{"id":5783,"date":"2017-04-27T15:34:02","date_gmt":"2017-04-27T18:34:02","guid":{"rendered":"http:\/\/sbpmat.org.br\/?p=5783"},"modified":"2017-05-05T21:45:50","modified_gmt":"2017-05-06T00:45:50","slug":"gente-da-comunidade-entrevista-com-o-pesquisador-angelo-fernando-padilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/gente-da-comunidade-entrevista-com-o-pesquisador-angelo-fernando-padilha\/","title":{"rendered":"Gente da comunidade: entrevista com o pesquisador Angelo Fernando Padilha."},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_5784\" aria-describedby=\"caption-attachment-5784\" style=\"width: 443px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/gente-da-comunidade-entrevista-com-o-pesquisador-angelo-fernando-padilha\/padilha\/\" rel=\"attachment wp-att-5784\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5784\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/padilha.jpg\" alt=\"Prof. Angelo Fernando Padilha (USP).\" width=\"443\" height=\"309\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/padilha.jpg 443w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/padilha-300x209.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 443px) 100vw, 443px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5784\" class=\"wp-caption-text\">Prof. Angelo Fernando Padilha (USP).<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2985086752327431\">Angelo Fernando Padilha<\/a> nasceu no dia 30 de agosto de 1951 em Novo Horizonte, uma pequena cidade do estado de S\u00e3o Paulo. Cursou o ensino prim\u00e1rio e os primeiros anos do secund\u00e1rio (o ent\u00e3o chamado \u201cgin\u00e1sio\u201d) na cidade natal e, aos 16 anos, mudou-se para S\u00e3o Carlos, a uns 170 km de Novo Horizonte, para fazer o \u201ccurso cient\u00edfico\u201d, que abrangia os \u00faltimos tr\u00eas anos do ensino secund\u00e1rio e oferecia ao aluno uma forma\u00e7\u00e3o com \u00eanfase maior do que no \u201ccurso cl\u00e1ssico\u201d nas disciplinas de Matem\u00e1tica, F\u00edsica, Qu\u00edmica e Biologia.<\/p>\n<p>Em 1970, ingressou no curso de gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia de Materiais da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), que acabara de ser criado. Formou-se em 1974. No ano seguinte, realizou uma especializa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia Nucleares da Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (<a href=\"http:\/\/www.cnen.gov.br\/quem-somos\">CNEN<\/a>), oferecida no Instituto de Energia At\u00f4mica (IEA), atual Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (IPEN), na cidade de S\u00e3o Paulo. No mesmo ano, ele come\u00e7ou a trabalhar no IEA com pesquisa e desenvolvimento de materiais para reatores nucleares. Tamb\u00e9m em 1975, Padilha iniciou o mestrado em Engenharia Metal\u00fargica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), o qual concluiu em 1977 com a aprova\u00e7\u00e3o da sua disserta\u00e7\u00e3o sobre recupera\u00e7\u00e3o e recristaliza\u00e7\u00e3o em uma liga de alum\u00ednio.<\/p>\n<p>Em 1978, ainda vinculado ao IEA, iniciou o doutorado em Engenharia Mec\u00e2nica na <em>Universit\u00e4t Karlsruhe<\/em>, atual <em>Karlsruher Institut f\u00fcr Technologie<\/em> (KIT), Alemanha, obtendo o diploma de <em>Doktor-Ingenieur<\/em> em 1981 ap\u00f3s a defesa de sua tese sobre precipita\u00e7\u00e3o em um a\u00e7o inoxid\u00e1vel, utilizado no elemento combust\u00edvel do reator r\u00e1pido regenerador (f<em>ast breeder reactor<\/em>) alem\u00e3o SNR300. No ano seguinte, no <em>Max Planck Institut f\u00fcr Metallforschung<\/em>, na cidade alem\u00e3 de Stuttgart, Padilha fez uma especializa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas meses em Ci\u00eancia dos Materiais na qual estudou diagramas de fases envolvendo metais refrat\u00e1rios.<\/p>\n<p>De 1984 a 1986, al\u00e9m de desenvolver atividades de pesquisa no IPEN, atuou como docente no curso de gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Metal\u00fargica da Universidade Presbiteriana Mackenzie.<\/p>\n<p>De 1987 a 1988, realizou um p\u00f3s-doutorado na <em>Ruhr Universit\u00e4t Bochum<\/em> (RUB), na Alemanha.