{"id":3768,"date":"2015-09-03T14:00:32","date_gmt":"2015-09-03T17:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/sbpmat.org.br\/?p=3768"},"modified":"2019-06-10T15:48:16","modified_gmt":"2019-06-10T18:48:16","slug":"memorial-lecture-joaquim-da-costa-ribeiro-sera-para-eloisa-biasotto-mano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/memorial-lecture-joaquim-da-costa-ribeiro-sera-para-eloisa-biasotto-mano\/","title":{"rendered":"Memorial Lecture \u201cJoaquim da Costa Ribeiro\u201d ser\u00e1 para Eloisa Biasotto Mano."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/foto-eloisa-mano.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-3789\" title=\"foto eloisa mano\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/foto-eloisa-mano.jpg\" alt=\"\" width=\"492\" height=\"740\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/foto-eloisa-mano.jpg 615w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/foto-eloisa-mano-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 492px) 100vw, 492px\" \/><\/a>Desde 2011, anualmente, a SBPMat outorga uma distin\u00e7\u00e3o a um pesquisador de trajet\u00f3ria destacada na \u00e1rea de Materiais, quem profere uma palestra durante o encontro anual da sociedade. O nome do ato \u00e9 \u201cPalestra memorial<em>\u00a0<\/em>Joaquim da Costa Ribeiro\u201d, em homenagem a esse pioneiro da pesquisa experimental em Materiais no Brasil. Em 2015, esta honraria da SBPMat ser\u00e1 entregue a Eloisa Biasotto Mano, professora em\u00e9rita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante a abertura do <a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/14encontro\/\">XIV Encontro da SBPMat<\/a>, no dia 27 de setembro \u00e0s 19 horas no centro de conven\u00e7\u00f5es SulAm\u00e9rica (Rio de Janeiro). Na ocasi\u00e3o, al\u00e9m de receber a distin\u00e7\u00e3o, a professora Biasotto Mano falar\u00e1 sobre a import\u00e2ncia dos materiais macromoleculares.<\/p>\n<p>Eloisa Biasotto Mano nasceu no dia 24 de outubro de 1924 no Rio de Janeiro.\u00a0 At\u00e9 os 13 anos de idade, ela desconhecia o que era a ci\u00eancia e o trabalho do cientista \u2013 temas ainda pouco presentes no Brasil e pouco acess\u00edveis ao p\u00fablico numa \u00e9poca em que nem a televis\u00e3o existia por aqui. Mas os livros existiam, e Eloisa tinha acesso a muitos deles na gr\u00e1fica onde o tio dela trabalhava como editor. A mo\u00e7a, que era muito s\u00e9ria e respons\u00e1vel, tinha sido incumbida de revisar as provas tipogr\u00e1ficas de obras traduzidas do franc\u00eas. E eis que Eloisa teve que ler \u201cMadame Curie\u201d, uma biografia da cientista nascida na Pol\u00f4nia que tinha ganhado dois pr\u00eamios Nobel, e que falecera poucos anos atr\u00e1s. \u201cAchei t\u00e3o bacana algu\u00e9m se interessar tanto por alguma coisa e ter a vida que ela tinha tido\u201d, lembra Eloisa em entrevista no <a href=\"http:\/\/webtv.ufrj.br\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=1363&amp;Itemid=9\" target=\"_blank\">document\u00e1rio \u201cEloisa Mano\u201d<\/a>. Foi assim que Eloisa descobriu a palavra \u201cqu\u00edmica\u201d e come\u00e7ou a se interessar por essa \u00e1rea do conhecimento.<\/p>\n<div>\n<p>Aos 20 anos de idade, Eloisa Mano ingressou na Escola Nacional de Qu\u00edmica da Universidade do Brasil (UB), atual UFRJ, para realizar os estudos de grado. Estamos falando dos anos de 1940, em que menos de 40% das mulheres (e menos de 50% dos homens) eram alfabetizadas no pa\u00eds. O ensino superior era incipiente; as institui\u00e7\u00f5es podiam ser contadas com os dedos das m\u00e3os. Mas Eloisa formou-se em Qu\u00edmica Industrial em 1947. Em 1955, obteve tamb\u00e9m o diploma do rec\u00e9m-criado curso de Engenharia Qu\u00edmica. Em 1949, ela fez uma especializa\u00e7\u00e3o em tecnologia de borracha no Instituto Nacional de Tecnologia, uma das poucas institui\u00e7\u00f5es que, na \u00e9poca, contava com infraestrutura para pesquisa experimental. Perante seu bom desempenho, foi convidada a permanecer na institui\u00e7\u00e3o como qu\u00edmica tecnologista, o que lhe permitiu adquirir experi\u00eancia em tecnologia de pol\u00edmeros.<\/p>\n<p>Nesse momento, Eloisa j\u00e1 tinha uma forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, mas ela sentia que podia aprender mais. Pensou que deveria existir uma boa op\u00e7\u00e3o fora do Brasil e que ela poderia, de alguma maneira, arrumar os meios para viajar, pois ela n\u00e3o poderia pagar as despesas com recursos pr\u00f3prios. Ent\u00e3o ela bateu \u00e0 porta da Embaixada dos Estados Unidos e foi recebida com uma \u00f3tima not\u00edcia: havia uma bolsa para algu\u00e9m com o perfil dela. Dessa maneira, entre 1956 e 1957, ela conseguiu realizar um treinamento em ci\u00eancia de pol\u00edmeros na Universidade de Illinois, nos EUA, sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor Carl Shipp Marvel \u2013 considerado um grande cientista e um pioneiro na \u00e1rea de Qu\u00edmica Org\u00e2nica\/Pol\u00edmeros.