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Quando o feixe de luz emitido por um apontador laser atinge uma janela de vidro de alguns milímetros de espessura, uma parte da luz é refratada, o que significa que a velocidade da onda de luz mudou quando ela entrou no vidro. Essa mudança pode ser facilmente quantificada: os índices de refração do ar e do vidro são de cerca de 1,00029 e 1,5, aproximadamente. O fenômeno da refração é bem conhecido; costuma ser ensinado na disciplina de Física no Ensino Médio e se encaixa na chamada Óptica Linear.
A luz emitida pelo apontador laser tem uma potência baixa, de alguns milésimos de watts. Entretanto, quando a potência do laser é muito alta (de dezenas ou milhares de watts), acontecem outros fenômenos na interação entre a luz e o material, os quais são chamados de “não lineares”. Um deles é fazer o vidro agir como uma lente convexa ou côncava. A magnitude desse efeito depende não apenas das características do feixe de luz, mas também do material, e pode ser quantificada pelo índice de refração não linear.

Uma equipe multidisciplinar que reuniu pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Laboratório de Pesquisa da Força Aérea dos Estados Unidos (Air Force Research Laboratory, AFRL) conseguiu determinar, pela primeira vez, o coeficiente de refração não linear do ZrTe2 (telureto de zircônio) – material bidimensional, ainda pouco estudado, da família dos metais de transição dicalcogênicos (TMDs, na sigla em inglês). O estudo foi recentemente reportado em artigo publicado na Applied Physics Letters.
Os TMDs têm propriedades elétricas e ópticas únicas que dependem da sua espessura, a qual pode chegar à escala subnanométrica. De fato, camadas extremamente finas, transparentes e flexíveis podem ser produzidas com esses metais, que, logicamente, têm despertado interesse para diversas aplicações. Detalhe importante: para várias dessas aplicações, como, por exemplo, as relacionadas com imageamento médico, as propriedades mais importantes são as do universo da Óptica Não Linear.

