Esta figura esquemática mostra um gerador eletroquímico de peróxido de hidrogênio e, no detalhe, o catalisador desenvolvido pela equipe brasileira.
Conhecido como água oxigenada na sua versão diluída e farmacêutica, o peróxido de hidrogênio (H2O2) é um composto amplamente utilizado, sobretudo como alvejante ou antisséptico na produção de papel e celulose, em produtos de limpeza e beleza e no tratamento de águas residuais, entre outras aplicações. Com um mercado grande e crescente, a produção de peróxido de hidrogênio tem o desafio de se tornar mais sustentável, usando métodos que sejam amigos do meio ambiente e que permitam que o composto seja obtido no mesmo local em que será usado, diminuindo os riscos, custos e impacto ambiental do transporte. Nesse cenário, produzir peróxido de hidrogênio em geradores eletroquímicos usando basicamente água, ar e eletricidade é um caminho promissor, que, inclusive, algumas empresas já estão trilhando. Todavia, o sucesso desse processo depende, em grande parte, de contar com catalisadores eficientes, estáveis e de baixo custo.
Em artigo científico recentemente publicado, uma equipe formada por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), e Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP) fez uma contribuição nesse sentido. Eles desenvolveram catalisadores baseados em nanofitas de grafeno e nanopartículas metálicas e estudaram em detalhe o seu desempenho na produção eletroquímica de peróxido de hidrogênio. Além de mostrar que esses catalisadores melhoram significativamente a eficiência da reação, equiparando-se aos melhores catalisadores convencionais em alguns aspectos, o estudo avançou a compreensão de fenômenos fundamentais que abrem possibilidades para continuar otimizando a obtenção eletrocatalítica de peróxido de hidrogênio.
Imagens de microscopia eletrônica de transmissão do material catalisador. É possível observar as nanopartículas (neste caso, de óxido de paládio e molibdênio) ancoradas nas nanofitas de grafeno.
“Propusemos a síntese de catalisadores com baixo teor de metal nobre (≤6,4 % em massa), com alta eficiência catalítica e alta durabilidade para a produção eletroquímica de H2O2”, diz o professor Gilberto Maia (UFMS), coautor do artigo. De fato, metais nobres, como o ouro e o paládio, são conhecidos pelas suas propriedades catalíticas, mas têm a desvantagem do custo. “Nossos catalisadores foram construídos a partir de óxidos de molibdênio, ouro e paládio, que juntos formam nanopartículas ancoradas na superfície de nanofitas de grafeno”, descreve Maia.
A equipe testou a eficiência dos catalisadores com relação à geração de peróxido de hidrogênio por meio da reação de redução de oxigênio via dois elétrons (RRO-2e-), na qual uma molécula de oxigênio, dois cátions hidrogênio e dois elétrons formam uma molécula desse composto. Principalmente, os pesquisadores testaram, com resultados muito positivos, a atividade do catalisador (a sua capacidade de aumentar a velocidade da reação), a sua seletividade (a sua habilidade de direcionar a reação para um determinado produto, neste caso, o peróxido de hidrogênio) e a sua estabilidade (a capacidade de manter as suas propriedades ao longo do tempo).
“Os resultados obtidos mostraram que a atividade catalítica melhorada para RRO-2e- foi promovida por uma combinação de fatores incluindo geometria, teor de paládio, distância entre partículas e efeitos de bloqueio de sítios ativos, enquanto que a estabilidade eletroquímica dos catalisadores pode ter sido aprimorada pela presença de molibdênio”, diz o professor Maia.
O trabalho se desenvolveu dentro da colaboração entre pesquisadores do Instituto de Química da UFMS e do Grupo de Pesquisa de Eletroquímica Ambiental do IQSC-USP, os quais vêm trabalhando em conjunto na síntese, caracterização e aplicação de materiais eletrocatalíticos. De acordo com os autores, a ideia principal e as primeiras combinações de síntese envolvendo os metais utilizados surgiram como desdobramento da tese de doutorado de Guilherme Fortunato, que teve orientação do professor Gilberto Maia e foi defendida pela UFMS em 2019. O trabalho teve continuidade e finalização dentro do pós-doutorado de Fortunato, realizado no IQSC sob supervisão do professor Marcos Lanza.
A pesquisa contou com financiamento das agências brasileiras federais e estaduais Capes, CNPq, FAPESP e FUNDECT-MS.
Alguns dos autores do artigo. A partir da esquerda: Guilherme V. Fortunato, Leticia B. Siqueira, Eduardo S. F. Cardoso, Marcos R. V. Lanza e Gilberto Maia.
Referência do artigo científico:Using Palladium and Gold Palladium Nanoparticles Decorated with Molybdenum Oxide for Versatile Hydrogen Peroxide Electroproduction on Graphene Nanoribbons. Guilherme V. Fortunato, Leticia S. Bezerra, Eduardo S. F. Cardoso, Matheus S. Kronka, Alexsandro J. Santos, Anderson S. Greco, Jorge L. R. Júnior, Marcos R. V. Lanza, and Gilberto Maia. ACS Applied Materials & Interfaces 2022 14 (5), 6777-6793. DOI: 10.1021/acsami.1c22362.
Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais
Edição nº 114. 31 de março de 2022.
XX B-MRS Meeting
A submissão de resumos está aberta até 22 de abril!
Data: 25 a 29 de setembro de 2022.
Local: Hotel Rafain Palace, Foz do Iguaçu (PR).
Coordenadoras: Profa. Lucimara Stolz Roman (UFPR) e Profa. Marcela Mohallen Oliveira (UTFPR).
Submissão de resumos: aberta até 22 de abril.
Simpósios: são 23 simpósios temáticos sobre pesquisa nos mais diversos materiais, da síntese até as aplicações, organizados por cerca de 100 cientistas do Brasil e do exterior.
Palestra memorial: será proferida pelo Prof Roberto Mendonça Faria (IFSC-USP).
Plenaristas: Daniel Mario Ugarte (UNICAMP), Gustavo Grivas (Univ. Córdoba), Natalie Stingelin (Georgia Tech Univ.), Olle Inganas (Linkoping Univ.), Pulickel Ajayan (Rice Univ.), Stuart Parkin (Univ Martin-Luther de Halle-Wittemberg).
