Da ideia ao mercado: Insumos nanotecnológicos que espalham inovação.



logo innomaNeste mês de julho de 2019, a Innoma – Innovative Materials está prestes a realizar a primeira venda de seu primeiro produto, um insumo nanotecnológico com propriedades antimicrobianas que pode viabilizar inovações nas indústrias cosmética, têxtil, de tintas, de embalagens e muitas outras.

A origem da startup remonta a 2015. Nesse momento, Tiago Hilário Ferreira era um bolsista de pós-doutorado que acumulava mais de 10 anos de vida acadêmica, além de uma experiência empreendedora de três anos como dono de uma pizzaria. Na graduação, Tiago tinha estudado Farmácia na UFMG. No mestrado e doutorado em Ciência e Tecnologia dos Materiais, realizados no CDTN, ele pesquisara a produção e as propriedades de cilindros de diâmetro nanométrico compostos por átomos de nitrogênio e boro, os nanotubos de nitreto de boro. No pós-doc ele tinha utilizado esse material para desenvolver um sistema capaz de encontrar tumores no organismo e combatê-los de forma mais eficiente. 

Em 2015, o trabalho do pós-doc foi selecionado dentro do programa Inova Minas (iniciativa de agências do governo do estado de Minas Gerais) para ser apresentado em uma mostra cujo objetivo era comunicar à sociedade em geral a relação da ciência mineira com a vida dos cidadãos.  “Nessa oportunidade, eu comecei a entender a necessidade de levar o conhecimento científico para mais próximo da sociedade”, conta Tiago. “Houve uma identificação muito grande e, a partir desse primeiro contato, comecei a buscar iniciativas nesse sentido”. Pouco mais de um ano depois, no início de 2017, Tiago criava a Innoma junto ao engenheiro de materiais Diego Santos de Oliveira, que realizava seu mestrado em Materiais no CDTN com uma pesquisa sobre nanomateriais para aplicações em saúde.

O impulso inicial para criar a startup, conta Tiago, foi a possibilidade de participar de dois programas mineiros de apoio ao surgimento e desenvolvimento de startups: o BioStartupLab e o FiemgLab. A Innoma foi selecionada pelos dois programas em 2017 para fazer uma capacitação inicial, chamada de pré-aceleração. Inicialmente, a ideia dos sócios era produzir, em escala industrial, as nanopartículas de nitreto de boro para pesquisa científica e para uso em terapias de combate ao câncer.

Contudo, no final da pré-aceleração, os sócios perceberam que deveriam priorizar projetos com maior viabilidade comercial, e optaram por apostar nos nanoativos de prata. Esses antimicrobianos de alta eficiência, que podem ser incorporados a diversos produtos, possuem atualmente o maior mercado em nível mundial dentre os nanomateriais, segundo dados informados pela Innoma. 

Para desenvolver a tecnologia mais adequada à produção do nanoativo, os sócios se apoiaram nos conhecimentos adquiridos durante sua formação acadêmica e firmaram uma parceria com a PUC Minas para utilizar laboratórios de Físico-química. O produto gerado foi uma dispersão aquosa de nanopartículas de prata que, segundo o Tiago, se destaca pela grande estabilidade e pela alta concentração do ativo.  

Depois de proteger por meio de patentes depositadas a rota química desenvolvida, a startup optou por terceirizar a produção industrial dos nanoativos. Dessa maneira, a Innoma, que até o momento vem trabalhando com capital próprio e com uma equipe interna formada, apenas, pelos dois sócios-fundadores, garante baixos custos operacionais e alta capacidade produtiva. “Firmamos parceria com uma importante indústria química que possui todos os certificados e registros exigidos, além de estruturas operacional e tecnológica aptas a atender os mais rigorosos padrões de qualidade”, explica Tiago.

Hoje, enquanto comercializa seu primeiro produto, a Innoma trabalha nos próximos lançamentos: nanoativos baseados em cobre, zinco e ouro, que prometem beneficiar segmentos diversos da indústria nacional.

Sócios fundadores da Innoma: Diego Santos de Oliveira (esquerda) e Tiago Hilário Ferreira (direita).
Sócios fundadores da Innoma: Diego Santos de Oliveira (esquerda) e Tiago Hilário Ferreira (direita).

Veja nossa entrevista com Tiago Hilário Ferreira, que atua como diretor executivo na Innoma.

Boletim da SBPMat: – Quais foram os fatores mais importantes no sentido de viabilizar a criação e desenvolvimento da startup?

Tiago Hilário: – O aprendizado adquirido durante o processo de pré-aceleração foi muito importante para o início da modelagem do negócio. As validações com potenciais clientes direcionaram os nossos esforços. A operação inicial com o custo fixo mais baixo possível possibilitou que a nossa empresa se mantivesse ativa neste período de pré-faturamento.  

Boletim da SBPMat: – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas até o momento pela startup?

Tiago Hilário: – Quando se cria uma empresa do zero as dificuldades são diárias, o famoso “matar um leão por dia”. O processo de desenvolvimento do produto e adequação ao mercado até o momento foram as etapas mais complicadas.

Boletim da SBPMat: – Qual é, na sua visão, a principal contribuição da startup para a sociedade?

Tiago Hilário: – Trabalhamos para fornecer nanoativos de alta eficiência para o mercado nacional, tornando possível a utilização destes materiais em novos produtos que até então não possuíam viabilidade comercial.

Ao disponibilizar para o mercado uma tecnologia habilitadora, e conforme as diretrizes do MCTIC, esperamos promover o aumento do desempenho humano, seus processos e produtos, qualidade de vida e justiça social. 

Boletim da SBPMat: – Qual é sua meta/ seu sonho para a startup?

Tiago Hilário: – A meta é que a INNOMA se estabeleça como empresa ainda nesse ano, para que os sócios possam se dedicar integralmente a ela. O nosso sonho é ser referência nacional neste mercado. 

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para nossos leitores do boletim e seguidores das redes sociais que avaliam a possibilidade de criar uma startup.

Tiago Hilário: Tenho três conselhos para quem pretende criar um startup:

– O processo é lento. Normalmente leva mais tempo do que o esperado e você precisa estar preparado para isso.

– Muito dinheiro atrapalha tanto quanto pouco. Com muito recurso, os sócios tendem a atropelar as validações e fazer investimentos errados. Com muito pouco, o projeto se torna inviável.

– A equipe é o mais importante. A gente tende a acreditar que a ideia é o principal, mas uma equipe forte e motivada é o fator que faz mais diferença no sucesso de uma startup.


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