{"id":7517,"date":"2019-03-31T17:18:17","date_gmt":"2019-03-31T20:18:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/?p=7517"},"modified":"2019-04-08T17:09:09","modified_gmt":"2019-04-08T20:09:09","slug":"cientista-em-destaque-yvonne-primerano-mascarenhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/cientista-em-destaque-yvonne-primerano-mascarenhas\/","title":{"rendered":"Cientista em destaque: Yvonne Primerano Mascarenhas."},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_7518\" aria-describedby=\"caption-attachment-7518\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/foto-yvonne.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7518\" src=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/foto-yvonne-e1553974806850.jpg\" alt=\"Yvonne Primerano Mascarenhas\" width=\"400\" height=\"533\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7518\" class=\"wp-caption-text\">Yvonne Primerano Mascarenhas<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na noite de 22 de setembro deste ano, em Balne\u00e1rio Cambori\u00fa (SC), durante a abertura do <a href=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/18encontro\/\">XVIII B-MRS Meeting<\/a>, Yvonne Primerano Mascarenhas, professora aposentada da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), proferir\u00e1 a Palestra Memorial Joaquim da Costa Ribeiro, uma honraria que a SBPMat outorga anualmente a um pesquisador com destacada trajet\u00f3ria no Brasil. Na palestra memorial, a cientista falar\u00e1 sobre a evolu\u00e7\u00e3o da cristalografia (estudo da estrutura de materiais cristalinos) no Brasil, uma hist\u00f3ria que ela pode narrar em primeira pessoa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De fato, a professora Yvonne foi a pessoa que introduziu e desenvolveu no pa\u00eds, a partir do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, a cristalografia estrutural e molecular por raios X, hoje amplamente usada em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o no Brasil. A t\u00e9cnica permite conhecer, de forma completa, como est\u00e3o dispostos no espa\u00e7o os \u00e1tomos e mol\u00e9culas que comp\u00f5em a organizada estrutura dos materiais cristalinos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Yvonne Primerano nasceu em 21 de julho de 1931 em Pederneiras, interior do Estado de S\u00e3o Paulo. Quando ela tinha 10 anos, depois de viver um tempo na capital paulista, a fam\u00edlia Primerano se mudou para a cidade do Rio de Janeiro em fun\u00e7\u00e3o do trabalho do pai. Capital do pa\u00eds, a \u201ccidade maravilhosa\u201d da d\u00e9cada de 1940, al\u00e9m de ser acolhedora e segura, ofereceu \u00e0 fam\u00edlia um grande leque de possibilidades, principalmente de cultura e forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Yvonne cursou o ensino secund\u00e1rio no Col\u00e9gio Mello e Souza, uma conceituada escola particular carioca. Devido a seu gosto pela literatura, no \u00faltimo ciclo do secund\u00e1rio, a mo\u00e7a optou pelo ent\u00e3o chamado \u201ccurso cl\u00e1ssico\u201d, que aprofundava no estudo da Filosofia e as Letras e abordava mais superficialmente as Ci\u00eancias da Natureza. Apesar disso, foi nas aulas de Qu\u00edmica ministradas por um \u00f3timo professor chamado Albert Ebert, que Yvonne se encantou com a diversidade de mol\u00e9culas criadas pela natureza e com a possibilidade de sintetiz\u00e1-las no laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao terminar o ensino secund\u00e1rio, Yvonne optou por cursar a gradua\u00e7\u00e3o em Qu\u00edmica e, depois de se preparar para o vestibular tentando suprir as lacunas deixadas pela sua forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica, ela conseguiu, em 1949, ingressar ao bacharelado em Qu\u00edmica da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ali, mais uma vez, um docente destacado interveio no desenho de sua trajet\u00f3ria profissional. Tratava-se de Elis\u00e1rio T\u00e1vora, professor da disciplina de Cristalografia. O professor T\u00e1vora acabara de retornar dos Estados Unidos, onde tinha feito um doutorado no <em>Massachusetts Institute of Technology<\/em> (MIT) com orienta\u00e7\u00e3o do professor Martin Julian Buerger \u2013 renomado cristal\u00f3grafo, autor de inova\u00e7\u00f5es em t\u00e9cnicas e instrumentos da \u00e1rea.