Apoio e patrocínio: 10 empresas já confirmaram patrocínio e participação na exposição desta edição do evento. Empresas interessadas em participar podem entrar em contato com Alexandre Alves no e-mail comercial@sbpmat.org.br.
O XX B-MRS Meeting vai celebrar os 20 anos da SBPMat e a 20ª edição do evento. Contamos com a sua participação!
Uma equipe do LNNano conseguiu visualizar, em tempo real e com resolução atômica, o processo de eliminação de poros durante a sinterização de uma cerâmica nanométrica. Os resultados apontam ajustes a ser feitos em modelos teóricos de sinterização de modo a adequá-los aos nanomateriais. (Artigo da Nano Letters) Saiba mais.
Artigos da comunidade
Em trabalho teórico – experimental – computacional realizado na UFRGS e UEM, pesquisadores observaram um efeito barocalórico colossal em parafinas e mostraram o potencial desses materiais para uso em futuros sistemas de refrigeração com muito menos impacto ambiental que os atuais. Acesse o paper: https://doi.org/10.1039/D1TA10892A.
Destacada em capa da Advanced Electronic Materials, pesquisa realizada no IFSC – USP demonstrou que o fino controle da adição de catalisadores na rota de polimerização permite ajustar os parâmetros elétricos de filmes poliméricos e os torna muito interessantes para a confecção de memórias neuromórficas.Acesse o paper: https://doi.org/10.1002/aelm.202100864.
Para sugerir a divulgação de um artigo da sua autoria, de alto impacto e feito no Brasil, envie a referência, 1 frase e 1 imagem sobre o paper para comunicacao@sbpmat.org.br.
Novidades dos sócios
Na segunda-feira, dia 4 de abril, às 10h00, Prof Osvaldo Novais de Oliveira Junior, ex-presidente da SBPMat, assume como diretor do IFSC-USP. A cerimônia será transmitida no YouTube.
University Chapters
A diretoria da SBPMat concedeu aos University Chapters da UFCAT e UFPE um prêmio de R$ 3 mil para financiamento de atividades em 2022. O comitê avaliador, formado por ex-presidentes da SBPMat (Fernando Lázaro Freire Jr, Osvaldo Novais de Oliveira Jr e Roberto Mendonça Faria) emitiu seu parecer com base nos relatórios enviados pelos chapters.
Comunidade
Em texto para os canais da SBPMat, o sócio da SBPMat Prof Petrus Santa Cruz (UFPE) relembra a contribuição que o sociólogo Hernán Valenzuela, falecido em 7 de março, fez à comunidade de Nanotecnologia. Ele era representante do Instituto Faunhofer ENAS na América Latina. Leia o texto.
Empreendedorismo na ciência
Ado Jorio (UFMG) conta o caminho percorrido, da ciência básica até a startup, no desenvolvimento do “nanoscópio” – o instrumento mais preciso do mundo para elucidar estruturas cristalográficas, totalmente feito no Brasil. Veja aqui.
Carlos Henrique de Brito Cruz mostra que a interação entre universidades e empresas no Brasil é bem mais intensa e produtiva do que se costuma pensar. Ex-reitor da UNICAMP e ex-diretor científico da FAPESP, Brito trabalha hoje na Elsevier ajudando universidades e órgãos de fomento do mundo a compreender e alcançar seus objetivos. Veja aqui.
Petrus Santa-Cruz explica como seu grupo de pesquisa na UFPE se organizou no início da pandemia para atender demandas da população frente à Covid-19, aproveitando conhecimento gerado na universidade ao longo de décadas e estabelecendo metas baseadas no grau de maturidade tecnológica. Veja aqui.
Manifestos
– SBPMat subscreveu nota da ABC e SBPC instando o MEC a responder às afirmações da imprensa sobre a influência de sacerdotes em decisões desse Ministério. Leia a nota.
Oportunidades
– Iniciativa de periódicos da Royal Society of Chemistry da área de Materiais vai destacar trabalhos de jovens pesquisadores. Saiba mais: Biomaterials Science, Polymer Chemistry e Soft Matter.
– Estão abertas até 9 de maio as inscrições para o programa Para Mulheres na Ciência (L´Oréal, Unesco e ABC) que vai outorgar bolsas-auxílio de R$ 50 mil a jovens pesquisadoras atuantes no Brasil. Saiba mais.
– Programa CAPES/ Humboldt concede bolsas para pós-docs e pesquisadores experientes do Brasil para fazer pesquisa na Alemanha. Inscrições até 31 de maio. Saiba mais.
– Concurso para professor assistente em Física da Matéria Condensada na UNESP -Bauru. Inscrições até 18 de abril. Saiba mais.
– Vaga de pós-doutorado em Química de Materiais na UNIFRAN. Saiba mais.
– Bolsa FAPESP para doutorado direto em crescimento e caracterização de monocristais na UNIFESP. Inscrições até 15 de abril. Saiba mais.
– Programa do British Council oferece bolsas de estudo para mulheres graduadas em cursos da área de Exatas para fazer mestrado em universidades do Reino Unido. Saiba mais.
– 11th Brazilian German Workshop on Applied Surface Science. Manaus (AM). 19 a 24 de abril de 2022.Site.
– 5th International Conference on Applied Surface Science. Palma, Mallorca (Espanha). 25 a 28 de abril de 2022. Site.
– IV Curso do Método Rietveld. Belém, PA (Brasil). 2 a 6 de maio de 2022. Site.
– WOCSDICE EXMATEC 2022. Ilha de São Miguel (Portugal). 3 a 6 de maio de 2022.Site.
– 2022 E-MRS Spring Meeting and Exhibit. Online. 30 de maio a 3 de junho de 2022. Site.
– International Conference on the Science and Technology of Synthetic Metals (ICSM). Glasgow (Escócia). 17 a 22 de julho de 2022. Site.
– 4th Workshop on Coated Tools & Multifunctional Thin Films. Campinas, SP (Brasil). 20 a 23 de julho de 2022. Site.
– IUMRS-ICAM2021 + IMRC2022. Online + Cancun (México). 14 a 19 de agosto de 2022. Site.
– XVIII International Small Angle Scattering Conference. Online + Campinas, SP (Brasil). 11 a 16 setembro de 2022.Site.
