{"id":2361,"date":"2014-06-30T14:34:16","date_gmt":"2014-06-30T17:34:16","guid":{"rendered":"http:\/\/sbpmat.org.br\/?p=2361"},"modified":"2016-11-28T01:36:01","modified_gmt":"2016-11-28T04:36:01","slug":"gente-da-nossa-comunidade-entrevista-com-victor-carlos-pandolfelli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/pt\/gente-da-nossa-comunidade-entrevista-com-victor-carlos-pandolfelli\/","title":{"rendered":"Gente da nossa comunidade: Entrevista com Victor Carlos Pandolfelli."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Foto-Pandolfelli.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-2362\" title=\"Foto - Pandolfelli\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Foto-Pandolfelli.jpg\" alt=\"\" width=\"397\" height=\"596\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Foto-Pandolfelli.jpg 567w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Foto-Pandolfelli-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 397px) 100vw, 397px\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7369376873984839\" target=\"_blank\">Victor Carlos Pandolfelli<\/a>, professor titular do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (DEMa \u2013 UFSCar), foi empossado como membro do <em>advisory board<\/em> \u00a0da <em>World Academy of Ceramics<\/em> (<a href=\"http:\/\/www.waceramics.org\/general.shtml\" target=\"_blank\">WAC<\/a>) em cerim\u00f4nia realizada no dia 11 de junho em Montecatini Termi (It\u00e1lia), durante a <em>International Conference on Modern Materials and Technologies<\/em> (CIMTEC). Na ocasi\u00e3o tamb\u00e9m foi realizada a primeira reuni\u00e3o do <em>advisory board<\/em>. Eleito para o mandato 2014 &#8211; 2018, Pandolfelli \u00e9 um dos dois representantes das Am\u00e9ricas no per\u00edodo, junto a um pesquisador dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Graduado em Engenharia de Materiais pelo DEMa &#8211; UFSCar (1979), Victor Carlos Pandolfelli vem pesquisando temas da \u00e1rea de materiais cer\u00e2micos desde os tempos de seu mestrado, defendido em 1984 no DEMa-UFSCar. Foi tamb\u00e9m nessa \u00e1rea a pesquisa de seu doutorado na <em>University of Leeds<\/em> (Reino Unido), conclu\u00eddo em 1989, e do est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado realizado de 1996 a 1997 na <em>\u00c9cole Polytechnique de Montreal<\/em>, no Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Pandolfelli \u00e9 membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias e fellow da <em>American Ceramic Society<\/em>, al\u00e9m de membro da WAC. Participa ou participou do comit\u00ea editorial das revistas <em>Interceram<\/em>, <em>Refractories Manual <\/em>e <em>Refractories World Forum<\/em> (Alemanha), <em>Materials Research<\/em>, Revista Cer\u00e2mica e <em>Journal of Materials Research and Technology<\/em> (Brasil), <em>China&#8217;s Refractories<\/em> (China), <em>Cer\u00e1mica y Vidrio<\/em> (Espanha), <em>Refractory Applications<\/em>, <em>Refractories Applications Transactions<\/em> e <em>American Ceramic Society Bulletin<\/em> (EUA), e <em>Ceramics International<\/em> (It\u00e1lia).<\/p>\n<p>\u00c9 professor visitante da <em>Wuhan University of Science and Technology<\/em> (China) e coordenador latino-americano da <em>Federation for International Refractories Research and Education<\/em> (<a href=\"http:\/\/www.fire.polymtl.ca\/about\/\" target=\"_blank\">FIRE<\/a>) uma organiza\u00e7\u00e3o que envolve universidades em diferentes pa\u00edses e empresas l\u00edderes na \u00e1rea de refrat\u00e1rios. Desde 1993, coordena o Laborat\u00f3rio ALCOA (Aluminum Company of America) na UFSCar.