Seleção de professores pesquisadores para o PPGCEM – UNESC.


 Edital para contratação de docentes  para atuarem no Programa de Pós-graduação “Stricto Sensu” e nos Cursos de Graduação.

Área de Ciência e Engenharia de Materiais, na Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC.

São Três (03) Vagas para atuarem como professor pesquisador no mestrado/ doutorado do PPGCEM e graduação.

Edital disponível no link: https://www.unesc.net/portal/resources/official_documents/16370.pdf?1543449958

Pós-doutorado no PPGCEM da UFRN.


O Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), programa avaliado com Nota 7 pela CAPES, divulga novo Edital de Estágio Pós-Doutoral do Programa (EDITAL 04/2018 – PPGCEM – PROCESSO SELETIVO PARA PÓS-DOUTORADO), disponível aqui.

As inscrições poderão ser realizadas no período de 15/12/2018 a 25/01/2019, pelo site do PPGCEM (www.posgraduacao.ufrn.br/ppgcem) ou pela página do SIGAA: https://sigaa.ufrn.br/sigaa/public/processo_seletivo/lista.jsf?aba=pprocesso&nivel%2520=S

Serão disponibilizadas 4 (quatro) vagas para Doutores em Ciência e Engenharia de Materiais ou áreas afins.

Os candidatos aprovados poderão solicitar ao PPGCEM bolsa de pós-doutorado, dentro das cotas disponibilizadas pela CAPES ao Programa e conforme disponibilidade das mesmas, no âmbito do Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD/CAPES).

E, para mais informações ou em caso de dúvidas:

Seleção para mestrado e doutorado no PGrCEM da EESC da USP.


O Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PGrCEM) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP recebe inscrições até o dia 11 de novembro no processo seletivo para ingresso nos cursos de mestrado e doutorado no primeiro semestre 2019.
As inscrições são recebidas por e-mail até 11/11/2018 e a prova será aplicada no dia 03/12/2018.
As informações completas estão disponíveis na página http://www.smm.eesc.usp.br/pgrcem/index.php/79-processo-seletivo-1-semestre-2019
A classificação obtida será utilizada para distribuição de bolsas de estudo.

Inscrições para Mestrado e Doutorado na PUC-Rio.


Engenharia de Materiais e de Processos Químicos e Metalúrgicos – Inscrições até 25/11/2018 – Conceito 5 na CAPES

Candidatos interessados nos programas de mestrado e doutorado podem escolher entre duas áreas de concentração: Ciência e Engenharia dos Materiais ou Engenharia de Processos e Meio Ambiente. Ao todo são dez linhas de pesquisas dividas em: Processo e Caracterização de Materiais, Desempenho e Integridade de Materiais, Junção de Materiais, Transformação de Fases, Materiais Nanoestruturados / Caracterização, Tecnologia Mineral, Siderurgia, Extração, Síntese e Processamento Químico de Materiais, Tecnologias Ambientais, Materiais Nanoestruturados / Síntese.

Mais informações: http://www.puc-rio.br/ensinopesq/ccpg/download/editais/mestrado_doutorado_materiais.pdf

Inscrições abertas para vagas de mestrado e doutorado no Programa de pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da USP São Carlos.


O Programa é  nota 6 na avaliação da CAPES.
Os pedidos de inscrição serão recebidos via internet através do e-mail pgrcem@sc.usp.br, até o dia 20/05/2018.
A prova será realizada no dia 04/06/2018.
[+] informação

Secretaria: Tel.: (16) 3373-8125, E-mail: pgrcem@sc.usp.br

Processo seletivo para curso de mestrado do Programa de Pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da UTFPR.


Programa: Mestrado acadêmico em Ciência e Engenharia de Materiais
Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Câmpus Londrina
Processo de seleção: Avaliação não presencial (esta avaliação será online e realizada no dia 05/02/2018; confira o conteúdo e bibliografia no Edital). Análise de Currículo (análise objetiva do Currículo Lattes, baseada na pontuação do ANEXO I declaração segundo o roteiro do ANEXO II).
Datas importantes:
Início das inscrições: 23/11/2017
Fim das inscrições: 31/01/2018
Realização da Avaliação online: 05/02/2018
Início das aulas: 05/03/2018
ou pelo e-mail: ppgcem-ld@utfpr.edu.br

Vaga para Professor no Departamento de Engenharia Química e de Materiais do CTC/PUC-Rio.


