Artigo em destaque: Eletrólito sólido para baterias mais seguras e rápidas de carregar.

O artigo científico de autoria de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Controlling the Activation Energy for Single-Ion Diffusion through a Hybrid Polyelectrolyte Matrix by Manipulating the Central Coordinate Semimetal Atom. Victoria C. Ferrari, Raphael S. Alvim, Thiago B. de Queiroz, Gustavo M. Dalpian, Flavio L. Souza. J. Phys. Chem. Lett. 2019, 10, 24, 7684-7689. https://doi.org/10.1021/acs.jpclett.9b02928.

Eletrólito sólido para baterias mais seguras e rápidas de carregar

box bateriasNossos celulares, laptops e tablets, assim como os carros elétricos que começam a transitar pelo planeta Terra, não existiriam sem as baterias recarregáveis de íons de lítio. Esses dispositivos foram objeto do Prêmio Nobel de Química de 2019, que reconheceu os trabalhos feitos nos Estados Unidos, Reino Unido e Japão por três cientistas nas décadas de 1970 e 80, voltados principalmente ao desenvolvimento dos materiais que compõem os eletrodos dessas baterias.

Entretanto, ainda existem desafios para continuar melhorando o desempenho e segurança das baterias de íon de lítio e para adequar essa tecnologia a novas aplicações. Um desses desafios se refere ao desenvolvimento de materiais sólidos para o eletrólito dessas baterias, como alternativa aos materiais líquidos ou em forma de gel que predominam atualmente, os quais apresentam um maior risco de provocar acidentes, como as explosões de smartphones que têm sido amplamente difundidas na mídia. Localizado no meio dos eletrodos, o eletrólito tem a importante função de promover o deslocamento dos íons de lítio (apenas eles, e não os elétrons) em suas idas e voltas entre os eletrodos. Por esse motivo, o material do eletrólito deve ser um bom condutor iônico – condição que pode ser mais difícil de se alcançar em materiais sólidos.

Em um artigo recentemente publicado em The Journal of Physical Chemistry Letters (fator de impacto= 7.329), uma equipe científica brasileira apresentou um importante avanço no desenvolvimento de materiais sólidos para eletrólitos que podem ser usados em baterias de íon-lítio e outros dispositivos eletroquímicos (aqueles que produzem eletricidade a partir de reações químicas e vice-versa) e eletrocrômicos (aqueles em que ocorre uma mudança de cor  ou opacidade quando se aplica uma voltagem em um material, como as janelas inteligentes). Utilizando um método de fabricação simples e econômico, que pode ser levado à escala industrial (o sol-gel hidrolítico), os pesquisadores produziram um material sólido de base polimérica que demonstrou um desempenho excepcionalmente bom como condutor iônico. “O baixo valor de energia necessária para ativar o movimento do íon neste material e seu alto valor de condutividade iônica em temperatura ambiente poderão reduzir drasticamente o tempo de carregamento das baterias”, detalha o professor Flavio Leandro de Souza, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e líder do trabalho.

Foto do eletrólito sólido polimérico com germânio na sua forma final, transparente e flexível.
Foto do eletrólito sólido polimérico com germânio na sua forma final, transparente e flexível.

Este eletrólito brasileiro é um filme leve e flexível da família do polietileno, de aspecto muito similar ao material dos filmes e sacolas transparentes de polietileno que usamos no dia-a-dia. “Do ponto de vista estético, esse material pode proporcionar dispositivos mais leves e com diferentes formas”, comenta o professor Souza. “No aspecto da segurança, traz melhora sem precedente, pois não contém materiais tóxicos na composição e, por estar no estado sólido, não tem risco de vazamento em caso de quebra ou fratura, evitando inclusive explosões usualmente observadas nos dias atuais, causando a proibição de embarque dos mais variados dispositivos”.

O segredo do bom desempenho desse eletrólito reside na presença de um átomo de germânio no centro da estrutura polimérica, chamado de “átomo de coordenação”. De fato, esse átomo metálico modifica a cadeia polimérica, diminuindo suas vibrações espontâneas e atacando assim a principal desvantagem dos polímeros enquanto condutores iônicos: o acoplamento do movimento do íon de lítio ao movimento da cadeia polimérica.

