XXIV B-MRS Meeting: o evento em números

Participantes efetivos

2.177 participantes

Novo recorde!

Gênero dos participantes

Masculino: 56,1%

Feminino: 43,4%

Outros: 0,5%

Posição dos participantes

Estudantes de graduação: 19,7%

Estudantes de pós-graduação: 39,5%

Pesquisadores profissionais: 40,8%

Países dos participantes

31 países da América do Sul, Europa, América do Norte, África e Ásia.

Participantes do Brasil

de 24 estados, representando todas as regiões.

Apresentações

2.278 contribuições apresentadas

-6 palestras plenárias

-1.533 pôsteres, 566 apresentações orais e 149 apresentações convidadas, distribuídas em 27 simpósios temáticos

-24 pôsteres, apresentações orais e apresentações convidadas, distribuídas em 2 workshops

Mais de 110 pesquisadores de 14 países organizaram os simpósios e workshops.

Minicursos de domingo

10 minicursos

Sessões especiais de terça-feira

10 sessões especiais

– 2 painéis de discussão (Mulheres na Ciência e Sustentabilidade)

– 1 palestra sobre Empreendedorismo e Deep Techs

– 2 palestras sobre Publicação Científica

– 5 palestras técnicas sobre Técnicas de Caracterização

Mostra de jovens cientistas

10 estandes com alunos de escolas públicas de ensino médio apresentando trabalhos de seus Clubes de Ciências

Exposição

35 expositores na feira

Prêmios

60 prêmios concedidos aos participantes do evento:

-1 Prêmio José Arana Varela, destinado a um(a) pesquisador(a) de uma instituição brasileira com carreira consolidada;

-1 Prêmio para Cientista Mulher em Início de Carreira;

-40 Prêmios Bernhard Gross para estudantes, concedidos aos melhores trabalhos apresentados em cada simpósio;

-6 prêmios da ACS Publications e 6 prêmios da RSC para estudantes, destinados aos melhores trabalhos estudantis de todo o evento;

-2 Prêmios Physica B para Jovens Pesquisadores e 1 menção honrosa, voltados para as melhores apresentações de estudantes de graduação em todo o evento;

-3 Prêmios de Divulgação Científica, concedidos aos melhores vídeos curtos para redes sociais.

 

Em memória – Professor T. Randall Lee

Fotografia tirada no dia 30 de setembro de 2024 no final da palestra plenária do Prof Randall Lee no XXII B-MRS Meeting, realizado em Santos.

[Texto enviado por sócia da SBPMat]

É com grande tristeza que compartilho a notícia do falecimento, ocorrido no dia 6 de outubro, do Professor T. Randall Lee — ou, para aqueles que tiveram a sorte de conviver com ele, simplesmente Randy.

Randy era professor da Universidade de Houston, mas acabou se aproximando muito do Brasil por seu trabalho como Deputy Editor da revista ACS Applied Nano Materials. Eu o conheci em 2018, quando ele me convidou para trabalhar com ele na editoria da revista, então recém-lançada. A partir daí, nossa convivência foi se tornando cada vez mais próxima e, ao longo dos anos, Randy passou também a ser uma presença frequente e muito querida nos encontros da SBPMat.

Ele se encantava com a qualidade da ciência que encontrava nos eventos brasileiros e tinha sempre uma palavra atenciosa para estudantes e pesquisadores. Foi plenarista no evento de Santos e abraçou com entusiasmo a ideia de um número especial da revista dedicado a autores da América do Sul, que foi lançado no ano passado. Era sua forma de reconhecer e dar visibilidade à ciência que se fazia por aqui.

Esta é uma perda muito dolorosa para todos que tivemos a oportunidade de conhecê-lo. Randy não era apenas um grande cientista e pesquisador; era, acima de tudo, uma pessoa humana ímpar. Um professor profundamente querido por seus estudantes, que se revezaram para cuidar dele quando esteve isolado durante a pandemia de COVID-19. Uma pessoa generosa, que compartilhava seu conhecimento e sua experiência sem reservas, sempre disposta a orientar, apoiar e abrir caminhos para quem estava ao seu redor.

Eu, pessoalmente, aprendi muito com Randy — sobre ciência, sobre a vida acadêmica e, sobretudo, sobre a importância de tratar as pessoas com generosidade e respeito.

A ACS Applied Nano Materials fará um editorial comemorativo em sua homenagem, celebrando suas contribuições para a revista e sua trajetória científica. Será uma pequena forma de preservar sua memória e de reconhecer o legado que deixou entre nós. Mas, certamente, nenhuma homenagem será capaz de preencher a falta que Randy fará a todos nós.

Profa. Monica Cotta (UNICAMP)

Nota de solidariedade pelos incêndios na UFPE

A Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) lamenta profundamente os incêndios recentes ocorridos nas dependências da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que atingiram prédios e laboratórios de pesquisa científica.

Além do inegável prejuízo material em equipamentos de pesquisa, esta tragédia atinge trabalhos científicos com perda irreparável de amostras acumuladas por décadas.

A SBPMat apoia todas as investigações destinadas a esclarecer as causas dos incêndios, se solidariza com os pesquisadores e alunos afetados e espera que o poder público restabeleça as condições de trabalho o mais breve possível.

XXIV B-MRS Meeting Awards and Prizes

B-MRS Early Career Woman Scientist Prize

It recognizes the best work presented within the oral sessions of the B-MRS Meeting symposia by a woman with a PhD degree at the beginning of her scientific career. Sponsored by the journal Electronic Materials (MDPI).

 

 

Winner: Larissa Tessaro.

 

Bernhard Gross Student Awards

Established by B-MRS in honor of Bernhard Gross, a pioneer of Brazilian materials research. It distinguishes the best oral and poster contributions presented by students in each symposium.

 

 

Symposium A – Poster – Tais Ribeiro. Zinc phthalocyanine-conjugated mesoporous silica nanoparticles improve sonodynamic therapy in a hybrid experimental model under low-frequency ultrasound.

Symposium A – Oral – Eduarda Rios Baranda. Tuning lipid composition to control mucus interactions in hybrid nanoparticles for nose-to-brain delivery.

Symposium B – Poster – Gustavo da Silva Diniz. Cu doped TiO₂ coating on a Ti-30Nb-5Mo alloy deposited by micro-arc oxidation: topographical and property analysis.

Symposium B – Oral – Paula Cristine Rocha Corsato. High-Density Millifluidic Electrochemical Device: a Set of Advances to Enable Anticancer Drug Susceptibility Testing in Daily Practice.

Symposium D – Poster – Vanessa Bayerl. Engineering Optical Properties of ZnO Nanoparticles via Controlled Sol-Gel Synthesis Parameters.

Symposium D – Oral – Pedro Henrique de Laras Sanches. Cholesteric ordering in lanthanide-doped cellulose nanocrystals films for circularly polarized emission.

Symposium E – Poster – Adrian Lincoln Paz Silva. Reduced Graphene Oxide as an Alternative to MoS₂ in Ion-Gating Transistors for Hydrogen Evolution Reaction.

Symposium E – Oral – Lorenzo Conti Serra. Photophysical Investigation on Optically Active Materials for Molecular Design Optimization.

Symposium F – Oral – Laís Fernanda Medeiros Ruela. Advancing Sustainable Optoelectronics with Lead-Free Antimony Perovskite Nanocrystals for Efficient UV LEDs.

Symposium G – Oral – Guilherme Boenny Strapasson. How composition controls exsolution dynamics in high-entropy spinel oxides.

Symposium H – Poster – Yasan Isa. From slip systems to abnormal grain growth: a crystal plasticity-based microstructure history framework.

Symposium I – Poster – Sara Kierulff Balabram. Hydrophobic natural deep eutectic solvents (HNADES)-derived mango leaf extracts incorporated into alginate-based inks for 3D printing of functional biomaterials.

Symposium I – Oral – Paloma SauraTirolti. Masked stereolithography (mSLA)-based bioprinting of photocrosslinkable hydrogels for complex cell-laden structures.

Symposium J – Poster – Maria Alice de Quadros. Luminescent hybrid of Ugi-modified titanate nanotubes coordinated to Eu³⁺ for Zn²⁺ sensing applications.

Symposium K – Oral – Guido Arthur Fabre. Controlling LSCO Synthesis: From Nominal Stoichiometry to Effective Composition.

Symposium L – Poster – Ismael de Assunção Rodrigues. Development of AlPO-c/Clay Heterostructures for Rhodamine-B Adsorption in Aqueous Medium.

Symposium M – Oral – Leonardo Jesus de Campos. Reactive Flash Sintering of Na₃Zr₂Si₂PO₁₂ solid electrolytes.

Symposium N – Poster – Brenda Koch. Surface electronic structure and reaction pathways for CO₂ photoreduction: a DFT study of ZnO, g-C₃N₄, and MXenes materials.

Symposium N – Oral – Isabelle Leão Gomes. Theoretical approach for enhancing ZnO-based sensors: Effects of humidity.

Symposium O – Poster – Slanna Larissa Cista Matias. pH-Driven Defect Engineering and Optical Modulation in Ho-Doped ZnO Nanostructures for Enhanced Photocatalytic and Antibacterial Performance.

Symposium O – Oral – Mariana A. Dotta. Tuning Small Polaron–Mediated Charge Transport in Hematite through Dopant-Driven Local Structural Engineering.

Symposium P – Poster – Patrick Ruam Bredow Côrtes. Changes in Local Hydrophobicity by Adding Functional Groups to Graphene.