Com inscrições abertas até 01/12, é indispensável o título de Doutor em Engenharia Química ou áreas afins para participar do processo seletivo

O Departamento de Engenharia Química e de Materiais do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio) abriu processo seletivo para contratação de um professor assistente. O profissional deverá lecionar para alunos da graduação e pós-graduação, com carga horária semanal de 40 horas. As inscrições estarão abertas até 01/12/17 e é pré-requisito possuir Doutorado em Engenharia Química ou áreas relacionadas.

Se destacarão os candidatos com produção científica contínua, com publicações em meios nacionais e internacionais reconhecidos na área. Além das aulas, é importante que os candidatos tenham experiência ou demonstrem vocação para conduzir projetos de pesquisa de alto nível. Uma das funções é orientar estudantes (da graduação, em iniciação científica, e da pós-graduação) em pelo menos dois dos quatro domínios que fazem parte do escopo do departamento: processos químicos; físico-química aplicada; instrumentação e controle de processos ou modelagem, simulação e controle de processos.

O programa de pós-graduação em Engenharia de Materiais e de Processos Químicos e Metalúrgicos conquistou conceito cinco na CAPES na avaliação 2013-2016, ficando em destaque entre os programas nacionais da área.

Para se inscrever, basta enviar os seguintes documentos para o e-mail ebrocchi@puc-rio.br.

– Currículo Vitae em formato livre, com destaque para as publicações em periódicos, eventuais orientações de alunos e projetos que coordenou;

– Memorial sucinto

– Breve relato sobre as motivações e intenções futuras em termos de ensino, pesquisa e extensão;

– Ao menos duas cartas de referências, que devem ser endereçadas ao Diretor do

Departamento de Engenharia Química e de Materiais da PUC-Rio (Rua Marquês de São Vicente, 225, Rio de Janeiro, Brasil, CEP 22.453-900)

Além da avaliação documental, os candidatos aprovados nessa fase, serão convocados para a segunda etapa, nos dias 14 e 15/12: apresentação oral e uma prova de hora-aula de graduação com duração de 30 a 40 minutos.

A contratação do candidato selecionado será no primeiro semestre de 2018. O edital com todas as informações referentes ao processo seletivo está disponível no site: http://www.deqm.puc-rio.br/?pag=noticias&not=142.

SERVIÇO:

PROCESSO SELETIVO PARA PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA E DE MATERIAIS DO CTC/PUC-RIO

Inscrições: Até 01/12/17

Informações: http://www.deqm.puc-rio.br/?pag=noticias&not=142

Telefone: (21) 3527-1233/1235/1776

Processo Seletivo para pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais, USP/São Carlos.


Inscrições abertas na pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais, USP/São Carlos.

O Programa recebeu nota 6 na última avaliação da CAPES e oferece vagas de mestrado e doutorado.

Inscrições até 12/11/2017.

http://www.smm.eesc.usp.br/pgrcem/index.php/75-processo-seletivo-1-semestre-de-2018

Veja cartaz aqui.

Bolsa de pós-doutorado CAPES no PPGCEM/UFSCar.


A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (PPGCEM/UFSCar) torna pública a abertura de inscrições no Processo Seletivo de candidatos a (01) uma bolsa do Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD-CAPES) para atuar junto a este Programa de Pós-Graduação.

Mais informações e integra do edital podem ser encontradas no site:

http://www.ppgcem.ufscar.br/processo-seletivo-1/pnpd-capes-2-2017/pnpd-capes-edital-10-2017

*** Inscrições até 14/06/17

Gente da comunidade: entrevista com o pesquisador Angelo Fernando Padilha.


Prof. Angelo Fernando Padilha (USP).
Prof. Angelo Fernando Padilha (USP).

