{"id":8480,"date":"2020-03-13T15:27:13","date_gmt":"2020-03-13T18:27:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/?p=8480"},"modified":"2020-04-06T17:49:14","modified_gmt":"2020-04-06T20:49:14","slug":"prof-osvaldo-novais-de-oliveira-junior-ifsc-usp-assina-texto-sobre-ciencia-brasileira-publicado-em-coluna-da-folha-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/prof-osvaldo-novais-de-oliveira-junior-ifsc-usp-assina-texto-sobre-ciencia-brasileira-publicado-em-coluna-da-folha-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP) assina texto sobre ci\u00eancia brasileira publicado em coluna da Folha de S\u00e3o Paulo."},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_8180\" aria-describedby=\"caption-attachment-8180\" style=\"width: 122px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8180\" src=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/prof-chu.jpg\" alt=\"Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior\" width=\"122\" height=\"150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8180\" class=\"wp-caption-text\">Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p>O professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP), s\u00f3cio e ex-presidente da SBPMat, \u00e9 autor de texto publicado na Folha de S\u00e3o Paulo, no blog Darwin e Deus (coluna do jornalista de ci\u00eancia Reinaldo Jos\u00e9 Lopes) sobre o sucesso e impacto da ci\u00eancia brasileira. No texto, o professor descreve tr\u00eas tipos de conhecimento resultantes da ci\u00eancia e destaca a import\u00e2ncia de se aumentar a quantidade de cientistas e de profissionais treinados em ambientes de pesquisa para poder atender as demandas da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Veja <a href=\"https:\/\/darwinedeus.blogfolha.uol.com.br\/2020\/03\/10\/o-sucesso-e-o-verdadeiro-impacto-da-ciencia-brasileira\/\"><strong>aqui<\/strong> <\/a>o texto na coluna de Reinaldo Jos\u00e9 Lopes.<\/p>\n<p>Segue a \u00edntegra do texto do ex-presidente da SBPMat:<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>A maior prova do sucesso da ci\u00eancia brasileira est\u00e1 no Pal\u00e1cio do Planalto. N\u00e3o fosse pela excel\u00eancia da medicina brasileira, resultado de d\u00e9cadas de trabalho cient\u00edfico, o presidente da Rep\u00fablica hoje seria outro.<\/em><\/p>\n<p><em>Sem a compet\u00eancia dos m\u00e9dicos de Juiz de Fora que atenderam prontamente o ent\u00e3o candidato ap\u00f3s o epis\u00f3dio da facada, bem como dos m\u00e9dicos em S\u00e3o Paulo que realizaram as demais cirurgias, o Presidente Bolsonaro, ainda que sobrevivesse, n\u00e3o teria se recuperado t\u00e3o rapidamente a ponto de j\u00e1 estar trabalhando normalmente pouco tempo depois do atentado.<\/em><\/p>\n<p><em>A conex\u00e3o entre fatos que alteram os rumos do Pa\u00eds e a ci\u00eancia brasileira n\u00e3o me parece ter sido feita ainda. Provavelmente porque n\u00e3o se analisou em detalhe o impacto das diferentes formas de conhecimento que a ci\u00eancia cria.<\/em><\/p>\n<p><em>Fazer ci\u00eancia gera conhecimentos de tr\u00eas tipos. O mais vis\u00edvel e tang\u00edvel \u00e9 o conhecimento que gera, num prazo relativamente curto, tecnologia e solu\u00e7\u00f5es para a humanidade. \u00c9 o conhecimento transferido de cientistas para inovadores de tecnologia, o que no S\u00e9culo XXI tem sido feito majoritariamente pelas grandes pot\u00eancias tecnol\u00f3gicas, ou seja, os Estados Unidos, a China e outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, e alguns pa\u00edses da Europa. Aqui, o termo majorit\u00e1rio \u00e9 essencial, pois n\u00e3o basta ter ci\u00eancia e tecnologia de qualidade, a transfer\u00eancia de conhecimento s\u00f3 ocorre efetivamente quando h\u00e1 volume de pesquisas, produtos e solu\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Os dois outros tipos de conhecimentos s\u00e3o menos vis\u00edveis para a sociedade em geral. Um \u00e9 o conhecimento oriundo da curiosidade e perseveran\u00e7a dos humanos em entender como funciona o universo, sem preocupa\u00e7\u00e3o se haver\u00e1 alguma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Muitas vezes, a aplica\u00e7\u00e3o at\u00e9 existe, mas s\u00f3 vai ficar evidente muito tempo depois de o conhecimento ter sido gerado. O exemplo talvez mais emblem\u00e1tico para os dias de hoje \u00e9 a teoria da Relatividade de Einstein. Ela foi criada com uma concep\u00e7\u00e3o abstrata, incompreens\u00edvel mesmo para cientistas da \u00e9poca, para explicar fen\u00f4menos da natureza que n\u00e3o tinham correla\u00e7\u00e3o com o cotidiano das pessoas.<\/em><\/p>\n<p><em>At\u00e9 onde sei, Einstein nunca aventou a possibilidade de uma aplica\u00e7\u00e3o direta para a sua teoria. Pois bem, a Teoria da Relatividade \u00e9 hoje essencial para os sistemas de posicionamento (GPS). Sem levar em conta a Teoria da Relatividade, a determina\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o de uma pessoa ou objeto na Terra estaria errada por cerca de 10 km com os erros acumulados em uma semana de funcionamento do GPS. Em suma, sem Teoria da Relatividade n\u00e3o existiria o GPS e tampouco os sistemas de navega\u00e7\u00e3o que utilizamos no nosso cotidiano.