Artigo em destaque: Redes de átomos em rotação.

O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Detecting the phonon spin in magnon–phonon conversion experiments. J. Holanda, D. S. Maior, A. Azevedo & S. M. Rezende. Nature Physics (2018) doi:10.1038/s41567-018-0079.

Redes de átomos em rotação

box quanticaNo início deste mês de abril, uma equipe científica brasileira anunciou, em artigo publicado na Nature Physics (fator de impacto 22,806), uma impactante novidade sobre a dimensão atômica e subatômica da natureza, objeto da Física Quântica, na qual minúsculas partículas que também se comportam como ondas movimentam-se sem parar.

A equipe, liderada pelo professor Sergio Machado Rezende, conseguiu detectar experimentalmente, pela primeira vez na história da ciência, fônons com spin – algo parecido a uma vibração coletiva de átomos interligados (fônon) girando em torno de um eixo (spin). “Nunca qualquer pessoa tinha observado um fônon com spin antes destes experimentos”, contextualiza Rezende, que é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A pesquisa foi totalmente realizada no Departamento de Física da UFPE, com financiamento de agências de apoio à pesquisa federais (CNPq, CAPES e FINEP) e estadual (FACEPE).

A descoberta poderá ter um impacto importante na chamada “spintrônica”, tanto do ponto de vista fundamental (compreensão de fenômenos) quanto aplicado. Assim como a eletrônica utiliza a carga elétrica dos elétrons para desenvolver tecnologia, a ainda incipiente spintrônica aproveita o spin das partículas para codificar dados e armazená-los, transportá-los e decodifica-los. Nesse contexto, a evidência apresentada no artigo da Nature Physics abre possibilidades de aproveitamento dos fônons no desenvolvimento de dispositivos spintrônicos.

Uma descoberta que quase não aconteceu

A pesquisa que gerou o artigo foi desenvolvida dentro do doutorado em Física de José Holanda da Silva Júnior, defendido em 20 de abril deste ano na UFPE, e orientado pelo professor Sergio Rezende. Além de ser conhecido por ter exercido o cargo de ministro da Ciência e Tecnologia de 2005 a 2010, Rezende trabalha com materiais magnéticos há mais de meio século, sendo um cientista internacionalmente destacado nessa área. Rezende também é sócio fundador da SBPMat.

Os 4 autores do artigo. A partir da esquerda: Antônio Azevedo da Costa (professor da UFPE), José Holanda da Silva Júnior (que acaba de obter seu diploma de doutor pela UFPE), Daniel Souto Maior Pifano Ferreira (doutorando na UFPE) e Sergio Machado Rezende (professor da UFPE).
Os 4 autores do artigo. A partir da esquerda: Antônio Azevedo da Costa (professor da UFPE), José Holanda da Silva Júnior (que acaba de obter seu diploma de doutor pela UFPE), Daniel Souto Maior Pifano Ferreira (doutorando na UFPE) e Sergio Machado Rezende (professor da UFPE).

A ideia do trabalho de tese era gerar uma onda de spin em um material ferromagnético adequado e convertê-la em um uma onda elástica. Dito em termos quânticos, o objetivo era converter “mágnons” em “fônons” – transformação que é possível realizar desde que, nos materiais ferromagnéticos, o movimento dos spins pode provocar vibrações na rede de átomos.

A ideia da conversão mágnon – fônon foi bastante estudada nas décadas de 1960 e 1970, comenta Rezende. Entretanto, naquele momento, não foi possível obter evidências experimentais claras da existência da conversão, já que os materiais disponíveis para fazer os experimentos (materiais “massivos”) limitavam a observação do efeito. “Usava-se cilindros de materiais ferromagnéticos”, conta Rezende. “O efeito ocorria, mas era dentro do material e não havia forma de testar se realmente ele estava ocorrendo”, completa. Para se obter evidências mais definitivas, era necessário utilizar camadas muito finas de material ferromagnético.