<\/p>\n<p>Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq &#8211; n\u00edvel 1 A, \u00e9 coautor de mais de 400 trabalhos publicados em revistas com \u00e1rbitro, um livro e oito patentes depositadas. Orientou 50 mestrados e 16 doutorados. Muitos trabalhos desenvolvidos por ele ou com sua orienta\u00e7\u00e3o foram distinguidos em premia\u00e7\u00f5es promovidas por entidades como a <em>German Ceramic Society<\/em> (Alemanha), <em>Technical Association of Refractories of Japan<\/em>, <em>American Ceramic Society<\/em>, Petrobras, Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias, Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alum\u00ednio, Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cer\u00e2mica, Alcoa Aluminio S.A., Magnesita S.A. e ABM, entre outras. Em suas atividades profissionais, interagiu com 380 colaboradores em coautorias de trabalhos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Segue nossa entrevista com o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Conte-nos um pouco sobre sua hist\u00f3ria: o que o levou a se tornar um cientista e a trabalhar na \u00e1rea de materiais cer\u00e2micos?<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro aspecto que gostaria de ressaltar \u00e9 que a vida \u00e9 feita por escolhas que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o bem l\u00f3gicas nem planejadas. Na verdade eu fiz Engenharia de Materiais e, a princ\u00edpio, pensava em trabalhar na \u00e1rea de metais, mas durante meu est\u00e1gio curricular em uma empresa durante a gradua\u00e7\u00e3o, tive que atender uma demanda em materiais cer\u00e2micos. Sendo assim, me formei tanto com especialidade em metais quanto em materiais cer\u00e2micos. Em uma \u00e9poca em que a ind\u00fastria oferecia mais empregos e melhores sal\u00e1rios, desconsiderei este cen\u00e1rio e resolvi fazer mestrado em cer\u00e2mica no rec\u00e9m-criado programa de Engenharia de Materiais da UFSCar. Logo depois que eu entrei no mestrado, surgiu um concurso de professor na UFSCar. Eu prestei, fui aprovado e a\u00ed a minha vida se tornou realmente dedicada a materiais cer\u00e2micos.<\/p>\n<p>O ponto de virada profissional em termos de avan\u00e7os aconteceu com o doutorado e p\u00f3s-doutorado no exterior, quando a rede de contatos aumentou tremendamente, assim como a visibilidade do trabalho que estava coordenando. Outro aspecto que colaborou muito \u00e9 que, desde o in\u00edcio, eu me empenhei em fazer projetos com empresas, os quais me ensinaram a fazer uma pesquisa que eu considero \u201cpesquisa b\u00e1sica inspirada no uso\u201d. Com isso, pude conciliar muito bem os fundamentos aprendidos e desenvolvidos na universidade com as necessidades da ind\u00fastria, e tamb\u00e9m criar oportunidades para que os alunos pudessem realizar est\u00e1gios e a gerar empregos.<\/p>\n<p>Essa \u201cpesquisa b\u00e1sica inspirada no uso\u201d \u00e9 uma via de duas m\u00e3os que est\u00e3o continuamente interagindo entre si para criar uma ponte s\u00f3lida entre a universidade e \u00a0a ind\u00fastria. N\u00f3s, pesquisadores, precisamos entender as necessidades da ind\u00fastria e usar as ferramentas que temos na universidade em pesquisa e fundamenta\u00e7\u00e3o para podermos auxiliar a empresa a resolver problemas reais. Muitas vezes, \u00e9 atrav\u00e9s de um problema real que n\u00f3s somos motivados a entender os fundamentos, e a partir desses, \u00a0visualizarmos novas oportunidades de aplica\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de tecnologia.<\/p>\n<p>Esse caminho que escolhi possibilitou que hoje eu participe da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Materiais Cer\u00e2micos para Alta Temperatura, a FIRE, que \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que re\u00fane onze universidades ao redor do mundo e dezessete empresas do setor. O objetivo da FIRE \u00e9 investir na forma\u00e7\u00e3o de alunos em n\u00edvel de mestrado e doutorado, dando suporte financeiro para que eles passem de seis meses a um ano em universidades ou empresas filiadas e, dessa maneira, tenham uma viv\u00eancia internacional e possam aplicar ou complementar seus conhecimentos na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Sendo assim, a minha vida como pesquisador de materiais cer\u00e2micos come\u00e7ou mais acidentalmente, e hoje, na verdade, ela \u00e9 em engenharia de sistemas complexos, visto que, atualmente, nenhum material \u00e9 apenas definido por uma \u00fanica \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o, na sua pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o, as suas principais contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00e1rea de Materiais? <\/strong><\/p>\n<p>Desde que me tornei professor universit\u00e1rio, meu projeto na \u00e1rea profissional sempre foi estabelecer tr\u00eas pilares, os quais se retroalimentam e s\u00e3o os fundamentos de tudo que eu fa\u00e7o: o ensino, a pesquisa e a parceria industrial. Esse ciclo \u00e9 vital para que, atrav\u00e9s do ensino, eu tenha contato com os bons alunos, tenha oportunidade de convida-los para realizar pesquisas e que possam posteriormente servir a ind\u00fastria nacional e internacional ou a academia. S\u00f3 atrav\u00e9s de uma boa parceria que n\u00f3s detectamos as necessidades da ind\u00fastria e podemos ilustrar nosso ensino por meio da aplica\u00e7\u00e3o dos fundamentos, de forma que n\u00e3o fiquem \u00e1ridos e possam ser recheados com as necessidades da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Na parte de ensino, com certeza a forma\u00e7\u00e3o de pessoas que est\u00e3o na \u00e1rea acad\u00eamica e industrial desenvolvendo \u00f3timos trabalhos seria o ponto fundamental da minha contribui\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o. Como diz a tradi\u00e7\u00e3o, um bom professor \u00e9 avaliado pelo n\u00famero de pessoas que formou e s\u00e3o melhores que ele. Felizmente, hoje tenho alunos que est\u00e3o muito bem empregados, tanto na \u00e1rea de pesquisa, quanto na de ensino, quanto nas empresas &#8211; o que mostra que a contribui\u00e7\u00e3o gerou frutos.<\/p>\n<p>Na parte de pesquisa, o aspecto principal na minha auto-avalia\u00e7\u00e3o foi a sele\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea complexa para ser desenvolvida, com grande oportunidade de aprofundar e testar os conhecimentos. Quando eu fiz meu doutorado em cer\u00e2micas avan\u00e7adas senti, ao voltar ao Brasil, muita dificuldade em tornar esse assunto uma \u00e1rea de pesquisa. No entanto, os conhecimentos embutidos poderiam ser facilmente transportados para outras necessidades do pa\u00eds. Foi ali que eu visualizei que o que eu tinha aprendido poderia ser muito \u00fatil para a ind\u00fastria de a\u00e7o, metalurgia, alum\u00ednio e materiais para alta temperatura. Ent\u00e3o, eu\u00a0 adaptei os conhecimentos para a realidade local em vez de tentar trazer o estudo internacional para uma aplica\u00e7\u00e3o direta no Brasil em cer\u00e2micas avan\u00e7adas, a qual at\u00e9 hoje tem um mercado incipiente. Dentro desse cen\u00e1rio, a minha pesquisa procurou entender as etapas do ciclo produtivo dos materiais para alta temperatura. Eu defini uma estrat\u00e9gia de, a cada quatro ou cinco anos, me dedicar a um dos t\u00f3picos que envolve o ciclo produtivo e de entendimento desses materiais. Isso fez que, ao longo de mais de 20 anos trabalhando na \u00e1rea, tivesse conhecimento de todo o ciclo, e n\u00e3o apenas de informa\u00e7\u00f5es coletadas da literatura. Como resultado, estamos escrevendo um livro que ser\u00e1 publicado at\u00e9 o final do ano em ingl\u00eas por uma editora alem\u00e3, recheado com os resultados das pesquisas que n\u00f3s realizamos envolvendo desde as mat\u00e9rias primas, processamento, at\u00e9 as propriedades e as simula\u00e7\u00f5es, dando uma vis\u00e3o muito clara e profunda da engenharia de microestruturas em materiais cer\u00e2micos para alta temperatura.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de parcerias industriais, que \u00e9 o terceiro pilar, diria que n\u00e3o tem forma de se fazer engenharia s\u00f3 no laborat\u00f3rio. Precisamos saber como o mercado atua, precisamos aprender a colocar prazos, a expor o conhecimento ao teste industrial, entender que o material \u00e9 apenas um item do todo. Isso, eu devo muito \u00e0s minhas parcerias industriais que sempre me acompanharam, desde que eu terminei o doutorado. N\u00f3s temos parcerias que j\u00e1 duram 24 anos cont\u00ednuos, como \u00e9 o caso da Alcoa alum\u00ednio, na qual v\u00e1rias pessoas foram formadas em n\u00edvel de mestrado e doutorado, sendo alguns\u00a0 funcion\u00e1rios da empresa. V\u00e1rias outras ind\u00fastrias nacionais e internacionais tamb\u00e9m contribu\u00edram para gerar este ambiente de pesquisa b\u00e1sica inspirada no uso. Temos fortes parcerias com a Petrobras, com a Magnesita, que \u00e9 uma empresa para cer\u00e2micas para alta temperatura, com a FIRE, etc. Dessa forma, grande parte dos recursos \u00a0e oportunidades do grupo hoje s\u00e3o provenientes de parcerias industriais ou de federa\u00e7\u00f5es que trabalham nessa ponte empresa-universidade.