{"id":5857,"date":"2017-05-31T15:36:27","date_gmt":"2017-05-31T18:36:27","guid":{"rendered":"http:\/\/sbpmat.org.br\/?p=5857"},"modified":"2017-06-08T16:22:05","modified_gmt":"2017-06-08T19:22:05","slug":"gente-da-comunidade-entrevista-com-o-cientista-adalberto-fazzio-diretor-do-lnnano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/gente-da-comunidade-entrevista-com-o-cientista-adalberto-fazzio-diretor-do-lnnano\/","title":{"rendered":"Gente da comunidade: entrevista com o cientista Adalberto Fazzio, diretor do LNNano."},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_5858\" aria-describedby=\"caption-attachment-5858\" style=\"width: 291px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/gente-da-comunidade-entrevista-com-o-cientista-adalberto-fazzio-diretor-do-lnnano\/foto-fazzio\/\" rel=\"attachment wp-att-5858\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5858\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/foto-fazzio-291x300.jpg\" alt=\"Prof. Adalberto Fazzio\" width=\"291\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/foto-fazzio-291x300.jpg 291w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/foto-fazzio-768x791.jpg 768w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/foto-fazzio.jpg 836w\" sizes=\"(max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5858\" class=\"wp-caption-text\">Prof. Adalberto Fazzio<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p>Desde abril deste ano, o Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) \u00e9 dirigido pelo cientista <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2714004273523549\">Adalberto Fazzio<\/a>, 66 anos, natural de Sorocaba.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas dedicado a estudar materiais por meio de ferramentas computacionais, Adalberto Fazzio foi pioneiro no Brasil no uso de c\u00e1lculos <em>ab initio<\/em>, hoje amplamente utilizados no estudo de propriedades dos materiais, e fez significativas contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 compreens\u00e3o de metais de transi\u00e7\u00e3o, sistemas amorfos, filmes finos de ouro (Au) e prata (Ag), nanoestruturas de carbono, sil\u00edcio e isolantes topol\u00f3gicos, entre outros materiais. Para isso, Fazzio tem contado com seu grupo de pesquisa no Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), conhecido como SAMPA (acr\u00f4nimo de \u201cSimula\u00e7\u00f5es Aplicadas a Materiais: Propriedades Atom\u00edsticas\u201d), e com v\u00e1rios colaboradores do Brasil e do exterior, tanto te\u00f3ricos quanto experimentais.<\/p>\n<p>Formado em F\u00edsica na gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Adalberto Fazzio cursou o bacharelado (1970-1972) e o mestrado (1973-1975) na Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e o doutorado (1975-1978) na USP.<\/p>\n<p>Fazzio tornou-se professor do Instituto de F\u00edsica da USP em 1979, pouco depois de terminar o doutorado. Em 1985 obteve o t\u00edtulo de livre-docente dessa universidade e, em 1991, o cargo de professor titular. Em maio de 2015, aposentou-se da USP.\u00a0\u00a0Foi pesquisador visitante no\u00a0<em>National Renewable Energy Laboratory<\/em>\u00a0(Estados Unidos) de 1983 a 1984 e no\u00a0<em>Fritz-Haber-Institut der Max-Planck-Gesellschaft<\/em>\u00a0(Alemanha) de 1989 a 1990. Tamb\u00e9m\u00a0foi professor visitante s\u00eanior na Universidade Federal do ABC (UFABC) em 2016.