Symposium P – Oral – Carla Requena Klimpovuz. Multifunctional MoS₂/Gold nanoparticles nanoarchitected thin films: from green hydrogen production to advanced sensing.

Symposium Q – Poster – Pâmela Macchion. Applied circular economy: post-consumer polyurethane sponges for CO₂ capture via modification with polypyrrole.

Symposium Q – Oral – Letícia Verdelli Sousa. Structural and Thermal Characterization of PVA-PAA Hydrogel Networks aiming the Restoration of Metallic Cultural Heritage.

Symposium R – Oral – Gabriel Alves de Deus. Titanium Surface Modification by Cold Plasma for Silver Nanoparticle Deposition Toward Antimicrobial Dental Implants.

Symposium S – Poster – Camila Desiderio Fernandes. Electrochemical Polypyrrole Functionalization of STM Tips toward Improved Atomic-Scale Imaging.

Symposium S – Oral – Gabriel Marques Jacobsen. Low-field optical polarization in type-II quantum dots via nuclear-driven dark state mixing.

Symposium T – Poster – Wenderson Rodrigues Fialho da Silva. High-Sensitivity PEDOT:PSS-Coated Magnetoelastic sensor for Wireless Humidity Sensing.

Symposium T – Oral – Leonardo H. Hasimoto. Mechanically Robust, Flexible, Foldable, and Stretchable Laser-Induced Graphene Electrodes for Electrochemical Biosensing in Artificial Sweat.

Symposium U – Poster – Túlio Henrique Kill de Carvalho. Unveiling the role of Eu³⁺/Eu²⁺ in the chromatic evolution and charge transfer in Pr³⁺/Eu³⁺-doped fluorophosphate glasses.

Symposium U – Oral – Aminu Habib Adamu. Synthesis and Magneto-Optical Properties of Ce-Substituted Yttrium Iron Garnet Single Crystals via Glass-Ceramic Crystallization for Nonreciprocal Photonic Applications.

Symposium V – Oral – Natan Luis Nozella. Unraveling Humidity- and Frequency-Dependent Charge Transport in Eumelanin via Nonlinear Electrical Stimuli.

Symposium W – Poster – Maria Clara Hasper de Souza. Loading ZnO nanoparticles into PLA/TPS blend for active antibacterial packaging.

Symposium W – Oral – Leonardo Semensato. Textile-based colorimetric using calcium alginate/anthocyanins wet-spun fibres for shrimp freshness.

Symposium X – Poster – Evandro Augusto do Canto Duarte. Development of doped hydrochar in one-step.

Symposium X – Oral – Rita Rafael. Development of aerogels for biostimulants encapsulation.

Symposium Z – Poster – João Victor Pastorin de Carvalho. Synthesis of Photoelectrocatalysts from MOF MIL-53(Fe) for Ammonia Production.

Symposium Z – Oral – Fabio A Pires. Bridging Materials and Application: A Self-Sufficient Modular Platform for Solar Water Splitting.

Symposium AA – Poster – David Alexandro Graves. Electrochemical and Statistical Optimization of Polyaniline-Coated Carbon Fiber Felt Electrodes for High-Performance Supercapacitors.

 

ACS Publications Student Prizes

Sponsored by journals of ACS Publications, a division of the American Chemical Society. Prizes for the best student contributions of all the event.

 

 

Poster – Gustavo da Silva Diniz. Cu doped TiO₂ coating on a Ti-30Nb-5Mo alloy deposited by micro-arc oxidation: topographical and property analysis.

Poster – Maria Alice de Quadros. Luminescent hybrid of Ugi-modified titanate nanotubes coordinated to Eu³⁺ for Zn²⁺ sensing applications.

Poster – Túlio Henrique Kill de Carvalho. Unveiling the role of Eu³⁺/Eu²⁺ in the chromatic evolution and charge transfer in Pr³⁺/Eu³⁺-doped fluorophosphate glasses.

Oral – Leonardo H. Hasimoto. Mechanically Robust, Flexible, Foldable, and Stretchable Laser-Induced Graphene Electrodes for Electrochemical Biosensing in Artificial Sweat.

Oral – Natan Luis Nozella. Unraveling Humidity- and Frequency-Dependent Charge Transport in Eumelanin via Nonlinear Electrical Stimuli.

Oral – Fabio A Pires. Bridging Materials and Application: A Self-Sufficient Modular Platform for Solar Water Splitting.

 

RSC Student Prizes

Sponsored by journals of the Royal Society of Chemistry. Prizes for the best student contributions of all the event.

 

 

Poster – Wenderson Rodrigues Fialho da Silva. High-Sensitivity PEDOT:PSS-Coated Magnetoelastic sensor for Wireless Humidity Sensing.

Poster – Patrick Ruam Bredow Côrtes. Changes in Local Hydrophobicity by Adding Functional Groups to Graphene.

Poster – David Alexandro Graves. Electrochemical and Statistical Optimization of Polyaniline-Coated Carbon Fiber Felt Electrodes for High-Performance Supercapacitors.

Oral – Guilherme Boenny Strapasson. How composition controls exsolution dynamics in high-entropy spinel oxides.

Oral – Carla Requena Klimpovuz. Multifunctional MoS₂/Gold nanoparticles nanoarchitected thin films: from green hydrogen production to advanced sensing.

Oral – Gabriel Marques Jacobsen. Low-field optical polarization in type-II quantum dots via nuclear-driven dark state mixing.

 

Physica B Prize for Young Researchers

Prizes for the best undergraduate oral presentation and poster of all the event. Sponsored by the jornal Physica B – Condensed Matter (Elsevier).

 

 

Poster – Prize – Amanda dos Santos Perrilo.

Oral – Prize – Lorenzo Conti Serra.

Poster – Honorable mention – Raquel de Godoy Vianna.

 

Prêmio de Divulgação Científica da SBPMat

Patrocinado pela Arqueatec. Prêmios para os melhores vídeos curtos para público leigo produzidos por participantes do evento.

 

 

1º lugar: Sara Luiza Gusso – estudante de doutorado (USP). Vídeo.

2º lugar: Fernanda Pavani Silva – estudante de mestrado (USP). Vídeo.

3º lugar: Giovani Garcia de Souza – estudante de graduação (UNICAMP e CNPEM). Vídeo.


The photos of the Closing and Awards Ceremony are available here.

Boletim da SBPMat: 163ª edição

 

 

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Edição nº 163. 23 de setembro de 2026.

Entrevista: Prêmio José Arana Varela

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Ana Flávia Nogueira, professora da UNICAMP e diretora do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE), é a homenageada neste ano com o Prêmio José Arana Varela, outorgado pela SBPMat a um pesquisador ou pesquisadora de instituição brasileira, de carreira consolidada, que se destaca pelos resultados científicos ou tecnológicos alcançados na área de Materiais e afins e/ou pelas contribuições à nossa comunidade de pesquisadores. Ana Flávia vai receber a distinção em Curitiba, no dia 30, durante o XXIV B-MRS Meeting. Na ocasião, ela vai proferir uma palestra sobre células solares de perovskita. A trajetória desta cientista da nossa comunidade é marcada por contribuições de impacto ao desenvolvimento de materiais para tecnologias fotovoltaicas emergentes. Além disso, ao longo da sua carreira, foi constante a sua atuação em favor da visibilidade internacional da pesquisa latino-americana e da interação academia – indústria. Saiba mais na entrevista que ela concedeu ao Boletim da SBPMat, disponível aqui.

Artigos da comunidade

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Um estudo realizado por pesquisadores da UFF, CBPF, UFRJ e UFJF traz novas possibilidades para o desenvolvimento de materiais baseados em estruturas metalorgânicas (MOFs). Essas estruturas, que foram objeto do Prêmio Nobel de Química em 2025, têm sido utilizadas com sucesso em diversas aplicações. Uma delas é a captura de dióxido de carbono, que evita que esse gás se acumule na atmosfera e permite utilizá-lo como matéria-prima na produção de compostos com valor industrial. Neste trabalho, os autores desenvolveram um material híbrido capaz de adsorver dióxido de carbono, formado por um MOF baseado em cobre e um líquido iônico, o qual foi usado como meio para que ocorram as reações entre os metais e os ligantes orgânicos. Eles observaram que o líquido iônico, além de atuar como solvente, foi capaz de modificar a estrutura e as propriedades do MOF. O resultado foi a formação de uma rede bidimensional com espécies derivadas do líquido iônico na superfície, as quais geraram interações intensas com o dióxido de carbono. Por meio da integração entre técnicas experimentais e cálculos teóricos, o trabalho demonstrou que o uso de líquidos iônicos pode induzir estruturas distintas e funcionalidades adicionais em MOFs. A abordagem abre novas perspectivas para o design desses materiais. Acesse o paper.

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Um novo estudo realizado por pesquisadores da UFSCar, USP, Unesp e UNILA contribui para a otimização de materiais para implantes. Os autores usaram um tratamento de baixo impacto ambiental e baixo custo (a oxidação eletrolítica a plasma) para modificar a superfície de três materiais baseados em titânio (elemento cujo uso em implantes está consolidado). O tratamento produziu revestimentos micrométricos formados por nanocompósitos de óxidos. Depois disso, os cientistas estudaram as propriedades de cada um dos materiais, com e sem revestimento, visando entender seu potencial para aplicação em implantes. Eles constataram que o tratamento elevou significativamente a resistência das amostras à corrosão. Além disso, observaram que a topografia porosa e rugosa do revestimento otimizou a adesão de osteoblastos (células responsáveis pela formação de ossos) aos materiais, promovendo a sua potencial integração com tecidos ósseos. Entre as amostras estudadas, a liga Ti-40Nb-40Zr revestida apresentou o melhor desempenho. Acesse o paper.