Nos últimos 20 anos, explica Rezende, desenvolveu-se tecnologia para fabricar filmes finos de diversos materiais. Com isso, o interesse acadêmico pela conversão mágnon – fônon voltou, gerando diversos avanços na compreensão do fenômeno na última década.

Nesse novo contexto, no início do trabalho de tese de José Holanda, em 2014, o doutorando, seu orientador e o colaborador Antônio Azevedo da Costa (também professor do Departamento de Física da UFPE) conseguiram fabricar um filme fino do material ferromagnético mais adequado para estudar a conversão mágnon – fônon, a granada de ítrio e ferro. Com esse filme fino, a equipe preparou amostras em forma de fitas de 2 x 12 milímetros quadrados de superfície e 8 micrômetros de espessura, e realizou com elas dois tipos de experimentos principais.

O primeiro consiste, em grandes linhas, em aplicar radiação de micro-ondas numa das duas pontas do filme, gerando uma excitação nos spins do material. Como consequência, a rotação (spin) se orienta em torno do campo magnético que é aplicado (fenômeno conhecido como precessão). Essa precessão coletiva inicia numa ponta da amostra e se propaga como uma onda até chegar à outra ponta, motivo pela qual é chamada de “onda de spin”.

Se o campo magnético aplicado à amostra for uniforme, a onda de spin se atenua e não chega a se converter em onda elástica. Por isso, a equipe de Pernambuco utilizou ímãs de terras-raras (um em cada ponta da amostra) para provocar variações no campo magnético ao longo do filme, acompanhando o deslocamento da onda de spin.

Os experimentos com micro-ondas geraram evidências de que a conversão mágnon – fônon estava acontecendo, mas o grupo considerou importante confirmar ou não os resultados por meio de medidas do chamado “espalhamento Brillouin”. Nesse experimento, aplica-se luz laser em algum ponto da amostra e se analisa o espalhamento da luz pelas excitações no material. O resultado permite determinar qual é a natureza da excitação (neste caso, mágnon ou fônon) que está interagindo com a luz. “A grande vantagem de usar um filme em vez de um material massivo é que você pode incidir o laser em qualquer posição do filme e pode variar o ângulo de incidência”, explica Rezende.

Ilustração do sistema de espalhamento Brioullin de luz por fônons gerados pela conversão de mágnons e resultados da medida da polarização da luz.
Ilustração do sistema de espalhamento Brioullin de luz por fônons gerados pela conversão de mágnons, e resultados da medida da polarização da luz.

José Holanda ainda estava no início do doutorado, portanto havia de tempo de sobra e as perspectivas eram muito boas. Entretanto, o equipamento de espalhamento Brioullin da UFPE apresentou alguns problemas e, por ser um instrumento científico de certa complexidade, não era possível prever quando voltaria a ficar em condições de operar normalmente. Assim, enquanto dois estudantes se dedicavam a consertar o equipamento, Holanda se envolveu em outros trabalhos do grupo, obtendo bons resultados e participando de vários artigos.

Foi só no segundo semestre de 2017, no final de seu doutorado, que José Holanda pôde voltar ao equipamento de espalhamento Brioullin para completar seu trabalho sobre conversão mágnon – fônon. “Nós não sabíamos se ele ia conseguir fazer as medidas porque isso não é uma coisa trivial, e seria a primeira experiência dele com o equipamento”, conta o professor Rezende. Os experimentos foram finalmente realizados com ajuda do mestrando Daniel Souto Maior Pifano Ferreira.

A espera valeu a pena. Além de verificar que a onda de spin (mágnons) submetida a um campo magnético não uniforme realmente tinha se convertido em onda elástica (fônons), a equipe se deparou com uma surpresa: esses fônons espalhavam luz circularmente polarizada – uma evidência de que tinham spin. “Nós não esperávamos que o fônon produzido pela conversão do mágnon também tivesse um certo movimento de rotação, que é o que a gente chama de spin”, conta Rezende.