\u00a0 Dessa maneira, Yvonne, por meio de T\u00e1vora, teve contato com o estado da arte em t\u00e9cnicas de cristalografia, principalmente as baseadas em difra\u00e7\u00e3o de raios X, e p\u00f4de enxergar a potencialidade da \u00e1rea. Na cabe\u00e7a da jovem Yvonne, ficou a ideia de que estudar a estrutura de mol\u00e9culas por difra\u00e7\u00e3o de raios X poderia ser uma boa ideia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Yvonne sentiu, ent\u00e3o, que precisava saber mais F\u00edsica, e, em 1951, come\u00e7ou a cursar nessa \u00e1rea sua segunda gradua\u00e7\u00e3o, na atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Em 1954, ela possu\u00eda os dois diplomas de bacharel e uma s\u00f3lida bagagem em F\u00edsico-Qu\u00edmica.\u00a0No mesmo ano, ela se casou com o tamb\u00e9m f\u00edsico-qu\u00edmico Sergio Mascarenhas, com quem formaria, al\u00e9m de uma fam\u00edlia, uma dupla protagonista da hist\u00f3ria da pesquisa em materiais no Brasil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na Universidade do Brasil, Yvonne conheceu o professor Joaquim da Costa Ribeiro e participou de trabalhos de pesquisa do cientista. Naquele momento, Costa Ribeiro, que tinha descoberto poucos anos atr\u00e1s o efeito termodiel\u00e9trico enquanto estudava materiais naturais brasileiros, era um dos pouqu\u00edssimos pesquisadores, junto ao professor Bernhard Gross, que atuava na F\u00edsica de materiais no Brasil. Nesse momento, de fato, os recursos e esfor\u00e7os de pesquisa no pa\u00eds estavam concentrados na F\u00edsica nuclear e de altas energias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em 1956, depois de quinze anos morando no Rio de Janeiro, Yvonne voltou a morar no interior do estado de S\u00e3o Paulo. Desta vez, ela se instalou em S\u00e3o Carlos, uma cidade de cerca de 40 mil habitantes, junto ao ent\u00e3o marido, Sergio Mascarenhas Oliveira, e aos dois primeiros filhos do casal (um menino de colo e uma menina no ventre). O motivo da mudan\u00e7a foi a contrata\u00e7\u00e3o do casal como professores em tempo integral de uma unidade da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) que tinha sido criada em S\u00e3o Carlos alguns anos atr\u00e1s, a Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos (EESC).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se o Rio de Janeiro tinha aberto para Yvonne a possibilidade de uma boa forma\u00e7\u00e3o, agora S\u00e3o Carlos oferecia a ambos os membros do casal Mascarenhas uma s\u00e9rie de benef\u00edcios: filia\u00e7\u00e3o a uma universidade importante, concentra\u00e7\u00e3o das atividades de ensino e pesquisa em um mesmo local (no Rio de Janeiro, Sergio trabalhava em quatro locais diferentes) e, n\u00e3o menos relevante, dois sal\u00e1rios suficientes para a manuten\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Tudo isso, na praticidade de uma cidade pequena, economizando v\u00e1rias horas di\u00e1rias de deslocamento. Al\u00e9m disso, o casal teria liberdade para desenvolver pesquisa na \u00e1rea que mais lhe interessava naquele contexto: a aplica\u00e7\u00e3o da F\u00edsica e da Qu\u00edmica ao estudo e desenvolvimento de materiais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na EESC, uma feliz casualidade colocou a professora Yvonne, mais uma vez, na trilha da cristalografia estrutural. Esquecido em um canto, havia um aparelho de raios X m\u00e9dico que tinha sido comprado por um pesquisador franc\u00eas que passara um tempo na institui\u00e7\u00e3o. O aparelho estava sem uso e n\u00e3o tinha utilidade dentro da escola de Engenharia. Ent\u00e3o, o professor S\u00e9rgio conversou com o fabricante e conseguiu