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o, na sua opini\u00e3o, os principais desafios atuais para a Ci\u00eancia e Engenharia de Materiais?<\/strong><\/p>\n<p>Eu ressaltaria dois grandes desafios. Um seria o projeto\u00a0 \u201cgenoma dos materiais\u201d. Com a necessidade de reduzir os tempos e custos de pesquisa, cada vez mais \u00e9 necess\u00e1rio criar uma base de conhecimento que possa por meio de simula\u00e7\u00f5es minimizar o tempo de experimenta\u00e7\u00e3o laboratorial e chegar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel ao resultado desejado.\u00a0 Esse \u201cgenoma dos materiais\u201d consistiria em detectar o seu DNA e tentar,\u00a0 associando ferramentas computacionais, chegar cada vez mais r\u00e1pido ao conceito de novos materiais ainda n\u00e3o imaginados pela tecnologia atual. Ent\u00e3o eu visualizo que o laborat\u00f3rio de materiais do futuro ter\u00e1 menos equipamentos, equipes multidisciplinares e mais computadores de alta velocidade de processamento, os quais dar\u00e3o uma ideia mais objetiva do que fazer no laborat\u00f3rio para se chegar aos novos materiais.<\/p>\n<p>Outro grande desafio \u00e9 a impress\u00e3o 3D, que comp\u00f5e a classe conhecida como <em>additive manufacturing<\/em>, a qual tem despontado com uma for\u00e7a tremenda, visto que as empresas t\u00eam percebido que o custo da m\u00e3o de obra nos pa\u00edses em desenvolvimento j\u00e1 est\u00e1 muito caro. Numa primeira inst\u00e2ncia, as ind\u00fastrias em pa\u00edses desenvolvidos come\u00e7aram a perceber que os produtos manufaturados ficariam n\u00e3o competitivos se fabricados em outros locais. Ent\u00e3o, numa primeira onda, levaram a produ\u00e7\u00e3o para pa\u00edses em desenvolvimento. Mas ao longo do tempo o ambiente mudou, e em pa\u00edses como a China e o Brasil a m\u00e3o de obra est\u00e1 come\u00e7ando a ficar muito cara. Associado a isto a legisla\u00e7\u00e3o que rege a exporta\u00e7\u00e3o e as suas respectivas taxas s\u00f3 agravam este cen\u00e1rio. Ent\u00e3o, pa\u00edses como Alemanha e Estados Unidos est\u00e3o voltando a produzir em casa utilizando um processo totalmente automatizado por meio da impress\u00e3o 3D, que se assemelha a uma impressora comum, s\u00f3 que, ao inv\u00e9s de imprimir X Y, imprime X Y Z e, ao inv\u00e9s de usar tinta, usa materiais. Esta impress\u00e3o 3D est\u00e1 simplesmente revolucionando todo o mercado visto que hoje j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel se ter uma impressora de materiais em casa e fazer o <em>build yourself<\/em> de joias, brinquedos, etc . Adicionalmente, j\u00e1 se est\u00e1 fazendo a parte de implantes, utilizando as pr\u00f3prias c\u00e9lulas-tronco como elemento para cria\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os em impress\u00e3o 3D.<\/p>\n<p>Com essa t\u00e9cnica, associada ao primeiro item que citei, a simula\u00e7\u00e3o, teremos novos materiais, incapazes de serem produzidos pelo processamento tradicional. Essa ideia que estou colocando para voc\u00ea foi a que eu levei para a minha primeira reuni\u00e3o do <em>advisory board<\/em> da WAC. Ela foi t\u00e3o bem recebida pelo comit\u00ea que se tornou o tema do f\u00f3rum fechado aos membros da academia daqui a dois anos, que congregar\u00e1 os melhores pesquisadores e empresas do mundo que est\u00e3o se dedicando a essa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Outro ponto interessante para complementar \u00e9 que n\u00f3s estamos vivenciando o momento da Engenharia de Sistemas Complexos. N\u00e3o se fala mais em \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o. O que n\u00f3s precisamos mais do que nunca \u00e9 a soma do conhecimento das diversas \u00e1reas. Por exemplo, nessa \u00e1rea de materiais impressos tridimensionalmente, n\u00e3o basta apenas ter o equipamento. N\u00f3s precisamos ter programadores de computa\u00e7\u00e3o, engenheiros mec\u00e2nicos, de produ\u00e7\u00e3o, de materiais, qu\u00edmicos, f\u00edsicos, bi\u00f3logos, gestores, todos trabalhando em sintonia, pois n\u00e3o estamos mais falando de conhecimentos que uma \u00fanica pessoa seja capaz de deter.