Depois de fazer essa descoberta pela via experimental, a equipe fez os cálculos teóricos correspondentes. “Confirmamos que a teoria previa, realmente, que o fônon tivesse spin, mas nós não sabíamos a teoria antes”, revela o professor Rezende.

Em questão de semanas, Rezende, Holanda, Azevedo e Maior terminavam de preparar um artigo reportando esta pesquisa, o qual, após ser ampliado e aprofundado a partir de sugestões dos revisores, foi publicado no passado 2 de abril na prestigiada Nature Physics.

Inscrições abertas para vagas de mestrado e doutorado no Programa de pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da USP São Carlos.

O Programa é  nota 6 na avaliação da CAPES.
Os pedidos de inscrição serão recebidos via internet através do e-mail pgrcem@sc.usp.br, até o dia 20/05/2018.
A prova será realizada no dia 04/06/2018.
[+] informação

Secretaria: Tel.: (16) 3373-8125, E-mail: pgrcem@sc.usp.br

Vaga para pós-doutorado no LNNano/CNPEM.

Público-alvo:  candidatos com doutorado em Física ou área correlata

Disponibilidade de 1 (uma) bolsa de pós-doutorado CNPq por 12 meses.

Responsável: Dr. Carlos César Bof Bufon.

Contato: cesar.bof@lnnano.cnpem.br.

Prazo para envio de CV: 02/05/2018.

O projeto consiste no desenvolvimento de dispositivos miniaturizados do tipo roll-up (autoenrolados), baseados em nanomembranas híbridas para diferentes aplicações em eletrônica. Os dispositivos serão produzidos com auxílio de técnicas de micro- e nano-fabricação, explorando diferentes combinações de materiais, orgânicos e inorgânicos, para a definição de camadas dielétricas, condutoras e semicondutoras. Estes dispositivos serão caracterizados através de técnicas de microscopia de força atômica, eletrônica de varredura e, principalmente, por medidas elétricas e magneto-eletrônicas. O objetivo deste projeto é produzir dispositivos miniaturizados, com desempenho superior ao observado em seus análogos planares, além de desenvolver novas tecnologias para componentes eletrônicos e sensores. Os candidatos interessados têm até o dia 01/05 para enviar CV para o endereço de e-mail destacado abaixo.

O Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) possui uma equipe com formação multidisciplinar (Física, Química e Engenharia) e uma infraestrutura avançada para a fabricação e caracterização dos mais novos tipos de materiais e dispositivos. Conheça o grupo.

Página do anuncio:

http://lnnano.cnpem.br/bolsa-de-pos-doutorado-dispositivos-roll-up/

Divulgação de chamada para bolsa PNPD/CAPES junto ao PPGFSC/UFSC – 2018/1.

O Programa de Pós-Graduação em Física da Universidade Federal de Santa Catarina – PPGFSC-UFSC, Florianópolis, anuncia a disponibilidade de 2 (duas) bolsas de pós-doutorado do Programa Nacional de Pós-doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (PNPD/CAPES), para o período de 2 (dois) anos, podendo ser renovada anualmente por até no máximo de 60 meses.

A mensalidade da bolsa é de R$ 4.100.00 (quatro mil e cem reais) além de valores destinados ao custeio.

O candidato deve atuar em linhas de pesquisa TEÓRICAS ou EXPERIMENTAIS, em uma das seguintes áreas de pesquisa: Astrofísica, Física Atômica e Molecular, Física da Matéria Condensada e Mecânica Estatística, Física Nuclear e de Hádrons, Física Matemática e Teoria de Campos.

O regulamento completo do Programa Nacional de Pós-Doutorado – PNPD está descrito na Portaria nº 086, de 03 de julho de 2013.

Para fazer sua inscrição clique aqui

Diretor e ex-presidente da SBPMat são escolhidos coordenadores das áreas de Materiais e Astronomia/Física na CAPES.