<\/em><\/p>\n<p><em>O terceiro tipo de conhecimento tem t\u00e3o pouca visibilidade que se confunde com o resultado de forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. \u00c9 o conhecimento que n\u00e3o leva diretamente a novas tecnologias, mas serve para absorver e adaptar tecnologias, desenvolver solu\u00e7\u00f5es locais e permitir um funcionamento de alto n\u00edvel dos sistemas que dependem de tecnologia. Este tipo de conhecimento \u00e9 incorporado pelos profissionais qualificados formados nas universidades de pesquisa.<\/em><\/p>\n<p><em>O que nem sempre \u00e9 compreendido \u00e9 que profissionais com esse n\u00edvel de habilidade e compet\u00eancia s\u00f3 podem ser treinados em ambiente em que se faz ci\u00eancia. Em medicina, para ficar no exemplo inicial, a incorpora\u00e7\u00e3o e o aprimoramento de novas tecnologias s\u00e3o normalmente feitos por m\u00e9dicos com forma\u00e7\u00e3o sofisticada, com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o ativa em programas de pesquisa conduzidos em universidades de excel\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>Para aqueles que consideram esse terceiro tipo de conhecimento pouco relevante, ressalto que os pa\u00edses com melhor qualidade de vida e maiores \u00edndices de desenvolvimento n\u00e3o est\u00e3o na lista dos que geram mais tecnologia. Refiro-me aos pa\u00edses escandinavos e outros como a Su\u00ed\u00e7a e Luxemburgo que, pelo tamanho de sua popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam porte para gerar muita tecnologia \u2013 comparativamente aos pa\u00edses maiores produtores de tecnologia. Entretanto, sem qualquer exce\u00e7\u00e3o, todos esses pa\u00edses com alta qualidade de vida t\u00eam alta densidade na gera\u00e7\u00e3o de conhecimento do terceiro tipo, com ci\u00eancia de excel\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>E o Brasil? Nosso pa\u00eds tem exemplos marcantes de gera\u00e7\u00e3o de conhecimento do primeiro tipo, com ci\u00eancia proporcionando tecnologia competitiva mundialmente em setores como o aeron\u00e1utico, a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em \u00e1guas profundas e o agroneg\u00f3cio. Outros setores t\u00eam criado tecnologias relevantes, ainda que com menor impacto econ\u00f4mico.<\/em><\/p>\n<p><em>Infelizmente, a despeito da qualidade da ci\u00eancia realizada nesses setores, a densidade \u00e9 baixa e geramos muito pouca tecnologia quando se consideram as dimens\u00f5es do Pa\u00eds e sua popula\u00e7\u00e3o. Isso se explica pelo tamanho reduzido de nosso sistema cient\u00edfico. A despeito do grande avan\u00e7o nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o n\u00famero de cientistas por habitante ainda \u00e9 muito menor do que o de pa\u00edses desenvolvidos. Nesse quesito, o Brasil n\u00e3o aparece na lista dos 20 pa\u00edses mais bem colocados.<\/em><\/p>\n<p><em>Uma situa\u00e7\u00e3o semelhante ocorre no conhecimento orientado ao desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es locais, que classifiquei como de terceiro tipo. O Brasil forma profissionais excelentes em suas universidades de pesquisa, que por sua vez incorporam novas tecnologias e criam solu\u00e7\u00f5es para a sociedade em muitas \u00e1reas. Disso resulta a excel\u00eancia do Pa\u00eds em \u00e1reas como medicina e sa\u00fade, engenharia, agricultura e pecu\u00e1ria, e em muitas outras.<\/em><\/p>\n<p><em>Novamente, temos o problema da densidade: o n\u00famero de profissionais formados, e sua atua\u00e7\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de conhecimento, s\u00e3o insuficientes para beneficiar toda a popula\u00e7\u00e3o do Brasil. Esta insufici\u00eancia est\u00e1 na raiz da nossa desigualdade, pois a produtividade no trabalho, extremamente baixa, depende essencialmente de um bom funcionamento de tecnologias que demandam conhecimento desse terceiro tipo, em que a oferta de profissionais capacitados \u00e9 insuficiente.<\/em><\/p>\n<p><em>Resumindo, o problema no Brasil n\u00e3o \u00e9 de baixa qualidade da ci\u00eancia que se realiza aqui, mas da baixa densidade de cientistas e profissionais com forma\u00e7\u00e3o adequada para atender as demandas da sociedade. Al\u00e9m de trazer a percep\u00e7\u00e3o err\u00f4nea de falta de qualidade, a baixa densidade de fato dificulta (quando n\u00e3o impede) que um Pa\u00eds atinja excel\u00eancia em t\u00f3picos que requerem esfor\u00e7os concentrados de grande monta. N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que o Brasil \u00e9 competitivo em tecnologias, como as j\u00e1 mencionadas, em que h\u00e1 densidade de pesquisadores formados a partir de pol\u00edticas p\u00fablicas iniciadas h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/em><\/p>\n<p><em>Tenho a expectativa de que nossos governantes, em todos os n\u00edveis, percebam os benef\u00edcios diretos e indiretos de um sistema cient\u00edfico robusto e de qualidade. Nem que seja para sua sobreviv\u00eancia na eventualidade de precisarem de atendimento de sa\u00fade adequado. Por\u00e9m, principalmente para realizar o sonho de transformar o Brasil em um pa\u00eds menos desigual.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP), s\u00f3cio e ex-presidente da SBPMat, \u00e9 autor de texto publicado na Folha de S\u00e3o Paulo, no blog Darwin e Deus (coluna do jornalista de ci\u00eancia Reinaldo Jos\u00e9 Lopes) sobre o sucesso e impacto da ci\u00eancia brasileira. 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