Cientista em destaque: entrevista com Juliana Davoglio Estradioto.


Juliana Davoglio Estradioto
Juliana Davoglio Estradioto

Quando era pequena, Juliana Davoglio Estradioto sonhava em ser cantora. Hoje, com 18 anos, os projetos dela são outros: seguirá a carreira científica. Uma carreira que, na verdade, já começou. Quando tinha 15 anos, Juliana se deparou pela primeira vez com um artigo científico e conheceu um laboratório de pesquisa. A partir desse momento, em apenas três anos, ela conquistou dezenas de prêmios em competições e feiras de ciências (locais, regionais, nacionais e internacionais) para estudantes do ensino médio. Entre essas distinções, talvez a mais glamorosa seja a que a levará, em dezembro deste ano, a passar uma semana na Suécia junto a outros 24 jovens pesquisadores do mundo para participar da cerimônia de entrega dos Prêmios Nobel 2019 e das comemorações com os laureados, além visitar instituições e empresas da Suécia e apresentar seu trabalho a estudantes suecos, entre outras atividades.

Juliana nasceu e cresceu em Osório (RS), um município de 40 mil habitantes, localizado a 100 km de Porto Alegre, rodeado por lagoas, serras e mar. Ali, em 2015, depois de concluir o ensino fundamental em uma escola pública estadual, ela ingressou ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) –  campus Osório, que tinha sido inaugurado cinco anos atrás, para cursar o Curso Técnico em Administração Integrado ao Ensino Médio. Criados por lei sancionada em 2008, os Institutos Federais (IFs) são instituições públicas e gratuitas, ligadas ao governo federal, que se especializam na oferta de educação profissional e tecnológica desde o ensino médio até a pós-graduação. Atividades de extensão e pesquisa fazem parte da proposta dos IFs para todos os níveis.

Já em seu primeiro ano no IFRS, Juliana se entusiasmou com um projeto de extensão voltado à comunidade de agricultores familiares da região, com viés social e ambiental, coordenado pela professora Flávia Santos Twardowski Pinto. Inicialmente como voluntária e depois como bolsista do IFRS, Juliana acabou participando de três projetos envolvendo pesquisa e desenvolvimento ao longo dos três anos do ensino médio, sempre orientada pela professora Twardowski.

O primeiro trabalho de Juliana resultou não apenas no desenvolvimento de um plástico biodegradável feito com resíduos agrícolas disponíveis na região (casca de maracujá), mas também na criação de uma aplicação para esse material: uma embalagem para mudas que não necessita ser retirada antes do plantio. Por esse trabalho, Juliana recebeu várias distinções, como o 4º lugar em Engenharia Ambiental na maior competição de ciências do mundo para estudantes do ensino médio, a  Intel International Science and Engineering Fair (Intel ISEF), realizada em Los Angeles (EUA) em maio de 2017. Outro reconhecimento internacional importante foi a medalha de ouro obtida na Genius Olympiad, competição de projetos de ensino médio que abordam problemas ambientais e suas soluções, realizada em Oswego (EUA) em junho de 2018. Em nível nacional, a principal distinção recebida por Juliana pelo trabalho do plástico de maracujá foi o primeiro lugar da categoria Ensino Médio na 29 ª edição do Prêmio Jovem Cientista, outorgado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e entidades parceiras. O prêmio foi entregue no Palácio do Planalto em dezembro no ano passado, com a presença do Presidente da República e várias outras autoridades governamentais.

No final do ano passado, quando Juliana concluiu o ensino médio no IFRS, ela já tinha uma opção concreta para a graduação: uma bolsa para estudar na University of Arizona (EUA), recebida como prêmio na Intel ISEF de 2018, da qual participou com um trabalho de desenvolvimento de materiais adsorventes a partir de resíduos agroindustriais para remoção de corantes em suspensão aquosa. Agora, ela tem, no mínimo, mais uma opção, pois foi aprovada no vestibular do curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Irá ficar na terra natal? Seja qual for a decisão, o histórico da moça faz pensar que saberá aproveitar as oportunidades.

Veja nossa entrevista com Juliana.

Boletim da SBPMat: – Você acabou de concluir o Ensino Médio Integrado ao Técnico em Administração. Quando você ingressou ao curso, pensava atuar na área de administração? O que a levou a participar de projetos de pesquisa científica?