<\/p>\n<p>Ao longo de sua trajet\u00f3ria, Fazzio ocupou diversos cargos de gest\u00e3o. Citando apenas alguns deles, foi presidente da Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF) de 2003 a 2007; reitor <em>pro tempore<\/em> da UFABC de 2008 a 2010; coordenador geral de micro e nanotecnologias da Secretaria de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico e Inova\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) em 2011; secret\u00e1rio adjunto na Secretaria de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico e Inova\u00e7\u00e3o do MCTI de 2011 a 2013, e diretor do Instituto de F\u00edsica da USP de 2014 a 2015.<\/p>\n<p>Entre outras distin\u00e7\u00f5es, recebeu a comenda da Ordem Nacional do M\u00e9rito Cient\u00edfico em 2006 e, em 2010, foi promovido \u00e0 classe de Gr\u00e3-Cruz. Al\u00e9m disso, foi eleito <em>fellow<\/em> da TWAS (<em>The World Academy of Sciences<\/em>) em 2013. \u00c9 membro de diversas sociedades cient\u00edficas, como a Academia Brasileira de Ci\u00eancias e a Academia de Ci\u00eancias do Estado de S\u00e3o Paulo no Brasil, e a <em>American Physical Society<\/em>, <em>American Chemical Society<\/em> e <em>Materials Research Society<\/em> nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Bolsista de produtividade 1 A do CNPq, Fazzio \u00e9 autor de mais de 270 artigos publicados em peri\u00f3dicos cient\u00edficos indexados. Sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica conta com cerca de 8000 cita\u00e7\u00f5es, de acordo com o Google Scholar. Orientou aproximadamente 40 trabalhos de mestrado e doutorado.<\/p>\n<p>Segue uma entrevista com o cientista.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; <\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>Conte-nos o que o levou a se tornar um cientista e, em particular, a atuar na \u00e1rea de F\u00edsica da Mat\u00e9ria Condensada.<\/strong><\/p>\n<p>Adalberto Fazzio: &#8211; Quando terminei meu curso de F\u00edsica na Universidade de Bras\u00edlia, em 1972, conheci o professor Jos\u00e9 David Mangueira Vianna, que havia chegado da Su\u00ed\u00e7a com muitos projetos sobre F\u00edsica Molecular. Na \u00e9poca fal\u00e1vamos de Qu\u00edmica Qu\u00e2ntica. Apresentou um projeto de mestrado que era um melhoramento nos modelos semi-emp\u00edricos baseado no m\u00e9todo de Hartree-Fock. Devido \u00e0 baixa capacidade computacional existente naquele tempo, esses m\u00e9todos origin\u00e1rios da aproxima\u00e7\u00e3o ZDO (Z<em>ero Differential Overlap<\/em>) eram os mais utilizados para desvendar as propriedades eletr\u00f4nicas de mol\u00e9culas. Ap\u00f3s meu mestrado, fui ao Instituto de F\u00edsica da USP no grupo dos professores Guimar\u00e3es Ferreira e Jos\u00e9 Roberto Leite (meu orientador de doutorado), mudando das mol\u00e9culas para os s\u00f3lidos e do Hartree-Fock para o DFT (<em>Density Functional Theory<\/em>). Nesse momento virei um F\u00edsico de Mat\u00e9ria Condensada em um Departamento de F\u00edsica dos Materiais criado pelo prof. M\u00e1rio Schemberg. Minha tese foi sobre impurezas profundas em semicondutores (<em>deep levels<\/em>). \u00c9 importante observar que est\u00e1vamos em 1976 e a quest\u00e3o era como tratar um cristal que perdeu a sua simetria translacional. Enfim, desenvolvi um modelo, \u201dModelo de Cluster Molecular para Impurezas em Semicondutores Covalentes\u201d.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211;<\/strong><strong>\u00a0\u00a0<\/strong><strong>Quais s\u00e3o, na sua pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o, as suas principais contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00e1rea de Materiais? Gostar\u00edamos de pedir que voc\u00ea v\u00e1 al\u00e9m da enumera\u00e7\u00e3o de resultados e descreva brevemente as contribui\u00e7\u00f5es que considera de mais impacto ou mais destacadas. Ao refletir sobre sua resposta, sugerimos que considere todos os aspectos da atividade cient\u00edfica. Fique \u00e0 vontade para compartilhar refer\u00eancias de artigos e livros, se pertinente.