Cientista em destaque: entrevista com Daniel Mario Ugarte.


O prof. Daniel Ugarte em uma de suas duas atividades favoritas: a culinária. A outra é a pesquisa experimental.
O prof. Daniel Ugarte em uma de suas duas atividades favoritas: a culinária. A outra é a pesquisa experimental.

Daniel Mario Ugarte nasceu em 23 de março de 1963 em Cosquín, uma pequena cidade nas serras da província de Córdoba (Argentina). Cresceu num ambiente familiar de muito estímulo à curiosidade, o aprendizado e a experimentação. Depois de cursar o ensino fundamental e médio nessa cidade, fez a graduação em Física na capital da província, na Universidad Nacional de Córdoba, a mais antiga do país vizinho (fundada em 1613). Após a graduação, fez um estágio em microscopia eletrônica de transmissão na Université Paris-Sud, na França, onde acabou ficando para realizar o doutorado em temas de nanociência (embora, naquele momento, o prefixo “nano” ainda não fosse amplamente utilizado). Ugarte obteve o diploma de doutor em Física em 1990. Mudou-se, então, para a Suíça, onde realizou um estágio de pós-doutorado que durou cerca de três anos na École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL). Ali continuou fazendo nanociência e nanotecnologia e obteve resultados de grande impacto acadêmico, notoriamente as “nanocebolas de fulereno”, que lhe renderam, aos 29 anos de idade, seu primeiro artigo na revista Nature, assinado apenas por ele e destacado na capa da edição. Esse paper, que hoje conta com mais de 2.000 citações, seria o primeiro de seis artigos publicados por Ugarte nas duas principais revistas científicas do mundo (a Science e a Nature), entre dezenas de publicações em periódicos científicos especializados, também de altíssimo impacto, como Nature Nanotechnology, Nano Letters, Physical Review Letters, entre outros.

Em 1993, por motivos pessoais, Ugarte foi morar no Brasil, e começou a trabalhar com a equipe que estava iniciando a construção do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) no local atual, na cidade de Campinas (SP). Foi nesse contexto que ele pôde tornar realidade a sua ideia de construir um laboratório de microscopia eletrônica realmente aberto à toda a comunidade científica, sem esquecer os estudantes, que também cumprisse o papel de formar pesquisadores capazes de utilizar os equipamentos com habilidade. O Laboratório de Microscopia Eletrônica iniciou suas atividades em 1999, dirigido pelo cientista cordobés, e foi a semente do atual Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano). Entre 1994 e 1998, Ugarte atuou também como professor visitante na EPFL. Em 2004, o cientista deixou o LNLS para assumir o cargo de professor associado no Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Desde 2007, ele é professor titular dessa instituição. Além disso, de 2004 a 2007, o professor Ugarte coordenou uma rede de pesquisa em nanomateriais, a NANOMAT, que incluía 23 instituições e 150 pesquisadores.

Ao longo de sua carreira científica, Daniel Ugarte proferiu mais de 100 palestras convidadas em eventos científicos internacionais e recebeu vários prêmios prestigiosos por suas contribuições acadêmicas excepcionais, como o prêmio universitário da Fondation Latsis Internationale (Suíça, 1994), o John Simon Guggenheim Fellowship (EUA, 2002), o Prêmio Scopus Brasil da Elsevier e a CAPES (Brasil, 2008) e o prêmio de Física de The World Academy of Sciences, TWAS (Itália, 2018). Em 2012, Ugarte foi eleito membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Além disso, vários estudantes orientados por ele receberam prêmios por suas teses de doutorado, outorgados pela Presidência da República (Prêmio Marechal do ar Casimiro Montenegro Filho), pela CAPES, pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) e pelo IFGW – UNICAMP.

Daniel Ugarte é autor de mais de 100 artigos publicados em periódicos internacionais com revisão por pares. De acordo com o Google Scholar, sua produção acadêmica recebeu mais de 16.600 citações e seu índice h é de 43.

Veja a nossa entrevista com este sócio fundador da SBPMat e saiba mais sobre a sua história de vida, suas principais descobertas, suas críticas a algumas tendências no modo de se fazer ciência e sua mensagem aos pesquisadores mais jovens.

Boletim da SBPMat: – Gostaríamos de saber como/ por que você se tornou um cientista. Quando surgiu em você o desejo de ser cientista?

Daniel Ugarte: – Nasci na Argentina, com a informação genética típica daquele país: mãe de origem italiana, e pai de origem espanhola (basca, para ser preciso), mas tentando ser inglês (adoro rugby). Acho que o exemplo de curiosidade, trabalho e interesses variados de meus pais teve influência majoritária nas minhas escolhas. Nasci e cresci numa cidade no meio das montanhas/serras na Argentina (cidade de Cosquín, com aproximadamente 10.000 habitantes, na província de Córdoba). Minha mãe era professora do ensino fundamental e sempre tentava, com recursos financeiros muito escassos, obter livros para seguir estudando e melhorar suas aulas (naquela época não tinha internet); nós líamos em família esses novos textos de história, dinossauros etc. Meu pai, mesmo tendo frequentado a escola somente até os 12 anos, sempre foi muito curioso e ativo. Fazia de tudo como amador e autodidata; muito inquieto, era ator, pintor, músico, consertava de tudo, fazia chaves etc. A curiosidade e o espírito de criança ficaram sempre com ele: toda coisa nova, ele queria desmontar para ver como funcionava. Se tivesse que definir sua profissão, eu diria que ele fazia cartazes publicitários. Na oficina dele, todos os equipamentos foram construídos por ele mesmo. Naquela sala de bagunça constante, eu brincava furando ferros, soldando fios, cortando madeira, martelando coisas. Tínhamos poucos luxos, nenhum brinquedo caro, mas sempre havia livros, e eu fazia coisas muito incomuns (supervisionado por meus pais) aos olhos das outras crianças, tais como aeromodelos, rádios de galena, um telescópio etc. Com minha mãe, cozinhávamos sempre receitas novas (nhoques, bolos, alfajores, doces, etc.); aos 10 anos, todo domingo ao meio-dia, eu preparava o churrasco da família. Esses experimentos de química e calor foram muito instrutivos (e saborosos), sabores e aromas que tento ainda hoje reproduzir com precisão. Finalmente, para completar, tive a sorte de ter certa facilidade com Lógica e Matemática, a qual ficou em evidência quando fui para a escola. Tenho que agradecer muito aos professores de Ciência e Matemática que se esforçaram para manter minha motivação naquela cidadezinha e que eu pudesse crescer e fazer evoluir esse talento incipiente. Acho que com essa infância, o sonho de fazer ciência e trabalhar num laboratório (ou numa cozinha) fazendo descobertas e construir instrumentos maravilhosos é a consequência mais natural do mundo (devo esclarecer que fora do laboratório meu hobby principal é cozinhar).

Boletim da SBPMat: – Conte, brevemente, o que o levou a atuar no campo dos nanossistemas.

