Da ideia à inovação: 15 anos de trajetória da Nanox.

Colaborador no Laboratório de Microbiologia da Nanox. Na mesa, um dos produtos da empresa.
Colaborador no Laboratório de Microbiologia da Nanox. Na mesa, um dos produtos da empresa.

Em 2004, três jovens formados em Química pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criavam uma empresa de materiais baseados em nanotecnologia. Hoje, a Nanox conta com cerca de 30 produtos desenvolvidos, uma plataforma tecnológica formada por sete patentes (três mundiais, uma na Europa, uma nos Estados Unidos) e um histórico de mais de 200 clientes atendidos, não apenas no Brasil, mas também em outros 13 países.

O negócio da Nanox consiste em desenvolver, produzir e comercializar materiais baseados em nanotecnologia cujas propriedades (bactericida, fungicida, repelente, antissuor, antialérgico…) agreguem valor a determinado produto (embalagem, piso, tapete, camiseta…). Dessa maneira, a Nanox fornece a seus clientes (empresas dos mais diversos segmentos) nanomateriais que podem ser facilmente incorporados a seus produtos e que trazem benefícios tangíveis para seus consumidores finais.

Atualmente, os “carros-chefe” da Nanox são os aditivos antimicrobianos à base de prata. A empresa desenvolveu uma série de produtos desse tipo dentro de três grandes linhas: os aditivos em solução (líquidos), em forma de pó (sólidos), e já misturados a materiais poliméricos.

Como mostra a razão entre o número de produtos lançados e os anos de existência da empresa (cerca de 30 inovações em 15 anos), na Nanox a palavra inovação faz parte do dia-a-dia. Geralmente, o processo acontece da seguinte forma. Em seus contatos com o mercado, a equipe da Nanox identifica demandas latentes que podem ser supridas mediante a aplicação das tecnologias que a empresa domina. A equipe, então, valida suas ideias de inovação com potenciais clientes e, finalmente, começa a trabalhar no desenvolvimento dos produtos.

Na sua sede de 500 m2, localizada na cidade de São Carlos (SP), a Nanox possui cerca de 150 m2 de laboratórios internos para pesquisa e desenvolvimento e controle de qualidade. São três laboratórios de físico-química, um de engenharia de materiais e um de microbiologia, no qual a equipe realiza os testes de eficiência bactericida e fungicida. A empresa conta com dois pesquisadores (um mestre e um doutor) dedicados às atividades de P&D, mas, dependendo do projeto e da fase de desenvolvimento, a equipe envolvida pode incluir até cinco pessoas. Além disso, a Nanox tem parceria com laboratórios de pesquisa externos para realizar as atividades nas quais não existe expertise interna e para aquelas que necessitam equipamentos muito caros, como a caracterização de materiais por microscopia eletrônica ou raios X.

História e cases

Tudo começou em um centro de pesquisa da UFSCar apoiado pela Fapesp, o Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), hoje Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF). Ali, sob orientação do professor Elson Longo, os amigos André Luiz de Araujo (que trabalhou na empresa até 2011 e permanece até o presente como acionista), Daniel Tamassia Minozzi (atual COO) e Luiz Gustavo Pagotto Simões (atual CEO) faziam suas pesquisas de iniciação científica e mestrado.

Em 2004, frente a uma demanda que a empresa brasileira de eletrodomésticos Multibrás apresentou ao CMDMC, o trio acabou enxergando uma oportunidade de empreendimento no segmento de materiais baseados em nanotecnologia, setor que contava com poucos produtos e pouquíssimas empresas no Brasil naquele momento.

Para viabilizar esse primeiro projeto, que consistia no desenvolvimento de filmes nanoestruturados para proteger superfícies metálicas, a Nanox conseguiu financiamento do programa Pipe da Fapesp, dedicado a apoiar pesquisa para inovação em pequenas empresas do estado de São Paulo. Esse seria o primeiro de sete financiamentos obtidos pela Nanox no programa Pipe para apoiar diversas fases do desenvolvimento de tecnologias e produtos, além de recursos da Finep para inovação (por meio do Programa de Subvenção Econômica) e do CNPq (bolsas RHAE, de pesquisador na empresa).