<\/p>\n<p><strong>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, de que maneira voc\u00ea construiu o reconhecimento da comunidade internacional de pesquisa em cer\u00e2mica explicitado, por exemplo, na sua elei\u00e7\u00e3o como membro do <em>advisory board<\/em> da WAC?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acrescentaria ao que j\u00e1 foi dito que toda conquista \u00e9 um trabalho em equipe. S\u00e3o 34 anos de trabalho intenso em parcerias nacionais e internacionais, com ind\u00fastrias e ag\u00eancias de fomento. Acredito que a formula padr\u00e3o para se conseguir alguma coisa \u00e9: trabalho em equipe, persist\u00eancia, se associar ao que h\u00e1 de melhor e se expor nacional e internacionalmente.<\/p>\n<p><strong>Deixe uma mensagem para nossos leitores que est\u00e3o iniciando suas carreiras de cientistas.<\/strong><\/p>\n<p>Minha resposta ter\u00e1 componentes tradicionais e outros n\u00e3o t\u00e3o convencionais. A sugest\u00e3o tradicional \u00e9 amplamente conhecida: energia e dedica\u00e7\u00e3o, trabalho e suor. A parte n\u00e3o tradicional \u00e9 n\u00e3o confundir as oportunidades que se tem hoje com as facilidades da vida. A vida n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A vida profissional \u00e9 cheia de desafios e as oportunidades atuais v\u00eam tornar a competi\u00e7\u00e3o ainda mais acirrada. Agora a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 global. Em qualquer lugar do mundo pode se fazer o que eu estou desenvolvendo no meu laborat\u00f3rio. Adicionalmente, todo jovem deve ficar muito atento que as empresas e as ag\u00eancias de financiamento v\u00e3o buscar quem possa fazer melhor, da forma mais r\u00e1pida e barata trazendo maior retorno para a sociedade.<\/p>\n<p>Um ponto que eu gostaria de enfatizar \u00e9 que o mundo real n\u00e3o \u00e9 o Facebook, e que as conquistas s\u00e3o obtidas por muitas batalhas e muitas derrotas. N\u00e3o existe esse universo virtual em que estamos sempre com pessoas famosas, desfrutando de vit\u00f3rias e participando de festas.<\/p>\n<p>Outro aspecto \u00e9 que, devido \u00e0s muitas oportunidades que se tem hoje, o jovem pega uma j\u00e1 olhando para outra, e n\u00e3o faz bem nenhuma delas. Em vez de se prender a um galho, est\u00e1 sempre pensando em pular para outro. Tem que tomar muito cuidado. Fa\u00e7a ao menos uma atividade bem feita de cada vez. Se estiver fazendo o mestrado, tenha uma boa produtividade, gere uma cadeia de relacionamentos e depois mude de assunto, se for o caso. As comunidades cient\u00edficas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o grandes como a gente pensa.\u00a0 Precisamos fazer, desde o princ\u00edpio, um trabalho muito bom, de muita qualidade e com muito respeito ao grupo no qual se participa. O mundo d\u00e1 volta muito r\u00e1pido e, num futuro n\u00e3o distante, essas mesmas pessoas v\u00e3o lhe abrir ou fechar as portas. Na vida profissional, at\u00e9 certo degrau, n\u00f3s podemos subir pelas pr\u00f3prias compet\u00eancias, mas depois precisamos fortemente da inser\u00e7\u00e3o da comunidade nacional e internacional. A\u00ed pode ser que eu precise das pessoas que eu deixei uma m\u00e1 impress\u00e3o.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Victor Carlos Pandolfelli, professor titular do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (DEMa \u2013 UFSCar), foi empossado como membro do advisory board \u00a0da World Academy of Ceramics (WAC) em cerim\u00f4nia realizada no dia 11 de junho em Montecatini Termi (It\u00e1lia), durante a International Conference on Modern Materials and Technologies (CIMTEC). 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