Juliana Davoglio Estradioto: – Para ingressar no IFRS – campus Osório precisa fazer um processo seletivo, e já antes do processo eu precisava optar entre Administração e Informática. Foi muito difícil fazer essa decisão com 14 anos e acabei optando pela Administração. Nunca imaginei que fosse fazer pesquisa e muito menos que seria em temáticas tão diferentes do que eu via em sala de aula. Acho Administração uma área muito importante, mas não me vejo atuando na área; agora que sou Técnica em Administração, acabei me apaixonando pela pesquisa!

Assim que eu ingressei no curso me interessei muito por um projeto de extensão rural pois minha família é muito envolvida com a área de agronomia. A coordenadora era a professora Flávia e tinha que fazer um processo de seleção para entrar no projeto. Lembro da adolescente de 14 anos que estava morrendo de nervosismo, mas muito animada com a possibilidade de fazer algo diferente das aulas teóricas, uma vez que os IFs oferecem várias oportunidades. Logo em seguida já estava sendo orientada pela professora Flávia e admirando o trabalho que ela faz.

Boletim da SBPMat: – Complementando a pergunta anterior, como/quando surgiu e se desenvolveu em você a vontade de ser cientista? A participação nas amostras e competições foi importante nesse processo?

Juliana Davoglio Estradioto: – Quando eu era criança eu gostava de subir em árvores, observar insetos e ficar em contato com a natureza. Contudo, ao longo da infância aprendemos a ser mais contidos e nosso espírito investigativo diminui. Então eu nunca tive a vontade de ser cientista apesar de ser curiosa quando era criança, meu sonho de infância era ser cantora! E por isso digo que a ciência me escolheu e não o contrário, jamais imaginei que ia ser algo pelo qual eu ia ser tão apaixonada. Quando entrei no Instituto Federal, me envolvi em projetos e tive uma professora que realmente me incentivou a seguir nessa área. O contato com a ciência me ajudou a enfrentar um momento pessoal difícil, me fez querer ser uma pessoa melhor e mais determinada, além de persistente enquanto cientista. A participação em feiras de ciências foi mais importante na minha construção pessoal e auxiliou no desenvolvimento das minhas habilidades comunicativas e empatia, enquanto que o convívio no laboratório e a vontade de pesquisar me mostraram que eu quero fazer isso para o resto da vida.

Boletim da SBPMat: – Sobre o desenvolvimento do plástico biodegradável a partir de resíduos de maracujá, conte-nos brevemente o caminho percorrido, da ideia até a realização do material e da aplicação. Você consultou muitos artigos científicos? Trocou ideias com outros pesquisadores? Quais laboratórios usou?

Juliana Davoglio Estradioto: – O projeto do plástico biodegradável a partir da casca de maracujá surgiu a partir de um problema que eu observei na minha região a partir do projeto de extensão rural que eu participei no primeiro ano do ensino médio: que a indústria de processamento de frutos gera resíduos, sendo que no maracujá os resíduos correspondem a 70% do fruto. Eu queria trazer uma utilização para essa casca e a professora Flávia foi essencial no papel de me motivar e instigar a ir atrás de uma solução. Conversamos sobre ideias para o aproveitamento da casca e então eu descobri o que eram os artigos científicos. Foi um susto pois eu tinha 15 anos e não havia tido contato com artigos até então. Os artigos são um meio de comunicação mais acadêmico e eu tinha que descobrir muitas coisas antes de conseguir ler eles, pois minhas aulas no ensino médio eram básicas e as técnicas voltadas para a administração. Precisei aprender muito sobre Química e Biologia antes de conseguir entender os artigos, conversei com outros pesquisadores e muito consultei minha orientadora. No meio do desenvolvimento do projeto (quando estava tudo dando errado ahahahaha), descobrimos por coincidência que a primeira orientadora da professora Flávia estava trabalhando com filmes plásticos biodegradáveis, a professora Simone Hickmann Flôres. Assim foi possível fazer um intermédio e utilizar alguns laboratórios do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul para fazer análises mais complexas, enquanto eu continuei fazendo a pesquisa no laboratório de panificação do IFRS – campus Osório (o único que tinha na época). Quando eu tive boas amostras de plástico, comecei a me questionar sobre a aplicação que poderia dar ao material. E foi aí que eu me lembrei justamente das visitas aos agricultores, em que eu tinha visto mudas envolvidas por um plástico preto (o polietileno de baixa densidade). Queria substituir esse material pelo meu plástico biodegradável e foi bem difícil até conseguir chegar em uma embalagem recipiente para mudas. O mais legal dessa aplicação é que a embalagem pode ser plantada junto com a muda, evitando a geração de lixo.

