Artigo em destaque: Nanoplataforma magneto-luminescente de baixa toxicidade.

O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Fe3O4@SiO2 Nanoparticles Concurrently Coated with Chitosan and GdOF:Ce3+,Tb3+ Luminophore for Bioimaging: Toxicity Evaluation in the Zebrafish Model. Latif U. Khan, Gabriela H. da Silva, Aline M. Z. de Medeiros, Zahid U. Khan, Magnus Gidlund, Hermi F. Brito, Oscar Moscoso-Londoño, Diego Muraca, Marcelo Knobel, Carlos A. Pérez, Diego Stéfani T. Martinez. ACS Appl. Nano Mater. 2019, 2,6, 3414-3425. https://doi.org/10.1021/acsanm.9b00339.

Nanoplataforma magneto-luminescente de baixa toxicidade

Capa da ACS Applied Nano Materials destacando o artigo da equipe brasileira.
Capa do periódico científico destacando o artigo.

Em um trabalho de pesquisa realizado em uma série de laboratórios brasileiros, uma equipe científica multidisciplinar desenvolveu um nanomaterial magnético, luminescente e capaz de se ligar quimicamente a moléculas de interesse, como fármacos ou proteínas. O nanomaterial também apresentou baixa toxicidade em testes com organismos vivos. Tendo esse conjunto de características, o novo material pode ser visto como uma nanoplataforma multifuncional, promissora para o desenvolvimento de diversas aplicações, principalmente nas áreas de biotecnologia, saúde e ambiente. O estudo foi reportado em artigo publicado na ACS Applied Nano Materials (periódico da American Chemical Society lançado em 2018), e destacado em capa da edição de junho da revista.

As propriedades dessa nanoplataforma provêm da presença de diversos compostos e elementos com propriedades distintas: nanopartículas de óxido de ferro (Fe3O4, conhecido como magnetita) responsáveis pelo magnetismo; íons de elementos lantanídeos (Gd3+, Ce3+ e Tb3+, conhecidos como terras raras) responsáveis pela luminescência ou emissão de luz, e quitosana (biopolímero obtido a partir do exoesqueleto de crustáceos), fundamental para propiciar, na superfície na nanoplataforma, as ligações químicas com moléculas externas de interesse.

A nanoplataforma foi desenvolvida no Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNNano – CNPEM). O processo utilizado para sua síntese abrange uma série de etapas. Inicialmente, as nanopartículas de óxido de ferro que formam o núcleo das nanoplataformas são sintetizadas e revestidas com dióxido de silício (SiO2). Depois, os elementos luminescentes e a quitosana são incorporados às nanopartículas formando uma camada externa. O resultado são nanoplataformas de aproximadamente 170 nm de diâmetro (em média), denominada Fe3O4@SiO2/GdOF:xCe3+,yTb3+.

À esquerda, ilustração esquemática de uma das nanoplataformas, mostrando seu núcleo. À direita, solução com nanoplataformas sob efeito de um campo magnético (concentradas próximo dos ímãs) e irradiada com luz UV (gerando a emissão de luz verde).
À esquerda, ilustração esquemática de uma das nanoplataformas desenvolvidas, mostrando seu núcleo e a camada externa. No quadro preto à direita, fotografias de soluções aquosas com nanoplataformas. À esquerda do quadro, pode ser visto o efeito de se irradiar a solução com luz ultravioleta: as nanoplataformas emitem luz verde.  À direita, distingue-se o efeito da aplicação de um campo magnético: as nanoplataformas se concentram perto do ímã.

Para estudar as propriedades magnéticas e luminescentes da nanoplataforma e caracterizar sua estrutura e morfologia, participaram do trabalho grupos de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), especialistas nesses estudos.

Além disso, os autores principais do trabalho decidiram avaliar a toxicidade das nanoplataformas com relação a organismos vivos – um passo fundamental quando se pensa em aplicações na área de saúde ou meio ambiente. Os cientistas optaram por realizar um ensaio in vivo bastante consolidado no meio acadêmico, no qual embriões de peixe-zebra, mais conhecidos pelo nome em inglês zebrafish (nome científico Danio rerio), são expostos ao material cuja toxicidade se deseja avaliar. Esses peixes de água doce, de fato, apresentam alta semelhança genética com a espécie humana (cerca de 70%) e, ao mesmo tempo, são mais baratos e fáceis de se estudar do que camundongos ou ratos , entre outras vantagens.