Professores Antonio Eduardo Martinelli (esquerda) e Fernando Lázaro Freire Jr (direita).
Professores Antonio Eduardo Martinelli (esquerda) e Fernando Lázaro Freire Jr (direita).

Dois participativos sócios da SBPMat constam na lista de novos coordenadores de área (mandato 2018 – 2022), divulgada pela CAPES no dia 6 de abril.

O professor Antonio Eduardo Martinelli (Departamento de Engenharia de Materiais da UFRN) foi reconduzido como coordenador da Área de Materiais da CAPES. Atualmente, Martinelli é diretor científico da SBPMat e chairman do XVII Encontro da SBPMat/B-MRS Meeting. Ele também foi diretor da sociedade nos períodos 2008-2009 e 2016-2017.

O professor Fernando Lázaro Freire Jr (Departamento de Física da PUC-Rio) foi escolhido coordenador da Área de Astronomia/Física da CAPES. Membro da diretoria fundadora da SBPMat, Freire Jr cumpriu dois mandatos como presidente da sociedade (2006-2007 e 2008-2009) e dois como diretor (2004-2005 e 2012-2013). Ele coordenou a Área de Física e Astronomia da FAPERJ de 2008 a 2012, foi diretor do CBPF de 2011 a 2015 e diretor do Departamento de Física da PUC-Rio de 2003 a 2008.

De acordo com a CAPES, os coordenadores de área são consultores designados para coordenar, planejar e executar as atividades de suas áreas junto à CAPES, incluindo aquelas relativas à avaliação dos programas de pós-graduação. O processo de escolha dos coordenadores envolve todos os programas de pós-graduação do Brasil da área em questão, bem como conselhos e autoridades da CAPES.

Veja a notícia da CAPES divulgando os novos coordenadores de área: http://www.capes.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/8823-capes-divulga-relacao-de-novos-coordenadores-de-area

Pós-doutorado em Polímeros no Centro de Tecnologia em Nanomateriais (CTNano).

Centro de Tecnologia em Nanomateriais – CTNano está selecionando 1 (um) pesquisador(a) em nível de Pós-Doutorado para atuar na frente de pesquisa em Polímeros. O(a) candidato(a) deve ter título de Doutor(a) em uma das seguintes áreas: Química / Engenharia Química / Física / Engenharia de Materiais;

Espera-se que o(a) candidato(a) tenha experiência em processamento/caracterização de termoplásticos e plásticos de engenharia (especialmente UHMWPE). É desejável conhecimento/experiência na operação de misturador interno (HAAKE). Também se espera que o(a) candidato(a) tenha dedicação exclusiva ao projeto e facilidade para trabalho em equipe interdisciplinar.

O(a) candidato(a) selecionado(a) atuará no desenvolvimento de nanocompósitos poliméricos aditivados com nanomateriais (grafeno, óxido de grafeno, nanotubos de carbono ou outros) para aplicações em sistemas de transporte de minérios. O plano de trabalho está inserido em um projeto de pesquisa com empresa da área de mineração.

O CTNano é referência nacional no desenvolvimento de aplicações utilizando nanomateriais de carbono em compósitos poliméricos, cimentícios, sensores e síntese de nanomateriais. Além disso, o CTNano dispõe de infraestrutura completa para a caracterização físico-química dos nanomateriais e nanocompósitos produzidos. Maiores informações sobre o Centro podem ser obtidas em: www.ctnano.com.br. O Centro está localizado no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec), na cidade de Belo Horizonte – MG, e é uma iniciativa dos Departamentos de Física, Química, Microbiologia e da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais.

A seleção será feita através da análise eliminatória dos CVs dos(as) candidatos(as). Os(as) aprovados(as) nesta etapa serão chamados(as) para entrevista. Interessados(as) devem enviar CV para: contato@ctnano.com.br com o assunto: “POSDOC Polímeros” até 01/05/2018. Os(as) selecionados(as) serão avisados(as), por email, de sua convocação para entrevista até 15/05/2018.

