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6th International Conference on Electroceramics – ICE2013.
6th International Conference on Electroceramics – ICE2013
João Pessoa, PB, Brazil, 9-13 November 2013
Chairs: R. Muccillo (IPEN), J. A. Varela (UNESP), J. A. Eiras (UFSCar)
The Brazilian MRS – SBPMat will organize the 6th International Conference on Electroceramics – ICE2013 to be held in João Pessoa, Brazil, 9-13 November 2013.
This conference is a forum for the exchange of ideas, advancement of the science, and discussions of the state-of-the-art in Electroceramics R&D, including Ferroelectrics, Piezoelectrics and Pyroelectrics, Thermoelectrics, Conductors (Ionic, Electronic and Mixed), Magnetic and Superconducting ceramics, Photonic and Electro-optical ceramics, Materials for Lithium Batteries and other Energy Storage Technologies, Applications to Solid Oxide Fuel Cells, Membrane Technology, Sensor and Actuator Devices, Solar Photovoltaic and Photoelectrochemical Cells, Interfacial Engineering and Superlattices, Magneto-electric coupling and Multiferroics, Modeling and Simulation.
Further information may be found in www.ice2013.net.
Prêmios para trabalhos em cerâmicas refratárias.
Pesquisas sobre cerâmicas refratárias realizadas no âmbito do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da UFSCar, no grupo coordenado pelo professor Victor C. Pandolfelli, foram contempladas com cinco prêmios durante 2012.
A mais recente das distinções foi outorgada em novembro de 2012 pela Associação Latino-americana de Fabricantes de Refratários (ALAFAR), no XXXVI ALAFAR Congress. Na ocasião, o artigo “High-performance nano-bonded refractories for a wide-temperature range” recebeu o prêmio de melhor trabalho na área de cerâmicas de altas temperaturas. São autores desse trabalho Mariana Braulio (doutora em Ciência e Engenharia de Materiais pela UFSCar), Jorge B. Gallo (gerente da área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Alcoa Alumínio S. A.), Jorivaldo Medeiros (pesquisador do CENPES-Petrobras) e Victor C. Pandolfelli.
“Embora os estudos envolvendo nanopartículas sejam hoje assuntos correntes, é raro o uso e domínio da técnica em larga escala e em produtos com preços compatíveis aos disponíveis no mercado”, explica o professor Pandolfelli. “Este estudo e desenvolvimento alia, portanto, o uso dos fundamentos científicos que possibilitam o uso de nanopartículas em materiais cerâmicos para alta temperatura (entre 800 e 1400°C) e o superior desempenho do produto obtido para uso na unidade de craqueamento catalítico de indústrias petroquímicas e calcinadores para a indústria de alumínio”, completa.
Outro trabalho premiado do grupo foi o artigo “Novel technological route to overcome the challenging magnesia hydration of cement-free alumina castables”, de autoria de Tiago M. Souza, que também é doutor em Ciência e Engenharia de Materiais pela UFSCar, Mariana A. L. Braulio e Victor C. Pandolfelli. O trabalho recebeu, em setembro deste ano, o Gustav Eirich Award 2012 – uma distinção outorgada pela empresa alemã Gustav Eirich Maschinenfabrik e o Centro Europeu de Refratários (ECRef) a trabalhos de pesquisa na área de materiais refratários. A avaliação dos trabalhos é realizada por um júri formado por profissionais europeus de indústrias, universidades e centros de pesquisas.
O artigos vencedores estão em processo de publicação em revistas internacionais.
Presidente e ex-presidentes da SBPMat são eleitos Membros Titulares da Academia Brasileira de Ciências.
A Assembleia Geral da Academia Brasileira de Ciências (ABC) elegeu 36 cientistas de excelência para integrar seus quadros como Membros Titulares e Membros Correspondentes. A cerimônia de posse ocorrerá no dia 7 de maio de 2013.