No ensaio de toxicidade, algumas dezenas de ovos de peixe-zebra recém-fecundados foram colocados em meio aquoso contendo as nanoplataformas em diversas concentrações. Os embriões foram examinados em diferentes momentos de seu desenvolvimento usando um microscópio óptico para conferir se ocorria mortalidade, malformação, edema ou mudanças no tamanho. Os testes incluíram embriões com e sem córion (membrana que protege o embrião nos estágios iniciais do desenvolvimento). Os resultados do ensaio, que foi realizado no LNNano, mostraram que as nanoplataformas, mesmo em elevadas concentrações (100 mg/L), apresentam baixa toxicidade para todos os grupos de embriões.

Embriões de zebrafish utilizados nos ensaios de nanotoxicidade. (A) Embriões de 24 horas de idade, na presença e ausência do córion, onde setas indicam o córion (membrana que protege os embriões nos estágios iniciais de desenvolvimento). (B) Embriões após 96 horas de desenvolvimento.
Embriões de zebrafish utilizados nos ensaios de nanotoxicidade. (A) Embriões de 24 horas de idade, na presença e ausência do córion, onde setas indicam o córion (membrana que protege os embriões nos estágios iniciais de desenvolvimento). (B) Embriões após 96 horas de desenvolvimento.

“Este trabalho traz uma contribuição inédita envolvendo a avaliação da toxicidade de nanomateriais híbridos utilizando o modelo zebrafish, um promissor método alternativo em nanotoxicologia, e a influência do córion”, destaca Diego Stéfani Teodoro Martinez , pesquisador do CNPEM no LNNano e um dos autores correspondentes do artigo.

Os embriões também foram analisados no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS – CNPEM) com o objetivo de verificar a distribuição e concentração das nanoplataformas no organismo dos embriões. Para isso, os cientistas utilizaram a técnica de microscopia por fluorescência de raios X com luz sincrotron (SXRF), a qual consegue fazer um mapeamento preciso de determinados elementos químicos em sistemas biológicos. Essa técnica está disponível em uma das estações experimentais do LNLS, coordenada pelo pesquisador Carlos Alberto Pérez, que é um dos autores correspondentes do artigo.

Análises de microscopia de fluorescência de raios X com luz sincrotron (SXRF) dos embriões de zebrafish após exposição à nanoplataforma por 72 horas. (A) Imagem de microscopia óptica dos embriões; (B) Imagem de SXRF dos embriões demonstrando a acumulação da nanoplataforma no trato intestinal; e (C) Espectro de fluorescência de raios-X, demonstrando a co-localização espacial dos elementos Fe e Gd no trato intestinal dos embriões de Zebrafish.
Análises de microscopia de fluorescência de raios X com luz síncrotron (SXRF) dos embriões de zebrafish após exposição à nanoplataforma por 72 horas. (A) Imagem de microscopia óptica dos embriões; (B) Imagem de SXRF dos embriões demonstrando a acumulação da nanoplataforma no trato intestinal; e (C) Intensidade de fluorescência de raios-X ao longo da linha branca indicada em (B), demonstrando a co-localização espacial dos elementos Fe e Gd no trato intestinal dos embriões de zebrafish.

As análises por SXRF mostraram que as nanoplataformas tinham se acumulado nos embriões em função do tempo de exposição, com concentrações maiores no trato gastrointestinal no caso dos embriões que já tinham a boca desenvolvida – um resultado que pode ser significativo, por exemplo, no contexto de aplicações na área de saúde envolvendo a ingestão das nanoplataformas por via oral.