– 18th International Conference on Plasma Surface Engineering (PSE 2022). Trade Fair Erfurt (Alemanha). 12 a 15 de setembro de 2022. Site.
– XX B-MRS Meeting. Foz do Iguaçu (Brasil). 25 a 29 de setembro de 2022. Site.
– 7th Meeting on Self Assembly Structures in Solution and at Interfaces (AUTOORG 2022). Bento Gonçalves (RS). 2 a 4 de novembro de 2022.Site.
– 11th International Conference of the African Materials Research Society (AMRS2022 ). Dakar (Senegal). 12 a 15 de dezembro de 2022. Site.
Se você já é sócio, emita seu boleto entrando com login e senha no cabeçalho do site da SBPMat. ATENÇÃO! Para pagar a anuidade 2022 NÃO é necessário estar quite com as anuidades de anos anteriores. Se você deixou de pagar uma ou mais anuidades, não se preocupe, pois elas não serão cobradas.
Se você ainda não é sócio, faça o cadastro clicando em “criar conta” no cabeçalho do site da SBPMat e emita seu boleto.
Veja os valores da anuidade e benefícios de ser sócio,aqui.
Siga-nos nas redes sociais
Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.
Descadastre-secaso não queira receber mais as edições mensais do Boletim da SBPMat.
Foi na iniciação científica que Edson Roberto Leite, hoje diretor científico doLNNano, começou a trabalhar com pesquisa em sinterização. Na época ele era aluno de Engenharia de Materiais da UFSCar e o seu orientador era o professor José Arana Varela, destacado cientista de materiais falecido em 2016, que foi sócio fundador e presidente da SBPMat.
Utilizada desde a Antiguidade, a sinterização é um processo de aglutinação de partículas sólidas que resulta em um material compacto. Nesse processo, os espaços entre as partículas ou grãos (os poros) vão sendo preenchidos por átomos que se desprendem da superfície do material.
“Sempre fui muito ligado nesse tema e curioso para saber como é o transporte a nível atômico durante o processo de sinterização”, relembra Edson Leite.
Mais de trinta anos depois desse primeiro trabalho científico, Leite acalmou essa curiosidade. Junto a outros pesquisadores do LNNano, ele conseguiu visualizar, em tempo real e com resolução atômica, o processo de eliminação de poros em uma cerâmica de óxido de zircônio nanométrica. O trabalho foi recentemente publicado no prestigiado periódico científico Nano Letters.
“Com certeza o Prof. Varela iria se orgulhar e gostar deste trabalho”, diz Leite, que, aliás, recebeu o Prêmio José Arana Varela da SBPMat no ano passado em reconhecimento à sua trajetória científica.
Para chegar à publicação do artigo, o primeiro passo foi dado quatro anos atrás, quando Leite e a sua equipe desenvolveram uma metodologia que permitiu preparar monocamadas de nanopartículas auto suportadas (sem substrato). Quando levaram esses finíssimos filmes a um microscópio eletrônico de transmissão (TEM), os pesquisadores notaram que o feixe de elétrons induzia o transporte de átomos, mesmo a temperatura ambiente. A equipe enxergou então a possibilidade de estudar o processo de sinterização in situ. Isto é, poder acompanhar no microscópio as mudanças no preenchimento dos poros, passo a passo e sem precisar retirar a amostra no meio do processo.
A possibilidade tomou forma no TEM de alta resolução do LNNano, um HRTEM, que permite visualizar átomos. “Montamos um time formado pelo Jefferson Bettini (pesquisador do LNNano), minha pós-doc Tanna Rodrigues Fiuza e o Marlon Muniz da Silva (estagiário do LNNano e hoje aluno de doutorado no LNLS) e começamos a trabalhar duramente para visualizar a sinterização em escala atômica”, conta Leite.
Autores do artigo. A partir da esquerda: Marlon Muniz da Silva, Tanna Elyn Rodrigues Fiuza, Jefferson Bettini e Edson Roberto Leite.
Inicialmente, a equipe preparou filmes cerâmicos formados por grãos nanométricos de óxido de zircônio e focou os esforços em estudar o processo que ocorre no final da sinterização: a eliminação dos poros isolados que ficam nos contornos dos grãos.
O trabalho foi tão instigante quanto desafiador, não apenas pelas horas passadas ao microscópio na coleta, tratamento e análise de imagens, mas principalmente pelo esforço dos pesquisadores para compreender o que estavam vendo. “No final fomos bastante felizes e demonstramos quais as transformações que ocorrem durante o fechamento dos poros em escala atômica”, conta Leite.
Neste vídeo, filmado pelos autores do artigo usando o HRTM, é possível visualizar átomos migrando dos grãos adjacentes e preenchendo o poro:
O trabalho deve ter um importante impacto acadêmico, já que seus resultados mostram que a realidade das cerâmicas nanométricas não se encaixa, em alguns aspectos, nos modelos teóricos que são utilizados para explicar processos de sinterização. “A maioria dos modelos existentes envolvendo a cinética de sinterização considera a energia superficial e a energia dos contornos de grão isotrópicos. Nós mostramos que isso não ocorre em cerâmicas nanométricas”, explica o professor Leite. “Além disso, mostramos que ocorre uma transição em que uma superfície rugosa é eliminada e que ocorre o aparecimento de superfícies facetadas, indicando que possa existir uma barreira termodinâmica, além de uma barreira cinética para o transporte atômico”, completa. “Em resumo, podemos dizer que é necessário modificar os modelos existentes para explicar o processo de sinterização em nanoescala”, conclui o cientista.
De acordo com os autores, o trabalho também deve ter um impacto na indústria cerâmica, já que a melhor compreensão do processo de sinterização pode levar ao desenvolvimento de cerâmicas nanoestruturadas com porosidade e tamanho de partícula controlados e, portanto, com propriedades mecânicas e eletrônicas diferenciadas.
Referência do artigo científico: Visualization of the Final Stage of Sintering in Nanoceramics with Atomic Resolution. Tanna Elyn Rodrigues Fiuza, Marlon Muniz da Silva, Jefferson Bettini, and Edson Roberto Leite. Nano Lett.2022, 22, 1978 – 1985. https://doi.org/10.1021/acs.nanolett.1c04708
Em 2013, Hernán à frente, apoiando evento do Biotério de Espécies Nanoestruturadas da UFPE na sede da SUFRAMA (Manaus). Dentre os participantes, os pesquisadores da UFPE: Prof. Petrus Santa Cruz, Profa. Sávia Gavazza, Profa. Lourdinha Florêncio, Prof. Roberto Lins, Prof. Cláudio Gabriel, Prof. Sidarta Ribeiro (UFRN), Profa. Sônia Salgueiro Machado (UFAL).