Angelo Fernando Padilha nasceu no dia 30 de agosto de 1951 em Novo Horizonte, uma pequena cidade do estado de São Paulo. Cursou o ensino primário e os primeiros anos do secundário (o então chamado “ginásio”) na cidade natal e, aos 16 anos, mudou-se para São Carlos, a uns 170 km de Novo Horizonte, para fazer o “curso científico”, que abrangia os últimos três anos do ensino secundário e oferecia ao aluno uma formação com ênfase maior do que no “curso clássico” nas disciplinas de Matemática, Física, Química e Biologia.

Em 1970, ingressou no curso de graduação em Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que acabara de ser criado. Formou-se em 1974. No ano seguinte, realizou uma especialização em Ciência e Tecnologia Nucleares da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), oferecida no Instituto de Energia Atômica (IEA), atual Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), na cidade de São Paulo. No mesmo ano, ele começou a trabalhar no IEA com pesquisa e desenvolvimento de materiais para reatores nucleares. Também em 1975, Padilha iniciou o mestrado em Engenharia Metalúrgica da Universidade de São Paulo (USP), o qual concluiu em 1977 com a aprovação da sua dissertação sobre recuperação e recristalização em uma liga de alumínio.

Em 1978, ainda vinculado ao IEA, iniciou o doutorado em Engenharia Mecânica na Universität Karlsruhe, atual Karlsruher Institut für Technologie (KIT), Alemanha, obtendo o diploma de Doktor-Ingenieur em 1981 após a defesa de sua tese sobre precipitação em um aço inoxidável, utilizado no elemento combustível do reator rápido regenerador (fast breeder reactor) alemão SNR300. No ano seguinte, no Max Planck Institut für Metallforschung, na cidade alemã de Stuttgart, Padilha fez uma especialização de três meses em Ciência dos Materiais na qual estudou diagramas de fases envolvendo metais refratários.

De 1984 a 1986, além de desenvolver atividades de pesquisa no IPEN, atuou como docente no curso de graduação em Engenharia Metalúrgica da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

De 1987 a 1988, realizou um pós-doutorado na Ruhr Universität Bochum (RUB), na Alemanha.

Em 1988, depois de passar 13 anos trabalhando no IPEN, Angelo Padilha tornou-se docente do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da USP (EPUSP). Na Politécnica fez a livre-docência em 1989, e, em 1993, foi aprovado em concurso de professor titular.

No ano 1993, voltou à RUB, na Alemanha, para realizar uma especialização em aços inoxidáveis dúplex. Em 1998, realizou um segundo pós-doutorado, na University of Wales Swansea, hoje Swansea University, no Reino Unido.

De julho de 2011 a novembro de 2015, foi cedido pela USP para exercer cargos diretivos em entidades ligadas ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), atualmente de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Nesse período, foi presidente e presidente da comissão deliberativa da CNEN, presidente da Rede Nacional de Fusão (criada em 2006 para coordenar e ampliar a pesquisa em fusão nuclear no Brasil) e presidente do conselho de administração de duas empresas do segmento nuclear vinculadas ao MCTI, a Nuclebrás Equipamentos Pesados (NUCLEP) e a Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Além disso, foi membro do comitê de coordenação dos fundos setoriais e, de 2012 a 2014, membro do conselho técnico-científico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

É autor de mais de 100 artigos publicados em periódicos científicos indexados e cerca de vinte livros e capítulos de livros, como o conhecido livro didático “Materiais de Engenharia”. Sua produção acadêmica conta com, aproximadamente, 2.800 citações, segundo o Google Scholar. Já orientou 25 dissertações de mestrado e 24 teses de doutorado.

Ao longo da sua trajetória profissional, Padilha recebeu uma série de distinções da Presidência da República, Marinha do Brasil e Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM), entre outras entidades.