Nesse contexto, o professor Anderson Stevens Leonidas Gomes (UFPE) vem desenvolvendo, há cerca de três anos, uma linha de pesquisa voltada ao estudo das propriedades não lineares de TMDs, realizada em colaboração com pesquisadores do AFRL. “Eles preparam o material e nós fazemos a caracterização óptica não linear”, conta o cientista. “O papel de Melissa Maldonado, que realizou doutorado e agora pós-doutorado sob minha supervisão, foi e está sendo essencial, pois ela domina com propriedade as técnicas de caracterização e foi a principal responsável pelos trabalhos nesta linha de pesquisa”, completa.
Vários materiais da família dos TMDs bidimensionais já foram estudados pela equipe. No trabalho publicado na Applied Physics Letters, os pesquisadores do AFRL preparam nanoflocos de telureto de zircônio de cerca de 1 nm de espessura e 50 a 100 nm de comprimento, utilizando um método que se baseia em laminar a superfície de nanopartículas mais espessas. As amostras viajaram do estado de Ohio até São Paulo e chegaram ao Mackenzie, onde foi realizada uma parte da caracterização. Finalmente, as amostras foram enviadas à UFPE, onde suas propriedades ópticas não lineares foram sondadas mediante o uso de um laser emissor de pulsos muito curtos e fortes, que interagiu com os nanoflocos de telureto de zircônio. Depois de realizar uma série de cálculos matemáticos, o professor Gomes e seu grupo conseguiram determinar o coeficiente de refração não linear do material. Mediante simulações computacionais, os autores puderam, ainda, entender a origem do fenômeno e, dessa maneira, abrir possibilidades para controla-lo.
“A principal contribuição científica deste trabalho é medir, de forma inequívoca e apropriada, um dos coeficientes ópticos que indicam a magnitude da não linearidade óptica do material”, diz o professor Anderson Gomes, que é autor correspondente do artigo. “Este coeficiente é importante para definir quais aplicações fotônicas podem ser exploradas neste material”, completa.
O trabalho recebeu apoio financeiro das agências brasileiras federais CNPq e Capes, do INCT Nanocarbono, da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE) e da agência estadunidense AFOSR. Os autores utilizaram recursos computacionais do Núcleo Avançado de Computação de Alto Desempenho (NACAD) da COPPE/UFRJ.
Referência do artigo científico: Femtosecond nonlinear refraction of 2D semi-metallic redox exfoliated ZrTe2 at 800nm. Melissa Maldonado, Manoel L. da Silva Neto, Pilar G. Vianna, Henrique B. Ribeiro, Cid B. de Araujo, Christiano J. S. de Matos, Leandro Seixas, Ali M. Jawaid, Robert Busch, Allyson J. Ritter, Richard A. Vaia, and Anderson S. L. Gomes. Appl. Phys. Lett. 118, 011101 (2021); doi: 10.1063/5.0031649
Contato do autor correspondente: Prof Anderson Gomes (UFPE) – anderson.lgomes@ufpe.br
Dear Colleagues
We are happy to announce that we’ve just released the list of symposia that will be held at the XIX B-MRS and IUMRS-ICEM 2021. A total of 24 symposia were selected, covering areas ranging from Biomaterials to Electronic Structure Calculations.
Besides these exciting symposia, that will count with invited speakers and oral and poster presentations, we will also have seven Plenary speakers:
-Alex Zunger (University of Colorado Boulder, USA)Owing to the uncertainties brought to us by the COVID pandemic, this year our conferences will be held online, from August 30th until September 3rd. The B-MRS is the largest conference in the area of Materials Science in Latin America, and we believe that the online meeting will bring the possibility to even larger participation.
It will be our great pleasure to welcome you all to the virtual XIX B-MRS and 2021 ICEM meetings next August/September ONLINE.
Stay well and take care,
Gustavo Dalpian
Conference Chair
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São leves, finas e flexíveis. Podem ser fabricadas em escala industrial usando processos simples e de baixo custo. As células solares orgânicas têm várias vantagens e apelos, mas ainda oferecem vários desafios aos pesquisadores, principalmente na área de materiais. Esses dispositivos que transformam luz solar em eletricidade devem seu nome ao uso de materiais orgânicos (polímeros ou moléculas baseadas em carbono) na camada ativa, que é a responsável pela absorção de luz. Mas as outras camadas do “sanduíche” que constitui uma célula solar orgânica também são muito importantes, principalmente os eletrodos, responsáveis por coletar as cargas elétricas geradas pela ação da luz.
No Brasil, três grupos de pesquisadores uniram suas competências e desenvolveram uma pesquisa colaborativa que trouxe uma importante contribuição ao desenvolvimento de materiais para eletrodos de células solares orgânicas. Recentemente publicado, o trabalho foi coordenado pela cientista Maria Luiza M. Rocco, professora do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Células solares orgânicas precisam de eletrodos que, além de serem bons condutores das cargas elétricas, sejam transparentes para permitir a passagem de luz até a camada ativa, como se fossem janelas. Infelizmente, são poucos os materiais que reúnem boa condutividade e transparência. Um deles é o óxido de estanho e índio (conhecido pela sigla ITO). Depositado em forma de filme fino sobre um substrato de vidro, o ITO constitui, até o momento, o eletrodo mais utilizado em células solares orgânicas, além de ser amplamente usado em telas de eletrônicos e outros dispositivos que estão no mercado. “Em médio prazo, esse eletrodo padrão precisará ser substituído, e muitos são os esforços dos cientistas para substituí-lo com eficácia”, comenta a professora Maria Luiza. De fato, o processo de produção dos filmes de ITO é caro, e o índio é um material escasso na crosta terrestre. Além disso, esses eletrodos não são totalmente flexíveis.