Início da história: um experimento fora dos planos

A ideia inicial do trabalho se remonta aos anos 2001 a 2006, quando Flavio Souza era estudante do mestrado e doutorado em Ciência e Engenharia dos Materiais da UFSCar. Nesse período, sob orientação do professor Edson Leite, Souza estava tentando produzir uma matriz de silício com nanopartículas metálicas, mediante um processo que tinha como etapa intermediária a formação de um polímero, cujo destino final era a queima em um forno comum. Quando Souza observou o polímero sólido, transparente e de fácil manipulação que tinha se formado, decidiu, por pura curiosidade, resgatar o material e submetê-lo a caracterização elétrica para conferir se conduzia níquel. “Nada aconteceu, mas mostrei ao meu orientador, que sugeriu a troca do níquel por um sal de lítio. Para minha surpresa, esse material conduziu; foi então que tudo começou”, relata o cientista. Esse primeiro material, um polímero que continha um átomo de silício no centro da sua estrutura, permitia que os íons de lítio se deslocassem pela sua estrutura sem grande interferência dos movimentos da cadeia polimérica, e por isso foi classificado como um condutor rápido de íons.

Anos mais tarde, já como professor da UFABC e coordenador do Laboratório de Energia Alternativa e Nanomateriais, Souza resolveu retomar esse assunto e propor um desafio para uma jovem estudante de Engenharia de Energia, Victória Castagna Ferrari, que o procurara para fazer iniciação científica. “O desafio proposto e topado foi de tentar melhorar ainda mais esse tipo de material para aplicação em baterias de íons de lítio e janelas eletrocrômicas e responder algumas perguntas de cunho científico”, conta o professor Souza. “A Victória, uma estudante brilhante, rapidamente mostrou que conseguiria levar esse desafio para um nível muito alto”, diz ele.

O trabalho se desenvolveu ao longo de dois anos de iniciação científica de Victória como bolsista da UFABC e mais dois anos como mestranda em Nanociência e Materiais Avançados com bolsa da CAPES, sempre sob orientação do professor Souza.

Durante esse período, Souza e sua aluna quiseram responder a uma série de perguntas científicas. Para isso, utilizaram diversas técnicas experimentais e teóricas e contaram com a colaboração de outros pesquisadores da UFABC: o professor Thiago Branquinho de Queiroz nos experimentos de ressonância magnética nuclear de estado sólido, e o professor Gustavo Martini Dalpian junto ao bolsista de pós-doutorado Raphael da Silva Alvim nas simulações computacionais.

Os autores do artigo. A partir da esquerda: Victoria Ferrari, Raphael Alvim, Thiago de Queiroz, Gustavo Dalpian e Flavio Souza.
Os autores do artigo. A partir da esquerda: Victoria Ferrari, Raphael Alvim, Thiago de Queiroz, Gustavo Dalpian e Flavio Souza.

Inicialmente, a equipe pesquisou se a substituição do átomo de silício por outro elemento (no caso, o germânio) influiria na mobilidade de íons de lítio no material. Os resultados foram excepcionais. “Essa substituição elevou a condutividade em duas ordens de grandeza e reduziu em 50% a energia de ativação”, diz Souza. De fato, os experimentos mostraram que a energia necessária para colocar o íon de lítio em movimento era, no polímero com silício, de 0,27 eV (elétron-volts) e no polímero com germânio, de 0,12 eV. “Esse valor é sem dúvida o recorde na literatura, como o mais baixo obtido para um eletrólito sólido polimérico”, afirma Souza”. Na literatura científica, contextualiza Souza, o valor oscila entre 1 e 0,5 eV.

Novos esforços de pesquisa foram então realizados para entender o motivo pelo qual o germânio tinha tornado o polímero um melhor condutor iônico. A equipe conseguiu entender em detalhe a estrutura dos polímeros coordenados por silício e germânio, o movimento da matriz polimérica, o movimento dos íons de lítio e a interação entre ambos. Os experimentos e simulações confirmaram que a troca do silício pelo germânio não muda o tipo de polímero (a essência da estrutura é a mesma), mas que ela muda, sim, a estrutura eletrônica da cadeia polimérica, modificando a localização dos orbitais mais relevantes  e reduzindo ainda mais suas vibrações espontâneas, o que repercute na interação do íon lítio com a cadeia polimérica.

Este trabalho contou com apoio das agências brasileiras Capes e CNPq (federais) e Fapesp (estadual), e utilizou equipamentos multiusuário da UFABC e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).


 

Para compreender em detalhe como funcionam as baterias de íons de lítio, indicamos este vídeo em inglês:

Posse da nova Diretoria Executiva da SBPMat.