<\/strong><\/p>\n<p>Adalberto Fazzio: &#8211; Sempre que pensamos nas principais contribui\u00e7\u00f5es em uma determinada \u00e1rea, olhamos para os artigos mais citados, que nem sempre coincidem com os artigos que os autores esperariam que fossem os mais citados. Mas vou tentar fazer uma breve descri\u00e7\u00e3o de alguns temas nos quais acho que dei uma contribui\u00e7\u00e3o que se destacou. No estudo de defeitos e impurezas em semicondutores, destaco o estudo de metais de transi\u00e7\u00e3o (MT) em semicondutores. Na \u00e9poca &#8211; at\u00e9 1984 -, havia uma riqueza de dados experimentais referente \u00e0 posi\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de impurezas no gap e \u00e0s excita\u00e7\u00f5es \u00f3ticas de toda linha dos MT-3d. E os c\u00e1lculos te\u00f3ricos baseados em uma teoria de campo m\u00e9dio n\u00e3o explicavam esses dados. Quando estava em meu p\u00f3s-doc no NREL (<em>National Renewable Energy Laboratory<\/em>) em 1983\/84, desenvolvemos um modelo para a descri\u00e7\u00e3o dos dados experimentais. Era um modelo que acoplava a teoria de campo cristalino com DFT, que descrevia efeitos de multipletos oriundos das impurezas de MT. Foram v\u00e1rios artigos publicados aplicando este modelo. No Phys. Rev. B <strong>30<\/strong>, 3430 (84) o modelo \u00e9 apresentado em detalhes. Esse trabalho foi em colabora\u00e7\u00e3o com os pesquisadores Alex Zunger e Marilia Caldas. E esses resultados levaram a uma letter no Appl. Phys. Lett. (1984) que seria de grande interesse para os f\u00edsicos experimentais, cujo t\u00edtulo foi \u201c<em>A Universal trend in the binding energies of deep impurities in semiconductors<\/em>\u201d. Uma grande mudan\u00e7a nesta \u00e1rea ocorre no final da d\u00e9cada de 80, com os c\u00e1lculos de \u201c<em>Large Unit Cell<\/em>\u201d, m\u00e9todo DFT e pseudo potenciais. Hoje chamamos simplesmente de \u201cm\u00e9todos <em>ab initio<\/em>\u201d ou \u201c<em>parameters free<\/em>\u201d. Acompanhando esse desenvolvimento, na \u00e9poca, eu estava no Instituto Max Planck, em Berlim, trabalhando com Matthias Scheffler. Com meus alunos de doutoramento (T. Schmidt e P. Venezuela), fomos pioneiros no Brasil no uso desse tipo de metodologia, at\u00e9 hoje amplamente utilizada. Depois desses trabalhos, comecei a trabalhar com sistemas amorfos. Como pod\u00edamos trabalhar agora com sistemas contendo uma c\u00e9lula unit\u00e1ria de muitos \u00e1tomos, decidimos acoplar os c\u00e1culos <em>ab initio<\/em> utilizando estruturas geradas por simula\u00e7\u00f5es de Monte Carlo. Destaco dois trabalhos: um em a-SiN (PRB, <strong>58<\/strong>, 8323 (1998)) e a-Ge:N (PRL <strong>77<\/strong>, 546 (96)).<\/p>\n<p>J\u00e1 no final da d\u00e9cada de 90, no LNLS, o professor Daniel Ugarte executava belos experimentos com HTEM, onde observava em filmes finos de Au e \u00a0Ag a forma\u00e7\u00e3o de cadeias lineares de \u00e1tomos. Nosso grupo na USP, em coopera\u00e7\u00e3o com Edison Zacarias da UNICAMP, iniciou estudos para entender a forma\u00e7\u00e3o das cadeias lineares de \u00e1tomos de Au. Algumas das perguntas eram como essas cadeias se rompem e como poder\u00edamos explicar as grandes dist\u00e2ncias que apareciam entre os \u00e1tomos. Foi um momento muito rico, essa intera\u00e7\u00e3o experimento-teoria. V\u00e1rios trabalhos foram publicados, um bastante citado \u201c<em>How do gold nanowire break?