{"id":1869,"date":"2013-11-28T10:54:56","date_gmt":"2013-11-28T13:54:56","guid":{"rendered":"http:\/\/sbpmat.org.br\/?p=1869"},"modified":"2021-06-24T18:29:10","modified_gmt":"2021-06-24T21:29:10","slug":"historia-da-sbpmat-guillermo-solorzano-lider-do-processo-de-criacao-da-sbpmat-compartilha-lembrancas-sobre-esses-primordios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/en\/historia-da-sbpmat-guillermo-solorzano-lider-do-processo-de-criacao-da-sbpmat-compartilha-lembrancas-sobre-esses-primordios\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da SBPMat: Guillermo Sol\u00f3rzano, l\u00edder do processo de cria\u00e7\u00e3o da SBPMat, compartilha lembran\u00e7as sobre esses prim\u00f3rdios."},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Nascido no Equador, <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2026158191882621\" target=\"_blank\">Ivan Guillermo Sol\u00f3rzano-Naranjo<\/a> desenvolveu sua forma\u00e7\u00e3o e carreira cient\u00edfica em v\u00e1rios lugares do mundo. \u00a0Cursou Engenharia Mec\u00e2nica na <em>Escuela Politecnica Nacional <\/em>em Quito, Equador, Engenharia Metal\u00fargica na <em>Universit\u00e9 Catholique de Louvain<\/em>, na B\u00e9lgica, e gradou-se pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) no Brasil. Realizou seu mestrado em Engenharia Metal\u00fargica e de Materiais tamb\u00e9m na PUC-Rio e doutorou-se em Ci\u00eancia de Materiais pela <em>McMaster University<\/em>, no Canad\u00e1. Desenvolveu pesquisas de p\u00f3s-doutorado no <em>Max-Planck Institute \u2013 campus Sttutgart<\/em>, na Alemanha, e foi professor visitante no <em>Institut National Politechnique<\/em> de Grenoble (Fran\u00e7a), no <em>Massachusetts Institute of Technology <\/em>(MIT) e na <em>Stanford University<\/em> (EUA). \u00c9 professor no Departamento de Ci\u00eancia de Materiais e Metalurgia da PUC-Rio.<\/p>\n<p>Entrevistado aqui por seu ter sido um dos principais participantes do processo de cria\u00e7\u00e3o da SBPMat, Sol\u00f3rzano presidiu nossa sociedade enquanto presidente fundador de 2001 a 2003 e hoje \u00e9 um de seus conselheiros titulares.\u00a0 O pesquisador foi tamb\u00e9m presidente do<em> Inter American Committee of Societies For Electron Microscopy<\/em> (CIASEM) e da Sociedade Brasileira de Microscopia e Microan\u00e1lise (SBMM). \u00c9 chairman <em>do International Committee<\/em> da Materials Research Society (MRS) e membro de diversas comiss\u00f5es executivas internacionais, assim como de comit\u00eas editoriais de revistas cient\u00edficas internacionais, como a <em>Materials Characterization<\/em> (Elsevier) <em>Journal of Materials Science<\/em> (Springer) e <em>Microscopy and Microanalysis<\/em> (Cambridge University Press).<\/p>\n<p>Veja a seguir as lembran\u00e7as de Guillermo Sol\u00f3rzano sobre os prim\u00f3rdios do processo de cria\u00e7\u00e3o da SBPMat, complementando a <a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/historia-da-sbpmat-concepcao-e-gestacao\/\" target=\"_blank\">mat\u00e9ria<\/a>\u00a0j\u00e1 publicada sobre o tema, da qual n\u00e3o p\u00f4de participar por problemas de agenda.<\/p>\n<p><em><strong>Boletim da SBPMat (B. SBPMat):<\/strong> &#8211; O que o levou, no in\u00edcio do ano 2000, a iniciar os esfor\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o para criar uma sociedade brasileira de pesquisa em Materiais?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_1820\" aria-describedby=\"caption-attachment-1820\" style=\"width: 448px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/workshop-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1820 \" title=\"workshop 1\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/workshop-1.jpg\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/workshop-1.jpg 640w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/workshop-1-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1820\" class=\"wp-caption-text\">Participantes do workshop panamericano, que foi um marco no processo que levou \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da SBPMat. (Foto do arquivo pessoal de Guillermo Sol\u00f3rzano)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Guillermo Sol\u00f3rzano (G.S.):<\/strong> &#8211; No ano 1999, havia no Brasil comunidades e\/ou sociedades e\/ou eventos setoriais ou monodisciplinares. Tinha a dos f\u00edsicos, a dos qu\u00edmicos, a dos engenheiros. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Metalurgia (ABM), por exemplo, que nos anos de 1990 acrescentou a seu nome \u201ce de Materiais\u201d, congregava engenheiros, principalmente metal\u00fargicos, mas tinha muito pouca participa\u00e7\u00e3o de f\u00edsicos, qu\u00edmicos e outros engenheiros, como os eletr\u00f4nicos, por exemplo. Por outro lado, havia associa\u00e7\u00f5es monodisciplinares, como a de pol\u00edmeros e de materiais cer\u00e2micos. Muitas sociedades t\u00eam o m\u00e9rito de sua exist\u00eancia no fato de serem setoriais, mas a \u00e1rea de Materiais \u00e9 abrangente, interdisciplinar e ampla. Isso j\u00e1 se notava nos anos 1980, e agora \u00e9 muito evidente. Na \u00e9poca, era a MRS (<em>Materials Research Society<\/em>) nos EUA a entidade que reunia em seus eventos os \u00faltimos avan\u00e7os da pesquisa em Materiais. Nos dois eventos anuais da sociedade, um em San Francisco e um em Boston, voc\u00ea sempre encontrava brasileiros.<\/p>\n<p>Eu fiquei no MIT (<em>Massachusetts Institute of Technology<\/em>) alguns anos, em Boston. Pude participar desses eventos e achava muito importante implantar esse tipo de atividade aqui no Brasil. Eu j\u00e1 era professor da PUC-Rio e achava dif\u00edcil me engajar numa iniciativa dessas que consome muito tempo e esfor\u00e7o. Mas houve uma ocasi\u00e3o em que a <em>National Science Foundation<\/em> prop\u00f4s para o a MRS e o CNPq a realiza\u00e7\u00e3o no Brasil de um <a href=\"http:\/\/www.nsf.gov\/pubs\/2002\/nsf02068\/nsf02068_4.pdf\" target=\"_blank\">workshop pan-americano<\/a> que seria dedicado aos avan\u00e7os da pesquisa em Materiais. Via-se que, atrav\u00e9s da pesquisa em Materiais, ia se atingir v\u00e1rios setores estrat\u00e9gicos da sociedade, n\u00e3o apenas para o desenvolvimento econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m para o social, j\u00e1 que as transforma\u00e7\u00f5es da sociedade dependem de energia, infraestrutura, comunica\u00e7\u00f5es \u2013 setores em que os materiais s\u00e3o fundamentais. Em 1995, tinha havido uma reuni\u00e3o desse tipo no M\u00e9xico, reunindo os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Norte, e em 1996, um workshop europeu. No Brasil aconteceria a terceira etapa desta iniciativa, a qual reuniria os pa\u00edses do continente americano.<\/p>\n<p>J\u00e1 tinha havido algumas miss\u00f5es da NSF no Brasil que tinham encontrado grupos de pesquisa em Campinas, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, notando que existia uma comunidade importante no Brasil. Ent\u00e3o, ao ser contatado, o CNPq acolheu essa iniciativa importante e decidiu fazer esse workshop no Rio de Janeiro. A\u00ed, naturalmente, surgiu a quest\u00e3o de contatar a sociedade de materiais do Brasil, mas&#8230; n\u00e3o t\u00ednhamos tal sociedade! Assim, para atingir toda essa comunidade, algu\u00e9m teria que coordenar o esfor\u00e7o. O CNPq me pediu que eu coordenasse o evento e eu convidei o Edgar Dutra Zanotto.<\/p>\n<p>Esse workshop visou avan\u00e7ar a colabora\u00e7\u00e3o pan- americana criando mesas de discuss\u00e3o de alto n\u00edvel em t\u00f3picos que na \u00e9poca eram, e ainda s\u00e3o, chave: energia, infraestrutura, transporte, comunica\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Juntamos os <em>experts<\/em> dos EUA, Brasil, Argentina, Chile, Venezuela e Col\u00f4mbia. Al\u00e9m de ser um sucesso e dar lugar a programas pan-americanos de pesquisa que existem at\u00e9 agora, esse workshop, que ocorreu em junho de 1998, serviu para perceber que dever\u00edamos ter uma sociedade brasileira de pesquisa em Materiais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1874\" aria-describedby=\"caption-attachment-1874\" style=\"width: 643px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/workshop-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1874 \" title=\"workshop 3\" src=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/workshop-3.