Grande Prêmio Capes de Tese para vencedor do prêmio da área de Materiais.


Como Edroaldo está fazendo pós-doutorado nos Estados Unidos, foi representado na cerimônia por seu pai (a quinta pessoa a partir da esquerda). (Foto: Haydée Vieira – CCS/Capes)

O Grande Prêmio Capes de Tese 2015 no grupo de Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar foi outorgado à tese de doutorado vencedora do Prêmio Capes de Tese 2015 na área de Materiais, intitulada “Interações nanopartícula-células e biomaterial-células induzem mudanças globais em programas de expressão de genes”. A tese foi defendida em 2014 por Edroaldo Lummertz da Rocha para obtenção de diploma de doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O prêmio foi entregue em cerimônia realizada no dia 10 de dezembro na sede da Capes, em Brasília.

O Grande Prêmio seleciona a melhor tese de cada uma das três grandes áreas de avaliação da Capes.  Para concorrer ao Grande Prêmio, os autores vencedores do Prêmio Capes de Tese devem apresentar à Capes uma vídeo-aula com duração de 20 a 30 minutos, destinada a estudantes de ensino médio, abordando o tema da tese de forma apropriada para o público-alvo.

Em seu vídeo, Edroaldo apresentou as contribuições de sua pesquisa de doutorado ao desenvolvimento de nanoestruturas que, introduzidas no corpo humano, podem ter efeitos terapêuticos contra o câncer e, ao mesmo tempo, geram menos efeitos colaterais do que os métodos mais utilizados atualmente (cirurgia, quimioterapia e radioterapia). Para apresentar essas contribuições, o vídeo explica conceitos como o de câncer e o de bionanotecnologia. O vídeo também aborda o desenvolvimento do software CellNet, do qual Edroaldo participou durante seu doutorado, que auxilia na investigação da transformação de células de um tipo em outro tipo (por exemplo, células-tronco em outras células ou células da pele em células do coração). Veja aqui a vídeo-aula preparada por Edroaldo e também os vídeos dos demais candidatos ao Grande Prêmio.

O Grande Prêmio Capes de Tese consiste em passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação; certificado de premiação ao orientador, coorientador(es) e ao programa em que foi defendida a tese; certificado de premiação e medalha para autor; auxílio equivalente a uma participação em congresso internacional para o orientador, no valor de R$ 6 mil; bolsa para realização de estágio pós-doutoral em instituição nacional de até cinco anos para o autor da tese, podendo converter um ano em estágio pós-doutoral fora do país em uma instituição de notória excelência na área de conhecimento do premiado; e U$ 15 mil para o premiado, concedidos pela Fundação Conrado Wessel.

Veja também a entrevista do Boletim da SBPMat com Edroaldo Lummertz da Rocha, publicada na edição 39.

Oportunidade de bolsas de pós-doutorado junto ao DIMARE/INPE.


O grupo DIMARE (Diamante e Materiais Relacionados) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE– São José dos Campos) anuncia a disponibilidade de 2 (duas) bolsas de Pós-Doutorado Júnior (PDJ) do CNPq para início imediato, por um período de 12 (doze) meses, com possibilidade de prorrogação. Os bolsistas selecionados desenvolverão os seguintes projetos:

Projeto 1 – Incorporação de nano partículas no crescimento de filmes de DLC para aplicações Espaciais e Biológicas  (1 bolsa).

Projeto 2 – Estudo teórico-experimental da síntese de Diamante-CVD mono e policristalino visando aplicação em conversores termiônicos (1 bolsa).

Requisitos do candidato à bolsa PDJ

O candidato indicado para recebimento da bolsa de pós-doutorado júnior deverá atender aos seguintes requisitos:

a) possuir título de doutor há menos de 7 anos, quando da implementação da bolsa, no caso de proposta aprovada;

b) dedicar-se às atividades programadas;

c) não acumular a presente bolsa com bolsas concedidas por qualquer agência de fomento nacional;

Os interessados devem enviar um e-mail para o Prof. Vladimir Jesus Trava Airoldi (vladimir.airoldi@inpe.br) informando o link para o Currículo Lattes e em qual o projeto gostariam de trabalhar.

Artigo em destaque: Nanopartículas “verdes” para despoluir as águas.


O artigo científico com participação de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: “Green” colloidal ZnS quantum dots/chitosan nano-photocatalysts for advanced oxidation processes: Study of the photodegradation of organic dye pollutants. Alexandra A.P. Mansur, Herman S. Mansur, Fábio P. Ramanery, Luiz Carlos Oliveira, Patterson P. Souza. Applied Catalysis B: Environmental, 158–159 (2014), 269–279. DOI:10.1016/j.apcatb.2014.04.026.

Artigo de divulgação: Nanopartículas “verdes” para despoluir as águas.

Um grupo de pesquisadores de instituições de Minas Gerais desenvolveu nanopartículas triplamente “verdes”. Elas podem ser usadas na purificação de água, um dos grandes desafios globais do século XXI. Além disso, convivem em harmonia com o meio ambiente e com sistemas biológicos e, finalmente, são produzidas por meio de um processo ambientalmente correto.

“Conseguiu-se integrar propriedades e características raras em sistemas nanoestruturados, biocompatibilidade e compatibilidade ambiental, utilizando um processamento ‘verde’”, destaca o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Herman Sander Mansur, um dos autores do trabalho.

As partículas desenvolvidas são formadas por “pontos quânticos” (nanocristais semicondutores fluorescentes) de sulfeto de zinco (ZnS) de cerca de 3,8 nm de tamanho, recobertos por “cascas” de quitosana – material abundante e de baixo custo, derivado do esqueleto externo de crustáceos como camarões, caranguejos e siris. O processo de síntese (fabricação) dessas partículas é realizado em apenas uma etapa e conduzido em meio aquoso, sem uso de substâncias tóxicas.