Entre os membros titulares eleitos, há três presidentes da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat): Roberto Mendonça Faria (USP), que é o presidente atual; José Arana Varela (Unesp), presidente de 2010 a 2011, e Elson Longo da Silva (Unesp), que presidiu a sociedade de 2004 a 2005. Os dois primeiros foram eleitos na área de Ciências Físicas e o terceiro, em Ciências Químicas.
Os novos membros da ABC foram eleitos em um processo de indicação e avaliação por pares que envolveu os membros titulares da academia.
Veja aqui notícia no site a ABC com a lista completa dos membros eleitos neste ano.

USP oferece novo programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais.
Estarão abertas, no período de 2 a 25 de janeiro de 2013, as inscrições para o curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciências de Materiais na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), campus de Pirassununga.
Os cursos compreendem as linhas de pesquisa de “Tecnologia de Polímeros Naturais” e “Materiais Cerâmicos e Compósitos”.
Aos alunos classificados no exame de seleção, o programa oferece bolsas de estudos distribuídas de acordo com as cotas disponíveis.
Período de Seleção: 4 a 6 de fevereiro de 2013.
Início das aulas: 25 de fevereiro de 2013.
Inscrições na página: http://www.usp.br/fzea/selecao2013.php
Boletim SBPMat – edição 3 – novembro de 2012
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Um aniversário da Engenharia de Materiais no Brasil: 40 anos do DEMa da UFSCar.
Em 1970, na recém-fundada Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), era criado o primeiro curso de graduação em Engenharia dos Materiais da América Latina.
O principal mentor e propositor desse curso foi o físico e químico Sergio Mascarenhas de Oliveira, então professor do Departamento de Física e Ciência de Materiais (DFCM) da Universidade de São Paulo (USP), que estava participando da criação da UFSCar. “Nesse momento eu vi que o Brasil, para se desenvolver tecnologicamente na indústria, saúde, agronegócio etc. precisava aproveitar melhor os materiais”, diz Mascarenhas a respeito do surgimento da ideia.
Na época, já havia alguns grupos de pesquisa no Brasil que estavam trabalhando em materiais poliméricos, cristais fotônicos e dielétricos (tema introduzido por Joaquim da Costa Ribeiro), entre outros tópicos. Havia também um curso de pós-graduação em Ciência de Materiais no Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro. “Havia pesquisa em Ciência de Materiais, mas o que interessava era a Engenharia de Materiais, pois era ela quem iria agregar as noções tecnológicas que geram riqueza para o país, por meio da criação de empregos e da exportação. A Ciência de Materiais tinha que se transformar em Engenharia de Materiais para gerar produtos, processos e serviços”, completa Mascarenhas.
Apoios e resistências
Entre outros colaboradores, ajudaram a elaborar o projeto do curso os físicos estadunidenses David Welch, da Universidade de Princeton, e Richard Williams, que foi um dos pioneiros no desenvolvimento de telas LCD no laboratório da empresa de eletrônica RCA (Radio Corporation of America). Mascarenhas destaca também o papel dos deputados Ernesto Pereira Lopes e Lauro Cruz, que, no contexto do regime militar, apoiaram a implantação legal da UFSCar e do curso de Engenharia de Materiais. “Os deputados também apoiaram a minha indicação dos professores Warwick Kerr e Ernesto Hamburger como membros do conselho universitário da UFSCar apesar de terem sido presos no regime militar, sem o que eu me consideraria impedido de continuar na Presidência do conselho como Reitor pro tempore para a implantação da universidade”, completa Mascarenhas.
De acordo com ele, a implantação da graduação em Engenharia de Materiais encontrou bastante oposição no Brasil, principalmente entre acadêmicos da Engenharia Metalúrgica e da Química, que não compartilhavam a ideia da necessidade do curso. Um documento da coordenação da graduação em Engenharia de Materiais relata que a criação do curso e a realização do primeiro vestibular da UFSCar foram motivos de reações e de denúncias junto ao Conselho Federal de Educação, com instauração de inquérito, por considerar-se que “era precipitado criar no Brasil um curso de engenharia na área de Materiais e que deveria ser mais um dos vários cursos de Engenharia Metalúrgica existentes”. O documento também mostra as polêmicas e resistências surgidas em torno da estruturação do currículo do curso.