[Texto do professor Petrus Santa Cruz (DQF/UFPE), sócio da SBPMat]
Difícil avaliar os impactos indiretos da pandemia de Covid-19, e mais difícil ainda é receber, ainda a essa altura, notícias das vítimas diretas, como a de um colaborador de longa data, Hernán Valenzuela, que nos deixou no dia 7 deste mês de março.
Como representante sênior do Instituto Fraunhofer ENAS (Fraunhofer-Instituts für Elektronische Nanosysteme ENAS) na América Latina, há quase 20 anos Hernán passou a reunir pesquisadores envolvidos em aplicações de novos materiais em nanotecnologias nos Minapim Seminar, série bienal da qual Hernán foi chairman desde sua primeira edição em 2004, juntamente com a criação da MTM Minapim News Technology Magazine, iniciativas apoiadas inicialmente pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). Na edição de 2018 do Minapim Seminar, houve destaque para a consolidação do acordo de cooperação internacional do Instituto Fraunhofer ENAS e a UFPE, tendo interagido em eventos envolvendo novas tecnologias desde os primeiros eventos internacionais na área, desde em 2003 na Nanofair (Suíça) e NanoTech (Japão).
Em 2013 deu suporte para realização do Workshop do Biotério de Espécies Nanoestruturadas BEN da UFPE na sede da SUFRAMA (Manaus), envolvendo discussões sobre Biodiversidade e Bioinspiração, no âmbito do Projeto Capes Nanobiotec Brasil.
Fruto das colaborações catalisadas por Hernán, em março de 2020 uma equipe incluindo o Diretor Presidente do Fraunhofer ENAS à época, Dr. Thomas Otto, esteve na Ponto Quântico Nanodispositivos (Positiva, LandFoton/UFPE), ocasião em que a Ponto Quântico passou a ser o Hub do Acordo de Cooperação do Fraunhofer ENAS com a UFPE, tendo a equipe sido recebida pelo Reitor Alfredo Gomes, alguns dias antes do lockdown do campus Recife, quando a OMS declarou o início da pandemia em curso.
Hernán, que era sociólogo, deixa esposa, quatro filhos, cinco netos e muitos amigos, vários deles de nossa comunidade científica.
Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais
Edição nº 113. 28 de fevereiro de 2022.
XX B-MRS Meeting
Está no ar o site do evento com a lista dos 23 simpósios aprovados!
O XX B-MRS Meeting vai celebrar os 20 anos da SBPMat e a 20ª edição do evento.
Data: 25 a 29 de setembro de 2022. Local: Hotel Rafain Palace, Foz do Iguaçu (PR). Coordenadoras: Profa. Lucimara Stolz Roman (UFPR) e Profa. Marcela Mohallen Oliveira (UTFPR). Submissão de resumos: aberta até 22 de abril. Inscrições: abertas com desconto até 05 de agosto. Descontos especiais para sócios com anuidade 2022 paga. Apoio e patrocínio: 10 empresas já confirmaram patrocínio e participação na exposição desta edição do evento. Empresas interessadas em participar podem entrar em contato com Alexandre Alves no e-mail comercial@sbpmat.org.br.
Equipe da Coppe – UFRJ desenvolveu argamassas baseadas em terra crua e resíduos de bambu com boas propriedades para uso no reboco de paredes internas de prédios. Estudo também avaliou o impacto ambiental desses materiais, principalmente com relação às emissões de carbono envolvidas na sua preparação, uso e descarte. (Artigo da Construction and Building Materials) Saiba mais.
Novidades dos sócios
Prof. Edgar Zanotto (UFSCar) e Profa. Andrea de Camargo (IFSC-USP) constam no grupo de 30 palestrantes de diferentes países e setores que falaram na Cerimônia de Abertura do Ano Internacional do Vidro (2022), estabelecido pela ONU. Assista a palestra de Zanotto e de Andrea.
O UC Catalão, sediado na UFCAT, iniciou o seu projeto “Iucí nas escolas”, que consiste em levar pós-graduandos do UC a escolas públicas e privadas da rede básica e superior para despertar o interesse dos estudantes para as ciências. Na primeira ação, o doutorando Carlos Eduardo Domingues da Mata falou sobre a mineração no município de Catalão para alunos do segundo ano do ensino médio do Colégio Estadual Anice Cecílio Pedreiro.
Empreendedorismo na ciência
Ana Milás, cofundadora da 3DBS, fala sobre essa startup, que atua na promissora área da fabricação de tecidos biológicos por bioimpressão 3D. No futuro, essa técnica poderá produzir órgãos para as pessoas que precisam de transplantes. Veja aqui.
Prof. Gregório Couto Faria (IFSC-USP) conta a sua experiência de fundar uma startup no Vale do Silício durante seu pós-doc em Stanford e apresenta uma visão própria de por que esse lugar tem um ecossistema tão efervescente para a criação de empresas. Veja aqui.
Manifestos
– SBPMat apoia o manifesto da SBF que pede ao CNPq e à Capes o aumento dos valores das bolsas de pesquisa. Leia o manifesto.
Dicas para ler e ouvir
– A melanina e materiais inspirados nesse pigmento natural vêm sendo usados em dispositivos bio e optoeletrônicos, entre outras aplicações. Artigo de revisão com coautoria do sócio SBPMat Prof. Carlos Graeff (UNESP) aborda as propriedades, síntese e aplicações desses materiais emergentes. Saiba mais.
– Pesquisadores desenvolvem e estudam vitrocerâmica com potencial para uso em antenas 5G e como biomaterial. Trabalho tem coautoria do Prof. Silvio Rainho Teixeira (UNESP), sócio SBPMat. Saiba mais.
– Pesquisadoras da UFSCar, coordenadas pela sócia SBPMat Roselena Faez, desenvolvem material biodegradável baseado em quitosana para encapsular fertilizantes agrícolas e liberá-los de forma controlada, gerando vantagens ambientais e econômicas.Saiba mais.