Deseja divulgar um artigo científico destacado, da área de materiais e com significativa participação de autores de instituições brasileiras? Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

XXIV B-MRS Meeting
Curitiba (PR), 27 de setembro a 1º de outubro de 2026

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Aplicativo. Está disponível para download o aplicativo do evento, aqui.

Programa completo. O programa completo do evento, com as informações de todas as apresentações e atividades, está disponível aqui.

Programa resumido. O programa resumido do evento está disponível no site, aqui.

Pesquisadores mirins. Alunos de escolas públicas do Paraná vão apresentar trabalhos da sua autoria desenvolvidos em Clubes de Ciência nos dias 29 e 30 de setembro, das 14h00 às 16h00, no lounge do centro de convenções.

Prêmios. Os vencedores dos prêmios para participantes (prêmios para estudantes, para mulher em início de carreira e de divulgação científica) serão revelados na Cerimônia de Encerramento, no dia 1º de outubro às 12h30. Para receber os prêmios, os vencedores devem estar presentes na cerimônia.

Hospedagem. Disponibilizamos uma lista com algumas opções de hotéis em Curitiba, aqui.

Local. O evento será realizado no Centro de Convenções Cruzeiro do Sul Conecta (antigo UP Experience), que fica dentro do campus da Universidade Positivo, na cidade de Curitiba. Endereço: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300.

Chairs. Os coordenadores gerais desta edição do evento são os professores Gregório Couto Faria (IFSC-USP) e Paula Cristina Rodrigues (UTFPR).

ATENÇÃO: O XXIV B-MRS Meeting NÃO tem agência de viagens autorizada. Previna-se contra golpes e fraudes.

Oportunidades

– Processo seletivo para ingresso no mestrado do Programa de Pós-graduação em Ciências com ênfase em Física de Materiais da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Inscrições abertas até 8 de novembro. Saiba mais.

Deseja divulgar uma oportunidade da área? Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

Eventos da área

– XXIV B-MRS Meeting. Curitiba (PR). 27 de setembro a 1º de outubro de 2026. Site.

– 12th International Workshop on High Resolution Depth Profiling. Bento Gonçalves (RS). 5 a 9 de outubro de 2026. Site.

– XIII Latin American Workshop on Magnetism, Magnetic Materials and their Applications (XIII LAW3M). Natal (RN). 19 a 23 de outubro de 2026. Site.

– 26º Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais (CBECIMAT 26). Florianópolis (SC). 22 a 26 de novembro de 2026. Site.

– 13th International Conference of the African Materials Research Society (AMRS 2026). Nairóbi (Kenya). 5 a 10 de dezembro de 2026. Site.

– II Reunião de Usuários de Nêutrons (II RUN). São Paulo (SP). 26 a 28 de janeiro de 2027. Site.

– Materials for Sustainable Development Conference – Latin América (MATSUS-LATAM27). Cartagena das Índias (Colômbia). 1º a 3 de fevereiro de 2027. Site.

– XXV B-MRS Meeting. Fortaleza (CE). 12 a 16 de setembro de 2027.

Deseja divulgar um evento da área para a comunidade da SBPMat? Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

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Entrevista com Ana Flávia Nogueira, distinguida pela SBPMat com o Prêmio José Arana Varela

Quando estava na graduação, Ana Flávia Nogueira teve a chance de ver um dispositivo gerando eletricidade a partir da luz do Sol. Ela se encantou com o fenômeno e pouco depois, no mestrado, já estava trabalhando em uma pesquisa disruptiva com células solares. Esse foi o início de uma trajetória científica marcada por diversas incursões pelo mundo dos materiais para tecnologias fotovoltaicas emergentes.

Trinta anos se passaram desde então e, hoje, a professora Ana Flavia é uma referência internacional na área, autora de artigos científicos pioneiros que contam com centenas de citações e de publicações em algumas das revistas de maior impacto em Materiais e Energia.

Nascida em Bragança Paulista, no estado de São Paulo, em 1973, ela se formou no Bacharelado em Química pela Universidade de São Paulo (USP) em 1996 e obteve os diplomas de mestre e doutora em Química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 1998 e 2001, respectivamente.

Foi pesquisadora de pós-doutorado no Imperial College London (Reino Unido) entre 2001 e 2002 e na USP em 2003 e 2004. Ainda em 2004, tornou-se professora do Instituto de Química da Unicamp, onde criou, no ano seguinte, o Laboratório de Nanotecnologia e Energia Solar (LNES), o qual ela coordena até agora. Mais de 70 trabalhos de pesquisa de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado foram orientados por ela nestes 22 anos.

Em 2016, foi uma das coordenadoras do XV B-MRS Meeting, realizado na cidade de Campinas (SP).

Entre 2017 e 2018, foi pesquisadora visitante na Stanford University (Estados Unidos). Em 2020, ganhou o Brazilian Women in Chemistry and Related Sciences Award, promovido pela American Chemical Society (ACS) e a Sociedade Brasileira de Química (SBQ), na categoria “liderança na academia”. Em 2022, foi eleita membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) na área de Ciências Químicas e Fellow da Royal Society of Chemistry.

Em 2025, foi nomeada membro do comitê gestor do Fundo Setorial de Energia (CT-Energ), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, enquanto representante da comunidade científica. No final desse ano, Ana Flávia ganhou o Prêmio de Reconhecimento Acadêmico “Zeferino Vaz” da Unicamp pelo seu destaque na docência, pesquisa e extensão no Instituto de Química.

Atualmente, além de ser professora e pesquisadora da Unicamp, Ana Flávia é diretora do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE), centro de pesquisa constituído pela Fapesp e a Shell em 2018. O CINE reúne mais de 250 pesquisadores de onze instituições em torno de projetos destinados a aprimorar tecnologias sustentáveis para a geração e armazenamento de energia renovável. A cientista também atua como editora associada em três prestigiosos periódicos: Journal of Materials Chemistry C e Materials Advances, ambos da Royal Society of Chemistry, e Materials Today Chemistry, da Elsevier.

Neste ano, a SBPMat elegeu esta cientista da nossa comunidade para receber o Prêmio José Arana Varela, destinado a pesquisadores destacados que atuam no Brasil. Como parte da distinção, a professora Ana Flávia vai proferir uma palestra plenária sobre células solares de perovskita, no dia 30 de setembro, dentro do XXIV B-MRS Meeting.

Saiba mais sobre Ana Flávia e a sua frutífera e inspiradora trajetória profissional, nesta entrevista que ela concedeu ao Boletim da SBPMat.

Conte-nos o que a levou a se tornar uma cientista.

Eu posso dizer que eu sempre fui uma criança muito curiosa, pelo menos de acordo com os relatos da minha mãe. Era curiosa para tudo. A minha mãe conta que, assim que chegava carta em casa, eu ia lá e abria, por pura curiosidade. E eu sempre perguntava o porquê. Então, acho que foi natural eu querer saber mais das coisas, querer pesquisar. No segundo colegial, decidi que queria estudar Química na universidade. Eu estudava num colégio de madres e a professora que dava aula de Química era uma freira espanhola. Ela era muito divertida, muito engraçada, e com ela eu me apaixonei pela Físico-química. Como ela falava enrolado e não tinha uma boa didática, eu tinha que estudar sozinha. Aí, eu entendia a matéria e, no dia seguinte, eu explicava o conteúdo para meus colegas. Foi assim que, com 16 para 17 anos, decidi que queria fazer Química.

Naquele momento você já se enxergava como uma futura pesquisadora?

Naquele momento, eu não pretendia fazer mestrado, doutorado, pós-doutorado. Eu sempre gostei de estudar, mas nada foi muito planejado na minha vida. Naquela época, a gente deixava a vida nos levar, a gente ia fazendo as coisas que a gente gostava e as oportunidades iam aparecendo… Então, depois do colégio, eu passei no vestibular da USP, da UNESP e da Unicamp, mas optei pela USP, por São Paulo. A pós-graduação foi um caminho meio que natural, porque, logo no final do primeiro ano, eu já comecei a fazer iniciação científica com a professora Viktoria Klara Lakatos Osório, que tinha sido uma das alunas mais brilhantes do Instituto de Química. Ela sabia muita, muita Química. Eu continuei até o fim do curso fazendo iniciação no laboratório da Viktoria. Com meu jeito de ser, eu sempre conversava com todo mundo no corredor, perguntava o que eles faziam e tal. E “vivia” na salinha dos alunos de pós-graduação. Era muito engraçado, porque eles falavam que eu não podia sentar ali, que só teria uma mesa quando fosse aluna da pós, mas eu era amiga de algumas das estudantes e vivia nessa sala. Então, eu acho que ver o trabalho delas, ter contato com a pós-graduação muito cedo, logo no primeiro ano, isso fez uma diferença. Eu me apaixonei pela pesquisa, e aí foi natural depois seguir para o mestrado.

Como foi que você começou a trabalhar com células solares?