<\/p>\n<p>Em 1988, depois de passar 13 anos trabalhando no IPEN, Angelo Padilha tornou-se docente do Departamento de Engenharia Metal\u00fargica e de Materiais da Escola Polit\u00e9cnica da USP (EPUSP). Na Polit\u00e9cnica fez a livre-doc\u00eancia em 1989, e, em 1993, foi aprovado em concurso de professor titular.<\/p>\n<p>No ano 1993, voltou \u00e0 RUB, na Alemanha, para realizar uma especializa\u00e7\u00e3o em a\u00e7os inoxid\u00e1veis d\u00faplex. Em 1998, realizou um segundo p\u00f3s-doutorado, na <em>University of Wales Swansea<\/em>, hoje <em>Swansea University<\/em>, no Reino Unido.<\/p>\n<p>De julho de 2011 a novembro de 2015, foi cedido pela USP para exercer cargos diretivos em entidades ligadas ao Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), atualmente de Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC). Nesse per\u00edodo, foi presidente e presidente da comiss\u00e3o deliberativa da CNEN, presidente da Rede Nacional de Fus\u00e3o (criada em 2006 para coordenar e ampliar a pesquisa em fus\u00e3o nuclear no Brasil) e presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o de duas empresas do segmento nuclear vinculadas ao MCTI, a Nuclebr\u00e1s Equipamentos Pesados (<a href=\"http:\/\/www.nuclep.gov.br\/quem-somos\">NUCLEP<\/a>)\u00a0e a Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil (<a href=\"http:\/\/www.inb.gov.br\/pt-br\/A-INB\/Quem-somos\">INB<\/a>). Al\u00e9m disso, foi membro do comit\u00ea de coordena\u00e7\u00e3o dos fundos setoriais e, de 2012 a 2014, membro do conselho t\u00e9cnico-cient\u00edfico do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF).<\/p>\n<p>\u00c9 autor de mais de 100 artigos publicados em peri\u00f3dicos cient\u00edficos indexados e cerca de vinte livros e cap\u00edtulos de livros, como o conhecido livro did\u00e1tico \u201cMateriais de Engenharia\u201d. Sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica conta com, aproximadamente, 2.800 cita\u00e7\u00f5es, segundo o <em>Google Scholar<\/em>. J\u00e1 orientou 25 disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e 24 teses de doutorado.<\/p>\n<p>Ao longo da sua trajet\u00f3ria profissional, Padilha recebeu uma s\u00e9rie de distin\u00e7\u00f5es da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Marinha do Brasil e Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM), entre outras entidades.<\/p>\n<p>Atualmente, Angelo Padilha \u00e9 professor titular da EPUSP, onde ministra disciplinas na gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e desenvolve pesquisas sobre metais. Ele \u00e9 membro titular da Academia de Ci\u00eancias do Estado de S\u00e3o Paulo desde 2012 e bolsista de produtividade do CNPq de n\u00edvel s\u00eanior (n\u00edvel outorgado a cientistas ativos na pesquisa e forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos que tenham sido bolsistas de n\u00edvel 1 A ou B por, no m\u00ednimo, 15 anos). Seu \u00edndice h \u00e9 de 27, de acordo com o <em>Google Scholar<\/em>.<\/p>\n<p>Segue uma entrevista com o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Conte-nos o que o levou a estudar Engenharia de Materiais na primeira turma de Engenharia de Materiais da Am\u00e9rica Latina (UFSCar, 1970-1974) e a se tornar um pesquisador da \u00e1rea.<\/strong><\/p>\n<p>Angelo F. Padilha: &#8211; Durante o curso ginasial, eu j\u00e1 havia decidido ser engenheiro, mas n\u00e3o tinha clareza sobre que modalidade de Engenharia escolheria. Conclu\u00eddo o gin\u00e1sio em minha cidade natal (Novo Horizonte, SP), fui para S\u00e3o Carlos, fazer o curso cient\u00edfico. S\u00e3o Carlos foi essencial para a minha forma\u00e7\u00e3o. A cidade oferecia tudo que um garoto de 16 anos e distante dos pais poderia desejar! No meio estudantil, fervilhavam cultura, debate e rebeldia. Estou falando do in\u00edcio de 1967. O per\u00edodo pior do regime militar iniciado em 1964 ainda estava por vir.