– Podcast Estado da Arte aborda a nanotecnologia em episódio com participação dos sócios SBPMat Ado Jorio (UFMG) e Aldo Zarbin (UFPR). Escute.
Oportunidades
– Prêmio Mulheres Brasileiras na Química 2022 está com inscrições abertas até 25 de março (indicações e autoindicações). Este prêmio da ACS e SBQ tem apoio institucional da SBPMat e vai distinguir uma líder emergente (cientista ou empreendedora) e líderes na indústria e na academia, sempre nas áreas de Química e ciências relacionadas. Saiba mais.
– Programa Mulheres Inovadoras 2022 da FINEP vai conceder R$ 120 mil a startups vencedoras comandadas por mulheres nas cinco regiões do Brasil. Inscrições até 28 de março. Saiba mais.
– Chamada CONFAP & Wallonie Bruxelles para projetos de pesquisa e inovação envolvendo pesquisadores do Brasil e Bélgica. Prazo para submissão de propostas: 25 de março. Saiba mais.
– VI Escola de Verão do PPGCET/PPGQ da UFCAT. Online. 21 a 25 de março de 2022.Site.
– Workshop Brasileiro em Efeitos i-Calóricos (WBEiC). Online. 30 e 31 de março de 2022.Site.
– 11th Brazilian German Workshop on Applied Surface Science. Manaus (AM). 19 a 24 de abril de 2022.Site.
– 5th International Conference on Applied Surface Science. Palma, Mallorca (Espanha). 25 a 28 de abril de 2022. Site.
– IV Curso do Método Rietveld. Belém, PA (Brasil). 21 a 25 de março de 2022. Site.
– WOCSDICE EXMATEC 2022. Ilha de São Miguel (Portugal). 3 a 6 de maio de 2022.Site.
– 2022 E-MRS Spring Meeting and Exhibit. Online. 30 de maio a 3 de junho de 2022. Site.
– International Conference on the Science and Technology of Synthetic Metals (ICSM). Glasgow (Escócia). 17 a 22 de julho de 2022. Site.
– 4th Workshop on Coated Tools & Multifunctional Thin Films. Campinas, SP (Brasil). 20 a 23 de julho de 2022. Site.
– XVIII International Small Angle Scattering Conference. Campinas, SP (Brasil). 11 a 16 setembro de 2022.Site.
– 18th International Conference on Plasma Surface Engineering (PSE 2022). Trade Fair Erfurt (Alemanha). 12 a 15 de setembro de 2022. Site.
– XX B-MRS Meeting. Foz do Iguaçu (Brasil). 25 a 29 de setembro de 2022. Site.
– 11th International Conference of the African Materials Research Society (AMRS2022 ). Dakar (Senegal). 12 a 15 de dezembro de 2022. Site.
Se você já é sócio, emita seu boleto entrando com login e senha no cabeçalho do site da SBPMat. ATENÇÃO! Para pagar a anuidade 2022 NÃO é necessário estar quite com as anuidades de anos anteriores. Se você deixou de pagar uma ou mais anuidades, não se preocupe, pois elas não serão cobradas.
Se você ainda não é sócio, faça o cadastro clicando em “criar conta” no cabeçalho do site da SBPMat e emita seu boleto.
Veja os valores da anuidade e benefícios de ser sócio,aqui.
Siga-nos nas redes sociais
Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.
Descadastre-secaso não queira receber mais as edições mensais do Boletim da SBPMat.
Assim como os outros setores da economia, a construção civil enfrenta um importante desafio: o de reduzir progressivamente as emissões de gases do efeito estufa e se tornar cada vez mais sustentável. Nesse sentido, existem esforços na comunidade científica para desenvolver materiais de construção que tenham impacto ambiental positivo em todas as fases da edificação, começando pela extração das matérias-primas, passando pelo uso dos prédios e chegando à reciclagem dos resíduos no final da vida útil da obra. Para isso, uma das estratégias que vêm sendo exploradas é a incorporação de matérias-primas naturais, como a terra crua e a biomassa, aos materiais de construção.
Em artigo recentemente publicado no periódico Construction and Building Materials, uma equipe científica brasileira reporta o desenvolvimento e estudo de argamassas baseadas em terra crua e resíduos de biomassa vegetal (partículas de bambu) com potencial para uso como reboco de paredes internas. Além de analisar as propriedades dessas argamassas, os autores avaliaram seu impacto ambiental, principalmente com relação às emissões de dióxido de carbono envolvidas na sua preparação, uso e descarte.
“A principal contribuição deste trabalho é evidenciar a viabilidade da produção de argamassas baseadas em recursos naturais localmente disponíveis (terra crua e biomassa vegetal – bambu) na construção de um portfólio de soluções construtivas de baixo carbono e de baixo consumo energético”, diz Romildo Dias Toledo Filho, professor do Programa de Engenharia Civil da Coppe, o instituto de pós-graduação e pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quem liderou o trabalho.
Para produzir as argamassas, a equipe científica utilizou terra crua, partículas de bambu, cal hidratada, cimento Portland e areia natural, entre outros ingredientes. As partículas de bambu foram obtidas a partir de resíduos do setor moveleiro do estado do Rio de Janeiro e processadas para obter fibras de algumas centenas de micrômetros de diâmetro e até 2 cm de comprimento.
Quatro tipos de argamassa foram produzidos: um deles sem bambu e os outros com diferentes proporções de partículas (3, 6 e 9% do volume total). Além de estudar as suas propriedades físicas, mecânicas e térmicas, os autores do estudo quantificaram as emissões de gases do efeito estufa envolvidas no ciclo de vida das argamassas. Utilizando metodologias bem estabelecidas, os pesquisadores avaliaram as argamassas de terra desenvolvidas e as compararam com argamassas convencionais. O estudo considerou todo o ciclo de vida do material.
A pesquisa mostrou bons resultados para as argamassas de terra e bambu e explicitou o peso de cada fator nas emissões de carbono envolvidas, apontando caminhos para reduzi-las ainda mais. As argamassas de terra, principalmente aquela com maior proporção de bambu, apresentaram emissões menores do que as convencionais devido ao estoque de carbono do bambu. De fato, vegetais da biomassa extraem dióxido de carbono da atmosfera por meio da fotossíntese e o utilizam para crescer. Quando essa biomassa é incorporada a uma argamassa, o carbono permanece armazenado e a sua emissão é evitada. Esse ganho ambiental se potencializa quando os resíduos do processamento de biomassa são aproveitados como fonte de matéria-prima, como ocorreu no trabalho da Coppe.