Os membros da nova Diretoria Executiva da SBPMat tomarão posse no dia 14 de fevereiro de 2020. A cerimônia será realizada às 10 horas no auditório do Instituto de Física Gleb Wataghin (Unicamp), na cidade de Campinas (SP).

A nova diretoria, eleita em outubro de 2019 para o biênio 2020 – 2021, é presidida pela Profa. Mônica A. Cotta (IFGW-Unicamp), tendo como diretoras a Profa. Andrea S. Stucchi de Camargo (USP) e Profa. Ieda Garcia dos Santos (UFPB), e diretores o Prof. Antonio Eduardo Martinelli (UFRN), Prof. Ivan H. Bechtold (UFSC), Prof. Newton M. Barbosa Neto (UFPa) e Dr. Rubem L. Sommer (CBPF).

A cerimônia é aberta ao público. Interessados em participar devem confirmar presença por email para secretaria@sbpmat.org.br até o dia 12 de fevereiro.

SBPMat assina carta solicitando revisão de portaria do MEC que restringe deslocamento de pesquisadores.

Mais de 40 entidades científicas, entre elas, a SBPMat, assinam carta que solicita ao ministro da Educação do Brasil, Abraham Weintraub, a revisão da Portaria nº 2.227, a qual restringe a participação em eventos de servidores ligados ao Ministério da Educação.

A carta, iniciativa da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foi enviada ao ministro no dia 23 de janeiro.

Segue a íntegra do documento.

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Senhor Ministro,

As entidades abaixo relacionadas vêm à vossa presença solicitar que seja revista a Portaria nº 2.227, de 31 de dezembro de 2019, que dispõe sobre os procedimentos para afastamento da sede e do país e concessão de diárias e passagens em viagens nacionais e internacionais, a serviço, no âmbito do Ministério da Educação, no que se refere ao artigo 55 descrito a seguir.

Art. 55. A participação de servidores em feiras, fóruns, seminários, congressos, simpósios, grupos de trabalho e outros eventos será de, no máximo, dois representantes para eventos no país e um representante para eventos no exterior, por unidade, órgão singular ou entidade vinculada.

Parágrafo único. Somente em caráter excepcional e quando houver necessidade devidamente justificada, por meio de exposição de motivos dos dirigentes das unidades, o número de participantes poderá ser ampliado mediante autorização prévia e expressa do Secretário-Executivo.

Nesse sentido, fazemos as seguintes considerações:

  1. As agências de pesquisa e os pesquisadores brasileiros têm envidado grandes esforços para melhorar a qualidade da ciência feita no Brasil. Uma das melhores maneiras para atingir esse objetivo, reconhecida internacionalmente, consiste em estimular a mobilidade dos pesquisadores, através de acordos bilaterais, participação em eventos científicos e discussão de parcerias internacionais.
  1. Reuniões científicas são da mais alta relevância na vida de um cientista. Nelas, pesquisadores apresentam e discutem com colegas seus novos trabalhos, em distintos estágios de desenvolvimento, incluindo descobertas preliminares, dados coletados recentemente ou dados que estão aguardando publicação. A participação intensa da comunidade científica nacional nessas reuniões é condição necessária para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
  1. Devido ao crescimento exponencial do conhecimento científico, é comum ter, em uma mesma unidade ou grupo de pesquisa, cientistas que, embora reunidos em torno de um tema, trabalham em projetos e subáreas distintas. Por isso mesmo, é frequente, em reuniões nacionais e internacionais, a participação de membros de uma mesma unidade ou grupo de pesquisa.
  1. A formação do jovem pesquisador requer que, desde cedo, ele participe de congressos científicos no seu país de origem e no exterior. No Brasil, existe uma grande tradição de apoiar e estimular a participação de jovens pesquisadores com trabalhos inscritos em congressos científicos. A restrição a essa mobilidade contribuirá para o empobrecimento da formação do jovem cientista brasileiro, fato que não ocorre em nenhum outro país que preze pela ciência e a tecnologia.
  1. Tal restrição afetará seriamente as diversas sociedades científicas, pois praticamente inviabilizará suas reuniões anuais, que proporcionam a interação entre os grupos de pesquisa no país, beneficiando especialmente os jovens pesquisadores.
  1. O conhecimento e a informação têm impacto significativo na vida das pessoas. O compartilhamento de conhecimento e informação tem o poder de transformar economias e sociedades, conforme preconiza a UNESCO para o século XXI. Assim, a limitação de participação de, no máximo, dois servidores em feiras, fóruns, seminários, congressos, simpósios, grupos de trabalho e outros eventos no país, e de um representante para eventos no exterior, por unidade, órgão singular ou entidade vinculada, não se adequa à realidade do papel da universidade e das instituições de ensino, pesquisa, extensão, tecnológicas e de inovação no mundo globalizado.
  1. Essa Portaria acarreta um risco iminente para missões bilaterais e grandes colaborações internacionais, nas quais a participação brasileira tem tido grande destaque.