Daniel Ugarte: – Na verdade cheguei ao mundo “nano” pelas mãos da microscopia eletrônica. Na Universidad Nacional de Córdoba cursei Física, muito mais interessado no perfil experimental e no trabalho de laboratório utilizando as mãos. No curso, você deve fazer uma dissertação final para obter seu diploma. Entre as várias opções do Instituto de Física, preferi fazer um projeto associado à microscopia eletrônica de varredura e espectroscopia de raios X. Uma escolha pragmática visando ter mais opções de emprego após a minha graduação. Naquele momento, tive sorte, surgiu uma oportunidade de ir à França fazer um estágio em microscopia eletrônica de transmissão, e, após chegar lá (Laboratoire de Physique des Solides, Université Paris-Sud, Orsay), fui convidado a fazer uma tese de doutorado para estudar a excitação de plásmons de superfície em partículas pequenas (em inglês da época eram “small particles”, não “nanoparticles” como é hoje). O termo “nano” não existia ainda, e a “plasmônica” era somente uma curiosidade (hoje representa um dos temas de nanociência mais ativos). Uma vez concluída a minha tese, pude conseguir um pós-doutorado em Suíça, num dos primeiros institutos que concentrava suas pesquisas nas propriedades novas que surgiam ao diminuir o tamanho das partículas (Institut de Physique Experimentale, École Polytechnique Féderale de Lausanne). Resumindo, comecei nos embriões nano e sempre continuei estudando sistemas pequenos com técnicas de alta resolução espacial associadas à microscopia eletrônica de transmissão. A resolução atômica ou nanométrica desta técnica é imprescindível para a pesquisa básica ou tecnológica em nanossistemas, e os caros microscópios se tornaram símbolos para exibir a riqueza de cada programa “nano”.

Boletim da SBPMat: – Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições científicas/ tecnológicas à área de Materiais e por que as considera mais relevantes? 

Daniel Ugarte: – As nanoestruturas de carbono (fulerenos, nanotubos, grafeno) representam um exemplo típico de nanomateriais com propriedades novas. Considerando datas, os fulerenos foram descobertos em 1986, o sólido de fulerenos em 1990, os nanotubos em 1991. Trabalhando na Suíça em 1992, observei acidentalmente que, irradiando materiais de carbono com o feixe de elétrons de um microscópio eletrônico de transmissão, tudo se transformava em “cebolas de fulereno” (esferas concêntricas de grafite, como uma boneca russa). Este experimento gerou um novo membro para a recentemente descoberta família dos fulerenos, e o trabalho teve uma incrível repercussão a nível mundial. No entanto, o interessante foi que esse não era meu projeto de pós-doutorado, o qual era uma pesquisa mais focada no estudo da difração eletrônica de nanopartículas metálicas. Em Lausanne tínhamos um laboratório de microscopia completo e com todos os equipamentos de fronteira. E notei que ninguém os usava de noite; então, decidir ir lá brincar… fazer experimentos exploratórios, inocentes, alternativos e, sem querer, apareceram as cebolas…. Mas quando falei pela primeira vez dos resultados ninguém acreditou; um revisor da prestigiosa revista Physical Review Letters falou que meus dados eram tão ridículos como os da fusão fria (tema altamente controverso naquele momento); foi um insulto do pior nível. Mas eu continuei defendendo meu trabalho, eu obtinha os mesmos resultados uma e outra vez, e era a verdade. Eu continuei apresentando o resultado nos congressos; sobrevivi a muitos comentários violentos e humilhantes. Para fazer coisas um pouco fora do paradigma é preciso ter “couro duro”. Finalmente, com o apoio inesperado e espontâneo de Sir Harry Kroto (que recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1996), que não me conhecia nem nunca tinha falado comigo, meu artigo foi publicado na revista Nature. Eu tinha menos de 30 anos, era muito inocente, e fiquei muito surpreso com o enorme interesse da mídia, pois dava reportagens para muitos países, entre eles Japão, Alemanha etc. Sentia como se o mundo estivesse caindo sobre a minha cabeça. Com experimentos “naifs” (despretensiosos) e fora de contexto, feitos à noite, com instrumentos avançados, eu tinha criado opções de trabalho que batiam na minha porta. Porém, nesse momento, para surpresa de meus colegas franceses e suíços, tomo um caminho alternativo, e em 1993 opto por vir viver no Brasil por razões pessoais e familiares.

Poucos anos depois, estávamos, numa tarde de sábado de 1995, no laboratório em Lausanne, fazendo propostas de ideias ousadas (“brain storming”) com meu amigo Walt de Heer (um cientista incrível considerando profundidade e criatividade). Decidimos testar uma que surgiu lá na hora: utilizar nanotubos de carbono (a ponta é bem fininha mesmo) para produzir uma fonte de elétrons. Juntamos uma prensa hidráulica, fita de teflon de tipo encanador, grades de microscopia, mica velha, umas coisas do laboratório (câmara de vácuo, osciloscópio etc.) e montamos uma coisa horrível, suja, grotesca, completamente improvisada e… funcionou!!!.  O resultado foi publicado na revista Science. Esse experimento criou uma nova área de pesquisa aplicada para os nanotubos de carbono que vários laboratórios industriais tentaram explorar; até hoje é uma área ativa de pesquisa. De novo, no meu caminho, outra proposta experimental inocente, mas criativa e descontraída (neste caso o resultado não foi acidental, mas planejado), que captou o interesse da comunidade tecnológica internacional.

No meu grupo no Brasil, decidi investir numa nova linha de pesquisa baseada num experimento irreverente proposto na Espanha por um pesquisador chamado Costa-Kramer (Nanowire formation in macroscopic metallic contacts: quantum mechanical conductance tapping a table top, Surf. Sci. 1995). Se juntarmos dois pedacinhos de ouro e depois os separarmos, no fim se forma um fio muito fino (como com chiclete) que pode até ter um átomo de diâmetro. Medindo a corrente elétrica que atravessa esse fio durante a elongação, podemos estudar efeitos quânticos na condução elétrica por nanoestruturas. Em Campinas, meu estudante Varlei Rodrigues (que depois recebera o Premio SBF de Melhor tese de Doutorado em Física em 2003) construiu um instrumento especificamente desenhado para realizar esse estudo com alta precisão em condições de ultra alto vácuo (UHV). Posteriormente pudemos fazer imagens de microscopia eletrônica do arranjo atômico dos fios gerados por elongação mecânica e também cálculos teóricos em colaboração com o grupo de Douglas Galvão. A partir dessas informações pudemos compreender em detalhe as nossas medidas experimentais; a partir desses resultados fui convidado a proferir quase uma centena de palestras em conferencias internacionais. Considero que esses resultados foram muito importantes do ponto de vista brasileiro, pois toda a pesquisa foi integralmente feita no país: as ideias, os experimentos avançados, a construção de instrumentação científica especifica, os cálculos teóricos e a compreensão. Além do impacto científico, a pesquisa sobre nanofios metálicos representa uma realização importante, pois nos permitiu mostrar, pelo exemplo, que estudos de nanociência experimental competitiva, podem, sim, ser feitos no país, combinando trabalho com originalidade e um certo grau de risco.