E eu gostava muito de ver coisas aplicadas, não queria fazer pesquisa fundamental. Sempre estava questionando: “por que eu estou estudando isso?”, “qual a aplicação disso?”, “por que isso é importante?”. E às vezes a gente tem sorte, né? Teve um dia que eu estava lá no IQ-USP e vi o professor Carlo Bignozzi, da Universidade de Ferrara, na Itália, que tinha uma colaboração com a professora Neyde Yukie Murakami Iha. Ele estava mostrando um protótipo grande de célula de TiO2 sensibilizado por corante, que a gente chamava de “célula TiO2 corante”. Era um dia de sol e ele colocava a célula num banco ao sol e a tapava com uma folha de vez em quando. Aí a gente via no voltímetro que a célula estava gerando eletricidade a partir da luz solar. Aquilo me fascinou, a conversão de energia luminosa em eletricidade. E é um tema de pesquisa que tem muita Química Inorgânica, que eu gostava muito. Então, decidi que queria estudar Materiais no mestrado. Mas a USP não era forte em Materiais naquela época. Os principais químicos de materiais estavam em São Carlos, ou na Unicamp. Eu lembro que eu tive uma conversa com o professor Henrique Toma, do IQ-USP, e ele falou que na Unicamp eu iria encontrar várias pessoas que trabalhavam com Química do Estado Sólido/ materiais, como os professores Marco-Aurélio de Paoli, Fernando Galembeck e Oswaldo Alves. E eu achei uma boa ideia conhecer uma outra universidade e uma outra cidade. Depois disso, numa reunião da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), na qual eu fui apresentar meus trabalhos de iniciação científica, eu vi o próprio professor Marco-Aurélio de Paoli. Eu me apresentei e falei que estava pensando em fazer mestrado na Unicamp. Aí ele falou sobre um projeto em células TiO2 corante – o mesmo tipo de célula que eu tinha visto lá nos corredores do IQ-USP nas mãos do professor Carlo Bignozzi. O Marco estava fazendo um sabático de seis meses na Alemanha naquele momento, estudando essas células. Então, quando ele voltou à Unicamp, ele precisou de alguém para começar o projeto de células solares e eu passei na seleção para fazer mestrado. Foi perfeito! Então, eu vim para a Unicamp para fazer o mestrado com o professor Marco-Aurélio e a gente manteve uma colaboração com a professora Neyde. Era um mundo novo, só tinha nós na Unicamp e a Neyde em São Paulo trabalhando com células sensibilizadas com corantes. O Marco tinha um grupo grande, de quase 30 pessoas, mas eu estava sozinha no meu tema de pesquisa, e o Marco era novo no tema. Então, para mim, o mestrado foi um desafio. O doutorado já foi mais fácil. Todo meu trabalho de mestrado e doutorado foi dedicado a produzir um eletrólito polimérico para as células TiO2 corante. Fizemos o primeiro trabalho da literatura sobre esse tema. Por isso, meus artigos, tanto os do mestrado quando os do doutorado, são muito citados, tiveram impacto internacional. No doutorado, eu senti falta de discutir com outros pesquisadores, de colaborar. Aí eu fiz um estágio “sanduíche” no Imperial College com o professor James Durant, que me abriu muitas portas também. Novamente meu jeito de conversar com todo mundo me levou logo a construir networking, que eu acho um ponto muito importante na minha carreira. E com os artigos muito bons que fizemos, muito citados, o professor James me convidou para voltar para Londres no pós-doutorado. Eu voltei, mas querendo fazer algo diferente, aprender coisas novas. Acho que essa é uma característica muito minha, a estabilidade, a repetição, não me atrai. Então eu disse que queria trabalhar com energia solar, mas não com as células de TiO2 estabilizado com corante. O James estava começando um projeto com o professor Niyazi Serdar Sariciftci da Áustria, em células solares orgânicas. E fui eu que toquei o projeto. Tanto é assim, que eu tenho o crédito de ter sido a primeira pessoa a montar uma célula solar orgânica no Imperial College. Isso foi lá em 2002. Eu aprendi muito nesse projeto, mas, depois de um ano, eu quis voltar, por questões pessoais e porque o Brasil estava com muitas oportunidades de vagas em universidades. Eu poderia ter ficado no Imperial College e estar morando em Londres, mas não me arrependo. Aqui faço mais diferença. Então eu voltei no Brasil e voltei à USP, no laboratório do professor Henrique Toma, para trabalhar com novamente com células solares de TiO2 corante, só que sob outra perspectiva. Eles tinham um monte de moléculas fantásticas, que a gente chamava de supramoléculas, e a ideia era testar essas supramoléculas nas células solares. Também rendeu muitos artigos, uns sete artigos publicados. Logo apareceu um concurso na Unicamp e, desde 2004, sou docente no Instituto de Química da Unicamp.

Você sempre trabalhou com células solares?

Agora estou na minha quarta tecnologia de célula fotovoltaica emergente: trabalhei com a TiO2 corante, com células orgânicas, com células híbridas orgânicas-inorgânicas, e agora com as de perovskita. Como eu falei, gosto de fazer coisas diferentes. Por isso, também trabalhei bastante com nanocompósitos, nanotubos de carbono, geração de hidrogênio, quantum dots de calcogenetos de sulfeto e seleneto de cádmio e quantum dots de perovskita. Vamos ver qual será a próxima que a Ana Flávia vai inventar!

Quais são as suas descobertas científicas favoritas entre todas que você fez ao longo da carreira?

Eu acho que a minha favorita é a minha primeira descoberta, que fiz no mestrado e doutorado, que foi a primeira célula de TiO2 de estado sólido. Acho que essa foi a grande descoberta. Tem também uma descoberta muito legal que foi a do pós-doc em células orgânicas. Naquele momento, todo mundo sabia que a transferência de elétrons do polímero para o fulereno era muito rápida, da ordem de fentosegundos, mas ninguém sabia sobre a reação de volta, que a gente chama de recombinação. E o processo de recombinação é tão importante quanto o processo de injeção de cargas. Ninguém tinha ideia de que era possível medir isso, e a gente mediu no meu pós-doutorado. Então, isso também foi uma descoberta bem interessante, saber quanto o elétron demorava para ele voltar de novo do fulereno para o polímero. Além disso, eu gosto muito do trabalho que a gente tem feito mais recentemente com o estudo da perovskita por meio de técnicas in situ e operando, com e sem radiação síncrotron. Acho que é por esse trabalho que o meu grupo hoje se destaca na comunidade científica. Esse trabalho começou lá no meu sabático com o professor Michael Toney, no síncrotron de Stanford, o SLAC, e consistiu em usar as técnicas disponíveis de radiação síncrotron para entender mais sobre a perovskita. A gente descobriu muita coisa dentro da pesquisa fundamental: como a perovskita se forma a partir da solução, quais são as etapas da cristalização do filme. Acho que a gente contribuiu bastante nesse sentido.

Quais foram as principais dificuldades que você encontrou para desenvolver sua carreira? Elas são relacionadas ao fato de ser mulher?

Olha, eu acho que sempre trabalhei muito porque sou apaixonada pelo que eu faço. E como eu sempre trabalhei muito, nunca tive muito tempo para ficar reclamando. Eu tinha que trabalhar, eu gosto do que eu faço e acho que eu sempre dei muita conta de fazer muita coisa. Além disso, eu nunca fui uma pessoa perfeccionista, o que acho que me ajudou, porque me permitiu fazer bastante coisa. Quando você quer fazer uma coisa perfeita, eu acho que você gasta muita energia. Mas com relação às dificuldades, eu não sei se as maiores foram por ser mulher ou por ser um jovem pesquisador trazendo uma pesquisa nova para o Brasil. Ninguém pesquisava células solares orgânicas. Eu fui a primeira pessoa a montar uma célula solar orgânica no Imperial College. Nosso trabalho é super bem citado. Eu vim com uma experiência muito grande de lá, e quando eu cheguei aqui, as pessoas, as agências de fomento, os colegas não sabiam o que era essa pesquisa das células solares orgânicas. Na época, era disruptivo. E surgia a dúvida: será que ela é capaz de fazer? Então, eu me lembro que meu primeiro projeto que eu pedi à FAPESP não foi aprovado. Para fazer a pesquisa, eu precisava de uma glovebox para fazer a célula lá dentro, e o financiamento foi negado. Infelizmente os revisores não conseguiram enxergar o quanto aquela pesquisa era inédita no Brasil. A minha dificuldade maior foi realmente no início, com as agências de fomento, que, na verdade, são feitas pelos nossos colegas, porque são eles que julgam os nossos projetos. E eles não tiveram essa percepção de falar “poxa, é uma pesquisa disruptiva, ela está pedindo esse equipamento, vamos dar para ela esse equipamento”. Com isso, eu não pude levar adiante essa pesquisa em células orgânicas, porque a gente não conseguia competir com a eficiência que tinha lá fora, e aí surgiu a ideia de trabalhar com células híbridas. Em vez de usar o fulereno como aceitador de elétrons, decidi trabalhar com nanopartículas inorgânicas. Eu adoro fazer nanopartículas inorgânicas. Além disso, essas células já são de baixa eficiência, então não iria ter muito problema se eu publicasse que consegui uma célula com 2% de eficiência, porque era isso que todo mundo conseguia na época. Então, a pesquisa foi para outro rumo que não era o inicial. Se essas dificuldades aconteceram porque eu era jovem, porque era mulher, porque estava chegando do exterior com ideias novas, porque as pessoas não me conheciam… não sei dizer. Outro ponto foi entrar na comunidade da Física. Eu trabalho muito com Física e hoje tenho ótimos colegas dessa área, mas no início foi difícil. Acho que hoje os físicos me respeitam muito mais do que antes. Por fim, hoje, que estou na direção do CINE, posso dizer com certeza que a mulher é sempre muito mais questionada que o homem quando ela toma uma decisão, então as coisas demoram muito mais para acontecer. Ainda mais no nosso meio acadêmico, que é majoritariamente masculino.

E como você superou esses desafios para progredir na carreira?