Em 2005, a Nanox vendia um produto próprio pela primeira vez. Era um filme com nanopartículas de dióxido de titânio aplicado nos filtros de ar de secadores de cabelo usados em salões de beleza, fabricados pela empresa brasileira Taiff. O efeito bactericida e fungicida do nanomaterial garantia mais higiene no salão e saúde para os clientes. O produto rendeu à Nanox um Prêmio Finep de Inovação em 2007, além de bastante divulgação e visibilidade.

Em 2006, ao perceber que havia muito espaço para inovações da Nanox em produtos de plástico, os sócios decidiram começar a desenvolver nanomateriais em forma de aditivos que pudessem ser incorporados a diversos polímeros. Por meio de parcerias com empresas (os clientes da Nanox), essas inovações chegaram até o consumidor final. Um exemplo são os filmes de PVC (aqueles que se usam no ambiente doméstico para embalar frutas cortadas e outros alimentos) com escudo antibacteriano. Em 2014, a empresa brasileira AlpFilm lançou uma linha de filmes com aditivos da Nanox cujo efeito antibacteriano e antifúngico permite conservar por mais tempo os alimentos embalados ao evitar sua degradação. Outro case da Nanox é o da embalagem que dobra a validade do leite fresco graças à ação antibacteriana do aditivo. A primeira garrafa de leite bactericida do mundo começou a ser usada pela agroindústria brasileira Agrindus em 2015, e foi manchete de sites e revistas do segmento de alimentos e embalagens de vários países.

No ano de 2009 houve mais um marco na história da Nanox. Uma apresentação que a empresa preparou para uma equipe da General Electric no Brasil foi parar na filial da empresa no México e gerou tanto interesse que, 15 dias depois, a Nanox estava fazendo sua primeira exportação, a qual consistiu em aditivos para plástico para fabricar caixas de geladeiras no México. A partir desse momento, a Nanox começou a olhar mais para o mercado externo, iniciando uma estratégia que inclui investimentos em feiras internacionais, representantes em diversos países e treinamento da equipe para lidar com questões burocráticas inerentes ao processo de exportação e à introdução dos produtos da Nanox nos diferentes países. Essa caminhada percorrida se reflete hoje em exportações que representam 12% do faturamento da empresa, com vendas recorrentes para Argentina, Chile, Colômbia e México; meio caminho andado para entrar no mercado dos Estados Unidos, e distribuidores em países da América Latina, Europa Oriental e Ásia. Além disso, a Nanox participou neste ano de um programa de aceleração de negócios da Plug and Play Tech Center, plataforma de inovação sediada no Vale do Silício que já recebeu empresas como a Dropbox e PayPal. A Nanox foi uma das 15 selecionadas entre 1.000 empresas do mundo.

Veja a nossa entrevista com Luiz Gustavo Pagotto Simões, mestre (2005) e doutor (2009) em Química pela UNESP, co-fundador e atual CEO da Nanox.

Gustavo Simões e Daniel Minozzi, CEO e COO da Nanox respectivamente, no Plug and Play Tech Center.
Gustavo Simões e Daniel Minozzi, CEO e COO da Nanox respectivamente, no Plug and Play Tech Center.

Boletim da SBPMat: – Quais foram os fatores mais importantes que permitiram que a Nanox se desenvolva nas diversas fases?