A Portaria do MEC inibe a interação entre os pesquisadores brasileiros, prejudica a internacionalização e o protagonismo da ciência e da tecnologia nacionais. Urge revisá-la.

Atenciosamente,

Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Além da ABC e da SBPC, a carta é subscrita pelas seguintes entidades:

  1. Associação Brasileira de Antropologia (ABA)
  2. Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF)
  3. Associação Brasileira de Cristalografia (ABCr)
  4. Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM)
  5. Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP)
  6. Associação Brasileira de Linguística (Abralin)
  7. Associação Brasileira de Pesquisa em Cibercultura (Abciber)
  8. Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas (Abrapcorp)
  9. Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)
  10. Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO)
  11. Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)
  12. Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)
  13. Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE)
  14. Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL)
  15. Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF)
  16. Compós – Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação
  17. Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies)
  18. Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas da Comunicação (SOCICOM)
  19. Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE)
  20. Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis.
  21. Sociedade Botânica do Brasil (SBB)
  22. Sociedade Brasileira de Automática (SBA)
  23. Sociedade Brasileira de Biofísica (SBBf)
  24. Sociedade Brasileira de Biologia Celular (SBBC)
  25. Sociedade Brasileira de Computação (SBC)
  26. Sociedade Brasileira de Ecotoxicologia (EcotoxBR)
  27. Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC)
  28. Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine)
  29. Sociedade Brasileira de Farmacognosia (SBFgnosia)
  30. Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental (SBFTE)
  31. Sociedade Brasileira de Física (SBF)
  32. Sociedade Brasileira de Geologia (SBG)
  33. Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI)
  34. Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI)
  35. Sociedade Brasileira de Matemática (SBM)
  36. Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBMicro)
  37. Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNec)
  38. Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMAT)
  39. Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP)
  40. Sociedade Brasileira de Química (SBQ)
  41. Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB)
  42. Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ)
  43. União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (Ulepicc-Brasil)

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Mais informações no Jornal da Ciência: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/1-abc-e-sbpc-solicitam-revisao-de-portaria-do-mec-que-restringe-deslocamento-de-pesquisadores/

Sócio da SBPMat é coeditor de livro publicado pela Springer sobre pesquisa computacional-experimental em materiais e biomoléculas.

Prof Felipe La Porta.
Prof Felipe La Porta.

O professor Felipe de Almeida La Porta, do Departamento de Química da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) é coeditor do livro “Emerging Research in Science and Engineering Based on Advanced Experimental and Computational Strategies“. O outro editor é o professor Carlton A. Taft, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

Publicado pela editora Springer, o livro possui 20 capítulos que foram assinados por 89 pesquisadores do Brasil e outros países. De acordo com La Porta, uma ampla variedade de aplicações de materiais e biomoléculas é tratada neste livro, incluindo materiais plasmônicos, óxidos semicondutores, polímeros impressos, nanopartículas de quitosana, biomassa, nanotubos inorgânicos, pontos quânticos coloidais do tipo core-shell, nanocristais como potenciais antimicrobianos, biomoléculas para inibição de doenças e controle/prevenção de câncer, proteínas para dificultar a metástase, produtos naturais aplicados na medicina, polímeros de coordenação infinita, zeólitas, compostos relacionados a nitreto de carbono grafítico, polissacarídeos, polímeros orgânicos, magnéticos e condutores, e também ferritas na forma de nanopartículas.

Link para o livro: https://www.springer.com/gp/book/9783030314026#aboutBook

Ricardo Rodrigues: nota de pesar.

