), sócio da SBPMat, é um dos autores correspondentes de um artigo selecionado para compor uma coleção temática da Royal Society of Chemistry (RSC), comemorativa do Ano Internacional da Tabela Periódica. A coleção, que pode ser acessada aqui, reúne 55 papers sobre sistemas de baixa dimensionalidade baseados em carbono e suas aplicações, publicados entre 2017 e 2019 em alguns periódicos da RSC.

O paper assinado pelo professor Alves junto a outros sete pesquisadores do Brasil reporta a toxicidade e as nanobiointerações de um óxido de grafeno funcionalizado com relação a componentes do sangue humano. O artigo foi inicialmente publicado em 2018 no Journal of Materials Chemistry B e acaba de ser destacado na coleção comemorativa, na qual é disponibilizado na modalidade de acesso aberto.

Referência do artigo: Marcelo de Sousa, Carlos H. Z. Martins, Lidiane S. Franqui, Leandro C. Fonseca, Fabrício S. Delite, Evandro M. Lanzoni, Diego Stéfani T. Martinez  and  Oswaldo L. Alves. Covalent functionalization of graphene oxide with D-mannose: evaluating the hemolytic effect and protein corona formation. J. Mater. Chem. B, 2018,6, 2803-2812. DOI:10.1039/C7TB02997G. Disponível em: https://pubs.rsc.org/en/content/articlehtml/2018/tb/c7tb02997g?page=search (HTML)

Chamada de propostas de simpósio para o XIX B-MRS Meeting + IUMRS-ICEM 2020.


A Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat/ B-MRS) e a União Internacional de Sociedades de Pesquisa em Materiais (IUMRS) convidam a comunidade científica internacional a enviar propostas de simpósio.

logo 19 encontroEstá aberta, até 31 de outubro de 2019, a chamada de propostas de simpósio para o evento que reunirá o XIX B-MRS Meeting (o evento anual da SBPMat/B-MRS) e o IUMRS – ICEM 2020 (décima sétima edição da conferência internacional sobre materiais eletrônicos organizada bienalmente pela IUMRS). O evento será realizado de 30 de agosto a 3 de setembro de 2020 em Foz do Iguaçu (Brasil), cidade turística próxima à fronteira com a Argentina e o Paraguai, que serve de base para as visitas às deslumbrantes Cataratas do Iguaçu e para os outros atrativos dos entornos.

As propostas de simpósio podem ser submetidas por grupos de pesquisadores, de preferência de composição internacional, que desejem organizar um simpósio temático dentro do evento. O evento terá um foco especial em materiais eletrônicos devido à realização do IUMRS-ICEM. Entretanto, como ocorre em todas as edições do B-MRS Meeting, o evento abrangerá um amplo leque de temas de Ciência e Tecnologia de Materiais. São bem-vindas, portanto, propostas de simpósios em temas relativos a todos os tipos de materiais, da síntese às aplicações.

Para submeter uma proposta de simpósio, basta preencher, em idioma inglês, o formulário online disponível em http://sbpmat.org.br/proposed_symposium/.

Os simpósios constituirão o eixo principal do evento junto às palestras plenárias, as quais contarão com cientistas internacionalmente destacados, tais como Alex Zunger (University of Colorado Boulder, USA), Edson Leite (LNNano, Brazil), John Rogers (Northwestern University, USA), Luisa Torsi (Università degli Studi di Bari “A. Moro”, Italy) e Tao Deng (Shanghai Jiaotong University, China).

As propostas de simpósio serão avaliadas pelo comitê do evento, e, até o final de 2019, será divulgada a lista dos simpósios aprovados. Em fevereiro de 2020, será aberta a chamada de trabalhos, os quais deverão ser submetidos dentro dos simpósios temáticos. Os organizadores dos simpósios serão responsáveis pela avaliação dos resumos submetidos e pela programação do simpósio.

O evento conjunto XIX B-MRS Meeting + IUMRS – ICEM 2020 é coordenado pelos professores Gustavo Martini Dalpian (UFABC) na coordenação geral, Carlos Cesar Bof Bufon (LNNANO) na coordenação de programa e Flavio Leandro de Souza (UFABC) como secretário geral. No comitê internacional, o evento conta com cientistas da América, Ásia, Europa e Oceania.

As últimas edições do B-MRS Meeting reuniram entre 1.100 e 2.000 participantes de vários países do mundo, que apresentaram seus trabalhos dentro dos simpósios.

Veja o site do evento: https://www.sbpmat.org.br/19encontro/ .

Cataratas do Iguaçu. By Martin St-Amant (S23678) - Own work, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3946052
Cataratas do Iguaçu. By Martin St-Amant (S23678) – Own work, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3946052