<\/p>\n<p>Fui alertado da cria\u00e7\u00e3o de um curso de Engenharia de Materiais em S\u00e3o Carlos por uma tia, que havia lido um artigo ou uma entrevista do professor S\u00e9rgio Mascarenhas no jornal da cidade e ficara impressionada. Foi a primeira vez que ouvi falar desta modalidade de Engenharia. O exame de ingresso foi instigante, muito diferente dos vestibulares da \u00e9poca. Fui muito bem classificado e fiz matr\u00edcula. A primeira turma de Engenharia de Materiais da UFSCar era composta de 50 alunos: 2 garotas e 48 rapazes. A universidade foi instalada em uma fazenda de mais de 200 alqueires, pouco distante da cidade. As instala\u00e7\u00f5es iniciais foram adaptadas. O ambiente era calmo e acolhedor. Hoje, posso avaliar melhor do que podia \u00e0 \u00e9poca e estou convencido de que o curso como um todo foi excelente. Ofereceu-nos uma base cient\u00edfica consistente e moderna. A propor\u00e7\u00e3o de aulas experimentais foi a mais elevada que tenho conhecimento, para um curso de engenharia. Gra\u00e7as \u00e0 base cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica adquirida nos cinco anos de UFSCar, pude aproveitar bem o mestrado em Engenharia Metal\u00fargica na Escola Polit\u00e9cnica e depois o doutorado na faculdade de Engenharia Mec\u00e2nica da Universidade de Karlsruhe. Grande parte da nossa turma fez p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, em universidades de primeira linha do Brasil e do exterior.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Quais s\u00e3o, na sua pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o, as suas principais contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00e1rea de Materiais? Descreva brevemente as contribui\u00e7\u00f5es de mais impacto ou mais destacadas considerando todos os aspectos da atividade cient\u00edfica.<\/strong><\/p>\n<p>Angelo F. Padilha: &#8211; A \u00e1rea de Materiais fez muito mais por mim do que eu fiz por ela. Nunca trabalhei na fronteira do conhecimento, tampouco procurei nichos cient\u00edficos. Procuro utilizar conceitos cient\u00edficos modernos e t\u00e9cnicas experimentais avan\u00e7adas para estudar, entender e aperfei\u00e7oar materiais tradicionais e amplamente utilizados, tais como a\u00e7os e ligas de alum\u00ednio. Por exemplo, meu artigo (em coautoria com Paulo Rangel Rios) mais lido e citado \u00e9 um trabalho de revis\u00e3o, publicado em 2002 e aborda a microestrutura de a\u00e7os inoxid\u00e1veis austen\u00edticos; um material descoberto em 1911 e ainda bastante utilizado.<\/p>\n<p>Encaro como uma obriga\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel escrever livros t\u00e9cnicos em portugu\u00eas. Publiquei meu primeiro livro, sobre t\u00e9cnicas de an\u00e1lise microestrutural, em coautoria com Francisco Ambr\u00f3zio Filho, em 1985. Sinto-me gratificado ao ver meus livros espalhados por v\u00e1rias bibliotecas do pa\u00eds. Embora sejam todos muito simples, s\u00e3o lidos e at\u00e9 citados.<\/p>\n<p>Gosto muito da atividade docente, tive muitas centenas, talvez milhares, de alunos e dezenas de orientados. At\u00e9 hoje sinto prazer em orientar estudantes e em dar aulas de Ci\u00eancia dos Materiais no primeiro ano da Poli e de disciplinas mais espec\u00edficas nos anos finais da gradua\u00e7\u00e3o e na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Considero a intera\u00e7\u00e3o com a ind\u00fastria essencial para um professor e pesquisador da \u00e1rea de Engenharia. Mais da metade dos trabalhos que orientei foram em coopera\u00e7\u00e3o com a ind\u00fastria.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Voc\u00ea tem uma significativa trajet\u00f3ria de pesquisa e gest\u00e3o em institui\u00e7\u00f5es do segmento da energia nuclear. Quais s\u00e3o, na sua vis\u00e3o, os desafios da pesquisa em Materiais para \u00e1rea nuclear?<\/strong><\/p>\n<p>Angelo F. Padilha: &#8211; Meu primeiro emprego como engenheiro foi na \u00e1rea nuclear, na Coordenadoria de Ci\u00eancia e Tecnologia de Materiais (CCTM) do Instituto de Energia At\u00f4mica (IEA), hoje IPEN-CNEN. O grupo foi criado e era liderado pelo Professor Shigueo Watanabe. Era composto de cerca de 50 pessoas, quase todos f\u00edsicos do estado s\u00f3lido. A conviv\u00eancia com eles foi para mim uma escola importante.<\/p>\n<p>As aplica\u00e7\u00f5es da tecnologia nuclear contemplam n\u00e3o apenas a gera\u00e7\u00e3o de energia n\u00facleo-el\u00e9trica, mas tamb\u00e9m numerosas aplica\u00e7\u00f5es na ind\u00fastria, na medicina, na agricultura, al\u00e9m da propuls\u00e3o nuclear. Por exemplo, o n\u00famero de pessoas que j\u00e1 se beneficiaram dos radio-f\u00e1rmacos produzidos no IPEN \u00e9 compar\u00e1vel ao n\u00famero de pessoas que se beneficiam da energia el\u00e9trica gerada pelos reatores instalados em Angra dos Reis.