Pós-doutorado em Biofotônica no CEPOF, IFSC – USP.


PÓS DOUTORADO (4 vagas disponíveis) Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica – CEPOF Instituto de Física de São Carlos– Universidade de São Paulo Brasil

O CEPOF está procurando por excelentes candidatos de qualquer nacionalidade, com experiência em BIOFOTÔNICA, em um ou mais tópicos listados a seguir:

– Avanços em Terapia Fotodinâmica

– Controle de microrganismos utilizando estratégias fotônicas

– Fotobiomodulação

– Fotoimunoterapia para câncer e microorganismos

– Novos fotossensibilizadores derivados de moléculas naturais para Terapia Fotodinâmica

– Síntese orgânica e reações fotocatalíticas

– Agricultura digital (métodos e sensores)

– Segurança ambiental e alimentar

– Biofotônica quântica

– Foto diagnóstico usando imagens e espectroscopia

– Instrumentação óptica para dispositivos médicos

– Inteligência artificial, imageamento e análise de dados

A descrição dos projetos pode ser encontrada em http://cepof.ifsc.usp.br

O candidato desenvolverá pesquisa em um dos laboratórios do CEPOF.

Os projetos visam investigar aspectos inovadores em Biofotônica para projetar novas aplicações ópticas em Ciências da Vida. Esperamos gerar novos conhecimentos nos tópicos de interesse.

O candidato deve ter obtido título de Doutor em Física, Biologia, Engenharia, Química, Ciências Biomédicas, e áreas relacionadas, nos últimos 5 anos.

Documentos necessários (a ser enviados por email para cristina@ifsc.usp.br):

– Duas cartas de recomendação

– CV com lista de publicações e expertise

– Declaração de uma página sobre o interesse (deixar claro o(s) tópico(s) de interesse específico)

– Nome e informações de contato dos provedores das cartas de recomendação.

Inscrições até o dia 10 de Outubro de 2020.

Os candidatos selecionados iniciarão suas atividades em Janeiro-Fevereiro de 2021.

O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 7.373,10 mensais e Reserva Técnica equivalente a 15% do valor anual da bolsa para atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa

Pesquisadores sem remuneração: Olívia Carr.


Olívia: de volta à casa dos pais depois de ter desenvolvido um sensor para detecção precoce de doenças.

Olívia Carr no laboratório de pesquisa durante seu doutorado, no final de 2018.
Olívia Carr no laboratório de pesquisa durante seu doutorado, no final de 2018.

O câncer de cabeça e pescoço atinge milhares de brasileiros todos os anos. Cerca de 60% dessas pessoas são diagnosticadas tardiamente, o que diminui sua qualidade de vida e dificulta o tratamento. Em seu doutorado em Ciências e Engenharia de Materiais, realizado na USP, Olívia Carr gerou um sensor de baixo custo capaz de detectar a propensão de um ser humano a desenvolver esse câncer.

O trabalho de Olívia foi destacado na capa de um renomado periódico científico internacional (o Talanta), além de gerar um pedido de patente e outros artigos publicados. E mais. A tecnologia desenvolvida nesse trabalho poderia ser adaptada para detectar outras doenças, inclusive a Covid-19.

Olívia, que tem 30 anos, deseja continuar fazendo contribuições à sociedade por meio da pesquisa, que é a atividade profissional que mais gosta de fazer e para a qual se capacitou durante uma década. Porém, desde o final do doutorado, em novembro do ano passado, ela só tem visto portas se fechando.

Inicialmente, a recém-doutora recebeu, com muito entusiasmo, três propostas para realizar pós-doutorado em projetos de empresas, mas duas delas caíram por conta da pandemia (as empresas preferiram não fazer esse investimento no novo cenário) e a terceira não vingou por outros motivos. A jovem doutora participou, então, de uma chamada do CNPq (principal agência federal de financiamento à pesquisa) para projetos relacionados ao combate da Covid-19, na qual ganharia uma bolsa. Contudo, o projeto não foi aprovado para receber financiamento. Depois dessas primeiras frustrações, Olívia continuou participando de processos seletivos em instituições de pesquisa e enviou seu currículo para empresas do Brasil que têm área de pesquisa e desenvolvimento. Infelizmente, não teve sucesso.