A SBPMat lamenta o falecimento de Antonio Ricardo Droher Rodrigues, líder da Divisão de Engenharia do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Ricardo Rodrigues foi líder técnico-científico do projeto e construção das duas fontes de luz síncrotron brasileiras, UVX (desenvolvida nas décadas de 1980 e 1990 e em operação desde 1997) e Sirius (fonte de quarta geração desenvolvida a partir de 2009, atualmente em fase de testes). Rodrigues faleceu no dia 3 de janeiro de 2020, aos 68 anos de idade. A Diretoria Executiva da SBPMat expressa seu pesar pela partida prematura deste cientista brasileiro que deu grandes contribuições à nossa comunidade.

Boletim da SBPMat. 88ª edição.

 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 88. 18 de dezembro de 2019.

boas festas sbpmat

Mensagem de Ano Novo da SBPMat

Com esta mensagem de Ano Novo, saúdo toda a comunidade da SBPMat, no Brasil e no exterior.

O ano de 2019 que se encerra foi novamente de grandes desafios para a ciência, tecnologia e inovação no Brasil, assim como para as universidades públicas. A preocupação da SBPMat com o cenário no País foi expressa em notas públicas e na manifestação intitulada Carta de Camboriú, em que mais uma vez foi ressaltado o papel fundamental que a geração e transferência de conhecimento exerce para a sociedade. Em 2020 precisamos continuar atentos às ações e políticas implementadas por governos em diferentes níveis, pois não se pode esperar desenvolvimento sustentável do Brasil sem essa geração de conhecimento, hoje feita essencialmente por universidades e organizações públicas. Não haverá desenvolvimento se o trabalho diligente de pesquisadores do Brasil não for acompanhado de financiamento continuado. Nenhum país do mundo se desenvolveu ou se desenvolve sem aportes de recursos públicos para a construção de uma base tecnológica.

A despeito das dificuldades mencionadas, a resiliência da comunidade científica brasileira, e a de pesquisa em materiais em particular, trouxe grandes contribuições em 2019. Muitas delas foram registradas nos boletins mensais da SBPMat e em nossos outros canais de comunicação. Nosso Encontro anual em Balneário Camboriú teve número recorde de inscrições e uma das maiores audiências de todos os tempos. O entusiasmo dos estudantes e pesquisadores foi de um contraste marcante com o pessimismo justificado pelos percalços desde o início do ano. Isso nos dá razão para otimismo em 2020, e a SBPMat continuará seus esforços para propiciar um espaço para debate e divulgação das contribuições científico-tecnológicas de pesquisadores, do Brasil e exterior.

Após dois mandatos, com encerramento em fevereiro de 2020, à frente da SBPMat, esta é minha última mensagem como presidente. Aproveito para agradecer imensamente aos meus colegas de diretoria e conselho da SBPMat, e desejo saúde e sucesso em 2020 a toda comunidade de pesquisa em materiais, na expectativa de encontrar muitos de vocês em Foz do Iguaçu (PR), de 30 de agosto a 3 de setembro, para o nosso próximo Encontro.

Professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior
Presidente da SBPMAT

Notícias da SBPMat

– Artigos sobre temas da área de materiais fazem parte do mais recente volume dos Anais da Academia Brasileira de Ciências (AABC), como resultado da chamada de papers realizada em 2018 pelos AABC e a SBPMat. Saiba mais.

Novidades dos Sócios SBPMat

– Carlos Alejandro Figueroa (UCS), sócio da SBPMat e membro eleito do Conselho Deliberativo, foi escolhido pela Royal Society para receber um Newton Advanced Fellowship. Saiba mais.

– O sócio da SBPMat Miguel Henrique Boratto é vencedor do Prêmio Capes de Tese 2019 na área de Materiais, por sua tese de doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Materiais da Unesp-Bauru. Saiba mais.

– Luciana Reyes Pires Kassab (Faculdade de Tecnologia de São Paulo/CEETEPS) e Sidney José Lima Ribeiro (UNESP – Campus de Araraquara), ambos sócios da SBPMat, são coeditores de livro da Elsevier sobre nanocompósitos para fotônica e eletrônica. Saiba mais.

19 encontro_banner_560 px

XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM 2020
(Foz do Iguaçu, Brasil, 30 de agosto a 3 de setembro de 2020)

Site do evento: www.sbpmat.org.br/19encontro/

Simpósios. 49 propostas de simpósio de 18 países foram submetidas dentro da chamada. A lista de simpósios aprovados será divulgada assim que possível. Saiba mais.

Plenárias e palestra memorial. Sete cientistas internacionalmente destacados já confirmaram presença como palestrantes do evento. Saiba mais no site do evento.