Falar de resultados alimenta nosso ego (o pequeno argentininho que todos levamos dentro…); outro aspecto de nossa contribuição para a sociedade vem quando nosso esforço é dedicado ao crescimento da comunidade, em particular para elevar o nível da ciência do país. Neste sentido, gostaria de lembrar um dos trabalhos mais reconfortantes de minha carreira: a idealização e criação de um laboratório multiusuário de microscopia eletrônica em Campinas. Esse projeto contou com o apoio constante e incondicional dos diretores do LNLS na época (Cylon da Silva, Aldo Craievich e Ricardo Rodrigues). Finalmente, os microscópios foram adquiridos com recursos (muitos recursos!!!) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Desde a ideia inicial, trabalhei para que o laboratório fosse aberto e disponível aos pesquisadores brasileiros (não nas intenções, mas na realidade) e que também tivesse formação de recursos humanos como um foco de suas atividades. Contrariando a opinião geral da comunidade, no laboratório de microscopia todas as observações eram realizadas pelos próprios alunos de graduação ou pós-graduação envolvidos nos projetos, após um processo de treinamento. Muitos estudantes aprenderam a trabalhar, e os instrumentos nem quebravam, mas tivemos que nos dar o tempo de ensinar os pesquisadores interessados. Este modo de operação tinha como alvo evitar o sistema feudal (“senhor dono” de instrumentos) ou aplicação de sicofantismo. Fiquei nesse laboratório até 2009. Esse laboratório cresceu e se transformou no que hoje é chamado Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano).

Boletim da SBPMat: –  Você possui uma quantidade fora do comum de artigos publicados em revistas de altíssimo impacto (Science, Nature, PRL …), principalmente no contexto de países em desenvolvimento. A quais fatores e competências você atribui esta característica da sua produção científica?

Daniel Ugarte: – Na pergunta anterior tentei dar vários exemplos de alguns momentos importantes de minha atividade científica. Tem contribuição do volume de trabalho, muito estudo, bem como a coragem de assumir riscos para fazer experimentos ousados e originais. Mas tem uma coisa que sempre tento ensinar aos meus estudantes: se nós fizermos um projeto, ele deve descascar um abacaxi e trazer uma contribuição relevante (se der certo…). Se alguma publicação for gerada, tem que contribuir com conhecimento novo, não de mentirinha, mas de verdade. Não vamos escolher somente temas de pesquisa que gerem resultado rápido; provavelmente o nosso estudo vai demorar, teremos que entender e aprofundar em muita coisa nova. Até podemos precisar desenvolver ferramentas/instrumentos/software para responder a pergunta científica. E eles perguntam: vai dar certo? Eu digo, não sei, se eu soubesse que vai dar certo não teria emoção, mas posso garantir que você vai crescer muito e obter uma sólida formação. Por exemplo, no tema de nanofios de ouro tivemos que responder comentários (de um competidor) sobre o que acontecia com a elongação mecânica a baixa temperatura. Para isso, precisávamos realizar um experimento extremamente desafiador e tentar observar a deformação mecânica de nanofio in situ dentro do microscópio a baixa temperatura com resolução atômica utilizando um porta-amostra em nitrogênio líquido. O estudante que topou o projeto (Maureen Lagos, que depois ganhou o prêmio CAPES de Tese em 2012) me perguntou: Vai ser difícil? O que você pensa? Minha resposta foi: Acho que não vai dar certo, mas para responder isso à comunidade devemos testar para confirmar se funciona ou não, e também até onde é possível observar; “bola pra frente”, vai, tenta fazer o melhor possível e boa sorte (vai precisar de muita…). Para minha surpresa, ele conseguiu as medidas, muito difíceis e demoradas; esses estudos feitos aqui no Brasil recebem até hoje (10 anos depois) muitos elogios e reconhecimento na comunidade científica.

Outro aspecto, fora o risco ou ousadia, é a qualidade; todo estudante ou colega que trabalhou comigo sabe que sempre fazemos o melhor possível, não tem “mais ou menos”. Só o melhor é aceito, ou, então, tem que fazer o experimento de novo até obter a mais alta qualidade. Alguns alunos me detestam, mas recentemente um antigo aluno da UNICAMP (hoje professor nos Estados Unidos) publicou um artigo na revista Nature, e me enviou uma mensagem agradecendo, pois hoje ele dá um enorme valor àquilo que aprendeu sobre puxar seus limites, nessa convivência comigo. Puxar a qualidade total do conteúdo do estudo, nos experimentos – que são a base em nosso grupo -, no estudo teórico, na interpretação, na modelagem etc. Como em todas as profissões, nós construímos nossa reputação ao longo dos anos, e ela pode ser prestigiosa ou não. Sempre foi um orgulho para meu grupo que nossos colegas e competidores recebem nossos trabalhos com atenção, acreditando que fizemos nosso melhor para cada resultado publicado (mas nem sempre concordam com nossas conclusões/interpretações… como todo mundo temos muitos artigos rejeitados).

Quando formei parte do comitê que analisa projetos no CNPq, fiquei surpreso pelo número de pesquisadores brasileiros que publicam mais de, digamos, 50 artigos por ano, mesmo alguns tendo altos cargos administrativos ou gestão em instituições de ensino ou pesquisa do Brasil (funções que requerem esforço concentrado as 24 horas do dia). Considerando minha capacidade de fazer pesquisa, acho totalmente impossível pensar em fazer quase uma publicação por semana!!! E isso se ficasse no laboratório o dia todo com os estudantes. Neste ponto gostaria de retornar ao conceito de qualidade, considerando o número e a contribuição científica de artigos gerados por um grupo ou pesquisador. Podemos assumir que segue uma distribuição estatística com forma de gaussiana descrita por dois parâmetros com uma média e uma largura (notas de 1 a 10). Conheço pesquisadores com produção um pouco incoerente, capazes de fazer o melhor (trabalho nota 10), e ao mesmo tempo, o pior (alguns trabalhos merecem nota muito baixa, digamos 1-2). Seja um grupo hipotético no qual a média de contribuição ao conhecimento por publicação é boa/muito boa (média 6 ou 7), e são geradas várias dezenas de publicações. Estatisticamente você deve publicar, entre essas dezenas, algum artigo com conteúdo de alta qualidade (lado superior da distribuição e longe da média) que obterá reconhecimento na comunidade (eventualmente, com sorte, publicado numa revista de alto impacto). Mas se você faz 100 publicações por ano e nenhuma atinge uma certa relevância na sua área de atuação, o nosso modelo estatístico simples indica que a contribuição média de seus trabalhos deve ser moderada. Além disso, também pode ser moderada a largura da distribuição; nesta situação, sua produção/trabalho é coerente, numa faixa estreita de nível de qualidade. As causas podem ser variadas; em alguns casos, a justificativa/explicação não precisa de longos discursos, é razoável associar contribuição moderada a, por exemplo, a juventude do pesquisador, infraestrutura deficiente ou financiamento limitado. O ponto crítico é quando o problema está na raiz, e as causas da qualidade moderada estão associadas à pesquisa dirigida para perguntas/alvos científicos/técnicos de menor importância e baixo risco. O que esperar de um ambiente, onde tanto as agências financiadoras como também os próprios pesquisadores (não é só culpa das agências) aceitam que essa séria deficiência pode ser compensada plenamente pelo número de publicações? O resultado será que os números crescerão, mas o impacto diminuirá.