Mas o vestibular para “Engenharia de Ciência de Materiais”, como foi inicialmente chamado o curso, foi realizado e, em 1974, trinta e quatro estudantes se formavam nessa carreira. Oswaldo Baptista Duarte Filho, reitor da UFSCar de 2000 a 2008 e atual prefeito de São Carlos, foi um dos alunos da primeira turma do curso, que estava formada, principalmente, por jovens da região. “Eu queria estudar engenharia, e tinha que ser em uma instituição pública porque meus pais não tinham recursos para pagar uma escola particular”, relata. “O curso da UFSCar foi uma das poucas oportunidades de aumento, na época, de vagas públicas no país”, completa o ex-aluno, que diz que, quando prestou vestibular, enxergava a Engenharia de Materiais como uma coisa de futuro, uma oportunidade de contribuir com o desenvolvimento de novos materiais.
Na inserção da Engenharia de Materiais na realidade socioeconômica do país, Mascarenhas destaca o papel do professor Vanderlei Sverzut, que organizou o programa de estágios para os graduandos do curso. “Sverzut foi muito importante no processo de integração universidade – empresas, que permitiu garantir a empregabilidade e o prestígio dessa engenharia, nova no Brasil”, diz Mascarenhas. José Octávio Armani Paschoal, outro aluno da primeira turma, que hoje preside o Instituto Inova, destaca o pioneirismo do DEMa – UFSCar em incluir, desde o início, na grade curricular do curso de graduação, a realização de estágios em empresas durante um semestre em tempo integral. Ele comenta que os estágios abriram inúmeras oportunidades de emprego aos jovens estudantes de Engenharia de Materiais e contribuíram para difundir ainda mais o curso junto às empresas. “Uma vez contratados, estes ex-alunos continuaram seus contatos com o DEMa e, em muitos casos, demandaram da UFSCar serviços especializados”, diz Paschoal. Ele acrescenta que a experiência dos estágios empresariais também influenciou o melhor direcionamento, com relação à inserção na indústria, dos temas de pesquisa de formados de Engenharia de Materiais que fizeram mestrados e doutorados no Brasil ou no exterior, e, em alguns casos, chegou a motivar a definição do tema em comum acordo com os representantes das empresas.
A criação do departamento
De acordo com as lembranças de Duarte Filho, os laboratórios começaram a chegar a partir do segundo ano do curso e os docentes da primeira turma eram professores-pesquisadores brasileiros da USP e Unicamp formados na área de Materiais em doutorados no exterior, e também professores estrangeiros de várias origens. “Lembro-me de docentes ingleses, indianos, chilenos e americanos”, diz Duarte Filho.
O ex-aluno Paschoal lembra da grande dificuldade, logo percebida pelos estudantes, de se instalar não apenas o novo curso de Engenharia de Materiais, mas também a universidade como um todo. “Foram necessários muitos anos de dedicação e exaustivos trabalhos, de toda comunidade acadêmica, para transformar uma linda fazenda numa das melhores universidades do país”, completa Paschoal.
Nesses primeiros anos, especialistas estrangeiros fizeram contribuições importantes a uma segunda fase de institucionalização da Engenharia de Materiais: a criação do departamento, que foi fundado em 1972 e nomeado como Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa). Ricardo Medrano e Egon Antonio Torres Berg foram os primeiros chefe e vice-chefe de departamento, respectivamente.
Na mesma época, em instituições de ensino superior da Europa e dos Estados Unidos, muitos nomes de departamentos de universidades estavam mudando de “Metalurgia” ou “Cerâmica” para “Ciência e Engenharia de Materiais”, incorporando a noção de que os materiais deveriam ser estudados pelos seus comportamentos e características, mais do que por suas classes (metais, cerâmicos).
