Artigo em destaque: Uma máquina molecular para combater o câncer.

O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: A reversible, switchable pH-driven quaternary ammonium pillar[5]arene nanogate for mesoporous silica nanoparticles. Santos, ECS ; dos Santos, TC; Fernandes, TS; Jorge, FL; Nascimento, V; Madriaga, VGC ; Cordeiro, PS; Checca, NR; Da Costa, NM; Pinto, LFR; Celia Ronconi. J. Mater. Chem. B, 2020,8, 703-714. https://doi.org/10.1039/C9TB00946A

Uma máquina molecular para combater o câncer 

Em 2016, as menores máquinas já criadas pelo ser humano, as máquinas moleculares ou nanomáquinas, ganharam visibilidade com o Prêmio Nobel de Química. Essas máquinas de dimensões nanométricas, cujas peças são moléculas que realizam movimentos controlados, poderão ajudar a humanidade a realizar importantes tarefas na escala do diminuto.

Na área da saúde, uma dessas tarefas é o combate eficaz a células cancerosas sem danificar os tecidos saudáveis. Sabe-se que um dos principais problemas das terapias mais usadas atualmente é seu efeito adverso nos tecidos sadios – problema que tem levado muitos cientistas a desenvolver diferentes sistemas que possam levar os fármacos diretamente e sem vazamentos até as células cancerosas.

Na Universidade Federal Fluminense (UFF), a professora Célia Machado Ronconi e sua equipe científica trabalham há dez anos no desenvolvimento de nanomáquinas para o tratamento do câncer. Em seu pós-doutorado, realizado entre 2003 e 2005, a cientista aprendeu sobre máquinas moleculares na University of California, Los Angeles (UCLA), em um dos laboratórios mais qualificados do mundo no assunto, o grupo de pesquisa de Sir James Fraser Stoddart, quem, anos depois, seria laureado com o Prêmio Nobel mencionado no início desta matéria junto a Jean-Pierre Sauvage e Bernard L. Feringa.

Em artigo recentemente publicado no Journal of Materials Chemistry B, a professora Célia Ronconi, sua equipe e colaboradores, todos de instituições brasileiras, apresentaram uma nova nanomáquina composta por um reservatório de fármacos e uma tampa. A máquina é capaz de abrir ou fechar a tampa respondendo a mudanças na acidez do meio no qual se encontra.  Quando o pH do meio é similar ao do sangue de um ser humano saudável (meio fisiológico), a tampa permanece fechada, impedindo a saída do fármaco. Quando o pH é mais ácido, como ocorre no entorno de células cancerosas, a tampa abre e o fármaco é liberado. Em testes in vitro (em laboratório), a nanomáquina carregada com uma conhecida droga quimioterápica demonstrou ser mais eficaz do que o fármaco puro na eliminação de células de câncer de mama, destruindo 92% delas em 48 horas.

O destaque desta figura mostra um zoom da nanomáquina carregada com o fármaco (bolinhas verdes), com um dos nanocanais do reservatório e a sua nanotampa fechada, impedindo a saída da droga.
O destaque desta figura mostra um zoom da nanomáquina carregada com o fármaco (bolinhas verdes). No zoom é possível distinguir um dos nanocanais do reservatório fechado pela sua nanotampa, impedindo a saída da droga.

Com essas características, a nanomáquina desenvolvida na UFF mostra potencial para aplicação na entrega de fármacos quimioterápicos em células cancerosas. “Os resultados deste trabalho foram extremamente promissores”, diz a professora Ronconi. “Porém, ainda há muito a ser estudado. As próximas etapas do trabalho serão testar a nanomáquina carregada com o fármaco em outras linhagens de células de câncer de mama, pois nós testamos apenas para uma linhagem (MCF-7). Também testaremos a toxicidade do dispositivo sem o fármaco em células sadias e, se os resultados forem positivos, serão feitos estudos in vivo, usando nesses ensaios camundongos alterados geneticamente para ter o sistema imune deficiente”, comenta.