<\/em>\u201d (PRL <strong>87<\/strong>, 196803 (2001)). Esse trabalho foi capa do PRL e destaque pelo editor da Science. E, posteriormente, mostramos como o oxig\u00eanio atua para prender os \u00e1tomos de Au nos fios (PRL <strong>96<\/strong>, 01604 (2006)) e quais s\u00e3o os efeitos da temperatura e os efeitos qu\u00e2nticos na ruptura e estabilidade dos fios, importantes aspectos para entender as observa\u00e7\u00f5es experimentais (PRL <strong>100<\/strong>, 0561049 (2008)).<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, no nosso grupo na USP, focamos o estudo de nanoestruturas de carbono, sil\u00edcio, etc. Embora t\u00ednhamos fortes ferramentas para a descri\u00e7\u00e3o das propriedades eletr\u00f4nicas, magn\u00e9ticas, \u00f3pticas e mec\u00e2nicas, para o entendimento dos materiais faltavam as propriedades de transporte eletr\u00f4nico. Nesse contexto, desenvolvemos um c\u00f3digo computacional baseado na teoria de Landauer-B\u00fcttiker. Esse c\u00f3digo envolveu v\u00e1rios alunos de doutorado, e \u00e9 conhecido como TRANSAMPA. E, na minha opini\u00e3o, v\u00e1rios trabalhos importantes foram feitos para melhor entender o comportamento das propriedades de transporte eletr\u00f4nico. Para exemplificar, fomos pioneiros em descrever o transporte em fitas de grafeno dopadas (PRL <strong>98<\/strong>,196803 (2007)). Aqui tamb\u00e9m vale a pena destacar a colabora\u00e7\u00e3o com o prof. Alexandre Reilly do IFT (Instituto de F\u00edsica Te\u00f3rica da UNESP), que na \u00e9poca era p\u00f3s-doc, para um melhoramento muito importante nesse c\u00f3digo, que permitiu tratar materiais com as dimens\u00f5es real\u00edsticas utilizadas nos experimentos. Em 2008, em um trabalho intitulado \u201d<em>Designing Real Nanotube-based Gas Sensor<\/em>\u201d (PRL <strong>100<\/strong>, 176803), mostramos como os nanotubos podem funcionar como sensores de tamanhos real\u00edsticos, com defeitos. Usando c\u00e1lculos de primeiros princ\u00edpios, pod\u00edamos ter sistemas de dimens\u00f5es microm\u00e9tricas ao nosso alcance.<\/p>\n<p>Atualmente, minha pesquisa est\u00e1 mais voltada para a busca de dispositivos formados por materiais 2D cuja interface \u00e9 constru\u00edda por intera\u00e7\u00f5es prioritariamente van der Waals. Por exemplo, recentemente, como o grafeno, foi isolado um novo material 2D a partir da exfolia\u00e7\u00e3o do black-fosforo chamado fosforeno. Estudamos a interface grafeno\/fosforeno (PRL <strong>114<\/strong>, 066803(20015)), mostrando como \u00e9 poss\u00edvel construir um dispositivo.<\/p>\n<p>Outra classe de materiais que venho trabalhando s\u00e3o os badalados isolantes topol\u00f3gicos. Um Isolante Topol\u00f3gico (TI) \u00e9 um material que apresenta estados sem gap de energia \u201cnas bordas\u201d e cujo \u201cbulk\u201d \u00e9 isolante! Estes estados s\u00e3o topologicamente protegidos e robustos contra perturba\u00e7\u00f5es. No caso de materiais bidimensionais (2D), s\u00e3o conhecidos como isolantes que apresentam <em>Quantum Spin Hall<\/em> (QSH). O espalhamento em estados da borda \u00e9 protegido por simetria de revers\u00e3o temporal (TR), levando a um transporte eletr\u00f4nico sem dissipa\u00e7\u00e3o de energia. Juntamente com o grupo da UFU, em 2011, mostramos como as impurezas magn\u00e9ticas em isolantes topol\u00f3gicos t\u00eam sua textura de spin modificada (PRB <strong>84<\/strong>, 245418 (2011)). Recentemente, em colabora\u00e7\u00e3o com o grupo do prof. Zhang do <em>Rensseler Polytecnic Institute<\/em>, apresentamos um modelo geral para a descri\u00e7\u00e3o da interface topologico\/trivial. No caso, mostramos, como exemplo, a interface do Bi<sub>2<\/sub>Se<sub>3<\/sub>\/GaAs. Havia r\u00e9plicas do cone de Dirac que surgiam da intera\u00e7\u00e3o na interface incluindo estados do semiconductor (Nature Comm. <strong>6<\/strong>, 7630(2015)). O fosforeno \u00e9 um material 2D que tem propriedades semicondutoras. Em coopera\u00e7\u00e3o com o grupo do prof. Alez Zunger, da <em>University of Colorado<\/em>, estudamos esse material sob a\u00e7\u00e3o de um campo el\u00e9trico e mostramos que para tr\u00eas ou quatro camadas de fosforeno, sob a a\u00e7\u00e3o do campo, este apresenta uma transi\u00e7\u00e3o topol\u00f3gica (NanoLett. <strong>15<\/strong>, 1222 (2015)).