Esse processo mundial de incorporação do conceito de Ciência e/ou Engenharia de Materiais ocorreu, de maneira pioneira, na Northwestern University, de Evanston (Illinois) nos Estados Unidos, que, em 1959, mudou o nome de seu departamento de “Metalurgia” para “Ciência dos Materiais”. Posteriormente, outras instituições consolidadas seguiram o mesmo caminho, como, em 1974, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Na UFSCar, os cientistas estrangeiros também assessoraram a equipe local na elaboração de projetos para obter financiamento, na criação de linhas de pesquisa, na formação doutoral e pós-doutoral de docentes do departamento no exterior a partir de 1973 e, finalmente, no estabelecimento de um programa de pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais, que ocorreu em 1979, impulsionado pela inexistência no país de especialistas nessa nova área.
Um artigo do professor José Roberto Gonçalves da Silva, que participou desde os primeiros tempos da implantação da Engenharia de Materiais na UFSCar e foi chefe do departamento de 1978 a 1981, cita alguns desses cientistas que assessoraram a UFSCar em seus primórdios: Rubens Ramalho, da Universidade Laval do Canadá; Jorge Sábato, da Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina; Marshal Frederick Merrian, da Universidade da Califórnia dos EUA, e Franz Richard Brotzen, da Universidade Rice dos EUA.
Inauguração do prédio principal do DEMa, ocorrida em 06/11/1986, com a presença do Ministro de Ciência e Tecnologia Renato Archer. Antes disso, as atividades do departamento eram realizadas na área sul do campus, onde hoje funcionam alguns departamentos do Centro de Educação e Ciências Humanas. Fotografias cedidas pelo DEMa-UFSCar para esta matéria.
Disseminação da Engenharia de Materiais no Brasil
Na década de 1970, apenas mais um curso de graduação em Engenharia de Materiais foi implantado, na atual Universidade Federal de Campina Grande. Na década de 1980, surgiram mais dois cursos de graduação, no IME (1982) e na Universidade Estadual de Ponta Grossa (1989). Atualmente, há mais de 40 cursos de graduação em Engenharia de Materiais. Só a UFSCar já formou mais de 1.700 engenheiros de Materiais. A pós-graduação do DEMa, por sua vez, já formou cerca de mil mestres e doutores.
Hoje, Sergio Mascarenhas de Oliveira considera que a área de Materiais no Brasil já atingiu maturidade. “Temos ciência, engenharia e educação para formar lideranças. E o governo enxerga a área como estratégica”, diz.
Sobre o impacto da Engenharia de Materiais na economia regional, o prefeito de São Carlos comenta que a cidade detém o título oficial de capital nacional da tecnologia. “Isso se deve, principalmente, à presença da USP e UFSCar”, diz Duarte Filho. “Na engenharia, a área de Materiais teve grande influência, pois muitas pessoas formadas aqui acabaram sendo empreendedoras ou profissionais de empresas de tecnologia em materiais”. São Carlos possui a maior densidade de doutores do Brasil e uma proporção de patentes por habitantes cinco vezes maior do que a média nacional.
Paschoal afirma que a área de Materiais, com o apoio e liderança do DEMa – UFSCar, foi uma grande geradora de empresas de base tecnológica. “A área também vem contribuindo permanentemente para o fortalecimento de empresas, seja com foco em setores estratégicos, como aeronáutica, saúde, óptica e fotônica, como também em setores mais tradicionais, com permanente necessidade de inovação, como o automobilístico, siderúrgico, metal-mecânico, de cerâmica e polímeros, e o agronegócio, entre outros”, menciona o presidente do Instituto Inova. De acordo com ele, atualmente, existem cerca de 250 empresas de base tecnológica em São Carlos, que surgiram a partir dos laboratórios das universidades, muitas com influência do DEMa.
Para saber mais.
- UFSCar. CCET. Coordenação do curso de graduação em Engenharia de Materiais. Projeto Pedagógico. Curso de graduação em engenharia de Materiais. São Carlos, setembro de 2004. Disponível aqui.
- José Roberto Gonçalves da Silva. Influências sobre o curso de Engenharia de Materiais da UFSCar. Jornal da Ciência (SBPC), 9 de maio de 2007. Disponível aqui.