Em paralelo, para se manter ativa e dar sequência à carreira, ela tem trabalhado junto a antigos e novos colaboradores, escrevendo artigos científicos e um capítulo de livro acadêmico para publicação. Tudo sem receber remuneração, motivo pelo qual a jovem teve que voltar à casa dos pais na cidade de Rio Claro (SP), da qual tinha saído para fazer o doutorado em São Carlos.

Mas não é a primeira vez que Olívia passa por apertos financeiros para poder atuar em pesquisa. Nos quatro anos de doutorado, passou mais da metade do tempo sem bolsa. E aqui vale a pena fazer um esclarecimento, pois se engana quem pensa que o doutorando ganha bolsa para ter mais tempo para o estudo ou o ócio. O doutorado é, na maior parte dos casos, uma atividade de tempo integral, que inclui tanto a formação teórica do estudante (as disciplinas cursadas) quanto seu treinamento prático (a pesquisa de doutorado). Além disso, a pesquisa de doutorado é, muito além de um treinamento, um trabalho científico completo, cujos resultados contribuem ao avanço da ciência mundial e à inovação industrial.

Até o momento, Olívia não desistiu de ser pesquisadora, profissão que a encantou já no final da graduação em Física, quando conheceu o dia-a-dia de um laboratório de pesquisa. Todavia, depois de 10 meses sem remuneração, esta profissional da ciência, capacitada para desenvolver dispositivos que podem ter grande impacto na saúde das pessoas, começa a avaliar outras opções, como dar aulas de Física.

Processo seletivo para mestrado em Nanociência, Processos e Materiais Avançados na UFSC – Campus Blumenau.


Estão abertas as inscrições para a seleção de candidatos para o Mestrado Acadêmico em Nanociência, Processos e Materiais Avançados da Universidade Federal de Santa Catarina – Campus Blumenau. O candidato deverá realizar sua inscrição online (no endereço https://adm.blumenau.ufsc.br/ppgnpmat/até 14 de outubro de 2020. A seleção dos candidatos será realizada por meio de: Proposta de Pesquisa (Peso: 50% – Caráter eliminatório e classificatório) e Análise Curricular (Peso: 50% – Caráter classificatório).

O mestrado contempla uma área de concentração (Nanociência, Processos e Materiais Avançados) e duas linhas de pesquisa (Materiais, Processos e Transformações e Nanociência e Nanotecnologia), que visam ampliar as discussões e a compreensão do conhecimento na interface entre Física, Química, Ciência e Engenharia dos Materiais.

Estão sendo ofertadas 12 vagas para matrícula no segundo semestre letivo de 2020 do PPGNPMat, que terá início a partir de 30 de novembro deste ano. Para se candidatar às vagas, é necessário ter curso de graduação completo, ou ter previsão de conclusão até 26 de fevereiro de 2021.

Edital e maiores informações, acesse: http://ppgnpmat.blumenau.ufsc.br/

Contato: ppgnpmat@contato.ufsc.br / (48) 3721-3336 (Telefone e WhatsApp)

Cursos de extensão e de especialização EaD em Nanociências.


Curso de Extensão: Nanociências e Nanotecnologia para Iniciantes – EaD

A Universidade Franciscana (UFN)/Santa Maria – RS e o INCT de Nanomateriais de Carbono estão ofertando o curso de Extensão/Capacitação profissional em Nanociências e Nanotecnologia para Iniciantes na modalidade EaD com carga horária de 20h.

Podem se inscrever estudantes e professores das diversas áreas do conhecimento que tenham interesse na área de Nanociências/Nanotecnologia.

Inscrições até o dia 28 de setembro de 2020.

O link para informações e inscrições é https://www.ufn.edu.br/site/extensao/capacitacao-profissional/nanociencias-e-nanotecnologia-para-iniciantes

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Curso de Especialização em Ensino de Nanociências e Nanotecnologia totalmente em formato EaD

A Universidade Franciscana (UFN)/Santa Maria – RS e o INCT de Nanomateriais de Carbono estão ofertando o curso de Especialização (lato sensu) em Ensino de Nanociências e Nanotecnologia na modalidade EaD com carga horária de 360h e duração de 12 meses.