Boletim da SBPMat: – Em 2018 você começou a trabalhar em outro projeto ligado ao desenvolvimento de um material a partir de resíduos agrícolas, também coordenado pela professora Flávia. Poderia nos resumir do que trata esse trabalho e qual o status de desenvolvimento?

Juliana Davoglio Estradioto: – O projeto surgiu a partir da demanda de uma das maiores agroexportadoras da noz macadâmia aqui no Brasil, sendo que a noz está em ascensão no mercado mundial. O processamento do fruto para obter a noz que é comercializada gera um resíduo agroindustrial que é a casca de noz macadâmia. Essa casca normalmente é destinada a aterros sanitários ou para a combustão e produção de energia. O que eu queria fazer era uma aplicação biotecnológica, então minha hipótese foi se seria possível a utilização do resíduo agroindustrial da noz macadâmia na síntese de uma biomembrana polimérica. O projeto ainda está sendo desenvolvido e aprimorado, já consegui comprovar minha hipótese de forma positiva e estou buscando melhorar o aspecto das biomembranas.

Boletim da SBPMat: – A quais fatores e competências você atribui o sucesso que seus trabalhos tiveram em premiações nacionais e internacionais?

Juliana Davoglio Estradioto: – Acredito que minha vida seria completamente diferente se eu não tivesse estudado no Instituto Federal do Rio Grande do Sul, pois ele proporciona diversas oportunidades que infelizmente ainda não são ofertadas em outras escolas de ensino básico. Ter sido aluna do IF e orientada da professora Flávia fez com que minha visão sobre a educação e ciência mudassem, sou muito grata por entender o papel transformador que elas desempenharam na minha vida e em muitas outras realidades brasileiras.

Boletim da SBPMat: – A sua carreira em pesquisa científica começou com muitíssimo destaque. O que você pretende, do ponto de vista profissional, para os próximos anos ou para as próximas décadas da sua vida?

Juliana Davoglio Estradioto: – Pretendo continuar pesquisando nas áreas que sou apaixonada e ser uma cientista, gosto muito de ciências da natureza e acredito que nunca vá conseguir abandonar isso. Quero trabalhar com temáticas voltadas principalmente para a sustentabilidade, pois precisamos encontrar alternativas para o impacto que estamos causando em todos os ecossistemas. Contudo, além de ser uma pesquisadora, pretendo trabalhar com educação e divulgação científica.

Boletim da SBPMat: – Ao colocar seu nome no Google, a gente adivinha que a sua vida tem mudado bastante nos últimos tempos. São muitas entrevistas em todos os tipos de mídia, viagens, apresentações, premiações, formalidades, parabéns de políticos, conterrâneos e admiradores… Como você leva esta mudança?

Juliana Davoglio Estradioto: – É uma mudança muito positiva e representa muito para mim nesse momento, pois me sinto responsável pela divulgação de meninas que façam pesquisa no ensino médio. São atividades que me dão prazer e acredito que precisamos estimular outros jovens para que eles vejam a carreira científica como uma possibilidade e uma oportunidade.

Participação de jovens sócios da SBPMat em eventos internacionais sobre materiais para sustentabilidade.


O grupo da SBPMat na sede do Conselho da Europa. A partir da esquerda, Gisele Amaral-Labat (sócia SBPMat), Eduardo Neiva (sócio SBPMat), o professor Osvaldo Novais de Oliveira Jr (presidente da SBPMat), Kassio Zanoni (sócio) e Parinaz Akhlaghi (sócia).
O grupo da SBPMat na sede do Conselho da Europa. A partir da esquerda, Gisele Amaral-Labat (sócia SBPMat), Eduardo Neiva (sócio SBPMat), o professor Osvaldo Novais de Oliveira Jr (presidente da SBPMat), Kassio Zanoni (sócio) e Parinaz Akhlaghi (sócia).