troc\u00e1-lo por um instrumento de difra\u00e7\u00e3o de raios X, o qual foi usado nos primeiros trabalhos experimentais do casal em S\u00e3o Carlos. Nesses trabalhos, ficou claro para a professora Yvonne que conhecer a estrutura dos materiais era essencial para conhecer e modificar suas propriedades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entre 1959 e 1960,\u00a0os Mascarenha\u00a0passaram 16 meses na cidade de Pittsburgh (Estados Unidos) fazendo est\u00e1gios de pesquisa com apoio financeiro da Comiss\u00e3o Fulbright, que estava no Brasil desde 1957. Yvonne pretendia fazer um treinamento no estudo da estrutura de materiais por difra\u00e7\u00e3o de raios X em um grupo do Carnegie Institute of Technology. Por\u00e9m, ao conhecer o grupo, ela ficou decepcionada. Foi ent\u00e3o que, por acaso, ela encontrou o casal de f\u00edsicos brasileiros Ernesto e Am\u00e9lia Hamburguer, que estavam na\u00a0<em>University of Pittsburgh<\/em> fazendo doutorado e mestrado, respectivamente. Os Hamburguer sugeriram \u00e0 professora Yvonne que tentasse fazer um est\u00e1gio no laborat\u00f3rio de Cristalografia coordenado pelo professor George Jeffrey na <em>University of Pittsburgh<\/em>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois de algumas semanas participando de um curso de Cristalografia ministrado pelo professor Jeffrey, a professora Yvonne come\u00e7ou a trabalhar no grupo de pesquisa, onde, entre outros projetos, realizou o trabalho experimental da sua tese de doutorado, que consistiu em obter a posi\u00e7\u00e3o dos \u00e1tomos de um material com propriedades magn\u00e9ticas, por meio de difra\u00e7\u00e3o de raios X. Naquele momento, aplicar essa t\u00e9cnica era uma tarefa muito complexa e demorada, devido \u00e0s limita\u00e7\u00f5es dos equipamentos dispon\u00edveis, inclusive os computadores. No final do est\u00e1gio em Pittsburgh, a pesquisadora tinha adquirido habilidades e conhecimentos que a qualificavam para trabalhar com cristalografia de raios X.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em 1961, quando voltou ao Brasil, Yvonne (que naquele momento era a \u00fanica cristal\u00f3grafa estrutural do Brasil) deu in\u00edcio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio de Cristalografia de S\u00e3o Carlos (que se tornaria o primeiro laborat\u00f3rio de cristalografia estrutural do pa\u00eds). A implanta\u00e7\u00e3o da infraestrutura do laborat\u00f3rio e o recrutamento e treinamento de sua equipe multidisciplinar e internacional se intensificaram na d\u00e9cada de 1970 e continuaram nos anos posteriores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em 1963, depois de processar os resultados experimentais obtidos em Pittsburgh, com bastante dificuldade devido \u00e0 inexist\u00eancia de computadores na EESC, Yvonne defendeu sua tese de doutorado intitulada \u201cDetermina\u00e7\u00e3o de estruturas cristalinas por difra\u00e7\u00e3o de raios X: estudo do formato manganoso bi-hidratado\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em 1971, a professora obteve o t\u00edtulo de livre-docente pela EESC. A partir de 1981, tornou-se professora titular do Instituto de F\u00edsica e Qu\u00edmica de S\u00e3o Carlos (IFQSC), mais uma unidade da USP na cidade, fundada em 1971. Quando, em 1994, esta unidade foi dividida nos institutos de F\u00edsica (IFSC) e de Qu\u00edmica (IQSC), a professora Yvonne permaneceu no primeiro at\u00e9 sua aposentadoria compuls\u00f3ria em 2001, quando se tornou pesquisadora colaboradora da institui\u00e7\u00e3o. Com a virada do s\u00e9culo, Yvonne come\u00e7ou a liderar projetos relacionados ao ensino e difus\u00e3o de ci\u00eancias em escolas p\u00fablicas de n\u00edvel fundamental e m\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao longo de sua carreira, a professora Yvonne fez est\u00e1gios cient\u00edficos como pesquisadora visitante em algumas das institui\u00e7\u00f5es mais renomadas do mundo: as universidades de Princeton e Harvard (Estados Unidos), o <em>Instituto Polit\u00e9cnico Nacional do M\u00e9xico<\/em>, e a <em>University of London<\/em> (Reino Unido).