Gustavo Simões: – Foi uma soma de fatores. Os recursos financeiros, tanto os públicos quanto os de venture capital – estes últimos a partir de 2006, quando a empresa virou uma S.A. -,  e também o trabalho dos empreendedores e do time para validar os produtos e colocá-los no mercado. Nós sempre usamos os recursos da Fapesp e Finep para diminuir os custos de aquisição de capital para desenvolvimento, principalmente em alguns momentos cruciais da empresa. Por exemplo, em um momento em que a gente tinha uma tecnologia, mas a escala dela era muito pequena, nós conseguimos um PIPE fase 3 que nos permitiu aumentar a escala de produção. O investidor também foi importante, melhorou a estrutura administrativa e comercial da empresa. O mais importante foi validar tudo aquilo que a gente achava que podia ser produto Nanox, e não dá para fazer isso sem dinheiro ou sem gente. Além disso, não podemos deixar de agradecer o professor Elson Longo, que acompanhou a Nanox em todas suas fases como torcedor, conselheiro científico, parceiro, divulgador…

Boletim da SBPMat: – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas até momento pela Nanox?

Gustavo Simões: – Realmente comercializar nanotecnologia no Brasil não é nada fácil. Naquela época, muita gente falou que queria ter nanotecnologia, mas muito poucos apostaram. A gente teve muita sorte de ter alguns parceiros-chave como a Taiff e a IBBL. Essas empresas resolveram, frente a um mercado tão competitivo como o brasileiro, se diferenciar e colocar um produto como o nosso no produto deles. Então, a dificuldade de conseguir clientes sempre foi uma das maiores. E também a de sobreviver nessa loucura que é o Brasil para empreender. As variações na taxa de câmbio, por exemplo, impactam diretamente na empresa, e a gente tem que ir contornando as situações, tem que ter um pouco de jogo de cintura. É difícil planejar e sair aquilo que você planejou.

Boletim da SBPMat: – A Nanox é reconhecida em vários lugares do mundo e exporta seus produtos para diversos países. Conte-nos um pouco sobre a internacionalização da Nanox e como é para esta empresa brasileira concorrer nos mercados externos.

Gustavo Simões: – Os mercados da América Latina são parecidos com o brasileiro. São menos regulados, o que aumenta a possibilidade de concorrência porque sempre pode haver um player local que compita com você. Por outro lado, esses mercados são mais fáceis de acessar do que os mais regulados, como o dos Estados Unidos, onde você precisa de vários registros e licenças das agências reguladoras, que requerem uma série de estudos e testes caros. Nem todo mundo está disposto a fazer tudo isso. Então, a maior regulamentação cria uma barreira de entrada ao mercado que diminui a quantidade de concorrentes. Nós estamos nesse processo de conseguir licenças para poder vender nossos produtos nos Estados Unidos e já conseguimos algumas. Em alguns produtos, nós vamos ter apenas três concorrentes nos Estados Unidos.

Além dessa questão regulatória, outros fatores que dificultam a exportação são os culturais, como a língua. Na América Latina, o Brasil é o único país de língua portuguesa. No Brasil tem também algumas burocracias, as bancárias, por exemplo, que atrapalham as exportações ou, até mesmo, fazem um negócio não valer a pena. Isso tem que mudar.

Então, fazer internacionalização é caro. Tem que participar de feiras no exterior e ter um time treinado na burocracia da exportação e na regulamentação dos mercados que se quer alcançar. Porém, eu acho que, em produtos como os nossos, mais intensivos em tecnologia e menos em mão de obra, o Brasil é bem competitivo. A gente tem até incentivo para exportar; se você exporta, você não paga alguns impostos e o produto fica com preço mais competitivo no exterior. Exportações representam aproximadamente 12% do faturamento da Nanox, mas essa porcentagem deve crescer. Depois da última feira internacional da qual participamos (do segmento de plásticos) recebemos pedidos do Irã, índia, Paquistão…

Boletim da SBPMat: – Qual é, na sua visão, a principal contribuição da Nanox para a sociedade?