O estudo foi realizado no contexto de um projeto de pós-doutorado do bolsista Latif Ullah Khan, também autor correspondente do artigo. A realização do projeto, afirma Martinez, foi possível graças à disponibilidade de competências e facilidades nos laboratórios multiusuários do CNPEM. Entretanto, parcerias com outros laboratórios também foram fundamentais, acrescenta o pesquisador do CNPEM. Na Unicamp, o grupo do professor Marcelo Knobel realizou os estudos de magnetometria. Na USP, os grupos dos professores Hermi Felinto Brito e Magnus Gidlund fizeram os estudos de luminescência e funcionalização. Finalmente, o professor Diego Muraca (Unicamp) e o pesquisador Jefferson Bettini (CNPEM) contribuíram com a caracterização estrutural e morfológica por técnicas de microscopia eletrônica de transmissão.

“Este artigo surgiu com a união da experiência de diferentes grupos brasileiros; um trabalho interdisciplinar na fronteira do conhecimento em nanobiotecnologia e nanotoxicologia”, diz Martinez, acrescentando que um dos principais desafios do trabalho foi a integração de conhecimentos e técnicas de diferentes áreas, como Materiais, Biologia e Toxicologia, no qual atuaram como coordenadores ele mesmo e Carlos Pérez.

Autores principais do artigo. A partir da esquerda: Latif Khan, Carlos Pérez e Diego Stéfani Martinez.
Autores principais do artigo. A partir da esquerda: Latif Khan, Carlos Pérez e Diego Stéfani Martinez.

O estudo contou com apoio financeiro das agências brasileiras CAPES (inclusive por meio do acordo CAPES-CNPEM), FAPESP e CNPq (inclusive por meio do INCT-Inomat); do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) por meio do SisNANO, e The World Academy of Sciences for the advancement of science in developing countries (TWAS). O estudo também contou com apoio financeiro do Centro Brasil-China Pesquisa e Inovação em Nanotecnologia (CBC-Nano).

Aplicações: biotecnologia, saúde e meio ambiente

De acordo com Martínez, a nanoplataforma desenvolvida abre perspectivas para aplicações em biotecnologia, saúde e meio ambiente, como, por exemplo, sistemas para imageamento de tecidos biológicos e células, kits para diagnósticos médicos e sistemas para detecção e remediação de poluentes ambientais.

As aplicações aproveitariam o interessante conjunto de propriedades da nanoplataforma. Por ser magnéticas, usando um ímã externo, as nanoplataformas poderiam ser direcionadas e retidas em determinado tecido biológico ou isoladas de, por exemplo, sangue ou águas contaminadas. Além disso, a luminescência do nanomaterial permitiria a visualização das nanoplataformas dentro dos tecidos biológicos e células de interesse. Finalmente, a presença de quitosana propiciaria a ligação química de fármacos e outras moléculas que serviriam ao diagnóstico e/ou tratamento de doenças. “Todavia, ainda é preciso muitos estudos para aplicações reais e comercialização desta nanoplataforma, uma vez que se trata de um novo material e que precisa ser testado em diferentes modelos futuramente”, esclarece Martinez.

Featured scientist: Prof. Julia Greer (California Institute of Technology, USA).

Prof Julia Greer
Prof Julia Greer

As if she were an architect of the nanoscale, Prof. Julia R. Greer, together with her research group at Caltech (California Institute of Technology) creates three-dimensional structures based on innovatively engineered nanomaterials. The result are metamaterials (artificial materials in which properties depend not only on chemical composition but also on the specific arrangements of nano-sized components into an architected structure) with superior properties. For example, structures with simultaneous extreme lightness and strength or thermal conductivity. Professor Greer and her group develop methods to create such 3D nano-architected materials using an approach called additive manufacturing, and to understand how these properties are generated as a result of multi-scale interactions: atomic, nano and micro scales.