Tira cômica do cartunista argentino Quino enviada pelo prof. Ugarte para ilustrar algumas de suas críticas a determinado modo de se fazer ciência.
Tira cômica do cartunista argentino Quino enviada pelo prof. Ugarte para ilustrar algumas de suas críticas a determinado modo de se fazer ciência.

Talvez eu seja irresponsável, teimoso (as raízes bascas ajudam), mas meu trabalho ao longo dos anos seguiu certos padrões. Prefiro fazer um prato de alta gastronomia (as vezes meio queimado), do que fazer centenas de pratos de arroz e feijão. Prefiro fazer menos coisas e não ter numerosas publicações irrelevantes envolvendo trabalho que não incluiu risco nenhum (também tenho desses trabalhos), e assim ter tempo de me atualizar, me desafiar, estudar e ver coisas fora de meu principal interesse. Assim tenho a oportunidade para novas ideias, inocentes, irresponsáveis, que com sorte vão dar certo. É importante, primeiro, ter claro que coisa nova/diferente vamos fazer em nossa pesquisa; se não tem nada novo/arriscado, como vai ser a contribuição à geração de conhecimento? Na realidade, essa linha de pensamento não é muito popular se olhamos em detalhe a maior parte dos projetos financiados na comunidade brasileira (no entanto, muitos discursos e planejamentos a definem como essencial). Ao contrario, a viabilidade é muitas vezes mais importante que a relevância e a originalidade. Nem falar de outros temas que dificultam o aumento da relevância da pesquisa em nanociência no Brasil, tais como física experimental, instrumentação científica, multidisciplinaridade, onde o contraste entre discurso e realidade dá enorme tristeza. Como na gastronomia, prefiro o “slow food”, um bom prato, bom vinho e tempo para desfrutar. Devemos nos rebelar contra a “fast science” (projetos short-term), pois isso está levando à uma ciência superficial (shallow-knowledge).

É triste ver a evolução do Brasil, os números crescem, o impacto diminui… Muitos podem ver positivamente a publicação em revistas de alto impacto, mas nem todos concordam. Vou dar um exemplo. Decidi estudar alguns temas novos onde considero que existem oportunidades de coisas muito originais e interessantes. Para fazer perguntas mais profundas, é preciso entender. Aprender toma tempo… Assim, meu relatório de atividades teve problemas para ser aprovado por baixa produtividade: não atingi a média.  Nunca tive muita diplomacia nem habilidades políticas, portanto, juntando toda minha revolta, e sendo argentino e basco ao mesmo tempo, pergunto-me: será que sou terrivelmente ineficiente e devo me aposentar, o que no mínimo me permite manter meu espírito, minha liberdade e forma de trabalho intacta? Existem muitos discursos sobre como estimular pesquisa de ponta e formar pesquisadores; acho que meu jeito de contribuir é trabalhar “a mi maneira” e transmitir um exemplo para quem o considere válido.

Não posso esquecer de agradecer o sistema de Edital Universal do CNPq, onde sei que sempre posso enviar ideias malucas, e o sistema de revisão respeita minha história e confia em minha “irresponsabilidade”. É pouco dinheiro (se for comparado com os padrões internacionais), mas ganho muita liberdade !!!, e isso é essencial para ser criativo!!!

Boletim da SBPMat: – Agora convidamos você a deixar uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas.

Daniel Ugarte: – O trabalho científico requer ser sonhador e ter muita paixão, enorme esforço no estudo e no trabalho. Temos que poder associar conhecimento, originalidade, infraestrutura, habilidade técnica etc. Acho muito importante demonstrar a jovens que é possível sonhar e fazer pesquisa de ponta no Brasil. O meio científico pode ser muito agressivo, mas devemos ter claro que o mérito é o parâmetro mais importante, e que, apesar de o ambiente de pesquisa ser extremamente competitivo, é essencial desenvolver nossas atividades mantendo as qualidades humanas, profissionalismo e ética.

Ao longo de uma carreira científica devemos enfrentar essas muitas situações diferentes. Minha vida acadêmica no Brasil teve muitas etapas, algumas foram resplandecentes, com trabalho, desafios, produtividade e com estudantes excelentes e motivados (o laboratório era o paraíso). Mas não posso deixar de pensar em outras etapas muito tristes, decepcionantes… associadas às mediocracias locais. No entanto, as pedras lançadas em nosso caminho foram completamente superadas por nosso trabalho, nossos resultados e nossa ética. Sempre, sempre, o mérito e a competência vão ganhar no jogo da ciência.

Inscrições para o mestrado e doutorado em Nanotecnologia da COPPE/UFRJ.


Estão abertas as inscrições para o Processo Seletivo 2019/1 ao Mestrado Acadêmico e ao Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Nanotecnologia – PENt da COPPE/UFRJ.

O PENt é um Programa pioneiro no Brasil na área de Engenharia da Nanotecnologia, que deu início às suas atividades no ano de 2014.

Nesta oportunidade estão sendo oferecidas 20 vagas para o Mestrado Acadêmico (para entrada no período 2019/1) e um total de 20 vagas para o Doutorado (para entradas nos períodos 2019/1, 2019/2 e 2019/3).

O período de inscrição para ingresso no Mestrado Acadêmico no período 2019/1 é de 08/10/2018 a 23/11/2018 07/12/2018 (NOVA DATA).
O período de inscrição para ingresso no Doutorado no período 2019/1 é de 08/10/2018 a 14/12/2018.

Mais informações e documentos estão disponíveis na página do PENt na internet: http://www.pent.coppe.ufrj.br/index.php/processoseletivo.html

Processo seletivo para mestrado e doutorado em Engenharia da Nanotecnologia da COPPE/UFRJ.


Estão abertas as inscrições para o processo seletivo 2018/1 ao mestrado acadêmico e ao doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Nanotecnologia – PENt da COPPE/UFRJ.

O PENt é um Programa pioneiro no Brasil na área de Engenharia da Nanotecnologia, que deu início às suas atividades no ano de 2014.

Nesta oportunidade estão sendo oferecidas 20 vagas para o mestrado acadêmico (para entrada no período 2018/1) e um total de 20 vagas para o doutorado (para entradas nos períodos 2018/1, 2018/2 e 2018/3).

O período de inscrição para ingresso no mestrado acadêmico no período 2018/1 é de 09/10/2017 a 24/11/2017.
O período de inscrição para ingresso no doutorado no período 2018/1 é de 09/10/2017 a 15/12/2017.

Editais e mais informações: http://www.pent.coppe.ufrj.br/index.php/processo-seletivo/ingresso-2018.html

 

Livro sobre materiais funcionais editado por pesquisadores do Brasil é lançado pela editora Springer.


ebookOs professores Elson Longo, diretor do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), e Felipe de Almeida La Porta, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), são os editores do livro “Recent Advances in Complex Functional Materials”, publicado pela editora Springer.

