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Nesta mensagem de Ano Novo para a comunidade da SBPMat, no Brasil e no exterior, minha primeira palavra é de agradecimento. A todos que contribuíram para as atividades da SBPMat, principalmente em nosso Encontro Anual realizado no fim de setembro em Campinas. A despeito das dificuldades por que passa o Brasil, tivemos um número expressivo de participantes, de todas as regiões do país e de muitos outros países. Especialmente gratificante foi observar o alto nível científico do Encontro, que já se torna uma tradição de nossa Sociedade, e a participação de grande número de estudantes. A atuação vibrante de nossos jovens é a garantia da continuidade da pesquisa de qualidade em materiais.
Também foi alvissareiro acompanhar as conquistas e contribuições de pesquisadores brasileiros em áreas diversificadas da pesquisa em materiais, muitas delas noticiadas em nossos Boletins. É demonstração não só da qualidade de nossa comunidade, mas também de sua resiliência para atravessar momentos difíceis.
Ao desejar saúde e sucesso em 2017 a toda nossa comunidade da SBPMat, tomo a liberdade de transmitir meus votos pessoais, com forte abraço, e desejo de encontrá-los em Gramado, de 10 a 14 de setembro, para o nosso próximo Encontro.
Professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior
Presidente da SBPMAT
Nosso entrevistado do mês de dezembro é Gleison Adriano da Silva, um dos vencedores da 13ª edição do Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O jovem, que em novembro se diplomou bacharel em Física pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), ganhou o prêmio de iniciação científica da área de Ciências Exatas, da Terra e Engenharias por um trabalho de sobre caracterização estrutural, térmica e óptica de sistemas semicondutores. O prêmio do CNPq distinguiu seis trabalhos (o melhor de iniciação científica e o melhor de iniciação tecnológica de cada grande área do conhecimento) dentre 467 inscritos, enviados por 167 instituições de ensino e pesquisa do Brasil.
O trabalho que valeu o prêmio a Gleison foi desenvolvido ao longo de três projetos de iniciação científica que o jovem realizou no contexto do Grupo de Materiais do Departamento de Física da UFAM, com orientação do professor Sérgio Michielon de Souza e com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e do CNPq. Nesses projetos, foram sintetizados materiais nanoestruturados semicondutores por meio de um processo simples e de baixo custo. Os materiais foram analisados por meio das técnicas de difração de raios X, calorimetria diferencial de varredura, micro-Raman e espectroscopia de absorção fotoacústica, e demonstraram um bom potencial para serem usados como materiais termoelétricos na transformação direta de calor em eletricidade.
Gleison se tornou bolsista de iniciação científica (inicialmente da FAPEAM e depois do CNPq) pouco depois de entrar no curso de bacharelado em Física da UFAM, em 2011. Seu orientador, Sérgio Michielon de Souza, tinha se tornado docente dessa instituição no mesmo ano e estava montando o Laboratório de Materiais no Departamento de Física, processo do qual Gleison participou ativamente. A primeira fase do trabalho foi dedicada à fabricação e estudo do sistema Cd-Se, e seus resultados foram publicados [http://dx.doi.org/10.1016/j.
Finalmente, em julho de 2016, Gleison teve a grande satisfação de receber o Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica, em Porto Seguro (BA), durante a 68ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Era a terceira vez que o estudante era indicado pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFAM para concorrer ao prêmio do CNPq, e dessa vez conquistou a distinção com os resultados finais da pesquisa sobre o sistema Ni-Sb e os resultados parciais da pesquisa sobre o sistema Sn-Se. Três meses depois, Gleison defendeu seu trabalho de conclusão de curso (TCC), elaborado a partir dos estudos com os sistemas Ni-Sb e Sn-Se, e obteve o título de bacharel em Física pela UFAM.
Veja nossa entrevista com Gleison.
Boletim da SBPMat: – Onde você nasceu? Onde morou até iniciar os estudos universitários na UFAM?
Gleison Adriano da Silva: – Sou natural do Brasil Central, Brasília (DF), e tudo começou em 2008 quando me candidatei a missionário/ agente comunitário da Diocese de Roraima na Região Norte do Brasil, sob comando do antigo bispo titular Dom Roque Paloscci, para trabalhar em comunidades no baixo Rio Branco até a sua foz no Rio Negro. Em 2009, prestei o ENEM com êxito para Engenharia Florestal na UFAM, campus Manaus (AM). Sem auxílio financeiro, fui morar em um albergue no Centro de Manaus (AM), entretanto, após processo seletivo na Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários, passei a morador da Casa do Estudante Universitário da UFAM. Em 2011, por falta de afinidade ao curso Engenharia Florestal, mudei para o curso bacharelado em Física do Instituto de Ciências Exatas da UFAM.
