{"id":4276,"date":"2016-02-26T17:48:35","date_gmt":"2016-02-26T20:48:35","guid":{"rendered":"http:\/\/sbpmat.org.br\/?p=4276"},"modified":"2016-03-03T17:15:11","modified_gmt":"2016-03-03T20:15:11","slug":"reator-multiproposito-brasileiro-um-laboratorio-nacional-de-neutrons-para-a-comunidade-de-pesquisa-em-materiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/reator-multiproposito-brasileiro-um-laboratorio-nacional-de-neutrons-para-a-comunidade-de-pesquisa-em-materiais\/","title":{"rendered":"Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro: um laborat\u00f3rio nacional de n\u00eautrons para a comunidade de pesquisa em Materiais."},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_4278\" aria-describedby=\"caption-attachment-4278\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/reator-e-labs.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4278 \" title=\"reator e labs\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/reator-e-labs-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/reator-e-labs-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/reator-e-labs-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/reator-e-labs.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4278\" class=\"wp-caption-text\">Pr\u00e9dio do reator e laborat\u00f3rios.<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p>No final de setembro de 2015, no contexto do XIV Encontro da SBPMat, cerca de 40 pesquisadores da \u00e1rea de Materiais participavam de um simp\u00f3sio sobre o Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro (RMB), projeto que est\u00e1 sendo desenvolvido pela Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e que, quando inaugurado em Iper\u00f3 (SP), agregar\u00e1 uma importante ferramenta de pesquisa \u00e0s atuais facilidades de que o Brasil disp\u00f5e.<\/p>\n<p>De fato, o RMB fornecer\u00e1 feixes de n\u00eautrons que, na intera\u00e7\u00e3o com amostras e com a media\u00e7\u00e3o de diversas t\u00e9cnicas experimentais, poder\u00e3o fornecer informa\u00e7\u00f5es \u00fanicas sobre a estrutura dos materiais. Para isso, o projeto RMB prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de laborat\u00f3rios com equipamentos de difratometria (de alta resolu\u00e7\u00e3o, de alta intensidade, Laue, de tens\u00e3o residual); espalhamento de baixo \u00e2ngulo; an\u00e1lise de gamas prontos; espectrometria de tr\u00eas eixos e neutrongrafia, entre outras t\u00e9cnicas. Essa infraestrutura de pesquisa deve constituir um laborat\u00f3rio aberto \u00e0 comunidade cient\u00edfica e funcionando dia e noite, mais de 300 dias por ano: o Laborat\u00f3rio Nacional de N\u00eautrons.<\/p>\n<p>Como seu nome indica, o RMB atender\u00e1 v\u00e1rios objetivos. Al\u00e9m de fornecer feixes de n\u00eautrons para pesquisa cient\u00edfica, ser\u00e1 usado em testes de irradia\u00e7\u00e3o de materiais e combust\u00edveis utilizados em usinas nucleares geradoras de eletricidade e submarinos propulsados por reatores nucleares, por exemplo. O reator tamb\u00e9m ter\u00e1 a importante miss\u00e3o de produzir radiois\u00f3topos e fontes radioativas para a sa\u00fade, ind\u00fastria, agricultura e meio ambiente, substituindo importa\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo gerando exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Entrevista com o coordenador t\u00e9cnico<\/strong><\/p>\n<p>Para explicar com um pouco mais de detalhe o projeto RMB, e, em particular, suas aplica\u00e7\u00f5es na Ci\u00eancia e Tecnologia de Materiais, entrevistamos <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5145935870925351\">Jos\u00e9 Augusto Perrotta<\/a>, coordenador t\u00e9cnico do empreendimento RMB. Mestre em Engenharia Nuclear pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e doutor em Tecnologia Nuclear pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Perrotta trabalha como tecnologista na CNEN desde 1983.