<\/p>\n<p>Finalmente, gostaria de salientar uma atividade que estou iniciando, que \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de <em>Machine-Learning<\/em> para propriedades de materiais. Em particular, tenho focado os isolantes topol\u00f3gicos. Enfim, como disse no in\u00edcio, ao mencionar os trabalhos de maior impacto certamente deixei muitos de fora.<\/p>\n<p>Quanto a contribui\u00e7\u00f5es de outros tipos, constru\u00ed junto com Jos\u00e9 Roque um grupo muito produtivo no IF-USP, conhecido como SAMPA (Simula\u00e7\u00e3o Aplicada a Materiais \u2013 Propriedades Atom\u00edsticas) onde formamos in\u00fameros doutores e mestres, e com v\u00e1rios p\u00f3s-docs. Posso dizer que tudo isso foi poss\u00edvel gra\u00e7as principalmente ao apoio da Fapesp, via projetos tem\u00e1ticos. Fui chefe do departamento de F\u00edsica dos Materiais, Diretor do IFUSP e Reitor <em>pro tempore<\/em> da Universidade Federal do ABC. Do ponto de vista de gest\u00e3o, gostaria de destacar minha passagem pelo Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, onde fui sub-Secret\u00e1rio da Setec (Secretaria de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica) e da SCUP (Secretaria das Unidades de Pesquisa). E me orgulho de ter coordenado a cria\u00e7\u00e3o da Iniciativa Brasileira de Nanotecnologia, onde um dos bra\u00e7os \u00e9 o sistema SISNANO &#8211; um conjunto de laborat\u00f3rios dedicados a pesquisa e desenvolvimento tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m escrevi dois livros que v\u00eam sendo adotados: \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Teoria de Grupos: aplicada em mol\u00e9culas e s\u00f3lidos\u201d, em conjunto com Kazunori Watari e \u201cTeoria Qu\u00e2ntica de Mol\u00e9culas e S\u00f3lidos\u201d, em conjunto com Jos\u00e9 David Vianna e Sylvio Canuto.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; <\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>Voc\u00ea acaba de assumir a dire\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano). Compartilhe com a comunidade de Materiais seus planos para o LNNano. Como voc\u00ea enxerga o cen\u00e1rio da pesquisa em nanoci\u00eancia e nanotecnologia no Brasil frente aos mais recentes cortes or\u00e7ament\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n<p>Adalberto Fazzio: &#8211; Assumi a dire\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano), um dos quatro Laborat\u00f3rios Nacionais do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), h\u00e1 duas semanas. Esse \u00e9 um laborat\u00f3rio de reconhecida excel\u00eancia, dedicado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimento em nanotecnologia, passando da ci\u00eancia b\u00e1sica \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Fiquei muito contente e espero poder dar continuidade aos trabalhos dos pesquisadores que estiveram \u00e0 frente do LNNano e que me antecederam, como Daniel Ugarte, Fernando Galembeck e Marcelo Knobel. Esse \u00e9 o laborat\u00f3rio que mant\u00e9m um contrato de gest\u00e3o com o MCTIC integralmente dedicado \u00e0 nanotecnologia.