Podem se inscrever professores da Educação Básica e Superior ou demais graduados com interesse em atuar no Ensino de Nanociências e Nanotecnologia.

Inscrições até o dia 21 de setembro de 2020.

Início das aulas no dia 22 de setembro de 2020.

A turma já está confirmada e ainda possui vagas disponíveis!

O link para informações e inscrições:

https://www.ufn.edu.br/site/ead/cursos/especializacao/ensino-de-nanociencias-e-nanotecnologia-ead/

Pós-doutorado na UNESP Presidente Prudente.


posdoc unesp*Oportunidade: bolsa de pós-doutorado (PD) vinculada ao projeto Temático FAPESP (2018/22214-6) intitulado “Rumo à convergência de tecnologias: de sensores e biossensores à visualização de informação e aprendizado de máquina para análise de dados em diagnóstico clínico”.

*Área de conhecimento: Física, Química, Ciência dos Materiais e áreas afins.

*Tema do projeto de PD: Detecção de pesticidas via espalhamento Raman amplificado em superfície (SERS, do inglês surface-enhanced Raman scattering).

*Supervisor: prof. Carlos José Leopoldo Constantino.

*Instituição:  Departamento de Física (DF), Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Presidente Prudente-SP.

https://www.fct.unesp.br/#!/departamentos/fisica-quimica-e-biologia/

*Valor da bolsa: R$ 7.373,10.

*Reserva técnica: 15% do valor anual da bolsa (finalidade: atender a despesas diretamente relacionadas à modalidade de Auxílio ou Bolsa nos projetos financiados pela FAPESP).

*Vigência: até 48 meses (início: 01/12/2020 ou assim que finalizado os trâmites do processo de seleção; término: não exceder 28/02/2025).

*Mais informações/bolsa: https://www.fapesp.br/bolsas/pd

*Perfil/candidato: pesquisador que tenha facilidade para trabalhar em equipe, possua fluência em inglês e tenha concluído o doutorado há menos de 7 (sete) anos. A bolsa de PD será desenvolvida no Laboratório de Materiais Nanoestruturados para Análises Ambientais e Biológicas na UNESP de Presidente Prudente-SP. O projeto de pesquisa envolverá atividades experimentais em técnicas como:

(i) Síntese de coloides de nanopartículas metálicas aplicadas como “substratos SERS”.

(ii) Caracterização dos “substratos SERS” via microscopia, espectroscopia no UV-Vis, potencial zeta e espalhamento dinâmico de luz (DLS).

(iii) Espectroscopias micro-Raman e espalhamento Raman amplificado em superfície (SERS).

(iv) Métodos computacionais para análise de dados.

*Data limite para inscrições: 13/10/2020.

*Inscrição: enviar mensagem para o email carlos.constantino@unesp.br, anexando:

(i) Currículo lattes.

(ii) Duas cartas de referência.

(iii) Plano de trabalho de até 4 páginas contento: título, justificativa, objetivos e metodologia.

Instrumentação básica disponível:

https://www.fct.unesp.br/#!/departamentos/fisica-quimica-e-biologia/laboratorios/

Oportunidade para pós-doc com experiência em nanopartículas de ouro e moléculas biológicas em projeto de combate à Covid-19.


Bolsa de pós-doutorado (PDR) da Faperj para a contratação de um pós-doc (valor da bolsa R$ 4.100,00) para trabalhar no projeto “Ação emergencial – combate aos efeitos COVID-19 – parceria FAPERJ/Secretaria de Saúde do Estado Rio de Janeiro – 2020”.

Procura-se um profissional que tenha experiência na síntese, funcionalização e caracterização de nanopartículas de ouro com moléculas biológicas.

Favor entrar em contato com cmronconi@id.uff.br (Profa. Célia M. Ronconi do Departamento de Química Inorgânica da Universidade Federal Fluminense).

Boletim da SBPMat. 96ª edição.


 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 96. 31 de agosto de 2020.

Artigo em Destaque

Um trabalho realizado na UFPR conseguiu desvendar importantes detalhes do mecanismo de geração de cargas em células solares orgânicas e elaborar um modelo matemático que ajuda a escolher os materiais mais adequados para melhorar a eficiência da conversão de luz em eletricidade nesses dispositivos.O trabalho foi recentemente reportado na Journal of Materials Chemistry C. Saiba mais.