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A professora tamb\u00e9m desempenhou v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, as quais, ainda hoje, s\u00e3o predominantemente exercidas por homens no meio acad\u00eamico brasileiro. Dentro da USP de S\u00e3o Carlos ocupou chefias de departamento, foi a primeira diretora do Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos (IFSC) e foi vice coordenadora do polo S\u00e3o Carlos do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA), entre outros cargos. Al\u00e9m disso, a cientista liderou a cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Cristalografia (atual Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cristalografia), cuja funda\u00e7\u00e3o ocorreu em 1971, e foi presidente da sociedade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entre muitas distin\u00e7\u00f5es e homenagens recebidas, destacam-se o <em>Distinguished Women in Chemistry or Chemical Engineering Awards<\/em> da <em>International Union of Pure and Applied Chemistry<\/em> (2017), o t\u00edtulo de Professora Em\u00e9rita do CNPq (2013), a admiss\u00e3o na Ordem Nacional do M\u00e9rito Cient\u00edfico na Classe da Gr\u00e3-Cruz pela Presid\u00eancia do Brasil (1998) e a Medalha Sim\u00e3o Mathias da Sociedade Brasileira de Qu\u00edmica (1998). Al\u00e9m disso, a pesquisadora \u00e9 membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias desde 2001.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No decorrer de seis d\u00e9cadas de atua\u00e7\u00e3o em cristalografia estrutural, Yvonne Primerano Mascarenhas participou de dezenas de projetos das diversas \u00e1reas que precisam de informa\u00e7\u00e3o estrutural de materiais ou mol\u00e9culas, interagindo estreitamente com cientistas de materiais, engenheiros, qu\u00edmicos, f\u00edsicos, bi\u00f3logos, bioqu\u00edmicos, m\u00e9dicos etc. No per\u00edodo, 40 trabalhos de mestrado e doutorado foram orientados pela professora, e mais de 180 artigos com a sua coautoria foram publicados em peri\u00f3dicos cient\u00edficos internacionais. O laborat\u00f3rio criado por Yvonne (atualmente denominado Laborat\u00f3rio Multiusu\u00e1rio de Cristalografia Estrutural) j\u00e1 gerou diretamente mais de 1.000 artigos publicados em peri\u00f3dicos cient\u00edficos e possibilitou que pesquisadores de muitos estados brasileiros e pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina realizassem medidas de difra\u00e7\u00e3o de raios X.<\/p>\n<p>Sessenta anos depois dos primeiros trabalhos brasileiros com cristalografia estrutural de raios X, cerca de 200 cristal\u00f3grafos estruturais atuam em universidades brasileiras, inclusive a pioneira Yvonne Primerano Mascarenhas que, com seus 87 anos, permanece ativa na pesquisa cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Segue uma breve entrevista com esta destacada cientista.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Por meio da cristalografia, voc\u00ea revelou informa\u00e7\u00f5es essenciais para muitos projetos de pesquisa de diversas \u00e1reas. Gostar\u00edamos de saber quais s\u00e3o os trabalhos da \u00e1rea de materiais de mais impacto dos quais voc\u00ea participou.<\/strong><\/p>\n<p>Yvonne Primerano Mascarenhas:<\/p>\n<ul>\n<li><em>Crystal-stucture analysis of deamino-oxytocin &#8211; conformational flexibility and receptor-binding.