Julia Rosolovsky Greer was born in Moscow (Russia). She began her musical education at the age of 6 and started attending the renowned Gnessin School of Music in Moscow in 5th grade; concurrently in 7th grade she transferred to a Math high school, which in a way served as a foreshadow of her “double-career” as a scientist and a pianist. At 16, she moved with her family to the United States, where she studied and works in three of the top five universities in the world according to the rankings available. For her undergraduate studies she attended the Massachusetts Institute of Technology (MIT), where she obtained in 1997 her major in Chemical Engineering and a minor in Advanced Music Performance. After that, Greer was accepted at Stanford University to undertake graduate studies in Materials Science and Engineering. In 2000, she obtained a M.S. degree, but was discouraged by her at-the-time-supervisor to follow a scientific career. After working for a few years at Intel, Greer decided to return to Stanford to get a Ph.D. Working under the guidance of materials scientist Prof. William D. Nix, who she considers an incredible mentor, Julia made a seminal contribution to nanomechanics and obtained her Ph.D. degree in 2005. After that, she was a postdoctoral fellow at PARC until she joined the faculty of Caltech in 2007, where she is currently a Ruben F. and Donna Mettler Professor of Materials Science, Mechanics, and Medical Engineering.

Professor Greer has an h-index of 56 and over 13,000 citations, according to Google Scholar. She has received a couple of dozen distinctions from scientific institutions, journals and media, and has given more than 100 invited lectures, including named lectures, at scientific events, universities, World Economic Forums and TEDx events. Greer serves as an associate editor for Nano Letters and Extreme Mechanics Letters.

This scientist and concert pianist will be in September in Balneário Camboriú (Brazil), giving a plenary lecture at the XVIII B-MRS Meeting.

See our mini interview with Professor Julia Greer.

B-MRS Newsletter: – In your PhD research, you developed an innovative method to measure mechanical properties of materials at the nanoscale and with it you have made an amazing discovery, right? We would like you to tell us, as briefly as possible, the history of this work, its results and its impact.

When I first arrived at Stanford to start my Ph.D. research with the amazing mentor, Professor W.D. Nix, he vaguely suggested that I should learn how to make small things to test mechanically and see if I could figured out how to use the new-at-the-time instrument, the Focused Ion Beam (FIB). Having worked at Intel for a couple of years, I had learned to do what the Boss tells you to do, so I had learned a very new at the time technique that carves nano-sized shapes by etching the parent material with Ga+ ions. Soon, I had become quite proficient at making nano-cylinders, whose diameters ranged from 1/10,000th of your hair diameter to something like half a thickness of a sheet of paper. I then figured out how to compress them using an instrument called nanoindenter to assess their strength and modulus, and we discovered that as we made those pillars smaller, i.e. reducing the diameter from several microns to a few hundred nanometers, resulted in much higher stresses, i.e. they were able to exhibit much greater strengths. I spent the rest of my 3-year Ph.D. trying to figure out how and why that happened. Together with Prof. Nix, we stumbled upon a pretty impactful finding that smaller was, in fact, stronger, because of the specific behavior and interactions of defects called dislocations within very small, nano- and micro-sized volumes. We did all this work on single crystals of gold, i.e. a relatively malleable metal at the macroscale, whose properties are well understood. When its dimensions were reduced to ~200 nm, it became as strong as steel, exhibiting compressive (and we showed later, tensile, too) stresses close to 800 MPa or even higher; for comparison, the bulk strength of gold is roughly 25 MPa, so it’s 50 times higher! Since then many other research groups have confirmed this type of size effect in many different metals, using different experimental and computational techniques and materials, so it had turned out to be not only a reproducible but seemingly ubiquitous size effect in many different material systems. It has significant implications for how to properly understand material behavior at the nano- and microscale.

B-MRS Newsletter: – In your plenary talk at the B-MRS Meeting, you will talk about three-dimensional nano-architected meta-materials. Could you please choose one of your favorite metamaterials, briefly describe how it is made and mention its (possible) applications?

Well, our meta-materials are like children, I don’t really have a favorite one. What I will do is describe how we usually make these materials, what are their solid constituents – they are all so different: metals, semiconductors, polymers, carbon, ceramics, etc. – and what kind of properties they exhibit. I will describe quite a bit of chemical synthesis, mechanical properties, and show (hopefully 😉 ) interesting visual examples of their response to various stimuli. I am looking forward to the conference!

For more information on this speaker and the plenary talk she will deliver at the XVIII B-MRS Meeting, click on the speaker’s photo and the title of the lecture here https://www.sbpmat.org.br/18encontro/#lectures.