Local do evento. O evento será realizado no hotel Rafain Palace, localizado em Foz do Iguaçu (PR). Saiba mais.

Hospedagem. Veja opções de hospedagem da agência de turismo oficial do evento, aqui.

Evento conjunto. O evento reunirá a 19ª edição do encontro anual da SBPMat e a 17ª edição da conferência internacional sobre materiais eletrônicos organizada bienalmente pela União Internacional de Sociedades de Pesquisa em Materiais (IUMRS).

Organização. Prof. Gustavo Martini Dalpian (UFABC) é o coordenador geral, Carlos Cesar Bof Bufon (LNNANO) é coordenador de programa e Flavio Leandro de Souza (UFABC) é o secretário geral. No comitê internacional, o evento conta com cientistas da América, Ásia, Europa e Oceania. Saiba mais no site do evento.

Expositores e patrocinadores. Empresas e outras entidades interessadas em participar do evento como expositores, patrocinadores ou apoiadores, podem entrar em contato com Alexandre pelo e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Dicas de Leitura

– Cientistas geram dispositivo similar a um “sanduíche” de materiais 2D e controlam propriedades eletrônicas do grafeno (o “recheio”) mudando a rotação dos “pães” (paper da Nature Nanotechnology). Saiba mais.

– Novo método de purificação de água baseado em nanopartículas magnéticas revestidas com líquido iônico remove contaminantes orgânicos, inorgânicos, microbianos e microplásticos (paper da Angewandte Chemie). Saiba mais.

– Pesquisadores do Brasil usam nióbio (abundante no país) como cocatalisador de célula a combustível, diminuindo o custo e aumentando a durabilidade desse dispositivo para geração de energia elétrica (paper destacado em capa da ChemEletroChem). Saiba mais.

– Pesquisadores do Brasil desenvolvem soluções para remoção de petróleo da água, baseadas em nanomateriais magnéticos e resíduos de biomassa (papers do Journal of Environmental Management). Saiba mais.

Oportunidades

– Concurso para professor de Química Teórica Computacional na UFSCar. Saiba mais.

Eventos

World Forum for Women in Science – Brazil 2020 + 4th International Conference for Women in Science without Borders: Energy, Water, Health, Agriculture and Environment for Sustainable Development. Rio de Janeiro, RJ (Brasil). 10 a 14 de fevereiro de 2020. Site.

Pan American Ceramics Congress and Ferroelectrics Meeting of Americas (PACC-FMAs 2020). Panamá (Panamá). 19 a 23 de julho de 2020. Site.

XIX B-MRS Meeting + 2020 IUMRS ICEM (International Conference on Electronic Materials). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 30 de agosto a 3 de setembro de 2020. Site.

5th International Conference of Surfaces, Coatings and NanoStructured Materials – Americas (NANOSMAT-Americas). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 7 a 10 de outubro de 2020. Site.

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Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

 

Mensagem de Ano Novo da SBPMat.

Com esta mensagem de Ano Novo, saúdo toda a comunidade da SBPMat, no Brasil e no exterior.

O ano de 2019 que se encerra foi novamente de grandes desafios para a ciência, tecnologia e inovação no Brasil, assim como para as universidades públicas. A preocupação da SBPMat com o cenário no País foi expressa em notas públicas e na manifestação intitulada Carta de Camboriú, em que mais uma vez foi ressaltado o papel fundamental que a geração e transferência de conhecimento exerce para a sociedade. Em 2020 precisamos continuar atentos às ações e políticas implementadas por governos em diferentes níveis, pois não se pode esperar desenvolvimento sustentável do Brasil sem essa geração de conhecimento, hoje feito essencialmente por universidades e organizações públicas. Não haverá desenvolvimento se o trabalho diligente de pesquisadores do Brasil não for acompanhado de financiamento continuado. Nenhum país do mundo se desenvolveu ou se desenvolve sem aportes de recursos públicos para a construção de uma base tecnológica.

A despeito das dificuldades mencionadas, a resiliência da comunidade científica brasileira, e a de pesquisa em materiais em particular, trouxe grandes contribuições em 2019. Muitas delas foram registradas nos boletins mensais da SBPMat e em nossos outros canais de comunicação. Nosso Encontro anual em Balneário Camboriú teve número recorde de inscrições e uma das maiores audiências de todos os tempos. O entusiasmo dos estudantes e pesquisadores foi de um contraste marcante com o pessimismo justificado pelos percalços desde o início do ano. Isso nos dá razão para otimismo em 2020, e a SBPMat continuará seus esforços para propiciar um espaço para debate e divulgação das contribuições científico-tecnológicas de pesquisadores, do Brasil e exterior.