A obra reúne 17 capítulos de diversos autores, a maioria deles, de instituições brasileiras, sobre novas perspectivas para compreender e controlar as propriedades físicas e químicas de materiais funcionais complexos. Os textos abordam desde os métodos de fabricação até as propriedades e aplicações desses materiais. Além disso, discutem desafios e oportunidades do desenvolvimento de novos materiais funcionais capazes de resolver problemas associados a energias renováveis, saúde e meio ambiente, a partir do entendimento das propriedades físicas e químicas desses materiais.

Mais informações e venda do livro eletrônico (íntegra ou capítulos): http://www.springer.com/us/book/9783319538976#aboutBook

 

Participação da SBPMat na reunião anual da SBPC.


A partir da esquerda, Marcos Pimenta, Glaura Goulart Silva (diretora científica da SBPMat) e Aldo Zarbin em painel sobre nanoestruturas de carbono na 60ª Reunião Anual da SBPC.
A partir da esquerda, Marcos Pimenta, Glaura Goulart Silva (diretora científica da SBPMat) e Aldo Zarbin em painel sobre nanoestruturas de carbono na 60ª Reunião Anual da SBPC.

A SBPMat (B-MRS) esteve presente na 69ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), representada por um dos membros de sua diretoria, a professora Glaura Goulart Silva (UFMG). Evento gratuito e aberto à sociedade, a reunião anual da SBPC é realizada desde 1948 em universidades públicas de diferentes estados do Brasil. Neste ano, a reunião foi realizada na UFMG, em Belo Horizonte (MG), de 16 a 22 de julho, com o tema central “Inovação – Diversidade – Transformações”.

“A 69a Reunião Anual da SBPC constitui-se como um espaço de resistência ao desmonte da ciência e tecnologia no Brasil”, diz a diretora científica da SBPMat. “A comunidade brasileira atuante em ciência, em todas as suas idades, origens e funções, uniu-se numa mensagem clara: ciência e educação são investimentos, só nesta base temos como construir um futuro para nosso povo”, afirma.

Dentro da programação do evento, a professora Goulart Silva participou da mesa redonda “Nanoestruturas de carbono: a próxima revolução tecnológica? ”, que ocorreu no dia 17 de julho das 15:30 às 18:00 horas. Além da diretora científica da SBPMat, participaram da mesa o professor Aldo Zarbin (UFPR), presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), e o professor Marcos Pimenta (UFMG), coordenador do INCT de Nanomateriais de Carbono e do Centro de Tecnologia em Nanomateriais (CTNano), do qual a professora Goulart Silva é vice-coordenadora.

Na mesa redonda, que contou com grande audiência e muitas perguntas, foram apresentados os nanomateriais de carbono, sua estrutura, propriedades e aplicações com o foco em seu potencial para contribuir em diversas áreas tecnológicas. “Discutimos como a nanotecnologia pode ser impactante em uma nova era tecnológica que tenha a sustentabilidade como requisito fundamental”, relata a diretora científica da SBPMat. “Os membros da mesa e os participantes evoluíram para uma visão conjunta de que uma grande gama de nanomateriais vai ocupar espaços relevantes nas tecnologias futuras. Não só os nanomateriais de carbono, mas, sem dúvida, os nanotubos de carbono e o grafeno são sistemas muito importantes nesse conjunto”, reporta ela.

De acordo com Goulart Silva, todos participantes da sessão enfatizaram a necessidade de investimentos em ciência e tecnologia no Brasil, a fim de que os avanços feitos em áreas como a nanotecnologia tenham continuidade.

Dicas de leitura. Livro “Nanociência e Nanotecnologia: Princípios e Aplicações” (editora Elsevier).


“Nanociência e Nanotecnologia: Princípios e Aplicações” é uma obra distribuída em 3 volumes, com um total de 22 capítulos, redigidos por especialistas e cientistas renomados de diferentes regiões do país. O volume 1 apresenta tópicos de nanoestruturas; o volume 2, técnicas de nanocaracterização, e o volume 3, exemplos de aplicações.

Os organizadores do livro são os pesquisadores doutores Alessandra da Róz (IFSP), Fábio de Lima Leite (UFSCar/CCTS), Marystela Ferreira (UFSCar/CCTS) e Osvaldo Novais Oliveira Jr (USP/IFSC). “Observamos que em português eram poucos os livros destinados à Nanociência e Nanotecnologia e nos unimos para organizar a série”, diz Marystela Ferreira.

A obra foi lançada em 2015 pela editora Campus, da Elsevier. “O sucesso da série lançada em 2015 foi tão grande que a Elsevier nos convidou para editar essa série em língua inglesa”, conta Ferreira. O novo desafio foi aceito e vem sendo realizado pelos organizadores, com a ajuda dos autores e da editora. Os dois primeiros volumes em inglês foram lançados em 2016, e p lançamento do volume 3 está previsto para junho de 2017. Na edição em língua inglesa, novos capítulos foram adicionados no sentido de abranger o máximo possível de materiais e técnicas. “Destaca-se o acréscimo de estruturas de carbono no volume 1 e a apresentação da técnica de SPR (superfície de ressonância de plásmons), no volume 3”, comenta Ferreira.

De acordo com a pesquisadora, a obra aborda os conceitos básicos e os princípios fundamentais da Nanociência e da Nanotecnologia, além de temas como nanossensores, filmes nanoestruturados e técnicas de nanocaracterização (incluídas pensando nos estudantes de graduação e pós que realizam pesquisa experimental). A série também inclui tópicos de mecânica quântica e simulação computacional – temas que ainda não tinham sido abordados em livros nacionais de Nanociência – redigidos em linguagem fácil e objetiva, com aplicações e ilustrações, comenta Ferreira. Novas linhas de pesquisa, como Nanomedicina, Nanoeletrônica e Nanoneurobiofísica também foram abordadas na série. “Trata-se de uma obra que reúne tópicos em áreas como Biologia, Biotecnologia, Física Materiais, Medicina, Química e áreas afins”, diz Ferreira.

Os volumes estão disponíveis no Science Direct (site da Elsevier para busca de artigos e livros) e à venda na forma de e-book e livro impresso no site da Elsevier.

Links para a edição em inglês:

Volume 1.

Volume 2.

Volume 3.

applications techniques nanostructures

 

Gente da comunidade: entrevista com o cientista argentino Galo Soler Illia.


Galo Soler Illia.
Galo Soler Illia.

Quantas vocações científicas despertaram, e quantos acidentes domésticos provocaram, os jogos infantis de química experimental, que, até um tempo atrás, não seguiam todas as normas de segurança para brinquedos, hoje obrigatórias? O cientista argentino Galo Juan de Ávila Arturo Soler Illia pertence a esse grupo. Ele conta que seu interesse pela ciência se acendeu (literalmente) com um pequeno incêndio provocado por um jogo de laboratório de Química na casa de seus pais –  dois advogados, militantes da Unión Cívica Radical. Esse era o partido, aliás, do avô de Galo Soler Illia, o Presidente Arturo Umberto Illia, que governou a Argentina de 1963 a 1966, até sofrer um golpe de Estado.