Pós-doutorado na Alemanha.

Oportunidade de pós-doutoramento em projeto internacional entre o Grupo de Química de Materiais Híbridos e Inorgânicos do Instituto de Química de São Carlos da USP, com a Faculdade de Odontologia de Piracicaba da UNICAMP, a Universidade Tecnológica Federal  do Paraná, a Universidade Goethe Frankfurt am Main e o Instituto Fraunhofer de Materiais Avançados em Bremen, Alemanha.

Temática do projeto de pós-doutorado: Revestimentos de Hidroxiuretanas para implantes de poliéter-éter-cetona (PEEK) modificados com enzimas.

Duração da bolsa: 10 meses.

Início da bolsa: fevereiro ou março de 2020.

Agência de Fomento: CAPES, edital Probral I.

Local do Pós-doutoramento: IFAM,  Bremen, Alemanha.

Qualificação: Possuir título de doutor válido em território nacional, proficiência em Inglês comprovada por teste reconhecido pela CAPES, ter realizado o doutorado em Química Inorgânica, Físico-Química, Química Orgânica (Síntese), Química de Polímeros, Engenharia ou Ciências dos Materiais, Engenharia Química ou Engenharia Biomédica.

Supervisores: Prof. Ubirajara Pereira Rodrigues Filho, Prof Kelen R de Aguiar e Dr Klaus Rischka.

Contatos: ubirajara@usp.br   – indicar na linha de assunto a temática do projeto.

Enviar CV resumido de até duas páginas e carta de motivação para participar do projeto.

Da ideia ao mercado: Insumos nanotecnológicos que espalham inovação.

logo innomaNeste mês de julho de 2019, a Innoma – Innovative Materials está prestes a realizar a primeira venda de seu primeiro produto, um insumo nanotecnológico com propriedades antimicrobianas que pode viabilizar inovações nas indústrias cosmética, têxtil, de tintas, de embalagens e muitas outras.

A origem da startup remonta a 2015. Nesse momento, Tiago Hilário Ferreira era um bolsista de pós-doutorado que acumulava mais de 10 anos de vida acadêmica, além de uma experiência empreendedora de três anos como dono de uma pizzaria. Na graduação, Tiago tinha estudado Farmácia na UFMG. No mestrado e doutorado em Ciência e Tecnologia dos Materiais, realizados no CDTN, ele pesquisara a produção e as propriedades de cilindros de diâmetro nanométrico compostos por átomos de nitrogênio e boro, os nanotubos de nitreto de boro. No pós-doc ele tinha utilizado esse material para desenvolver um sistema capaz de encontrar tumores no organismo e combatê-los de forma mais eficiente. 

Em 2015, o trabalho do pós-doc foi selecionado dentro do programa Inova Minas (iniciativa de agências do governo do estado de Minas Gerais) para ser apresentado em uma mostra cujo objetivo era comunicar à sociedade em geral a relação da ciência mineira com a vida dos cidadãos.  “Nessa oportunidade, eu comecei a entender a necessidade de levar o conhecimento científico para mais próximo da sociedade”, conta Tiago. “Houve uma identificação muito grande e, a partir desse primeiro contato, comecei a buscar iniciativas nesse sentido”. Pouco mais de um ano depois, no início de 2017, Tiago criava a Innoma junto ao engenheiro de materiais Diego Santos de Oliveira, que realizava seu mestrado em Materiais no CDTN com uma pesquisa sobre nanomateriais para aplicações em saúde.

O impulso inicial para criar a startup, conta Tiago, foi a possibilidade de participar de dois programas mineiros de apoio ao surgimento e desenvolvimento de startups: o BioStartupLab e o FiemgLab. A Innoma foi selecionada pelos dois programas em 2017 para fazer uma capacitação inicial, chamada de pré-aceleração. Inicialmente, a ideia dos sócios era produzir, em escala industrial, as nanopartículas de nitreto de boro para pesquisa científica e para uso em terapias de combate ao câncer.