Gustavo Simões: – Uma contribuição é a formação de recursos humanos, sempre com uma convivência muito boa aqui dentro. Muita gente passou por aqui já e hoje estão trabalhando super bem em multinacionais. Além disso, acho importante compartilhar por meio de reportagens, palestras etc. a nossa experiência do ponto de vista do empreendedorismo, para mostrar que existe uma forma diferente de trabalhar que não é numa empresa privada ou como professor na universidade. É importante mostrar que existe a possibilidade e que há incentivos e apoios no país, talvez nem tantos quanto a gente gostaria, mas muito mais do que em outros lugares. Além disso, a outra contribuição que a gente deixa são nossos produtos para segurança alimentar e melhor qualidade de vida. Mas, como o próprio Elson [Longo] diz, se eu conseguir deixar uma linha na literatura, já é muita coisa; agora, se eu puder motivar uma pessoa a empreender e tocar um projeto, isso é muito importante.

Boletim da SBPMat: – Qual é sua meta/seu sonho para a Nanox?

Gustavo Simões: – A gente quer consolidar a internacionalização, e queremos nos colocar como um player global. A gente está fazendo um movimento bem forte, apesar de o dólar estar castigando a gente, porque estamos ganhando em reais e gastando em dólares. Nos próximos 5 anos, temos expectativa de ter uma participação maior do mercado internacional nas receitas, tanto que abrimos um escritório nos Estados Unidos e estamos falando com investidores para obter recursos de lá.

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para as pessoas que avaliam a possibilidade de empreender.

Gustavo Simões: – Eu colocaria que empreender vale a pena e é necessário. Eu acho que o conhecimento técnico que a gente obtém em nossos cursos de graduação, por exemplo em Materiais, não deixa a desejar para qualquer outro lugar do mundo. A gente tem que converter o conhecimento em riqueza, e só existe uma forma de fazer isso que é empreender.

Eu acho que essa questão da interação universidade-empresa e spin-offs é o futuro para a gente criar uma economia diferenciada baseada em valor agregado num país onde temos um mercado consumidor enorme. Se a gente conseguir utilizar todos esses recursos financeiros e humanos, essas pessoas extremamente bem formadas, e gerar produtos e serviços para a economia, acho que o futuro é bem promissor.

Sócia e diretora eleita da SBPMat é uma das coordenadoras de evento internacional para mulheres na ciência.

Prof. Andrea Simone Stucchi de Camargo
Prof. Andrea Simone Stucchi de Camargo

A professora Andrea Simone Stucchi de Camargo (IFSC-USP), sócia da SBPMat e diretora científica da Sociedade eleita para o período 2020 – 2021, é uma das coordenadoras de um evento internacional para mulheres na ciência que será realizado no Rio de Janeiro de 12 a 14 de fevereiro de 2020, com apoio da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

O evento reunirá o “World Forum for Women in Science” e a “4th International Conference for Women in Science without Borders: Energy, Water, Health, Agriculture and Environment for Sustainable Development”.

Mais informações sobre o evento: http://www.abc.org.br/en/evento/wfwsbr20/

XIX B-MRS Meeting recebe 49 propostas de simpósios de 18 países diferentes.

logo 19 encontroQuarenta e nove (49) propostas foram submetidas pela comunidade científica internacional dentro da chamada de simpósios do XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM. A quantidade de submissões é uma das maiores na história dos eventos da SBPMat. “Recebemos propostas de 18 países diferentes”, diz o professor Gustavo Dalpian, chair do evento.

O comitê organizador já está trabalhando na análise das propostas, de modo a resolver casos de sobreposição temática e garantir a adequação dos simpósios à estrutura do evento. Quando necessário, o comitê entrará em contato com os autores das propostas. A lista final de simpósios será divulgada assim que possível no site do evento, no site da SBPMat, Boletim da SBPMat e mídias sociais. Em fevereiro de 2020, será aberta a chamada de trabalhos (resumos) para apresentação oral e de pôster dentro dos simpósios.

Sobre o evento

O evento, que será realizado de 30 de agosto a 3 de setembro de 2020 no Hotel Rafain Palace, em Foz do Iguaçu (PR, Brasil), reunirá a décima nona edição do encontro anual da SBPMat e a décima sétima edição da conferência internacional sobre materiais eletrônicos organizada bienalmente pela IUMRS.