Eu acho que eu sempre fui tocando a minha carreira e não me deixei abalar. Esse talvez seja um ponto importante. Nunca me deixei abater pelos comentários, dificuldades ou negativas. Por exemplo, eu tive que matar uma pesquisa que poderia ter sido disruptiva no Brasil, mas eu fui arrumar outra coisa para colocar no lugar. Acho que se eu ficasse gastando energia em brigar, não teria os mesmos resultados. Eu tento por aqui, se não dá, vou por ali logo, porque não tenho tempo para perder. Não fico muito parada. Acho que isso foi me motivando sempre.

Conte-nos como você conseguiu publicar artigos em periódicos de altíssimo impacto.

Eu acho que para isso é importante sempre olhar as oportunidades e pensar um pouco fora da caixa. Tem que ver algo que as outras pessoas não estão fazendo, pensar diferente, olhar para um lado que ninguém está olhando. No início, pode até parecer impossível, mas temos que testar as hipóteses. Por exemplo, no estudo das perovskitas que fizemos com radiação síncrotron, eu pensei na oportunidade de utilizar o Sírius, um laboratório maravilhoso que fica a dez minutos da minha sala. Eu acho que temos que estar sempre muito atentos às novas tendências, ao que está começando a surgir, e pensar se encontramos oportunidades para a nossa pesquisa. Sempre procurei fazer algo novo e não ficar só na pesquisa incremental, que é um tipo de pesquisa que nunca me atraiu.

Você costuma valorizar e defender a pesquisa feita na América Latina em diversas situações, por exemplo, no seu posicionamento em debates ou na organização de eventos e edições especiais para a América Latina. O que a motiva escolher essa abordagem?

Olha, eu sempre trago essa abordagem porque eu acho que temos excelentes grupos de pesquisa na América Latina, mas não somos vistos lá fora. Eu me preocupo muito, por exemplo, com os editores-chefes de revistas que não conhecem a pesquisa que é feita na América Latina. Não estou falando de quando comecei a minha carreira há 30 anos atrás, mas hoje. Atualmente, a América Latina, o Brasil, têm grupos que fazem pesquisa tão competitiva quanto a que é feita na Europa, Estados Unidos ou Ásia. Aqui no país temos o Sírius e, nessa máquina fantástica, conseguimos fazer experimentos que só a gente pode fazer. Veja que oportunidade! Então, a gente faz uma pesquisa de altíssima qualidade, mas a gente não tem visibilidade. Por isso, a gente tem que trazer as pessoas de fora, como os editores-chefes das revistas, para conhecerem a nossa realidade. Eu acho que, realmente, agora eu estou numa fase mais América Latina. Inclusive, eu tive a ideia de fazer uma edição LATAM da MATSUS, que é uma conferência que já acontece na Europa duas vezes por ano. O MATSUS é um evento de materiais e sustentabilidade, e aqui na região, a gente tem muitos grupos de materiais que estão fazendo coisas incríveis. Então a gente vai ter a primeira edição do MATSUS-LATAM agora em Cartagena das Índias, na Colômbia, no início de fevereiro. Além disso, estou com uma parceria com grupos do Chile e da Colômbia, recebendo alunos de pós-graduação para aprender a fazer células de perovskita, porque meu grupo, hoje, é referência na América Latina em fotovoltaico emergente. E, para meus colegas da América Latina, é muito mais fácil e menos custoso deslocar um aluno para fazer um dispositivo aqui, do que, por exemplo, ele ir para a Europa, para os Estados Unidos. O LNES está lá para todo mundo usar, não é só para os meus alunos.

A gente tem visto você trabalhado na integração entre o meio acadêmico e a indústria, participando como palestrante, painelista e organizadora de eventos para público empresarial, incentivando parcerias universidade – empresa. O que a levou a seguir essa direção?

Eu acho que essa direção é antiga na minha carreira, até porque a minha pesquisa sempre foi uma pesquisa aplicada. Um dos primeiros projetos que eu tive quando entrei na Unicamp foi com uma empresa de distribuição de energia. Depois, em 2008, a gente fundou a startup Tezca, que era de células solares flexíveis de TiO2 corante. Mais tarde veio o projeto Portadores Densos de Energia, que viria a ser um dos programas constitutivos do CINE, em parceria com a Shell. Mais tarde fizemos no CINE uma parceria com o Itaú. Então, a parceria público-privada foi muito importante na minha carreira, porque permitiu ter uma verba a mais para comprar equipamentos de ponta e contratar pesquisadores, além de abrir novas portas. Eu acho que tem que ter cada vez mais parcerias público-privadas na ciência, cada um respeitando os seus limites, claro. Eu acho que dá para ter essa conversa, dá para sentar à mesa e chegar num denominador comum.

Para encerrar, pedimos que deixe uma mensagem para nossos leitores mais jovens que estão iniciando uma carreira de cientistas no Brasil ou estão cogitando essa possibilidade.

Olha, eu sempre falo que a carreira de pesquisador no Brasil nunca vai ser fácil, mas não é fácil em lugar nenhum. Porque no exterior, por exemplo, a competição pelos grants é altíssima. Eu acho que o pesquisador tem que gostar muito daquilo que ele faz porque tem momentos em que, realmente, a gente quer desistir. E tem que pensar diferente, mesmo que talvez surja alguma ideia que pareça absurda, temos que investiga-la. Para os que estão chegando agora, eu diria que a gente precisa ter pesquisas mais disruptivas, pesquisas que pensem um pouquinho fora da caixa. Hoje, a situação do Brasil na pesquisa é muito diferente do que era quando eu entrei na pós-graduação. As condições não são as melhores e são muito diferentes entre os estados. Mas, ainda assim, as condições de pesquisa no país hoje são muito melhores do que foram há 30 anos. E, por último, eu diria que tem que saber fazer do limão uma limonada. Se algo der errado, não gaste muito tempo naquilo, transforme o problema em uma oportunidade, tire algo positivo das dificuldades e tome um novo rumo.

Boletim da SBPMat: 162ª edição

 

 

 

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Edição nº 162. 31 de agosto de 2026.

Artigos da comunidade

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Enzimas são moléculas que podem ser encontradas na natureza e funcionam como catalisadores biológicos, viabilizando reações químicas importantes para a vida sem serem consumidas no processo. No mundo tecnológico, elas podem ser utilizadas na produção de sensores e catalisadores. E uma forma de possibilitar esse uso das enzimas é mediante a produção de nanoflores enzimáticas – partículas de formato semelhante ao de uma flor que combinam enzimas com elementos inorgânicos. Nesse nanomaterial as “pétalas” da flor oferecem uma grande área superficial para que a atividade catalítica aconteça. Porém, a integração das nanoflores em dispositivos eletrônicos ainda apresenta alguns desafios. Uma pesquisa recente, totalmente realizada na UNIFESP, deu um importante passo nesse sentido. Usando técnicas de baixo custo, os autores conseguiram incorporar nanoflores formadas pela enzima urease e íons de cobre em um filme fino polimérico. O material apresentou boa estabilidade e atividade catalítica. O trabalho abre possibilidades de desenvolvimento de dispositivos miniaturizados e reutilizáveis, que sejam capazes, por exemplo, de monitorar a presença de ureia em amostras biológicas, solos e efluentes. Acesse o paper.

2

Uma equipe científica internacional liderada por pesquisadores da UNESP gerou mais um avanço no sentido de otimizar as células solares de perovskita. Esses dispositivos são formados por camadas de diferentes materiais, as quais podem ser organizadas em diferentes disposições. A arquitetura planar invertida oferece algumas vantagens: mais estabilidade, compatibilidade com substratos flexíveis e fácil integração em células tandem, as quais atingem as maiores eficiências possíveis ao unir várias células solares, uma em cima da outra. Neste novo trabalho, os autores desenvolveram um material capaz de melhorar o desempenho de células solares de perovskita de arquitetura planar invertida. O material mistura uma película do polímero polietilenimina, que é isolante, com nanopartículas de um material bidimensional da classe dos MXenes, conhecidos pela sua alta condutividade. O novo material foi testado na interface entre a camada transportadora de elétrons e o cátodo metálico, que é a porta de saída dos elétrons. Os testes mostraram que o uso de MXenes melhorou as propriedades da interface, aumentando significativamente a eficiência da célula solar com relação ao polímero puro. Além dos cientistas da UNESP-Bauru, o trabalho contou com a participação de pesquisadores da UTFPR, do ITA e do centro brasileiro de pesquisa aplicada Oninn, além de colaboradores das instituições suíças Empa e EPFL. Acesse o paper.

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Uma pesquisa realizada por pesquisadores da UFSCar e da USP apresenta uma nova abordagem para desenvolver sensores de gás mais eficientes. Inicialmente, os autores produziram um sensor baseado em um filme de óxido de zinco com quantidades muito pequenas de cobalto. O material foi testado na detecção de ozônio, gás classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um importante poluente quando se acumula na baixa atmosfera. Usando a técnica de espectroscopia de fotoluminescência, os cientistas observaram que, ao ser excitado, o sensor gerava uma intensa emissão de luz azul, e que essa emissão estava relacionada à presença de um determinado tipo de defeito no material, o qual estava, por sua vez, associado a uma melhor adsorção do ozônio. Em outras palavras, os autores relacionaram a medida de luminescência azul à eficiência do sensor. Com base nesse método, a equipe conseguiu realizar uma engenharia de defeitos que permitiu aumentar em 37 vezes a resposta do sensor ao ozônio. O estudo abre possibilidades no uso de medidas de luminescência para a otimização de sensores de gás. Acesse o paper.