Quatro sócios da SBPMat fizeram parte do seleto grupo de cerca de 30 jovens pesquisadores de diversos países que participou de dois eventos realizados na cidade de Estrasburgo (França), junto a outros 60 participantes. O grande assunto de ambos os eventos foi a inovação em materiais visando a uma sociedade sustentável e a uma economia global circular (ou seja, baseada na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e/ou energia). Os eventos foram organizados por várias sociedades de pesquisa em Materiais do mundo, a União Internacional de Sociedades de Pesquisa em Materiais (IUMRS) e outras entidades, com apoio da UNESCO.

Os bolsistas de pós-doutorado Eduardo Guilherme Cividini Neiva (atualmente professor em tempo integral na FURB e ex-pós-doc na UFPR), Gisele Amaral-Labat (USP), Kassio Papi Silva Zanoni (IFSC-USP) e Sedeyeh Parinaz Akhlaghi (UNICAMP) foram os jovens sócios da SBPMat que participaram dos eventos. Os quatro pós-docs foram selecionados dentre 20 candidatos no contexto do Prêmio para Jovens Pesquisadores da SBPMat. Eles ganharam o direito de participarem dos eventos (que não são abertos ao público) e as despesas de estadia. O prêmio foi realizado em parceria com a Sociedade Europeia de Pesquisa em Materiais (E-MRS).

O primeiro dos eventos foi o “Fórum para a Nova Geração de Pesquisadores 2017” (Forum for the Next Generation of Researchers 2017), ocorrido durante os dias 18 e 19 de novembro deste ano na sede do Centro Europeu da Juventude. O fórum reuniu diferentes gerações de pesquisadores em torno de temas de ciência e tecnologia para um mundo sustentável. O evento incluiu palestras de cientistas seniores, apresentação dos pôsteres dos jovens pesquisadores participantes e discussões entre todos. Além disso, todos os jovens cientistas participaram da elaboração de um relatório que foi apresentado no final do evento.

Na sequência, nos dias 20 e 21 na sede do Conselho da Europa, foi realizada a “6ª Reunião da Cúpula Mundial de Materiais” (6th World Materials Summit), na qual o assunto da inovação em materiais para a sustentabilidade e para a economia circular foi discutido por meio de palestras de cientistas de diversos países e mesas redondas.

De acordo com Kassio Zanoni, as discussões dos dois eventos mostraram uma visão acadêmica, política, social e ambiental acerca de temas ligados à sustentabilidade, bem como as perspectivas da pesquisa em Materiais nesse contexto. De acordo com os participantes da SBPMat, alguns dos temas abordados foram a conversão, armazenamento e distribuição de energia (solar, por exemplo); produção de baterias mais eficientes e menos poluentes; captura e reaproveitamento de dióxido de carbono; reciclagem de materiais; entre muitos outros.

O presidente da SBPMat, Osvaldo Novais de Oliveira Jr, professor do IFSC-USP, representou a SBMat no comitê internacional da cúpula e proferiu uma palestra sobre nanomateriais e suas aplicações no fórum.

Veja nossa entrevista com os jovens sócios da SBPMat que participaram dos eventos.

box parinazBoletim da SBPMat: – Falem um pouquinho sobre o trabalho que vocês apresentaram no “Fórum para a Nova Geração de Pesquisadores 2017”.

Eduardo Neiva: – Apresentei pôster referente ao meu trabalho de pós-doutorado, cujo tema envolveu a aplicação de nanocompósitos com grafeno na construção de dispositivos de armazenamento de energia.

Gisele Amaral-Labat: – A minha exposição em painel consistiu nas atividades que estão sendo desenvolvidas atualmente no meu pós-doutorado. O trabalho se baseia na utilização do resíduo da indústria de papel e celulose, o licor negro bruto, na síntese de espumas porosas de carbono em presença de níquel, para aplicação em células de combustível a etanol direto. A forma de síntese utilizada gera um produto com uma maior quantidade de resíduos além de um baixo custo frente aos eletrocatalisadores utilizados no mercado atual.

Kassio Zanoni: – Apresentei um pôster do trabalho que venho desenvolvendo durante o pós-doc, sobre maneiras e conceitos químicos para conversão de energia e sustentabilidade.