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a experi\u00eancia no exterior, Eloisa voltou \u00e0 Escola Nacional de Qu\u00edmica da UB e passou cerca de cinco anos trabalhando na \u00e1rea de Microbiologia Industrial, tendo o professor Raymundo Augusto de Castro Moniz de Arag\u00e3o como mentor. Arag\u00e3o era um dos incentivadores da cria\u00e7\u00e3o na UB de um instituto de Qu\u00edmica, voltado \u00e0 pesquisa e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, o que aconteceu em 1959. Mais adiante, o professor Arag\u00e3o seria reitor da universidade e ministro da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura do Brasil.<\/p>\n<p>Em 1960, Eloisa Mano obteve o grau de doutora pela UB com uma tese na \u00e1rea de Qu\u00edmica Org\u00e2nica. Em 1962, foi aprovada num concorrido concurso do Instituto de Qu\u00edmica da UB e obteve a c\u00e1tedra de Qu\u00edmica Org\u00e2nica. Nesse mesmo ano, o Instituto de Qu\u00edmica se tornou uma das primeiras institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds a oferecer cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, ao abrir as inscri\u00e7\u00f5es para os mestrados em Qu\u00edmica Org\u00e2nica e Bioqu\u00edmica.<\/p>\n<p>Em 1964, Eloisa saiu novamente do Brasil para seu segundo treinamento em ci\u00eancia de pol\u00edmeros, este na Universidade de Birmingham (Inglaterra), com o Professor J.C. Bevington. No ano seguinte, Eloisa estava de volta ao Brasil e \u00e0 universidade, cujo nome mudara para o atual UFRJ justamente nesse 1965. Em 1968, a professora criou o primeiro grupo de pesquisa em Pol\u00edmeros do Brasil, formado inicialmente por 9 mestrandos orientados por ela, que trabalhavam no campus da Praia Vermelha, no bairro carioca da Urca. O Grupo de Pol\u00edmeros ganhou boa fama e come\u00e7ou a atrair, constantemente, novos membros, mas a infraestrutura edil\u00edcia n\u00e3o acompanhava o crescimento do grupo.<\/p>\n<p>Em 1972, o grupo conseguiu financiamento de \u00f3rg\u00e3os governamentais para a constru\u00e7\u00e3o de um novo pr\u00e9dio, no campus da UFRJ na Ilha do Fund\u00e3o, na Ba\u00eda de Guanabara. O grupo passou ent\u00e3o passou a chamar-se \u201cN\u00facleo Macromolecular\u201d. Eloisa cuidou pessoalmente do projeto do pr\u00e9dio, e continuou cuidando com carinho de seu local de trabalho depois de conclu\u00edda a constru\u00e7\u00e3o, em 1978.<\/p>\n<p>Em 1976, o n\u00facleo foi transformado no Instituto de Macromol\u00e9culas (IMA), e a professora Eloisa se tornou a sua primeira diretora, posi\u00e7\u00e3o que ocupou at\u00e9 sua aposentadoria compuls\u00f3ria, em 1994. Nesse ano, o IMA teve seu nome modificado para Instituto de Macromol\u00e9culas Professora Eloisa Mano. Em 1995 Eloisa foi nomeada professora em\u00e9rita da UFRJ.<\/p>\n<p>Em paralelo a seu trabalho no IMA, a professora Eloisa desenvolveu uma atua\u00e7\u00e3o internacional que contribuiu a internacionalizar o IMA, gerando oportunidades no exterior para os alunos do instituto. Al\u00e9m de fazer parte do comit\u00ea editorial de v\u00e1rios peri\u00f3dicos nacionais e internacionais da \u00e1rea de pol\u00edmeros, Eloisa foi pesquisadora e professora visitante em universidades e institutos de pesquisa da Holanda, Noruega e Espanha (1972), Alemanha (1976), M\u00e9xico e Estados Unidos (1977), Argentina (1978), Jap\u00e3o (1979), Chile (1983), Fran\u00e7a (1989), entre outros.<\/p>\n<p>Em mais de meio s\u00e9culo dedicado \u00e0 pesquisa, Eloisa Mano orientou cerca de 50 trabalhos de mestrado e doutorado, e publicou 17 livros, 4 cap\u00edtulos de livros e mais de 200 artigos em peri\u00f3dicos cient\u00edficos nacionais e internacionais. Nessas publica\u00e7\u00f5es, ela contou com a colabora\u00e7\u00e3o de cerca de 250 coautores.<\/p>\n<p>Sua atua\u00e7\u00e3o foi reconhecida por meio de pr\u00eamios e distin\u00e7\u00f5es por numerosas e diversas entidades, como a <em>American Chemical Society<\/em> (ACS), <em>Society of Plastics Engineers<\/em> (SPE), <em>Society of Polymer Science<\/em>, Sociedade Brasileira de Qu\u00edmica (SBQ), Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Qu\u00edmica (ABQ), Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pol\u00edmeros (ABPol), Conselho Regional de Qu\u00edmica, Prefeitura do Rio de Janeiro, Presid\u00eancia da Rep\u00fablica do Brasil e associa\u00e7\u00f5es empresariais do Rio de Janeiro.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2011, anualmente, a SBPMat outorga uma distin\u00e7\u00e3o a um pesquisador de trajet\u00f3ria destacada na \u00e1rea de Materiais, quem profere uma palestra durante o encontro anual da sociedade. 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