{"id":4544,"date":"2016-06-26T23:24:47","date_gmt":"2016-06-27T02:24:47","guid":{"rendered":"http:\/\/sbpmat.org.br\/?p=4544"},"modified":"2016-07-07T17:39:24","modified_gmt":"2016-07-07T20:39:24","slug":"artigo-em-destaque-melhores-nanoaquecedores-para-tratar-o-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/artigo-em-destaque-melhores-nanoaquecedores-para-tratar-o-cancer\/","title":{"rendered":"Artigo em destaque: Melhores nanoaquecedores para tratar o c\u00e2ncer."},"content":{"rendered":"<p>O artigo cient\u00edfico com participa\u00e7\u00e3o de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste m\u00eas \u00e9:<strong> Mean-field and linear regime approach to magnetic hyperthermia of core-shell nanoparticles: can tiny nanostructures fight cancer? <\/strong>Marcus S. Carri\u00e3o, Andris F. Bakuzis.\u00a0Nanoscale, 2016,8, 8363-8377. DOI: 10.1039\/C5NR09093H.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4546\" aria-describedby=\"caption-attachment-4546\" style=\"width: 326px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bakuzis_carriao1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4546  \" title=\"bakuzis_carriao\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bakuzis_carriao1.jpg\" alt=\"\" width=\"326\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bakuzis_carriao1.jpg 678w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bakuzis_carriao1-217x300.jpg 217w\" sizes=\"(max-width: 326px) 100vw, 326px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4546\" class=\"wp-caption-text\">Os autores do artigo da Nanoscale: \u00e0 esquerda de quem olha, o professor Andris Bakuzis e \u00e0 direita, o doutorando Marcus Carri\u00e3o dos Santos.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A hipertermia, enquanto tratamento do c\u00e2ncer, \u00e9 um aumento de temperatura capaz de acionar processos de morte nas c\u00e9lulas tumorais. Uma das vias para gerar essa alta temperatura \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o nos tumores de nanopart\u00edculas que funcionam como aquecedores e, depois de cumprirem com a sua fun\u00e7\u00e3o, s\u00e3o eliminadas pelo organismo. Nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas podem ser utilizadas nesses tratamentos por terem a capacidade de gerar calor quando submetidas a um campo magn\u00e9tico oscilante de intensidade e frequ\u00eancia adequadas.<\/p>\n<p>Um trabalho de nanomedicina (nanotecnologia para uso em medicina) totalmente realizado na Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG)\u00a0sugere uma nova estrat\u00e9gia para o tratamento do c\u00e2ncer por meio de hipertermia: utilizar nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas menores do que as normalmente usadas e compostas por mais de um material, as quais apresentariam uma s\u00e9rie de vantagens para o paciente. Para chegar nessa conclus\u00e3o, os autores da pesquisa desenvolveram um m\u00e9todo te\u00f3rico inovador que aponta caminhos para a fabrica\u00e7\u00e3o de nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas do tipo proposto, otimizadas para a hipertermia. O estudo foi reportado num artigo publicado no prestigiado peri\u00f3dico Nanoscale, assinado pelo doutorando <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2377857407143983\" target=\"_blank\">Marcus Carri\u00e3o dos Santos<\/a>\u00a0e seu orientador <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3477269475651042\" target=\"_blank\">Andris Figueiroa Bakuzis<\/a>, professor do Instituto de F\u00edsica da UFG.<\/p>\n<p>Em geral, tratamentos do c\u00e2ncer por hipertermia utilizam nanopart\u00edculas homog\u00eaneas (feitas de um \u00fanico material) relativamente grandes, da ordem de 20 nm, que s\u00e3o consideradas as mais eficientes na gera\u00e7\u00e3o de calor de acordo com estudos baseados em m\u00e9todos te\u00f3ricos tradicionais. Entretanto, essas nanopart\u00edculas \u201cgrandes\u201d se acumulam rapidamente no f\u00edgado e podem levar v\u00e1rios meses, e at\u00e9 anos, para sair do organismo do paciente em tratamento. Por sua vez, as nanopart\u00edculas menores de 10 nm s\u00e3o eliminadas rapidamente pela urina, diminuindo as possibilidades de intoxica\u00e7\u00e3o e, assim, ampliando as op\u00e7\u00f5es de materiais que podem ser usados para fabric\u00e1-las.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o tamanho das part\u00edculas e a via de excre\u00e7\u00e3o (hep\u00e1tica ou renal) foi uma conclus\u00e3o \u00e0 qual Bakuzis e seus colaboradores chegaram a partir de evid\u00eancias reportadas na literatura cient\u00edfica e de estudos pr\u00e9-cl\u00ednicos (<em>in vivo<\/em>) realizados no contexto de uma <a href=\"http:\/\/redeprocentrooeste.org.br\/network\/view\/id\/5\/rede-01-rede-de-terapias-inovadoras-aplicadas-a-nanomedicina\" target=\"_blank\">rede de pesquisa<\/a>\u00a0multidisciplinar, coordenada por Bakuzis, dedicada a resolver problemas associados \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas para o tratamento do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nanopart\u00edculas menores apresentam melhor distribui\u00e7\u00e3o e penetra\u00e7\u00e3o nos tumores, entre outras vantagens no contexto do tratamento do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Cientes dessas caracter\u00edsticas, Bakuzis e dos Santos pesquisaram a possibilidade de fabricar nanopart\u00edculas de menos de 10 nm que conseguissem gerar calor com efici\u00eancia. Uma importante inspira\u00e7\u00e3o veio de um artigo publicado em 2011 na revista cient\u00edfica Nature Nanotechnology (Nat. Nanotech. 