Boletim da SBPMat: – Poderia nos contar muito brevemente como começou o seu interesse pela ciência e/ou pela pesquisa? Foi na universidade, na infância, na escola?
Gleison Adriano da Silva: – Tudo aconteceu muito rápido. Ao ingressar no curso bacharelado em Física da UFAM, já iniciei na pesquisa científica à convite do Prof. Dr. Sérgio Michielon de Souza e, dada minha inserção junto ao Grupo de Pesquisa em Materiais do Depto de Física da UFAM, pude ter a oportunidade de realizar investigações científicas voltadas na determinação de estruturas cristalinas, evolução micro/nano-estrutural e transformação de fases em materiais intermetálicos utilizando softwares computacionais e técnicas analíticas no Laboratório de Materiais.
Boletim da SBPMat: – Qual é, na sua visão, a principal contribuição contida do trabalho premiado? Ou, quais são as principais contribuições dos trabalhos premiados?
Gleison Adriano da Silva: – Uma observação interessante é que as investigações laureadas estavam coincidentemente relacionadas com os temas celebrativos da UNESCO de 2014 e 2015 intitulado como Ano Internacional da Cristalografia e Ano Internacional da Luz. Nesta perspectiva, as principais contribuições contidas nos trabalhos premiados estavam relacionadas a técnica de difração de raios X, ou seja, transformações e estabilidade de fases cristalográficas das amostras do sistema semicondutor Ni-Sb e Sn-Se durante a síntese de estado sólido, onde foi observado uma forte estabilidade estrutural nos cristais de antimoneto de níquel (NiSb) e uma notável metaestabilidade nos cristais de seleneto de estanho (SnSe).
Um trabalho simples que apresenta características microestruturais e termodinâmicas de dois novos materiais nanoestruturados de interesse científico e tecnológico submetido a uma rota de síntese não complexa e de baixo custo.
Boletim da SBPMat: – Quais foram os critérios que o guiaram para fazer uma pesquisa de qualidade destacada em nível nacional? A que fatores você atribui esta conquista?
Gleison Adriano da Silva: – Não existe ovo de Colombo ou receita de sucesso, só muito trabalho. Nada acontece sem esforço. Como bolsista na iniciação científica eu sempre fui o primeiro a chegar e o último a sair do laboratório. A conquista é reconhecimento do trabalho, entretanto, ninguém consegue nada sozinho.
Boletim da SBPMat: – Convidamos você a deixar alguma mensagem para nossos leitores que estão realizando trabalhos de iniciação científica na área de Materiais.
Gleison Adriano da Silva: – Acreditem no potencial de vocês e no potencial de suas investigações. O sonho é o que move agente, mas não basta só sonhar, tem que correr atrás. Considerem isso também como um incentivo para divulgação de seus resultados em eventos científicos pelo Brasil, em especial nos Encontros Anuais da SBPMat.
Boletim da SBPMat: – O que você fará ou planeja fazer agora que terminou a graduação.
Gleison Adriano da Silva: – Após a saga da graduação, provavelmente procurarei um Programa de Pós-Graduação na Universidade de Brasília (UnB) ou em alguma renomada instituição paulista.
Boletim da SBPMat: – Fique à vontade para outro breve comentário, se desejar.
Gleison Adriano da Silva: – Gostaria de agradecer as cartas de congratulações e aplausos expedidas pelo Chefe do Depto de Física da UFAM, Senhor Prof. Me. Marcílio de Freitas; pela Diretora-Presidente da FAPEAM, Senhora Profa. Dra. Maria Olívia de Albuquerque Ribeiro Simão; e pela Senhora Senadora Vanessa Grazziotin da câmara alta do Congresso Nacional do Brasil (http://www.senado.leg.br/
Também, gostaria de agradecer a cidade de Manaus (AM), a UFAM e a todas as pessoas que direta e/ou indiretamente contribuíram para a minha formação pessoal e acadêmica.
A Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) está recebendo, até o dia 31 de janeiro, propostas de simpósios temáticos para o XVI Encontro da SBPMat. O evento será realizado de 10 a 14 de setembro de 2017 na turística cidade de Gramado (RS), no centro de eventos FAURGS.
Qualquer pessoa com título de doutor, ligada a instituições de ensino/pesquisa ou empresas do Brasil ou do exterior pode apresentar uma proposta de simpósio em temas da área de Ciência e Tecnologia de Materiais.
As propostas devem ser preenchidas online em http://www.sbpmat.org.br/proposed_symposium/, colocando o título e escopo do simpósio, relação dos temas abrangidos, dados dos organizadores e lista preliminar de palestrantes convidados.
As propostas submetidas serão avaliadas pela comissão de eventos da SBPMat e pelos organizadores do encontro, e submetidas à diretoria da sociedade.
Os simpósios temáticos são o eixo principal da programação dos eventos anuais da SBPMat. No encontro de 2016, realizado em Campinas, foram apresentados mais de 2.000 trabalhos em 22 simpósios, abrangendo a descoberta, fabricação, caracterização e aplicações de diversos tipos de materiais, tais como os nanoestruturados, os biomateriais, as superfícies e interfaces, os orgânicos eletrônicos, as eletrocerâmicas e a nanocelulose, entre muitos outros.
O site do evento será lançado e divulgado em breve.
Estão abertas as inscrições para o concurso público de provas e títulos, para provimento de 01 (um) cargo de Professor Doutor na área de Química Orgânica, do Departamento de Química Orgânica do IQ/Unicamp.
Inscrições até 21 de março de 2017
Edital: http://www.sg.unicamp.br/dca/
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The call for symposia proposals for the XVI Brazilian MRS (B-MRS) Meeting is open until January, 31, 2017. The conference will take place in Gramado, RS at the Centro de Eventos de Gramado – Faurgs, from September 10th-14th, 2017.
Symposium proposals may be submitted by any PhD associated with educational and/or research institutions in Brazil or abroad, in any field of Materials Science and Engineering. The proposal presentation must be submitted through the form available at http://sbpmat.org.br/
– Description of the symposium scope
– List of topics of interest
– Tentative list of invited speakers
– Names and contacts of symposium organizers
We look forward to your participation to create an outstanding B-MRS Meeting!
O Centro de Células a Combustível e Hidrogênio (CCH) do IPEN informa que possui uma bolsa FAPESP de pós-doutorado como parte do Projeto Temático “Estudos sobre o uso do bioetanol em células a combustível tipo PEMFC e SOFC”. A bolsa tem duração de 24 meses a partir do início de 2017.
O candidato selecionado atuará na pesquisa relacionada à produção de hidrogênio pelo processo de reforma a vapor. O prazo para o envio de documentação é 13 de janeiro de 2017.
Mais informações pelos links: fapesp.be/bolsas pd e https://www.ipen.br/portal_por/conteudo/institucional/noticias/ipen_pos_doc_ccch_catalise_2016.pdf

Quantas vocações científicas despertaram, e quantos acidentes domésticos provocaram, os jogos infantis de química experimental, que, até um tempo atrás, não seguiam todas as normas de segurança para brinquedos, hoje obrigatórias? O cientista argentino Galo Juan de Ávila Arturo Soler Illia pertence a esse grupo. Ele conta que seu interesse pela ciência se acendeu (literalmente) com um pequeno incêndio provocado por um jogo de laboratório de Química na casa de seus pais – dois advogados, militantes da Unión Cívica Radical. Esse era o partido, aliás, do avô de Galo Soler Illia, o Presidente Arturo Umberto Illia, que governou a Argentina de 1963 a 1966, até sofrer um golpe de Estado.
Hoje, Galo Soler Illia pode ser considerado um dos pesquisadores mais conhecidos do país vizinho, tanto na comunidade científica (consta entre os 30 cientistas argentinos melhor posicionados no Google Scholar pelas citações a trabalhos de sua autoria, e já recebeu os principais prêmios nacionais de ciência) quanto entre o público leigo (no campo da Nanotecnologia, ele é um divulgador muito ativo e didático presente em todas as mídias, e costuma ser fonte de informações para os jornalistas argentinos).