<\/em> Por: WOOD, SP; TICKLE, IJ; TREHARNE, AM; et al. SCIENCE Volume: 232 Edi\u00e7\u00e3o: 4750 P\u00e1ginas: 633-636 Publicado: MAY 2 1986<\/li>\n<\/ul>\n<p>Neste trabalho, realizado durante um est\u00e1gio realizado no Departamento de Cristalografa do Birkbeck College, Universidade de Londres, pudemos contribuir para a elucida\u00e7\u00e3o da oxitocina, importante horm\u00f4nio produzido pela hip\u00f3fise e que no caso das mulheres exerce importante fun\u00e7\u00e3o nos est\u00e1gios do parto e da lacta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li><em>Characterization of Polyurethane Resins by FTIR, TGA, and XRD. <\/em>Por: Trovati, Graziella; Ap Sanches, Edgar; Neto, Salvador Claro; et al. JOURNAL OF APPLIED POLYMER SCIENCE Volume: 115 Edi\u00e7\u00e3o: 1 P\u00e1ginas: 263-268 Publicado: JAN 5 2010<\/li>\n<\/ul>\n<p>As medidas realizadas nos difratogramas dos v\u00e1rios tipos de poliuretana permitiram determinar quantitativamente os percentuais de cristalinidade das diferentes amostras e relaciona-las com outros resultados espectrosc\u00f3picos.<\/p>\n<ul>\n<li><em>Structural transition and pair formation in Fe3O2BO3.<\/em> Por: Mir, M; Guimaraes, RB; Fernandes, JC; et al. PHYSICAL REVIEW LETTERS Volume: 87 Edi\u00e7\u00e3o: 14 N\u00famero do artigo: 147201 Publicado: OCT 1 2001<\/li>\n<\/ul>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o estrutural do material em estudo por difra\u00e7\u00e3o de raios X a baixa temperatura permitiu caracterizar uma transi\u00e7\u00e3o de fase cristalogr\u00e1fica que ocorre a baixa temperatura importante para o entendimento das propriedades magn\u00e9ticas do material em estudo..<\/p>\n<ul>\n<li><em>Crystallographic and spectroscopic characterization of a molecular hinge: Conformational changes in bothropstoxin I, a dimeric Lys49 phospholipase A2 homologue.<\/em> Por: da Silva Giotto, MT; Garratt, RC; Oliva, G; et al. PROTEINS-STRUCTURE FUNCTION AND BIOINFORMATICS Volume: 30 Edi\u00e7\u00e3o: 4 P\u00e1ginas: 442-454 Publicado: MAR 1 1998<\/li>\n<\/ul>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o da estrutura molecular dessa enzima que \u00e9 um dos componentes do veneno da cascavel permitiu entender melhor a sua a\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n<ul>\n<li><em>Crystal structure of perdeuterated violuric acid monohydrate &#8211; X ray diffraction analysis.<\/em> Por: Craven, BM; Mascarenhas, Y. ACTA CRYSTALLOGRAPHICA Volume: 17 Edi\u00e7\u00e3o: 4 P\u00e1ginas: 407-&amp; Publicado: 1964<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esta publica\u00e7\u00e3o resultou de trabalho realizado na Universidade de Pittsburgh durante o meu primeiro est\u00e1gio no exterior. A subst\u00e2ncia em estudo \u00e9 um barbiturato que cristaliza com uma mol\u00e9cula de \u00e1gua. A determina\u00e7\u00e3o estrutural revelou a presen\u00e7a de uma liga\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio bifurcada que j\u00e1 havia sido prevista teoricamente mas que foi observada experimentalmente pela primeira vez nesse cristal.<\/p>\n<ul>\n<li><em>Location of cerium and lanthanum cations in CeNaY and LaNaY after calcination.\u00a0<\/em>Por: Nery, JG; Mascarenhas, YP; Bonagamba, TJ; et al. ZEOLITES Volume: 18 Edi\u00e7\u00e3o: 1 P\u00e1ginas: 44-49 Publicado: JAN 1997<\/li>\n<\/ul>\n<p>Este \u00e9 um de uma s\u00e9rie de trabalhos que realizamos em colabora\u00e7\u00e3o com o centro de pesquisas da Petrobr\u00e1s (CEMPES) com o objetivo de analisar altera\u00e7\u00f5es produzidas em uma s\u00e9rie de ze\u00f3litas que s\u00e3o empregadas como catalisadores para o craqueamento do petr\u00f3leo. Os resultados obtidos permitiam entender melhor os mecanismos de cat\u00e1lise e sugerir outras modifica\u00e7\u00f5es visando a um maior rendimento.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Voc\u00ea proferir\u00e1 no XVIII B-MRS Meeting a <em>Memorial Lecture Joaquim da Costa Ribeiro<\/em>. No final do evento, a SBPMat entregar\u00e1 os pr\u00eamios do <em>Bernhard Gross Award<\/em>. Voc\u00ea conheceu pessoalmente estes dois pioneiros da pesquisa em Materiais no Brasil (Costa Ribeiro e Gross). Conte-nos brevemente qual foi sua rela\u00e7\u00e3o com eles.