Contudo, no final da pré-aceleração, os sócios perceberam que deveriam priorizar projetos com maior viabilidade comercial, e optaram por apostar nos nanoativos de prata. Esses antimicrobianos de alta eficiência, que podem ser incorporados a diversos produtos, possuem atualmente o maior mercado em nível mundial dentre os nanomateriais, segundo dados informados pela Innoma. 

Para desenvolver a tecnologia mais adequada à produção do nanoativo, os sócios se apoiaram nos conhecimentos adquiridos durante sua formação acadêmica e firmaram uma parceria com a PUC Minas para utilizar laboratórios de Físico-química. O produto gerado foi uma dispersão aquosa de nanopartículas de prata que, segundo o Tiago, se destaca pela grande estabilidade e pela alta concentração do ativo.  

Depois de proteger por meio de patentes depositadas a rota química desenvolvida, a startup optou por terceirizar a produção industrial dos nanoativos. Dessa maneira, a Innoma, que até o momento vem trabalhando com capital próprio e com uma equipe interna formada, apenas, pelos dois sócios-fundadores, garante baixos custos operacionais e alta capacidade produtiva. “Firmamos parceria com uma importante indústria química que possui todos os certificados e registros exigidos, além de estruturas operacional e tecnológica aptas a atender os mais rigorosos padrões de qualidade”, explica Tiago.

Hoje, enquanto comercializa seu primeiro produto, a Innoma trabalha nos próximos lançamentos: nanoativos baseados em cobre, zinco e ouro, que prometem beneficiar segmentos diversos da indústria nacional.

Sócios fundadores da Innoma: Diego Santos de Oliveira (esquerda) e Tiago Hilário Ferreira (direita).
Sócios fundadores da Innoma: Diego Santos de Oliveira (esquerda) e Tiago Hilário Ferreira (direita).

Veja nossa entrevista com Tiago Hilário Ferreira, que atua como diretor executivo na Innoma.

Boletim da SBPMat: – Quais foram os fatores mais importantes no sentido de viabilizar a criação e desenvolvimento da startup?

Tiago Hilário: – O aprendizado adquirido durante o processo de pré-aceleração foi muito importante para o início da modelagem do negócio. As validações com potenciais clientes direcionaram os nossos esforços. A operação inicial com o custo fixo mais baixo possível possibilitou que a nossa empresa se mantivesse ativa neste período de pré-faturamento.  

Boletim da SBPMat: – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas até o momento pela startup?

Tiago Hilário: – Quando se cria uma empresa do zero as dificuldades são diárias, o famoso “matar um leão por dia”. O processo de desenvolvimento do produto e adequação ao mercado até o momento foram as etapas mais complicadas.

Boletim da SBPMat: – Qual é, na sua visão, a principal contribuição da startup para a sociedade?

Tiago Hilário: – Trabalhamos para fornecer nanoativos de alta eficiência para o mercado nacional, tornando possível a utilização destes materiais em novos produtos que até então não possuíam viabilidade comercial.

Ao disponibilizar para o mercado uma tecnologia habilitadora, e conforme as diretrizes do MCTIC, esperamos promover o aumento do desempenho humano, seus processos e produtos, qualidade de vida e justiça social. 

Boletim da SBPMat: – Qual é sua meta/ seu sonho para a startup?

Tiago Hilário: – A meta é que a INNOMA se estabeleça como empresa ainda nesse ano, para que os sócios possam se dedicar integralmente a ela. O nosso sonho é ser referência nacional neste mercado. 

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para nossos leitores do boletim e seguidores das redes sociais que avaliam a possibilidade de criar uma startup.

Tiago Hilário: Tenho três conselhos para quem pretende criar um startup:

– O processo é lento. Normalmente leva mais tempo do que o esperado e você precisa estar preparado para isso.

– Muito dinheiro atrapalha tanto quanto pouco. Com muito recurso, os sócios tendem a atropelar as validações e fazer investimentos errados. Com muito pouco, o projeto se torna inviável.

– A equipe é o mais importante. A gente tende a acreditar que a ideia é o principal, mas uma equipe forte e motivada é o fator que faz mais diferença no sucesso de uma startup.

Nota Pública da SBPMat.