Parinaz Akhlaghi: – Apresentei meu trabalho de pós-doutorado (referente aos anos 2015-2017) na UNICAMP (Instituto de Química), no qual ainda trabalho, bem como parte do trabalho desenvolvido durante meu doutorado (2010-2014) na University of Waterloo (Depto. de Engenharia Química), no formato de um pôster intitulado “Preparation and Characterization of Novel Nanomaterials for Biomedical Applications”.

Boletim da SBPMat: – De que maneira a participação nestes eventos contribuiu para a formação de vocês?

Eduardo Neiva: – Diferentemente de outros eventos, tive a oportunidade de participar de discussões envolvendo temas de importância global. A participação nesse evento também resultará em futuras parcerias internacionais e nacionais, onde já no evento eu e a participante Gisele idealizamos projetos a serem desenvolvidos num futuro próximo.

Gisele Amaral-Labat: – Indubitavelmente, a participação nestes eventos foi de grande importância para a minha formação acadêmica, primeiramente devido ao tipo de evento, no qual um tema em comum é discutido por duas comunidades distintas, acadêmica e empresarial, permitindo conhecer as diferentes visões globais do assunto. Em segundo lugar porque gerou a possibilidade de colaboração com outros centros de pesquisas, incluindo pesquisadores jovens e seniores, nacionais e internacionais. Ademais, o evento possibilitou o conhecimento do trabalho dos outros jovens brasileiros e uma possível colaboração com o profissional Eduardo Guilherme Cividini Neiva está em andamento. O objetivo é sintetizar materiais sustentáveis de carbono para aplicação na área de estocagem de energia aproveitando as expertises dos dois profissionais.

Kassio Zanoni: – O evento propiciou encontros entre vários pesquisadores, aumentando nossas redes de colaborações. Foi muito interessante ouvir as distintas visões e trouxe muito crescimento profissional. Com certeza, foi muito produtivo, talvez o congresso mais produtivo do qual já participei.

Parinaz Akhlaghi: – Acredito que minha participação nestes eventos foi uma das experiências mais gratificantes e de maior influência em minha carreira como pesquisadora e como ser humano. Fui afetada de uma maneira extremamente positiva estando na presença de jovens pesquisadores como eu, bem como cientistas experientes, moldando minha visão de mundo (e meu futuro), minhas ambições e desejos na carreira acadêmica. Estar na presença de cientistas que admiro há muito tempo e poder dialogar com os mesmos foi muito frutífero em diversos aspectos. Todas as discussões foram profundas, apaixonantes e motivadores. Com certeza foi uma experiência compartilhada por outros jovens cientistas.

Boletim da SBPMat: – O que chamou mais a atenção de vocês nos eventos?

Eduardo Neiva: – O contato direto e prolongado com pesquisadores renomados.

Gisele Amaral-Labat: – Fiquei encantada com a receptividade dos pesquisadores seniores pelos jovens pesquisadores. Ademais, o evento mostrou uma relevante multidisciplinariedade dos profissionais e dos trabalhos apresentados.

Kassio Zanoni: – As distintas visões sobre um mesmo tema, que variam muito entre países distintos.

Parinaz Akhlaghi: – O que a princípio poderia ser um entrave, logo se mostrou algo extremamente prazeroso. Apesar da diferença de idade entre os principais cientistas (alguns acima de 70 anos) e os jovens pesquisadores (alguns com 25 anos de idade), a troca de informações fluiu naturalmente. De ambos os lados havia paixão ao falar sobre ciências (como um todo), assim como novos caminhos e alternativas para um futuro mais esperançoso e melhor.

 

Kassio Zanoni (primeiro plano) e outros jovens pesquisadores durante o 6th World Materials Summit.
Kassio Zanoni (primeiro plano) e outros jovens pesquisadores durante o 6th World Materials Summit.
Parinaz Akhlaghi apresentando seu trabalho sobre nanomateriais para aplicações biomédicas durante o fórum.
Parinaz Akhlaghi apresentando seu trabalho sobre nanomateriais para aplicações biomédicas durante o fórum.
Eduardo Neiva (na foto à esquerda) e Gisele Amaral-Labat (foto à direita) recebendo o certificado de participação nos eventos.
Eduardo Neiva (na foto à esquerda) e Gisele Amaral-Labat (foto à direita) recebendo o certificado de participação nos eventos.

