{"id":8616,"date":"2020-05-20T18:41:46","date_gmt":"2020-05-20T21:41:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/?p=8616"},"modified":"2020-06-08T18:24:53","modified_gmt":"2020-06-08T21:24:53","slug":"live-da-sbpmat-sobre-pesquisa-em-materiais-e-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/live-da-sbpmat-sobre-pesquisa-em-materiais-e-covid-19\/","title":{"rendered":"Live da SBPMat sobre pesquisa em materiais e COVID-19."},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_8617\" aria-describedby=\"caption-attachment-8617\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8617\" src=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/imagem-paiel-covid-e1590010648897.jpg\" alt=\"Live da SBPMat reuniu 4 painelistas de diversos pontos do pa\u00eds e cerca de 100 participantes.\" width=\"400\" height=\"244\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8617\" class=\"wp-caption-text\">Live da SBPMat reuniu 4 painelistas de diversos pontos do pa\u00eds e cerca de 100 participantes.<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Equipes cient\u00edficas multidisciplinares est\u00e3o trabalhando neste momento em diversas universidades brasileiras para poder entregar \u00e0 sociedade, no prazo mais curto poss\u00edvel, solu\u00e7\u00f5es que ajudem a combater a COVID-19. Muito al\u00e9m de gerar publica\u00e7\u00f5es, e at\u00e9 mesmo conhecimento, esses trabalhos tem como objetivo principal o de salvar vidas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A comunidade de pesquisa em materiais est\u00e1 participando ativamente de alguns desses desafios, os quais poder\u00e3o gerar solu\u00e7\u00f5es t\u00e3o importantes como testes diagn\u00f3sticos r\u00e1pidos, confi\u00e1veis e produzidos no pa\u00eds ou materiais virucidas para v\u00e1lvulas de respiradores e EPIs.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio da tarde de 7 de maio, na sua primeira <em>live<\/em>, a SBPMat reuniu virtualmente quatro pesquisadores que est\u00e3o trabalhando nesses desafios. Os cientistas contaram, para um p\u00fablico de cerca de 100 pessoas, de que maneira conseguiram se organizar para tentar dar uma resposta a esta situa\u00e7\u00e3o emergencial e qual poder\u00e1 ser o impacto social de seus projetos. Os relatos mostraram a import\u00e2ncia do investimento cont\u00ednuo em pesquisa e da colabora\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A discuss\u00e3o foi mediada por Carlos C\u00e9sar Bof Bufon, pesquisador e chefe da Divis\u00e3o de Dispositivos no Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano\/CNPEM), quem faz parte do comit\u00ea organizador do pr\u00f3ximo evento anual da SBPMat, o <a href=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/19encontro\/\">XIX B-MRS Meeting<\/a>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O painel de discuss\u00e3o online, transmitido na plataforma Zoom e no Facebook da SBPMat, foi realizado dentro da <a href=\"http:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/marcha-virtual-pela-ciencia\/\">Marcha Virtual pela Ci\u00eancia<\/a>, evento promovido pela SBPC com o objetivo de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Testes nacionais para diagn\u00f3stico da COVID-19 e detec\u00e7\u00e3o de anticorpos<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As cientistas Mariana Roesch Ely (professora da UCS, Caxias do Sul, RS) e Talita Mazon (pesquisadora do CTI Renato Archer, Campinas, SP) falaram sobre seus respectivos trabalhos de desenvolvimento de sensores para testes diagn\u00f3sticos de COVID-19, os quais elas est\u00e3o realizando com o respaldo de especialistas\u00a0de \u00e1reas como Qu\u00edmica, Eletr\u00f4nica, Inform\u00e1tica, F\u00edsica, Materiais, Biologia e Sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ambos os sensores s\u00e3o instrumentos do tipo <em>point of care<\/em>. Essa express\u00e3o designa dispositivos miniaturizados que permitem realizar testes em qualquer lugar, sem precisar de laborat\u00f3rios ou outros equipamentos, obtendo o resultado em