Boletim da SBPMat – 67ª edição.

 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 67. 30 de março de 2018.
Notícias da SBPMat

Anuidades 2018 e novos sócios.

Se você, estudante ou profissional, ainda não é sócio SBPMat, está convidado a fazer parte. Sócios em dia se beneficiam com descontos nos eventos da SBPMat e de entidades parceiras, podem participar de prêmios da SBPMat e parceiros, e podem votar e ser votados nas eleições da SBPMat, entre outras vantagens. Além disso, contribuem para que a SBPMat possa promover ações junto à comunidade de pesquisa em Materiais.

Se você já é sócio SBPMat, poderá encontrar seu boleto referente à anuidade 2018 na sua área de sócio, inserindo login e senha no cabeçalho do site da SBPMat.

Saiba mais.

XVII Encontro da SBPMat/ B-MRS Meeting
(Natal, RN, 16 a 20 de setembro de 2018)

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Some-se a nós, junto à praia, e faça parte desta grande reunião, onde ciência e tecnologia se agregarão à natureza para uma experiência ideal de aprendizagem e intercâmbio!

Submissão de resumos. Até 15 de abril, você pode submeter seu trabalho dentro de algum dos simpósios aprovados para apresentação oral ou em forma de pôster. Saiba mais nas instruções para autores.

Simpósios. Veja a relação dos 21 simpósios que compõem o evento. Aqui.

Inscrições. Aproveite os valores com desconto até 31 de julho, e o desconto especial para sócios SBPMat. Saiba mais.

Prêmios para estudantes. Até 18 de junho, está aberta a submissão de resumos estendidos para candidatar trabalhos de estudantes aos prêmios Bernhard Gross e ACS Publications. Saiba mais.

Hospedagem, transfer e passeios. Veja opções da agência de turismo oficial do evento, a Harabello. Aqui.

Palestras plenárias. Saiba quem são os 8 cientistas de renome internacional que proferirão as plenárias do evento e quais serão os temas das palestras. Veja aqui.

Palestra memorial. A Memorial Lecture “Joaquim da Costa Ribeiro” será proferida pelo professor Fernando Galembeck, na abertura do evento.

Expositores e patrocinadores. 16 empresas já reservaram seus estandes. Empresas interessadas em participar do evento com estandes e outras formas de divulgação podem entrar em contato com Alexandre no e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Organizadores. O coordenador do evento é o professor Antonio E. Martinelli (UFRN). Conheça a equipe do comitê organizador.

Centro de convenções. O evento será realizado no centro de convenções do Hotel Praiamar, localizado a metros da famosa praia de Ponta Negra. Saiba mais.

Natal. Destino turístico de visitantes do mundo todo, Natal também oferece um prazeroso ambiente para debates, interações e aprendizagem. O clima agradável (seco e com temperatura média de 25 °C em setembro), o povo acolhedor e a deliciosa culinária da cidade criam uma atmosfera de bem-estar que vai além das belezas naturais do seu litoral. Veja vídeo sobre Natal.

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Artigo em destaque

Uma equipe científica com ampla participação brasileira desenvolveu um material compósito que apresentou excelente desempenho como remediador ambiental, mais precisamente para eliminar corantes tóxicos de corpos de água. O novo material é formado por uma matriz polimérica, preparada a partir de rejeitos de poliestireno, e nanopartículas fotocatalisadoras. O trabalho foi reportado na Applied Materials & Interfaces. Saiba mais.

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Cientista em destaque

Entrevistamos o pesquisador Carlos Frederico Oliveira Graeff, professor titular e Pró-reitor de Pesquisa da UNESP. Graeff foi coautor de uma diversidade de contribuições à Ciência e Tecnologia de Materias, inclusive no campo da energia fotovoltaica – tema que abordará em palestra plenária no XVII B-MRS Meeting. Saiba um pouco mais sobre este cientista brasileiro, sócio fundador da SBPMat, desde a infância dele até o presente, e veja a mensagem que deixou para os pesquisadores mais jovens. Aqui.