Além disso, os testes de densidade, condutividade térmica e resistência mostraram que as argamassas de terra com bambu, principalmente a que continha 6% de biomassa, podem ter um desempenho muito bom como reboco de paredes internas de prédios, por ter aderência e resistência adequadas e melhorar a eficiência energética dos ambientes. “As argamassas de terra que incorporam biomassa vegetal apresentam a peculiaridade da porosidade aberta, e essa característica confere às mesmas o potencial de atuar como revestimento e material passivo de regulação higrotérmica do microclima interno dos ambientes, tornando-os mais salubres, proporcionando melhores condições de saúde aos ocupantes e diminuindo o consumo de energia para climatização artificial da edificação”, explica o professor Romildo.
O trabalho foi desenvolvido dentro do doutorado em Engenharia Civil de Rayane de Lima Moura Paiva, com financiamento do CNPq e FAPERJ e orientação do professor Romildo e do professor Lucas Rosse Caldas. O estudo faz parte de uma linha de pesquisa em argamassas de terra e biomassa que está em andamento no Núcleo de Materiais Sustentáveis da Coppe em parceria com um grupo da ETH Zürich (Suíça).
Os autores do artigo: Rayane de Lima Moura Paiva, Lucas Rossi Caldas, Adriana Paiva de Souza Martins e Romildo Dias Toledo Filho.
Referência do artigo científico:Potentiality of earth-based mortar containing bamboo particles for GHG emissions reduction. Rayane de Lima Moura Paiva, Lucas Rosse Caldas, Adriana Paiva de Souza Martins, Romildo Dias Toledo Filho. Construction and Building Materials. Volume 317, 24 January 2022, 125971. https://doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2021.125971
Dois sócios da SBPMat constam no grupo de 30 palestrantes de diferentes países e setores (indústria, academia, mídia, museus, arte) que vão falar na Cerimônia de Abertura do Ano Internacional do Vidro (2022), estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Trata-se do professor Edgar Zanotto (UFSCar), sócio fundador da SBPMat, quem proferirá uma palestra sobre educação na área de vidros, e a professora Andrea S. S. de Camargo (IFSC-USP), atual diretora científica da Sociedade, que vai falar sobre ciência de vidros no Brasil.
O evento, gratuito, será realizado nos dias 10 e 11 de fevereiro no Palácio das Nações (Genebra, Suíça) e será transmitido ao vivo neste link https://media.un.org/en/webtv/.
Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais
Edição nº 112. 31 de janeiro de 2022.
Nova Diretoria
A Diretoria Executiva eleita em dezembro do ano passado inicia o seu mandato em fevereiro, formada por quatro mulheres e três homens de instituições das regiões Sudeste, Nordeste, Sul e Norte do país – todos cientistas muito ativos nas suas áreas de pesquisa. Veja as mini bios da presidente e dos diretores, aqui.
Comunidade
Texto do sócio fundador da SBPMat Aldo Craievich, escrito na ocasião do segundo aniversário do falecimento de Ricardo Rodrigues, descreve o líder do desenvolvimento das duas fontes brasileiras de luz síncrotron como “excepcional ser humano e verdadeiro polímata”. Leia o texto aqui.
Destaques 2021: eventos
Primeiro evento anual da SBPMat realizado em formato virtual, o XIX B-MRS Meeting + IURMS ICEM 2021 reuniu cerca de 1.100 participantes de 23 estados do Brasil e de outros 33 países entre 30 de agosto e 3 de setembro. O evento contou com mais de 560 pôsteres, 280 orais, 114 palestras convidadas e 10 plenárias, entre outras apresentações. Leia a reportagem do evento.
Em março realizamos um ciclo de lives sobre empreendedorismo na ciência. Foram 7 bate-papos dinâmicos e descontraídos, conduzidos por membros dos nossos University Chapters, com fundadores de startups e empresas de materiais, nanotecnologia e segmentos afins. Realizadas no Zoom com transmissão no Facebook, as lives foram recentemente subidas ao YouTube da SBPMat. Acesse a playlist.
No mês de junho comemoramos os 20 anos da SBPMat com um evento online que reuniu sócios, parceiros, equipe e outros membros da comunidade. A live contou com um bate-papo sobre sobre passado, presente e futuro da pesquisa em Materiais no Brasil e um brinde virtual à SBPMat. Veja a gravação do evento.
No início de setembro promovemos um painel de discussão sobre subrepresentação de mulheres na ciência, agravada por raça e distribuição geográfica. O painel reuniu destacadas cientistas do Brasil, Argentina e Estados Unidos, todas com forte atuação em questões de gênero. A live foi realizada no Zoom, mas está disponível no YouTube da SBPMat. Assista a discussão.
Destaques 2021: prêmios e distinções
O Prof. Edson Roberto Leite (UFSCar e LNNano – CNPEM) foi distinguido na primeira edição do Prêmio José Arana Varela da SBPMat. A emotiva homenagem ocorreu durante o XIX B-MRS Meeting + IUMRS ICEM, antes de o professor Leite proferir uma palestra plenária sobre caracterização de nanocristais. Leia a nossa entrevista com Edson Leite.
A SBPMat concedeu ao Prof. Cid de Araújo (UFPE) a Palestra Memorial Joaquim da Costa Ribeiro – honraria outorgada desde 2011 a pesquisadores da comunidade com longa e pioneira trajetória científica no Brasil. O professor Cid proferiu a palestra de abertura do XIX B-MRS Meeting + IUMRS e falou sobre nanocompósitos plasmônicos na fotônica não-linear. Leia a nossa entrevista com Cid de Araújo.
35 graduandos e pós-graduandos receberam os Prêmios para Estudantes da SBPMat, ACS e RSC no XIX B-MRS Meeting pelos trabalhos apresentados. Convidamos os vencedores a falar sobre os trabalhos premiados de um jeito descomplicado em vídeos de até 3 minutos de duração e criamos uma playlist no nosso YouTube com esses vídeos de divulgação. Acesse a playlist.