A diretoria e o conselho da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) se solidarizam com o Diretor do INPE, Prof. Ricardo Magnus Osório Galvão, sobre comentários infundados do Sr. Presidente Jair Bolsonaro. Se o Presidente tivesse o cuidado de verificar o trabalho do INPE e a trajetória de contribuições do Prof. Ricardo Galvão, jamais teria feito a acusação infundada.

Os órgãos públicos e seus funcionários devem servir ao povo e à Nação, sendo portanto passíveis de críticas e avaliações. É inadmissível, porém, que um Presidente da República faça acusações em público sem mínima verificação. Não é apenas ao Prof. Ricardo Galvão e ao INPE que o Presidente ofende, mas a todos que trabalham em prol do Brasil com geração de conhecimento.

Bolsa de pós-doutorado no CTNano – UFMG em projeto em parceria com a Petrobras em dispositivos de grafeno para sensoriamento de gases.

O Centro de Tecnologia em Nanomateriais – CTNano-UFMG está selecionando 1 (um) pesquisador(a) de nível de Pós-doutorado para atuar em um projeto em parceria com a Petrobras para o desenvolvimento de sensores de gases. O(a) candidato(a) deve ter título de Doutor em uma das seguintes áreas: Química, Física, Engenharia Química, Engenharia Elétrica, Engenharia de Materiais ou áreas afins.

Espera-se que o(a) candidato(a) seja motivado, independente, com capacidade de liderança e tenha experiência em algumas das seguintes áreas:

  • Filmes finos e nanomateriais como nanotubos de carbono, nanofios, grafeno e outros materiais 2D e 1D.
  • Fabricação e processamento de nanodispositivos utilizando técnicas de litografia óptica e eletrônica em ambiente de sala limpa.
  • Caracterização elétrica dos dispositivos.
  • Desenvolvimento de protótipos, instrumentação e programação em Matlab, Labview e afins.
  • Sensoriamento de gases.

O(a) candidato(a) selecionado(a) atuará no desenvolvimento de sensores de gases baseados em dispositivos de grafeno para serem aplicados em diversas etapas da cadeia de produção e processamento do gás natural. O projeto será desenvolvido no Departamento de Física da UFMG e no CTNano-UFMG.

O CTNano-UFMG é referência nacional no desenvolvimento de aplicações utilizando nanomateriais de carbono em compósitos poliméricos, cimentícios, sensores e síntese de nanomateriais. Maiores informações sobre o Centro podem ser obtidas em www.ctnano.org. O Centro está localizado no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec), na cidade de Belo Horizonte – MG, e é uma iniciativa dos Departamentos de Física, Química, Microbiologia e da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais.

O valor mensal da bolsa é de R$ 5.379,44, com contrato de um ano e possibilidade de renovação para mais dois anos.

A seleção será feita através da análise eliminatória dos CVs dos(as) candidatos(as). Os(as) aprovados(as) nesta etapa serão chamados(as) para entrevista. Interessados(as) devem enviar CV para Prof. Rodrigo G. Lacerda (rglacerda@gmail.com), com o assunto: “Bolsa pós-doutorado – projeto sensores” até 31/07/2019. Os(as) selecionados(as) serão avisados(as), por email, de sua convocação para entrevista até 06/08/2019.

Seleção para o doutorado em Física da UFSC com oportunidade de bolsa.

Estão abertas as inscrições para o processo seletivo simplificado para o curso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Física da UFSC – Florianópolis, para ingresso no semestre de 2019/2. As inscrições encerram-se no dia 25 de julho de 2019 às 17 horas.

Para participar da seleção o candidato deverá ter realizado alguma das últimas cinco edições do Exame Unificado das Pós-Graduações em Física.

Há disponibilidade de 2 (duas) bolsas de estudo, respeitada a ordem de classificação dos candidatos.

Os editais completos e mais informações estão disponíveis em:

http://ppgfsc.posgrad.ufsc.br/processo-seletivo-mestrado-e-doutorado/

Artigo de sócio da SBPMat é selecionado para coleção da Royal Society of Chemistry.