Hoje, Galo Soler Illia pode ser considerado um dos pesquisadores mais conhecidos do país vizinho, tanto na comunidade científica (consta entre os 30 cientistas argentinos melhor posicionados no Google Scholar pelas citações a trabalhos de sua autoria, e já recebeu os principais prêmios nacionais de ciência) quanto entre o público leigo (no campo da Nanotecnologia, ele é um divulgador muito ativo e didático presente em todas as mídias, e costuma ser fonte de informações para os jornalistas argentinos).

Galo Soler Illia nasceu em Buenos Aires em 31 de maio de 1970. Fez seus estudos primários numa escola particular construtivista, o Colegio Bayard. Para cursar os estudos secundários ingressou, em 1983, ao Colegio Nacional de Buenos Aires, instituição pública dependente da Universidad de Buenos Aires (UBA), caracterizada, entre outras coisas, pela alta exigência nos estudos, a riqueza das atividades extracurriculares e uma infraestrutura superior à das outras escolas públicas. Em 1988, formou-se pelo colégio com uma especialização em Ciências. Tanto no ensino primário quanto no secundário teve oportunidade de fazer atividades em laboratórios de ciência.

Entre 1989, Soler Illia começou a cursar a graduação em Ciências Químicas na UBA. Durante a graduação, começou a lecionar no Departamento de Química Inorgânica, Analítica e Química Física da UBA e a fazer pesquisa em um grupo de Química de Materiais e também em um laboratório montado na casa de um amigo. Em 1993, ele obteve o diploma de licenciado em Química, tendo uma média nas avaliações das disciplinas de 9,13/ 10. Na Argentina, a licenciatura habilita o diplomado a realizar todo tipo de atividade profissional na área de formação, inclusive docência e atividades de pesquisa, e o prepara para um ingresso a um curso de doutorado sem passar pelo mestrado.

De 1994 a 1998, Soler Illia realizou o doutorado em Química, também na UBA, sob orientação do doutor em Química Miguel Angel Blesa. Através da pesquisa sobre nanopartículas de hidróxidos metálicos mistos, ele gerou conhecimento sobre o complexo mecanismo de formação de partículas, o qual lhe seria muito útil nas pesquisas que realizou como pós-doc e como pesquisador profissional, voltadas à síntese de materiais com alto controle de suas características. Concomitantemente ao doutorado, continuou lecionando, como assistente, na UBA.

Em 1999, foi morar na França, junto a sua esposa, a também química Astrid Grotewold, e permaneceram no país galo até o ano de 2002. Soler Illia fez um pós-doutorado na Université Pierre et Marie Curie (Paris), com supervisão do doutor Clément Sanchez, contando com uma bolsa com duração de 2 anos do CONICET, principal entidade argentina de apoio à ciência e tecnologia. No pós-doc, o argentino desenvolveu métodos para produzir materiais com porosidade altamente controlada. Desse período, resultaram os artigos de Soler Illia mais citados até o momento, com mais de 1.800 citações em um dos papers, segundo o Google Scholar. No final do período francês, Soler Illia também trabalhou em aplicações de filmes finos mesoporosos para o centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa Saint Gobain.

Galo Soler Illia voltou à Argentina no início de 2003, num período em que o país saía de uma enorme instabilidade política que provocou a passagem de 5 pessoas diferentes pela Presidência da República em apenas 11 dias. Além disso, o país ainda estava sob os efeitos da grave crise econômica que tivera seu ápice em 2001. Entretanto, rapidamente, Soler Illia conseguiu ingressar à carreira de pesquisador do CONICET trabalhando na Comisión Nacional de Energia Atómica (CNEA) e, sem perder tempo, fundou o Grupo Química de Nanomateriales, que, até hoje, atua no projeto e obtenção de materiais nanoestruturados. Em 2004, o cientista se tornou, por concurso, professor da UBA, do departamento em que fizera seus estudos de grado e doutorado.

No início de 2015, Soler Illia se tornou diretor do Instituto de Nanosistemas (INS) da Universidad Nacional de San Martín, localizada na área metropolitana de Buenos Aires. O INS se define como um espaço de pesquisa, desenvolvimento e criação interdisciplinar em nanociência e nanotecnologia, cujo objetivo final é resolver problemas prioritários da indústria e da sociedade em geral. No instituto, Soler Illia conta com uma equipe científica multidisciplinar de 4 pesquisadores (mais 4 em 2017), 6 estudantes de pós-graduação e pós-docs e 1 técnico de laboratório, além de uma equipe de gestão formada por 6 profissionais.

Atualmente, além de diretor do INS, Galo Soler Illia é pesquisador principal do CONICET e professor associado da UBA. É membro de conselhos assessores na Fundación Argentina de Nanotecnología (FAN) e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (Brasil), e membro do conselho editorial do Journal of Sol-Gel Science and Technology (Springer). Além disso, o cientista tem uma coluna de divulgação científica sobre Nanotecnologia no programa televisivo “Científicos Industria Argentina”, que vai ao ar uma vez por semana no canal público argentino. Finalmente, Soler Illia acaba de ser nomeado, neste mês de novembro, membro do Conselho Presidencial Argentina 2030, integrado por intelectuais de diversos campos para assessorar o presidente da Argentina, Mauricio Macri.

Soler Illia, cujo índice h é de 44, possui uma produção de mais de 120 artigos publicados em periódicos científicos internacionais, com cerca de 11 mil citações, segundo o Google Scholar. Já orientou 7 teses de doutorado concluídas e é autor de 2 livros de divulgação sobre nanotecnologia. Também é autor de 4 pedidos de patentes.

Seu trabalho foi reconhecido com uma série de prêmios à ciência, tecnologia, inovação e divulgação científica, entre eles os principais da Argentina, como o Prêmio Houssay 2006 e 2009, da secretaria e depois ministério de ciência e tecnologia argentino; o Prêmio KONEX 2013, da fundação homônima, e o Premio Innovar 2011 e 2016, do Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovação Productiva. Também recebeu distinções da Academia Nacional de Ciencias Exactas, da FAN, da Asociación Argentina de Investigacão Fisicoquímica, do CONICET, das empresa BGH e Dupont, entre outras entidades. Em maio deste ano, Galo Soler Illia foi designado acadêmico titular da Academia Nacional de Ciencias Exactas, Físicas y Naturales, passando a compor um seleto grupo de apenas 36 cientistas.

Segue uma entrevista com o cientista argentino.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos o que o levou a se tornar um cientista e a trabalhar no campo dos materiais.