Destaques 2021: outras ações
– Apoiamos ou produzimos e divulgamos mais de 20 manifestos, petições e mobilizações em defesa da pós-graduação, da Capes, do CNPq e do FNDCT, entre outras causas.
– Nossos University Chapters promoveram webinários técnicos e produziram episódios do podcast “À Luz do Candeeiro”, entre outras atividades.
– Divulgamos novidades dos sócios e trabalhos científicos de membros da comunidade por meio de matérias de divulgação científica, entrevistas e chamadas nas redes sociais. Difundimos oportunidades e eventos na área.
Acompanhe todas estas ações aqui no boletim (mensal) ou nas redes sociais (diário).
Oportunidades
– Chamada CONFAP & Wallonie Bruxelles para projetos de pesquisa e inovação envolvendo pesquisadores do Brasil e Bélgica. Prazo para submissão de propostas: 25/03. Saiba mais.
– Concurso para professor da UnB na área de estrutura eletrônica de átomos e moléculas. Inscrições até 28/02. Saiba mais.
– Seleção para mestrado e doutorado em NanoBioSistemas. Inscrições até 03/02. Saiba mais.
– Processo seletivo para doutorado em Ciências Exatas e Tecnológicas da UFCAT (métodos matemáticos, computacionais e experimentais em Ciência de Materiais). Inscrições até 06/02. Saiba mais.
– Seleção para mestrado em Física na UDESC. Inscrições até 06/02. Saiba mais.
– Seleção para mestrado em Engenharia e Ciência dos Materiais na UCS. Inscrições até 25/02. Saiba mais.
– International Year Of Glass Opening Conference. Genebra (Suíça). 10 e 11 de fevereiro de 2022. Site.
– IV Curso do Método Rietveld. Belém, PA (Brasil). 21 a 25 de março de 2022.Site.
– Workshop Brasileiro em Efeitos i-Calóricos (WBEiC). Online. 30 e 31 de março de 2022.Site.
– 5th International Conference on Applied Surface Science. Palma, Mallorca (Espanha). 25 a 28 de abril de 2022. Site.
– 2022 E-MRS Spring Meeting and Exhibit. Online. 30 de maio a 3 de junho de 2022. Site.
– 4th Workshop on Coated Tools & Multifunctional Thin Films. Campinas, SP (Brasil). 20 a 23 de julho de 2022. Site.
– XVIII International Small Angle Scattering Conference. Campinas, SP (Brasil). 11 a 16 setembro de 2022.Site.
– 18th International Conference on Plasma Surface Engineering (PSE 2022). Trade Fair Erfurt (Alemanha). 12 a 15 de setembro de 2022. Site.
– XX B-MRS Meeting. Foz do Iguaçu (Brasil). 25 a 29 de setembro de 2022. Site.
– 11th International Conference of the African Materials Research Society (AMRS2022 ). Dakar (Senegal). 12 a 15 de dezembro de 2022. Site.
Siga-nos nas redes sociais
Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.
Descadastre-secaso não queira receber mais as edições mensais do Boletim da SBPMat.
Ricardo D. Rodrigues (1951-2020). Excepcional ser humano e verdadeiro polímata.
Ricardo Rodrigues (cortesia de Liu Lin) e o Sirius (divulgação CNPEM).
Antonio Ricardo Droher Rodrigues (Ricardo para seus colegas e amigos) faleceu há dois anos, em 3 de janeiro de 2020. Ricardo liderou os projetos e as construções das duas fontes de luz sincrotron do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), entidade pertencente na atualidade ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Campinas – SP.
Ricardo graduou-se como Engenheiro Civil em 1974 na Universidade Federal do Paraná, Curitiba – UFPR, iniciou suas atividades científicas em 1974 no Grupo de Ótica de Raios X do Departamento de Física da UFPR e realizou seu doutorado em Física, desde 1976 a 1979, no King’s College da University of London, Reino Unido. No seu trabalho de tese “X-ray optics for synchrotron radiation” Ricardo propôs e caracterizou monocromadores de raios X de dois cristais quase paralelos para supressão de componentes harmônicos, que são hoje utilizados em muitos laboratórios de luz síncrotron do mundo. Em 1977 ele realizou os testes desses monocromadores em Hasylab (Hamburg), sendo assim o primeiro brasileiro que foi usuário de uma fonte de luz síncrotron.
Logo depois de seu retorno ao Brasil em 1981, Ricardo participou ativamente no Projeto Radiação Síncrotron (PRS/CNPq) desenvolvido no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Rio de Janeiro, desde 1980 a 1985. O PRS foi o projeto precursor que conduziu à criação do LNLS. Como parte das atividades do PRS, um grupo de cientistas brasileiros liderado por Ricardo fez um estágio de três meses no Stanford Synchrotron Radiation Lightsource (SSRL), em Stanford, USA, durante o qual elaboraram o primeiro projeto de fonte de luz brasileira, que foi depois o projeto inicial do LNLS.
Logo depois de ser criado o LNLS em 1986 em Campinas, Ricardo foi designado Chefe de Projeto. Durante um período total de 10 anos ele implantou a infraestrutura básica inicial, formou os jovens técnicos e engenheiros de sua equipe e desenvolveu as diversas ações que conduziram à construção e bem-sucedido funcionamento da primeira fonte de luz do LNLS – com energia dos elétrons de 1,37 GeV – denominada UVX. A construção da fonte UVX foi completada em 1996 e aberta a pesquisadores externos do Brasil e do exterior em julho de 1997, oferecendo-se assim aos usuários de numerosas áreas da ciência uma instrumentação moderna que existe hoje em poucos países do mundo. Nessa época a fonte UVX era a única fonte de luz síncrotron do Hemisfério Sul, e ainda hoje o LNLS é o único Laboratório Nacional dotado de uma fonte de luz síncrotron na América Latina. As qualidades de clara liderança, extrema dedicação e indiscutível competência tanto científica quanto técnica do Ricardo foram de fundamental importância para o desenvolvimento da primeira fonte de luz sincrotron brasileira. Além do papel decisivo do Ricardo na construção da primeira fonte de luz do LNLS, ele participou ativamente também no desenvolvimento de nova instrumentação científica para várias linhas de luz. A fonte UVX funcionou satisfatoriamente e foi utilizada durante 22 anos, até 2019, por mais de 6.000 pesquisadores principalmente brasileiros e de também de outros países.