Prof Oswaldo Luiz Alves
Prof Oswaldo Luiz Alves

O professor Oswaldo Luiz Alves (IQ – Unicamp), sócio da SBPMat, é um dos autores correspondentes de um artigo selecionado para compor uma coleção temática da Royal Society of Chemistry (RSC), comemorativa do Ano Internacional da Tabela Periódica. A coleção, que pode ser acessada aqui, reúne 55 papers sobre sistemas de baixa dimensionalidade baseados em carbono e suas aplicações, publicados entre 2017 e 2019 em alguns periódicos da RSC.

O paper assinado pelo professor Alves junto a outros sete pesquisadores do Brasil reporta a toxicidade e as nanobiointerações de um óxido de grafeno funcionalizado com relação a componentes do sangue humano. O artigo foi inicialmente publicado em 2018 no Journal of Materials Chemistry B e acaba de ser destacado na coleção comemorativa, na qual é disponibilizado na modalidade de acesso aberto.

Referência do artigo: Marcelo de Sousa, Carlos H. Z. Martins, Lidiane S. Franqui, Leandro C. Fonseca, Fabrício S. Delite, Evandro M. Lanzoni, Diego Stéfani T. Martinez  and  Oswaldo L. Alves. Covalent functionalization of graphene oxide with D-mannose: evaluating the hemolytic effect and protein corona formation. J. Mater. Chem. B, 2018,6, 2803-2812. DOI:10.1039/C7TB02997G. Disponível em: https://pubs.rsc.org/en/content/articlehtml/2018/tb/c7tb02997g?page=search (HTML)

Oportunidade de doutorado em membranas com bolsa CNPq na UFPR – ENCERRADA

Chamada encerrada

CHAMADA CNPQ/EQUINOR ENERGIA LTDA. 2018 – FORMAÇÃO DE MESTRES E DOUTORES EM PETRÓLEO, GÁS NATURAL E ENERGIA RENOVÁVEL.

Título do projeto: Síntese e caracterização de membranas poliméricas para aplicação em processos de purificação do gás natural.

Pesquisador responsável: Prof. Dr. Daniel Eiras

Responsabilidades do bolsista:
• Produzir membranas através do método de inversão de fases.
• Caracterizar a permeabilidade a gases e a morfologia das membranas.
• Realizar outros ensaios de caracterização pertinentes ao projeto (DSC, DMA, TGA, FTIR, DRX).

Formação Acadêmica: Desejável formação em Engenharia Química, Engenharia de Materiais, Física ou Química.

Experiência: Desejável experiência em laboratório de polímeros (experiência prática). Especificamente processamento, síntese e/ou caracterização de polímeros.

Outras informações: O projeto irá envolver atividades de laboratório, portanto o(s) candidato(s) deve(m) ter interesse e disposição para realizar trabalhos experimentais.

Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência de Materiais: O bolsista deverá matricular-se no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência de Materiais (PIPE/UFPR). As informações sobre o processo seletivo e sobre o programa podem ser encontradas no site do programa. (http://www.tecnologia.ufpr.br/portal/pipe/)

XVIII Encontro da SBPMat: descontos nas inscrições.

logo médioAs inscrições ao XVIII Encontro da SBPMat/B-MRS Meeting (Balneário Camboriú, 22 a 26 de setembro de 2019) estão abertas no site do evento e têm valores diferenciados (com desconto) até 2 de agosto 9 DE AGOSTO (PRORROGADO). Além disso, inscrições no local evento (sem desconto) estarão disponíveis durante todo o encontro.

Entre os participantes de instituições brasileiras, sócios da SBPMat têm desconto especial na inscrição. Pessoas que ainda não são sócias ou não estão com a anuidade em dia podem regularizar a situação no momento da inscrição ao evento e, assim, usufruir do desconto na inscrição e dos demais benefícios de ser sócios/sócias da SBPMat. O valor da anuidade de sócio somado ao valor da inscrição ao evento é igual ao valor da inscrição para não-sócios.

Tabela com os valores da inscrição ao evento: https://www.sbpmat.org.br/18encontro/#registration.

Valores da anuidade de sócio SBPMat e benefícios de ser sócio: https://www.sbpmat.org.br/pt/socios-sbpmat/associe-se/