poucos minutos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Segundo as pesquisadoras, os sensores que est\u00e3o desenvolvendo poder\u00e3o detectar infectados por COVID-19 a partir do primeiro dia da infec\u00e7\u00e3o \u2013 caracter\u00edstica que nenhuma das t\u00e9cnicas de diagn\u00f3stico atualmente usadas no pa\u00eds permite. Finalmente, afirmaram elas, os novos sensores fornecer\u00e3o resultados mais precisos (com menos falsos negativos ou positivos) do que muitos dos testes r\u00e1pidos que est\u00e3o atualmente dispon\u00edveis no mercado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nos dois trabalhos, o desenvolvimento dos sensores est\u00e1 bastante avan\u00e7ado. Contudo, as duas cientistas coincidiram ao falar em 6 meses como prazo razo\u00e1vel para ter um produto pronto, testado com rela\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo RT-PCR (o mais confi\u00e1vel no momento) e vi\u00e1vel na escala industrial.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na sua fala, a professora Mariana contou que trabalha desde 2012 com o desenvolvimento de sensores baseados na tecnologia magnetoel\u00e1stica, inicialmente voltados \u00e0 detec\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias e leveduras. Quando o Brasil sofreu o surto do v\u00edrus Zika em 2015, a cientista e toda a rede de pesquisa da qual ela faz parte direcionaram seus trabalhos para esse v\u00edrus, ganhando experi\u00eancia na detec\u00e7\u00e3o desse tipo de organismos, que s\u00e3o muito menores que as bact\u00e9rias. De acordo com a professora Mariana, o sensor magnetoel\u00e1stico seria capaz de detectar tanto a part\u00edcula viral (desde o in\u00edcio da infec\u00e7\u00e3o) quanto os anticorpos produzidos pela pessoa que est\u00e1 ou esteve infectada. Dessa maneira, poderia ser uma ferramenta importante para definir medidas e protocolos em todas as fases da pandemia, inclusive a retomada das atividades econ\u00f4micas presenciais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A pesquisadora Talita contou que trabalha h\u00e1 cinco anos na integra\u00e7\u00e3o de materiais cer\u00e2micos e biol\u00f3gicos para desenvolver sensores <em>point of care<\/em>, os quais, na vis\u00e3o dela, se adaptam bem \u00e0 realidade brasileira, na qual grande parte da popula\u00e7\u00e3o fica afastada de laborat\u00f3rios e hospitais. Com a experi\u00eancia reunida nesse tempo, a cientista conseguiu finalizar em 2019, junto a uma equipe multidisciplinar, um sensor eletroqu\u00edmico que detecta o v\u00edrus Zika com precis\u00e3o e em poucos minutos. Atualmente, ela est\u00e1 adaptando essa plataforma \u00e0 detec\u00e7\u00e3o do Sars-COV-2 (o v\u00edrus que causa a doen\u00e7a COVID-19).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pensando na possibilidade de produzir o sensor sem necessidade de insumos importados, principalmente na escala industrial, a pesquisadora correu atr\u00e1s de parceiros locais e adaptou o sensor aos insumos biol\u00f3gicos que poderiam ser produzidos no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, ela est\u00e1 estabelecendo uma parceria com a empresa p\u00fablica da \u00e1rea de microeletr\u00f4nica CEITEC, localizada no Rio Grande do Sul, cuja capacidade instalada permitiria fabricar os chips de todos os sensores necess\u00e1rios para testar a popula\u00e7\u00e3o brasileira nas pr\u00f3ximas fases da pandemia. \u201cTemos que unir for\u00e7as para desenvolver solu\u00e7\u00f5es que de fato possam ser atendidas pela capacidade industrial do pa\u00eds\u201d, expressou a professora Talita.