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Chamada de propostas de simpósios prorrogada até 23 de novembro.
Está aberta até o dia 23 de novembro a chamada de propostas de simpósios para o XII Encontro da SBPMat. O evento será realizado em Campos do Jordão, no Convention Center, de 29 de setembro a 3 de outubro de 2013.
As propostas de simpósios para o evento de 2013 podem ser apresentadas por qualquer pessoa com título de doutor ligada a uma instituição de ensino e/ou pesquisa do Brasil ou do exterior. Todos os temas da área de Ciência e Engenharia de Materiais podem ser objeto de uma proposta de simpósio. Cada simpósio deverá formar um comitê científico para avaliar os trabalhos submetidos.
Interessados em propor simpósios devem preencher o formulário disponível no site da SBPMat e enviá-lo, por correio eletrônico, para o e-mail secretaria@sbpmat.org.br até o dia 23 de novembro de 2012. As propostas apresentadas serão avaliadas pela Comissão de Eventos da SBPMat, juntamente com os organizadores do XII Encontro, e submetidas à diretoria da Sociedade.
Os simpósios temáticos são, tradicionalmente, um eixo importante da programação dos eventos anuais da SBPMat. O encontro realizado em setembro deste ano contou com 16 simpósios, que tiveram 1.817 trabalhos aceitos para apresentações orais e pôsteres.
Formulário de proposta de simpósio para download: http://www.sbpmat.org.br/12encontro/formulario_proposta_simp_sbpmat2013.docx
Boletim SBPMat – edição 2 – outubro de 2012
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História da pesquisa em Materiais: Joaquim da Costa Ribeiro e o efeito termodielétrico.

Desde o ano passado, a SBPMat outorga, anualmente, uma distinção a um pesquisador de carreira destacada na área de Materiais, quem profere uma palestra durante o encontro anual da sociedade. O nome desse ato é “Memorial Lecture Joaquim Costa Ribeiro”, em homenagem a esse pioneiro da pesquisa experimental em Materiais no Brasil.
Neste ano, a distinção foi outorgada na noite da abertura do XI Encontro da SBPMat ao professor Sergio Mascarenhas, apresentado pelo presidente da SBPMat, professor Roberto Faria, como “uma pessoa que inspirou muitas gerações de jovens pesquisadores, principalmente na área de Materiais”.
Na sua palestra, sobre passado e futuro da pesquisa em Materiais no Brasil, Mascarenhas mostrou e comentou uma série de fotografias dos primórdios da pesquisa científica brasileira. Entre muitas imagens de físicos, brasileiros e estrangeiros, apareceu um engenheiro carioca, lembrado inicialmente pelo palestrante como seu primeiro professor de Física do Estado Sólido, “que era considerada pelos físicos uma disciplina para engenheiros”. Tratava-se, justamente, de Joaquim da Costa Ribeiro.

O efeito termodielétrico ou efeito Costa Ribeiro
Diplomado engenheiro civil e engenheiro mecânico-eletricista em 1928 pela Escola Nacional de Engenharia, Costa Ribeiro se tornou docente da recém-fundada Universidade do Brasil (atual UFRJ) e passou a formar parte do ambiente do Instituto Nacional de Tecnologia, que tinha um pouco mais de infraestrutura laboratorial que a universidade. Dessa maneira, Costa Ribeiro participou de duas das pouquíssimas instituições voltadas ao ensino e pesquisa de ciências que existiam no país na época.
Desde 1943, Costa Ribeiro trabalhou junto ao físico alemão Bernard Gross, que chegou ao Brasil em 1933 e organizou o primeiro curso de Física do Rio de Janeiro, dois anos depois. De acordo com o professor Mascarenhas, Costa Ribeiro e Gross, “gigantes da ciência brasileira”, podem ser considerados os pioneiros nacionais da Física da Matéria Condensada, disciplina que está entre os pilares da área de Materiais. Na época em que eles desenvolveram seus estudos, a pesquisa em Física no Brasil focava as áreas Nuclear e de Partículas, desenvolvidas por cientistas como Cesar Lattes, Mário Schenberg e Jayme Tiomno.