<\/p>\n<p><em><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Comente brevemente todas as possibilidades que o futuro RMB oferecer\u00e1 \u00e0 comunidade de Ci\u00eancia e Tecnologia de Materiais. De que maneira os feixes de n\u00eautrons poder\u00e3o ser aproveitados para pesquisa e desenvolvimento nessa \u00e1rea?<\/strong><\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_4279\" aria-describedby=\"caption-attachment-4279\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/produ\u00e7\u00e3o-e-pesquisa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4279 \" title=\"produ\u00e7\u00e3o e pesquisa\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/produ\u00e7\u00e3o-e-pesquisa-1024x655.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/produ\u00e7\u00e3o-e-pesquisa-1024x655.jpg 1024w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/produ\u00e7\u00e3o-e-pesquisa-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/produ\u00e7\u00e3o-e-pesquisa.jpg 1520w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4279\" class=\"wp-caption-text\">N\u00facleo de produ\u00e7\u00e3o e pesquisa.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Jos\u00e9 Perrotta: &#8211; O RMB \u00e9 um empreendimento que possui como parte central um reator nuclear de pesquisa multiprop\u00f3sito e v\u00e1rios laborat\u00f3rios para realizar as pesquisas, servi\u00e7os e produtos propostos.<\/p>\n<p>O reator foi concebido com um alto fluxo de n\u00eautrons para:<\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li>Produzir radiois\u00f3topos na qualidade e quantidade necess\u00e1rias \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es brasileiras;<\/li>\n<li>Ter capacidade de irradiar e testar combust\u00edveis nucleares utilizados nas v\u00e1rias aplica\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es de irradia\u00e7\u00e3o do programa nuclear brasileiro;<\/li>\n<li>Ter capacidade de irradiar materiais com n\u00eautrons e verificar seu desempenho sob irradia\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Ter possibilidade de irradiar amostras para realizar an\u00e1lise qu\u00edmica por ativa\u00e7\u00e3o de n\u00eautrons;<\/li>\n<li>Extrair feixes de n\u00eautrons para pesquisas de estrutura de materiais em v\u00e1rias \u00e1reas de aplica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao item (ii), o reator \u00e9 preparado para receber amostras de combust\u00edveis e circuitos de irradia\u00e7\u00e3o que simulem as condi\u00e7\u00f5es de reatores PWR, ou seja, testar combust\u00edveis dos reatores de pot\u00eancia utilizados ou desenvolvidos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao item (iii), dentro do n\u00facleo do reator existem duas posi\u00e7\u00f5es com alto fluxo de n\u00eautrons para irradia\u00e7\u00e3o de materiais. Nessas posi\u00e7\u00f5es podem ser colocadas amostras em c\u00e1psulas com ambiente (temperatura e meio da inser\u00e7\u00e3o da amostra) controlado. Nessas posi\u00e7\u00f5es podem ser testadas amostras de materiais estruturais e amostras de componentes de reatores de pot\u00eancia utilizados no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O reator e infraestrura do reator (piscinas, c\u00e9lulas quentes e blindagens de transporte) s\u00e3o projetados para atendimento dos dois itens anteriores (ii e iii).<\/p>\n<p>Um Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise P\u00f3s-Irradia\u00e7\u00e3o est\u00e1 projetado com c\u00e9lulas quentes e toda infraestrutura para an\u00e1lises mec\u00e2nicas, f\u00edsicas e de microscopia das amostras irradiadas, tanto para as amostras de combust\u00edveis irradiados quanto de materiais estruturais.