Num estudo realizado pela equipe de pesquisadores, as nanopartículas demonstraram capacidade de degradar pigmentos orgânicos contaminantes usualmente encontrados em águas, usando apenas luz, inclusive radiação solar direta.

“Os resultados foram muito promissores, uma vez que foi possível observar que o sistema produzido foi efetivo na fotodegradação dos contaminantes orgânicos presentes nas soluções aquosas avaliadas”, comenta Herman Mansur, que é o autor correspondente de um artigo sobre a pesquisa, recentemente publicado na revista Applied Catalysis B: Environmental (fator de impacto 6,007).

O trabalho também será objeto de um pedido de patente ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), cuja redação já foi iniciada pelos autores. “A etapa seguinte deverá ser a busca de potenciais interessados ou parceiros da iniciativa privada no sentido de viabilizar a comercialização futura como produto para o tratamento de águas poluídas por pigmentos orgânicos”, adianta Mansur.

Representação esquemática do sistema nanoestruturado produzido com núcleo de ZnS e casca de quitosana para fotodegradação de poluentes orgânicos em água.

A história do trabalho

Foi durante as discussões científicas que ocorriam nas reuniões mensais da Câmara de Ciências Exatas e dos Materiais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) que surgiu a ideia inicial desta pesquisa. De fato, tanto Herman Mansur, coordenador do Centro de Nanociências, Nanotecnologia e Inovação da UFGM, como Luiz Carlos de Oliveira, coordenador de um grupo de pesquisa em materiais avançados para catálise e fotocatálise na mesma universidade, foram membros desse comitê assessor entre fevereiro de 2010 e o mesmo mês de 2014. “A ideia principal foi utilizar a nanotecnologia para o desenvolvimento de soluções ambientais inovadoras para despoluição de água, como um bem cada vez mais escasso no mundo, seja em países desenvolvidos, emergentes ou com baixo desenvolvimento socioeconômico”, lembra Mansur.

Os professores elaboraram então um projeto que agregou a experiência dos dois grupos de pesquisa: a equipe do professor Mansur, dedicada há duas décadas ao desenvolvimento de nanomateriais e nanoestruturas através da síntese de pontos quânticos, e o grupo do professor Oliveira, que vem trabalhando na área de catálise química, na busca de soluções sustentáveis para o tratamento de resíduos industriais.

Desse trabalho inicial surgiu um primeiro artigo sobre nanopartículas com núcleo de sulfeto de cádmio (CdS) e casca de óxido de nióbio: L. C Oliveira et. al. One-pot Synthesis of CdS@Nb2O5 Core-Shell Nanostructures with Enhanced Photocatalytic Activity. Applied Catalysis. B, Environmental, v. 152:53, p. 403-412, 2014 (DOI:10.1016/j.apcatb.2014.01.025).

Na sequência, foi idealizada, projetada e desenvolvida pelo grupo a aplicação do conceito de “química verde” em todo o projeto, gerando as nanopartículas de sulfeto de zinco e quitosana e seu processo de síntese. Na fase seguinte, o trabalho incorporou também a colaboração do professor Patterson P. Souza, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), que realizou as análises de espectrometria de massas avaliando a degradação dos pigmentos orgânicos utilizados como modelos de espécies químicas poluidoras.

Prêmios para trabalhos em cerâmicas refratárias.


Pesquisas sobre cerâmicas refratárias realizadas no âmbito do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da UFSCar, no grupo coordenado pelo professor Victor C. Pandolfelli, foram contempladas com cinco prêmios durante 2012.

A mais recente das distinções foi outorgada em novembro de 2012 pela Associação Latino-americana de Fabricantes de Refratários (ALAFAR), no XXXVI ALAFAR Congress. Na ocasião, o artigo “High-performance nano-bonded refractories for a wide-temperature range” recebeu o prêmio de melhor trabalho na área de cerâmicas de altas temperaturas. São autores desse trabalho Mariana Braulio (doutora em Ciência e Engenharia de Materiais pela UFSCar), Jorge B. Gallo (gerente da área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Alcoa Alumínio S. A.), Jorivaldo Medeiros (pesquisador do CENPES-Petrobras) e Victor C. Pandolfelli.

“Embora os estudos envolvendo nanopartículas sejam hoje assuntos correntes, é raro o uso e domínio da técnica em larga escala e em produtos com preços compatíveis aos disponíveis no mercado”, explica o professor Pandolfelli. “Este estudo e desenvolvimento alia, portanto, o uso dos fundamentos científicos que possibilitam o uso de nanopartículas em materiais cerâmicos para alta temperatura (entre 800 e 1400°C) e o superior desempenho do produto obtido para uso na unidade de craqueamento catalítico de indústrias petroquímicas e calcinadores para a indústria de alumínio”, completa.

Outro trabalho premiado do grupo foi o artigo “Novel technological route to overcome the challenging magnesia hydration of cement-free alumina castables”, de autoria de Tiago M. Souza, que também é doutor em Ciência e Engenharia de Materiais pela UFSCar, Mariana A. L. Braulio e Victor C. Pandolfelli. O trabalho recebeu, em setembro deste ano, o Gustav Eirich Award 2012 – uma distinção outorgada pela empresa alemã Gustav Eirich Maschinenfabrik e o Centro Europeu de Refratários (ECRef) a trabalhos de pesquisa na área de materiais refratários. A avaliação dos trabalhos é realizada por um júri formado por profissionais europeus de indústrias, universidades e centros de pesquisas.

O artigos vencedores estão em processo de publicação em revistas internacionais.