Além das apresentações dos simpósios, a programação incluirá palestras plenárias de cientistas de destaque internacional, tais como Alex Zunger (University of Colorado Boulder, EUA), Edson Leite (LNNano, Brazil), Hideo Hosono (Tokyo Institute of Technology, Japão), John Rogers (Northwestern University, EUA), Luisa Torsi (Università degli Studi di Bari “A. Moro”, Itália) e Tao Deng (Shanghai Jiaotong University, China).

O evento é coordenado pelos professores Gustavo Martini Dalpian (UFABC) na coordenação geral, Carlos Cesar Bof Bufon (LNNANO) na coordenação de programa e Flavio Leandro de Souza (UFABC) como secretário geral. No comitê internacional, o evento conta com cientistas da América, Ásia, Europa e Oceania.

SBPMat cria o Prêmio José Arana Varela; primeiro agraciado será o Prof. Edson Roberto Leite.

A Diretoria Executiva da SBPMat criou, em outubro deste ano, o Prêmio José Arana Varela. Por meio do nome, esta nova distinção da SBPMat presta homenagem ao Prof. José Arana Varela, destacado cientista brasileiro da área de materiais e ex-presidente da SBPMat, falecido em 2016.

O prêmio será concedido anualmente a um(a) pesquisador(a) de destaque no Brasil, que proferirá uma das palestras plenárias no encontro anual da SBPMat, o B-MRS Meeting. Para 2020, o agraciado será Edson Roberto Leite, professor titular da UFSCar e diretor científico do LNNano – CNPEM.

Sobre o Prof. José Arana Varela

Prof. José Arana Varela (1944 - 2016).
Prof. José Arana Varela (1944 – 2016).

Nascido em Martinópolis, interior de São Paulo, em 11 de abril de 1944, José Arana Varela graduou-se em Física pela Universidade de São Paulo (USP) em 1968. Em 1975, obteve o título de mestre em Física pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Entre 1977 e 1981, realizou o doutorado em materiais cerâmicos na University of Washington (Estados Unidos).

Arana Varela foi professor titular da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), instituição na qual iniciou sua carreira acadêmica em 1969. Ele também foi professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na qual atuou desde 1985, principalmente nos programas de pós-graduação em Química e em Ciência e Engenharia de Materiais.

Como pesquisador, Arana Varela atuou na área dos materiais cerâmicos, fazendo importantes contribuições em nível internacional ao conhecimento sobre eletrocerâmicas e filmes finos de cerâmicas, e sua aplicação em varistores, memórias ferroelétricas e sensores químicos.

No Brasil, ele liderou o desenvolvimento dessas linhas de pesquisa, começando em 1988 pela fundação, junto a outros professores da UFSCar, do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (LIEC), que foi a semente do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), o qual gerou o Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF). O professor orientou ou coorientou pelo menos 30 trabalhos de mestrado e mais de 40 de doutorado.

O cientista foi coautor de mais de 600 artigos publicados em periódicos internacionais, os quais contam com mais de 20 mil citações. Também foi autor de patentes e participou de vários projetos em interação com a indústria.

Grande incentivador da colaboração internacional como motor do avanço científico e tecnológico, Arana Varela manteve cooperações ao longo de toda sua trajetória com grupos de pesquisa dos Estados Unidos, França, Espanha, Portugal, Eslovênia e Itália, além do próprio Brasil.