Galo Soler Illia: – Sempre gostei de Química. Comecei com 5 anos, quando ganhei um jogo de Química e, fazendo um experimento, queimei a mesa de jantar da casa dos meus país. Depois, em meus estudos de nível secundário fui um pouco “nerd”, dedicando-me a escrever software para as aulas de Física do meu colégio. Escrever código despertou em mim uma curiosidade por saber como funcionavam as coisas e como os problemas podiam ser resolvidos. Aprendi muitíssimo. Perto do final do ensino secundário, decidi estudar Química, pois achei que era um curso muito versátil e maravilhoso que tinha grandes possibilidades em muitos campos. Nessa época, eu estava muito interessado na Biotecnologia, que era uma área nova. Mas na época em que comecei meus estudos de graduação na Universidade de Buenos Aires (UBA), a área de Química de Materiais começava a surgir. Ainda aluno, comecei a lecionar como ajudante no Departamento de Química Inorgânica, Analítica e Química Física da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais, inspirado pelo exemplo de professores jovens e entusiastas que estavam voltando do exterior e geravam uma atmosfera de trabalho e exigência. Junto a meus melhores amigos, instalamos um laboratório em um quarto no terraço da casa de um deles. Ali crescíamos cristais e planejávamos síntese de moléculas. Como passávamos o dia todo na universidade e tínhamos algum tempo libre, eu achei um lugar para trabalhar, sem receber bolsa nem salário, em um grupo de Química de Materiais que acabava de começar. Tudo foi muito rápido e, quase sem perceber, finalizei meus estudos de graduação e iniciei o doutorado, fabricando micropartículas para catalizadores. Foi uma época muito linda da minha vida, da qual conservo minha curiosidade inata, minha vontade de explorar e construir matéria e um maravilhoso grupo de amigos, que se tornaram destacados colegas disseminados pelo mundo todo.

Boletim da SBPMat: – Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições à área de Materiais, considerando todos os aspectos da atividade científica?

Galo Soler Illia: – Sempre me interessou construir materiais, o trabalho do químico de unir átomo com átomo, de fabricar novas arquiteturas. Centrei-me em compreender os fenômenos fisicoquímicos que ocorrem na produção de um material. Quando a gente conhece e compreende esses processos, passa de simplesmente “preparar” um material a poder projetá-lo e sintetizá-lo, por mais complexo que seja. E a gente pode aproveitar as propriedades dos elementos químicos a seu favor para obter as propriedades que a gente deseja. Vou dar três exemplos. Na minha tese, estudei a precipitação e agregação de nanopartículas de hidróxidos metálicos mistos, precursores de catalisadores. Descobrimos um mundo muito interessante e pudemos contribuir na compreensão da complexidade por trás de um mecanismo dinâmico de formação de partículas: a influência dos efeitos estruturais no formato das partículas, a importância da coordenação dos metais na formação de uma fase mista, a evolução da carga superficial e seu efeito na estabilidade de um coloide e muito mais, que me serviu futuramente como base sólida para minha pesquisa. Tive a sorte de poder trabalhar com Miguel Blesa, Alberto Regazzoni y Roberto Candal, três excelentes Mestres que me guiaram, estimularam e corrigiram.

Na minha segunda etapa, trabalhei em Paris, no laboratório de Clément Sanchez, e, usando o que tinha aprendido, pude desenvolver métodos para produzir materiais com porosidade altamente controlada, conhecidos como materiais mesoporosos organizados. Novamente, interessei-me pelos mecanismos de formação do material, que são complexos, pois demandam o controle do crescimento de pequenas espécies inorgânicas e sua automontagem com micelas. É uma pequena sinfonia físico-química, que é necessário aprender a tocar. Tivemos que usar, desenvolver e combinar técnicas de caracterização muito variadas para poder compreender quais fenômenos estavam ocorrendo e como eles controlavam a formação e organização dos sistemas de poros, a estabilidade e cristalinidade dos materiais, que são, entre outras, as variáveis importantes no desempenho final desses sólidos.

Na minha terceira etapa, de volta à Argentina, estabeleci um grupo de pesquisa na Comisión Nacional de Energía Atómica, em Buenos Aires, e me dediquei a construir arquiteturas mais complexas, baseadas em tudo que tinha aprendido. Minhas melhores contribuições nesse sentido se referem ao uso das forças e interações na nanoescala para fabricar nanocompósitos muito variados com propriedades ópticas e catalíticas projetadas e surpreendentes. Tudo isso demandou a criação de novos laboratórios, a formação de recursos humanos e a transferência de ciência básica a tecnologias. Particularmente, nos últimos anos temos trabalhado com empresas e aspiramos a gerar nanotecnologia na Argentina, estendendo os conhecimentos do nosso laboratório à sociedade.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos um pouquinho sobre sua interação com o Brasil. Você vem frequentemente ao país para colaborações, eventos, uso de labs, seminários? Tem trabalhos realizados com grupos do Brasil ou em laboratórios brasileiros?

Galo Soler Illia: – Retornei à Argentina em 2003 e, imediatamente, tive como referencia o que estava se gestando no Brasil. Desde aquela época, comecei a desenvolver projetos no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que é um farol para todos aqueles que trabalhamos em Materiais na América Latina. A interação com o pessoal do síncrotron foi muito importante para podermos caracterizar nossos materiais, e é impressionante ver como as instalações têm melhorado nestes anos. Faz poucos meses, tive a oportunidade de conhecer o prédio do Sirius, que é simplesmente impressionante, e será referência mundial. Também tive a oportunidade de conhecer diversas universidades proferindo cursos e colaborando na formação de graduandos e estudantes de pós-graduação. Além disso, geramos a Escola de Síntese de Materiais, que fazemos em Buenos Aires, e que terá sua oitava edição em 2017. Essa escola foi idealizada para gerar uma comunidade de cientistas latino-americanos com competências na síntese racional de materiais. Começamos com muitos estudantes brasileiros, graças ao apoio da Sociedade Argentino-Brasileira de Nanotecnologia, que depois, infelizmente, parou de funcionar. É muito belo ver como os estudantes de ambos os países trabalham juntos nos laboratórios e discutem e apresentam seus trabalhos em “portunhol”. A partir dessa escola, e com ajuda de vários colegas, estão surgindo redes de colaboração que, sem dúvida, vão nos proporcionar a base tecnológica para fazermos empreendimentos conjuntos de maior porte. Viajo várias vezes por ano ao Brasil e sempre admiro a força do país para impulsionar o desenvolvimento tecnológico local. Espero que, passados estes momentos de dificuldades, possamos continuar crescendo em conjunto.

Boletim da SBPMat: – Sempre convidamos os entrevistados desta seção do boletim a deixarem uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas. O que você diria a esses cientistas juniores?

Galo Soler Illia: – Olhando para atrás, posso fazer três recomendações aos jovens cientistas. Uma é que nunca percam sua imaginação e sua capacidade de se fazerem perguntas; a segunda é que trabalhem duro para encontrar as respostas, e a terceira é que aproveitem as surpresas. Às vezes, a gente está treinado para desenvolver um caminho e uma estratégia e a gente foca no rigor de demonstrar e formalizar o que a gente encontra. Porém, é essencial saber que esse caminho que a gente traça é cheio de cantinhos interessantes, e que, às vezes, um aspecto que não levávamos em consideração nos abre um panorama novo e inexplorado. Dizia Newton que a gente, enquanto científico, é às vezes como uma criança que na praia acha uma concha mais bonita do que outras e é feliz, mas, perante a gente, estende-se o enorme oceano da verdade. Meu conselho é: busquemos incessantemente nossas conchas, curtamos com elas e aproximemo-nos da compreensão das maravilhas do nosso universo. E tenhamos sempre em conta que desenvolver ciência em nosso continente é um belo desafio que vai agregar riqueza a nossos países e bem-estar a nossos irmãos.