Montagem e funcionamento da nanomáquina

Para cumprir a função de reservatório, o grupo da UFF sintetizou nanopartículas esféricas de sílica mesoporosa de cerca de 85 nm de diâmetro. Além de ser biocompatível, esse material tem a particularidade de ter uma estrutura interna similar a um favo de mel, com um conjunto de nanocanais de até 4 nm de diâmetro, nos quais as moléculas do fármaco podem ser armazenadas. As nanopartículas foram recobertas com grupos carboxil (- COOH) que melhoraram a interação do reservatório com a sua tampa. Para a tampa, os pesquisadores escolheram o pilarareno, uma molécula artificial formada por cinco anéis aromáticos ou arenos, cuja primeira síntese data de 2008 na literatura científica.

Na montagem e operação da nanomáquina, as interações eletrostáticas de atração controladas pelo pH do meio foram as grandes aliadas da equipe científica da UFF. De fato, conforme confirmaram os pesquisadores em seus experimentos, em uma solução com pH de 7,4, que representa a acidez do sangue saudável, os grupos carboxil (-COOH) que recobrem o reservatório perdem um próton formando grupos carboxilato (-COO-), negativamente carregados, os quais interagem eletrostaticamente com a tampa positivamente carregada. Dessa maneira, a atração eletrostática aproxima as duas peças da nanomáquina até impedir a saída do fármaco. Ao diminuir o pH, ou seja, ao tornar a solução mais ácida, os grupos carboxilato (-COO-) ganham prótons, neutralizando sua carga. Em consequência, a atração eletrostática entre a tampa e o reservatório se desfaz, a tampa abre e o fármaco é liberado.

Funcionamento da nanomáquina carregada com o fármaco (bolinhas cor de rosa).À esquerda, o pH fisiológico mantém as tampas fechando os nanocanais do reservatório e impedindo o vazamento do fámaco. À direita, o meio mais ácido gera o afastamento das tampas e o fármaco é liberado.
Funcionamento da nanomáquina carregada com o fármaco (bolinhas cor de rosa). À esquerda, em pH fisiológico, as tampas fecham os nanocanais do reservatório. À direita, o meio mais ácido gera o afastamento das tampas e o fármaco é liberado.

Nos experimentos realizados, o grupo da UFF conseguiu liberar a droga quimioterápica parcialmente (34%) em um pH de 5,5 (provavelmente similar ao do entorno de células cancerosas) e quase totalmente (91%) em um meio com acidez de 2,0. Todos os experimentos foram realizados a uma temperatura de 37 °C, similar à do corpo humano.

História do trabalho 

Desde 2009, ano em que se tornou professora da UFF e montou o Laboratório de Química Supramolecular e Nanotecnologia, a professora Célia Ronconi tem trabalhado nas diversas fases do desenvolvimento de diferentes nanomáquinas e sistemas de transporte e liberação de fármacos, utilizando estímulos químicos, magnéticos e luminosos. Durante o doutorado de Evelyn da Silva Santos, sob orientação de Ronconi, um protótipo de nanomáquina foi desenvolvido usando material disponível no mercado. Entretanto, novos estudos realizados depois da defesa do doutorado, que ocorreu em 2018, mostraram que as nanopartículas usadas como reservatórios formavam aglomerados no meio fisiológico (a solução que emula o sangue nos experimentos). Dessa forma, a professora Ronconi envolveu o pós-doc Thiago Custódio dos Santos e a doutoranda Tamires Soares Fernandes no desenvolvimento de um novo material. “Eles deram continuidade ao projeto e sintetizaram um material com excelente dispersão no meio fisiológico e o dispositivo foi refeito, bem como os estudos de liberação do fármaco”, conta a professora. Os testes biológicos da nanomáquina foram realizados no grupo de carcinogênese molecular do INCA, por meio dos pesquisadores Luis Felipe Ribeiro Pinto e Nathália Meireles da Costa, e da técnica Fernanda Jorge. O estudo também contou com a participação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) na caracterização dos materiais por técnicas de microscopia, realizada no Laboratório Multiusuário de Nanociência e Nanotecnologia (LABNANO). A pesquisa recebeu financiamento das agências CNPq (Projeto Universal), CAPES (Bolsas de Estudo) e FAPERJ (Programas Instituições Sediadas no RJ e Cientista do Nosso Estado).

Os autores principais do trabalho. A partir da esquerda: Evelyn Santos, Thiago Custódio, Tamires Soares e Célia M. Ronconi.
Os autores principais do trabalho. A partir da esquerda: Evelyn Santos, Thiago Custódio, Tamires Soares e Célia M. Ronconi.

SBPMat subscreve manifestação da SBPC sobre o pronunciamento do Presidente da República a respeito da pandemia de Covid-19.

A SBPMat e dezenas de entidades científicas subscreveram uma manifestação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) sobre o pronunciamento que o Presidente da República realizou no dia 24 de março sobre a pandemia de Covid-19. A manifestação foi publicada no dia seguinte, 25 de março.

Veja a manifestação e a lista de entidades que a endossam, aqui.

B-MRS & ICEM: update on Corona Virus.

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Owing to the uncertainties related to the COVID-19, and in order to reduce the risk of hampering the health of our community, the Organizing Committee, the Executive Board of the B-MRS and the IUMRS decided to postpone the 2020 B-MRS and the IUMRS/ICEM meetings.
The conferences are now scheduled to happen from August 29th until September 2nd, 2021, in the city of Iguassu Falls, at the Rafain Convention Center.
All participants will be asked to resubmit their abstracts following a new schedule to be released.

SBPMat endossa carta ao ministro de MCTIC pedindo liberação de recursos do FNDCT para compromissos já assumidos do CNPq.

A SBPMat e mais de 90 entidades científicas endossam carta enviada ao ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, solicitando liberação dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) que deveriam ser destinados a investimento do CNPq para cumprir compromissos já assumidos, inclusive do programa INCTs e do Edital Universal. Orçados em R$ 79,3 milhões, os recursos aparecem zerados no Plano Anual de Investimentos.

A carta foi iniciativa da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Veja a íntegra da carta e a lista de entidades que a endossam, aqui.

Fórum de sociedades científicas brasileiras convocado pela SBPC discutiu situação da ciência e estratégias para 2020, com participação da SBPMat.

Cerca de 80 representantes de sociedades científicas brasileiras se reuniram no dia 11 de março na sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na cidade de São Paulo, para participar do Fórum das Sociedades Científicas Afiliadas à SBPC. A SBPMat foi representada por sua presidente, professora Mônica Cotta. “A SBPMat endossa as propostas apresentadas na reunião”, diz Cotta. 

Na reunião, avaliou-se o momento atual da pesquisa no Brasil, além de discutir e definir estratégias e ações das sociedades científicas para ciência, tecnologia, inovação e educação em 2020. O fórum contou com apresentações de dirigentes das principais agências de fomento do País sobre estratégias e planos para 2020: João Filgueiras de Azevedo, presidente do CNPq; Benedito Guimarães Aguiar Neto, presidente da Capes, e André Luiz de Godoy, diretor de administração da Finep e presidente substituto da agência.

Saiba mais sobre os assuntos e propostas discutidos ou definidos na reunião, nesta notícia do Jornal da Ciência.

Saiba mais sobre as apresentações dos dirigentes do CNPq, Capes e Finep, nesta outra notícia do Jornal da Ciência.

Pós-doutorado com bolsa Petrobras no ITA em métodos para testes de estanqueidade.

Local de Execução: Laboratório de Plasmas e Processos – LPP do Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA (www.lpp.ita.br).
Descrição do Projeto: Desenvolvimento de novas metodologias para testes de estanqueidade em tubulações de trocadores de calor
O projeto consiste no estudo da dinâmica de vazamentos em microfuros através de simulações computacionais, e a posterior proposição e teste de novas metodologias para detecção e análise quantitativa de vazamentos simulados em protótipos laboratoriais.
Implementação da Bolsa: Imediata
Duração da Bolsa: 24 meses (a partir de março de 2020)
Valor da Bolsa: Mensalidade de R$ 4.600,00
Requisitos do Candidato:
Desejável Doutorado e Graduação em áreas experimentais envolvendo os seguintes assuntos/áreas:
– Engenharia de Materiais / Metalurgia / Mecânica
– Ensaios não destrutivos
– Testes de Estanqueidade
– Automação de sistemas de medidas
– Matlab, LabVIEW, SolidWorks, COMSOL
Candidaturas:
Enviar e-mail para lpp@ita.br:
– Carta de Apresentação (1 página)
– Currículo Lattes (link + PDF)
– Desejável 2 Cartas de Recomendação (ex-orientadores, ex-professores, ex-chefes, etc…)
Cronograma:
Envio dos currículos: até 20/03/2020 (por e-mail conforme acima)
Entrevistas: 20-30/03/2020 (por Skype ou pessoalmente no ITA)
Resultado da seleção: 31/03/2020 (divulgado por e-mail)
Contato:
Prof. Argemiro Soares da Silva Sobrinho (Coordenador) (12) 3947-5940 – argemiro@ita.br
Prof. Douglas Marcel Gonçalves Leite (12) 3947-5938 – leite@ita.br

 

Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP) assina texto sobre ciência brasileira publicado em coluna da Folha de São Paulo.

Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior
Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior

O professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP), sócio e ex-presidente da SBPMat, é autor de texto publicado na Folha de São Paulo, no blog Darwin e Deus (coluna do jornalista de ciência Reinaldo José Lopes) sobre o sucesso e impacto da ciência brasileira. No texto, o professor descreve três tipos de conhecimento resultantes da ciência e destaca a importância de se aumentar a quantidade de cientistas e de profissionais treinados em ambientes de pesquisa para poder atender as demandas da população brasileira.

Veja aqui o texto na coluna de Reinaldo José Lopes.

Segue a íntegra do texto do ex-presidente da SBPMat:


A maior prova do sucesso da ciência brasileira está no Palácio do Planalto. Não fosse pela excelência da medicina brasileira, resultado de décadas de trabalho científico, o presidente da República hoje seria outro.

Sem a competência dos médicos de Juiz de Fora que atenderam prontamente o então candidato após o episódio da facada, bem como dos médicos em São Paulo que realizaram as demais cirurgias, o Presidente Bolsonaro, ainda que sobrevivesse, não teria se recuperado tão rapidamente a ponto de já estar trabalhando normalmente pouco tempo depois do atentado.

A conexão entre fatos que alteram os rumos do País e a ciência brasileira não me parece ter sido feita ainda. Provavelmente porque não se analisou em detalhe o impacto das diferentes formas de conhecimento que a ciência cria.

Fazer ciência gera conhecimentos de três tipos. O mais visível e tangível é o conhecimento que gera, num prazo relativamente curto, tecnologia e soluções para a humanidade. É o conhecimento transferido de cientistas para inovadores de tecnologia, o que no Século XXI tem sido feito majoritariamente pelas grandes potências tecnológicas, ou seja, os Estados Unidos, a China e outros países asiáticos, e alguns países da Europa. Aqui, o termo majoritário é essencial, pois não basta ter ciência e tecnologia de qualidade, a transferência de conhecimento só ocorre efetivamente quando há volume de pesquisas, produtos e soluções.

Os dois outros tipos de conhecimentos são menos visíveis para a sociedade em geral. Um é o conhecimento oriundo da curiosidade e perseverança dos humanos em entender como funciona o universo, sem preocupação se haverá alguma aplicação prática. Muitas vezes, a aplicação até existe, mas só vai ficar evidente muito tempo depois de o conhecimento ter sido gerado. O exemplo talvez mais emblemático para os dias de hoje é a teoria da Relatividade de Einstein. Ela foi criada com uma concepção abstrata, incompreensível mesmo para cientistas da época, para explicar fenômenos da natureza que não tinham correlação com o cotidiano das pessoas.

Até onde sei, Einstein nunca aventou a possibilidade de uma aplicação direta para a sua teoria. Pois bem, a Teoria da Relatividade é hoje essencial para os sistemas de posicionamento (GPS). Sem levar em conta a Teoria da Relatividade, a determinação da posição de uma pessoa ou objeto na Terra estaria errada por cerca de 10 km com os erros acumulados em uma semana de funcionamento do GPS. Em suma, sem Teoria da Relatividade não existiria o GPS e tampouco os sistemas de navegação que utilizamos no nosso cotidiano.

O terceiro tipo de conhecimento tem tão pouca visibilidade que se confunde com o resultado de formação universitária. É o conhecimento que não leva diretamente a novas tecnologias, mas serve para absorver e adaptar tecnologias, desenvolver soluções locais e permitir um funcionamento de alto nível dos sistemas que dependem de tecnologia. Este tipo de conhecimento é incorporado pelos profissionais qualificados formados nas universidades de pesquisa.

O que nem sempre é compreendido é que profissionais com esse nível de habilidade e competência só podem ser treinados em ambiente em que se faz ciência. Em medicina, para ficar no exemplo inicial, a incorporação e o aprimoramento de novas tecnologias são normalmente feitos por médicos com formação sofisticada, com pós-graduação e participação ativa em programas de pesquisa conduzidos em universidades de excelência.

Para aqueles que consideram esse terceiro tipo de conhecimento pouco relevante, ressalto que os países com melhor qualidade de vida e maiores índices de desenvolvimento não estão na lista dos que geram mais tecnologia. Refiro-me aos países escandinavos e outros como a Suíça e Luxemburgo que, pelo tamanho de sua população, não têm porte para gerar muita tecnologia – comparativamente aos países maiores produtores de tecnologia. Entretanto, sem qualquer exceção, todos esses países com alta qualidade de vida têm alta densidade na geração de conhecimento do terceiro tipo, com ciência de excelência.

E o Brasil? Nosso país tem exemplos marcantes de geração de conhecimento do primeiro tipo, com ciência proporcionando tecnologia competitiva mundialmente em setores como o aeronáutico, a extração de petróleo em águas profundas e o agronegócio. Outros setores têm criado tecnologias relevantes, ainda que com menor impacto econômico.

Infelizmente, a despeito da qualidade da ciência realizada nesses setores, a densidade é baixa e geramos muito pouca tecnologia quando se consideram as dimensões do País e sua população. Isso se explica pelo tamanho reduzido de nosso sistema científico. A despeito do grande avanço nas últimas décadas, o número de cientistas por habitante ainda é muito menor do que o de países desenvolvidos. Nesse quesito, o Brasil não aparece na lista dos 20 países mais bem colocados.

Uma situação semelhante ocorre no conhecimento orientado ao desenvolvimento de soluções locais, que classifiquei como de terceiro tipo. O Brasil forma profissionais excelentes em suas universidades de pesquisa, que por sua vez incorporam novas tecnologias e criam soluções para a sociedade em muitas áreas. Disso resulta a excelência do País em áreas como medicina e saúde, engenharia, agricultura e pecuária, e em muitas outras.

Novamente, temos o problema da densidade: o número de profissionais formados, e sua atuação na geração de conhecimento, são insuficientes para beneficiar toda a população do Brasil. Esta insuficiência está na raiz da nossa desigualdade, pois a produtividade no trabalho, extremamente baixa, depende essencialmente de um bom funcionamento de tecnologias que demandam conhecimento desse terceiro tipo, em que a oferta de profissionais capacitados é insuficiente.

Resumindo, o problema no Brasil não é de baixa qualidade da ciência que se realiza aqui, mas da baixa densidade de cientistas e profissionais com formação adequada para atender as demandas da sociedade. Além de trazer a percepção errônea de falta de qualidade, a baixa densidade de fato dificulta (quando não impede) que um País atinja excelência em tópicos que requerem esforços concentrados de grande monta. Não é por outra razão que o Brasil é competitivo em tecnologias, como as já mencionadas, em que há densidade de pesquisadores formados a partir de políticas públicas iniciadas há décadas.

Tenho a expectativa de que nossos governantes, em todos os níveis, percebam os benefícios diretos e indiretos de um sistema científico robusto e de qualidade. Nem que seja para sua sobrevivência na eventualidade de precisarem de atendimento de saúde adequado. Porém, principalmente para realizar o sonho de transformar o Brasil em um país menos desigual.


 

Vaga para Pós-Doutorado na UFABC – Bolsa FAPESP.

Área de conhecimento: Física/Química de materiais

Nº do processo FAPESP: 2017/02317-2

Título do projeto: Síntese e caracterização de propriedades físicas de perovskitas de haletos

Pesquisador: Dr. Jose Antonio Souza

Unidade/Instituição: Universidade Federal do ABC – Campus Santo André

Data limite para inscrições: 30/04/2020

Localização: Avenida dos Estados, 5001 – Bairro Santa Terezinha – Santo André, São Paulo.

E-mails para inscrições: (joseantonio.souza@ufabc.edu.br)

As atividades de pesquisa estão relacionadas ao projeto temático “Interfaces em Materiais: Propriedades Eletrônicas, Magnéticas, Estruturais e de Transporte”, sob coordenação do Prof. Adalberto Fazzio (LNNano, CNPEM – Campinas). O supervisor do pós-doutorado será o Prof. Jose Antonio Souza da Universidade Federal do ABC (UFABC), Santo André – São Paulo.

Pretende-se desenvolver pesquisas envolvendo síntese e caracterização das propriedades físicas de perovskitas híbridas orgânico/inorgânico de haletos do tipo ABX3 (onde A = Cs, CH3NH3, etc.; B = Pb, Sn, etc.; e X = Cl, Br ou I). Esses materiais vêm sendo amplamente estudados devido às suas propriedades favoráveis à conversão de energia solar. A compreensão dos fenômenos físicos envolvendo as propriedades estruturais, morfológicas, ópticas e elétricas são de grande interesse científico neste projeto. Dessa forma, síntese desses materiais na forma de bulk e/ou filmes finos e/ou heteroestruturas e/ou quantum dots e o estudo das propriedades físicas são de interesse. A pesquisa será desenvolvida na Universidade Federal do ABC – Campus Santo André.

A oportunidade está aberta igualmente a candidatos brasileiros e estrangeiros com título de doutor, no Brasil ou no exterior, em áreas relacionadas ao tema proposto. É imprescindível que o candidato tenha alguma experiência internacional, além de publicações nas áreas correlatadas ao projeto em revistas de relevante impacto internacional.

Os seguintes documentos são necessários para candidatura:

  1. Carta solicitando inscrição no processo e contextualizando o interesse na pesquisa/grupo.
  2. Curriculum vitae, apresentando a experiência acadêmica do candidato e a lista de trabalhos publicados em periódicos. O currículo deve ser submetido em formato eletrônico pdf (Portable Document Format), onde os artigos devem ser identificados pelo DOI;
  3. Documento que comprove que é portador de título de doutor;

Para avaliação das propostas será levado em consideração o histórico de pesquisa do candidato. No que se refere à análise curricular, não será considerado somente o número de publicações do candidato, mas também sua qualidade e relevância. Adicionalmente, os candidatos serão convocados para uma entrevista presencial ou online com o supervisor para avaliar aderência das áreas de experiência do candidato aos temas de pesquisa relacionados ao projeto.

A implantação da bolsa está condicionada à aprovação do candidato selecionado pela FAPESP. Caso a decisão seja referendada pela FAPESP, o candidato selecionado receberá bolsa no valor de R$ 7.174,80 mensais e reserva técnica equivalente a 15% do valor anual da bolsa, destinada a realizar apenas despesas diretamente relacionadas à atividade de pesquisa. Mais informações sobre a bolsa podem ser obtidas no endereço eletrônico: www.fapesp.br/bolsas/pd.

O candidato deverá enviar toda a documentação via e-mail para o endereço eletrônico acima com o título “Fellowship PD – Application”. O prazo para envio das inscrições se encerra em 30/04/2020. Serão consideradas as inscrições em que todos os documentos tenham sido recebidas impreterivelmente até a meia-noite do dia 30/04/2020, no horário de Brasília (UTC-3, horário de brasileiro de verão).

 

Concurso para professor da UnB em estrutura eletrônica de átomos e moléculas.

a) Vaga para Professor de Magistério Superior (Adjunto ‘A’ / Nível 1 / Classe A)
b) Área de Conhecimento: Estrutura Eletrônica de Átomos e Moléculas; Teoria.
c) Requisito Básico: Doutorado em Física, Química ou Ciência de Materiais.
d) Departamento de Lotação: Instituto de Física.
e) Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva – D E.
f) Vagas: 01 (uma) vaga.
A inscrição é feita, exclusivamente, via internet, a partir do dia 24/02/2020 até às 23h59 do dia 27/03/2020.
O Professor Fábio Ferreira Monteiro (fmonteiro@unb.br) é o responsável pelo Concurso.