Inicialmente, Costa Ribeiro estudou novos métodos para medir radioatividade e aplicá-los a minerais brasileiros, conseguindo notáveis contribuições. Em seguida, passou a estudar materiais dielétricos (isolantes elétricos sólidos), como o naftaleno e a cera de carnaúba (palmeira típica da região nordeste do Brasil), e eletretos (sólidos com carga elétrica quase permanente).
Foi então que Costa Ribeiro observou pela primeira vez um efeito interessante, enquanto trabalhava com alguns materiais dielétricos. A fusão por aquecimento, sem aplicação de campos elétricos externos, fazia aparecer uma corrente elétrica no material isolante. Depois de solidificadas, as amostras permaneciam carregadas, constituindo eletretos. Em conclusão, para o eletreto se formar, bastava a natural solidificação do material dielétrico após ser derretido por aquecimento. Na lembrança de Bernard Gross, recuperada num artigo do professor Guilherme Leal Ferreira, essa primeira experiência foi realizada com cera de carnaúba.
A elucidação do fenômeno
Em entrevista dos Arquivos Históricos do CLE/Unicamp, realizada em 1988, os cientistas Jayme Tiomno e Elisa Frota Pessoa, que foram alunos de Costa Ribeiro e auxiliares dele na pesquisa do efeito termodielétrico, compartilharam suas lembranças sobre o processo que levou à elucidação do fenômeno. De acordo com eles, em 1943, Costa Ribeiro decidiu fazer o concurso de cátedra na Universidade do Brasil, para o qual tinha que preparar uma tese com uma pesquisa original. O professor seguiu então a sugestão de Bernand Gross de estudar eletretos orgânicos puros.
“Ele começou repetindo a preparação de eletreto usando naftaleno e observando suas propriedades. (…) Trabalhava intensamente, em geral à tarde e noitinha. Uma noite, após colocar o naftaleno fundido numa célula para solidificar e aplicar o campo elétrico, teve de interromper e sair. No dia seguinte retirou o disco sólido de naftaleno para fundir e recomeçar, mas resolveu examiná-lo ao eletrômetro. Era um eletreto!”
Mas esse ainda não era o efeito termodielétrico, e sim um efeito estático, segundo Tiomno, que descreveu: “Depois de preparar vários eletretos sem aplicação de campo elétrico externo, ele percebeu que o efeito era mais intenso quando o resfriamento era mais rápido – era um efeito da velocidade de solidificação. Construiu então uma aparelhagem engenhosa e de acabamento muito bem feito em que podia observar o movimento da interface do naftaleno líquido com o solidificado por resfriamento, medindo simultaneamente a velocidade de solidificação (ou fusão) e a intensidade da corrente elétrica detectada num eletrômetro de Wulf. Verificada a correlação dessas grandezas, estava descoberto o fenômeno termodielétrico ou efeito Costa Ribeiro”.
Divulgação da pesquisa
A primeira publicação de Ribeiro descrevendo o efeito data de 1943. Intitulada “Sobre a eletrização da cera de carnaúba na ausência de campo elétrico exterior”, a comunicação foi feita na forma de uma apresentação à Academia Brasileira de Ciências e, em seguida, num artigo publicado nos anais da instituição. Em 1945, o efeito termodielétrico foi objeto da tese apresentada por Costa Ribeiro à Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil no concurso para professor da cadeira de Física Geral e Experimental. Em 1953, a Academia Brasileira de Ciências lhe outorgou o Prêmio Einstein pelo efeito termodielétrico.

Na entrevista do CLE/Unicamp, Jayme Tiomno e Elisa Pessoa falam também sobre a divulgação do efeito no exterior. Segundo eles, ela começou a ser feita por Costa Ribeiro na Argentina, em reuniões da Associação Física Argentina em 1945 e 1948. Também em 1948, a convite da Universidade de Paris, Costa Ribeiro realizou na Sorbonne uma série de três palestras. Em 1951, um resumo de seu trabalho, que tinha sido publicado em inglês nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, foi indexado no “Physics Abstracts”. Em 1954, o cientista realizou nos Estados Unidos quatro palestras sobre suas pesquisas no Massachussets Institute of Technology, no Bureau of Standards (atual National Institute of Standards and Technology), na Yale University e na General Electric.