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Pesquisadores sem remuneração

Estamos reunindo dados estatísticos e histórias pessoais de doutores formados que estão sem renda e sem oportunidade de dar continuidade à carreira científica. Uma situação negativa para essas pessoas e suas famílias, para os grupos de pesquisa do Brasil e para a sociedade que se beneficiaria com os frutos da pesquisa. Veja a nossa primeira matéria, aqui.

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Lives & Webinars da SBPMat

– Assista à gravação da reunião online que foi realizada no domingo 30 de agosto. Veja os membros da diretoria da SBPMat reportando as principais ações da Sociedade em 2020 e assista à aplaudida palestra do prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior sobre o papel da pesquisa em materiais e da inteligência artificial no enfrentamento das consequências da pandemia e outros desafios da Humanidade. Parte 1 e parte 2.

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– Mais cinco webinários técnicos foram realizados em agosto (último mês do programa Lives & Webinars 2020). Saiba mais e acesse as gravações dos webinários, aqui.

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XIX B-MRS Meeting

Está aberta até 2 de novembro a submissão de propostas de simpósio para o XIX B-MRS Meeting, que será realizado de 29 de agosto a 2 de setembro de 2021 em Foz do Iguaçu. O comitê organizador do evento convida a comunidade a enviar propostas. Saiba mais.

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Notícias da SBPMat

– PL 529/2020. SBPMat enviou uma carta contra o PL 529/2020, que retiraria recursos de universidades paulistas e FAPESP, para todos os parlamentares da ALESP. Saiba mais.

Novidades dos sócios SBPMat

A professora Ana Flávia Nogueira (IQ – UNICAMP), sócia da SBPMat, passou a integrar os advisory boards de dois renomados periódicos da área de Materiais, ambos da Royal Society of Chemistry (RSC). Saiba mais.

Dicas de Leitura

– Cientistas conseguem realizar pela primeira vez uma interação entre dois “cristais do tempo”, estruturas cristalinas experimentalmente comprovadas poucos anos atrás, cuja estrutura se repete não apenas no espaço, mas também no tempo. Descoberta abre possibilidades no desenvolvimento de dispositivos quânticos (Nature Materials). Saiba mais.

– Documento reúne pesquisas realizadas por universidades e institutos públicos brasileiros com resultados importantes no combate à pandemia de Covid-19. Material foi preparado por cientistas da comunidade dos materiais, o sócio Oswaldo Alves (Unicamp) e Antonio Gomes Souza Filho (UFC). Saiba mais.

Oportunidades

– Curso de microscopia eletrônica de transmissão da pós-graduação do IFGW-Unicamp, com o prof. Daniel Ugarte, será oferecido online e estará aberto a estudantes de outras instituições. Saiba mais.

– Edição especial de periódico JCTB da Wiley, dedicada a desenvolvimentos recentes em nanotecnologia na América Latina, está recebendo artigos. Editores convidados convocam membros da comunidade da SBPMat a submeterem suas contribuições. Saiba mais.

– Seleção para doutorado em materiais na UCS (com bolsa), em projeto sobre EPIs, filtros e superfícies com ação antimicrobiana com foco em SARS-CoV-2, em colaboração com a UNICAMP. Saiba mais.

– Seleção de 12 bolsistas de doutorado para atuarem em projeto de materiais autodescontaminantes para impressão 3D na UFPE. Inscrições prorrogadas até 3 de setembro. Saiba mais.

Agenda de eventos presenciais e ONLINE

– ONLINE. Ciclo de webinars “A ciência que inspira”. Agosto a novembro de 2020. Organização: PGCM e PPG UFMS. Site.

– ONLINE. 100 anos da ciência de polímeros. Setembro a novembro de 2020. Mais informação.

– ONLINE. 72ª Reunião Anual da SBPC. Setembro a dezembro de 2020. Site.

– ONLINE. The Online Materials Education Symposium. 3 de setembro de 2020. Organização: Ansys. Site.

– ONLINE. Encontro Nacional dos University Chapters da SBPMat (ENUC). 5 a 7 de setembro de 2020. Site.

– ONLINE. Webinar: “Computer-Accelerated Materials Design”. 16 de setembro de 2020. Organização: CINE. Site.