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Novidades dos sócios SBPMat

Guillermo Solórzano, presidente fundador da SBPMat, é eleito fellow da Microscopy Society of America (MSA). Aqui.

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Fernando Galembeck, sócio fundador da SBPMat, será distinguido com a Memorial Lecture “Joaquim da Costa Ribeiro”, reconhecimento da SBPMat a pesquisadores seniores de destacada trajetória na área.

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Artigo sobre estado vítreo, de Edgar Zanotto (cofundador da SBPMat), encabeça lista dos mais baixados do Journal of Non-Crystalline Solids (Elsevier). Saiba mais.

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História da pesquisa em Materiais no Brasil

Há 30 anos, 3 professores de universidades do interior paulista decidiram criar em conjunto um laboratório interdisciplinar para instalar equipamentos que estavam encaixotados por falta de espaço físico. Nascia assim o LIEC-UFSCar, semente e atual sede do CMDF. Do laboratório, além de muitos pesquisadores formados, surgiram centenas de trabalhos de pesquisa básica e aplicada, projetos em colaboração com a indústria, empresas spinoff e projetos de extensão e difusão. Saiba mais.

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Dicas de leitura

  • Superlattice: Com novo método, cientistas fabricam estrutura com propriedades únicas, composta por até centenas de camadas de materiais 2D intercaladas com moléculas (paper da Nature). Saiba mais.

  • Cientistas desenvolvem grafeno magnético, primeiro material não metálico com propriedades magnéticas a temperatura ambiente (paper da Nature Communications). Saiba mais.

  • No mercado. Fundada por doutora em Materiais, empresa spinoff do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) aplica MEV e testes de resistência mecânica a cabelos para diagnóstico de saúde capilar. Saiba mais.

Oportunidades

  • CNPEM busca novo diretor-geral. Saiba mais.

  • LNNano busca jovens talentos em Nanotecnologia. Saiba mais.

  • Chamada de propostas para as linhas de luz do LNLS. Saiba mais.

  • Pós-doc no IPEN em células a combustível de óxido sólido. Saiba mais.

  • Concurso para professor na UFMS. Saiba mais.

  • Inscrições abertas para a 13ª edição do Prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência. Saiba mais.

Eventos

  • I Simpósio Brasileiro de Materiais e Pesquisas Relacionadas. Juiz de Fora, MG (Brasil). 10 a 13 de abril de 2018. Site.

  • Primer Encuentro de Jóvenes Investigadores en Ciencias de Materiales. Montevideu (Uruguai). 13 a 14 de abril de 2018. Site.

  • 4ª Reunião de Argilas Aplicadas e I Ciclo de Minicursos em Materiais. Teresina, PI (Brasil). 18 a 20 de abril de 2018. Site.

  • Workshop Paranaense sobre Nanomateriais e Materiais Funcionais. Londrina, PR (Brasil). 2 a 4 de maio de 2018. Site.

  • 6º Encontro Nacional de Engenharia Biomecânica (ENEBI 2018). Águas de Lindoia, SP (Brasil). 8 a 11 de maio de 2018. Site.

  • 8th International Symposium on Natural Polymers and Composites. São Pedro, SP (Brasil). 27 a 30 de maio de 2018. Site.

  • Photonic Colloidal Nanostructures: Synthesis, Properties, and Applications (PCNSPA 2018). São Petersburgo (Rússia). 4 a 6 de junho de 2018. Site.

  • 7th International Congress on Ceramics (ICC7). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 17 a 21 de junho de 2018. Site.

  • International Conference on Electronic Materials 2018 (IUMRS-ICEM). Daejeon (Coreia do Sul). 19 a 24 de agosto de 2018. Site.

  • Symposium “Nano-engineered coatings, surfaces and interfaces” no “XXVII International Materials Research Congress”. Cancun (México). 19 a 24 de agosto de 2018. Site.