Atualmente, Angelo Padilha é professor titular da EPUSP, onde ministra disciplinas na graduação e pós-graduação e desenvolve pesquisas sobre metais. Ele é membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo desde 2012 e bolsista de produtividade do CNPq de nível sênior (nível outorgado a cientistas ativos na pesquisa e formação de recursos humanos que tenham sido bolsistas de nível 1 A ou B por, no mínimo, 15 anos). Seu índice h é de 27, de acordo com o Google Scholar.

Segue uma entrevista com o pesquisador.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos o que o levou a estudar Engenharia de Materiais na primeira turma de Engenharia de Materiais da América Latina (UFSCar, 1970-1974) e a se tornar um pesquisador da área.

Angelo F. Padilha: – Durante o curso ginasial, eu já havia decidido ser engenheiro, mas não tinha clareza sobre que modalidade de Engenharia escolheria. Concluído o ginásio em minha cidade natal (Novo Horizonte, SP), fui para São Carlos, fazer o curso científico. São Carlos foi essencial para a minha formação. A cidade oferecia tudo que um garoto de 16 anos e distante dos pais poderia desejar! No meio estudantil, fervilhavam cultura, debate e rebeldia. Estou falando do início de 1967. O período pior do regime militar iniciado em 1964 ainda estava por vir.

Fui alertado da criação de um curso de Engenharia de Materiais em São Carlos por uma tia, que havia lido um artigo ou uma entrevista do professor Sérgio Mascarenhas no jornal da cidade e ficara impressionada. Foi a primeira vez que ouvi falar desta modalidade de Engenharia. O exame de ingresso foi instigante, muito diferente dos vestibulares da época. Fui muito bem classificado e fiz matrícula. A primeira turma de Engenharia de Materiais da UFSCar era composta de 50 alunos: 2 garotas e 48 rapazes. A universidade foi instalada em uma fazenda de mais de 200 alqueires, pouco distante da cidade. As instalações iniciais foram adaptadas. O ambiente era calmo e acolhedor. Hoje, posso avaliar melhor do que podia à época e estou convencido de que o curso como um todo foi excelente. Ofereceu-nos uma base científica consistente e moderna. A proporção de aulas experimentais foi a mais elevada que tenho conhecimento, para um curso de engenharia. Graças à base científica e tecnológica adquirida nos cinco anos de UFSCar, pude aproveitar bem o mestrado em Engenharia Metalúrgica na Escola Politécnica e depois o doutorado na faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade de Karlsruhe. Grande parte da nossa turma fez pós-graduação, em universidades de primeira linha do Brasil e do exterior.

Boletim da SBPMat: – Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições à área de Materiais? Descreva brevemente as contribuições de mais impacto ou mais destacadas considerando todos os aspectos da atividade científica.

Angelo F. Padilha: – A área de Materiais fez muito mais por mim do que eu fiz por ela. Nunca trabalhei na fronteira do conhecimento, tampouco procurei nichos científicos. Procuro utilizar conceitos científicos modernos e técnicas experimentais avançadas para estudar, entender e aperfeiçoar materiais tradicionais e amplamente utilizados, tais como aços e ligas de alumínio. Por exemplo, meu artigo (em coautoria com Paulo Rangel Rios) mais lido e citado é um trabalho de revisão, publicado em 2002 e aborda a microestrutura de aços inoxidáveis austeníticos; um material descoberto em 1911 e ainda bastante utilizado.

Encaro como uma obrigação agradável escrever livros técnicos em português. Publiquei meu primeiro livro, sobre técnicas de análise microestrutural, em coautoria com Francisco Ambrózio Filho, em 1985. Sinto-me gratificado ao ver meus livros espalhados por várias bibliotecas do país. Embora sejam todos muito simples, são lidos e até citados.

Gosto muito da atividade docente, tive muitas centenas, talvez milhares, de alunos e dezenas de orientados. Até hoje sinto prazer em orientar estudantes e em dar aulas de Ciência dos Materiais no primeiro ano da Poli e de disciplinas mais específicas nos anos finais da graduação e na pós-graduação. Considero a interação com a indústria essencial para um professor e pesquisador da área de Engenharia. Mais da metade dos trabalhos que orientei foram em cooperação com a indústria.