Em maio de 1950, os cientistas estadunidenses Everly J. Workman e Steve E. Reynolds publicaram um artigo no periódico Physical Review descrevendo o mesmo fenômeno, observado por eles na transição de fase entre a água e o gelo. Em consequência, o fenômeno da eletrificação de materiais isolantes na mudança de fase é citado na literatura com diversos nomes, ora “efeito Costa Ribeiro” ora “efeito Workman-Reynolds” ou, simplesmente, “efeito termodielétrico”.
O artigo do professor Leal Ferreira sobre o efeito Costa Ribeiro cita que hoje se sabe que o fenômeno da eletrização dos dielétricos gerada pela sua solidificação tinha sido mencionado no século XVIII por Stephen Gray, um dos pioneiros dos estudos experimentais em condução elétrica. Ferreira destaca nesse artigo que, muito além do mérito da prioridade da descoberta, existe o mérito da persistência de Joaquim Costa Ribeiro em estudar experimentalmente o efeito encontrado – mérito aumentado pelas precárias condições de trabalho existentes na época no Brasil.
Apesar de ter uma tendência a “se virar” sozinho, desde a construção de seus instrumentos laboratoriais até a interpretação dos resultados, Costa Ribeiro contou com colaboradores em seus estudos sobre o efeito termodielétrico. Tiomno, por exemplo, contribuiu bastante com a parte teórica, a ponto de merecer um agradecimento especial do professor na tese apresentada à Universidade do Brasil. Armando Dias Tavares e Sergio Mascarenhas também fizeram parte dos colaboradores e dos continuadores das pesquisas no tema.
Quanto às aplicações do efeito, Mascarenhas comenta que o fenômeno tem mais valor de ciência fundamental do que em aplicações tecnológicas, apesar de existir algumas aplicações, como a descrita em um artigo de 1968 sobre seu uso em radiômetros do setor aeronáutico (L.D. Russel and B.H. Beam, Journal of Spacecraft and rockets, vol. 5, pg. 1501, 1968). “Infelizmente, o efeito é pouco ensinado nos cursos tradicionais”, lamenta Mascarenhas.

Mais sobre Joaquim Costa Ribeiro
Casado com uma mulher francesa, a quem dedicou muitas de suas poesias, Costa Ribeiro foi pai de oito filhos. Para sustentar a família, numa época em que o professor universitário ganhava uns poucos salários mínimos, o cientista tinha vários empregos simultâneos. Dava aulas em diversas instituições e colégios.
Os colegas de trabalho e parentes o descrevem com adjetivos como estes: humanista, sereno, humilde, inventivo, autodidata, habilidoso com as mãos, intuitivo, inteligente e minucioso.

Muito católico, questionado por alunos seus sobre como conseguir conciliar religião e ciência, respondeu: “É simples, eu separo completamente. Quando estou na religião, estou na religião; quando estou na ciência, estou na ciência”
Além de suas contribuições científicas, Costa Ribeiro desempenhou papeis importantes na criação do CBPF (1949) e do CNPq (1951) e participou de várias iniciativas nacionais e internacionais sobre o uso da energia nuclear.
Faleceu em 1960 no Rio de Janeiro.
Saiba mais.
- G. F. Leal Ferreira. Ha 50 Anos: O Efeito Costa Ribeiro. Revista Brasileira de Ensino de Fsica, vol. 22, no. 3, Setembro, 2000. Disponível aqui.
- Arquivos históricos em História da Ciência. CLE-Unicamp. Acervo Joaquim da Costa Ribeiro. Disponível aqui.
- Arquivos históricos em História da Ciência. CLE-Unicamp. Depoimentos orais. Entrevista com Jayme Tiommo e Elisa Frota Pessoa. Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, 18 de maio de 1988. Disponível aqui.
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