Deseja divulgar um artigo científico destacado, da área de materiais e com significativa participação de autores de instituições brasileiras? Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

Novidades da comunidade

5

O Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano/ IFSC-USP), coordenado pelo sócio da SBPMat Valtencir Zucolotto, conquistou o primeiro lugar do “XVII Prêmio Octavio Frias de Oliveira” na categoria “Inovação Tecnológica em Oncologia”. O prêmio, que busca estimular a produção de conhecimento sobre prevenção e combate ao câncer no Brasil, é concedido desde 2010 pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) em parceria com o jornal Folha de São Paulo. O trabalho do GNano vencedor abre novas possibilidades para o tratamento do glioblastoma – um dos tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de combater. Atualmente, o tratamento é realizado pela administração, por via oral, do quimioterápico temozolomida, mas o método gera fortes efeitos adversos. Nesta nova pesquisa, que foi publicada em dezembro de 2024 no periódico científico ACS Applied Materials & Interfaces, pesquisadores do GNano e colaboradores desenvolveram nanopartículas biodegradáveis e biomiméticas que são capazes de carregar o quimioterápico e liberá-lo diretamente no cérebro após administração nasal. A nova via permite utilizar doses menores do fármaco e concentrar sua ação nas células cancerígenas, reduzindo seus efeitos colaterais. A primeira autora do artigo, a pesquisadora Natália Noronha Ferreira, recebeu o prêmio no dia 12 de agosto no auditório do ICESP, na cidade de São Paulo.

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A professora Luciana Reyes Pires Kassab, sócia e membro do Conselho Deliberativo da SBPMat, integra agora o corpo de editores associados do periódico científico Plasmonics (Springer Nature), dedicado aos avanços na área de plásmons e suas aplicações. No blog “From the Editors”, a Springer Nature realizou uma entrevista de boas-vindas com a pesquisadora, na qual ela compartilha as expectativas sobre seu trabalho na revista, destacando a possibilidade, para a comunidade brasileira, de publicar em formato open access em decorrência do acordo assinado pela CAPES e a Springer Nature. Formada em Física na graduação (PUC SP), mestrado (USP) e doutorado (USP), Luciana Kassab é docente na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec São Paulo) desde 1992 e membro da Coordenadoria de Pesquisa Científica e Tecnológica da instituição desde 2004. Foi diretora da Fatec São Paulo de 2006 a 2017. Desde 2018, é membro do Comitê Institucional de Iniciação Científica e Tecnológica do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS), autarquia do governo do estado de São Paulo que administra as escolas técnicas e faculdades de tecnologia. A cientista atua há décadas na pesquisa em materiais fotônicos avançados e efeitos plasmônicos.

XXIV B-MRS Meeting
Curitiba (PR), 27 de setembro a 1º de outubro de 2026

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Inscrições. O pagamento da taxa de inscrição do XXIV B-MRS Meeting pode ser realizado com desconto por “regular registration” até 8 de setembro. Veja os valores por categoria e os valores especiais para sócios ativos da SBPMat, aqui.

Kids playroom. O evento disponibilizará, sem custo extra, no centro de convenções, um espaço com monitores para filhos dos participantes que tenham entre 3 e 10 anos de idade. Para utilizá-lo, é necessário preencher o formulário disponível aqui.

Programa. O programa resumido do evento está disponível no site, aqui.

Minicursos. Esta edição do evento conta com 10 minicursos exclusivos para participantes, sem custo adicional. Os minicursos serão realizados no dia 27 de setembro (domingo) no centro de convenções. Cada participante com inscrição paga no evento pode se inscrever em um (1) minicurso, sujeito à disponibilidade de vagas, acessando o sistema do evento e clicando na aba “Adicionar/Editar Atividades”. Veja a lista de minicursos.

Hospedagem. Disponibilizamos uma lista com algumas opções de hotéis em Curitiba, aqui.

Local. O evento será realizado no Centro de Convenções Cruzeiro do Sul Conecta (antigo UP Experience), que fica dentro do campus da Universidade Positivo, na cidade de Curitiba. Endereço: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300.

Plenárias. Já estão confirmados os nomes de seis cientistas da Austrália, Brasil, Espanha, Estados Unidos e Suécia que vão proferir palestras plenárias no evento, inclusive a palestra-prêmio José Arana Varela. Veja.

Chairs. Os coordenadores gerais desta edição do evento são os professores Gregório Couto Faria (IFSC-USP) e Paula Cristina Rodrigues (UTFPR).

FAQ. Para tirar as suas dúvidas sobre o evento, consulte a página de perguntas frequentes ou escreva para 24encontro@sbpmat.org.br.

ATENÇÃO: O XXIV B-MRS Meeting NÃO tem agência de viagens autorizada. Previna-se contra golpes e fraudes.

Oportunidades

– Chamada de propostas de pesquisa e inovação em matérias-primas para a transição verde para consórcios que incluam pesquisadores de São Paulo e da União Europeia. Envio de pré-propostas está aberto até 22 de setembro. Saiba mais.

– Estão abertas até 14 de setembro as inscrições para o mestrado e doutorado em Ciência dos Materiais da Faculdade de Engenharia da Unesp, câmpus de Ilha Solteira. Saiba mais.

Deseja divulgar uma oportunidade da área? Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

Eventos da área

– UK Symposium on Materials for Sustainability 2026 (UK-SMS 2026). Keele (Reino Unido). 14 a 15 de setembro de 2026. Site.

– XXIV B-MRS Meeting. Curitiba (PR). 27 de setembro a 1º de outubro de 2026. Site.

– 12th International Workshop on High Resolution Depth Profiling. Bento Gonçalves (RS). 5 a 9 de outubro de 2026. Site.

– XIII Latin American Workshop on Magnetism, Magnetic Materials and their Applications (XIII LAW3M). Natal (RN). 19 a 23 de outubro de 2026. Site.

– 26º Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais (CBECIMAT 26). Florianópolis (SC). 22 a 26 de novembro de 2026. Site.

– 13th International Conference of the African Materials Research Society (AMRS 2026). Nairóbi (Kenya). 5 a 10 de dezembro de 2026. Site.

– II Reunião de Usuários de Nêutrons (II RUN). São Paulo (SP). 26 a 28 de janeiro de 2027. Site.

– Materials for Sustainable Development Conference – Latin América (MATSUS-LATAM27). Cartagena das Índias (Colombia). 1º a 3 de fevereiro de 2027. Site.

– XXV B-MRS Meeting. Fortaleza (CE). 12 a 16 de setembro de 2027.

Deseja divulgar um evento da área para a comunidade da SBPMat? Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

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Boletim da SBPMat: 161ª edição

 

 

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Edição nº 161. 31 de julho de 2026.

Concurso de divulgação científica

Newsletter SBPMat

Na 2ª edição do Prêmio de Divulgação Científica da SBPMat, 19 vídeos foram classificados para participarem da segunda etapa e estão publicados como reels no Instagram da SBPMat. Os vídeos que receberem mais curtidas serão avaliados pela comissão do prêmio. Os três melhores receberão prêmios em dinheiro da startup Arqueatec. O concurso desafia os participantes do B-MRS Meeting a produzirem vídeos sobre as suas pesquisas para um público de não especialistas. Veja os vídeos e deixe a sua curtida nos seus favoritos.

Artigos da comunidade

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Baseados em materiais como polímeros eletrônicos, os dispositivos fotovoltaicos orgânicos são promissores para uso urbano integrado a prédios devido à sua flexibilidade, leveza e semitransparência. Além disso, podem ser fabricados por meio de processos mais sustentáveis e econômicos do que os convencionais. Entretanto, esses dispositivos são especialmente sensíveis a flutuações na temperatura, irradiância solar, umidade e exposição ao oxigênio – fatores que podem afetar suas propriedades elétricas e sua vida útil. Em um estudo realizado por cientistas da UFPR e colaboradores da UFRJ, mais de 50 metros quadrados de painéis fotovoltaicos orgânicos adquiridos no mercado foram instalados em janelas de vidro e no telhado de alumínio do prédio do Setor de Exatas da UFPR. O sistema foi conectado à rede elétrica do campus. O desempenho dos painéis foi monitorado durante 22 meses por meio de medições elétricas complementadas com análises químicas da superfície dos dispositivos. Além disso, modelos teóricos foram aplicados para analisar os dados. Os resultados da pesquisa mostraram uma diminuição na performance dos painéis ao longo do tempo, associada à degradação dos materiais. O estudo fornece informações valiosas para otimizar esses dispositivos visando seu uso integrado a prédios em regiões de clima subtropical. Acesse o paper.

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Pesquisadores da UNESP lideraram um estudo que avança o desenvolvimento de catalisadores capazes de viabilizar a hidrogenação de carbono. Esse processo permite obter metano por meio da adição de hidrogênio ao gás carbônico. Dessa forma, é possível aproveitar dióxido de carbono que seria emitido à atmosfera para produzir um composto amplamente usado como combustível e matéria-prima. Além disso, o uso de hidrogênio verde torna o processo ainda mais sustentável. Neste trabalho, os autores estudaram em detalhe o comportamento de catalisadores formados por níquel, que é um elemento metálico abundante no planeta, e um suporte de céria, que é um material cerâmico. Nesses catalisadores, a interação entre o substrato e o níquel tem grande impacto no seu desempenho. Por meio de experimentos de espectroscopia realizados em laboratórios de luz síncrotron da França e do Brasil, a equipe conseguiu observar, ao vivo, as mudanças que os catalisadores sofriam durante a transformação do dióxido de carbono em metano. O trabalho mostrou de que maneira o método de preparação dos catalisadores influencia a sua estrutura e o seu desempenho. Acesse o paper.