– ONLINE. First Global Symposium on Janus Particles. 1 e 2 de outubro de 2020. Site.

XLI Congresso Brasileiro de Aplicações de Vácuo na Indústria e na Ciência. Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 5 a 7 de outubro de 2020. Site.

5th International Conference of Surfaces, Coatings and NanoStructured Materials – Americas (NANOSMAT-Americas). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 7 a 10 de outubro de 2020. Site.

7th Meeting on Self Assembly Structures in Solution and at Interfaces. Bento Gonçalves, RS (Brasil). 4 a 6 de novembro de 2020. Site.

Pan American Ceramics Congress and Ferroelectrics Meeting of Americas (PACC-FMAs 2020). Panamá (Panamá). 15 a 19 de novembro de 2020. Site.

4th Workshop on Coated Tools & Multifunctional Thin Films. Campinas, SP (Brasil). 16 a 19 de novembro de 2020. Site.

– ONLINE. International Conference on Defects in Insulating Materials (ICDIM 2020). 23 a 27 de novembro de 2020. Organização: UFS. Site.

XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM (International Conference on Electronic Materials). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 29 de agosto a 2 de setembro de 2021. Site.

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Especial: Pesquisadores sem remuneração.


Pós-doc: profissional essencial para um grupo de pesquisa eficiente

Na pandemia de Covid-19 que o mundo atravessa, a importância da ciência e da tecnologia tem ficado mais evidente para muitas pessoas, com exemplos que vão desde testes diagnósticos e vacinas até os dispositivos eletrônicos que nos permitem fazer quase tudo à distância.

Contudo, poucos conhecem em detalhe como é gerado o conhecimento científico e tecnológico nas universidades, que são as principais “fábricas” de conhecimento científico no Brasil. Para cada avanço reportado em um artigo ou patente, ou transformado em um produto ou processo, há meses ou anos de leitura, experimentos no laboratório, simulações no computador, discussões, análises de resultados. Além disso, existe o trabalho administrativo necessário em toda pesquisa, que inclui, entre outras tarefas, a elaboração de projetos para competir por financiamento, o recrutamento de recursos humanos e as compras de insumos e equipamentos – muitas vezes envolvendo burocráticas importações.

Muito longe da imagem do cientista trabalhando sozinho no laboratório, a realidade é que, para que tudo isso seja realizado, cada projeto científico deve contar com uma equipe de colaboradores. Idealmente, essas equipes são formadas por pessoas com diferentes graus de qualificação e experiência: bolsistas de iniciação científica, mestrado e doutorado (recursos humanos em processo de formação), bolsistas de pós-doutorado (os profissionais juniores da ciência) e professores-pesquisadores (os líderes dos grupos).

Além de trabalharem em seus projetos de pesquisa, os “pós-docs” auxiliam na intermediação entre o professor-pesquisador e os estudantes, e ganham experiência no gerenciamento de pesquisa, pois participam mais ativamente de atividades administrativas a ela relacionadas.  Diferentemente do professor, o pós-doc não tem obrigação de exercer a docência, nem precisa ocupar cargos de gestão na universidade.  “O(a) pós-doutorando(a) pode se dedicar integralmente a projetos de pesquisa, garantindo eficiência”, afirma Osvaldo Novais de Oliveira Junior, professor-pesquisador do Instituto de Física de São Carlos da USP.

Nessa estrutura, todos se beneficiam. Os bolsistas-estudantes recebem mais atenção na sua formação, o pós-doc ganha experiência na profissão de cientista e o grupo se torna mais produtivo. “Em um grupo, a atuação do pós-doc alavanca a pesquisa e permite realizar trabalhos de maior complexidade”, diz a professora Mônica Cotta, líder do Laboratório de Nano e Biossistemas na UNICAMP.

Bolsas de pós-doutorado em queda

Um número aparentemente grande de doutores formados encontra-se atualmente numa busca infrutífera de oportunidades para exercer a atividade científica. A situação tem relação com a diminuição na quantidade de bolsas ofertadas pelas agências federais que lidam com bolsas de pesquisa: o CNPq e a Capes. De fato, depois de atingir valores máximos entre 2014 e 2015, a quantidade de bolsas de pós-doutorado tem diminuído significativamente, como mostram estes gráficos.