Em paralelo à sua destacada trajetória de pesquisador e docente, José Arana Varela teve uma ampla atuação em cargos de gestão ou consultivos. Na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), ele foi diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo de 2012 a 2016 e vice-presidente do Conselho Superior de 2007 a 2010. Na Unesp, foi o primeiro pró-reitor de Pesquisa (2005-2009), além de fundador e diretor da Agência Unesp de Inovação (2009-2012). Ele também foi membro do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), membro de comitês assessores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e diretor na Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM) e na Associação Brasileira de Cerâmica (ABCeram). Finalmente, a partir de 2015, atuou como membro do Conselho da Ceramic and Glass Industry Foundation, braço da ACerS (The American Ceramic Society), dedicado ao desenvolvimento de profissionais para a indústria global de cerâmica e vidro.

Arana Varela era fellow da ACerS e membro da World Academy of Ceramics e da Materials Research Society (MRS). O professor também era membro de várias sociedades científicas brasileiras, como a Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia de Ciências do Estado de São Paulo e Sociedade Brasileira de Física (SBF).

Na SBPMat, o cientista era membro fundador, fez parte da diretoria fundadora, e atuou como diretor financeiro de 2004 a 2005 e como presidente de 2010 a 2011.

Arana Varela foi membro do corpo editorial das revistas Ceramics International, Science of Sintering, Cerâmica e Materials Research. Ele recebeu mais de vinte prêmios e distinções nacionais e internacionais, como, por exemplo, o Premio Epsilon de Oro (2003) da Sociedad Española de Cerámica y Vidrio, o Prêmio Scopus Capes-Elsevier (2006) pela produção científica, e dois prêmios da American Ceramic Society, o Global Star Award (2013) e o Bridge Building Bridge Award (2014).

José Arana Varela faleceu em 17 de maio de 2016, aos 72 anos de idade, após três anos de luta contra o câncer.

 

Pós-doutorado em Fotônica não linear no IFSC-USP.

Duas bolsas FAPESP de pós-doutorado estão disponíveis para realizar pesquisa no âmbito de Projeto Temático “Fotônica não linear: espectroscopia e processamento avançado de materiais”, sediado no Instituto de Física de São Carlos, cujo pesquisador responsável é o Prof. Cleber R. Mendonça (https://scholar.google.com/citations?user=i8cwDtkAAAAJ&hl=pt-BR).

Este Projeto Temático visa, de maneira geral, investigar processos não lineares em novos materiais fotônicos em diferentes regimes espectrais, desde o ultra-violeta até o infravermelho médio, bem como o processamento avançado de materiais com pulsos ultracurtos para o desenvolvimento de plataformas integradas em Fotônica e Biofotônica.

Favor realizar inscrição em:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSer7YJvE8eoJuAnouSAr74vw9dtzORSzRCF_LkofhJzKPCyNQ/viewform?usp=pp_url

Data limite para inscrições: 22/01/2020

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 7.373,10 mensais e Reserva Técnica equivalente a 15% do valor anual da bolsa para atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

E-mail: crmendon@ifsc.usp.br

Nova unidade do programa University Chapters da SBPMat: UFABC.

Membros e tutor do UC - UFABC.
Membros e tutor do UC – UFABC.

Uma equipe de estudantes da Universidade Federal do ABC (UFABC) criou a décima segunda unidade do programa University Chapters (UCs) da SBPMat. O novo UC é formado por 4 alunos do mestrado em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM) e 6 alunos do mestrado em Nanociências e Materiais Avançados (PPGNMA), além do tutor, professor Márcio Gustavo Di Vernieri Cuppari.

“Esperamos poder aproximar os alunos dos dois programas de pós-graduação, bem como os alunos da graduação”, diz Isabela Coutinho, presidente do UC – UFABC. “Esperamos que esses encontros, na forma de eventos de teor científico, facilitem a divulgação da área de materiais entre os alunos da comunidade do ABC. Esperamos também enriquecer a formação dos alunos de graduação e pós-graduação pela influência da SBPMat”, completa a estudante de mestrado em Materiais, quem, aliás, ganhou um dos Prêmios Bernhard Gross no XVIII B-MRS Meeting, realizado de 22 a 26 de setembro deste ano em Balneário Camboriú.