Gente da comunidade: entrevista com Ado Jorio de Vasconcelos, que proferirá palestra plenária no XV Encontro da SBPMat.


Há 16 anos, nos Estados Unidos, o físico brasileiro Ado Jorio de Vasconcelos, em estágio de pós-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT) no grupo da professora Mildred Dresselhaus, encabeçava um trabalho que geraria o primeiro resultado bem-sucedido da aplicação da Óptica, mais precisamente da espectroscopia Raman, na caracterização individual de nanotubos de carbono – cujas paredes, vale lembrar, têm apenas 1 átomo de espessura e cujo diâmetro costuma ser de 1 nanometro. Uma olhada no site do MIT, na página da professora Mildred, que vem estudando nanoestruturas de carbono no MIT há mais de 50 anos, reforça a relevância do trabalho realizado junto ao brasileiro: 5 das 6 publicações selecionadas pela professora emérita têm coautoria dele.

Quando começou o pós-doc, Ado Jorio tinha 28 anos de idade e acabava de obter o diploma de doutor em Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com uma tese sobre transições de fase em sistemas incomensuráveis, realizada com orientação do professor Marcos Assunção Pimenta. Antes disso, graduara-se em Física, também pela UFMG, depois de cursar 3 anos de Engenharia Elétrica.

Finalizado o pós-doutorado no MIT, Jorio voltou à UFMG ao ser aprovado em concurso público, tornando-se professor adjunto da universidade em 2002. De 2007 a 2009 ocupou um cargo no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para realizar atividades relacionadas ao desenvolvimento da nanometrologia. Em 2010, tornou-se professor titular da UFMG e, no mesmo ano, assumiu, até 2012, a direção da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica da universidade. Em 2013, esteve no ETH Zurich (Suíça) como professor visitante, realizando atividades docentes e de pesquisa. Em agosto deste ano, assumiu a direção da Pró-Reitoria de Pesquisa da UFMG.

Desde 2002, Jorio vem ampliando o tema de seu trabalho de pós-doutorado. O cientista mineiro tem realizado pesquisa em Óptica e desenvolvimento de instrumentação científica, visando ao estudo de nanoestruturas de carbono com aplicações muito diversas. Um exemplo dessa diversidade é um trabalho do qual Jorio participa, no qual técnicas do campo da Nanotecnologia são utilizadas para compreender detalhes da composição da “terra preta de índio”, um solo de altíssima fertilidade e capacidade de sequestrar carbono, encontrado em locais antigamente habitados por índios na Amazônia brasileira.

Atualmente, Jorio é dono de um dos índices H mais altos entre os cientistas do Brasil: 74, segundo o Google Scholar. Ele é também um dos pesquisadores mais citados no mundo, como atesta a inclusão de seu nome na mais recente lista internacional da Thomson Reuters, que destacou, dentre todos os artigos científicos indexados entre 2003 e 2013, o 1% de papers mais citados em cada área do conhecimento. Jorio é autor de mais de 180 artigos científicos e de 20 livros ou capítulos de livros, além de 8 pedidos de patente. De acordo com o Google Scholar, suas publicações reúnem mais de 30 mil citações.

Suas contribuições receberam uma série de reconhecimentos de prestigiadas entidades, como o Somiya Award da International Union of Materials Research Societies em 2009; o ICTP Prize do Abdus Salam International Centre for Theoretical Physics em 2011, e o Georg Forster Research Award da Humboldt Foundation em 2015, entre muitas outras distinções nacionais e internacionais.

No XV Encontro da SBPMat, Ado Jorio proferirá uma palestra plenária sobre um tema no qual é um dos principais especialistas do mundo, o uso de espectroscopia Raman para o estudo de nanoestruturas de carbono. O cientista brasileiro falará sobre a evolução que a técnica experimentou até chegar na escala nano. E promete revelar alguns truques que possibilitam o uso da luz, cujo comprimento de onda é de, no mínimo, centenas de nanometros, como sonda para investigar estruturas de apenas alguns nanometros.

Veja nossa entrevista com este membro da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais e plenarista do nosso evento anual.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos o que o levou a se tornar um cientista e a trabalhar na área de Materiais.

Ado Jorio: – O caminho foi tortuoso! Entrei na universidade para cursar engenharia elétrica. Na época tocava em uma banda de rock progressivo, e procurei iniciação científica na área de música. Fui orientado a conversar com um professor do departamento de física, que gostava de música, estudava acústica e materiais. Aí começou minha trajetória, que acabou na ciência dos materiais.

Boletim da SBPMat: – Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições à área de Materiais.

Ado Jorio: – Diria que são duas principais. A primeira, na área de nanotubos de carbono, demonstrei que a óptica poderia ser levada ao nível de nanotubos isolados. Isso abriu um campo de pesquisas muito amplo, porque os nanotubos podem ser de vários tipos, dependendo do seu diâmetro e quiralidade. Antes deste trabalho, as pessoas estudavam nanotubos. Após este trabalho, as pessoas passaram a estudar tipos específicos de nanotubos. Seria equivalente a dizer que pesquisadores estudavam o átomo, e se deram conta de que existem diversos tipos de átomos. O artigo que foi marco desta descoberta foi o [PRL86, 1118 (2001)]. A segunda contribuição foi o avanço da óptica para o estudo de nanoestruturas de carbono, de forma mais ampla. Trabalhei em diversas frentes, desde a instrumentação científica, para medidas ópticas abaixo do limite de difração, até o estudo e caracterização de defeitos, abordagem de materiais de interesse em ciências do solo, biotecnologia, biomedicina. Algumas referências importantes são os livros “Raman Spectroscopy in Graphene Related Systems” e “Bioengineering Applications of Carbon Nanostructures”.

Boletim da SBPMat: –  Sempre convidamos os entrevistados desta seção do boletim a deixarem uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas. Muitos desses leitores provavelmente almejam conseguir um dia um índice H como o seu. O que você diria a eles?

Ado Jorio: – Faça um grande esforço para participar de conferências, e faça excelentes apresentações, sempre! A ciência é um debate e você tem que ser ouvido. Nunca repita uma mesma apresentação. Cada público pede um foco. É certo que este conselho depende de financiamento, mas desde o início da minha carreira, sempre gastei dinheiro do meu salário financiando minhas viagens, e ainda faço isso.

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem ou convite para sua palestra plenária aos leitores que participarão do XV Encontro da SBPMat.

Ado Jorio: – Depois de tudo o que foi dito acima, e considerando que título e resumo estarão disponíveis, só me resta já deixar aqui, de prontidão, meu agradecimento àqueles que me prestigiarem com sua presença. Será uma honra ter os colegas no auditório.

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Link para o resumo da plenária de Ado Jorio, intitulada “Innelastic light scattering in carbon nanostructures: from the micro to the nanoscale”: http://sbpmat.org.br/15encontro/speakers/abstracts/7.pdf