 Quantidade de bolsas totais (esquerda) e por agência federal (direita) para doutores (bolsas de pós-doutorado, desenvolvimento tecnológico etc) ao longo dos anos. Foram excluídas as bolsas para doutores seniores ou professores e as bolsas para atividades no exterior. Dados extraídos da CAPES e o CNPq.

Sem remuneração, estes profissionais altamente capacitados e especializados, cuja formação leva em média uma década, podem encontrar posições no exterior, somando-se à “fuga de cérebros” que ocorre em épocas de pouca valorização da pesquisa no país. Ou pior, abandonar a ciência para garantir sua sobrevivência financeira.

Diferentemente de outros grupos que estão sofrendo por diminuição ou ausência de renda na pandemia, o grupo dos doutores sem remuneração não tem tido visibilidade na sociedade, nem tem sido atendido por algum programa de auxílio do governo.

Frente a este panorama, a SBPMat está reunindo histórias de doutores que não encontram oportunidades para se manterem ativos na pesquisa, com o objetivo de sensibilizar a sociedade e o governo para as dificuldades que estas pessoas e suas famílias estão passando, compreender os impactos negativos desta situação para o país e solicitar a recomposição do número de bolsas de pós-doutorado, além de uma política de valorização e incentivo à colocação de doutores em atividades de desenvolvimento e inovação em nossa sociedade.

Tales: doutor em Química, freelancer e pesquisador voluntário

Tales da Silva Daitx apresentando sua pesquisa de doutorado em uma conferência na Hungria em 2019.

Professor-pesquisador é a profissão que Tales da Silva Daitx escolheu para si. Gosta de ciência desde criança, mas foi na universidade que encontrou a paixão de descobrir coisas novas e de transmitir conhecimento a outros através da pesquisa e da docência. Tales percorreu, então, o caminho necessário para se formar adequadamente e se tornar apto a concursar em alguma instituição pública ou particular de ensino e pesquisa.

Depois da graduação em Química na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele conseguiu ingressar no programa de pós-graduação em Química dessa universidade – um programa de excelência, com nota máxima na avaliação da Capes (entidade encarregada da expansão e consolidação da pós-graduação no Brasil). Ali, passou seis anos fazendo o mestrado e o doutorado, ambos com pesquisas na área de materiais inteligentes.

Em meados de março deste ano, poucos dias após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a pandemia de Covid-19, Tales defendeu sua tese – etapa final de todo doutorado – no Instituto de Química da UFRGS. Foi uma das últimas defesas realizadas de forma presencial no instituto, junto à da esposa dele, que realizara o doutorado simultaneamente. Desde então, o casal, que mora em Porto Alegre, está tentando conseguir renda para pagar suas contas e, ao mesmo tempo, se manter ativo e produtivo na pesquisa – dois objetivos que não tem sido possível conciliar.

Ao se doutorar, Tales pretendia passar à etapa seguinte da carreira científica, o pós-doutorado (popularmente chamado de “pós-doc”). Para isso, ele contatou um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde poderia aplicar o conhecimento adquirido na pós-graduação em um projeto de desenvolvimento de nanopartículas inteligentes para uso em embalagens biodegradáveis.

Assim, depois da defesa do doutorado, já em plena pandemia, Tales participou de dois editais do CNPq, principal agência federal de financiamento à pesquisa, para tentar obter uma bolsa de pós-doc, com valor em torno dos 4 mil reais. Capacitado para realizar o projeto e dono de um currículo competitivo, com onze artigos científicos publicados em periódicos internacionais e duas patentes (uma depositada e uma já concedida), Tales obteve uma nota próxima à máxima no primeiro edital. Contudo, ele foi informado de que não seria contemplado com uma bolsa devido aos recursos disponíveis. O segundo edital, cujo resultado sairia neste mês de agosto, foi suspenso devido à pandemia.