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/workshop-3.jpg 643w, https:\/\/www.sbpmat.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/workshop-3-300x119.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 643px) 100vw, 643px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1874\" class=\"wp-caption-text\">O segundo a partir da esquerda na fila da frente \u00e9 o professor Sol\u00f3rzano, um dos coordenadores do evento. (Foto do arquivo pessoal de Guillermo Sol\u00f3rzano)<\/figcaption><\/figure>\n<p><em><strong>B. SBPMat:<\/strong> &#8211; Nesse momento voc\u00ea tinha em mente quais seriam os pr\u00f3ximos passos para a cria\u00e7\u00e3o da sociedade? Como prosseguiu a hist\u00f3ria?<\/em><\/p>\n<p><strong>G.S.:<\/strong> &#8211; Em primeiro lugar, eu queria identificar a comunidade representativa de Materiais no Brasil. Para isso, contatei o CNPq e pedi uma lista dos pesquisadores que estavam nos conselhos e comit\u00eas assessores e dos bolsistas de produtividade das \u00e1reas de Materiais, F\u00edsica e Qu\u00edmica. A lista tinha uns 300 nomes. A eles enviei uma carta assinada junto a Zanotto propondo uma discuss\u00e3o para criar uma sociedade. S\u00f3 duas pessoas questionaram; todos os outros foram muito entusiastas. Al\u00e9m disso, sabendo que todo ano tinha 40 a 50 brasileiros no congresso de Boston da MRS, solicitei ao presidente da MRS em 1999 que me mandasse a lista dos brasileiros que participavam do congresso e pedi se podia fazer uma reuni\u00e3o l\u00e1 em Boston durante o evento.\u00a0 A MRS me enviou a lista e cedeu uma sala, cafezinho, e toda a infraestrutura para que eu pudesse receber esses brasileiros. Fizemos a reuni\u00e3o em Boston, num clima de muito entusiasmo. Com esse <em>feedback<\/em>, quando voltei de Boston convidei o Zanotto a dar corda \u00e0 iniciativa e fizemos uma <a href=\"http:\/\/sbpmat.org.br\/a-sbpmat\/historico\/mensagem-a-comunidade-de-novembro-de-2000\/\" target=\"_blank\">carta convidando toda a comunidade a fazer parte da discuss\u00e3o<\/a>. Al\u00e9m disso, eu fiquei um ano fazendo reuni\u00f5es em diversas cidades. Pagava por conta pr\u00f3pria, aproveitando as oportunidades. Onde tinha um congresso que eu pudesse aproveitar, eu ia.\u00a0 Um exemplo foi o Encontro de F\u00edsica da Mat\u00e9ria Condensada em S\u00e3o Louren\u00e7o, que reuniu cerca de 2 mil f\u00edsicos. Quem me apresentou foi o Sergio Rezende, que era o chairman. Nas minhas viagens sempre tinha algu\u00e9m influente daquele lugar que chamava todo mundo a participar. Como n\u00e3o tinha financiamento, n\u00e3o pude ir at\u00e9 Recife, mas pedi ao Sergio Rezende que fizesse a reuni\u00e3o. Ele a fez e me disse que a ideia tinha sido muito bem recebida.<\/p>\n<p>Ai, para dar uma consist\u00eancia maior \u00e0 quest\u00e3o, eu propus a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o interdisciplinar de Materiais que congregava personalidades cient\u00edficas reconhecidas no pa\u00eds, oriundas da F\u00edsica, Qu\u00edmica e Engenharia, como Aldo Craievich e Evandro Mirra, entre v\u00e1rios outros. Juntos fizemos visitas a eventos importantes.<\/p>\n<p>Nesse momento, como n\u00e3o t\u00ednhamos nem um tost\u00e3o, surgiu a ideia de estabelecer a possibilidade de ser s\u00f3cio fundador.\u00a0 Esses s\u00f3cios fundadores pagariam uma soma pequena, uma primeira anuidade, algo em torno de 40 reais, e os membros da comiss\u00e3o interdisciplinar algo assim como o dobro, e com isso ter\u00edamos uma caixinha para dar in\u00edcio a algumas atividades. Houve uns 400 s\u00f3cios fundadores, todos receberam um diplominha. Dessa maneira conseguimos os primeiros recursos financeiros da SBPMat.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascido no Equador, Ivan Guillermo Sol\u00f3rzano-Naranjo desenvolveu sua forma\u00e7\u00e3o e carreira cient\u00edfica em v\u00e1rios lugares do mundo. \u00a0Cursou Engenharia Mec\u00e2nica na Escuela Politecnica Nacional em Quito, Equador, Engenharia Metal\u00fargica na Universit\u00e9 Catholique de Louvain, na B\u00e9lgica, e gradou-se pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) no Brasil. 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