Galo Soler Illia nasceu em Buenos Aires em 31 de maio de 1970. Fez seus estudos primários numa escola particular construtivista, o Colegio Bayard. Para cursar os estudos secundários ingressou, em 1983, ao Colegio Nacional de Buenos Aires, instituição pública dependente da Universidad de Buenos Aires (UBA), caracterizada, entre outras coisas, pela alta exigência nos estudos, a riqueza das atividades extracurriculares e uma infraestrutura superior à das outras escolas públicas. Em 1988, formou-se pelo colégio com uma especialização em Ciências. Tanto no ensino primário quanto no secundário teve oportunidade de fazer atividades em laboratórios de ciência.
Entre 1989, Soler Illia começou a cursar a graduação em Ciências Químicas na UBA. Durante a graduação, começou a lecionar no Departamento de Química Inorgânica, Analítica e Química Física da UBA e a fazer pesquisa em um grupo de Química de Materiais e também em um laboratório montado na casa de um amigo. Em 1993, ele obteve o diploma de licenciado em Química, tendo uma média nas avaliações das disciplinas de 9,13/ 10. Na Argentina, a licenciatura habilita o diplomado a realizar todo tipo de atividade profissional na área de formação, inclusive docência e atividades de pesquisa, e o prepara para um ingresso a um curso de doutorado sem passar pelo mestrado.
De 1994 a 1998, Soler Illia realizou o doutorado em Química, também na UBA, sob orientação do doutor em Química Miguel Angel Blesa. Através da pesquisa sobre nanopartículas de hidróxidos metálicos mistos, ele gerou conhecimento sobre o complexo mecanismo de formação de partículas, o qual lhe seria muito útil nas pesquisas que realizou como pós-doc e como pesquisador profissional, voltadas à síntese de materiais com alto controle de suas características. Concomitantemente ao doutorado, continuou lecionando, como assistente, na UBA.
Em 1999, foi morar na França, junto a sua esposa, a também química Astrid Grotewold, e permaneceram no país galo até o ano de 2002. Soler Illia fez um pós-doutorado na Université Pierre et Marie Curie (Paris), com supervisão do doutor Clément Sanchez, contando com uma bolsa com duração de 2 anos do CONICET, principal entidade argentina de apoio à ciência e tecnologia. No pós-doc, o argentino desenvolveu métodos para produzir materiais com porosidade altamente controlada. Desse período, resultaram os artigos de Soler Illia mais citados até o momento, com mais de 1.800 citações em um dos papers, segundo o Google Scholar. No final do período francês, Soler Illia também trabalhou em aplicações de filmes finos mesoporosos para o centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa Saint Gobain.
Galo Soler Illia voltou à Argentina no início de 2003, num período em que o país saía de uma enorme instabilidade política que provocou a passagem de 5 pessoas diferentes pela Presidência da República em apenas 11 dias. Além disso, o país ainda estava sob os efeitos da grave crise econômica que tivera seu ápice em 2001. Entretanto, rapidamente, Soler Illia conseguiu ingressar à carreira de pesquisador do CONICET trabalhando na Comisión Nacional de Energia Atómica (CNEA) e, sem perder tempo, fundou o Grupo Química de Nanomateriales, que, até hoje, atua no projeto e obtenção de materiais nanoestruturados. Em 2004, o cientista se tornou, por concurso, professor da UBA, do departamento em que fizera seus estudos de grado e doutorado.
No início de 2015, Soler Illia se tornou diretor do Instituto de Nanosistemas (INS) da Universidad Nacional de San Martín, localizada na área metropolitana de Buenos Aires. O INS se define como um espaço de pesquisa, desenvolvimento e criação interdisciplinar em nanociência e nanotecnologia, cujo objetivo final é resolver problemas prioritários da indústria e da sociedade em geral. No instituto, Soler Illia conta com uma equipe científica multidisciplinar de 4 pesquisadores (mais 4 em 2017), 6 estudantes de pós-graduação e pós-docs e 1 técnico de laboratório, além de uma equipe de gestão formada por 6 profissionais.
Atualmente, além de diretor do INS, Galo Soler Illia é pesquisador principal do CONICET e professor associado da UBA. É membro de conselhos assessores na Fundación Argentina de Nanotecnología (FAN) e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (Brasil), e membro do conselho editorial do Journal of Sol-Gel Science and Technology (Springer). Além disso, o cientista tem uma coluna de divulgação científica sobre Nanotecnologia no programa televisivo “Científicos Industria Argentina”, que vai ao ar uma vez por semana no canal público argentino. Finalmente, Soler Illia acaba de ser nomeado, neste mês de novembro, membro do Conselho Presidencial Argentina 2030, integrado por intelectuais de diversos campos para assessorar o presidente da Argentina, Mauricio Macri.