Atualmente, enquanto busca outras oportunidades, Tales atua como pós-doc voluntário (sem bolsa nem outro tipo de remuneração) no grupo de pesquisa onde realizou o doutorado. Participa de reuniões, faz buscas bibliográficas, escreve projetos. Entretanto, ele não consegue se dedicar a essas atividades em tempo integral, já que, para suprir as necessidades financeiras básicas do casal, Tales se tornou um freelancer. Este profissional de 30 anos, altamente capacitado e especializado em uma área do conhecimento, passa boa parte do seu tempo realizando serviços que não requerem essa qualificação, como o lançamento de dados em sistemas informatizados.

“Eu acho uma pena esta situação no Brasil, da falta de oportunidades para doutores. No passado houve bastante investimento em ciência e tecnologia, e teve bons resultados. O país ficou bem posicionado no mundo em pesquisa. Mas o investimento não teve continuidade, e isso fará com que se volte à estaca zero” diz Tales. “Além disso, a pandemia mexeu no sistema de pesquisa. As políticas públicas de C&T deveriam ser revisadas”, completa.

 

Lives & Webinars da SBPMat: último mês do programa.


sbpmat-Lives-logo_1500pxNo mês de agosto foram realizados os últimos webinários técnicos de 2020 do programa Lives & Webinars da SBPMat. Cinco palestras online sobre instrumentação científica e caracterização de materiais foram proferidas por profissionais de empresas de instrumentação, do Brasil e do exterior. Entre 30 e 160 participantes assistiram a cada uma das palestras, realizadas no Zoom e no Facebook da SBPMat.

O programa Lives & Webinars é uma iniciativa da SBPMat para aprendizagem e treinamento durante o período de distanciamento social devido à pandemia de Covid-19, realizada em parceria com empresas de instrumentação.

Assista aos webinários realizados em agosto cuja gravação foi autorizada pelos palestrantes:

  • How Vacuum Innovation Drives Instrumentation (Agilent). Assista aqui.
  • Instrumented Indentation Techniques on Polymers (Nanovea e Altmann). Assista aqui.
  • Caracterização Elétrica de Materiais (Keysight). Assista aqui.
  • Not just for experts – PDF analysis in the home laboratory (Bruker). Assista aqui.
  • Soluções de vácuo para pesquisa em materiais (Edwards Vacuum). Assista aqui.

 

 

Artigo em destaque: Modelo cinético para células solares orgânicas mais eficientes.


O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Kinetic model for photoluminescence quenching by selective excitation of D/A blends: implications for charge separation in fullerene and non-fullerene organic solar cells. L. Benatto, M. de Jesus Bassi, L. C. Wouk de Menezes, L. S. Roman and  M. Koehler. J. Mater. Chem. C, 2020,8, 8755-8769.

 Modelo cinético para células solares orgânicas mais eficientes 

Contracapa do J. Mater. Chem. C, destacando a pesquisa da equipe da UFPR.
Contracapa do J. Mater. Chem. C, destacando a pesquisa da equipe da UFPR.

Diferentemente de outras células solares que estão no mercado há mais tempo, como as de silício, as orgânicas são finas, leves, flexíveis e semitransparentes. Com essas características, elas se tornam muito atrativas para segmentos específicos. No Brasil, por exemplo, que conta com produção nacional, podem ser encontradas em prédios empresariais algumas das maiores superfícies instaladas do mundo, além de instalações em alguns shopping centers, caminhões e pontos de ônibus.

Embora as versões orgânicas das células solares também ofereçam vantagens na produção em grande escala (processos industriais mais simples e com menor pegada de carbono, como o roll to roll), a conquista de mercados amplos depende, em grande parte, de continuar a melhorar a sua eficiência na conversão de luz solar em energia elétrica. Para superar esse desafio, o desenvolvimento de materiais com propriedades adequadas e a combinação dos diferentes materiais dentro do dispositivo são essenciais.

Uma equipe científica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) dedicou-se a estudar em detalhe, usando ferramentas experimentais e teóricas, o mecanismo de geração de cargas elétricas em células solares orgânicas – um processo complexo que ainda não é compreendido na sua totalidade. Na prática, os resultados deste trabalho auxiliam na escolha de quais materiais devem ser usados e como eles devem ser sintetizados, de modo que suas propriedades potencializem a eficiência da conversão de luz em eletricidade. A pesquisa foi reportada em artigo do Journal of Materials Chemistry C (fator de impacto 7,059), onde recebeu destaque em contracapa.