Até o momento, a principal alternativa ao ITO é o PEDOT:PSS, mistura de polímeros que permite fabricar filmes condutores e transparentes. Ao combinar esse material com óxido de grafeno (GO), é possível obter um material compósito com condutividade superior à do polímero puro. E a condutividade pode aumentar ainda mais por meio de tratamentos realizados no material. Além disso, os filmes de GO:PEDOT:PSS se adaptam a um sistema muito adequado para a produção de células solares orgânicas em escala industrial, o rolo-a-rolo. Nesse sistema, as diversas camadas são impressas ou depositadas sobre um substrato flexível (por exemplo, de plástico). O substrato fica enrolado no início da linha de produção, vai desenrolando para receber as camadas e forma um novo rolo no final, com o material quase pronto para ser usado como painel solar.
Análise detalhada

No trabalho coordenado pela professora Maria Luiza, a equipe realizou um estudo sistemático de diferentes filmes, usando técnicas espectroscópicas. Foram analisadas amostras de PEDOT:PSS puro e de óxido de grafeno com diferentes proporções de PEDOT:PSS (1, 5 e 10%). Além disso, amostras de cada um desses grupos foram resfriadas a -196°C (temperatura de nitrogênio líquido) até atingir o equilíbrio térmico e depois devolvidas à temperatura ambiente.
O objetivo foi compreender a relação entre a estrutura e propriedades de cada um dos filmes, e avaliar qual das combinações permitiria uma maior mobilidade dos elétrons e, portanto, um melhor desempenho do material como eletrodo de células solares orgânicas.
Inicialmente, o óxido de grafeno foi sintetizado pelo Grupo de Química de Materiais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), liderado pelo professor Aldo J. G. Zarbin. Em seguida, membros do Laboratório de Dispositivos Nanoestruturados, também da UFPR, desenvolveram as misturas, prepararam os filmes e estudaram as propriedades ópticas, elétricas e de tratamento térmico, sob coordenação da professora Lucimara S. Roman. Finalmente, o grupo da professora Maria Luiza M. Rocco, da UFRJ, realizou os estudos espectroscópicos no Laboratório Multiusuário de Espectroscopia de Fotoelétrons da UFRJ e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) do CNPEM. O projeto também teve o apoio de representante do CSEM Brasil.
“A possibilidade de utilização da luz síncrotron foi fundamental para a compreensão das propriedades eletrônicas, morfológicas e de transporte desses novos materiais a serem empregados como eletrodos em dispositivos optoeletrônicos”, comenta a professora Maria Luiza. Os estudos espectroscópicos incluíram a análise diferenciada da superfície e do volume (bulk) dos filmes, mostrando características diferentes em cada região das amostras.
A pesquisa demonstrou que as amostras de óxido de grafeno com 5% de PEDOT:PSS resfriadas teriam o melhor desempenho como eletrodos de células solares. “A introdução de um material isolante (GO) em um condutor (PEDOT:PSS) pôde aumentar a condutividade deste último em duas ordens de grandeza”, revela a professora Maria Luiza. Mais barato que o PEDOT, o óxido de grafeno usado nos eletrodos diminuiria o custo dos dispositivos. O tratamento térmico realizado também ajudou a melhorar a condutividade do material, ao organizar as moléculas de um modo que facilita o deslocamento dos elétrons.
O trabalho faz parte da pesquisa de doutorado em Química de Soheila Holakoei, defendido pela UFRJ em 2019, que contou com a orientação da professora Maria Luiza. O estudo recebeu financiamento do LNLS-CNPEM e das agências brasileiras Faperj (Rio de Janeiro), CNPq, CAPES e Finep.

Referência do artigo: Conformational and Electron Dynamics Changes Induced by Cooling Treatment on GO:PEDOT:PSS Transparent Electrodes. Soheila Holakoei, Amanda Garcez Veiga, Cássia Curan Turci, Matheus Felipe Fagundes das Neves, Luana Wouk, João Paulo V. Damasceno, Aldo J. G. Zarbin, Lucimara S. Roman, and Maria Luiza M. Rocco. The Journal of Physical Chemistry C. 2020 124(49), 26640-26647. DOI: 10.1021/acs.jpcc.0c07827
Contato da autora correspondente do artigo: Maria Luiza M. Rocco – luiza@iq.ufrj.br.