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao item (iv), est\u00e1 projetado um laborat\u00f3rio de radioqu\u00edmica e an\u00e1lise por ativa\u00e7\u00e3o. O laborat\u00f3rio \u00e9 conectado ao reator por tubos pneum\u00e1ticos que permitem enviar amostras para irradia\u00e7\u00e3o no reator e traz\u00ea-las de volta ao laborat\u00f3rio para an\u00e1lise. Foram definidas v\u00e1rias posi\u00e7\u00f5es de irradia\u00e7\u00e3o no reator, variando a gama de fluxo de n\u00eautrons em que as irradia\u00e7\u00f5es podem ser realizadas. O laborat\u00f3rio possui c\u00e9lulas quentes para recebimento e manuseio das amostras irradiadas antes de sua destina\u00e7\u00e3o aos equipamentos de an\u00e1lise (radioqu\u00edmica ou espectrometria gama). O laborat\u00f3rio ser\u00e1 gerenciado como um laborat\u00f3rio nacional o que permitir\u00e1 sua utiliza\u00e7\u00e3o pela comunidade cient\u00edfica brasileira.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao item (v), o reator est\u00e1 projetado com um tanque refletor de \u00e1gua pesada que,\u00a0mecanicamente, permite a extra\u00e7\u00e3o de feixe de n\u00eautrons. Esses n\u00eautrons s\u00e3o t\u00e9rmicos e para obter n\u00eautrons frios est\u00e1 projetado um pequeno tanque com deut\u00e9rio a 19 \u00baK (fonte fria). Ser\u00e3o extra\u00eddos n\u00eautrons t\u00e9rmicos em duas posi\u00e7\u00f5es, e n\u00eautrons frios em outras duas posi\u00e7\u00f5es. Cada tubo de extra\u00e7\u00e3o pode conter at\u00e9 tr\u00eas guias de n\u00eautrons. Essas guias conduzir\u00e3o o feixe de n\u00eautrons para posi\u00e7\u00f5es em um sagu\u00e3o de experimentos no pr\u00e9dio do reator, e para um pr\u00e9dio chamado pr\u00e9dio das guias de n\u00eautrons. Nessas guias de n\u00eautrons poder\u00e3o ser acoplados os equipamentos de base cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica para as an\u00e1lises das amostras com o feixe de n\u00eautrons. Existe um tubo de extra\u00e7\u00e3o adicional de n\u00eautrons t\u00e9rmicos para realizar imagens com feixe de n\u00eautrons (neutrongrafia). O sagu\u00e3o de experimentos no pr\u00e9dio do reator e o pr\u00e9dio de guias formar\u00e3o o que denominamos \u201cLaborat\u00f3rio Nacional de N\u00eautrons\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Boletim da SBPMat: &#8211;<\/strong>\u00a0<strong>Haver\u00e1 esta\u00e7\u00f5es experimentais para Ci\u00eancia e Tecnologia de Materiais, an\u00e1logas \u00e0s do LNLS? Quais? Estar\u00e3o abertas a toda a comunidade cient\u00edfica? Operar\u00e3o constantemente enquanto o reator estiver funcionando?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Perrotta: &#8211; As linhas de n\u00eautrons, como mencionado s\u00e3o cinco: tr\u00eas com n\u00eautrons t\u00e9rmicos e 2 com n\u00eautrons frios. Quatro das linhas podem ter at\u00e9 tr\u00eas guias. Nessas guias ser\u00e3o colocados os equipamentos (ou esta\u00e7\u00f5es) experimentais.<\/p>\n<p>As seguintes esta\u00e7\u00f5es podem vir a ser utilizadas no in\u00edcio de opera\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio Nacional de N\u00eautrons (LNN):<\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li>Pr\u00e9dio das Guias de N\u00eautrons.<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>Para n\u00eautrons t\u00e9rmicos: Difrat\u00f4metro de Alta Resolu\u00e7\u00e3o; Difrat\u00f4metro de Alta Intensidade; Difrat\u00f4metro Laue; Difrat\u00f4metro de Tens\u00e3o Residual<\/li>\n<li>Para n\u00eautrons frios: Espalhamento de Baixo \u00c2ngulo; An\u00e1lise de Gamas Prontos<\/li>\n<\/ul>\n<ol start=\"2\">\n<li>Sagu\u00e3o de Experimentos no Pr\u00e9dio do Reator.<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>N\u00eautrons T\u00e9rmicos: Espectr\u00f4metro de Tr\u00eas Eixos; Neutrongrafia<\/li>\n<\/ul>\n<figure id=\"attachment_4297\" aria-describedby=\"caption-attachment-4297\" style=\"width: 237px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tabela-reatores-corrigida.