Desvendando a dissociação do éxciton

No sanduíche de camadas que forma as células solares, a camada ativa (responsável por absorver a luz e gerar as cargas elétricas) é composta por materiais semicondutores, os quais, no caso dos dispositivos orgânicos, são polímeros ou outras moléculas baseadas em carbono. Ao ser excitados pela luz, estes materiais não geram cargas elétricas livres, como acontece nos semicondutores inorgânicos. Eles geram éxcitons, que são pares elétron – buraco ligados por forças de atração entre a carga negativa do primeiro e a positiva do segundo.

Para gerar as cargas livres, que formam a corrente elétrica, é preciso quebrar essa ligação, num fenômeno chamado de dissociação do éxciton. Uma das formas de consegui-lo é criar, na camada ativa, uma interface entre um material doador de elétrons e outro aceitador de elétrons. “Dependendo da combinação desses dois materiais, o processo de dissociação dos éxcitons pode ocorrer em uma escala de tempo muito baixa, resultando numa geração de carga mais eficiente”, explica Leandro Benatto, autor correspondente do paper. “No entanto, esse processo ainda não é bem compreendido”, completa.

O trabalho de Leandro e os outros autores concentrou-se, justamente, em tentar compreender a dissociação do éxciton e a geração de cargas livres na interface entre o material doador e o aceitador. A equipe realizou experimentos de fotoluminescência usualmente utilizados para dimensionar a eficiência na geração de cargas livres em sistemas desse tipo e desenvolveu um modelo matemático que simula o processo. Os resultados experimentais e os teóricos foram muito similares, comprovando a precisão do modelo. “Desenvolvemos um modelo que simula a cinética do processo, englobando diversas etapas da dissociação dos éxcitons e considerando as principais características da interface”, diz ele. “A partir do modelo cinético foi possível reproduzir muito bem os resultados experimentais e observar de forma mais clara os principais fatores que influenciam a eficiência do processo de geração de cargas livres em interfaces doador/aceitador”, completa.

Fulerenos x não fulerenos

O trabalho que gerou o artigo foi coordenado por dois professores do Departamento de Física da UFPR, Marlus Koehler e Lucimara Stolz Roman, que possuem uma parceria de longa data no estudo teórico – experimental de células solares orgânicas. “A parte teórica começou a ser desenvolvida em 2019, no final do meu doutorado em Física pela UFPR sob orientação do professor Marlus, e continuou no meu pós-doutorado no Laboratório de Dispositivos Nanoestruturados (DINE) sob coordenação da professora Lucimara” conta Leandro. Também participaram da pesquisa Maiara de Jesus Bassi, doutoranda em Física no grupo da professora Lucimara, e Luana Cristina Wouk, doutora em Física que também foi orientanda da professora Lucimara, e atualmente trabalha no centro privado de pesquisa aplicada CSEM Brasil, o que auxiliou a contextualizar o problema no cenário de desenvolvimento em larga escala.

A ideia inicial do trabalho foi entender a diferença entre dois tipos de moléculas aceitadoras de elétrons: as derivadas de fulereno (um alótropo do carbono), que têm excelente desempenho na coleta e transporte de elétrons mas possuem um limitado espectro de absorção luminosa, e compostos não derivados de fulerenos, cujas propriedades de coleta e transporte têm sido otimizadas nos últimos anos. “Esse é um tema muito interessante visto que, recentemente, a eficiência das células solares orgânicas baseadas em não fulerenos superou a das baseadas em fulerenos, apesar de que, alguns anos atrás, não se imaginava que os fulerenos seriam superados”, relata Leandro. Atualmente, células solares orgânicas de não fulerenos produzidas em laboratório alcançaram a eficiência de 18%”, completa.

Esta pesquisa recebeu financiamento das agências brasileiras Capes, CNPq e FAPEMIG, do INCT–Nanocarbono e da COPEL (Companhia Paranaense de Energia).

Os autores do artigo. A partir da esquerda: Leandro Benatto, Maiara de Jesus Bassi, Luana Cristina Wouk, Lucimara Stolz Roman e Marlus Koehler.
Os autores do artigo. A partir da esquerda: Leandro Benatto, Maiara de Jesus Bassi, Luana Cristina Wouk, Lucimara Stolz Roman e Marlus Koehler.