{"id":8963,"date":"2020-09-17T16:20:20","date_gmt":"2020-09-17T19:20:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/?p=8963"},"modified":"2020-10-07T15:04:40","modified_gmt":"2020-10-07T18:04:40","slug":"english-pesquisadores-sem-remuneracao-olivia-carr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/english-pesquisadores-sem-remuneracao-olivia-carr\/","title":{"rendered":"Pesquisadores sem remunera\u00e7\u00e3o: Ol\u00edvia Carr."},"content":{"rendered":"<p><b>Ol\u00edvia: de volta \u00e0 casa dos pais depois de ter desenvolvido um sensor para detec\u00e7\u00e3o precoce de doen\u00e7as.<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_8965\" aria-describedby=\"caption-attachment-8965\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8965\" src=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Olivia-Carr_foto.jpg\" alt=\"Ol\u00edvia Carr no laborat\u00f3rio de pesquisa durante seu doutorado, no final de 2018.\" width=\"400\" height=\"494\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Olivia-Carr_foto.jpg 400w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Olivia-Carr_foto-243x300.jpg 243w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8965\" class=\"wp-caption-text\">Ol\u00edvia Carr no laborat\u00f3rio de pesquisa durante seu doutorado, no final de 2018.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o atinge milhares de brasileiros todos os anos. Cerca de 60% dessas pessoas s\u00e3o diagnosticadas tardiamente, o que diminui sua qualidade de vida e dificulta o tratamento. Em seu doutorado em Ci\u00eancias e Engenharia de Materiais, realizado na USP, Ol\u00edvia Carr gerou um sensor de baixo custo capaz de detectar a propens\u00e3o de um ser humano a desenvolver esse c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>O trabalho de Ol\u00edvia foi destacado na capa de um renomado peri\u00f3dico cient\u00edfico internacional (o Talanta), al\u00e9m de gerar um pedido de patente e outros artigos publicados. E mais. A tecnologia desenvolvida nesse trabalho poderia ser adaptada para detectar outras doen\u00e7as, inclusive a Covid-19.<\/p>\n<p>Ol\u00edvia, que tem 30 anos, deseja continuar fazendo contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 sociedade por meio da pesquisa, que \u00e9 a atividade profissional que mais gosta de fazer e para a qual se capacitou durante\u00a0uma d\u00e9cada. Por\u00e9m, desde o final do doutorado, em novembro do ano passado, ela s\u00f3 tem visto portas se fechando.<\/p>\n<p>Inicialmente, a rec\u00e9m-doutora recebeu, com muito entusiasmo, tr\u00eas propostas para realizar p\u00f3s-doutorado em projetos de empresas, mas duas delas ca\u00edram por conta da pandemia (as empresas preferiram n\u00e3o fazer esse investimento no novo cen\u00e1rio) e a terceira n\u00e3o vingou por outros motivos. A jovem doutora participou, ent\u00e3o, de uma chamada do CNPq (principal ag\u00eancia federal de financiamento \u00e0 pesquisa) para projetos relacionados ao combate da Covid-19, na qual ganharia uma bolsa. Contudo, o projeto n\u00e3o foi aprovado para receber financiamento. Depois dessas primeiras frustra\u00e7\u00f5es, Ol\u00edvia continuou participando de processos seletivos em institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e enviou seu curr\u00edculo para empresas do Brasil que t\u00eam \u00e1rea de pesquisa e desenvolvimento. Infelizmente, n\u00e3o teve sucesso.<\/p>\n<p>Em paralelo, para se manter ativa e dar sequ\u00eancia \u00e0 carreira, ela tem trabalhado junto a antigos e novos colaboradores, escrevendo artigos cient\u00edficos e um cap\u00edtulo de livro acad\u00eamico para publica\u00e7\u00e3o. Tudo sem receber remunera\u00e7\u00e3o, motivo pelo qual a jovem teve que voltar \u00e0 casa dos pais na cidade de Rio Claro (SP), da qual tinha sa\u00eddo para fazer o doutorado em S\u00e3o Carlos.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que Ol\u00edvia passa por apertos financeiros para poder atuar em pesquisa. Nos quatro anos de doutorado, passou mais da metade do tempo sem bolsa. E aqui vale a pena fazer um esclarecimento, pois se engana quem pensa que o doutorando ganha bolsa para ter mais tempo para o estudo ou o \u00f3cio. O doutorado \u00e9, na maior parte dos casos, uma atividade de tempo integral, que inclui tanto a forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do estudante (as\u00a0disciplinas\u00a0cursadas) quanto seu treinamento pr\u00e1tico (a pesquisa de doutorado). Al\u00e9m disso, a pesquisa de doutorado \u00e9, muito al\u00e9m de um treinamento, um trabalho cient\u00edfico completo, cujos resultados contribuem ao avan\u00e7o da ci\u00eancia mundial e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, Ol\u00edvia n\u00e3o desistiu de ser pesquisadora, profiss\u00e3o que a encantou j\u00e1 no final da gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica, quando conheceu o dia-a-dia de um laborat\u00f3rio de pesquisa. Todavia, depois de 10 meses sem remunera\u00e7\u00e3o, esta profissional da ci\u00eancia, capacitada para desenvolver dispositivos que podem ter grande impacto na sa\u00fade das pessoas, come\u00e7a a avaliar outras op\u00e7\u00f5es, como dar aulas de F\u00edsica.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00edvia: de volta \u00e0 casa dos pais depois de ter desenvolvido um sensor para detec\u00e7\u00e3o precoce de doen\u00e7as. O c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o atinge milhares de brasileiros todos os anos. Cerca de 60% dessas pessoas s\u00e3o diagnosticadas tardiamente, o que diminui sua qualidade de vida e dificulta o tratamento. 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