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4297\" title=\"tabela reatores corrigida\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tabela-reatores-corrigida.jpg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tabela-reatores-corrigida.jpg 237w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tabela-reatores-corrigida-151x300.jpg 151w\" sizes=\"(max-width: 237px) 100vw, 237px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4297\" class=\"wp-caption-text\">A tabela apresenta a pot\u00eancia de outros reatores nucleares de pesquisa do mundo. O RMB ter\u00e1 30 MW. Dados fornecidos por Jos\u00e9 Perrotta.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O RMB trar\u00e1 para a comunidade de pesquisa do pa\u00eds um importante laborat\u00f3rio de utiliza\u00e7\u00e3o de feixe de n\u00eautrons. Este laborat\u00f3rio, por suas caracter\u00edsticas t\u00e9cnicas, \u00e9 complementar ao Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), que tamb\u00e9m tem um projeto de grande vulto que \u00e9 o Sirius. \u00c9 proposta do empreendimento RMB que o Laborat\u00f3rio de Feixe de N\u00eautrons seja, a exemplo do LNLS, um laborat\u00f3rio nacional. Isto facilitar\u00e1 o acesso da sociedade cient\u00edfica brasileira \u00e0 instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O funcionamento das linhas de n\u00eautrons est\u00e1 associado \u00e0 opera\u00e7\u00e3o do reator. O reator operar\u00e1 24 horas por dia, em ciclos de 25 a 28 dias, de forma a atingir uma disponibilidade superior a 80% do tempo anual (acima de 300 dias em opera\u00e7\u00e3o plena). O LNN poder\u00e1 operar durante todo esse tempo.<\/p>\n<p>Um ponto importante \u00e9 que o LNN ter\u00e1 independ\u00eancia operacional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 opera\u00e7\u00e3o do reator, ou seja, a opera\u00e7\u00e3o do reator oferece o feixe de n\u00eautrons e n\u00e3o interfere na opera\u00e7\u00e3o do LNN.<\/p>\n<p><em><strong>Boletim da SBPMat: &#8211;<\/strong>\u00a0<strong>Do ponto de vista da Ci\u00eancia e Tecnologia dos Materiais, quais ser\u00e3o as vantagens do futuro RMB com rela\u00e7\u00e3o aos demais reatores que atualmente existem no Brasil?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Perrotta: &#8211; O Brasil possui quatro reatores nucleares de pesquisa em opera\u00e7\u00e3o. O mais antigo, e tamb\u00e9m o de maior pot\u00eancia (5 MW), \u00e9 o reator IEA-R1 do Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (IPEN) em S\u00e3o Paulo que foi inaugurado em 1957. Outros dois reatores de pesquisa de baixa pot\u00eancia, o reator IPR-R1 do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN) em Belo Horizonte (100 kW) e o reator Argonauta do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) no Rio de Janeiro (500 W), foram constru\u00eddos na d\u00e9cada de 60. Esses tr\u00eas reatores, de projetos norte-americanos, foram constru\u00eddos dentro dos campi universit\u00e1rios da USP, UFMG, e UFRJ, respectivamente, e originaram os principais institutos de pesquisas nucleares da Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN), os quais se desenvolveram \u00e0 propor\u00e7\u00e3o do tamanho dos reatores e de suas aplica\u00e7\u00f5es. Esses reatores e os institutos da CNEN que cresceram ao seu redor foram fundamentais no desenvolvimento e utiliza\u00e7\u00e3o de tecnologia nuclear que temos hoje no pa\u00eds, e na forma\u00e7\u00e3o dos recursos humanos associados. O quarto reator nuclear de pesquisa, o reator IPEN\/MB-01 localizado no IPEN, \u00e9 uma instala\u00e7\u00e3o do tipo unidade cr\u00edtica (100 W) e foi constru\u00eddo na d\u00e9cada de 80, j\u00e1 com tecnologia nacional, visando o desenvolvimento aut\u00f4nomo da tecnologia para reatores nucleares de pot\u00eancia.