 

 

Participação da SBPMat em eventos na China e integração com sociedades asiáticas.


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Banner de um dos eventos na China que contou com presença da SBPMat.

A SBPMat (B-MRS), representada por seu presidente, Osvaldo Novais de Oliveira Junior, esteve presente em dois eventos realizados na China no mês de outubro, organizados por sociedades de pesquisa em Materiais da Ásia e também pela sociedade europeia de pesquisa em Materiais. Os eventos foram o 5th World Materials Summit on Advanced Materials for Sustainable Society Development e a IUMRS International Conference in Asia (IUMRS-ICA). O presidente da SBPMat viajou a convite da sociedade de pesquisa em Materiais da China (C-MRS) e da International Union of Materials Research Societies (IUMRS). Além de participar dos dois eventos, o professor fez parte do comitê assessor internacional do primeiro, e o professor Roberto Mendonça Faria, ex-presidente da SBPMat e segundo vice-presidente da IUMRS, fez parte dos comitês assessores internacionais de ambos os eventos.

“As sociedades de pesquisa em Materiais na Ásia têm despendido grandes esforços para integração entre si, e com sociedades de outros lugares do mundo”, comenta o presidente da SBPMat, destacando o trabalho das MRS da China, Japão, Coréia do Sul e Cingapura. “Já há vários anos uma relação muito próxima da SBPMat com essas sociedades, que estarão representadas no nosso próximo encontro em Gramado, de 10 a 14 de setembro de 2017”, completa.

O “summit” foi realizado em Rizhao, província de Shandong, de 18 a 20 de outubro, e foi organizado pelas sociedades de pesquisa em Materiais da China (C-MRS), Europa (E-MRS), Coreia (MRS-K) e Japão (MRS-J), além da Associação de Ciência e Tecnologia de Rizhao. Trata-se de um evento anual, no qual cientistas, políticos e empreendedores convidados pela organização se reúnem para apresentar e discutir o assunto dos materiais avançados para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável, com foco em temas específicos em cada edição. Em 2016, os temas escolhidos foram energias renováveis, principalmente para veículos automotores, materiais para construção visando à sustentabilidade e materiais para engenharia oceanográfica.

De acordo com o professor Novais de Oliveira Junior, as conclusões mais relevantes do evento se referiram à necessidade de ações internacionais colaborativas, ressaltando-se o caráter único da Ciência e Engenharia de Materiais para resolver problemas cruciais da humanidade, graças à abordagem integrada, multifacetada e de sinergia entre experimento, teoria e simulação computacional que essa disciplina pode oferecer. Especificamente sobre os temas da quinta edição do evento, o presidente da SBPMat destacou a importância do desenvolvimento de baterias mais duráveis, de maior capacidade e seguras, e a necessidade de investigações sobre o mar e sobre materiais de construção civil. “A propósito, no “summit” foram apresentados dados de custos de manutenção de obras civis de grande porte, como pontes, viadutos e estradas, que apontam para uma grande demanda de materiais avançados, não só para reduzir os custos, mas também garantir sustentabilidade”, comenta o presidente da SBPMat. “Houve também excelentes apresentações de especialistas europeus a respeito da energia que se pode extrair de fontes renováveis no mar”, acrescenta. Conforme o professor, um documento com as principais conclusões do evento está sendo preparado pelos participantes.

O segundo evento foi realizado em Qingdao, também na província de Shandong, a cerca de 150 km de Rizhao, de 20 a 24 de outubro, com organização da C-MRS e da sociedade de pesquisa em Materiais de Taiwan (MRS-T). Consistiu, basicamente, de 4 palestras plenárias e 27 simpósios sobre materiais para energia e meio ambiente, materiais avançados estruturais e funcionais, materiais biológicos, e simulação, modelagem e caracterização de materiais.

SBPMat participa da realização de exposição itinerante sobre materiais e sustentabilidade.


Strange Matter Green Earth” é o nome do projeto de exibições itinerantes sobre Ciência de Materiais e sustentabilidade que percorrerão a América do Sul e do Norte e a Europa. Iniciativa da Materials Research Society (MRS), a exibição está sendo realizada com colaboração de entidades de vários países, entre elas, a SBPMat, cujo representante no projeto é o professor do Instituto de Física de São Carlos da USP Osvaldo Novais de Oliveira Junior.