O professor Gustavo M. Dalpian (UFABC) foi nomeado editor da nova revista científica “Discover Materials” (Springer). Sócio da SBPMat, Dalpian é coordenador do XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM 2021, que será realizado em 2021.
A revista “Discover Materials“, de acesso aberto (open access), foi lançada em 2020 pelo grupo editorial Springer Nature, e abrange todos os temas relacionados à pesquisa em materiais, desde os fundamentos até as aplicações. Dalpian faz parte do corpo de editores associados da revista, junto a outros três cientistas da Ásia e Europa.
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O ano de 2020 ficará sem dúvida marcado com tristeza em nossas vidas pela pandemia de Covid-19, que alterou violentamente nosso cotidiano, impôs perdas trágicas para muitos de nós e deu maior espaço a políticas negacionistas, reforçando a sensação de “nonsense” que vivenciamos na sociedade atual.
Porém, ao mesmo tempo, foi em 2020 que a Ciência se mostrou mais uma vez um porto seguro, apontando alternativas e estratégias de combate a esta terrível doença, ao mesmo tempo que, em tempo recorde, decodificava o genoma do vírus e fabricava vacinas com alta eficácia. Os pesquisadores brasileiros fizeram parte ativa da construção desta cadeia de conhecimento, enquanto lutavam, de forma resiliente, contra ameaças à estrutura de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) do país. A comunidade de materiais não poderia se abster em momento tão crítico e por isso, rapidamente, adaptou pesquisas em biossensores, nanopartículas carreadoras de fármacos, materiais com propriedades virucidas etc. para o combate ao SARS-CoV-2.
Em 2020 a SBPMat também teve que se reinventar. Com o adiamento de seu encontro anual devido à crise sanitária, a plataforma virtual foi nossa forma de comunicação. E a comunidade respondeu! Com presença marcante nos webinários, nos eventos online, e participando das ações de conscientização para manter a infraestrutura de CT&I do país aliada ao nosso recurso mais precioso para o futuro, os jovens doutores e estudantes de graduação e pós-graduação. A garra e motivação que os estudantes em nossos University Chapters exibem em suas atividades, nos traz a certeza que há uma luz no final do túnel para o Brasil.
E que venha 2021! Estaremos a postos, munidos dos poderosos recursos da Ciência, para construir um ano melhor, com mais saúde e condições de vida dignas para os cidadãos brasileiros.
Um excelente final de ano a todos – na medida do possível e observando todos os cuidados necessários 🙂 .
Diretoria da SBPMat
O professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP), sócio da SBPMat, foi eleito primeiro vice-presidente (First Vice President) da International Union of Materials Research Societies (IUMRS).
O cientista brasileiro foi escolhido para a posição por unanimidade, em votação realizada neste mês de dezembro, envolvendo sociedades de pesquisa em materiais do mundo que participam da IUMRS.
Ele ocupará o cargo de primeiro vice-presidente por dois anos, ao longo de 2021 e 2022. Ao final do mandato, o professor, que foi presidente da SBPMat de 2016 a 2020, passará a ocupar, automaticamente, a presidência da IUMRS.

A professora Ana Flávia Nogueira (UNICAMP), sócia da SBPMat, assumiu neste mês de dezembro o cargo de diretora geral do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE).
Constituído em 2018 pela FAPESP e a empresa Shell, o CINE reúne grupos de pesquisa da UNICAMP, IPEN e USP e seus colaboradores para desenvolver pesquisa na fronteira do conhecimento e transferir tecnologia à indústria na área de novas energias.
Mais informações: http://cine.org.br/cine-anuncia-a-sua-nova-diretora.