Após dois mandatos, com encerramento em fevereiro de 2020, à frente da SBPMat, esta é minha última mensagem como presidente. Aproveito para agradecer imensamente aos meus colegas de diretoria e conselho da SBPMat, e desejo saúde e sucesso em 2020 a toda comunidade de pesquisa em materiais, na expectativa de encontrar muitos de vocês em Foz do Iguaçu (PR), de 30 de agosto a 3 de setembro, para o nosso próximo Encontro.

Professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior

Presidente da SBPMAT

ano novo sbpmat

Sócios da SBPMat são editores de livro da Elsevier sobre nanocompósitos para fotônica e eletrônica.

Prof. Luciana Kassab e Prof. Sidney Ribeiro
Prof. Luciana Kassab e Prof. Sidney Ribeiro

A professora Luciana Reyes Pires Kassab (Faculdade de Tecnologia de São Paulo/CEETEPS) e o professor Sidney José Lima Ribeiro (UNESP – Campus de Araraquara), ambos sócios da SBPMat, são coeditores do livro Nanocomposites for Photonic and Electronic Applications. Também participou da edição o professor Raúl Rangel-Rojo, da Universidad Autónoma Metropolitana (México). O trabalho de edição do livro foi motivado por um convite da editora Elsevier.

Recentemente publicado pela Elsevier, o livro aborda as aplicações desses materiais em fotônica, eletrônica, óptica, biofotônica e energias renováveis, além de suas propriedades e técnicas de preparação e caracterização. Mais informações sobre o livro: https://www.elsevier.com/books/nanocomposites-for-photonics-and-electronics-applications/pires-kassab/978-0-12-818396-0

Sócio da SBPMat ganha Prêmio Capes de Tese da área de Materiais.

Miguel Henrique Boratto
Miguel Henrique Boratto

O sócio da SBPMat Miguel Henrique Boratto é vencedor do Prêmio Capes de Tese 2019 na área de Materiais, pela tese de doutorado de sua autoria, intitulada “Semiconducting and insulating oxides applied to electronic devices“, defendida em 2018 no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Materiais da Unesp-Bauru, e realizada sob orientação do professor Luis Vicente de Andrade Scalvi.

Boratto recebeu o prêmio em Brasília no dia 12 de dezembro.

Artigos da comunidade de materiais nos Anais da Academia Brasileira de Ciências.

AABCSete artigos sobre temas da área de materiais fazem parte do mais recente volume dos Anais da Academia Brasileira de Ciências (AABC). Este é o resultado da chamada de artigos realizada em 2018 pelos AABC em parceria com a SBPMat, com a temática “Materials Sciences for a Better Future”. “Esta foi uma grande oportunidade para se comemorar o sucesso das pesquisas na área de Materiais no Brasil”, diz o professor Frank Crespilho, editor associado dos AABC. Para participar da chamada, os autores submeteram seus trabalhos por meio do site da revista no SciELO.

A AABC publica artigos científicos de todas as áreas do conhecimento, e trabalhos de Ciência e Tecnologia de Materiais são bem-vindos em todas as edições. As publicações dos AABC não têm custo para os autores e podem ser acessadas livremente. Mais informações para autores podem ser encontradas em http://www.scielo.br/revistas/aabc/iinstruc.htm.

De acordo com o presidente da SBPMat, professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior, a importância crescente da pesquisa em materiais tem se revelado em grandes avanços tecnológicos em todas as áreas. Nesse contexto, a SBPMat tem desempenhado o papel de congregar estudantes e pesquisadores do Brasil, e seus colaboradores de outros países. “A parceria com a Academia Brasileira de Ciências é um marco importante dessa atuação da SBPMat, consolidada com essa série de artigos publicados nos Anais da Academia Brasileira de Ciências”, afirma o presidente da SBPMat. “A qualidade dos artigos e variedade de tópicos nessa edição dos Anais são representativas da pujança da comunidade de pesquisadores em materiais no Brasil”, completa.

Os artigos publicados podem ser acessados sem custo (acesso aberto) no volume 91, número 4 dos Anais da Academia Brasileira de Ciências. Segue a lista de artigos em temas da área de Materiais publicados nesse número da revista: