{"id":7356,"date":"2019-01-30T18:32:31","date_gmt":"2019-01-30T21:32:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/?p=7356"},"modified":"2019-02-06T16:35:57","modified_gmt":"2019-02-06T19:35:57","slug":"cientista-em-destaque-entrevista-com-daniel-mario-ugarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/cientista-em-destaque-entrevista-com-daniel-mario-ugarte\/","title":{"rendered":"Cientista em destaque: entrevista com Daniel Mario Ugarte."},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<figure id=\"attachment_7357\" aria-describedby=\"caption-attachment-7357\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/cientista-em-destaque-entrevista-com-daniel-mario-ugarte\/paella_ugarte\/\" rel=\"attachment wp-att-7357\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7357\" src=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Paella_Ugarte.jpg\" alt=\"O prof. Daniel Ugarte em uma de suas duas atividades favoritas: a culin\u00e1ria. A outra \u00e9 a pesquisa experimental.\" width=\"400\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Paella_Ugarte.jpg 400w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Paella_Ugarte-300x207.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7357\" class=\"wp-caption-text\">O prof. Daniel Ugarte em uma de suas duas atividades favoritas: a culin\u00e1ria. A outra \u00e9 a pesquisa experimental.<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9454672552048719\">Daniel Mario Ugarte<\/a> nasceu em 23 de mar\u00e7o de 1963 em Cosqu\u00edn, uma pequena cidade nas serras da prov\u00edncia de C\u00f3rdoba (Argentina). Cresceu num ambiente familiar de muito est\u00edmulo \u00e0 curiosidade, o aprendizado e a experimenta\u00e7\u00e3o. Depois de cursar o ensino fundamental e m\u00e9dio nessa cidade, fez a gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica na capital da prov\u00edncia, na <em>Universidad Nacional de C\u00f3rdoba<\/em>, a mais antiga do pa\u00eds vizinho (fundada em 1613). Ap\u00f3s a gradua\u00e7\u00e3o, fez um est\u00e1gio em microscopia eletr\u00f4nica de transmiss\u00e3o na <em>Universit\u00e9 Paris-Sud<\/em>, na Fran\u00e7a, onde acabou ficando para realizar o doutorado em temas de nanoci\u00eancia (embora, naquele momento, o prefixo \u201cnano\u201d ainda n\u00e3o fosse amplamente utilizado). Ugarte obteve o diploma de doutor em F\u00edsica em 1990. Mudou-se, ent\u00e3o, para a Su\u00ed\u00e7a, onde realizou um est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado que durou cerca de tr\u00eas anos na <em>\u00c9cole Polytechnique F\u00e9d\u00e9rale de Lausanne<\/em> (EPFL). Ali continuou fazendo nanoci\u00eancia e nanotecnologia e obteve resultados de grande impacto acad\u00eamico, notoriamente as \u201cnanocebolas de fulereno\u201d, que lhe renderam, aos 29 anos de idade, seu primeiro artigo na revista <em>Nature<\/em>, assinado apenas por ele e destacado na capa da edi\u00e7\u00e3o. Esse <em>paper<\/em>, que hoje conta com mais de 2.000 cita\u00e7\u00f5es, seria o primeiro de seis artigos publicados por Ugarte nas duas principais revistas cient\u00edficas do mundo (a <em>Science<\/em> e a <em>Nature<\/em>),\u00a0entre dezenas de publica\u00e7\u00f5es em peri\u00f3dicos cient\u00edficos especializados, tamb\u00e9m de alt\u00edssimo impacto, como <em>Nature Nanotechnology<\/em>, <em>Nano Letters<\/em>, <em>Physical Review Letters<\/em>, entre outros.<\/p>\n<\/div>\n<p>Em 1993, por motivos pessoais, Ugarte foi morar no Brasil, e come\u00e7ou a trabalhar com a equipe que estava iniciando a constru\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS) no local atual, na cidade de Campinas (SP). Foi nesse contexto que ele p\u00f4de tornar realidade a sua ideia de construir um laborat\u00f3rio de microscopia eletr\u00f4nica realmente aberto \u00e0 toda a comunidade cient\u00edfica, sem esquecer os estudantes, que tamb\u00e9m cumprisse o papel de formar pesquisadores capazes de utilizar os equipamentos com habilidade. O Laborat\u00f3rio de Microscopia Eletr\u00f4nica iniciou suas atividades em 1999, dirigido pelo cientista <em>cordob\u00e9s<\/em>, e foi a semente do atual Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano). Entre 1994 e 1998, Ugarte atuou tamb\u00e9m como professor visitante na EPFL. Em 2004, o cientista deixou o LNLS para assumir o cargo de professor associado no Instituto de F\u00edsica Gleb Wataghin (IFGW), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Desde 2007, ele \u00e9 professor titular dessa institui\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, de 2004 a 2007, o professor Ugarte coordenou uma rede de pesquisa em nanomateriais, a NANOMAT, que inclu\u00eda 23 institui\u00e7\u00f5es e 150 pesquisadores.<\/p>\n<p>Ao longo de sua carreira cient\u00edfica,\u00a0Daniel Ugarte proferiu mais de 100 palestras convidadas em eventos cient\u00edficos internacionais e recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios prestigiosos por suas contribui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas excepcionais, como o pr\u00eamio universit\u00e1rio da <em>Fondation Latsis Internationale<\/em> (Su\u00ed\u00e7a, 1994), o <em>John Simon Guggenheim Fellowship<\/em> (EUA, 2002), o Pr\u00eamio Scopus Brasil da Elsevier e a CAPES (Brasil, 2008) e o pr\u00eamio de F\u00edsica de <em>The World Academy of Sciences<\/em>, TWAS (It\u00e1lia, 2018). Em 2012, Ugarte foi eleito membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC). Al\u00e9m disso, v\u00e1rios estudantes orientados por ele receberam pr\u00eamios por suas teses de doutorado, outorgados pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (Pr\u00eamio Marechal do ar Casimiro Montenegro Filho), pela CAPES, pela Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF) e pelo IFGW &#8211; UNICAMP.<\/p>\n<p>Daniel Ugarte \u00e9 autor de mais de 100 artigos publicados em peri\u00f3dicos internacionais com revis\u00e3o por pares. De acordo com o Google Scholar, sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica recebeu mais de 16.600 cita\u00e7\u00f5es e seu \u00edndice h \u00e9 de 43.<\/p>\n<p>Veja a nossa entrevista com este s\u00f3cio fundador da SBPMat e saiba mais sobre a sua hist\u00f3ria de vida, suas principais descobertas, suas cr\u00edticas a algumas tend\u00eancias no modo de se fazer ci\u00eancia e sua mensagem aos pesquisadores mais jovens.<\/p>\n<p><b>Boletim da SBPMat: &#8211; Gostar\u00edamos de saber como\/ por que voc\u00ea se tornou um cientista. Quando surgiu em voc\u00ea o desejo de ser cientista?<\/b><\/p>\n<p>Daniel Ugarte: &#8211; Nasci na Argentina, com a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica t\u00edpica daquele pa\u00eds: m\u00e3e de origem italiana, e pai de origem espanhola (basca, para ser preciso), mas tentando ser ingl\u00eas (adoro rugby). Acho que o exemplo de curiosidade, trabalho e interesses variados de meus pais teve influ\u00eancia majorit\u00e1ria nas minhas escolhas. Nasci e cresci numa cidade no meio das montanhas\/serras na Argentina (cidade de Cosqu\u00edn, com aproximadamente 10.000 habitantes, na prov\u00edncia de C\u00f3rdoba). Minha m\u00e3e era professora do ensino fundamental e sempre tentava, com recursos financeiros muito escassos, obter livros para seguir estudando e melhorar suas aulas (naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha internet); n\u00f3s l\u00edamos em fam\u00edlia esses novos textos de hist\u00f3ria, dinossauros etc. Meu pai, mesmo tendo frequentado a escola somente at\u00e9 os 12 anos, sempre foi muito curioso e ativo. Fazia de tudo como amador e autodidata; muito inquieto, era ator, pintor, m\u00fasico, consertava de tudo, fazia chaves etc. A curiosidade e o esp\u00edrito de crian\u00e7a ficaram sempre com ele: toda coisa nova, ele queria desmontar para ver como funcionava. Se tivesse que definir sua profiss\u00e3o, eu diria que ele fazia cartazes publicit\u00e1rios.\u00a0Na oficina dele, todos os equipamentos foram constru\u00eddos por ele mesmo. Naquela sala de bagun\u00e7a constante, eu brincava furando ferros, soldando fios, cortando madeira, martelando coisas. T\u00ednhamos poucos luxos, nenhum brinquedo caro, mas sempre havia livros, e eu fazia coisas muito incomuns (supervisionado por meus pais) aos olhos das outras crian\u00e7as, tais como aeromodelos, r\u00e1dios de galena, um telesc\u00f3pio etc. Com minha m\u00e3e, cozinh\u00e1vamos sempre receitas novas (nhoques, bolos, alfajores, doces, etc.); aos 10 anos, todo domingo ao meio-dia, eu preparava o churrasco da fam\u00edlia. Esses experimentos de qu\u00edmica e calor foram muito instrutivos (e saborosos), sabores e aromas que tento ainda hoje reproduzir com precis\u00e3o. Finalmente, para completar, tive a sorte de ter certa facilidade com L\u00f3gica e Matem\u00e1tica, a qual ficou em evid\u00eancia quando fui para a escola. Tenho que agradecer muito aos professores de Ci\u00eancia e Matem\u00e1tica que se esfor\u00e7aram para manter minha motiva\u00e7\u00e3o naquela cidadezinha e que eu pudesse crescer e fazer evoluir esse talento incipiente. Acho que com essa inf\u00e2ncia, o sonho de fazer ci\u00eancia e trabalhar num laborat\u00f3rio (ou numa cozinha) fazendo descobertas e construir instrumentos maravilhosos \u00e9 a consequ\u00eancia mais natural do mundo (devo esclarecer que fora do laborat\u00f3rio meu hobby principal \u00e9 cozinhar).<\/p>\n<p><b>Boletim da SBPMat: &#8211; Conte, brevemente, o que o levou a atuar no campo dos nanossistemas.<\/b><\/p>\n<p>Daniel Ugarte: &#8211; Na verdade cheguei ao mundo \u201cnano\u201d pelas m\u00e3os da microscopia eletr\u00f4nica. Na <em>Universidad Nacional de C\u00f3rdoba<\/em> cursei F\u00edsica, muito mais interessado no perfil experimental e no trabalho de laborat\u00f3rio utilizando as m\u00e3os. No curso, voc\u00ea deve fazer uma disserta\u00e7\u00e3o final para obter seu diploma. Entre as v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es do Instituto de F\u00edsica, preferi fazer um projeto associado \u00e0 microscopia eletr\u00f4nica de varredura e espectroscopia de raios X. Uma escolha pragm\u00e1tica visando ter mais op\u00e7\u00f5es de emprego ap\u00f3s a minha gradua\u00e7\u00e3o. Naquele momento, tive sorte, surgiu uma oportunidade de ir \u00e0 Fran\u00e7a fazer um est\u00e1gio em microscopia eletr\u00f4nica de transmiss\u00e3o, e, ap\u00f3s chegar l\u00e1 (<em>Laboratoire de Physique des Solides<\/em>, <em>Universit\u00e9 Paris-Sud<\/em>, <em>Orsay<\/em>), fui convidado a fazer uma tese de doutorado para estudar a excita\u00e7\u00e3o de pl\u00e1smons de superf\u00edcie em part\u00edculas pequenas (em ingl\u00eas da \u00e9poca eram \u201c<em>small particles<\/em>\u201d, n\u00e3o \u201c<em>nanoparticles<\/em>\u201d como \u00e9 hoje). O termo \u201cnano\u201d n\u00e3o existia ainda, e a \u201cplasm\u00f4nica\u201d era somente uma curiosidade (hoje representa um dos temas de nanoci\u00eancia mais ativos). Uma vez conclu\u00edda a minha tese, pude conseguir um p\u00f3s-doutorado em Su\u00ed\u00e7a, num dos primeiros institutos que concentrava suas pesquisas nas propriedades novas que surgiam ao diminuir o tamanho das part\u00edculas (<em>Institut de Physique Experimentale<\/em>, <em>\u00c9cole Polytechnique F\u00e9derale de Lausanne<\/em>). Resumindo, comecei nos embri\u00f5es nano e sempre continuei estudando sistemas pequenos com t\u00e9cnicas de alta resolu\u00e7\u00e3o espacial associadas \u00e0 microscopia eletr\u00f4nica de transmiss\u00e3o. A resolu\u00e7\u00e3o at\u00f4mica ou nanom\u00e9trica desta t\u00e9cnica \u00e9 imprescind\u00edvel para a pesquisa b\u00e1sica ou tecnol\u00f3gica em nanossistemas, e os caros microsc\u00f3pios se tornaram s\u00edmbolos para exibir a riqueza de cada programa \u201cnano\u201d.<\/p>\n<p><b>Boletim da SBPMat: &#8211; Quais s\u00e3o, na sua pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o, as suas principais contribui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas\/ tecnol\u00f3gicas \u00e0 \u00e1rea de Materiais e por que as considera mais relevantes?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Daniel Ugarte: &#8211; As nanoestruturas de carbono (fulerenos, nanotubos, grafeno) representam um exemplo t\u00edpico de nanomateriais com propriedades novas. Considerando datas, os fulerenos foram descobertos em 1986, o s\u00f3lido de fulerenos em 1990, os nanotubos em 1991. Trabalhando na Su\u00ed\u00e7a em 1992, observei acidentalmente que, irradiando materiais de carbono com o feixe de el\u00e9trons de um microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico de transmiss\u00e3o, tudo se transformava em \u201ccebolas de fulereno\u201d (esferas conc\u00eantricas de grafite, como uma boneca russa). Este experimento gerou um novo membro para a recentemente descoberta fam\u00edlia dos fulerenos, e o trabalho teve uma incr\u00edvel repercuss\u00e3o a n\u00edvel mundial. No entanto, o interessante foi que esse n\u00e3o era meu projeto de p\u00f3s-doutorado, o qual era uma pesquisa mais focada no estudo da difra\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica de nanopart\u00edculas met\u00e1licas. Em Lausanne t\u00ednhamos um laborat\u00f3rio de microscopia completo e com todos os equipamentos de fronteira. E notei que ningu\u00e9m os usava de noite; ent\u00e3o, decidir ir l\u00e1 brincar&#8230; fazer experimentos explorat\u00f3rios, inocentes, alternativos e, sem querer, apareceram as cebolas&#8230;. Mas quando falei pela primeira vez dos resultados ningu\u00e9m acreditou; um revisor da prestigiosa revista <em>Physical Review Letters<\/em> falou que meus dados eram t\u00e3o rid\u00edculos como os da fus\u00e3o fria (tema altamente controverso naquele momento); foi um insulto do pior n\u00edvel. Mas eu continuei defendendo meu trabalho, eu obtinha os mesmos resultados uma e outra vez, e era a verdade. Eu continuei apresentando o resultado nos congressos; sobrevivi a muitos coment\u00e1rios violentos e humilhantes. Para fazer coisas um pouco fora do paradigma \u00e9 preciso ter \u201ccouro duro\u201d. Finalmente, com o apoio inesperado e espont\u00e2neo de Sir Harry Kroto (que recebeu o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica em 1996), que n\u00e3o me conhecia nem nunca tinha falado comigo, meu artigo foi publicado na revista Nature. Eu tinha menos de 30 anos, era muito inocente, e fiquei muito surpreso com o enorme interesse da m\u00eddia, pois dava reportagens para muitos pa\u00edses, entre eles Jap\u00e3o, Alemanha etc. Sentia como se o mundo estivesse caindo sobre a minha cabe\u00e7a. Com experimentos \u201cnaifs\u201d (despretensiosos) e fora de contexto, feitos \u00e0 noite, com instrumentos avan\u00e7ados, eu tinha criado op\u00e7\u00f5es de trabalho que batiam na minha porta. Por\u00e9m, nesse momento, para surpresa de meus colegas franceses e su\u00ed\u00e7os, tomo um caminho alternativo, e em 1993 opto por vir viver no Brasil por raz\u00f5es pessoais e familiares.<\/p>\n<p>Poucos anos depois, est\u00e1vamos, numa tarde de s\u00e1bado de 1995, no laborat\u00f3rio em Lausanne, fazendo propostas de ideias ousadas (\u201c<em>brain storming<\/em>\u201d) com meu amigo Walt de Heer (um cientista incr\u00edvel considerando profundidade e criatividade). Decidimos testar uma que surgiu l\u00e1 na hora: utilizar nanotubos de carbono (a ponta \u00e9 bem fininha mesmo) para produzir uma fonte de el\u00e9trons. Juntamos uma prensa hidr\u00e1ulica, fita de teflon de tipo encanador, grades de microscopia, mica velha, umas coisas do laborat\u00f3rio (c\u00e2mara de v\u00e1cuo, oscilosc\u00f3pio etc.) e montamos uma coisa horr\u00edvel, suja, grotesca, completamente improvisada e&#8230; funcionou!!!.\u00a0 O resultado foi publicado na revista Science. Esse experimento criou uma nova \u00e1rea de pesquisa aplicada para os nanotubos de carbono que v\u00e1rios laborat\u00f3rios industriais tentaram explorar; at\u00e9 hoje \u00e9 uma \u00e1rea ativa de pesquisa. De novo, no meu caminho, outra proposta experimental inocente, mas criativa e descontra\u00edda (neste caso o resultado n\u00e3o foi acidental, mas planejado), que captou o interesse da comunidade tecnol\u00f3gica internacional.<\/p>\n<p>No meu grupo no Brasil, decidi investir numa nova linha de pesquisa baseada num experimento irreverente proposto na Espanha por um pesquisador chamado Costa-Kramer (<em>Nanowire formation in macroscopic metallic contacts: quantum mechanical conductance tapping a table top<\/em>, Surf. Sci. 1995). Se juntarmos dois pedacinhos de ouro e depois os separarmos, no fim se forma um fio muito fino (como com chiclete) que pode at\u00e9 ter um \u00e1tomo de di\u00e2metro. Medindo a corrente el\u00e9trica que atravessa esse fio durante a elonga\u00e7\u00e3o, podemos estudar efeitos qu\u00e2nticos na condu\u00e7\u00e3o el\u00e9trica por nanoestruturas. Em Campinas, meu estudante Varlei Rodrigues (que depois recebera o Premio SBF de Melhor tese de Doutorado em F\u00edsica em 2003) construiu um instrumento especificamente desenhado para realizar esse estudo com alta precis\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de ultra alto v\u00e1cuo (UHV). Posteriormente pudemos fazer imagens de microscopia eletr\u00f4nica do arranjo at\u00f4mico dos fios gerados por elonga\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e tamb\u00e9m c\u00e1lculos te\u00f3ricos em colabora\u00e7\u00e3o com o grupo de Douglas Galv\u00e3o. A partir dessas informa\u00e7\u00f5es pudemos compreender em detalhe as nossas medidas experimentais; a partir desses resultados fui convidado a proferir quase uma centena de palestras em conferencias internacionais. Considero que esses resultados foram muito importantes do ponto de vista brasileiro, pois toda a pesquisa foi integralmente feita no pa\u00eds: as ideias, os experimentos avan\u00e7ados, a constru\u00e7\u00e3o de instrumenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica especifica, os c\u00e1lculos te\u00f3ricos e a compreens\u00e3o. Al\u00e9m do impacto cient\u00edfico, a pesquisa sobre nanofios met\u00e1licos representa uma realiza\u00e7\u00e3o importante, pois nos permitiu mostrar, pelo exemplo, que estudos de nanoci\u00eancia experimental competitiva, podem, sim, ser feitos no pa\u00eds, combinando trabalho com originalidade e um certo grau de risco.<\/p>\n<p>Falar de resultados alimenta nosso ego (o pequeno argentininho que todos levamos dentro&#8230;); outro aspecto de nossa contribui\u00e7\u00e3o para a sociedade vem quando nosso esfor\u00e7o \u00e9 dedicado ao crescimento da comunidade, em particular para elevar o n\u00edvel da ci\u00eancia do pa\u00eds. Neste sentido, gostaria de lembrar um dos trabalhos mais reconfortantes de minha carreira: a idealiza\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de um laborat\u00f3rio multiusu\u00e1rio de microscopia eletr\u00f4nica em Campinas. Esse projeto contou com o apoio constante e incondicional dos diretores do LNLS na \u00e9poca (Cylon da Silva, Aldo Craievich e Ricardo Rodrigues). Finalmente, os microsc\u00f3pios foram adquiridos com recursos (muitos recursos!!!) da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP). Desde a ideia inicial, trabalhei para que o laborat\u00f3rio fosse aberto e dispon\u00edvel aos pesquisadores brasileiros (n\u00e3o nas inten\u00e7\u00f5es, mas na realidade) e que tamb\u00e9m tivesse forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos como um foco de suas atividades. Contrariando a opini\u00e3o geral da comunidade, no laborat\u00f3rio de microscopia todas as observa\u00e7\u00f5es eram realizadas pelos pr\u00f3prios alunos de gradua\u00e7\u00e3o ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o envolvidos nos projetos, ap\u00f3s um processo de treinamento. Muitos estudantes aprenderam a trabalhar, e os instrumentos nem quebravam, mas tivemos que nos dar o tempo de ensinar os pesquisadores interessados. Este modo de opera\u00e7\u00e3o tinha como alvo evitar o sistema feudal (\u201csenhor dono\u201d de instrumentos) ou aplica\u00e7\u00e3o de sicofantismo. Fiquei nesse laborat\u00f3rio at\u00e9 2009. Esse laborat\u00f3rio cresceu e se transformou no que hoje \u00e9 chamado Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano).<\/p>\n<p><b>Boletim da SBPMat: &#8211;\u00a0 Voc\u00ea possui uma quantidade fora do comum de artigos publicados em revistas de alt\u00edssimo impacto (Science, Nature, PRL &#8230;), principalmente no contexto de pa\u00edses em desenvolvimento. A quais fatores e compet\u00eancias voc\u00ea atribui esta caracter\u00edstica da sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<\/b><\/p>\n<p>Daniel Ugarte: &#8211; Na pergunta anterior tentei dar v\u00e1rios exemplos de alguns momentos importantes de minha atividade cient\u00edfica. Tem contribui\u00e7\u00e3o do volume de trabalho, muito estudo, bem como a coragem de assumir riscos para fazer experimentos ousados e originais. Mas tem uma coisa que sempre tento ensinar aos meus estudantes: se n\u00f3s fizermos um projeto, ele deve descascar um abacaxi e trazer uma contribui\u00e7\u00e3o relevante (se der certo&#8230;). Se alguma publica\u00e7\u00e3o for gerada, tem que contribuir com conhecimento novo, n\u00e3o de mentirinha, mas de verdade. N\u00e3o vamos escolher somente temas de pesquisa que gerem resultado r\u00e1pido; provavelmente o nosso estudo vai demorar, teremos que entender e aprofundar em muita coisa nova. At\u00e9 podemos precisar desenvolver ferramentas\/instrumentos\/<wbr \/>software para responder a pergunta cient\u00edfica. E eles perguntam: vai dar certo? Eu digo, n\u00e3o sei, se eu soubesse que vai dar certo n\u00e3o teria emo\u00e7\u00e3o, mas posso garantir que voc\u00ea vai crescer muito e obter uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o. Por exemplo, no tema de nanofios de ouro tivemos que responder coment\u00e1rios (de um competidor) sobre o que acontecia com a elonga\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica a baixa temperatura. Para isso, precis\u00e1vamos realizar um experimento extremamente desafiador e tentar observar a deforma\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica de nanofio <em>in situ<\/em> dentro do microsc\u00f3pio a baixa temperatura com resolu\u00e7\u00e3o at\u00f4mica utilizando um porta-amostra em nitrog\u00eanio l\u00edquido. O estudante que topou o projeto (Maureen Lagos, que depois ganhou o pr\u00eamio CAPES de Tese em 2012) me perguntou: Vai ser dif\u00edcil? O que voc\u00ea pensa? Minha resposta foi: Acho que n\u00e3o vai dar certo, mas para responder isso \u00e0 comunidade devemos testar para confirmar se funciona ou n\u00e3o, e tamb\u00e9m at\u00e9 onde \u00e9 poss\u00edvel observar; \u201cbola pra frente\u201d, vai, tenta fazer o melhor poss\u00edvel e boa sorte (vai precisar de muita&#8230;). Para minha surpresa, ele conseguiu as medidas, muito dif\u00edceis e demoradas; esses estudos feitos aqui no Brasil recebem at\u00e9 hoje (10 anos depois) muitos elogios e reconhecimento na comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Outro aspecto, fora o risco ou ousadia, \u00e9 a qualidade; todo estudante ou colega que trabalhou comigo sabe que sempre fazemos o melhor poss\u00edvel, n\u00e3o tem \u201cmais ou menos\u201d. S\u00f3 o melhor \u00e9 aceito, ou, ent\u00e3o, tem que fazer o experimento de novo at\u00e9 obter a mais alta qualidade. Alguns alunos me detestam, mas recentemente um antigo aluno da UNICAMP (hoje professor nos Estados Unidos) publicou um artigo na revista <em>Nature<\/em>, e me enviou uma mensagem agradecendo, pois hoje ele d\u00e1 um enorme valor \u00e0quilo que aprendeu sobre puxar seus limites, nessa conviv\u00eancia comigo. Puxar a qualidade total do conte\u00fado do estudo, nos experimentos &#8211; que s\u00e3o a base em nosso grupo -, no estudo te\u00f3rico, na interpreta\u00e7\u00e3o, na modelagem etc. Como em todas as profiss\u00f5es, n\u00f3s constru\u00edmos nossa reputa\u00e7\u00e3o ao longo dos anos, e ela pode ser prestigiosa ou n\u00e3o. Sempre foi um orgulho para meu grupo que nossos colegas e competidores recebem nossos trabalhos com aten\u00e7\u00e3o, acreditando que fizemos nosso melhor para cada resultado publicado (mas nem sempre concordam com nossas conclus\u00f5es\/interpreta\u00e7\u00f5es&#8230; como todo mundo temos muitos artigos rejeitados).<\/p>\n<p>Quando formei parte do comit\u00ea que analisa projetos no CNPq, fiquei surpreso pelo n\u00famero de pesquisadores brasileiros que publicam mais de, digamos, 50 artigos por ano, mesmo alguns tendo altos cargos administrativos ou gest\u00e3o em institui\u00e7\u00f5es de ensino ou pesquisa do Brasil (fun\u00e7\u00f5es que requerem esfor\u00e7o concentrado as 24 horas do dia). Considerando minha capacidade de fazer pesquisa, acho totalmente imposs\u00edvel pensar em fazer quase uma publica\u00e7\u00e3o por semana!!! E isso se ficasse no laborat\u00f3rio o dia todo com os estudantes. Neste ponto gostaria de retornar ao conceito de qualidade, considerando o n\u00famero e a contribui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de artigos gerados por um grupo ou pesquisador. Podemos assumir que segue uma distribui\u00e7\u00e3o estat\u00edstica com forma de gaussiana descrita por dois par\u00e2metros com uma m\u00e9dia e uma largura (notas de 1 a 10). Conhe\u00e7o pesquisadores com produ\u00e7\u00e3o um pouco incoerente, capazes de fazer o melhor (trabalho nota 10), e ao mesmo tempo, o pior (alguns trabalhos merecem nota muito baixa, digamos 1-2). Seja um grupo hipot\u00e9tico no qual a m\u00e9dia de contribui\u00e7\u00e3o ao conhecimento por publica\u00e7\u00e3o \u00e9 boa\/muito boa (m\u00e9dia 6 ou 7), e s\u00e3o geradas v\u00e1rias dezenas de publica\u00e7\u00f5es. Estatisticamente voc\u00ea deve publicar, entre essas dezenas, algum artigo com conte\u00fado de alta qualidade (lado superior da distribui\u00e7\u00e3o e longe da m\u00e9dia) que obter\u00e1 reconhecimento na comunidade (eventualmente, com sorte, publicado numa revista de alto impacto). Mas se voc\u00ea faz 100 publica\u00e7\u00f5es por ano e nenhuma atinge uma certa relev\u00e2ncia na sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, o nosso modelo estat\u00edstico simples indica que a contribui\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de seus trabalhos deve ser moderada. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m pode ser moderada a largura da distribui\u00e7\u00e3o; nesta situa\u00e7\u00e3o, sua produ\u00e7\u00e3o\/trabalho \u00e9 coerente, numa faixa estreita de n\u00edvel de qualidade. As causas podem ser variadas; em alguns casos, a justificativa\/explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa de longos discursos, \u00e9 razo\u00e1vel associar contribui\u00e7\u00e3o moderada a, por exemplo, a juventude do pesquisador, infraestrutura deficiente ou financiamento limitado. O ponto cr\u00edtico \u00e9 quando o problema est\u00e1 na raiz, e as causas da qualidade moderada est\u00e3o associadas \u00e0 pesquisa dirigida para perguntas\/alvos cient\u00edficos\/t\u00e9cnicos de menor import\u00e2ncia e baixo risco. O que esperar de um ambiente, onde tanto as ag\u00eancias financiadoras como tamb\u00e9m os pr\u00f3prios pesquisadores (n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 culpa das ag\u00eancias) aceitam que essa s\u00e9ria defici\u00eancia pode ser compensada plenamente pelo n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es? O resultado ser\u00e1 que os n\u00fameros crescer\u00e3o, mas o impacto diminuir\u00e1.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7358\" aria-describedby=\"caption-attachment-7358\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/cientista-em-destaque-entrevista-com-daniel-mario-ugarte\/quino_os-caminhos_da_ciencia\/\" rel=\"attachment wp-att-7358\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7358\" src=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Quino_os-caminhos_da_ciencia-e1548881597277.jpg\" alt=\"Tira c\u00f4mica do cartunista argentino Quino enviada pelo prof. Ugarte para ilustrar algumas de suas cr\u00edticas a determinado modo de se fazer ci\u00eancia.\" width=\"400\" height=\"506\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7358\" class=\"wp-caption-text\">Tira c\u00f4mica do cartunista argentino Quino enviada pelo prof. Ugarte para ilustrar algumas de suas cr\u00edticas a determinado modo de se fazer ci\u00eancia.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Talvez eu seja irrespons\u00e1vel, teimoso (as ra\u00edzes bascas ajudam), mas meu trabalho ao longo dos anos seguiu certos padr\u00f5es. Prefiro fazer um prato de alta gastronomia (as vezes meio queimado), do que fazer centenas de pratos de arroz e feij\u00e3o. Prefiro fazer menos coisas e n\u00e3o ter numerosas publica\u00e7\u00f5es irrelevantes envolvendo trabalho que n\u00e3o incluiu risco nenhum (tamb\u00e9m tenho desses trabalhos), e assim ter tempo de me atualizar, me desafiar, estudar e ver coisas fora de meu principal interesse. Assim tenho a oportunidade para novas ideias, inocentes, irrespons\u00e1veis, que com sorte v\u00e3o dar certo. \u00c9 importante, primeiro, ter claro que coisa nova\/diferente vamos fazer em nossa pesquisa; se n\u00e3o tem nada novo\/arriscado, como vai ser a contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de conhecimento? Na realidade, essa linha de pensamento n\u00e3o \u00e9 muito popular se olhamos em detalhe a maior parte dos projetos financiados na comunidade brasileira (no entanto, muitos discursos e planejamentos a definem como essencial). Ao contrario, a viabilidade \u00e9 muitas vezes mais importante que a relev\u00e2ncia e a originalidade. Nem falar de outros temas que dificultam o aumento da relev\u00e2ncia da pesquisa em nanoci\u00eancia no Brasil, tais como f\u00edsica experimental, instrumenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, multidisciplinaridade, onde o contraste entre discurso e realidade d\u00e1 enorme tristeza. Como na gastronomia, prefiro o \u201c<em>slow food<\/em>\u201d, um bom prato, bom vinho e tempo para desfrutar. Devemos nos rebelar contra a \u201c<em>fast science<\/em>\u201d (projetos <em>short-term<\/em>), pois isso est\u00e1 levando \u00e0 uma ci\u00eancia superficial (<em>shallow-knowledge<\/em>).<\/p>\n<p>\u00c9 triste ver a evolu\u00e7\u00e3o do Brasil, os n\u00fameros crescem, o impacto diminui&#8230; Muitos podem ver positivamente a publica\u00e7\u00e3o em revistas de alto impacto, mas nem todos concordam. Vou dar um exemplo. Decidi estudar alguns temas novos onde considero que existem oportunidades de coisas muito originais e interessantes. Para fazer perguntas mais profundas, \u00e9 preciso entender. Aprender toma tempo&#8230; Assim, meu relat\u00f3rio de atividades teve problemas para ser aprovado por baixa produtividade: n\u00e3o atingi a m\u00e9dia.\u00a0 Nunca tive muita diplomacia nem habilidades pol\u00edticas, portanto, juntando toda minha revolta, e sendo argentino e basco ao mesmo tempo, pergunto-me: ser\u00e1 que sou terrivelmente ineficiente e devo me aposentar, o que no m\u00ednimo me permite manter meu esp\u00edrito, minha liberdade e forma de trabalho intacta? Existem muitos discursos sobre como estimular pesquisa de ponta e formar pesquisadores; acho que meu jeito de contribuir \u00e9 trabalhar \u201c<em>a mi maneira<\/em>\u201d e transmitir um exemplo para quem o considere v\u00e1lido.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso esquecer de agradecer o sistema de Edital Universal do CNPq, onde sei que sempre posso enviar ideias malucas, e o sistema de revis\u00e3o respeita minha hist\u00f3ria e confia em minha \u201cirresponsabilidade\u201d. \u00c9 pouco dinheiro (se for comparado com os padr\u00f5es internacionais), mas ganho muita liberdade !!!, e isso \u00e9 essencial para ser criativo!!!<\/p>\n<p><b>Boletim da SBPMat: &#8211; Agora convidamos voc\u00ea a deixar uma mensagem para os leitores que est\u00e3o iniciando suas carreiras cient\u00edficas.<\/b><\/p>\n<p>Daniel Ugarte: &#8211; O trabalho cient\u00edfico requer ser sonhador e ter muita paix\u00e3o, enorme esfor\u00e7o no estudo e no trabalho. Temos que poder associar conhecimento, originalidade, infraestrutura, habilidade t\u00e9cnica etc. Acho muito importante demonstrar a jovens que \u00e9 poss\u00edvel sonhar e fazer pesquisa de ponta no Brasil. O meio cient\u00edfico pode ser muito agressivo, mas devemos ter claro que o m\u00e9rito \u00e9 o par\u00e2metro mais importante, e que, apesar de o ambiente de pesquisa ser extremamente competitivo, \u00e9 essencial desenvolver nossas atividades mantendo as qualidades humanas, profissionalismo e \u00e9tica.<\/p>\n<p>Ao longo de uma carreira cient\u00edfica devemos enfrentar essas muitas situa\u00e7\u00f5es diferentes. Minha vida acad\u00eamica no Brasil teve muitas etapas, algumas foram resplandecentes, com trabalho, desafios, produtividade e com estudantes excelentes e motivados (o laborat\u00f3rio era o para\u00edso). Mas n\u00e3o posso deixar de pensar em outras etapas muito tristes, decepcionantes&#8230; associadas \u00e0s mediocracias locais. No entanto, as pedras lan\u00e7adas em nosso caminho foram completamente superadas por nosso trabalho, nossos resultados e nossa \u00e9tica. Sempre, sempre, o m\u00e9rito e a compet\u00eancia v\u00e3o ganhar no jogo da ci\u00eancia.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Mario Ugarte nasceu em 23 de mar\u00e7o de 1963 em Cosqu\u00edn, uma pequena cidade nas serras da prov\u00edncia de C\u00f3rdoba (Argentina). Cresceu num ambiente familiar de muito est\u00edmulo \u00e0 curiosidade, o aprendizado e a experimenta\u00e7\u00e3o. Depois de cursar o ensino fundamental e m\u00e9dio nessa cidade, fez a gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica na capital da prov\u00edncia, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[1707,1703,407,1706,1705,1704,24,1708,347,33],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7356"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7356"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7356\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7383,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7356\/revisions\/7383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}