Soler Illia, cujo índice h é de 44, possui uma produção de mais de 120 artigos publicados em periódicos científicos internacionais, com cerca de 11 mil citações, segundo o Google Scholar. Já orientou 7 teses de doutorado concluídas e é autor de 2 livros de divulgação sobre nanotecnologia. Também é autor de 4 pedidos de patentes.
Seu trabalho foi reconhecido com uma série de prêmios à ciência, tecnologia, inovação e divulgação científica, entre eles os principais da Argentina, como o Prêmio Houssay 2006 e 2009, da secretaria e depois ministério de ciência e tecnologia argentino; o Prêmio KONEX 2013, da fundação homônima, e o Premio Innovar 2011 e 2016, do Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovação Productiva. Também recebeu distinções da Academia Nacional de Ciencias Exactas, da FAN, da Asociación Argentina de Investigacão Fisicoquímica, do CONICET, das empresa BGH e Dupont, entre outras entidades. Em maio deste ano, Galo Soler Illia foi designado acadêmico titular da Academia Nacional de Ciencias Exactas, Físicas y Naturales, passando a compor um seleto grupo de apenas 36 cientistas.
Segue uma entrevista com o cientista argentino.
Boletim da SBPMat: – Conte-nos o que o levou a se tornar um cientista e a trabalhar no campo dos materiais.
Galo Soler Illia: – Sempre gostei de Química. Comecei com 5 anos, quando ganhei um jogo de Química e, fazendo um experimento, queimei a mesa de jantar da casa dos meus país. Depois, em meus estudos de nível secundário fui um pouco “nerd”, dedicando-me a escrever software para as aulas de Física do meu colégio. Escrever código despertou em mim uma curiosidade por saber como funcionavam as coisas e como os problemas podiam ser resolvidos. Aprendi muitíssimo. Perto do final do ensino secundário, decidi estudar Química, pois achei que era um curso muito versátil e maravilhoso que tinha grandes possibilidades em muitos campos. Nessa época, eu estava muito interessado na Biotecnologia, que era uma área nova. Mas na época em que comecei meus estudos de graduação na Universidade de Buenos Aires (UBA), a área de Química de Materiais começava a surgir. Ainda aluno, comecei a lecionar como ajudante no Departamento de Química Inorgânica, Analítica e Química Física da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais, inspirado pelo exemplo de professores jovens e entusiastas que estavam voltando do exterior e geravam uma atmosfera de trabalho e exigência. Junto a meus melhores amigos, instalamos um laboratório em um quarto no terraço da casa de um deles. Ali crescíamos cristais e planejávamos síntese de moléculas. Como passávamos o dia todo na universidade e tínhamos algum tempo libre, eu achei um lugar para trabalhar, sem receber bolsa nem salário, em um grupo de Química de Materiais que acabava de começar. Tudo foi muito rápido e, quase sem perceber, finalizei meus estudos de graduação e iniciei o doutorado, fabricando micropartículas para catalizadores. Foi uma época muito linda da minha vida, da qual conservo minha curiosidade inata, minha vontade de explorar e construir matéria e um maravilhoso grupo de amigos, que se tornaram destacados colegas disseminados pelo mundo todo.
Boletim da SBPMat: – Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições à área de Materiais, considerando todos os aspectos da atividade científica?
Galo Soler Illia: – Sempre me interessou construir materiais, o trabalho do químico de unir átomo com átomo, de fabricar novas arquiteturas. Centrei-me em compreender os fenômenos fisicoquímicos que ocorrem na produção de um material. Quando a gente conhece e compreende esses processos, passa de simplesmente “preparar” um material a poder projetá-lo e sintetizá-lo, por mais complexo que seja. E a gente pode aproveitar as propriedades dos elementos químicos a seu favor para obter as propriedades que a gente deseja. Vou dar três exemplos. Na minha tese, estudei a precipitação e agregação de nanopartículas de hidróxidos metálicos mistos, precursores de catalisadores. Descobrimos um mundo muito interessante e pudemos contribuir na compreensão da complexidade por trás de um mecanismo dinâmico de formação de partículas: a influência dos efeitos estruturais no formato das partículas, a importância da coordenação dos metais na formação de uma fase mista, a evolução da carga superficial e seu efeito na estabilidade de um coloide e muito mais, que me serviu futuramente como base sólida para minha pesquisa. Tive a sorte de poder trabalhar com Miguel Blesa, Alberto Regazzoni y Roberto Candal, três excelentes Mestres que me guiaram, estimularam e corrigiram.