<\/p>\n<p>O reator do RMB \u00e9 de 30 MW e possui concep\u00e7\u00e3o e projeto modernos. Os reatores hoje existentes no pa\u00eds n\u00e3o possuem fluxos de n\u00eautrons para garantir opera\u00e7\u00e3o comercial ou caracter\u00edsticas adequadas para uma pesquisa de alto n\u00edvel. Al\u00e9m de ser uma instala\u00e7\u00e3o mais moderna, o fluxo de n\u00eautrons do RMB \u00e9 uma ordem de grandeza superior ao do reator IEA-R1 e possui fun\u00e7\u00f5es que hoje n\u00e3o s\u00e3o atendidas por esse reator. Os outros tr\u00eas reatores s\u00e3o de baix\u00edssimo fluxo de n\u00eautrons.<\/p>\n<p><em><strong>Boletim da SBPMat: &#8211; Voc\u00ea poderia estimar quando ocorreria a inaugura\u00e7\u00e3o do RMB e seus laborat\u00f3rios de pesquisa?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Perrotta: &#8211;\u00a0O empreendimento RMB<strong>\u00a0<\/strong>pode ser executado em um per\u00edodo de 6 a 7 anos. No est\u00e1gio atual de desenvolvimento isto ocorreria em 2022, caso sejam disponibilizados os recursos integrais para o projeto. \u00c9 importante destacar que, al\u00e9m da necessidade de recursos financeiros intensivos para sua realiza\u00e7\u00e3o, o empreendimento, por ter instala\u00e7\u00f5es nucleares e radiativas, requer licen\u00e7as ambientais e nucleares para sua constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o. Isso implica em tempos adicionais para sua implanta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Financiadores e parceiros no desenvolvimento do RMB<\/strong><\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o do projeto do RMB ocorre sob responsabilidade da Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O empreendimento \u00e9 coordenado pela Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN e desenvolvido por meio de seus institutos de pesquisa: Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (IPEN), Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), Centro Regional de Ci\u00eancias Nucleares do Nordeste (CRCN-NE) e Instituto de Radioprote\u00e7\u00e3o e Dosimetria (IRD).<\/p>\n<p>Ao longo das etapas de desenvolvimento do RMB, a CNEN conta e contar\u00e1 com parcerias e contrata\u00e7\u00e3o de empresas nacionais e estrangeiras. Alguns dos parceiros que participaram at\u00e9 o momento: a Marinha do Brasil e o governo do Estado de S\u00e3o Paulo, na cess\u00e3o do terreno onde ser\u00e1 localizado o RMB; o Centro de Tecnologia da Marinha em S\u00e3o Paulo (CTMSP), e a Comiss\u00e3o Nacional de Energia At\u00f4mica (CNEA) da Argentina que desenvolve o reator nuclear de pesquisa RA-10, similar ao RMB, na Argentina. Empresas contratadas: a empresa argentina INVAP, que projetou o reator de pesquisa OPAL da Austr\u00e1lia, e a empresa brasileira Intertechne desenvolveram o projeto b\u00e1sico de engenharia do empreendimento.<\/p>\n<p>Com custo estimado em US$ 500 milh\u00f5es, o RMB \u00e9 patrocinado pelo Governo Federal atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI).<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final de setembro de 2015, no contexto do XIV Encontro da SBPMat, cerca de 40 pesquisadores da \u00e1rea de Materiais participavam de um simp\u00f3sio sobre o Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro (RMB), projeto que est\u00e1 sendo desenvolvido pela Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e que, quando inaugurado em Iper\u00f3 (SP), agregar\u00e1 uma importante ferramenta de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[894,105,889,891,893,886,897,890,896,892,895,887,888,309],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4276"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4276"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4276\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4284,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4276\/revisions\/4284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}