<\/p>\n<p>Quase todos os materiais utilizados na constru\u00e7\u00e3o de um reator nuclear, ou de um submarino de propuls\u00e3o nuclear, ou at\u00e9 mesmo de uma centr\u00edfuga para enriquecimento isot\u00f3pico de ur\u00e2nio s\u00e3o materiais que n\u00e3o foram desenvolvidos para estas aplica\u00e7\u00f5es. Na d\u00e9cada de 1950, quando os norte-americanos constru\u00edram o primeiro reator nuclear para gera\u00e7\u00e3o de energia n\u00facleo-el\u00e9trica e o primeiro submarino de propuls\u00e3o nuclear, em termos de materiais, eles precisaram desenvolver principalmente a tecnologia do ur\u00e2nio e do zirc\u00f4nio. Centenas de outros materiais indispens\u00e1veis para as aplica\u00e7\u00f5es mencionadas j\u00e1 eram dispon\u00edveis ou precisaram t\u00e3o somente de alguma adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, as tecnologias nucleares apresentam algumas caracter\u00edsticas especiais: i) s\u00e3o dominadas por poucos pa\u00edses; ii) muitas delas n\u00e3o podem ser adquiridas no mercado; iii) existe pouca coopera\u00e7\u00e3o internacional, especialmente nas tecnologias nucleares sens\u00edveis; iv) s\u00e3o tecnologias complexas e exigem uma grande quantidade de recursos humanos e econ\u00f4micos para serem desenvolvidas; v) s\u00e3o em geral tecnologias maduras, dominadas e aperfei\u00e7oadas ao longo de d\u00e9cadas. Um pa\u00eds ao dominar uma tecnologia madura, pode rapidamente transform\u00e1-la em vantagem geopol\u00edtica ou econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O Brasil construiu ao longo dos \u00faltimos sessenta anos um programa nuclear que pode ser classificado como um dos dez ou doze mais importantes do planeta. Al\u00e9m disto, temos grandes reservas de ur\u00e2nio. Do ponto de vista de materiais, ainda somos dependentes de importa\u00e7\u00f5es, que frequentemente encontram grandes obst\u00e1culos. Acredito que os maiores desafios e oportunidades na \u00e1rea de materiais para aplica\u00e7\u00f5es nucleares est\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o nacional, nas adapta\u00e7\u00f5es e nos aperfei\u00e7oamentos. \u00c9 mais prov\u00e1vel que as inova\u00e7\u00f5es futuras sejam do tipo incremental do que radical.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Deixe uma mensagem para os leitores que est\u00e3o iniciando suas carreiras cient\u00edficas.<\/strong><\/p>\n<p>Angelo F. Padilha: &#8211; Procure obter uma forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica consistente, o resto ser\u00e1 consequ\u00eancia. Um pesquisador com conhecimentos profundos em disciplinas fundamentais, tais como termodin\u00e2mica, cristalografia e transforma\u00e7\u00e3o de fases ser\u00e1 sempre bem-vindo em qualquer grupo de pesquisa. N\u00e3o desanime ao enfrentar a nossa mastod\u00f4ntica e caolha burocracia.<\/p>\n<p><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Seu nome consta na \u201ccomiss\u00e3o interdisciplinar de materiais\u201d, criada no final do ano 2000 para viabilizar a funda\u00e7\u00e3o da SBPMat. Se poss\u00edvel, compartilhe alguma lembran\u00e7a ou coment\u00e1rio a respeito da sua participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/strong><\/p>\n<p>Angelo F. Padilha: &#8211; Acredito que a SBPMat foi criada no momento certo e com o perfil adequado. Em minha opini\u00e3o, esta \u00e9 a principal raz\u00e3o do seu perdur\u00e1vel sucesso. Todos da \u201cComiss\u00e3o Interdisciplinar de Materiais\u201d contribu\u00edram de alguma forma; uns mais e outros menos. Eu estou certamente entre os que menos contribu\u00edram. Acho que a capacidade de articula\u00e7\u00e3o agregadora do Guillermo Sol\u00f3rzano e a lideran\u00e7a cient\u00edfica do Edgar Zanotto foram decisivas. Tenho orgulho de ter participado da cria\u00e7\u00e3o da SBPMat.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Angelo Fernando Padilha nasceu no dia 30 de agosto de 1951 em Novo Horizonte, uma pequena cidade do estado de S\u00e3o Paulo. 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