Na minha segunda etapa, trabalhei em Paris, no laboratório de Clément Sanchez, e, usando o que tinha aprendido, pude desenvolver métodos para produzir materiais com porosidade altamente controlada, conhecidos como materiais mesoporosos organizados. Novamente, interessei-me pelos mecanismos de formação do material, que são complexos, pois demandam o controle do crescimento de pequenas espécies inorgânicas e sua automontagem com micelas. É uma pequena sinfonia físico-química, que é necessário aprender a tocar. Tivemos que usar, desenvolver e combinar técnicas de caracterização muito variadas para poder compreender quais fenômenos estavam ocorrendo e como eles controlavam a formação e organização dos sistemas de poros, a estabilidade e cristalinidade dos materiais, que são, entre outras, as variáveis importantes no desempenho final desses sólidos.
Na minha terceira etapa, de volta à Argentina, estabeleci um grupo de pesquisa na Comisión Nacional de Energía Atómica, em Buenos Aires, e me dediquei a construir arquiteturas mais complexas, baseadas em tudo que tinha aprendido. Minhas melhores contribuições nesse sentido se referem ao uso das forças e interações na nanoescala para fabricar nanocompósitos muito variados com propriedades ópticas e catalíticas projetadas e surpreendentes. Tudo isso demandou a criação de novos laboratórios, a formação de recursos humanos e a transferência de ciência básica a tecnologias. Particularmente, nos últimos anos temos trabalhado com empresas e aspiramos a gerar nanotecnologia na Argentina, estendendo os conhecimentos do nosso laboratório à sociedade.
Boletim da SBPMat: – Conte-nos um pouquinho sobre sua interação com o Brasil. Você vem frequentemente ao país para colaborações, eventos, uso de labs, seminários? Tem trabalhos realizados com grupos do Brasil ou em laboratórios brasileiros?
Galo Soler Illia: – Retornei à Argentina em 2003 e, imediatamente, tive como referencia o que estava se gestando no Brasil. Desde aquela época, comecei a desenvolver projetos no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que é um farol para todos aqueles que trabalhamos em Materiais na América Latina. A interação com o pessoal do síncrotron foi muito importante para podermos caracterizar nossos materiais, e é impressionante ver como as instalações têm melhorado nestes anos. Faz poucos meses, tive a oportunidade de conhecer o prédio do Sirius, que é simplesmente impressionante, e será referência mundial. Também tive a oportunidade de conhecer diversas universidades proferindo cursos e colaborando na formação de graduandos e estudantes de pós-graduação. Além disso, geramos a Escola de Síntese de Materiais, que fazemos em Buenos Aires, e que terá sua oitava edição em 2017. Essa escola foi idealizada para gerar uma comunidade de cientistas latino-americanos com competências na síntese racional de materiais. Começamos com muitos estudantes brasileiros, graças ao apoio da Sociedade Argentino-Brasileira de Nanotecnologia, que depois, infelizmente, parou de funcionar. É muito belo ver como os estudantes de ambos os países trabalham juntos nos laboratórios e discutem e apresentam seus trabalhos em “portunhol”. A partir dessa escola, e com ajuda de vários colegas, estão surgindo redes de colaboração que, sem dúvida, vão nos proporcionar a base tecnológica para fazermos empreendimentos conjuntos de maior porte. Viajo várias vezes por ano ao Brasil e sempre admiro a força do país para impulsionar o desenvolvimento tecnológico local. Espero que, passados estes momentos de dificuldades, possamos continuar crescendo em conjunto.
Boletim da SBPMat: – Sempre convidamos os entrevistados desta seção do boletim a deixarem uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas. O que você diria a esses cientistas juniores?