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Materiais virucidas para m\u00e1scaras e respiradores<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No painel, Dachamir Hotza, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), contou os esfor\u00e7os de supera\u00e7\u00e3o individual e grupal que tem realizado para levar respostas \u00e0 sociedade durante a pandemia de COVID-19. Em um desses trabalhos, o pesquisador e seus colaboradores est\u00e3o realizando a caracteriza\u00e7\u00e3o f\u00edsica e bioqu\u00edmica de m\u00e1scaras usadas em hospitais para poder definir de forma precisa em que momento elas perdem suas funcionalidades e precisam ser substitu\u00eddas. Al\u00e9m disso, trabalhando com outras institui\u00e7\u00f5es e uma empresa da regi\u00e3o com as quais j\u00e1 colaborava anteriormente, o pesquisador est\u00e1 avan\u00e7ando no desenvolvimento de tecidos com atividade virucida. Uma dificuldade ainda n\u00e3o superada, contou o pesquisador, foi a de acessar um laborat\u00f3rio com n\u00edvel de seguran\u00e7a suficiente para fazer testes com o novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Materiais ativos na elimina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus Sars-COV-2 tamb\u00e9m foram objeto da fala do professor Petrus Santa Cruz, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O cientista contou como reuniu conhecimento gerado ao longo de d\u00e9cadas, dispon\u00edvel em artigos e patentes de seu grupo de pesquisa, para seus trabalhos relacionados ao combate \u00e0 pandemia. Um deles \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o emergencial que visa fornecer ao sistema de sa\u00fade p\u00fablica v\u00e1lvulas de respiradores que poderiam ser usados em pacientes infectados com COVID-19 numa fase anterior \u00e0 intuba\u00e7\u00e3o, frente a situa\u00e7\u00f5es de alta ocupa\u00e7\u00e3o de leitos com ventiladores mec\u00e2nicos. A equipe interdisciplinar do professor Petrus, que inclui\u00a0especialistas da \u00e1rea de software, conseguiu vencer o desafio de fabricar essas v\u00e1lvulas em impressoras 3D com a rugosidade superficial necess\u00e1ria para impedir a fixa\u00e7\u00e3o de microrganismos (inicialmente bact\u00e9rias e, provavelmente, tamb\u00e9m v\u00edrus). Al\u00e9m disso, o grupo est\u00e1 trabalhando para outorgar a esse e outros materiais um papel ativo na elimina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, usando nanotecnologia para romper a parede que protege o RNA viral.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Investimentos cont\u00ednuos para resultados r\u00e1pidos<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os quatro painelistas destacaram que a capacidade da ci\u00eancia de dar respostas r\u00e1pidas \u00e0 sociedade em momentos emergenciais \u00e9 resultado de muitos anos de esfor\u00e7os e investimentos. &#8220;N\u00e3o existe um bot\u00e3o liga\/ desliga para a ci\u00eancia, porque ela \u00e9 feita do ac\u00famulo de conhecimento&#8221;, disse o professor Petrus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, com sucessivos recortes ao or\u00e7amento de CTI, muitos pesquisadores brasileiros t\u00eam desenvolvido estrat\u00e9gias para driblar as dificuldades e continuar trabalhando. \u00c9 caracter\u00edstica do cientista brasileiro se adaptar a situa\u00e7\u00f5es adversas, comentou o professor Dachamir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As falas dos painelistas mostraram que uma combina\u00e7\u00e3o entre expertise e persist\u00eancia, por um lado, e criatividade e reinven\u00e7\u00e3o, por outro, formam parte da receita que est\u00e3o aplicando em seus trabalhos relacionados ao combate \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Outro aspecto destacado pelos cientistas como essencial ao sucesso dos projetos emergenciais foi o trabalho em redes multidisciplinares de colabora\u00e7\u00e3o, inclusive\u00a0junto\u00a0\u00e0s empresas que poderiam produzir as solu\u00e7\u00f5es na escala industrial. \u00a0\u201cEste \u00e9 o momento de cruzarmos as expertises de todos para dar uma resposta r\u00e1pida \u00e0 sociedade\u201d, disse a professora Mariana.<\/p>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Equipes cient\u00edficas multidisciplinares est\u00e3o trabalhando neste momento em diversas universidades brasileiras para poder entregar \u00e0 sociedade, no prazo mais curto poss\u00edvel, solu\u00e7\u00f5es que ajudem a combater a COVID-19. 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