  • 8th International Conference on Optical, Optoelectronic and Photonic Materials and Applications (ICOOPMA2018). Maresias, SP (Brasil). 26 a 31 de agosto de 2018. Site.

  • 16th International Conference on Molecule-based Magnets (ICMM2018). Rio de Janeiro, RJ (Brasil). 1 a 5 de setembro de 2018. Site.

  • XVII Encontro da SBPMat/ B-MRS Meeting. Natal, RN (Brasil). 16 a 20 de setembro de 2018. Site.

  • XXXIX Congresso Brasileiro de Aplicações de Vácuo na Indústria e na Ciência (CBrAVIC). Joinville, SC (Brasil). 8 a 11 de outubro de 2018. Site.

  • International Conference of Young Researchers on Advanced Materials (ICYRAM 2018). Adelaide (Austrália). 4 a 8 de novembro de 2018. Site.

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História da pesquisa em Materiais: 30 aos do LIEC – UFSCar.

O Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (LIEC) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está completando 30 anos de atuação em pesquisa cientifica, desenvolvimento de produtos e processos inovadores, formação de cientistas e atividades de extensão.

A ideia de criar um laboratório interdisciplinar surgiu em 1988, a partir de discussões envolvendo três professores pesquisadores, dois da UFSCar e o terceiro da UNESP – Araraquara, com formações nas áreas de Química, Física e Físico-Química. Tratava-se de Elson Longo da Silva, Luís Otávio de Sousa Bulhões e José Arana Varela (falecido em 2016). “A ideia surgiu porque tínhamos conseguido equipamentos, resultantes de auxílios de agências financiadoras, mas não havia espaço suficiente em nossos respectivos departamentos para aloca-los”, relatou Elson Longo, agora professor emérito da UFSCar, no evento comemorativo ao aniversário do LIEC, realizado no dia 23 de março.

A ideia pôde ser realizada graças a uma parceria com a Companhia Brasileira de Metais e Metalurgia (CBMM) para financiar a construção do prédio que albergaria os equipamentos. A empresa, contou Longo, tinha interesse em que o futuro laboratório desenvolvesse alguns produtos. “Desta sorte, logramos seu apoio para a construção do prédio na UFSCar”, disse Longo.

Logo mais, o laboratório começou a receber estudantes interessados em participar das pesquisas. Os primeiros, lembra Longo, foram Edson Roberto Leite (hoje professor da UFSCar), Carlos Alberto Paskocimas (atualmente na UFRN) Ernesto Chaves Pereira (UFSCar) e Maria Aparecida Zaghete (UNESP). “Pode-se dizer que, ao longo desses 30 anos, foram centenas de estudantes que realizaram seus estudos no LIEC”, disse Longo. Além de estudantes de vários cursos da UFSCar, o LIEC recebeu jovens de outras instituições do Brasil e do exterior para aulas, cursos e trabalhos de pesquisa em todos os níveis de formação.

Parcerias com o setor industrial marcariam a história do LIEC nos anos seguintes. “Os vários temas de pesquisa foram se desenvolvendo e também mudando a partir das reflexões teóricas, dos contatos com várias empresas”, contou Longo. “Friso que não se tratou da produção de um conhecimento reflexo das necessidades empresarias; ao contrário, tais necessidades suscitaram novos modelos interpretativos e diálogos com outras teorias”, esclareceu o professor.

Um dos parceiros industriais de mais longa data é a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com a qual o laboratório continua trabalhando. Inicialmente, o LIEC ajudou a empresa a eliminar a corrosão que sofria o queimador cerâmico. “A solução desse problema colocou a equipe pesquisando e resolvendo problemas do alto forno, canal de corrida, carro torpedo, conversor etc.”, lembrou Longo.

