Nova diretoria da SBPMat toma posse em cerimônia na Unicamp.



A nova diretoria da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) tomou posse na manhã de 14 de fevereiro, em cerimônia realizada no auditório do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW – Unicamp), na cidade de Campinas (SP), com a presença de mais de 80 pessoas.

Eleita pelos sócios da SBPMat em outubro de 2019 para o mandato que vai de fevereiro de 2020 a fevereiro de 2022, a nova diretoria é presidida por Mônica Alonso Cotta (IFGW-Unicamp), que se tornou a primeira presidente mulher da SBPMat.

Outra característica desta diretoria é a alta representatividade geográfica (diretores das regiões sul, sudeste, nordeste e norte), disciplinar (formações em Física, Química e Engenharia de Materiais) e de gênero (quatro homens e três mulheres).

Junto à presidente, assumiram seus cargos Rubem Luis Sommer (CBPF), como diretor de administração, finanças e patrimônio, e cinco diretores científicos: Andrea Simone Stucchi de Camargo (IFSC-USP), Antonio Eduardo Martinelli (UFRN), Iêda Maria Garcia dos Santos (UFPB), Ivan Helmuth Bechtold (UFSC) e Newton Martins Barbosa Neto (UFPA).

Em seu discurso, a presidente destacou o caráter interdisciplinar da comunidade de pesquisa em materiais e, em particular, da SBPMat. “Um dos nossos pontos fortes decorre justamente da sinergia entre as áreas, e isso requer uma boa capacidade de comunicação entre os pesquisadores, respeitando expertises complementares, compartilhando conhecimento, para obter um produto que seja maior que a soma de suas partes”, disse Cotta, que acrescentou que a comunicação com o público leigo será uma das frentes nas quais a nova diretoria atuará de forma prioritária.

Além disso, a professora Cotta destacou a importância de a comunidade científica se posicionar frente a decisões políticas sem fundamento científico que podem afetar a vida de milhões de pessoas. “A SBPMat continuará apoiando o excelente trabalho que Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e Academia Brasileira de Ciências têm encabeçado nos últimos anos, trabalhando junto ao Congresso de forma propositiva e atuante, e se manifestando fortemente em defesa da pesquisa e da ciência brasileira”, completou.

A professora Cotta recebeu o cargo de seu antecessor, o professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP), que presidiu a SBPMat por dois mandatos consecutivos. O ex-presidente, que recebeu elogios à sua gestão nos discursos das autoridades presentes, pronunciou palavras de agradecimento à equipe da SBPMat, aos diretores e membros do conselho deliberativo que o acompanharam, e aos sócios que participaram das ações da SBPMat. “Tenho certeza de que a próxima gestão será ainda melhor”, expressou.

Discursos da autoridades: desenvolvimento econômico-social e mulheres na ciência

A cerimônia, que durou pouco mais de uma hora, contou também com palavras de autoridades da Unicamp (a vice-reitora, Teresa Dib Zambon Atvars, e o diretor do IFGW-Unicamp, Pascoal José Giglio Pagliuso) e de representantes de diversas entidades, a saber: o brigadeiro Maurício Pazini Brandão, do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); Marcia Cristina Bernardes Barbosa, diretora da Academia Brasileira de Ciências (ABC);  Carola Dobrigkeit Chinellato, membro do conselho da Sociedade Brasileira de Física (SBF); Antonio José Roque da Silva, diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM);  Ronald Cintra Shellard, diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), e Elson Longo (CDMF-UFSCar), que foi presidente da SBPMat no biênio 2004 – 2005.

Nos breves discursos proferidos, alguns assuntos foram constantes, como a conquista de espaços por parte das mulheres, a necessidade de unir os diversos indivíduos e organizações para a sobrevivência e o avanço da ciência e da tecnologia, e a seriedade e impacto da pesquisa desenvolvida nas universidades brasileiras. Um dos assuntos mais abordados foi a transformação de conhecimento científico em riqueza, não apenas como desejo ou necessidade, mas também como um fato da realidade brasileira atual, o qual pode ser observado principalmente nas startups e empresas surgidas de universidades e centros de pesquisa.

O primeiro orador foi o brigadeiro Maurício Pazini Brandão, professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que participou da cerimônia enquanto diretor regional do escritório representativo do MCTIC em São Paulo. Nas palavras proferidas, ele salientou que a comunidade de pesquisa em materiais deve ir além da produção de artigos científicos. “Queremos produtos e inovação com nota fiscal”, disse.

Em seguida, a vice-reitora da Unicamp retomou a questão levantada por Brandão, com alguns dados sobre as empresas fundadas por ex-alunos dessa universidade. Em conjunto, essas “empresas-filhas” têm faturamento anual de R$ 7,9 milhões, valor equivalente ao triplo do orçamento anual da Unicamp, informou a professora Atvars, que finalizou o breve discurso destacando as conquistas das mulheres, muitas vezes obtidas fazendo “tripla jornada”. Mais exemplos de empresas e inovações surgidas do meio acadêmico, na área de revestimentos cerâmicos e produtos cosméticos, foram apresentados mais tarde na fala do professor Elson Longo.

O professor Pascoal José Giglio Pagliuso falou sobre a professora Mônica Cotta, sua colega na equipe docente e na diretoria do IFGW, onde ela é diretora associada. O diretor do IFGW descreveu a nova presidente da SBPMat como incansável, vigilante, de coração enorme e com posição de destaque em assuntos envolvendo minorias e direitos humanos. “Ela é a primeira mulher e a primeira docente da Unicamp a ocupar este cargo de impacto na pesquisa brasileira”, destacou.

Após, Marcia Barbosa, professora da UFRGS e diretora na ABC, retomou a questão da transformação do conhecimento em riqueza e afirmou que a ciência básica gera, sim, desenvolvimento. Cientista com destacada atuação em prol da participação de mulheres nas ciências exatas, Barbosa se disse preocupada com os tempos atuais e convocou a comunidade científica a trabalhar “juntos e juntas”. “A nova diretoria da SBPMat vai saber construir cataventos para transformar a energia do tsunami e também nuclear outras entidades”, disse. O trabalho em parceria também foi destacado nas palavras da professora Carola Dobrigkeit Chinellato (Unicamp), quem desejou à nova diretoria que possa fazer novas ligas e estender a abrangência da SBPMat.

Na penúltima fala da cerimônia, Antonio José Roque da Silva, que dirige o Sirius (construção da nova fonte de luz síncrotron brasileira), comentou as dificuldades orçamentárias que tem enfrentado para realizar o projeto, por vezes ligadas à dificuldade de políticos e da sociedade em geral  de compreender quais são os tempos e atores envolvidos na pesquisa científica e sua posterior transformação em desenvolvimento social e riqueza. “Precisamos explicar melhor essa escala temporal”, convocou.

Encerrando as falas, Ronald Cintra Shellard trouxe alguns dados que mostram o desequilíbrio, no Brasil, entre a pesquisa realizada nas universidades (onde há mais liberdade de escolha de tema) e nos institutos de pesquisa (nos quais o trabalho científico visa a cumprir uma determinada missão). A relação pesquisadores de universidades/ de institutos, que no mundo varia de 1/1 a 4/1, no país é de 12/1, disse o diretor do CBPF. Isso, expressou o cientista, não reflete um excesso de profissionais na universidade, e sim uma falta de pesquisadores no país, em particular nos institutos de pesquisa.

 

Leia o discurso da professora Mônica Cotta, aqui

Saiba mais sobre os membros da nova diretoria: https://www.sbpmat.org.br/pt/a-sbpmat/diretoria-e-conselho/


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