Para isso, a equipe planeja convidar pesquisadores internos e externos para palestras e workshops e realizar encontros de divulgação científica e troca de experiências. Além disso, diz a presidente, a equipe gostaria de receber sugestões de ações que tenham sido realizadas com sucesso em outros UCs e possam ser feitas pelo grupo da UFABC.

O UC – UFABC, que foi criado em 1º de agosto deste ano, tem uma página no Facebook (https://www.facebook.com/UCUFABC/), onde já começou a divulgar suas atividades.

Em seu programa UCs, a SBPMat conta com 12 equipes de estudantes de universidades federais, estaduais e comunitárias, localizadas nas cinco regiões brasileiras. Esses grupos desenvolvem atividades complementares à sua formação acadêmica.

Conheça o Programa UCs da SBPMat e as unidades criadas até o momento: http://sbpmat.org.br/university-chapters/

Presidente da SBPMat integra lista tríplice para escolha de diretor científico da FAPESP.

Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior
Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior

O atual presidente da SBPMat, professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP) integra a lista tríplice enviada ao governador do Estado de São Paulo para escolha do novo diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A lista foi definida pelo Conselho Superior da FAPESP após eleição da qual participaram 13 candidatos.

Mais informações: http://agencia.fapesp.br/fapesp-divulga-lista-triplice-para-diretor-cientifico/31948/

Seleção de bolsista de pós-doutorado FAPERJ.

Locais de trabalho: Instituto Nacional de Metrologia (INMETRO), Campus de Duque de Caxias da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) e Instituto de Macromoléculas (Cidade Universitária da UFRJ, Ilha do Fundão)

Para participar do projeto de pesquisa: “Desenvolvimento de Filmes Nanoestruturados para aplicação em Células Solares

Pre-requisitos:

– Ser doutor há, no máximo, 5 (cinco) anos, desde a defesa da tese de Doutorado

– Experiência de atuação em pesquisa na área de Materiais

– Conhecimentos em Física e Química

– É desejável (mas não obrigatório) que o candidato tenha alguma experiência numa ou em várias das seguintes técnicas experimentais: deposição de filmes (eletrodeposição, sputtering, dip-coating, spin-coating etc…), técnicas eletroquímicas (voltametria, medidas de impedância etc….).

Bolsa FAPERJ de duração 24 meses no valor mensal de 4100,00 reais. Interessados mandar nome completo, link do curriculo Lattes e carta de motivação (máximo uma página) para o Prof. Roberto Jakomin (Campus de Duque de Caxias da UFRJ) no email: robertojakomin@xerem.ufrj.br até 14 de fevereiro de 2020.

Observações:

O Currículo Lattes do candidato deverá ser atualizado no site do CNPq, para análise.

– Profissionais com vinculo celetista ou estatutário não poderão se candidatar.

Pós-doutorado em Química de Materiais e Catálise Heterogênea na UFF.

Uma vaga de pós doutorado com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) na Universidade Federal Fluminense, no Grupo de Catálise e Valorização da Biomassa, Departamento de Química Inorgânica, Instituto de Química. A bolsa de pós doutorado pertence ao Programa Redes de Pesquisa em Nanotecnologia no Estado do Rio de Janeiro vinculada ao projeto “Aplicação de nanoprodutos com atividades farmacológicas, odontológicas e nutricionais Visando promover e/ou manter a saúde humana”.

O candidato deve possuir experiência na preparação de compósitos a base de carbono. Além disso, é de suma importância a capacidade de liderança de equipe, conhecimento de técnicas de caracterização de nanomateriais e em reações envolvendo catálise heterogênea. É desejável experiência em técnicas como HPLC e GC-MS.

Interessados, entrar em contato com o professor Thiago de Melo Lima pelo e-mail tmlima@id.uff.br, enviando CV Lattes, carta de apresentação e carta de recomendação.

Valor da bolsa: R$ 4.100,00

Duração: até 3 anos, renovada anualmente mediante avaliação de produtividade.