Boletim da SBPMat: – Você tem uma significativa trajetória de pesquisa e gestão em instituições do segmento da energia nuclear. Quais são, na sua visão, os desafios da pesquisa em Materiais para área nuclear?

Angelo F. Padilha: – Meu primeiro emprego como engenheiro foi na área nuclear, na Coordenadoria de Ciência e Tecnologia de Materiais (CCTM) do Instituto de Energia Atômica (IEA), hoje IPEN-CNEN. O grupo foi criado e era liderado pelo Professor Shigueo Watanabe. Era composto de cerca de 50 pessoas, quase todos físicos do estado sólido. A convivência com eles foi para mim uma escola importante.

As aplicações da tecnologia nuclear contemplam não apenas a geração de energia núcleo-elétrica, mas também numerosas aplicações na indústria, na medicina, na agricultura, além da propulsão nuclear. Por exemplo, o número de pessoas que já se beneficiaram dos radio-fármacos produzidos no IPEN é comparável ao número de pessoas que se beneficiam da energia elétrica gerada pelos reatores instalados em Angra dos Reis.

Quase todos os materiais utilizados na construção de um reator nuclear, ou de um submarino de propulsão nuclear, ou até mesmo de uma centrífuga para enriquecimento isotópico de urânio são materiais que não foram desenvolvidos para estas aplicações. Na década de 1950, quando os norte-americanos construíram o primeiro reator nuclear para geração de energia núcleo-elétrica e o primeiro submarino de propulsão nuclear, em termos de materiais, eles precisaram desenvolver principalmente a tecnologia do urânio e do zircônio. Centenas de outros materiais indispensáveis para as aplicações mencionadas já eram disponíveis ou precisaram tão somente de alguma adaptação.

Por outro lado, as tecnologias nucleares apresentam algumas características especiais: i) são dominadas por poucos países; ii) muitas delas não podem ser adquiridas no mercado; iii) existe pouca cooperação internacional, especialmente nas tecnologias nucleares sensíveis; iv) são tecnologias complexas e exigem uma grande quantidade de recursos humanos e econômicos para serem desenvolvidas; v) são em geral tecnologias maduras, dominadas e aperfeiçoadas ao longo de décadas. Um país ao dominar uma tecnologia madura, pode rapidamente transformá-la em vantagem geopolítica ou econômica.

O Brasil construiu ao longo dos últimos sessenta anos um programa nuclear que pode ser classificado como um dos dez ou doze mais importantes do planeta. Além disto, temos grandes reservas de urânio. Do ponto de vista de materiais, ainda somos dependentes de importações, que frequentemente encontram grandes obstáculos. Acredito que os maiores desafios e oportunidades na área de materiais para aplicações nucleares estão na produção nacional, nas adaptações e nos aperfeiçoamentos. É mais provável que as inovações futuras sejam do tipo incremental do que radical.

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas.

Angelo F. Padilha: – Procure obter uma formação científica consistente, o resto será consequência. Um pesquisador com conhecimentos profundos em disciplinas fundamentais, tais como termodinâmica, cristalografia e transformação de fases será sempre bem-vindo em qualquer grupo de pesquisa. Não desanime ao enfrentar a nossa mastodôntica e caolha burocracia.

Boletim da SBPMat: – Seu nome consta na “comissão interdisciplinar de materiais”, criada no final do ano 2000 para viabilizar a fundação da SBPMat. Se possível, compartilhe alguma lembrança ou comentário a respeito da sua participação na criação da sociedade.

Angelo F. Padilha: – Acredito que a SBPMat foi criada no momento certo e com o perfil adequado. Em minha opinião, esta é a principal razão do seu perdurável sucesso. Todos da “Comissão Interdisciplinar de Materiais” contribuíram de alguma forma; uns mais e outros menos. Eu estou certamente entre os que menos contribuíram. Acho que a capacidade de articulação agregadora do Guillermo Solórzano e a liderança científica do Edgar Zanotto foram decisivas. Tenho orgulho de ter participado da criação da SBPMat.