No ano de 2001, já com a fonte UVX funcionando de forma rotineira, Ricardo decidiu se afastar do LNLS e criou em Campinas a empresa Skedio Tecnologia, na qual iniciou a produção de instrumentação industrial de precisão e dispositivos de interesse artístico. Permaneceu nessa empresa até 2009, quando recebeu e aceitou convite da diretoria do LNLS para voltar a essa instituição e enfrentar o segundo grande desafio de sua carreira profissional: o projeto e construção da segunda fonte de luz síncrotron brasileira.
A partir de 2009 Ricardo assumiu a função de Líder do Projeto Sirius com a missão de projetar e construir uma fonte de luz sincrotron de quarta geração com energia de elétrons de 3 GeV e com qualidades de emissão de luz muito superiores às da fonte UVX. Nessa época, a única fonte no mundo dessa excepcional qualidade estava em fase de projeto na Suécia. A construção desta nova e moderna fonte apresentou numerosos desafios de engenharia sem precedentes no Brasil nem no exterior. Contudo, Ricardo e sua equipe venceram esses desafios aplicando em muitos casos tecnologias brasileiras. Assim, o primeiro feixe de raios X produzido pela fonte Sirius com a energia nominal de 3 GeV foi emitido em dezembro de 2019. A fonte de luz Sirius é a terceira fonte de luz de última geração em funcionamento no mundo, depois das existentes em Lund (Suécia) e Grenoble (França). Foi assim que Ricardo como Líder do Projeto Sirius atingiu os ambiciosos objetivos do projeto e venceu assim o segundo grande desafio de sua carreira.
Ricardo demonstrou uma clara capacidade de liderança, seriedade extrema e sem concessões, e reconhecida competência tanto como físico na área de óptica de raios X como em diferentes áreas da engenharia: civil, mecânica e elétrica-eletrônica, com ênfase nas subáreas de circuitos elétricos, magnéticos e eletrônicos. Essa competência multifacetada lhe permitiu atuar eficientemente em todos os aspectos técnicos relevantes associados à construção das fontes de luz síncrotron do LNLS e demonstrar uma liderança respeitada por toda a equipe. Notavelmente, Ricardo não foi somente líder respeitado, físico excelente e engenheiro competente em várias especialidades, ele demonstrou também sensibilidade e competência como escultor, pintor e desenhista, havendo realizado uma produção artística que evidenciou sua fina sensibilidade. Isto demonstra que Ricardo possuía todas as características típicas de um verdadeiro polímata. Isto é, suas competencias multifacetadas não foram as que exibem os “generalistas”, mas as que demonstram os raros e distinguidos seres humanos que possuem profundos conhecimentos nas diversas ou mesmo numerosas áreas nas quais atuam.
O trabalho de Ricardo teve o reconhecimento unânime da equipe do LNLS e dos pesquisadores usuários que o conheceram. Também recebeu homenagens formais da Sociedade Brasileira de Cristalografia no ano 2000 e do LNLS/CNPEM em ocasião da celebração dos 30 anos do LNLS, em 2017. Ele recebeu em 2010 uma distinção da Presidência da República que o designou Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico.
Tive o privilégio de acompanhar o trabalho do Ricardo durante mais de 40 anos. Nosso primeiro encontro foi no XI Congresso da International Union of Crystallography (IUCr) realizado em Varsóvia em agosto de 1978, durante o qual conversamos sobre as novas possibilidades científicas abertas pelas fontes de luz síncrotron, de uso ainda incipiente nessa época no mundo. Desde 1981 até 1986 minha interação com Ricardo foi principalmente no CBPF, no Rio de Janeiro, durante o desenvolvimento do Projeto Radiação Síncrotron, desde 1987 até 2000 no LNLS, em Campinas, durante a construção da fonte UVX, de 2000 a 2009 na empresa Skedio Tecnologia, e finalmente, desde 2009 a 2019, novamente no LNLS. Nossa última conversação foi durante a última semana de dezembro de 2019, na qual ele me disse – serenamente e com contida satisfação – que a fonte Sirius tinha atingido sua energia nominal de 3GeV e os primeiros experimentos de uso foram realizados. Infelizmente, Ricardo faleceu em 3 de janeiro de 2020, poucos dias depois de ter vencido o segundo grande desafio de sua vida profissional.
Dois anos passaram desde o falecimento do Ricardo. Perdeu-se fisicamente um excepcional ser humano, distinguido mestre, brilhante físico e engenheiro, e sensível artista. Os legados de Ricardo para a ciência brasileira são a moderna fonte de luz síncrotron Sirius aberta a cientistas usuários de todas as áreas da ciência do Brasil e do exterior, a competente equipe de engenheiros e técnicos do LNLS que ele formou e a numerosa comunidade de cientistas usuários do LNLS que se beneficiaram dos resultados de seu trabalho. Seu exemplo de vida e ímpar personalidade continuam e continuarão vivos na memória de todos os que tivemos o privilégio de tê-lo conhecido e de ter acompanhado seu fecundo trabalho. O falecimento de Ricardo enlutou a ciência e a engenharia brasileiras.
Após seu falecimento, o LNLS/CNPEM homenageou o Ricardo denominando sua escola anual sobre aplicações da luz síncrotron como Escola Ricardo Rodrigues de Luz Síncrotron e organizou, em 9 de novembro de 2020, uma Cerimônia de Homenagem a Ricardo Rodrigues. Nessa cerimônia, familiares, amigos e colegas apresentaram emocionados depoimentos com lembranças e visões pessoais sobre a vida do Ricardo. Na parte final, a SBPMat homenageou o Ricardo mediante a entrega de uma placa gravada com os dizeres: A Sociedade Brasileira de Pesquisa de Materiais (SBPMat) homenageia a contribuição fundamental de Ricardo Rodrigues para o êxito do desenvolvimento e implantação das fontes brasileiras de luz síncrotron UVX e Sirius, que colocaram o Brasil na vanguarda mundial da pesquisa em materiais. Todos os depoimentos apresentados na Cerimônia de Homenagem foram registrados e podem ser acessados pelo link https://www.youtube.com/watch?v=hrmTDdnyv9s
Aldo F. Craievich
Professor Sênior
Instituto de Física
Universidade de São Paulo