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Um dos desafios que devem ser superados para ampliar o uso do hidrogênio como combustível limpo é poder armazená-lo com eficiência e segurança. Em um artigo destacado em capa do Journal of Materials Chemistry A, pesquisadores da UFRGS e colaboradores apresentaram uma nanoestrutura capaz de atuar como reservatório de hidrogênio e desvendaram seu mecanismo de armazenamento no nível atômico. A equipe produziu uma mistura de nanoespumas e nanopartículas de paládio e platina (combinação de metais conhecida pela sua boa interação com o hidrogênio), com o núcleo rico em platina e a casca rica em paládio. A nanoestrutura foi estudada minuciosamente usando, inclusive, a infraestrutura do Sirius (a fonte brasileira de luz síncrotron). Dessa forma, os cientistas observaram duas situações aparentemente contraditórias. Por um lado, o hidrogênio armazenado aumentava proporcionalmente à quantidade de paládio usada na casca. Por outro lado, o hidrogênio era adsorvido no núcleo de platina, e não na superfície de paládio. O mistério se resolveu quando eles descobriram que o paládio cumpria um importante papel na difusão do hidrogênio pela nanoestrutura. Os resultados abrem caminho para desenvolver sistemas de armazenamento de hidrogênio mais eficientes. Acesse o paper.

Deseja divulgar um artigo científico destacado, da área de materiais e com significativa participação de autores de instituições brasileiras? Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

XXIV B-MRS Meeting
Curitiba (PR), 27 de setembro a 1º de outubro de 2026

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Inscrições. O pagamento da taxa de inscrição do XXIV B-MRS Meeting pode ser realizado com desconto por “early registration” até 11 de agosto. Veja os valores por categoria e os valores especiais para sócios ativos da SBPMat, aqui.

Programa. O programa resumido do evento está disponível no site, aqui.

Minicursos. Esta edição do evento conta com 10 minicursos exclusivos para participantes, sem custo adicional. Os minicursos serão realizados no dia 27 de setembro (domingo) no centro de convenções Cada participante com inscrição paga no evento poderá se inscrever em um (1) minicurso, sujeito à disponibilidade de vagas, acessando o sistema do evento e clicando na aba “Adicionar/Editar Atividades”. Veja a lista de minicursos.

Hospedagem. Disponibilizamos uma lista com algumas opções de hotéis em Curitiba, aqui.

Local. O evento será realizado no Centro de Convenções Cruzeiro do Sul Conecta (antigo UP Experience), que fica dentro do campus da Universidade Positivo, na cidade de Curitiba. Endereço: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300.

Plenárias. Já estão confirmados os nomes de seis cientistas da Austrália, Brasil, Espanha, Estados Unidos e Suécia que vão proferir palestras plenárias no evento, inclusive a palestra-prêmio José Arana Varela. Veja.

Chairs. Os coordenadores gerais desta edição do evento são os professores Gregório Couto Faria (IFSC-USP) e Paula Cristina Rodrigues (UTFPR).

FAQ. Para tirar as suas dúvidas sobre o evento, consulte a página de perguntas frequentes ou escreva para 24encontro@sbpmat.org.br.

ATENÇÃO: O XXIV B-MRS Meeting NÃO tem agência de viagens autorizada. Previna-se contra golpes e fraudes.

Oportunidades

– Estão abertas até 31 de agosto as inscrições para o 19º Prêmio Mercosul de Ciência, Tecnologia e Inovação, cujo tema é “Descarbonização e Transição Energética para um Mundo mais Sustentável”. Tem prêmios para pesquisadores de todos os níveis de formação, desde estudantes do ensino médio até cientistas sênior, além de equipes internacionais. Saiba mais.

– Oportunidades de bolsas de pós-doutorado (12 bolsas de 36 meses) para o programa FutureChips, na Tampere University (Finlândia) para pesquisadores de todos os países que tenham doutorado em áreas relacionadas à fotônica, materiais avançados, eletrônica do futuro e design de chips. As inscrições encerram em 31 de agosto. Saiba mais.

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Eventos da área

– XVI Método Rietveld de Refinamento de Estrutura. Fortaleza (CE). 3 a 7 de agosto de 2026. Site.

– Feira e Congresso Internacionais de Materiais Avançados FEIPLAR & FEIPUR 2026. São Paulo (SP). 5 a 27 de agosto de 2026. Site.

– 20th International Conference on Plasma Surface Engineering (PSE). Erfurt (Alemanha), com possibilidade de participação virtual para pesquisadores da Argentina, Brasil e México. 31 de agosto a 3 de setembro de 2026. Site.

– UK Symposium on Materials for Sustainability 2026 (UK-SMS 2026). Keele (Reino Unido). 14 a 15 de setembro de 2026. Site.

– XXIV B-MRS Meeting. Curitiba (PR). 27 de setembro a 1º de outubro de 2026. Site.

– 12th International Workshop on High Resolution Depth Profiling. Bento Gonçalves (RS). 5 a 9 de outubro de 2026. Site.

– XIII Latin American Workshop on Magnetism, Magnetic Materials and their Applications (XIII LAW3M). Natal (RN). 19 a 23 de outubro de 2026. Site.

– 26º Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais (CBECIMAT 26). Florianópolis (SC). 22 a 26 de novembro de 2026. Site.

– 13th International Conference of the African Materials Research Society (AMRS 2026). Nairóbi (Kenya). 5 a 10 de dezembro de 2026. Site.

– XXV B-MRS Meeting. Fortaleza (CE). 12 a 16 de setembro de 2027.

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Boletim da SBPMat: 160ª edição

 

 

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Edição nº 160. 30 de junho de 2026.

Aniversário da SBPMat

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No dia 26 de junho, celebramos os 25 anos de história da SBPMat.

Uma história escrita por pesquisadores, estudantes e parceiros que fizeram da nossa sociedade um espaço de colaboração, inovação, amizade e compromisso com o conhecimento científico.

Parabéns a todos nós!

Artigos da comunidade

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Um estudo internacional liderado por pesquisadores da UFRN fornece orientações para avaliar a eficiência de processos de hipertermia magnética. O fenômeno vem sendo estudado para combater tumores por meio do aquecimento dos tecidos doentes dentro do organismo, além de ser usado em investigações fundamentais de fenômenos magnéticos e térmicos na nanoescala, entre outras aplicações. Em todos esses contextos, é muito importante determinar a eficiência do aquecimento gerado por diferentes sistemas de nanopartículas e em condições diversas. Atualmente, a principal métrica para quantificar essa eficiência é a potência de perda específica (SLP). Em nível microscópico, a SLP é avaliada a partir de modelos teóricos de dissipação de energia magnética. Já no nível macroscópico, a avaliação é realizada a partir de medições experimentais do calor envolvido no processo. Neste novo trabalho, os autores investigaram a relação entre essas duas abordagens e concluíram que elas não devem ser consideradas concorrentes, mas sim complementares, na descrição da hipertermia magnética. O trabalho envolveu pesquisadores do Grupo de Magnetismo da UFRN e colaboradores da UERN, UFRJ, UFSC, CBPF, Universidade do Minho (Portugal), Universidad de Santiago de Chile e Transilvania University of Brașov (Romênia). Acesse o paper.

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Um trabalho realizado por instituições do estado do Amazonas traz uma contribuição à indústria eletrônica, adaptada à realidade do Polo Industrial de Manaus. A equipe avaliou o uso de nanofolhas de grafeno para melhorar o desempenho de ligas metálicas utilizadas na solda de componentes de microeletrônica. Inicialmente, esses materiais continham quantidades significativas de chumbo, que é um elemento tóxico para a saúde humana e o meio ambiente. Porém, cerca de duas décadas atrás, a indústria começou a adoção em grande escala de ligas sem chumbo, a partir da implementação de uma diretiva da União Europeia que restringiu o uso de substâncias perigosas em equipamentos elétricos e eletrônicos. Essa mudança tem demandado uma série de desenvolvimentos para otimizar o desempenho e a durabilidade dos novos materiais dentro da realidade dos processos de produção. Neste novo trabalho, os autores avaliaram o impacto de adicionar pequenas quantidades de grafeno a ligas de solda compostas por estanho e bismuto. Eles mostraram que, depois de passar pelos testes de aquecimento e resfriamento que são habituais nesses processos de fabricação, o material formado apresentou mudanças positivas na sua microestrutura e na sua superfície. O trabalho foi realizado em parceria pela Universidade do Estado do Amazonas e o Instituto Conecthus. Acesse o paper.

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Pesquisadores da UFPI, UFRPE e Universidad de Sevilla (Espanha) desenvolveram um material capaz de cumprir com eficiência duas importantes funções: eliminar resíduos de fármacos presentes em corpos d’água e combater a presença de bactérias. Os autores utilizaram um semicondutor de baixo custo e boa durabilidade, o óxido de zinco, e modularam suas propriedades. Para isso, eles controlaram o pH durante a síntese do material e introduziram quantidades mínimas de outro elemento, o hólmio, que é um metal do grupo das terras raras. Dessa maneira, eles conseguiram ajustar com precisão a estrutura do semicondutor e, principalmente, seus defeitos. De fato, alguns desses defeitos atuam como pontos ativos, tanto para os processos de fotocatálise, responsáveis pela degradação de fármacos, quanto para as interações antibacterianas. A equipe testou o desempenho do material na degradação de metronidazol, que é um antibiótico e antiprotozoário amplamente utilizado na medicina. No teste, o óxido de zinco dopado com hólmio e sintetizado em pH 12 apresentou o melhor resultado, eliminando mais de 84% da substância. Nos ensaios antibacterianos, foi também a amostra produzida em pH 12 que teve o melhor desempenho, inibindo o crescimento de 100% das bactérias. O trabalho mostrou que o controle de pH é uma estratégia eficiente para potencializar o desempenho desse material como fotocatalisador e antimicrobiano. Acesse o paper.

Deseja divulgar um artigo científico destacado, da área de materiais e com significativa participação de autores de instituições brasileiras? Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

XXIV B-MRS Meeting
Curitiba (PR), 27 de setembro a 1º de outubro de 2026

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Programa. O programa resumido do evento está disponível no site, aqui.

Minicursos. Esta edição do evento conta com 10 minicursos exclusivos para participantes, sem custo adicional. Os minicursos serão realizados no dia 27 de setembro (domingo) no centro de convenções Cada participante com inscrição paga no evento poderá se inscrever em um (1) minicurso, sujeito à disponibilidade de vagas, acessando o sistema do evento e clicando na aba “Adicionar/Editar Atividades”. Veja a lista de minicursos.

Inscrições. O pagamento da taxa de inscrição do XXIV B-MRS Meeting pode ser realizado com desconto por “early registration” até 11 de agosto. Veja os valores por categoria e os valores especiais para sócios ativos da SBPMat, aqui.

Prêmios para estudantes. Os melhores orais e pôsteres apresentados por estudantes de graduação e pós-graduação serão distinguidos com os prêmios da SBPMat (Bernhard Gross), da ACS Publications e da Royal Society of Chemistry. Para concorrer aos prêmios, é necessário submeter um resumo estendido até 10 de julho. Saiba mais.

Prêmio para mulher em início de carreira. Patrocinado pela Electronic Materials da MDPI, este prêmio distinguirá uma jovem pesquisadora que apresente um trabalho destacado em sessão oral. Para participarem, as cientistas devem submeter um resumo estendido até 10 de julho. Saiba mais.

Prêmio de divulgação científica. Este concurso desafia os participantes do evento a produzirem um vídeo curto para público leigo sobre a pesquisa que realizam. O prêmio tem patrocínio da startup Arqueatec. Os participantes devem enviar seus vídeos até 30 de junho. Saiba mais.

Hospedagem. Disponibilizamos uma lista com algumas opções de hotéis em Curitiba, aqui.

Local. O evento será realizado no Centro de Convenções Cruzeiro do Sul Conecta (antigo UP Experience), que fica dentro do campus da Universidade Positivo, na cidade de Curitiba. Endereço: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300.

Plenárias. Já estão confirmados os nomes de seis cientistas da Austrália, Brasil, Espanha, Estados Unidos e Suécia que vão proferir palestras plenárias no evento, inclusive a palestra-prêmio José Arana Varela. Veja.

Chairs. Os coordenadores gerais desta edição do evento são os professores Gregório Couto Faria (IFSC-USP) e Paula Cristina Rodrigues (UTFPR).

FAQ. Para tirar as suas dúvidas sobre o evento, consulte a página de perguntas frequentes ou escreva para 24encontro@sbpmat.org.br.

ATENÇÃO: O XXIV B-MRS Meeting NÃO tem agência de viagens autorizada. Previna-se contra golpes e fraudes.

Oportunidades

– Pós-doutorado no IFGW-Unicamp com bolsa Fapesp em Microscopia Eletrônica de Transmissão e nanopartículas. Inscrições até 30 de julho. Saiba mais.

– Pós-doutorado em materiais carbonáceos avançados para agricultura sustentável com bolsa FINEP. Saiba mais.

– Oportunidades de bolsas de pós-doutorado (12 bolsas de 36 meses) para o programa FutureChips, na Tampere University (Finlândia) para pesquisadores de todos os países que tenham doutorado em áreas relacionadas à fotônica, materiais avançados, eletrônica do futuro e design de chips. As inscrições encerram em 31 de agosto. Saiba mais.

– Processo seletivo para mestrado em Ciências com ênfase em Física de Materiais na UFOP. Inscrições até 1º de julho. Saiba mais.

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Eventos da área

– CINE Talk: “Data-Driven Performance Analysis and Optimization of an Electrolyzer System”. Online. 3 de julho de 2026. Mais informações e inscrições.

– 25th International Conference on Photochemical Conversion and Storage of Solar Energy (IPS-25). Seul (Coreia do Sul). 12 a 17 de julho de 2026. Site.

– International Conference on Science and Technology of Synthetic Electronic Materials (ICSM). Rio de Janeiro (RJ). 19 a 24 de julho de 2026. Site.

– XVI Método Rietveld de Refinamento de Estrutura. Fortaleza (CE). 3 a 7 de agosto de 2026. Site.

– Feira e Congresso Internacionais de Materiais Avançados FEIPLAR & FEIPUR 2026. São Paulo (SP). 5 a 27 de agosto de 2026. Site.

– 20th International Conference on Plasma Surface Engineering (PSE). Erfurt (Alemanha), com possibilidade de participação virtual para pesquisadores da Argentina, Brasil e México. 31 de agosto a 3 de setembro de 2026. Site.

– XXIV B-MRS Meeting. Curitiba (PR). 27 de setembro a 1º de outubro de 2026. Site.

– 12th International Workshop on High Resolution Depth Profiling. Bento Gonçalves (RS). 5 a 9 de outubro de 2026. Site.

– 26º Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais (CBECIMAT 26). Florianópolis (SC). 22 a 26 de novembro de 2026. Site.

– 13th International Conference of the African Materials Research Society (AMRS 2026). Nairóbi (Kenya). 5 a 10 de dezembro de 2026. Site.

– XXV B-MRS Meeting. Fortaleza (CE). 12 a 16 de setembro de 2027.

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Pós-doutorado em materiais carbonáceos avançados para agricultura sustentável com bolsa FINEP

O Laboratório de Materiais Avançados e Minerais Estratégicos (LMM) e o Laboratório Multiusuário de Nanoespectroscopia (LMN) da Universidade Federal de Lavras (UFLA) convida a submissão de candidatura para a realização de estágio de pós-doutorado sob a supervisão da Profa. Jenaina Ribeiro Soares (http://lattes.cnpq.br/6866236850154260) e colaboração do Prof. Raphael Longuinhos Monteiro Lobato (http://lattes.cnpq.br/1475483971471395), coordenadores do grupo de pesquisa NanoMat. O(A) pesquisador(a) selecionado(a) integrará um projeto multidisciplinar envolvendo Física, Ciência dos Materiais, Química, Ciência do Solo e Microbiologia, voltado ao desenvolvimento de materiais carbonáceos avançados para bioinsumos e agricultura sustentável.

O grupo tem atuado de forma multidisciplinar e colaborativa com grupos de pesquisa no Brasil e exterior, oferecendo possibilidades de atuação em ciência básica e aplicações relacionadas à Materiais Avançados e Minerais Estratégicos. O(a) pesquisador(a) lidará com infraestrutura apropriada de laboratórios contando com Microscopia Eletrônica de Varredura, Microscopia de Força Atômica (AFM), espectroscopias vibracionais como Raman e infravermelho, infraestrutura variada para sínteses químicas e processamento térmico.

Requisitos dos(as) candidatos(as): título de doutor em Química, Ciência dos Materiais, Física, Nanotecnologia, Engenharia, ou áreas afins.

No geral, espera-se dos candidatos:

● Realizar pesquisa de forma proativa e autônoma;
● Comprovação de habilidades de redação científica e tecnológica (especialmente em publicações internacionais indexadas);
● Bom domínio de Inglês em escrita e fala (fala em evolução também funciona);
● Apoio para formação de discentes de graduação e pós-graduação;
● Habilidades para trabalho em equipe;
● Interesse em desenvolver pesquisa interdisciplinar envolvendo materiais carbonáceos, caracterização avançada e agricultura sustentável.

Especificidades da bolsa:

Materiais Carbonáceos Avançados para Agricultura Sustentável

● Bolsa: Finep SET-C, R$5.850,00 (isenta de impostos) por 1 ano, com possibilidade
de extensão mediante expansão de prazo do projeto.
● Início previsto: junho de 2026 (imediato).
● Esperado: conhecimentos comprovados em síntese e funcionalização de materiais, caracterização estrutural, composicional de materiais, das propriedades físicoquímicas de superfícies de materiais. Experiência em modelos cinéticos e isotérmicos para adsorção em meios aquosos são diferenciais.
● Atividades previstas: Desenvolvimento de rotas de síntese de biocarvões; Funcionalização de materiais carbonáceos e nanoestruturas; Caracterização
estrutural utilizando Raman, FTIR, DRX, MEV, AFM, BET e técnicas complementares; Estudo da relação entre estrutura e interação com microrganismos
benéficos ao solo; Publicação de artigos científicos, patentes, transferência de Knowhow.

Os interessados devem enviar e-mail para jenaina.soares@ufla.br com o título: Candidatura PósDoutorado junho de 2026, com o seguinte:

1) 3 artigos mais relevantes dos últimos 5 anos e a descrição das suas contribuições em cada um;
2) Currículo Lattes atualizado;
3) Carta de motivação para a candidatura;
4) Disponibilidade para assumir a bolsa (imediata ou relato de qualquer outro limitante temporário);
5) Contato de até 3 profissionais (preferencialmente ex-orientadores) que possam elaborar carta de recomendação se solicitados.

Entrevistas serão marcadas com os candidatos mais promissores.

Prazo para inscrição: serão recebidas até o preenchimento satisfatório da vaga.

Atenciosamente,

Profa. Dra. Jenaina Ribeiro Soares (jenaina.soares@ufla.br)