<\/strong><\/p>\n<p>Yvonne Primerano Mascarenhas: &#8211; Para contar sobre essas pessoas este pequeno par\u00e1grafo \u00e9 muito insuficiente. Costa Ribeiro e Gross foram nossos mentores nas nossas primeiras atividades de pesquisa e de educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Com ambos interagimos durante os nossos anos de gradua\u00e7\u00e3o na FNFi da ent\u00e3o Universidade do Brasil, atual UFRJ. O contato em pesquisa foi sempre presente com Bernhard Gross que visitava S\u00e3o Carlos periodicamente at\u00e9 seu falecimento, orientando nossas atividades tanto experimentais como te\u00f3ricas e orientando alguns jovens f\u00edsicos que aderiram ao nosso laborat\u00f3rio. Costa Ribeiro nos apoiou muito desde nossa vinda para S\u00e3o Carlos, tanto com cartas de recomenda\u00e7\u00e3o ao diretor da EESC como cedendo um eletr\u00f4metro Wulf que permitiu imediato in\u00edcio de pesquisas em diel\u00e9tricos. Mais tarde passou v\u00e1rios anos fora do Brasil como representante do Brasil na Comiss\u00e3o de Energia At\u00f4mica em Viena e faleceu prematuramente poucos anos ap\u00f3s sua volta ao Brasil.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Voc\u00ea tem quatro filhos que foram criados enquanto voc\u00ea desenvolvia uma importante carreira cient\u00edfica, inclusive ocupando cargos de lideran\u00e7a. Voc\u00ea costuma afirmar que n\u00e3o se sentiu prejudicada em sua vida profissional pelo fato de ser mulher. Poderia nos contar como conseguiu conciliar a vida familiar e a profissional, num momento em que, no Brasil, n\u00e3o existia ainda licen\u00e7a-maternidade e a mulher costumava ser demitida quando se tornava m\u00e3e?<\/strong><\/p>\n<p>Yvonne Primerano Mascarenhas: &#8211; Viver em uma cidade pequena permite uma grande conviv\u00eancia familiar, com filhos e outros parentes e amigos. Assim acredito que a decis\u00e3o de nos mudarmos da cidade do Rio de Janeiro para S\u00e3o Carlos teve um papel muito importante no meu desempenho profissional. Al\u00e9m disso sempre valorizei muito a ajuda que me foi prestada por excelentes pessoas que me apoiavam nas minhas necessidades dom\u00e9sticas e no cuidado com meus filhos. Tive uma imensa sorte em contar com essa inestim\u00e1vel ajuda de v\u00e1rias pessoas que praticamente integravam a minha vida dividindo responsabilidades numa troca interpessoal de muito amor e respeito.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Por favor, deixe uma mensagem para nossos leitores mais jovens que est\u00e3o iniciando uma carreira de cientistas ou est\u00e3o cogitando essa possibilidade.<\/strong><\/p>\n<p>Nunca \u00e9 demais relembra-los de que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social de nosso pa\u00eds s\u00f3 vai melhorar quando conseguirmos melhorar o n\u00edvel cultural e cient\u00edfico de nosso povo assim como estabelecer no\u00e7\u00f5es de conduta respons\u00e1vel, \u00e9tica e moral que conduzam ao bom aproveitamento de nossos potenciais recursos naturais (agricultura, reservas minerais e processos industriais e comerciais) e o bom uso dos impostos recolhidos da popula\u00e7\u00e3o. Para tanto \u00e9 necess\u00e1rio o empenho dos nossos jovens tanto na \u00e1rea educacional como no exerc\u00edcio da cidadania. Sei bem que \u00e9 uma grande demanda, mas tenho certeza que, com um esfor\u00e7o bem focalizado nessas metas, eles poder\u00e3o alcan\u00e7ar grandes resultados.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na noite de 22 de setembro deste ano, em Balne\u00e1rio Cambori\u00fa (SC), durante a abertura do XVIII B-MRS Meeting, Yvonne Primerano Mascarenhas, professora aposentada da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), proferir\u00e1 a Palestra Memorial Joaquim da Costa Ribeiro, uma honraria que a SBPMat outorga anualmente a um pesquisador com destacada trajet\u00f3ria no Brasil. Na palestra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[139,156,1446,1741,885,1740,1633,1739],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7517"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7517"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7517\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7540,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7517\/revisions\/7540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}