Galo Soler Illia: – Olhando para atrás, posso fazer três recomendações aos jovens cientistas. Uma é que nunca percam sua imaginação e sua capacidade de se fazerem perguntas; a segunda é que trabalhem duro para encontrar as respostas, e a terceira é que aproveitem as surpresas. Às vezes, a gente está treinado para desenvolver um caminho e uma estratégia e a gente foca no rigor de demonstrar e formalizar o que a gente encontra. Porém, é essencial saber que esse caminho que a gente traça é cheio de cantinhos interessantes, e que, às vezes, um aspecto que não levávamos em consideração nos abre um panorama novo e inexplorado. Dizia Newton que a gente, enquanto científico, é às vezes como uma criança que na praia acha uma concha mais bonita do que outras e é feliz, mas, perante a gente, estende-se o enorme oceano da verdade. Meu conselho é: busquemos incessantemente nossas conchas, curtamos com elas e aproximemo-nos da compreensão das maravilhas do nosso universo. E tenhamos sempre em conta que desenvolver ciência em nosso continente é um belo desafio que vai agregar riqueza a nossos países e bem-estar a nossos irmãos.

A SBPMat (B-MRS), representada por seu presidente, Osvaldo Novais de Oliveira Junior, esteve presente em dois eventos realizados na China no mês de outubro, organizados por sociedades de pesquisa em Materiais da Ásia e também pela sociedade europeia de pesquisa em Materiais. Os eventos foram o 5th World Materials Summit on Advanced Materials for Sustainable Society Development e a IUMRS International Conference in Asia (IUMRS-ICA). O presidente da SBPMat viajou a convite da sociedade de pesquisa em Materiais da China (C-MRS) e da International Union of Materials Research Societies (IUMRS). Além de participar dos dois eventos, o professor fez parte do comitê assessor internacional do primeiro, e o professor Roberto Mendonça Faria, ex-presidente da SBPMat e segundo vice-presidente da IUMRS, fez parte dos comitês assessores internacionais de ambos os eventos.
“As sociedades de pesquisa em Materiais na Ásia têm despendido grandes esforços para integração entre si, e com sociedades de outros lugares do mundo”, comenta o presidente da SBPMat, destacando o trabalho das MRS da China, Japão, Coréia do Sul e Cingapura. “Já há vários anos uma relação muito próxima da SBPMat com essas sociedades, que estarão representadas no nosso próximo encontro em Gramado, de 10 a 14 de setembro de 2017”, completa.
O “summit” foi realizado em Rizhao, província de Shandong, de 18 a 20 de outubro, e foi organizado pelas sociedades de pesquisa em Materiais da China (C-MRS), Europa (E-MRS), Coreia (MRS-K) e Japão (MRS-J), além da Associação de Ciência e Tecnologia de Rizhao. Trata-se de um evento anual, no qual cientistas, políticos e empreendedores convidados pela organização se reúnem para apresentar e discutir o assunto dos materiais avançados para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável, com foco em temas específicos em cada edição. Em 2016, os temas escolhidos foram energias renováveis, principalmente para veículos automotores, materiais para construção visando à sustentabilidade e materiais para engenharia oceanográfica.
De acordo com o professor Novais de Oliveira Junior, as conclusões mais relevantes do evento se referiram à necessidade de ações internacionais colaborativas, ressaltando-se o caráter único da Ciência e Engenharia de Materiais para resolver problemas cruciais da humanidade, graças à abordagem integrada, multifacetada e de sinergia entre experimento, teoria e simulação computacional que essa disciplina pode oferecer. Especificamente sobre os temas da quinta edição do evento, o presidente da SBPMat destacou a importância do desenvolvimento de baterias mais duráveis, de maior capacidade e seguras, e a necessidade de investigações sobre o mar e sobre materiais de construção civil. “A propósito, no “summit” foram apresentados dados de custos de manutenção de obras civis de grande porte, como pontes, viadutos e estradas, que apontam para uma grande demanda de materiais avançados, não só para reduzir os custos, mas também garantir sustentabilidade”, comenta o presidente da SBPMat. “Houve também excelentes apresentações de especialistas europeus a respeito da energia que se pode extrair de fontes renováveis no mar”, acrescenta. Conforme o professor, um documento com as principais conclusões do evento está sendo preparado pelos participantes.
O segundo evento foi realizado em Qingdao, também na província de Shandong, a cerca de 150 km de Rizhao, de 20 a 24 de outubro, com organização da C-MRS e da sociedade de pesquisa em Materiais de Taiwan (MRS-T). Consistiu, basicamente, de 4 palestras plenárias e 27 simpósios sobre materiais para energia e meio ambiente, materiais avançados estruturais e funcionais, materiais biológicos, e simulação, modelagem e caracterização de materiais.