6, 418 (2011)). \u201cNeste artigo os pesquisadores conclu\u00edram experimentalmente que determinadas estruturas\u00a0<em>core-shell<\/em>\u00a0heterog\u00eaneas (feitas de materiais distintos) a base de ferritas do tipo espin\u00e9lio aqueciam de forma mais eficiente que part\u00edculas homog\u00eaneas\u201d, relata o professor Bakuzis.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4549\" aria-describedby=\"caption-attachment-4549\" style=\"width: 485px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/SBPMat_pt.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4549 \" title=\"SBPMat_pt\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/SBPMat_pt.png\" alt=\"\" width=\"485\" height=\"423\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/SBPMat_pt.png 606w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/SBPMat_pt-300x261.png 300w\" sizes=\"(max-width: 485px) 100vw, 485px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4549\" class=\"wp-caption-text\">Este esquema, fornecido pelos autores do artigo, resume o processo de hipertermia por nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas e compara as nanopart\u00edculas convencionais com as propostas pelos pesquisadores da UFG, mostrando as principais vantagens das \u00faltimas para aplica\u00e7\u00e3o em tratamento do c\u00e2ncer por hipertermia.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A dupla de cientistas decidiu ent\u00e3o estudar teoricamente se nanopart\u00edculas de menos de 10 nm formadas por um n\u00facleo de um material e uma casca de outro material poderiam gerar calor de maneira eficiente e como otimiz\u00e1-las para essa fun\u00e7\u00e3o. Entretanto, os m\u00e9todos convencionais dispon\u00edveis para fazer essa modelagem n\u00e3o eram adequados. De fato, eles consideravam a nanopart\u00edcula como uma entidade homog\u00eanea, desprezando o fato de que os \u00e1tomos da superf\u00edcie e os do n\u00facleo respondem diferentemente \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico. Essa omiss\u00e3o tornava-se mais significativa no caso do estudo de part\u00edculas particularmente heterog\u00eaneas como aquelas que a dupla pretendia estudar, motivo pelo qual os pesquisadores de Goi\u00e1s encararam o desenvolvimento de um modelo mais adequado ao objeto de estudo. \u201cNo artigo apresentamos o primeiro modelo anal\u00edtico de hipertermia em nanopart\u00edculas\u00a0<em>core-shell<\/em>\u00a0dentro da teoria de resposta linear e campo m\u00e9dio, e, a partir destes c\u00e1lculos, apontamos importantes propriedades de materiais para alcan\u00e7ar uma gera\u00e7\u00e3o de calor eficiente\u201d, diz Bakuzis.<\/p>\n<p>Os resultados publicados no artigo, obtidos por dois cientistas formados em f\u00edsica, poder\u00e3o ter um impacto significativo num tema do campo da sa\u00fade que preocupa a humanidade, a cura do c\u00e2ncer. \u201cNossos estudos indicam que \u00e9 poss\u00edvel desenvolver part\u00edculas pequenas para o tratamento oncol\u00f3gico que possam ser eliminadas rapidamente do corpo por meio desta rota renal. Em particular, por meio da combina\u00e7\u00e3o de diferentes materiais na nanoestrutura\u201d, resume Bakuzis.<\/p>\n<p>Para trabalhar com impacto nesse tema de interface, Bakuzis est\u00e1 sempre em contato com conhecimento de diversas \u00e1reas. Al\u00e9m de liderar a rede multidisciplinar de nanomedicina que inclui pesquisadores com forma\u00e7\u00e3o em biologia tumoral, gen\u00e9tica, fisiologia, farm\u00e1cia, medicina veterin\u00e1ria, biof\u00edsica, f\u00edsica, f\u00edsica medica e qu\u00edmica, o professor e seu grupo participam ativamente de eventos cient\u00edficos que re\u00fanem diversos profissionais, inclusive m\u00e9dicos com v\u00e1rias especializa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 utilizam a hipertermia em humanos para tratamento do c\u00e2ncer. \u201cEstes contatos cient\u00edficos s\u00e3o fundamentais em \u00e1reas de interface como a que nosso grupo atua\u201d, conclui Bakuzis.<\/p>\n<p>A pesquisa que gerou o artigo na Nanoscale recebeu financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Goi\u00e1s (FAPEG) e foi realizada como parte do trabalho de doutorado de Marcus Carri\u00e3o dos Santos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo cient\u00edfico com participa\u00e7\u00e3o de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste m\u00eas \u00e9: Mean-field and linear regime approach to magnetic hyperthermia of core-shell nanoparticles: can tiny nanostructures fight cancer? 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