\u00a0 Este tem como uma das suas miss\u00f5es o atendimento aos usu\u00e1rios externos atrav\u00e9s de equipamentos abertos. Como exemplo, o parque de microscopia eletr\u00f4nica e de sondas \u00e9 certamente o mais equipado da Am\u00e9rica Latina. O LNNano \u00e9 o principal executor das pol\u00edticas governamentais na \u00e1rea. Temos uma intensa atividade de pesquisas orientadas por miss\u00e3o <em>in-house<\/em>, com trabalhos de impacto. Atualmente estamos fazendo pequenas reestrutura\u00e7\u00f5es para melhor atender os usu\u00e1rios externos e fortalecer as pesquisas em andamento.<\/p>\n<p>A plataforma nanotecnol\u00f3gica tem angariado recursos consider\u00e1veis em todos pa\u00edses desenvolvidos do mundo. Por exemplo, o governo americano tem colocado anualmente algo da ordem de US$ 1.8 Bi. Infelizmente, no Brasil, temos tido dificuldades mesmo para dar continuidade a programas bem mais modestos. Entretanto, a comunidade tem respondido com muita compet\u00eancia com o desenvolvimento de produtos nanotecnol\u00f3gicos. Hoje, por exemplo, ancoradas no sistema SISNANO, temos cerca de 200 empresas buscando inova\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de Nano; e, em particular, a atua\u00e7\u00e3o do LNNano tem sido de destaque.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o podemos \u00e9 todo ano nos depararmos com cortes or\u00e7ament\u00e1rios em ci\u00eancia e tecnologia. Estamos vivendo um momento muito delicado em nossa economia, com baixo crescimento, mas \u00e9 imperioso preservar as conquistas obtidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas no campo da ci\u00eancia e tecnologia. Os programas na \u00e1rea de pesquisa e desenvolvimento tecnol\u00f3gico devem ser preservados. Pois, quando a crise passar, o pa\u00eds deve estar preparado para continuar crescendo. E, portanto, \u00e9 fundamental continuar gerando novos conhecimentos, buscando a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e formando recursos humanos qualificados. Ou seja, a desacelera\u00e7\u00e3o da economia n\u00e3o deve ser acompanhada com cortes no investimento em pesquisa e desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211;<\/strong><strong>\u00a0\u00a0<\/strong><strong>Deixe uma mensagem para os leitores que est\u00e3o iniciando suas carreiras cient\u00edficas.<\/strong><\/p>\n<p>Adalberto Fazzio: &#8211; O que temos de mais rico em nosso pa\u00eds \u00e9 o capital humano. O Brasil tem uma popula\u00e7\u00e3o grande de jovens que muitas vezes ficam no meio do caminho, em suas carreiras cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas, por n\u00e3o vislumbrarem no horizonte um reconhecimento e um respeito a uma atividade fundamental, que \u00e9 a busca pelo conhecimento. Aqueles que buscam a carreira cient\u00edfica devem ser perseverantes e bastante dedicados aos estudos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde abril deste ano, o Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) \u00e9 dirigido pelo cientista Adalberto Fazzio, 66 anos, natural de Sorocaba. H\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas dedicado a estudar materiais por meio de ferramentas computacionais, Adalberto Fazzio foi pioneiro no Brasil no uso de c\u00e1lculos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[1254,1265,471,105,52,1264,1256,1259,1260,206,1263,1028,44,1257,1255,1261,12,1262,1258,104],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5857"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5857"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5857\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5874,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5857\/revisions\/5874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}