Outro dos exemplos citados por Longo é o da parceria com a 3M do Brasil. O LIEC colaborou com a empresa na implantação de uma fábrica de varistor em Ribeirão Preto, a uns 100 km de São Carlos. “Essa colaboração nos permitiu abrir outra subárea de pesquisa, por meio da qual, produzimos o primeiro varistor à base de óxido de estanho”, contou o professor emérito.

Paralelamente aos projetos com empresas, o LIEC realizava, desde o início, pesquisas em cerâmica estrutural à base de óxido de zircônia estabilizado com terras raras e metais alcalinos terrosos. Nesse contexto, iniciou-se a colaboração do laboratório com o químico teórico Juan Andrés, professor da Universitat Jaume I (Espanha) – cooperação que já leva 29 anos de existência.

Quanto às atividades de extensão, o LIEC também tem exemplos bem-sucedidos, como o projeto por meio do qual levou conhecimento técnico a artesãos de cerâmica artística de 9 estados brasileiros.

No século XXI, de laboratório multidisciplinar a centro de desenvolvimento de materiais

O ano 2000 foi um ponto de inflexão na trajetória científica do LIEC. O laboratório foi aprovado na chamada de projetos CEPID da FAPESP, passando a se denominar Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), e tendo garantia de financiamento contínuo por 11 anos. Nesse contexto, foi criada a área de difusão do conhecimento, multiplicaram-se as colaborações internacionais (abrangendo mais de uma dúzia de países), e deu-se apoio à geração de empresas spin-off. Desse ambiente surgiram a Nanox, especializada em nanopartículas bactericidas e a CosmoScience, dedicada à caracterização de cosméticos.

“O LIEC nesse momento iniciou uma profunda modificação nas pesquisas de semicondutores cerâmicos, utilizando o método Pechini”, contou Longo. “Houve um crescimento significativo nas pesquisas em materiais piezoelétricos, sensores, partículas nanométricas e filmes finos para utilização em memórias não voláteis”, disse o fundador do LIEC.

Em 2013, o LIEC foi novamente contemplado com o projeto CEPID da FAPESP, passando a ser denominado Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF). Nesta fase, que se prolonga até a atualidade, a difusão do conhecimento cresceu notoriamente por meio do uso das redes sociais e da elaboração de vídeos, jogos educativos e programas de rádio e televisão. Além disso, pesquisadores do LIEC estabeleceram duas spinoffs, a NChemi Nanomaterials, de nanomateriais, e a Katléia, especializada em diagnóstico capilar. Nas atividades de pesquisa científica, o laboratório tem concentrado esforços na obtenção de nanopartículas semicondutoras com rígido controle da cinética da reação e da morfologia.

No evento do dia 23, o professor Longo agradeceu a todos que construíram e constroem a história do LIEC, à UFSCar e aos órgãos financiadores CAPES, CNPq, FAPESP e FINEP. Finalmente, Longo expressou algumas palavras para as novas gerações de pesquisadores, que darão continuidade ao trabalho. A eles, o professor emérito recomendou que plantem novas sementes para obterem outras colheitas, que criem seus próprios modelos e se reinventem.

A fala do professor emérito finalizou com uma convocatória: “Nestes momentos de crise moral e ética que atravessam o nosso país, aliados a um projeto silencioso de desmonte da pesquisa e do ensino público em todos os níveis, é imprescindível que reunamos energias para muitos enfrentamentos presentes e futuros”.

Na primeira linha, a partir da esqueda, professores Lúcia Mascaro, Ernesto C. Pereira, Edson R. Leite, Elson Longo, Flávio L. Souza, junto com alunos de pós-doutorado, doutorado, mestrado, e iniciação científica e funcionários do LIEC. Foto tirada em 2004, no Departamento de Química da UFSCar
Na primeira linha, a partir da esquerda, professores Lúcia Mascaro, Ernesto C. Pereira, Edson R. Leite, Elson Longo, Flávio L. Souza, junto com funcionários e alunos de pós-doutorado, doutorado, mestrado e iniciação científica do LIEC. Foto tirada em 2004, no Departamento de Química da UFSCar